09/03/2011
Rango
Fundada em 1975 por George Lucas a ILM (Industrial Light and Magic) é reconhecidamente uma grande empresa de efeitos especiais. Era de se esperar então, que uma animação realizada por este estúdio fosse um primor. Rango, que chega hoje aos cinemas enche mesmo aos olhos. Cada bicho, objeto e detalhe do cenário chama atenção pela perfeição da construção. Há história, no entanto, não chega a ser primorosa. Repleta de referências a filmes, principalmente aos de Western como Era uma vez no oeste, mas em determinados momentos até Apocalypse Now, Star Wars e 2001 entram nas homenagens.
Rango é um lagarto de aquário que para passar o tempo brinca de ser ator. Um dia, o caminhão onde viaja tomba e ele é atirado na estrada em meio a um deserto. Com o sol escaldante e sem rumo, Rango vagueia até encontrar a lagarta Priscilla e ser levado a uma cidade de animais bem ao estilo do velho oeste com direito a saloon, pistoleiros, prefeito corrupto, xerife e muito mais. Aproveitando seu treino como ator, Rango vai se envolvendo em uma rede de mentiras sobre seu passado e habilidades e acaba se envolvendo cada vez mais com o mistério da falta de água.
A história é divertida, envolvente e inteligente. Acredito que os adultos possam gostar mais até que as crianças, já que tem muita referência não apenas a filmes. As corujas Mariachis narradoras dão um tempero especial à obra, interferindo em vários momentos. Lembrei muito do filme Quem vai ficar com Mary a cada aparição do conjunto. O tom de comédia é sátiro, com vários duplos sentidos e mensagens subliminares. Mas, é possível acompanhar a história compreendendo apenas a primeira camada. Em alguns momentos, no entanto, pode ficar cansativo.
Considero a caçada à água a melhor parte do filme, não apenas por causa da coleção de referências, mas pela construção da narrativa que nos envolve em aventura e comédia de uma forma equilibrada. As referências são inúmeras e não vou entregar todas aqui para não perder o efeito surpresa. Mas, é lindo, por exemplo, ouvir a Cavalgada das Valquírias e, em vez de aviões, aparecerem seres voadores servindo de montaria, semelhante a Avatar. As passagens que começam com o lagarto gritando: "vamos cavalgar" também nos trazem uma enxurrada de lembranças. Destaque ainda para cena do espírito do Oeste.
Uma pena que as salas de cinema parecem estar regredindo e animações não chegam mais por aqui em cópias legendadas. Esse é o tipo do filme que atrai facilmente o público adulto e cinéfilo. Mas, somos privados das vozes de Johnny Depp, Alfred Molina, Abigail Breslin ou Bill Nighy porque, cada vez mais, as cópias dubladas invadem os cinemas. Até filmes de ação com atores reais como Incontrolável chegam por aqui dublados. É lamentável. Precisamos ter opções ou, cada vez mais, o público irá se afastar das salas e se voltar para os vídeos piratas ou baixados na internet, em sua grande maioria, legendados.
Ainda assim, Rango é daqueles filmes em que saímos felizes da sala de projeção. É sempre bom ver um trabalho tão detalhado em termos técnicos, com um cuidado especial em cada animação. Enche os olhos. Ainda mais se a técnica está em função de uma história divertida, envolvente, e mesmo que clichê em alguns momentos, conta com uma certa dose de surpresa.
Rango: (Rango: 2011 / EUA)
Direção:Gore Verbinski
Roteiro: John Logan
Vozes originais: Johnny Depp, Timothy Olyphant, Abigail Breslin, Bill Nighy.
Duração: 107 min










































12 opiniões:
Fiquei curioso para assitir. Se homenageia grandes filmes, me intessa.kkkk
9 de março de 2011 10:04Vou assistir o quanto antes. Western é um dos meus gêneros preferidos e com as referências que você citou me empolguei mais ainda.
9 de março de 2011 10:29Rango está passando em 11 salas na minha cidade, TUDO DUBLADO. Realmente isso chega a ser ofensivo. Tem público para animação legendada sim, como os caras não percebem isso?
É verdade que a maior parte das dublagens brasileiras são ótimas, mas queria ter a chance de poder ouvir as vozes originais.
Adorei Rango e também lamentei não poder ter visto a versão com legendas.
9 de março de 2011 11:13Ainda não assisti, pretendo fazer isso e gostei dos seus comentários! Pena que aqui não chegaram cópias legendadas também!
9 de março de 2011 19:44Eita! Achei um lixo! Mas, claro, a animação enche os olhos em sua parte técnica. Mas qual não enche?
9 de março de 2011 20:20Adoro animações, mas essa realmente não me puxou pras salas de cinema.
10 de março de 2011 13:47Estou curioso pelo filme. Quanto a esse aspecto de dublagem, é realmente complicado. Impera no Brasil a cultura d eque animação é coisa de criança. As distribuidoras ainda não assimilaram a evolução do gênero e uma criação como a de Johnny Depp acaba "perdida na tradução" para emular o ótimo título de Sofia Coppola.
10 de março de 2011 14:22Bjs
Pois é, Renato.
10 de março de 2011 22:14Esse é um grande problema, Bruno, já vi algumas pessoas elogiando a dublagem de Johnny Depp, a gente fica só na saudade.
Pois é, Márcio. Tristeza.
Veja, Kamila, e depois diga o que achou.
Otávio, eu gostei muito, pena que não curtiu. Quanto a animação, tem muitas que não tem a perfeição técnica dessa, principalmente na modelagem dos bonecos.
É, Gabriela. Acontece. hehe.
Pois é, Reinaldo. É lamentável essa mentalidade de animação é coisa de criança, e o pior é ver que vários live action já estão passando no cinema dublado também... tenha medo...
bjs a todos.
Amanda, devo conferir, em breve. Confesso que quando vi o trailer nem me interessei, achei meio chatinho, mas posso mudar de percepção quando assistir. Você e alguns blogueiros teceram bons comentários ao filme, menos Otávio que detestou, rs!
10 de março de 2011 22:48Eu detesto ver filmes dublados no cinema, mas sou o único cinéfilo que prefere ver animação - algumas, claro - dubladas. Toy Story mesmo, toda a trilogia, eu prefiro dublado! é por que me acostumei assim, acho, cresci com aquelas vozes. Rs!
Beijo
Não gostei da animação tanto como você, para falar a verdade acho que a única parte do filme que funciona é a parte visual, e a ótima trilha sonora do Hans Zimmer. Achei o roteiro puro clichê.
10 de março de 2011 23:30Abs.
Eu achei não só os efeitos especiais, mas a história também um primor Amanda.
11 de março de 2011 13:46Nem tanto Era Uma Vez No Oeste, mas principalmente outras obras de Leone como Quando Explode A Vingança e Por Um Punhado De Dólares são referenciais.
Filmão!
Bjs.
RODRIGO
bem, vale lembrar que nós temos a melhor dublagem do mundo, e que os brasileiros em sua maioria não tem o ingles fluente para entender o filme em ingles na sua totalidade.
12 de março de 2011 07:48agora legendado; a pessoa vai no cinema, paga entre 10 a 30 reais num ingresso, para ler legendas? fica em frente à uma tela gigantesca para prestar atenção em letrinhas no canto inferior da tela?
bicho, se quer ler, compre um livro, sai até mais barato; quem assiste legendas perde fotografia, expressão facial, expressão corporal, figurino, o audio (porque fica atento apenas à legenda, todo o restante do filme fica em segundo plano) mal a voz dos personagens se presta a atenção, pois o foco do cérebro é decifrar o conjunto de letras na parte de baixo.
é ótimo que as salas de cinema optem pela dublagem nacional, assim podemos assoistir o filme por completo, analizar cada detalhe da cena, sem ter letrinhas roubando a cena.
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