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Comentando o trailer de Nosso Lar
Comentando o trailer de Nosso Lar
Ontem foi divulgado o trailer oficial do filme Nosso Lar de Wagner de Assis. Assim, já dá para ter uma idéia do que nos aguarda em setembro. Claro que trailer não é filme e muitas vezes engana. Ainda assim, achei válido trazê-lo e comentar as primeiras impressões.
Eu tinha treze anos quando Nosso Lar parou em minhas mãos pela primeira vez. Estava começando a conhecer o espiritismo e já tinha estudado o livro dos espíritos e dos médiuns. Veio, então, esta obra de André Luiz psicografada pelo médium Chico Xavier. O primeiro capítulo me assustou. A descrição do Umbral, os gritos de "Suicida!", tudo parecia fantástico demais, mas estava curiosa sobre o que pregava a doutrina e continuei. Depois, a dificuldade foi em relação à linguagem da metade do século XX. Frases pomposas, com palavras que caíram em desuso, tudo era meio estranho para uma menina de treze anos, mas a idéia de conhecer o outro lado da vida me levou até o fim. Na metade da leitura já estava absorta na narrativa e, desde então, Nosso Lar é uma referência de livro espírita, não apenas para mim, mas para milhares de adeptos da doutrina.
É, então, com felicidade que vejo o primeiro trailer oficial do filme na internet. Não que isso já seja garantia de um bom filme, mas, pelo menos, já dá indícios da produção caprichada, de cenários e cenas que sempre imaginei ganhando corpo. É cedo para falar em interpretação, mas até agora a única coisa que não me deixou tão empolgada foram as expressões do ator Renato Prieto. Pode ter sido impressão ou então, porque imaginava André Luiz um pouco diferente.
Fiquei curiosa em relação ao roteiro e como encaixarão as cenas de desencarne do médico. O livro já começa no Umbral, que por sinal, está assustadoramente representado. Já a colônia de Nosso Lar está bem futurista, imaginava um pouco menos, mas gostei do design. Imagino que Othon Bastos faça o ministro Clarêncio, a caracterização do bondoso mentor está bem interessante, assim como o enfermeiro Lízias. A cena do anúncio do início da segunda guerra mundial é de arrepiar, tanto quanto no livro, uma pena, no entanto, que já venha no trailer, já que pelo menos na narrativa escrita é quase no final da história. Em termos de efeitos especiais, só achei que algumas imagens da cúpula da colônia estão pouco reais, dá a sensação clara de imagem digital. Ainda assim, me impressionou para o porte de um filme brasileiro. Uma verdadeira superprodução.
Não sei se será um clássico do cinema, mas desde já torna-se um marco no espiritismo. Torço muito pelo seu êxito. Espero não me decepcionar diante da expectativa como aconteceu com Besouro e Olga.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
Comentando o trailer de Nosso Lar
2010-03-23T01:06:00-03:00
Amanda Aouad
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