“A vida presta” e “vamos sorrir sim”. Não tem jeito, mesmo com o protagonismo de Anora na premiação do Oscar 2025, para nós, brasileiros, a noite de 02 de março de 2025 será sempre lembrada como o dia em que ganhamos o primeiro Oscar do país. E, talvez, também pelo injusto resultado na categoria de melhor atriz. Mas comecemos pelos momentos felizes.
Oscar 2025: Ainda Estamos Aqui
“A vida presta” e “vamos sorrir sim”. Não tem jeito, mesmo com o protagonismo de Anora na premiação do Oscar 2025, para nós, brasileiros, a noite de 02 de março de 2025 será sempre lembrada como o dia em que ganhamos o primeiro Oscar do país. E, talvez, também pelo injusto resultado na categoria de melhor atriz. Mas comecemos pelos momentos felizes.
Ainda Estou Aqui teve uma jornada vitoriosa de orgulhar todos nós. Desde sua aclamação no Festival de Veneza do qual saiu ovacionado e com o prêmio de melhor roteiro. A partir daí, foram muitas indicações e prêmios até chegar a festa máxima da indústria com três indicações, entre elas a de Melhor Filme. Até os cães que interpretaram Pimpão, levaram o Fido Awards. Além disso, Fernanda Torres se tornou um nome conhecido no meio. Passou por diversas entrevistas, eventos e programas ajudando na campanha da obra.
Vencer o primeiro Oscar do país na categoria de Melhor Filme Internacional foi mesmo uma consagração de nos deixar orgulhosos. Uma coroação para todo o filme e equipe, não apenas para Walter Salles ou Fernanda. Um feito incrível que merece ser celebrado e lembrado sempre. Mas acabou sendo marcado tão pela não vitória de Fernanda Torres na categoria de melhor atriz.
Se, tínhamos em Emilia Pérez um concorrente direto, após as polêmicas, quem acabou sendo um calo em nosso caminho foi Anora. O filme de Sean Baker foi o grande vitorioso da noite. Levou melhor filme, melhor direção, melhor atriz, melhor roteiro original e melhor montagem. O filme que tinha estreado com a Palma de Ouro em Cannes, teve uma trajetória que foi esfriando, mas acabou retomando fôlego nessa reta final e se consagra de fato como o filme da temporada.
Dentre os prêmios de Anora, o de melhor atriz acabou sendo o mais polêmico. A atriz Mikey Madison surgiu como possível zebra nas últimas premiações, principalmente após vencer o Bafta, mas todas as apostas indicavam a disputa entre Fernanda Torres e Demi Moore. Ainda que a brasileira merecesse, era mesmo de se esperar que a academia consagrasse a atriz que sempre esteve ali, mas nunca com chances de fato de ser premiada. Era o ano dela. E seria esperado até por nós, brasileiros, que Fernandinha perdesse para a eterna atriz de Ghost.
A vitória de Mikey Madison, no entanto, reforça um cenário desolador para mulheres, no qual as mais novas sempre têm mais chances de trabalhos e reconhecimento. Ver Demi Moore perder sua grande chance de premiação para uma garota de 25 anos é reforçar tudo aquilo que A Substância critica. É duro isso, principalmente diante de todos os discursos que a atriz fez nas suas premiações, em especial no Globo de Ouro e no SAG Awards. É triste, mas sigamos em busca de dias melhores.
Apesar das previsões, a noite também foi marcada por outro fato inédito. Na categoria de melhor Animação, Flow fez história ao levar a estatueta concorrendo com estúdios gigantes como Pixar / Disney e DreamWorks, sendo a primeira indicação da Letônia em toda a história. O filme mereceu mesmo toda aclamação, demonstrando que é possível se destacar com talento e criatividade.
Das treze indicações, sobrou para Emilia Pérez apenas Zoe Saldanha, como melhor atriz coadjuvante e canção original para El Mal. Conclave ficou apenas com roteiro adaptado. E O Brutalista acabou se destacando também com melhor ator para Adrien Brody, melhor fotografia e melhor trilha sonora. Enquanto Wicked e Duna Parte 2 levaram dois prêmios técnicos cada. Já A Substância ficou apenas com melhor cabelo e maquiagem.
De qualquer maneira, não foi uma noite ruim. Pelo contrário, o Oscar teve uma temporada de bons filmes e muitos resultados justos. E, como já foi dito, o Brasil não vai mais esquecer essa noite.
Melhor filme:
"Anora"
Melhor direção:
Sean Baker por “Anora”
Melhor Atriz:
Mikey Madison por "Anora"
Melhor Ator:
Adrien Brody por “O brutalista”
Ator coadjuvante: Kieran Culkin por "A verdadeira dor"
Atriz coadjuvante: Zoe Saldaña por "Emilia Pérez"
Filme Internacional: Ainda Estou Aqui (Brasil)
Animação:
'Flow'
Documentário: 'No other land'
Fotografia: 'O brutalista'
Roteiro adaptado: 'Conclave'
Roteiro original: 'Anora'
Montagem: 'Anora'
Figurino: ‘Wicked’
Maquiagem e cabelo: 'A substância'
Curta-metragem com atores: 'I'm not a robot'
Curta-metragem animado: 'In the shadow of cypress'
Documentário de curta-metragem: 'The only girl in the orchestra'
Canção original: 'El Mal' - 'Emilia Pérez' '
Trilha sonora: ' O brutalista'
Som: 'Duna: Parte 2'
Direção de arte: 'Wicked'
Efeitos visuais: 'Duna: Parte 2'
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
Oscar 2025: Ainda Estamos Aqui
2025-03-03T03:50:00-03:00
Amanda Aouad
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