09/10/2009

Bastardos Inglórios

Cartaz Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds)Quando os letreiros começaram achei que tinha voltado no tempo e ia começar O Álamo, faroeste clássico do anos 60, por causa da execução instrumental da inconfundível A Time to Remember. O filme inteiro é repleto de citações ao velho oeste, bem típico de um diretor que sempre bebeu de diversas fontes para montar a sua autoria. A cena inicial em uma fazenda longínqua no interior da França, também traz esse clima retrô. É quando aparece o coronel nazista Hans Landa, que toma conta do filme com a interpretação assombrosamente boa de Christoph Waltz. O diálogo dele com o fazendeiro é digno dos melhores diálogos de Tarantino, um jogo de palavras em uma tensão psicológica com um desfecho típico.

Bastardos Inglórios conta a história da pequena judia Shosanna Dreyfus que testemunha a execução da sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa e consegue escapar fugindo para Paris, onde muda de nome e assume a identidade de uma dona de um pequeno cinema. Em outro lugar da Europa, o tenente Aldo Raine organiza um grupo de soldados judeus americanos para colocar em prática uma vingança, nasce os "Os Bastardos", que junta-se à atriz alemã e agente secreta Bridget Von Hammersmark em uma missão para eliminar os líderes do Terceiro Reich. O destino de todos vai se cruzar graças à exibição de um filme alemão, no tal cinema.

Brad Pitt em Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds)

A divisão do filme em capítulos é uma organização sutil dos temas e ajuda na narrativa do filme e na trajetória da judia Shosanna, dos Bastardos e do Coronel Hans Landa. Interessante perceber que a história se baseia nesses três pilares e eles quase não se encontram. O embate entre o coronel e Aldo Raine, com Brad Pitt também muito bem em seu papel, só ocorre no ato final, mas sustenta o suspense durante toda a projeção.

O clima é olho por olho, dente por dente, no estilo Tarantino de ser, ou seja, muita violência, sangue e cenas explícitas com carne sendo cortada, escalpos arrancados e bastão amassando nazistas. Há quem goste e cultue, eu fico incomodada na cadeira, mas não deixo de admirar o talento do cineasta em construir suas cenas. Interessante observar que é um filme poliglota, já que alemão fala alemão, francês fala francês e americano fala inglês, o que permite algumas brincadeiras de linguagem na torre de babel construída.

Os diálogos são fantásticos, a tensão é constante e a violência é uma forma de extravasar tudo isso. Não é engraçado, não nos sentimos identificados com a sede de vingança dos judeus, mas entendemos a trajetória, principalmente da garota que viu sua família ser assassinada tão cruelmente e viu a oportunidade de ter toda a cúpula nazista em seu pequeno cinema, incluindo Adolph Hitler. Apesar de se basear em fatos históricos, o filme não é fiel a realidade, nem aos acontecimentos durante a Segunda Guerra. É um mundo alternativo, com uma base histórica, o mundo com os olhos de um eterno adolescente, com muito talento e rebeldia. Tenho que aplaudir sua ousadia.


12 opiniões:

Ricardo Martins disse...

Valeu Amanda pela dica, "se gostei de Kill Bill vou adorar esse".
Não estava afim de ver esse filme, mas com essa comparação fiquei com uma vontade!!!!
ABRAÇO

9 de outubro de 2009 13:52
Amanda Aouad disse...

Ih, olha a responsabilidade, hehe. Falo, porque primeiro, ambos são bem Tarantino, segundo porque ambos falam de vingança, têm diálogos inteligentes e sátiras memoráveis. Mas, é sempre bom ver filmes de diretores que sabem o que fazem.
abraços

9 de outubro de 2009 20:23
Rodrigo Mendes disse...

Amanda vi hj na estréia e pirei!

Belo Texto!

Bjokas!

9 de outubro de 2009 22:45
Caique Gonçalves disse...

É impressionante como Tarantino consegue conferir originalidade e nos proporcionar uma ótima diferente nas mais diversas temáticas. Mas nenhum sentimento é mais "tarantinesco" como a vingança. Achei uma homenagem ao cinema, devido às diversas referências que ele faz aos diversos filmes e diretores.

10 de outubro de 2009 13:40
Fernando Império disse...

Lendo seu post fiquei ainda mais incomodado de não ter visto. Estou numa cidade do interior [SP] que ainda não estrou... Vai ficar só pra depois do feriado... (suspiro)

10 de outubro de 2009 18:59
Dr Johnny Strangelove disse...

Sem duvida, o melhor do ano junto com Up - Altas Aventuras. fica dificil ter um outro filme que conseguiu sintetizar o sentimento do cinema quanto foi Tarantino em Basterds.

Abraços

10 de outubro de 2009 20:23
Fred Burle disse...

Você falou algo que também observei, mas esqueci de comentar no blog: a fidelidade às línguas de cada um. Sempre me irrito quando os personagens não-ingleses/norteamericanos falam inglês por puro oportunismo de ter mais público.
Quando um cara como Tarantino opta por ser coerente dessa forma, há que ser exaltado. Muito bom!

11 de outubro de 2009 10:01
Ana F. disse...

Amandinha,
não sou entendida de cinema e, quando o filme começou com aquela cena tão bucólica, pensei "ai, que saco!", risos!!
Claro que não percebi nenhuma das referências ao velho oeste que vc narra tão bem em seu texto, mas fiquei ligada na poltrona, do início ao fim do filme.
Fim da sessão, depois de limpar todo o sangue que espirrou da tela nos meus óculos (risos!!), tenho que admitir: Tarantino é um louco completo. E um gênio. (mas isso a gente já sabia)

13 de outubro de 2009 20:11
Amanda Aouad disse...

Pois é, Rodrigo, é bom. Muito bom, hehe.

Caique, é verdade, uma homenagem, é Tarantino, sempre se reinventando.

Calma, Fernando, chega logo, depois conte o que achou.

Dr. Johnny, é muito bom sim, mas veja Deixe ela entrar (filme sueco), para mim, foi a grata surpresa de 2009.

Ana, querida, que bom que veio me visitar, hehe. O início é quase uma pegadinha de Tarantino, muita gente deve ter estranhado. Volte sempre.

bjs

14 de outubro de 2009 09:27
Santiago. disse...

Para mim, é no momento, o melhor filme da temporada, inclusive, com as melhores atuações, e com o melhor roteiro original. Tarantino ao mesmo tempo que subverte a História ao seu bel-prazer em Bastardos Inglórios, faz História nas páginas douradas da sétima arte. Acredito ter assistido um novo clássico do cinema.

Abraço.

21 de outubro de 2009 04:02
Bruno disse...

Pode ser até que eu não entenda de cinema tanto quanto outros que aqui postaram seus comentários, mas o que posso dizer desse filme se resume a uma palavra: ENFADONHO!
Não sei como conseguiram gostar do filme: cansativo, parado, exagerado em diálogos, com cenas sem sentido, sem ação...não consegui chegar até o final. Não me lembro de ter saído de um filme antes do seu desfecho ate Bastardos Inglórios!
Mas...cada cabeça um mundo.

3 de novembro de 2009 22:59
Amanda Aouad disse...

Pois é, Bruno é isso que faz o cinema fascinante, nada é definitivo.
Agora quanto ao que você chama de excesso de diálogos, se é inteligente, sarcástico, bem humorado, o filme pode ser só diálogo e não ser chato... Mas, é isso aí, cada um tem seu gosto e percepção. Eu adorei.

3 de novembro de 2009 23:21

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