11/11/2009

Distrito 9

Distrito 9Poucas vezes vi um início de filme tão impactante. O corte rápido de imagens, a simulação de uma reportagem televisiva, a construção de um programa documentário tomam de salto o espectador que quase acredita naquele mundo paralelo criado por Neill Blomkamp. O argumento é muito interessante, aliens sendo segregados racialmente tal qual os negros no antigo sistema de Apartheid da África do Sul. O formato escolhido, simulando um documentário também foi bastante feliz, pena que não se sustenta o filme inteiro.

Em determinado momento, o roteiro parece ficar sem alternativa e mescla as cenas da câmera flagrante com outras em que seria impossível uma testemunha ocular. Isso quebra o ritmo do filme e o torna confuso. Não por ser difícil de comprender as cenas, mas por ser complicado entender onde o diretor quer chegar com aquilo. Ainda assim, a idéia é válida.

Distrito 9 é construído como uma grande crítica social. Através do exemplo fictício dos Aliens, ele mostra como foram formadas as favelas, o crime organizado, o tráfico de drogas e a marginalização na sociedade mundial. Só por essa idéia já é muito bom. Nos conduzindo a pensar como eles, Neill Blomkamp apresenta um protagonista humano babaca, egoísta e extremamente preconceituoso e o contrasta com o alien sensível, pai zeloso, cientista e ético. Porém, este é uma exceção em uma nuvem de Aliens que mais se assemelham a bichos irracionais, pulando em busca de comida de gato ou brigando para sobreviver diante da invação da MNU.

Distrito 9Por tudo isso, a primeira virada no filme estraga um pouco essa idéia realista e metafórica que o longa quer transmitir. Além de ficar sem sentido, já que não serve para modificar o espírito do protagonista humano. A construção fica vazia, sem nenhum embasamento científico para acontecer e não traz nenhum ensinamento para Wikus. A sinopse fala que seria um vírus, mas que espécie de vírus é esse que modifica um DNA humano e ao mesmo tempo serve como único combustível para uma nave espacial?

A perseguição a Wikus torna-se mais importante que as discussões sobre a situação dos Aliens, esvaziando o argumento inicial e construindo cenas de ação confusas, já que o diretor se perde um pouco. Distrito 9 torna-se um campo de batalha sanguinário, que cria tensão e entretem, mas acaba fazendo a crítica social, ponto forte do filme, cair no vazio, junto com os "camarões" e humanos soldados. Ainda assim, traz um fôlego novo à ficção científica, inovando na construção de alienígenas não-maniqueístas (nem bons, nem maus) e alertando para o preconceito inerente à raça humana.


6 opiniões:

Robin disse...

Ah, Amanda, eu adorei o filme, mesmo com a confusão. A sensação no final foi: caramba, esse é bom. Além do que é produzido por Peter Jackson, o cara que realizou meu sonho de infância ao filmar O Senhor dos Anéis.
beijos

11 de novembro de 2009 09:07
Bruno disse...

Eu gostei bastante do filme na primeira vez que assisti, depois reassistindo, não é lá tudo aquilo, se perde um pouco no final.

Mas, com certeza, é um dos melhor filmes do ano!

Está no meu Top 5 do ano!

11 de novembro de 2009 11:59
Renan Barreto disse...

To doido pra ver esse, Filme!!!!!! A temática me chamou atenção. Se bem que o preconceito já foi bastante falado muito em x-men, mas eu queria que isso fosse entendido pelas pessoas. Como vejo gente preconceituosa. Acho que para o pessoal de comunicação é mais tranquilo porque a gente lida com todo tipo de gente em todos os lugares, nã oé mesmo? Bem, naõ é uma regra.

Enfim, já atualizei o endereço lá no RBO.

Valeu!!!!!!!!!!

11 de novembro de 2009 14:00
Chan. disse...

Na próxima data comemorativa que sentarmos numa mesa de bar explico porque eu ODIEI esse filme. Mas gostei da crítica, concordo em muitas partes.

11 de novembro de 2009 18:46
Amanda Aouad disse...

É, Robin, adoro a trilogia Senhor dos Anéis, mas Distrito 9 não é essa maravilha toda para mim. Neill Blomkamp tentou, mas o filme tem alguns problemas, mas que bom que ele começou com um padrinho como Peter Jackson.

Não está no meu Top 5, Bruno acho que ele tem problemas no final que me desencantaram, mas é um bom filme.

Isso é o que mais agrada, Renan, a temática. O preconceito mundial é grande sim. Mesmo nos meios de comunicação, a gente se surpreende ainda com algumas coisas.

Vou aguardar ansiosa, Chandra, provavelmente haverá oportunidade em dezembro. Bom te ver por aqui, bjs.

11 de novembro de 2009 22:49
Cris Ferreira disse...

Eu definiria este filme como sendo o mais excêntrico que já assisti.. Mas concordo que o início impactante fez com que o desenrolar da história deixasse a desejar...

15 de novembro de 2009 15:10

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