30/03/2010

Na Natureza Selvagem

o verdadeiro Christopher McCandless

Qual o sentido da vida? Complexa e sem resposta concreta, essa pergunta permeia a trajetória do jovem Christopher McCandless, que poderia se definir como um aventureiro nato, desprendido e que queria apenas experimentar uma sensação incrível de liberdade. Apesar disso, demonstra ser também, um rebelde ferido, que não consegue superar o trauma da relação de seus pais e abandona tudo o que a vida lhe deu para expurgar essa sensação de mediocridade humana que o sufoca. Ele quer o silêncio da vida ao natural. Sem dinheiro, sem vínculos, sem passado. Seu novo nome, Alexander Supertramp, já é uma brincadeira irônica, já que tramp é vagabundo em inglês.

Cartaz de Na Natureza SelvagemEm Na Natureza Selvagem, Sean Penn, que além de dirigir, assina o roteiro do filme, conta essa história de uma maneira bem instigante e funcional. Misturando as épocas, tendo como base o ônibus abandonado onde Chris passou os últimos dias de sua vida, tenta reconstruir essa aventura que aos olhos de muitos pode parecer uma grande maluquice. Afinal, quem largaria o conforto de uma vida urbana, bem resolvida da classe média, com uma vaga em uma universidade, um carro novo e um futuro promissor para se embrenhar no meio do mato? As lições de vida e os questionamentos que esse menino faz nos levam a pensar em nossas vidas, na futilidade de muitas coisas que nos parecem essenciais e no verdadeiro sentido de estarmos nesse planeta.

A vida de Christopher McCandless e o filme de Sean Pean são pura filosofia. E das boas, pois toca em assuntos como liberdade, felicidade, sentido da vida, relações humanas, traumas familiares e natureza selvagem. A interpretação de Emile Hirsch e do elenco de apoio ajuda nessa construção, tornando tudo bastante real e profundo. Destaque para participação de Kristen Stewart, a Bella Swan de Crepúsculo, como uma cantora de beira de estrada.

Hal Holbrook e Emile HirschChris fala para um de seus novos amigos ao se despedir: "Mas, se engana se acha que a alegria de viver vem principalmente das relações humanas. Deus colocou-a a nosso redor. Está em tudo que possamos experimentar. As pessoas apenas precisam mudar a maneira como olham para essas coisas." E o amigo lhe diz que é para ele pensar em tudo que lhe aconteceu, em seus pais e para perdoar, pois "quem perdoa, ama. E quando se ama, a luz de Deus nos ilumina". É impressionante como o ser humano consegue machucar uns aos outros. E como é difícil perdoar algumas coisas que consideramos mais profundas. Mas, tudo isso se torna tão pequeno diante de momentos cruciais da nossa existência. Esse road movie é mais do que história e entretenimento, é material para se pensar. E muito.


8 opiniões:

Cristiano Contreiras disse...

Puxa, adorei o post!

Eu vi este filme sozinho no cinema e até hoje me recordo a sensação pós sessão: fiquei quieto, sem palavras, bem mudo e totalmente reflexivo. Foi um filme que me atingiu em cheio em todos os sentidos...

Fiquei com ele na mente o restante do dia e depois fui ler sobre a vida de Christopher McCandless - desconhecia tudo sobre ele, pra você ver.

Na época, procurei ler tudo dele e logo que saiu em dvd eu comprei! Sempre que posso revejo. Gosto da participação de Stewart, ela é tão meiga e canta bonitinho, rs.

Sem falar na concepção da trilha sonora que você esqueceu de falar: o trabalho do Eddie Vedder é magnífico, por sinal coloquei até pra ouvir aqui enquanto lia teu texto e lembrava do filme!

Abraço

30 de março de 2010 10:26
Mandy disse...

Eu vi esse filme já faz 1 tempo, boa história, bem triste!!!

30 de março de 2010 10:50
Amanda Aouad disse...

É, também fiquei em silêncio um bom tempo, Cris, e quanto a trilha, sempre esqueço dela, vou tentar corrigir essa falha minha.

Concorco, Mandy, a história é triste, mas serve para refletir sobre nossas vidas.

abraços

30 de março de 2010 17:08
Wenndell Amaral disse...

Muito bom. Uma sensação estranha e inovadora, foi o que tive quando terminei de assistir Na Natureza Selvagem. Uma grande e ótima surpresa. Tudo é bem feito, roteiro, direção, atuações, trilha sonora... Poxa vida. Um filme para ficar gravado na memória.

30 de março de 2010 17:48
Hugo disse...

O filme é lição de vida e como você escreveu, nos faz pensar. Mostra que para viver bem não é necessário muito, temos de apreciar as coisas e as pessoas ao nosso redor.

É um obra de sensibilidade impar e a atuação de Emile Hirsch é perfeita.

Até mais.

30 de março de 2010 17:58
Fernando disse...

Este é um filme que está na lista dos meus prediletos... talvez na lista dos 10 mais... afinal, quem nunca sonhou em ter a coragem de Supertramp? Abandonar tudo que nos chateia e seguir a vida sem a preocupação de TER que ser bem-sucedido, ter que ter dinheiro, entre outras coisas... Fora que a trilha é maravilhosa, né? Bjos.

31 de março de 2010 13:52
Amanda Aouad disse...

Fica mesmo, Wenndell.

Pois é, Hugo, e Emile Hirsch realmente está muito bem.

Fernando, não sei, dá um basta em todas as cobranças, sim, mas assim como ele fez, acho que não. hehe.

bjs

2 de abril de 2010 10:44
Reinaldo Glioche disse...

Não é um grande filme,mas é um grande tratado filosófico e sociológico. Só para não deixar de ser pontual, esse foi o último trabalho convincente de Kristen Stewart no cinema. Talvez, junto com sua estréia em O quarto do pânico, o único.
Bjs

9 de abril de 2010 13:37

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