30/06/2010

Cinema Paradiso

Salvatore Cascio é TotóEm homenagem à desclassificação da Itália na primeira fase da Copa, resolvi corrigir aqui um erro e finalmente falar de um dos filmes que melhor demonstra a paixão pelo cinema. Cinema Paradiso, filme italiano lançado em 1988, é uma ode à sétima arte e ao prazer de produzir, exibir e assistir a filmes. Através dos olhos de Totó viajamos por uma época que não existe mais, onde o cinema era a extensão da nossa própria casa. Todos se encontravam, riam, choravam, namoravam e brigavam dentro da sala escura. Principalmente em cidades do interior, onde essa diversão era a única opção. Cadeiras sendo arrastadas, crianças burlando a censura e se encontrando no mundo mágico.

Giuseppe Tornatore consegue, em seu segundo filme, uma obra-prima. Com o roteiro escrito pelo próprio diretor com a colaboração de Vanna Paoli vemos um retrato do que era a Itália pós-guerra. Em uma cidadezinha do interior da Sicília, a população local tem um único divertimento: ir ao Cinema Paradiso aos fins-de-semana, ver as novas fitas vindas de todo o mundo. A grande expectativa era saber se finalmente veriam um beijo entre os atores, coisa que o padre local sempre censurava antes da projeção inicial. Alfredo, o projecionista, tem algo muito mais complicado com o que lidar do que as censuras bobas do padre. É a curiosidade e paixão por aquela cabine que tem o menino Salvatore di Vitto, que todos conhecem como Totó.

Alfredo e Totó

Esperto e determinado, Totó não cansa até conseguir que Alfredo o deixe ficar ali e aprender a arte de projetar filmes. A amizade que surge entre o velho homem e o menino é emocionante e rege todo o filme, reforçada após um acidente grave no velho Paradiso. Com a reforma, o cinema continua sendo a grande atração local e Totó continua projetando filmes, até sua adolescência, quando Alfredo insiste que ali não é o seu destino. No começo do filme já vemos Salvatore em Roma, como um diretor reconhecido, então, nada disso é spoiler. O gancho inicial do filme é o telefonema de sua mãe comunicando a morte de Alfredo.

cartaz de Cinema ParadisoCinema, amizade, destino, vida. Cinema Paradiso constrói sua trajetória com belas cenas da Itália, uma caracterização bem feita do cinema na época, uma história gostosa de acompanhar e uma trilha sonora emocionante assinada por Morricone. Dos três atores que fazem Totó, o maior destaque é o pequeno Salvatore Cascio, um verdadeiro achado de Tornatore, que após este fez ainda seis filmes quando criança. Recentemente fez uns trabalhos para televisão. O jovem Totó é interpretado por Marco Leonardi e o adulto por Jacques Perrin. Philippe Noiret é outro destaque como Alfredo. Da química dos dois atores, nasce uma das histórias de amizade mais bonitas do cinema.

Cinema Paradiso é um marco cinematográfico, não apenas pelos prêmios que ganhou, mas por conseguir tocar os espectadores naquilo que eles têm de melhor na alma. A alegria da vida, simples, sem grandes complicações e na busca de nossos sonhos mais íntimos. Totó foi o predestinado, porque sempre perseguiu seus sonhos, seja o cinema, a namorada ou a carreira profissional. E teve como mentor um homem humilde, mas que sabia que o destino de alguém que ama tanto o cinema não poderia ser uma cabine esquecida em uma cidade sem futuro.


E pra quem já viu o filme, nunca é demais rever a cena final. Um resumo da amizade dos dois protagonistas. Mas, só se você já viu o filme, por favor... Senão, veja o filme inteiro primeiro. Garanto que não vai se arrepender.


9 opiniões:

Emmanuela disse...

Esse final de "Cinema Paradiso" é realmente de encher os olhos de lágrimas. Uma bela obra que demonstra os poderosos efeitos de uma eterna amizade.

30 de junho de 2010 12:17
Fernando disse...

Muita gente o coloca como um dos melhores filmes da história e certamente o melhor do cinema italiano depois da Era Fellini... é um clássico que ainda não conferi :(

30 de junho de 2010 16:39
Rodrigo Carreiro disse...

Deu vontade de assistir!

30 de junho de 2010 17:16
Amanda Aouad disse...

Com certeza, Emmanuela. A amizade dos dois é belíssima.

Veja, Fernando, vale muito. Tinha visto na época, em dezembro ganhei o DVD em um amigo secreto e recentemente revi, nunca perde o efeito.

É um filme que não enjoa, Rodrigo.

bjs

30 de junho de 2010 18:07
bruno knott disse...

O tal do clássico!

Curto muito.

30 de junho de 2010 18:44
Amanda Aouad disse...

Pois é, Bruno...

30 de junho de 2010 23:50
Reinaldo Glioche disse...

Olha Amanda, vc pegou de jeito...

Para mim, este é um dos filmes mais encantadores que existem. A cena final, como vc bem observou é de uma beleza singular. Vc disse tudo, não há filme que reproduza o sentido do cinema em nossas vidas de forma mais eloquente.
bjs

1 de julho de 2010 10:29
Marconi disse...

Obra prima.
Muito emocionante.
http://cinespaco.blogspot.com/

3 de julho de 2010 01:41
Amanda Aouad disse...

Pois é, Reinaldo, simplesmente encantador.

Bastante, Marconi.


abraços

3 de julho de 2010 10:59

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