21/08/2010
O sexto sentido
Ainda no clima Avatar vs M. Night Shyamalan, percebi que não falei de seu grande filme aqui no blog. Por isso, resolvi resgatar O Sexto Sentido. Esse é daquele tipo de filme que nos marca pela coerência interna e total surpresa na revelação final. Um roteiro incrível com uma bela direção. Além das grandes interpretações de Bruce Willis e do menino Haley Joel Osment. Vou tentar não entregar os segredos do roteiro, apesar de acreditar que a grande maioria já viu, ou pelo menos conhece a verdadeira história.
Quando Shyamalan apresentou O Sexto Sentido ao mundo, algo mudou no gênero de suspense. Diversos filmes vieram "inspirados" em sua narrativa. Os Outros, O mistério da Libélula e Passageiros são apenas alguns exemplos. E seria injusto enquadrar o longametragem do indiano apenas como suspense, pois trata-se de um drama humano, familiar intenso. Com uma carga emocional magistral. Um psiquiatra infantil e seu trauma, não conseguiu curar um paciente que dizia ouvir o mundo invisível. Um novo garoto e sua chance de redenção. Ele tem um segredo e vive amedrontado. Sua mãe dedicada não consegue ajudá-lo, pois não compreende o seu drama.
O filme já começa sacudindo o espectador da cadeira. Dr. Malcolm Crowe e sua esposa Anna chegam em casa após um evento onde o médico é homenageado e são surpreendidos por um homem atormentado. Ele acusa Malcolm de não o ter ajudado e atira nele. Suspense, não sabemos o que irá acontecer. O filme avança para um ano depois do fato, e vemos o mesmo Malcolm, totalmente recuperado, estudando o caso do garotinho Cole. Começa a relação de médico e paciente que inevitavelmente passa pela identificação e cumplicidade múltipla. Cole, então, lhe revela seu segredo: Eu vejo pessoas mortas e elas às vezes não sabem que já morreram.
Para nós, espectadores, isso não é exatamente um segredo, afinal, desde o princípio vemos Cole temendo o invisível. Mas, na verdade Shyamalan nos dava ali a primeira pista do seu segredo. Quem viu ou sabe o final, vai entender. Todas as pistas são sutis, estão nas entrelinhas, são sugeridas e quando finalmente é revelado em sua cena final, faz absolutamente todo o sentido. Revendo, podemos perceber todos os detalhes que o diretor / roteirista construiu, tornando lógico o que parecia ilógico. Não há falhas nesse processo, tudo é perfeitamente explicado.E olha que já vi várias vezes para analisar cada cena.
A direção nos surpreende também, na construção de seu ponto de vista, sempre enquadrando câmeras subjetivas do invisíveis que nos dão a sensação de espíritos observando os personagens. Os movimentos de câmera, os enquadramentos, a montagem de cenas, privilegiam o drama exposto naquela história instigante, não caem no fácil terror puro, o que torna tudo ainda mais rico. A trilha sonora ajuda no clima e nos deixa colados aos protagonistas. Tudo muito bem orquestrado. As interpretações também são todas emocionantes, desde os já citados Bruce Willis e Haley Joel Osment, a Toni Collette ou mesmo Olívia Willians que pouco aparece, mas tem cenas fundamentais.Tudo está em seu perfeito lugar em O Sexto Sentido, nos envolvendo em uma história emocionante que traz no impacto do seu final uma reviravolta nas crenças de muitos telespectadores. É belo, instigante e, de certa forma, revolucionário. Esse foi o problema de Shyamalan. Estrear para o grande público com sua obra-prima é cruel. Difícil de sustentar tanta expectativa de superação. Um filme obrigatório para qualquer cinéfilo.










































11 opiniões:
Estava comentando essa semana que quando fui ver o filme, já tinham feito o favor de falar o final perto d emim =/ Uma pena!
21 de agosto de 2010 14:31É sensacional, mas é daqueles filmes que só se assisti uma vez.
21 de agosto de 2010 15:44Mandy, acredite, eu também soube do final antes, mas não porque alguém me contou um spoiler e sim porque vi com minha mãe e ela matou a charada antes. Na hora que Cole diz que vê gente morta e elas as vezes não sabem que morreram, caiu a ficha dela e por falar alto, acabou estragando minha surpresa tb...
21 de agosto de 2010 19:58Márcio, discordo. Os Outros é um filme que só funciona da primeira vez. Mas, O Sexto Sentido continua bom em uma segunda apreciação. Pois o filme é bem amarrado, envolve e a gente ainda fica observando os detalhes que nos enganaram, como a cena do jantar, a porta do escritório que nunca abre, a mãe que nunca conversa com o psiquiatra do filho, a esposa que vive assistindo a fita do casamento, mas se recusa a falar com o marido. Enfim... Eu acho genial.
É um grande filme e como você escreveu, ele continua bom numa segunda sessão, que nos faz descobrir pequenos detalhes que juntos explicavam o final.
21 de agosto de 2010 21:36Apesar de muitos criticarem os últimos filmes de Shyamalan, sou fã do seu trabalho, principalmente nos dias atuais onde as refilmagens são moda, ele consegue ser original e está sempre arriscando em histórias diferentes.
At é mais
Verdade, Hugo, pelo menos ele se arrisca com novidades, mas a obrigação de surpreender e querer ser "o bom", atrapalhou seus últimos filmes.
21 de agosto de 2010 21:40abraços
Um filme obrigatório mesmo. Mas se vc soubesse o tanto d egente que tem por aí que ainda não viu...
22 de agosto de 2010 13:43E vc ainda não tinha falado dele aqui?! Shame on you! rsrs
bjs
Pô, Reinaldo, libera aí, o filme é de 99 e o blog só tem quase dois anos... hehe. Ainda não tive tempo e oportunidade de resgatar todos os clássicos, até porque para falar deles prefiro rever para lembrar detalhes.
22 de agosto de 2010 14:27Imagino que ainda tem quem não assistiu, por isso tomei cuidado de não revelar o final...
bjs
Ah, ótimo texto! De fato, a construção deste é muito mais "genial" que do Os Outros - ainda que goste deste também, mais pela densa atuação de Kidman que merecia indicação ao Oscar ali.
23 de agosto de 2010 01:28Saudade de Haley Joel Osment...será que ele ressussita?
beijo!
Também gosto de Os Outros, Cris, mas ao assistir pela segunda vez perde todo o efeito. Já Haley Joel Osment, tem trabalhado como dublador pelo que li. Torço para que volte para frente das telas.
23 de agosto de 2010 10:17bjs
Esse filme mora no meu coração.
26 de agosto de 2010 21:08O Sexto Sentido me conquistou primeiro por causa do drama do Cole, como não se compadecer do tormento daquela criança? Em sua tenda, cercado por santinhos roubados da igreja... fugindo de coisas que só ele vê.
Acho que poucas vezes vi uma criança sofrer de forma tão sincera em um filme.
O formato do filme me agradou, as reviravoltas, os detalhes, a ambientação, Bruce Willis me convenceu. Nem acredito nisso mas me convenceu.
É um filme que assisti mais de uma vez e sempre que passa na tv eu gosto de assistir de novo.
=)
Pois é, Dani, também penso assim, não canso de assistir e me emocionar.
27 de agosto de 2010 09:28Postar um comentário