05/08/2010

A Origem - primeiras impressões

A OrigemNão sei se é exagero chamar A Origem de o filme do ano, mas com certeza você não vai deixar de se impressionar com o que vai assistir na tela. Cristopher Nolan já havia provado que tinha imaginação suficiente para trazer algo novo em Amnésia e dirigir um filme beirando a perfeição como Cavaleiro das Trevas. Mas, com A Origem ele traz não apenas uma história original, como conceitos e possibilidades novas. A liberdade que o argumento do filme lhe dá, proporciona cenas belíssimas. Acredite. Você não vai ver as duas horas e meia passar. Para completar, ele se fez valer de um elenco de peso: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Hardy, Tom Berenger, Dileep Rao, Ken Watanabe, Cillian Murphy e Michael Caine estão em uma performance incrível à disposição de um mundo dos sonhos.

Ken WatanabeGostaria de ter visto esse filme da mesma forma que vi Matrix em 1999, totalmente desavisada de qualquer pequeno spoiler, inclusive o trailer. Não foi o caso, principalmente após ler algumas matérias que entregaram a trama inteira. Ainda assim, me surpreendi. Por isso, não vou contar aqui para vocês do que se trata. A essa altura é quase impossível vocês não saberem que estamos lidando com o campo dos sonhos, mas ficaremos nisso. Pretendo fazer um texto mais a frente comentando a trama com maiores detalhes, depois que todo mundo tiver assistido e eu revisto. Porque, sim, eu preciso ver esse filme novamente. Você provavelmente terá a mesma vontade.

A possibilidade de falar de sonhos, algo que, por mais teorias psicológicas que existam, ninguém ainda explicou exatamente como funciona, deu a Cristopher Nolan a liberdade de criar qualquer coisa. Mesmo a passagem de tempo que achei absurda, afinal Isaac Newton já dizia que "o tempo é uma ilusão". A nossa mente é atemporal. Mesmo assim, é um universo criado, tudo fica crível, verossímil. É totalmente possível comprar aquela idéia ainda que eles não nos expliquem muito como aquilo tudo acontece. Ao contrário de Matrix que deu explicações até demais.

Leonardo DiCaprio

Nolan vai ainda na contramão da moda. Sugeriram que ele filmasse em 3D, o que ele abominou, fazendo o filme em IMAX. E usou o mínimo de efeitos especiais. Fez questão de filmar em cenários reais, explodir galpões e viajar por quatro cidades: Tóquio, Inglaterra, Los Angeles e Calgary. O resultado é de encher os olhos. Há cenas incríveis como uma em que o personagem Arthur prepara a explosão de um elevador. Ou a cena já exposta no trailer em que a cidade se dobra. Ou ainda a cena em que os prédios são destruídos na praia. É tudo muito bem construído, estruturado, faz sentido. A construção narrativa é maravilhosa, complexa, inteligente que nos faz pensar e discutir o que acabamos de assistir.

Cartaz A OrigemLeonardo DiCaprio interpreta o protagonista Dom Cobb. Segundo papel de destaque no ano, após Ilha do Medo. E a construção de seu personagem é complexa ao extremo, possui a maior carga dramática, a maior transformação e catarse a vivenciar, além de ser a força motora daquela história. Marion Cotillard como sua esposa, Joseph Gordon-Levitt como o braço direito Arthur e Ellen Page como a arquiteta Ariadne completam o pilar do personagem, dando uma dinâmica verossímil à sua trajetória.

Para completar, achei genial o código utilizado a partir da música de Edith Piaf, "Non, Je Ne Regrette Rien", que significaria "Não, eu não lamento nada". O simbólico da letra se encaixa perfeitamente com o drama do personagem e com o universo do sonho. Além de acabar virando uma referência ou brincadeira a Marion Cotillard, que interpretou Piaf no cinema.

Em todos os aspectos, A Origem é um filme impressionante e envolvente. Nos deixando um enorme pulga atrás da orelha no final. A única coisa que realmente eu poderia criticar seria a tradução do título do filme Inception. A inserção, que é o argumento do filme faz todo o sentido. A Origem fica mais forçado, por mais que tentem explicar que ali está a origem de tudo.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

19 opiniões:

Reinaldo Glioche disse...

Interessantes as suas primeiras impressões. Aguardemos as próximas...
bjs

5 de agosto de 2010 09:50
Vinícius Silva disse...

Foi bom você tocar nesse assunto do 3D durante o texto. Eu sou totalmente contra a esta tecnologia porque as pessoas agora anunciam o 3D no filme como se ele fosse sinal de qualidade. E, na maioria das vezes, não é isso que acontece.

Eu acho que o Nolan prova, com "Inception", que é possível fazer maravilhosos filmes sem utilizar esta técnica, apostando ainda na beleza de efeitos visuais bem criados e inseridos na trama.

Um excelente filme, talvez mesmo o filme do ano!

5 de agosto de 2010 16:57
Robin disse...

Estou cada vez mais ansioso por esse filme... E gostei dessa idéia que vocÊ falou de ir sem saber muito da trama... Também gosto de ser surpreendido.

abraços

5 de agosto de 2010 17:47
Marcio Melo disse...

Fugi de maiores informações e spoilers a respeio do filme, portanto, espero ter a tal experiência próxima a Matrix.

Tô vendo gente dizendo que é o filme do ano, outros dizendo que ´bem mais ou menos.

Veremos

5 de agosto de 2010 20:18
Amanda Aouad disse...

Ainda não esses comentários de "mais ou menos", Márcio, fiquei curiosa em relação as críticas e pontos falhos... Tem algum texto para indicar?

Pois é, Robin. É sempre bom ser surpreendido.

Concordo plenamente Vinícius. Essa propaganda de é 3D é bom, não faz o menor sentido.

Deixa eu ver de novo com calma, Reinaldo. Mas, também quero ver suas impressões, heim?

bjs

5 de agosto de 2010 22:31
Fred Burle disse...

Por incrível que pareça, eu fui ver sem saber praticamente nada sobre o filme. E fui muito surpreendido.
Impressionante como nossas críticas bateram, Amanda! A questão da liberdade que o tema dá ao diretor eu não comentei na escrita, mas falei no vídeo.
Fiquei tão desnorteado depois do filme que confesso que não sabia muito o que pensar. Apenas estava deslumbrado com o que acabara de ver.
E também preciso rever, pra tirar umas dúvidas e ter certeza de que este é mesmo um dos grandes do ano.

Beijo!

5 de agosto de 2010 22:46
Amanda Aouad disse...

Ia falar que não tinha visto o vídeo e vi que você ainda vai postar, hehe. É de deixar desnorteado mesmo. Por isso preciso ver de novo. E que bom que você foi sem saber quase nada. A Revista Época não me deixou este prazer...

5 de agosto de 2010 22:54
Fred Burle disse...

Que absurdo! Ainda bem que li isso.

E ainda bem que você apagou a resposta anterior! ehehe

5 de agosto de 2010 23:30
Amanda Aouad disse...

hehe, apaguei porque vi que era impossível a pessoa não passar o olho e estragar a surpresa...

bjs

6 de agosto de 2010 00:07
Cristiano Contreiras disse...

Preciso ver e já! bj

6 de agosto de 2010 10:38
Cristiano Contreiras disse...

Será que DiCaprio terá indicação ao oscar?

6 de agosto de 2010 10:39
Amanda Aouad disse...

Com A Origem e Ilha do Medo, acho que está quase certo por lá...

bjs

6 de agosto de 2010 13:57
Rodrigo Mendes disse...

Quero ver suas próxima impressões também! Vou assistir amanhã e em sala IMAX, sem dúvida! Será a minha primeira experiência e não vou perder a oportunidade!

Deve ser mesmo uma soma de Amnésia com Batman-Cavaleiro Das Trevas.

Creio, sem dúvidas, irei me impressionar.

Bjs,
Rodrigo

6 de agosto de 2010 18:44
Amanda Aouad disse...

Queria eu também poder vê-lo em IMAX, Rodrigo, hehe. Um dia chega a Salvador.

bjs

6 de agosto de 2010 22:05
Cristiano Contreiras disse...

Ah...vi...ainda estou num misto de êxtase e incredulidade...realmente, é do tipo de filme que tem toda uma subjetividade e simbolismo que se tornam mais impressionantes que as próprias cenas de efeitos visuais ou de ação. Confesso que tive que pensar muito em diversas cenas - ainda mais no segundo ato do filme, quando um sonho se submete ao outro(os estágios das camadas do subconsciente)...por isso, me perdia constantemente...deixei passar certos diálogos e contextos...é, as primeiras impressões não bastam e preciso rever o filme, creio que vá ainda hoje...ontem a sala lotou...

mas, o filme mexeu comigo e muito...
sem palavras!

beijo

8 de agosto de 2010 13:52
Amanda Aouad disse...

Com todos nós, Cris... Belo filme, com certeza.

bjs

9 de agosto de 2010 16:14
Sandro Azevedo disse...

O filme é brilhante! Ainda estou nocauteado por tanta informação. Fiquei perdido também quando o filme começa a mergulhar em vários sonhos, mas depois de sair do cinema, ficou claro o trabalho quase artesanal em organizar os tempos, os sonhos e calcular os efeitos e as consequências das ações. Ainda estou sem fôlego!
Postei uma crítica no meu blog, se quiser conferir, dê uma olhada!
Abração!

blog24fps.blogspot.com
Sandro Azevedo

9 de agosto de 2010 17:00
Madame Lumière disse...

Oi Amanda,
Assisti A origem ontem e fiquei fascinada. Concordo totalmente sobre o uso poderoso da imagem para construir a narrativa que é tão impactante que nos leva a viver aquilo, como adentrar os vários níveis de sonhos, perder-se no subconsciente que, ambiguamente, levará também aos caminhos certos e outros tantos possíveis. Fantástico! Quero assistí-lo de novo. bjs!

10 de agosto de 2010 23:04
Blequimobiu disse...

Eu vou assistir de novo, hj eu acho.

16 de agosto de 2010 10:11

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