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Morte e Vida Madalena

Morte e Vida Madalena - filme

Bastidores de um set de cinema caótico é uma metáfora para o caos interno vivido por sua protagonista. Essa poderia ser o resumo de Morte e Vida Madalena, novo filme de Guto Parente. Grávida de oito meses, Mada acaba de perder seu pai, um produtor de cinema independente e resolve dar continuidade ao projeto de filme que ele tinha, mesmo sem dinheiro. Mas o que ela enfrenta vai muito além das limitações práticas de uma produção precária.

Antes mesmo da filmagem, o diretor some, o protagonista passa dos limites e a falta de dinheiro incomoda a produção. Paralelo a isso, os fantasmas do passado de Madalena a atormentam entre visões e lembranças, tornando tudo ainda mais instigante e cênico.

Morte e Vida Madalena - filme
Ainda que seja carregado de drama, a chave da obra é a da comédia. Irônico, abusando das referências e da metalinguagem, Guto Parente ri da própria desgraça, ao mesmo tempo em que homenageia o cinema independente, experimental e criativo. Não por acaso, o filme dentro do filme é uma ficção científica rudimentar.

A entrega dos atores é um dos destaques da obra. A começar por Noá Bonoba que incorpora Madalena com intensidade, sustentando as múltiplas camadas da personagem. Marcus Curvelo, apesar do pouco tempo de tela, imprime ao diretor fujão a ironia necessária. Já Tavinho Teixeira confere veracidade a Oswaldo. Destaque ainda para Nataly Rocha cuja personagem aparenta ser a mais “normal” na trama, sendo nosso olhar incrédulo por diversas vezes.

Morte e Vida Madalena - filme
Desde seu primeiro filme Estrada para Ythaca, Guto Parente demonstra seu fascínio pelo cinema independente da América Latina, que Glauber tanto propagou. Aqui não é diferente, questões políticas e estéticas pulsam em tela. Não apenas do cinema, como da cultura em geral. O próprio título evoca Morte e Vida Severina, reforçando a dimensão simbólica da obra ao associar arte, sobrevivência e resistência.

A direção não teme extrapolar limites, assumindo uma mise-en-scène fragmentada, por vezes caótica, que espelha tanto o processo criativo quanto o estado emocional da protagonista. Parente aposta em uma encenação que flerta com o improviso e tensiona constantemente as fronteiras entre ficção e realidade.

Morte e Vida Madalena se afirma, assim, como uma homenagem apaixonada ao fazer cinematográfico. Um experimento lúdico e, sobretudo, um posicionamento político. Ao tratar o ato de criar como gesto de sobrevivência, o filme sugere que fazer cinema é como existir e insistir, mesmo quando tudo parece ruir.

Filme visto no XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema.


Morte e Vida Madalena (2026 / Brasil)
Direção: Guto Parente
Roteiro: Guto Parente
Com: Noá Bonoba, Marcus Curvelo, Nataly Rocha, Tavinho Teixeira
Duração: 85 min.

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