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The Electric State
The Electric State
The Electric State chegou ao catálogo da Netflix em 2025 com o peso de ser uma das maiores produções da história da plataforma, com orçamento estimado em 320 milhões de dólares, assinatura dos irmãos Joe e Anthony Russo e um elenco de nomes como Millie Bobby Brown e Chris Pratt. No papel, a promessa era de uma aventura sci-fi arrebatadora, capaz de unir visual deslumbrante e emoção humana. Na prática, o filme entrega uma estética visual impressionante, mas tropeça quase em todos os demais elementos dramáticos que uma obra desse porte exige.
Desde os primeiros minutos, fica claro que os irmãos Russo tentam transformar o mundo desolado do romance ilustrado de Simon Stålenhag em uma odisseia cinematográfica padrão. A premissa da jovem Michelle (Millie Bobby Brown) atravessando um cenário pós-apocalíptico na busca pelo irmão desaparecido, acompanhada por um robô carismático e um contrabandista cínico tem potencial narrativo. Contudo, ali se esgota grande parte do que poderia ser drama emocional e reflexão existencial.
Millie Bobby Brown faz o possível para ancorar a história em uma jornada pessoal. Sua Michelle manifesta uma determinação palpável, mas o texto raramente lhe oferece profundidade que justifique verdadeiramente sua luta. Isso é evidente nas relações humanas que deveriam ser o coração da narrativa, que soam muitas vezes rasas, formulaicas e dependentes de momentos de conveniência emocional, em vez de construção orgânica de conflito e redenção.
Chris Pratt, aqui no papel de Keats, parece preso a um clichê que já vimos inúmeras vezes: o anti-herói de um só tom, cuja maior função é prover alívio humorístico ou frases de efeito, sem grandes surpresas nem crescimento substancial. Outros membros do elenco, como Giancarlo Esposito em cenas pontuais, brilham brevemente, evidenciando que há talento disponível, mas poucas oportunidades para brilhar de verdade no roteiro.
Visualmente, The Electric State é eficaz. A construção do mundo, com robôs exilados em zonas desertas e um futuro retrofuturista saturado de neon e deterioração tecnológica, é um dos pontos mais fortes da obra. Há sequências que lembram clássicos do gênero por sua imagética e ambientação, e esse é talvez o momento em que o filme mais se conecta com sua inspiração literária. Contudo, beleza visual isolada não sustenta um filme inteiro. Quando o roteiro falha em consolidar tensão dramática ou motivação clara dos personagens, o espetáculo visual acaba soando vazio.
Um momento que, para mim, deveria reunir emoção, conceito e mundo narrativo é quando Michelle confronta a possibilidade de que a consciência de seu irmão pode estar contida em um robô. Essa ideia, que por si só carrega potencial filosófico sobre identidade e humanidade, jamais é explorada com a profundidade que merece. Em vez disso, a cena se torna um ponto fraco do roteiro, que rapidamente recua para convenções de blockbuster em vez de sustentar sua própria ambição temática.
O maior desafio de The Electric State é sua incapacidade de equilibrar espetáculo e alma. Enquanto franquias como Distrito 9 ou mesmo certas obras de Star Wars conseguem fundir crítica social com ação, aqui parece haver uma desconexão entre a superfície sedutora e o núcleo narrativo. A impressão que fica é a de um projeto que priorizou a grandiosidade técnica e a evocação de nostalgia sem nunca comprometer-se com um coração narrativo consistente.
Não se trata de negar completamente os momentos de diversão. Em diversas passagens, especialmente as que envolvem interações leves com personagens secundários ou a estética elaborada do mundo distópico, há um certo entretenimento superficial. Mas, no balanço final, o filme falha em articular uma voz própria ou em justificar o tempo e os recursos gigantescos que lhe foram gastos. Para quem esperava uma obra capaz de ampliar o gênero sci-fi com sensibilidade e originalidade, The Electric State acaba sendo um exemplo emblemático de espetáculo sem substância, um blockbuster que parece existir mais para impressionar algoritmos de recomendação do que para tocar verdadeiramente o espectador.
The Electric State (The Electric State, 2025 / EUA, Reino Unido)
Direção: Joe Russo, Anthony Russo
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Com: Millie Bobby Brown, Chris Pratt, Anthony Mackie, Giancarlo Esposito, Ke Huy Quan, Stanley Tucci, Woody Harrelson, Brian Cox
Duração: 128 min.
Ari Cabral
Bacharel em Publicidade e Propaganda, profissional desde 2000, especialista em tratamento de imagem e direção de arte. Com experiência também em redes sociais, edição de vídeo e animação, fez ainda um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Cinéfilo, aprendeu a ser notívago assistindo TV de madrugada, o único espaço para filmes legendados na TV aberta.
The Electric State
2026-03-03T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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