Animação cresce
A animação é algo que cresce no Brasil a olhos vistos. Nunca se falou tanto do formato. Cursos, concursos e mostras estão a todo tempo demonstrando o futuro do cinema. Mesmo editais de vídeo como o do Irdeb para longa-metragem, ou o do Braskem do ano passado, escolheram projetos de animação para patrocinar. Isso demonstra uma mudança de paradigma, onde pouco investimento se via na área e é uma luz no fim do túnel para os admiradores do formato. Afinal, animação não é coisa de criança, mas uma técnica lúdica de passar mensagens profundas. E os brasileiros estão demonstrando que talento eles têm para isso e muito mais.
Não é de hoje que brasileiros se destacam na animação mundial. Carlos Saldanha, por exemplo, conseguiu a proeza de dirigir o filme a Era do Gelo 2. Confesso que em termos de trama, narrativa, este deixou muito a desejar em relação ao primeiro, mas só o fato de um brasileiro dirigir o longa já foi motivo suficiente para comemorar. Significa que com talento as portas do mundo estão abertas a quem acredita.
Um filme que conseguiu, não apenas manter o ritmo, mas aprender com o primeiro, explorando o que fez sucesso foi Madagascar. O brasileiro Ennio Torres participou do longa e deu uma entrevista recente falando sobre o filme. É interessante perceber seu comentário sobre o pouco acesso de roteiristas não americanos ao filme. Ele fala do humor local que é muito específico, eu discordo. Não é medo de que o tom não faça sucesso com o público e sim o que falei acima: o poder da mensagem. É no roteiro que está definida a trama, o tom, a mensagem a ser transmitida. Os Estados Unidos sempre utilizaram seus filmes para vender o "American Way of life", e assim expandir seu imperialismo. Com a animação, principalmente com Disney, eles conseguiram educar todas as gerações, criando o mito americano da terra perfeita. Um roteirista não-americano trará sua própria cultura, valores, raízes para a história. E isso não é interessante para o mercado ianque.
Independente de questões filosóficas, Madagascar 2 encanta. Os personagens estão em uma Savana na África e cada um deles irá enfrentar um desafio pessoal ao reencontrar outros de sua espécie. De forma criativa, explorando ainda mais as características de cada personagem, a narrativa flui de forma leve, com situações memoráveis, a exceção do grupo de humanos que aparecem em paralelo na história e que seriam dispensáveis. Glória, Melman, Alex e Marty evoluíram e continuam amigos atrapalhados e inseparáveis. Tanto que a Dreamworks já está programando um terceiro filme para 2012. Tudo isso apenas confirma que a animação é, sem dúvidas, um ótimo investimento para qualquer país.
Não é de hoje que brasileiros se destacam na animação mundial. Carlos Saldanha, por exemplo, conseguiu a proeza de dirigir o filme a Era do Gelo 2. Confesso que em termos de trama, narrativa, este deixou muito a desejar em relação ao primeiro, mas só o fato de um brasileiro dirigir o longa já foi motivo suficiente para comemorar. Significa que com talento as portas do mundo estão abertas a quem acredita.
Um filme que conseguiu, não apenas manter o ritmo, mas aprender com o primeiro, explorando o que fez sucesso foi Madagascar. O brasileiro Ennio Torres participou do longa e deu uma entrevista recente falando sobre o filme. É interessante perceber seu comentário sobre o pouco acesso de roteiristas não americanos ao filme. Ele fala do humor local que é muito específico, eu discordo. Não é medo de que o tom não faça sucesso com o público e sim o que falei acima: o poder da mensagem. É no roteiro que está definida a trama, o tom, a mensagem a ser transmitida. Os Estados Unidos sempre utilizaram seus filmes para vender o "American Way of life", e assim expandir seu imperialismo. Com a animação, principalmente com Disney, eles conseguiram educar todas as gerações, criando o mito americano da terra perfeita. Um roteirista não-americano trará sua própria cultura, valores, raízes para a história. E isso não é interessante para o mercado ianque.
Independente de questões filosóficas, Madagascar 2 encanta. Os personagens estão em uma Savana na África e cada um deles irá enfrentar um desafio pessoal ao reencontrar outros de sua espécie. De forma criativa, explorando ainda mais as características de cada personagem, a narrativa flui de forma leve, com situações memoráveis, a exceção do grupo de humanos que aparecem em paralelo na história e que seriam dispensáveis. Glória, Melman, Alex e Marty evoluíram e continuam amigos atrapalhados e inseparáveis. Tanto que a Dreamworks já está programando um terceiro filme para 2012. Tudo isso apenas confirma que a animação é, sem dúvidas, um ótimo investimento para qualquer país.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
Animação cresce
2008-12-14T22:00:00-03:00
Amanda Aouad
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