Karim Aïnouz foi à Argélia para resgatar suas origens, como diz a sinopse oficial, mas chegando lá, encontrou a jovem ativista Nardjes. Entusiasmado pela força da juventude em luta contra o governo, o cineasta cearense resolveu emprestar sua câmera para acompanhar a moça por 24 horas ao redor de uma manifestação em pleno Dia Internacional das Mulheres.
Home
cinema brasileiro
critica
documentario
Festival
filme brasileiro
Karim Aïnouz
OlhardeCinema2020
Nardjes A.
Nardjes A.
Karim Aïnouz foi à Argélia para resgatar suas origens, como diz a sinopse oficial, mas chegando lá, encontrou a jovem ativista Nardjes. Entusiasmado pela força da juventude em luta contra o governo, o cineasta cearense resolveu emprestar sua câmera para acompanhar a moça por 24 horas ao redor de uma manifestação em pleno Dia Internacional das Mulheres.
O ponto positivo e negativo de Nardjes A. é o mesmo, a escolha do dispositivo de Aïnouz para contar essa história. Ao acompanhar apenas um dia pelo olhar da moça, a obra acaba ficando restrita em relação à situação como um todo. Poucas informações são passadas e todas pelo olhar da ativista. As escolhas do recorte pela manifestação também.
Ao mesmo tempo a proposta de Karim Aïnouz não parece mesmo ser a de explicar os conflitos na Argélia, as reivindicações dos jovens vs as ações do governo. O filme parece apenas querer pulsar esse entusiasmo e esperança de mudanças. Como se o cineasta quisesse nos passar o que o fez escolher retratar esse momento.
Olhando por esse viés, o filme cumpre seu objetivo com louvor. Há paixão em cena. Há uma onda que contagia e nos faz querer buscar também as ruas, exigir nossos direitos, lutar contra o estabelecido. A montagem parece nos devolver um pouco desse frescor que vamos perdendo após tantas situações adversas.
Para quem queria fazer um filme biográfico, Karim acaba saindo completamente de cena para dar lugar ao outro. Mas, curiosamente, ao fazer isso, acaba se colocando mais no filme do que se falasse sobre sua própria vida. Em sua escolha por resgatar esse frescor juvenil, o cineasta parece estar buscando esse espírito guerreiro em si mesmo. Fica implícito, também, um paralelo com a própria situação do Brasil.
Nardjes A. tem uma força inegável, ainda que possa parecer superficial. O documentário observativo deixa para o público a reflexão. E há elementos nele para isso, ainda que por um recorte tão específico. Uma obra que ecoa em nossa mente muito tempo após a sessão.
Filme visto no 9º Olhar de Cinema de Curitiba
Nardjes A. (2020, Brasil)
Direção: Karim Aïnouz
Roteiro: Karim Aïnouz
Duração: 80min.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
Nardjes A.
2020-10-13T18:33:00-03:00
Amanda Aouad
cinema brasileiro|critica|documentario|Festival|filme brasileiro|Karim Aïnouz|OlhardeCinema2020|
Assinar:
Postar comentários (Atom)
cadastre-se
Inscreva seu email aqui e acompanhe
os filmes do cinema com a gente:
os filmes do cinema com a gente:
No Cinema podcast
anteriores deste site
mais lidos do site
-
Ratatouille não é apenas um filme de animação sobre um rato que sonha em cozinhar em Paris . Assistir a esse longa é confrontar uma ideia ...
-
O que mais me chama atenção em Trapaceiros não é o simples rastro de ideias furtivas ou a tentativa previsível de um roubo ao banco, mas o ...
-
Assistindo Eiffel (2021), é inevitável sentir um gesto de frustração que acompanha o espectador desde os primeiros cortes. O filme , dirigi...
-
Quando penso em Tubarão hoje, não consigo dissociar duas sensações: a do medo primitivo que senti na primeira vez que ouvi aquela batida du...
-
Assistir 1984 , a adaptação cinematográfica dirigida por Michael Radford em 1984 , é sentir no corpo o peso de uma realização que vai muito...
-
Dezesseis indicações ao Oscar 2026 . Um recorde histórico, superando obras como Titanic (1999), A Malvada (1950) e La La Land (2016), todas ...
-
Quando a câmera de Aquário se aproxima de Mia, ela não olha para nós: nos atinge. Não é um filme sobre adolescentes ficcionais idealizados...
-
Ver Nonnas , de Stephen Chbosky , é como cruzar a porta de um restaurante pequeno, com paredes cheias de fotos de família e o cheiro de mol...
-
O Beijo da Mulher Aranha foi um marco da filmografia brasileira. Dirigido por Hector Babenco , argentino naturalizado brasileiro, a coprodu...
-
O cinema tem poucos filmes capazes de equilibrar o maravilhoso e o verdadeiro de modo tão natural quanto O Corcel Negro (The Black Stallio...





