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Indiana Jones e a Relíquia do Destino
Indiana Jones e a Relíquia do Destino
Não tem como negar, quem viveu nos anos 1980/1990 tem Indiana Jones como um ícone. O arqueólogo que viveu as aventuras mais loucas, nos ensinando a ter, no mínimo, curiosidade com o passado, marcou gerações. É corajoso, então, Harrison Ford embarcar em uma última aventura que mostra a passagem do tempo e as dificuldades que o envelhecimento do corpo trazem a alguém que sempre foi símbolo de virilidade, agilidade e força. Talvez até mesmo por isso, Indiana Jones e a Relíquia do Destino comece no passado.
Com a ajuda do CGI, vemos um Harrison Ford rejuvenescido de maneira bastante realista, lutando contra os nazistas e buscando salvar um artefato religioso que logo é substituído por um ainda mais instigante: a máquina de anticítera criada por Arquimedes, que pode ser uma espécie de máquina do tempo. James Mangold, que substitui Steven Spielberg na direção, é eficiente em explorar nesse longo prólogo toda a nostalgia da personagem icônica. A adrenalina do destino nas mãos, a luta entre o bem e o mal, as correrias mirabolantes, a mistura do humor com a aventura. E, por que não, o charme de Indy, sempre com expressões que nos cativam e faz seguí-lo até o fim do mundo. Claro, a música tema também está lá em momentos chaves para nos empolgar na cadeira.
São belos momentos que não fazem a gente perceber que o tempo passou, como se pudéssemos utilizar a máquina de Arquimedes e, de fato, voltar aos tempos áureos em uma nova aventura. Porém, somos chamados à realidade com a passagem do tempo, na qual encontramos um Indy envelhecido, amargurado, prestes a se aposentar e sem o brilho daquele que nos acostumamos a acompanhar. Ninguém quer encarar as dores da velhice do corpo, mas é mesmo este um fato inevitável. Imaginar nossos heróis envelhecendo parece mais doloroso do que vê-los morrer em combate. É uma certeza de que, contra o tempo, nada podemos. Não por acaso, o artefato que perseguimos aqui acabe sendo uma máquina temporal.
Mas como a aventura precisa continuar, este envelhecido e solitário homem não resiste a embarcar em uma nova aventura. E não deixa de ser curioso que agora acompanhado de uma arqueóloga. Helena é uma possível candidata a substituta de seu padrinho nas aventuras por artefatos históricos. Ainda que seja apresentada de maneira superficial como uma mulher ambiciosa que leiloa obras de arte roubadas e engana milionários pelo mundo, há possibilidades de aprofundamentos de camadas na personagem no futuro, como a própria progressão da trama demonstra. E não seria nada ruim, termos uma versão feminina de Indy nas telas.
Já o vilão acaba sendo o ponto fraco da obra. Um nazista, maniqueísta e com um plano tolo para conquistar o mundo. Toda a construção narrativa parece infantil, não nos convencendo muito de sua veracidade, nem do real perigo. Ainda que tenha uma certa lógica na morte planejada. Acaba sendo apenas uma desculpa para vermos uma saga mirabolante, com muita ação inverossímil, mas que a gente compra só pela diversão. Afinal, o ponto sempre foi acompanhar Indiana Jones em suas caçadas por artefatos perdidos e, de quebra, aprender um pouquinho mais sobre a História mundial.
No final nas contas, Indiana Jones e a Relíquia do Destino é um filme nostálgico e divertido, mas que flerta de alguma maneira com passado e futuro, abrindo perspectivas e dando um fechamento para a história desse famoso professor, arqueólogo, que gostava de brincar de herói pelo mundo. Entre prós e contras, não é apenas mais um caça níquel se aproveitando de sucessos de outrora.
Indiana Jones e a Relíquia do Destino (Indiana Jones and the Dial of Destiny - 2023, EUA)
Direção: James Mangold
Roteiro: James Mangold, John-Henry Butterworth, Jez Butterworth, David Koepp
Com: Harrison Ford, Phobe Waller-Bridge, Mads Mikkelsen, Antonio Banderas
Duração: 154 min.

Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Unifacs e da Uniceusa. Atualmente, faz parte da diretoria da Abraccine como secretária geral.
Indiana Jones e a Relíquia do Destino
2023-07-14T08:30:00-03:00
Amanda Aouad
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