Home
animacao
Catherine O'Hara
Chris Sarandon
critica
Danny Elfman
drama
Henry Selick
natal
Tim Burton
O Estranho Mundo de Jack
O Estranho Mundo de Jack
Talvez o primeiro filme que qualquer um pense no Natal não seja O Estranho Mundo de Jack. Esta obra-prima de animação que se encaixa entre o Halloween e o Natal permanece como uma bússola criativa mesmo após muitas décadas desde sua estreia. A técnica inovadora de stop-motion, uma ousadia na época, é o ponto de partida para explorar as intrincadas camadas desse universo cinematográfico criado por Tim Burton.
Em um mundo inundado por animações tradicionais, O Estranho Mundo de Jack destacou-se pela corajosa escolha da técnica de stop-motion. A decisão de Henry Selick de conduzir essa dança de movimentos quadro a quadro resulta em uma experiência visual única. Os personagens, especialmente Jack Skellington, ganham vida de uma maneira que seria completamente diferente na animação tradicional.
Selick, assumindo a responsabilidade da direção em substituição a Tim Burton, faz jus à visão do criador original. Ele não apenas respeita a essência sombria e cativante do poema de Burton, mas também eleva o patamar, infundindo personalidade em cada expressão facial esculpida meticulosamente. A colaboração entre Selick e Burton, embora tangencial na direção, resulta em uma sinergia que define o visual e a atmosfera do filme de forma inegável.
Chris Sarandon dá vida a Jack Skellington com uma voz que transcende o espectral, capturando a dualidade única do personagem. Jack é muito mais do que o Rei do Halloween; ele é um protagonista complexo, cativante e, muitas vezes, melancólico. Sarandon, através de sua voz, consegue transmitir as camadas de curiosidade, desespero e anseio de Jack, tornando-o um personagem cuja jornada nos envolve.
Nem tudo são elogios irrestritos. Uma das áreas em que o filme poderia ter se destacado ainda mais é a construção do vilão. A figura antagonista, embora acompanhada de uma música memorável, é pouco explorada visualmente e aparece de maneira genérica. A falta de desenvolvimento do vilão é um ponto fraco que se destaca em meio às ricas texturas do restante do filme.
Diante disso, a aparente pressa percebida no desfecho sugere uma tentativa de condensar uma narrativa rica em possibilidades em um tempo limitado. A complexidade do universo proposto poderia ter sido mais explorada, especialmente considerando as oportunidades oferecidas pela técnica de stop-motion para detalhes minuciosos.
Um momento marcante que define a dualidade do filme ocorre quando Jack, após sua incursão na Cidade do Natal, decide trazer o espírito natalino para a Cidade do Halloween. Esta escolha simboliza a intrincada relação entre o sombrio e o luminoso, entre a celebração do medo e a alegria festiva. A transição visual da escuridão do Halloween para a vivacidade do Natal é um deleite cinematográfico que ilustra a habilidade única do filme em transmitir emoções através da estética. Mas a dualidade entre Halloween e Natal não é apenas uma questão estética; é também uma metáfora sutil sobre a constante busca por novidade e significado, inerente à alma humana.
O Estranho Mundo de Jack é uma obra-prima que desafia as convenções da animação e explora as fronteiras entre o sombrio e o encantador. Henry Selick, ao liderar a dança de stop-motion, e Chris Sarandon, ao dar voz a Jack Skellington, contribuem para a criação de um universo visualmente intrigante e emocionalmente cativante. Apesar de alguns tropeços na construção do vilão e da pressa no desfecho, o filme permanece como um clássico atemporal natalino e de Halloween, oferecendo uma jornada que nos coloca em meio a esta dualidade entre festividades e emoções.
O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas, 1993 / EUA)
Direção: Henry Selick
Roteiro: Tim Burton, Caroline Thompson
Com: Chris Sarandon, Danny Elfman, Catherine O'Hara
Duração: 75 min.

Ari Cabral
Bacharel em Publicidade e Propaganda, profissional desde 2000, especialista em tratamento de imagem e direção de arte. Com experiência também em redes sociais, edição de vídeo e animação, fez ainda um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Cinéfilo, aprendeu a ser notívago assistindo TV de madrugada, o único espaço para filmes legendados na TV aberta.
O Estranho Mundo de Jack
2023-12-20T08:30:00-03:00
Ari Cabral
animacao|Catherine O'Hara|Chris Sarandon|critica|Danny Elfman|drama|Henry Selick|natal|Tim Burton|
Assinar:
Postar comentários (Atom)
cadastre-se
Inscreva seu email aqui e acompanhe
os filmes do cinema com a gente:
os filmes do cinema com a gente:
No Cinema podcast
anteriores deste site
mais lidos do site
-
Assistindo a Timbuktu (2014), de Abderrahmane Sissako , encontrei um filme que, logo na abertura, revela sua dicotomia: a beleza quase hip...
-
Fitzcarraldo (1982) é uma obra que supera qualquer limite do cinema convencional, mergulhando o espectador em uma narrativa tão grandiosa q...
-
Poucos filmes carregam em seu DNA o peso de inaugurar, questionar e ao mesmo tempo mitificar um gênero cinematográfico nacional. O Cangacei...
-
Poucos filmes conseguem atravessar a barreira do drama para se tornar confissão. O Lutador (The Wrestler, 2008), de Darren Aronofsky , é u...
-
Rever Johnny & June (Walk the Line) quase duas décadas após seu lançamento é como escutar uma velha canção de Johnny Cash em vinil: há...
-
Vinte e cinco anos depois de seu lançamento, Matrix (1999) continua a ser um ponto de inflexão no cinema de ficção científica . Assistir a ...
-
Rafiki me envolve como uma lufada de ar fresco. Uma história de amor adolescente que rompe o silêncio com coragem e delicadeza. Desde os pr...
-
Em Alexandria (Ágora), Alejandro Amenábar empreende um mergulho ambicioso no século IV, colocando no centro uma figura rara: Hipátia , pol...
-
Desde o primeiro instante em que a câmera nos apresenta Carlito Brigante já ferido no metrô , sabemos que estamos diante de uma fábula trág...
-
Revendo A Proposta , de 2009, salta à vista o curioso equilíbrio que o filme busca entre rigidez e afeto, entre fórmulas conhecidas e peque...