Home
animacao
cinema asiático
critica
Hayao Miyazaki
infantil
oscar 2024
studio ghibli
O Menino e a Garça
O Menino e a Garça
Dez anos após Vidas ao Vento, último filme de Hayao Miyazaki. A expectativa para a chegada de O Menino e a Garça era imensa, afinal o diretor e um dos fundadores do Studio Ghibli foi o primeiro a furar a bolha do Oscar e levar a estatueta de melhor animação por A Viagem de Chihiro.
Os filmes de Miyazaki tem sempre elementos fantásticos, metáforas de situações difíceis da vida, reflexões sobre o tempo, a providência do vento e um certo ar de esperança, ao contrário de seu sócio Takahata que sempre traz uma visão mais pessimista da vida. Ambientado no Japão durante a segunda guerra mundial, O Menino e a Garça não é diferente.
A trama acompanha o garoto Mahito, que acaba de perder sua mãe em um incêndio e tem que se mudar de Tokyo para uma casa no campo, na qual vive a irmã de sua mãe, que agora será sua madrasta. Lá, ele irá conhecer histórias sobre seus antepassados e embarcar em uma aventura mágica que envolve superação de luto, amadurecimento espiritual e busca pelo equilíbrio da vida.
A maneira como a Garça convida Mahito a adentrar aquele mundo e as metáforas que vão sendo apresentadas nos faz mergulhar junto naquele universo. Não há pressa em nos explicar nada, ainda que os indícios vão ficando claros, como o surgimento de uma menina que tem o poder do fogo ou as pequenas estátuas ao redor dele quando dorme.
O mais intrigante é que, cada símbolo que parece óbvio, vai ganhando camadas ao decorrer da projeção. Nada é tão simples, ao mesmo tempo que o é. Como a metáfora do equilíbrio das pedras que, por mais que seja essa busca pelo equilíbrio no mundo que está em guerra, traz nuances sobre as escolhas e as pedras que carregamos no decorrer da vida que não são necessariamente nossas responsabilidades.
A direção de arte também chama a atenção. Os desenhos, todos feitos à mão, dão uma composição estética única, que mistura o novo e antigo com a maestria que sempre encantou no artista. Há uma maturidade na produção que ajuda na proposta do roteiro, nos traços das personagens e nos cenários que por mais mirabolantes que seja, trazem sempre um tom realista.
O Menino e a Garça é uma obra especial de um cineasta especial. Ao mesmo tempo em que a obra é original, traz muita inspiração da vida do próprio Miyazaki, de suas experiências e também de suas obras. E isso não é pouco, já que estamos falando do autor de obras como A Princesa Mononoke, O Castelo Animado, Meu amigo Totoro, Ponyo, entre tantos outros como o próprio A Viagem de Chihiro. Um deleite para embarcar e também refletir sobre nossa própria vida e escolhas que fazemos.
O Menino e a Garça (Kimi-tachi wa Dō Ikiru ka, 2024 / Japão)
Direção: Hayao Miyazaki
Roteiro: Hayao Miyazaki
Duração: 123 min.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
O Menino e a Garça
2024-02-20T08:30:00-03:00
Amanda Aouad
animacao|cinema asiático|critica|Hayao Miyazaki|infantil|oscar 2024|studio ghibli|
Assinar:
Postar comentários (Atom)
cadastre-se
Inscreva seu email aqui e acompanhe
os filmes do cinema com a gente:
os filmes do cinema com a gente:
No Cinema podcast
anteriores deste site
mais lidos do site
-
Assistindo Coração de Lutador , o que mais me marcou foi perceber que este não é simplesmente mais um filme de superação esportiva. A obra...
-
Revisitar Matilda (1996) hoje é como redescobrir um filme que fala com sinceridade com o espectador, com respeito e sem piedade cínica. A ...
-
Branca de Neve (2025) surgiu como mais uma tentativa da Disney de traduzir seu legado animado para o cinema em carne e osso e música, mas...
-
Uma Babá Quase Perfeita é o tipo de comédia que nasce de uma ideia prodigiosamente simples e perigosa: um pai divorciado se veste de babá ...
-
Eu preciso confessar: revisitar Querida, Encolhi as Crianças é como entrar numa máquina do tempo. Não só pela estética encantadora dos anos...
-
Revisitar Os Bandidos do Tempo , de Terry Gilliam , é como redescobrir um mapa antigo de aventuras que mistura humor, história e uma imagina...
-
Ratatouille não é apenas um filme de animação sobre um rato que sonha em cozinhar em Paris . Assistir a esse longa é confrontar uma ideia ...
-
Poucos filmes conseguem, com tanta elegância e tensão contida, transformar um episódio amplamente conhecido da história recente em uma obra...
-
Ver Nonnas , de Stephen Chbosky , é como cruzar a porta de um restaurante pequeno, com paredes cheias de fotos de família e o cheiro de mol...
-
Assistindo Eiffel (2021), é inevitável sentir um gesto de frustração que acompanha o espectador desde os primeiros cortes. O filme , dirigi...





