Feliz Ano Novo

Mais um ano acaba e ficamos com aquela sensação de mudança de fase, sonhos renovados e fôlego novo para encarar o ano que se inicia. A televisão recorre aos clichês O Mágico de Oz, A Noviça Rebelde, E.T., E o vento levou, Ben Hur, entre outros. Não quero dizer que alguns desses filmes não valem a pena, são todos clássicos, incríveis, com mensagens maravilhosas, mas novidades boas são sempre bem-vindas. Senão, ficamos com aquela sensação de que um crítico estava certo ao dizer que o cinema acabou na década de 60. Um filme já considerado antigo, que estranhamente não costumo ver na televisão é Sociedade dos Poetas Mortos. E é sobre ele que gostaria de falar nessa virada de ano.

Em uma escola rígida da Inglaterra, não é permitido aos jovens sonhar, ou mesmo, pensar com suas próprias idéias. A repressão, a sociedade, as regras transformam o ensino em fórmulas pré-estabelecidas. Nesse ambiente impropício, um professor ousou mostrar a seus alunos que a vida era além disso. Com maestria, Robin Williams conduziu essa história que encantou gerações e mostrou que é possível sonhar com algo mais para nós.

Essa é a mensagem que o CinePipocaCult deixa a todos: Carpe diem, aproveitem o dia. Não esperem o ano novo, a segunda-feira, a melhora da bolsa, ou a promoção no trabalho para mudar de vida e realizar seus sonhos. Faça a sua felicidade aqui e agora. Pois o amanhã, pode nunca chegar. Feliz 2009.

Há algo especial dentro de cada um de nós, basta acreditar.


A cena final para emocionar e dar esperança. Quem não viu o filme, recomendo que não a veja antes.

Leia >>

Cães

Após fazer bonito no Festival de Brasília, Cães de Adler Paz e Moacyr Gramacho teve sua noite de festa em Salvador. Exibido no último dia 22, no Espaço Unibanco, o curta foi aplaudido e festejado por toda a classe artística, que prestigiou mais essa boa produção da DocDoma.

Capa DVD Cães

O curta-metragem é inspirado na obra de Juan Rulfo, fotógrafo e escritor mexicano que muito bem retratou a vida e dificuldades do campo. Com uma fotografia impecável de Pedrinho Semanovschi, o curta conta uma passagem pelo sertão de um pai que carrega um filho quase desfalecido nas costas. Durante sua caminhada, flashes do passado vão sendo mostrados, construindo a tragédia que os assolou. Sem querer estragar a surpresa, é possível observar a força narrativa que as imagens de Cães consegue obter, utilizando-se de recursos como câmera na mão que traz a dificuldade daquela travessia. Além do recurso da câmera subjetiva, intercalando entre os dois personagens. Quando a subjetiva é do menino carregado, nota-se também a mudança no áudio, que fica mais abafado, distante, quase onírico, o que condiz com o que é explicado depois.

Hilton Cobra e Pisit Mota dão vida a esses dois personagens de maneira harmônica e impressionam nas expressões de sofrimento, lembrando bem a caracterização do povo do sertão. A interpretação de ambos traz uma força extra ao filme, tanto que o prêmio de melhor ator foi mais que merecido para Hilton Cobra.

Totalmente imagético, Cães é uma viagem pelo subjetivo daquela caminhada. A história, vamos montando aos poucos em nossa cabeça e não temos a certeza do que realmente aconteceu. Temos indícios nas citações à madrinha e ao coronel e o sangue que escorre no pai em alguns momentos, mas entender o enredo nesse nível não é o mais importante para apreciação da obra. A montagem, a direção dos atores, a bela fotografia evocam sensações e fazem com que a experiência fílmica seja apreciada por todos. Resta a nossa torcida para que o cinema baiano possa crescer cada vez mais. E que venham os longas (a exemplo de Trampolim do Forte e O Jardim das Folhas Sagradas), que já são aguardados com ansiedade por todos.

Leia >>

É Natal

Chegou o Natal, todas as televisões falam e passam filmes sobre o tema, desde lendas do Papai Noel, passando pelo nascimento do Cristo e mensagens diversas com famílias reunidas. Pode ser clichê, mas é bom que pelo menos uma vez no ano a gente pare para pensar em valores como amor, solidariedade e família. Além dos tradicionais Milagre na rua 34, Meu papai é noel, Esqueceram de mim, Os fantasmas contra-atacam, O Grinch, entre outros (a lista seria imensa), gostaria de indicar e comentar um em especial: Natal Branco.

Aparentemente um musical romântico, tão comum na época, com o velho clichê "moço conhece moça - moço perde moça - moço recupera moça". Porém, há algo em Natal Branco que vai além do melodrama, das músicas envolventes com coreografias bem trabalhadas e da produção cinematográfica dominante. Ele traz um espírito de solidariedade e compaixão capazes de traduzir o verdadeiro espírito de Natal. Dois ex-combatentes da guerra, formam uma dupla de sucesso em musicais até que encontram o ex-general do grupo, descobrindo que ele está com problemas financeiros, e resolvem ajudá-lo. Sem precisar de criancinhas puras e velhinhos do Pólo Norte, Natal Branco mostra que todos nós podemos ser melhores e fazer pelo outro algo que gostaríamos que fizessem por nós.

Esta é a mensagem que o Natal deveria trazer. Sem querer entrar no mérito religioso, já que estamos falando de cinema, não posso deixar de passar essa mensagem. Afinal, todos os anos paramos para comemorar o nascimento do Cristo, mesmo que não sejamos cristãos. Alguns por hábito familiar, outros pelo costume do comércio e ainda aqueles que têm fé e acreditam na mensagem que esse homem nos passou há mais de 2 mil anos: o amor. "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei", ele disse. E foi tudo que ele nos pediu. Por isso, que pelo menos no Natal a gente possa fazer esse esforço de nos tornarmos pessoas melhores.

Um Feliz Natal a todos.

Leia >>

Cine Glauber Rocha abre as portas

Visite o Cine Glauber Rocha
Após uma festa de inauguração para convidados no dia 17 de dezembro, com direito a família de Glauber presente, o Cine Glauber Rocha, na Praça Castro Alves, abre as portas para o público hoje. O local faz parte do já conhecido Espaço Unibanco, uma rede de cinema cultural de grande sucesso em São Paulo que chega a Salvador em um local privilegiado e de grande importância cultural e afetiva.

Os baianos mais saudosos irão se lembrar do antigo Cine Guarany fundado em 1919 e que foi por mais de 70 anos a principal sala de cinema da cidade. Após uma reforma, o cinema reinaugurou em 1982 com o nome do famoso cineasta baiano, morto no ano anterior. Uma homenagem mais do que justa a aquele que é, até hoje, a maior referência cinematográfica da nossa terra. Em 1998 o cinema fechou novamente e ficou abandonado, assim como muitos cinemas tradicionais que perderam espaço para as redes Multiplex e Cinemark.

O Cine Glauber Rocha já abre suas portas com grande movimentação no cinema baiano. Além do Projeto Curta Petrobrás às 6, onde são exibidos diversos curta-metragens apoiados pela empresa, o local irá abrigar o lançamento do filme Cães, de Adler Paz e Moacyr Gramacho, vencedor de três prêmios no Festival de brasília.

Agora, os baianos já podem contar com um espaço dedicado ao cinema cultural e brasileiro, com instalações modernas e uma bela vista para Baía de Todos os Santos. Além das quatro salas de cinema, o espaço possui também um restaurante, lanchonete e livraria equipada. Vale a pena prestigiar.

Programação:
Sala1
Madagascar 2 – A grande escapada
Dublado - Duração : 89 minutos
Animação - Censura : Livre
14:20; 16:20; 18:20; 20:20

Obs: Pré-estréia do filme "INÚTIL" (Useless), às 22h.

Sala 2
Crepúsculo
Legendado - Duração : 125 minutos
Suspense - Censura : 12 anos
14:00; 16:30; 19:00; 21:30

Sala 3
O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro

Duração : 100 minutos
Drama - Censura : 14 anos
14:00; 16:00; 19:20; 21:20

Curta Petrobrás às 6

Sala 4
Gomorra
Legendado - Duração : 137 minutos
Drama - Censura : 18 anos
15:30; 18:20; 21:10

Valor do ingresso
:
Quarta-feira: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
De segunda a quinta-feira: R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia)
Sexta, sábado, domingo e feriados até às 16h59: R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia)
Sexta, sábado, domingo e feriados após às 17h00: R$ 16,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia)

Leia >>

É Natal na Blogosfera

Nem só de consumismo vive a internet nessas festas de fim de ano. O Mundo Afora teve uma grande idéia que o CinePipocaCult abraçou com muita alegria às vésperas do Natal. A tentativa de reunir a maioria dos blogs em torno de uma árvore de Natal é louvável nessa época de tanto individualismo e tanta necessidade.

Clique para participar

Para participar e fazer também parte dessa grande confraternização da blogosfera brasileira, traga seu blog para essa árvore de Natal através de um simples enfeite. Prepare sua guirlanda, bola ou meia e, no dia 24 de dezembro, deixe seu recado.

Leia >>

Cinema no passeio

Apenas uma divulgação interessante, essa semana no Teatro Vila Velha, serão exibidos filmes nacionais em sessões gratuitas. Vale a pena conferir.

CINEMA NO PASSEIO
Cinema Brasileiro ao ar livre
15 a 21 de dezembro
segunda a domingo
18h
Passeio Público – Campo Grande
ENTRADA FRANCA

PROGRAMAÇÃO:

DIA 15 - SEGUNDA
Curta: O Flautista , de Matheus Vianna
Longa: Samba Riachão (2001)
De Jorge Alfredo
Duração: 86 minutos

DIA 16 - TERÇA
Curta: Carcará , de Marcelo Vitz
Longa: Baile Perfumado (1998)
De Lírio Ferreira e Paulo Caldas
Duração: 93 minutos

DIA 17 - QUARTA
Curta: Além do Jardim , de Fabíola Aquino
Longa: Por Trás do Pano (1999)
De Luiz Villaça
Duração: 90 minutos

DIA 18 - QUINTA
Curta: 13 de Dezembro , de Daniel Fróes
Longa: O Homem que virou suco (1979)
De João Batista de Andrade
Duração: 97 minutos

DIA 19 - SEXTA
Curta: Animações de diversos diretores brasileiros
Longa: Cinema, Aspirinas e Urubus (2005 )
De Marcelo Gomes
Duração: 99 minutos

DIA 20 - SÁBADO
Curta: Recuperando a Inocência , de Isolda Libório
Longa: Janela da Alma (2001)
De João Jardim e Walter Carvalho
Duração: 73 minutos

DIA 21 - DOMINGO
Curta: Cega Seca , de Sofia Federico
Longa: Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
De Glauber Rocha
Duração: 110 minutos

Leia >>

Animação cresce

A animação é algo que cresce no Brasil a olhos vistos. Nunca se falou tanto do formato. Cursos, concursos e mostras estão a todo tempo demonstrando o futuro do cinema. Mesmo editais de vídeo como o do Irdeb para longa-metragem, ou o do Braskem do ano passado, escolheram projetos de animação para patrocinar. Isso demonstra uma mudança de paradigma, onde pouco investimento se via na área e é uma luz no fim do túnel para os admiradores do formato. Afinal, animação não é coisa de criança, mas uma técnica lúdica de passar mensagens profundas. E os brasileiros estão demonstrando que talento eles têm para isso e muito mais.

Não é de hoje que brasileiros se destacam na animação mundial. Carlos Saldanha, por exemplo, conseguiu a proeza de dirigir o filme a Era do Gelo 2. Confesso que em termos de trama, narrativa, este deixou muito a desejar em relação ao primeiro, mas só o fato de um brasileiro dirigir o longa já foi motivo suficiente para comemorar. Significa que com talento as portas do mundo estão abertas a quem acredita.

Um filme que conseguiu, não apenas manter o ritmo, mas aprender com o primeiro, explorando o que fez sucesso foi Madagascar. O brasileiro Ennio Torres participou do longa e deu uma entrevista recente falando sobre o filme. É interessante perceber seu comentário sobre o pouco acesso de roteiristas não americanos ao filme. Ele fala do humor local que é muito específico, eu discordo. Não é medo de que o tom não faça sucesso com o público e sim o que falei acima: o poder da mensagem. É no roteiro que está definida a trama, o tom, a mensagem a ser transmitida. Os Estados Unidos sempre utilizaram seus filmes para vender o "American Way of life", e assim expandir seu imperialismo. Com a animação, principalmente com Disney, eles conseguiram educar todas as gerações, criando o mito americano da terra perfeita. Um roteirista não-americano trará sua própria cultura, valores, raízes para a história. E isso não é interessante para o mercado ianque.

Independente de questões filosóficas, Madagascar 2 encanta. Os personagens estão em uma Savana na África e cada um deles irá enfrentar um desafio pessoal ao reencontrar outros de sua espécie. De forma criativa, explorando ainda mais as características de cada personagem, a narrativa flui de forma leve, com situações memoráveis, a exceção do grupo de humanos que aparecem em paralelo na história e que seriam dispensáveis. Glória, Melman, Alex e Marty evoluíram e continuam amigos atrapalhados e inseparáveis. Tanto que a Dreamworks já está programando um terceiro filme para 2012. Tudo isso apenas confirma que a animação é, sem dúvidas, um ótimo investimento para qualquer país.

Leia >>

Editais antes do final do ano

O cinema brasileiro ainda vive de editais, foram muitos os da Secretaria do Estado esse ano, além dos já esperados do Minc e da Petrobrás. Agora, a novidade do audiovisual fica por conta da televisão. Com a chegada da TV Digital e a profusão das tvs públicas brasileiras, editais interessantes para o audiovisual começam a atingir o formato televisivo. Estamos esperando o resultado do edital do IRDEB para programa de televisão, 10 projetos foram considerados habilitados e o mesmo número de inabilitados, o que é algo que assusta. Não menos preocupantes foram os resultados dos programas para rádio. Apenas um projeto para radionovela foi inscrito. Dos três de poesia, nenhum conseguiu ser habilitado e o programa infantil ficou apenas com três projetos habilitados. Será incompetência dos produtores baianos ou a burocracia que invadiu os editais do Estado causaram esse constrangimento? Falando pelo edital de radionovela, creio que o tema tão específico afugentou a maioria dos roteiristas interessados, afinal escrever três novelas, sendo uma sobre Maria Felipa, outra sobre mestre Pastinha e Bimba, além da literatura de cordel do recôncavo, não é simples. Parecia mais uma coisa encomendada.

Por outro lado, o Minc surpreende com dois editais que estão movimentando a classe. Um é o já badalado Animatv, que teve suas primeiras oficinas de formatação de projeto, sendo uma delas em Salvador. Uma vitória da AniBahia, já que cidades-pólo como Recife e Manaus ficaram de fora. Além disso, o diretor do Irdeb anunciou no último dia da oficina que além dos 18 projetos escolhidos nacionalmente, a Bahia terá mais duas bíblias (como é chamado o projeto de animação) escolhidas para produzir o programa piloto. É, sem dúvidas, uma ótima oportunidade para os animadores de todo país.

O outro edital, que está sendo lançado hoje é o FICTV, um projeto para produção de uma minissérie adolescente voltada para classes C, D e E, que será veiculada nas TVs Públicas. Em um país onde o mercado de ficção televisiva é tão restrito, essa é uma excelente oportunidade para jovens roteiristas mostrarem seu talento. A se observar pela qualidade atual das telenovelas, percebemos que essa renovação é mais do que urgente.

Leia >>

E o vento levou?

Os Estados Unidos têm um novo presidente, o mundo um novo governante. Barack Obama acaba de entrar para história como primeiro presidente negro da maior potência mundial, tão conhecida pelas lutas raciais e pelo sonho de Martin Luther King. O mundo, com a exceção do presidente italiano aplaude tal feito e deposita as esperanças nesse homem com pose de bom moço e repleto de sonhos, como todos nós.

Citando a história dos Estados Unidos para compor a vitória de Obama, a Bandeirantes relembrou em seu jornal o filme "E o vento levou", que retrata a guerra de secessão americana, quando o Norte lutou contra o Sul, vencendo-0 e acabando entre outras coisas, com a escravidão na América do Norte. Abraham Lincoln tornou-se sinônimo de presidente libertário e o mundo aplaudiu a república exemplar dos irmãos de cima.

É interessante, então, perceber que o mundo aplaudiu a vitória do Norte, o mundo aplaudiu Obama, porém o mundo continua se emocionando com o filme "E o vento levou" e sua heroína Scarlett. Onde está a incongruência de tal feito? Nos ideais. O filme conta a história sobre a ótica do Sul, do derrotado, do escravocrata, dos ideais com os quais não concordamos, ou aprendemos a não concordar.

Desde que começa o filme, o espectador é informado que irá conhecer uma história de um tempo que passou, que o "vento levou". Mas, já estávamos em uma época onde a sociedade era burguesa, industrial e não escravocrata. Ou seja, no fundo, os espectadores concordam com os ideais Ianques (como eram chamados os nortistas), mas ao ver o filme, todos se solidarizam com as causas do Sul. Eles são apresentados como os "mocinhos", o narrador está ao seu lado e seu ponto de vista é o ponto de vista do espectador. Então, Scarlett como a representante do Sul, é a heroína a ser acompanhada.

Mais do que isso, é possível considerar Scarlett e sua relação com a terra, mais do que uma metáfora do Sul e seu sonho, uma representante do próprio sonho americano. A força com que Scarlett defende a sua terra e a paixão que demonstra por seu mundo pode ser comparada ao amor do americano por seu país, sua “terra natal”. Observando a época em que o filme foi lançado (1939, pré-segunda guerra mundial), podemos perceber que esta visão do sonho americano encontra um espaço bastante propício para crescer em termos de identificação com o público, não apenas norte-americano, mas mundial já que a guerra traz esse sentimento de defesa da pátria, que pode ser transposto para realidade de cada país.

O fato é que por ter um roteiro bem escrito, uma heroína bem construída e uma narrativa bem desenvolvida, "E o vento levou" foi lembrado e as mesmas pessoas que estavam vibrando por Obama, se emocionaram ao ver suas cenas e sua música característica. É um feito e merece ser registrado.


Leia >>

Cinema Cult traz Deserto Feliz

Olha eu falando novamente do Cinemark, porém não posso deixar de registrar mais uma ação prol cinema nacional desta rede de cinema brasileiro. De forma tímida, quase sem divulgação, a rede instalada no Salvador Shopping dedica uma sessão diária (15h) para exibir um filme nacional não comercial com entrada custando R$ 7,00 (R$ 3,5 meia), incluindo sábado, domingo e feriado. Mais uma excelente oportunidade para o nosso cinema ser difundido e visto. Ainda sonho com mais ações como essa.

Hoje, estreou nesse horário, e permanecerá por três semanas Deserto Feliz, do diretor pernambucano Paulo Caldas (o mesmo de Baile Perfumado). Há um ano, o filme vem fazendo uma bela carreira em festivais por todo mundo, já colecionando prêmios nas principais categorias. Agora chega ao cinema, com exibição em 35mm em cinco cidades brasileiras, dentre elas, Salvador.

Como é característico dos filmes de Caldas, a sensação contemplativa é bastante forte na narrativa, quase beirando ao documental. Realmente direção e fotografia impressionam e são essenciais ao contar a história de Jéssica, garota de 14 anos que foge do interior de Pernambuco e se torna prostituta na capital. Lá, conhece Mark, um turista alemão que acaba levando-a consigo para Europa. Poderia ser um conto de fadas de ascensão pelo amor, porém não é esta a visão passada pelo diretor. Com um final aberto, enigmático, sabemos apenas que Jéssica não realizou nenhum sonho, nem encontrou a felicidade. Não sabemos nem ao certo o que parte é realidade ou fantasia nos pensamentos daquela menina na beira da cama (cena inicial que se repete em vários momentos do filme).

Pois, na verdade, o filme de Paulo Caldas não tem força no roteiro, que é quase linear, por falta de conflito narrativo. Temos a história da menina, temos a sucessão de acontecimentos, muitas vezes dramáticos, porém tudo é construído de uma maneira que não há trama a ser resolvida. Não há um plot que altere o curso da história, são apenas acontecimentos de uma vida cotidiana. E a conclusão a que se chega é que este não é um filme para ser assistido com o olhar crítico linear da narrativa tradicional, mas sim, com um olhar contemplativo de sucessão de imagens e sons que se multiplicam e constroem uma sensação. Seja ela boa ou ruim.

Viajando um pouco na construção, podemos tirar metáforas da história como o tatu que é criado para ser abatido, tal qual Jéssica pelo padrasto. Ou os tubarões da placa na praia com os turistas que chegam para devorar as meninas locais. Porém, apenas suposições. O fato é que Deserto Feliz tem seu mérito e merece ser apreciado por todos.

Leia >>

Bezerra de Menezes

Bezerra de MenezesDuzentos mil espectadores em três semanas de exibição. Para os padrões brasileiros, pode-se considerar o filme Bezerra de Menezes, o diário de um espírito um fenômeno cinematográfico conforme a reportagem da revista Veja dessa semana. É sabido que a revista é notória por reportagens sensacionalistas e utiliza-se de palavras preconceituosas em relação à doutrina espírita a começar pelo título "Sessão Espírita", mesmo assim, chama a atenção o sucesso do filme e o fato dele render uma reportagem de uma página.

Sempre considerei válido a divulgação da doutrina espírita de forma séria, sem sensacionalismo, e nisso o filme é bastante feliz, principalmente na melhor cena do mesmo quando um materialista vai provocar o Dr. Bezerra em uma sessão mediúnica. O personagem principal, merece todas as homenagens possíveis por seus feitos enquanto encarnado e pela continuação do serviço ao bem que ainda proporciona com sua equipe médica espiritual.

Leia >>

Mudança

A idéia de criar este blog foi narrar a experiência da Oficina de Roteiro do Cine Pelô, que ministrei na Oficina das Artes. E esta história será mantida nos post anteriores, como um registro de uma iniciativa única de resgate do Centro Histórico e aprendizado dos meninos. Porém, o curso acabou, a oficina das artes fechou e novas iniciativas iguais não surgiram, então, este blog começou a ganhar novos rumos, procurando falar de cursos interessantes na cidade, promoções válidas, dicas e analises de roteiros e, principalmente, de bons filmes. Independente de estilo, boas histórias, exemplos válidos, coisas que chamam a nossa atenção.

Por isso, o nome Cine Pelô não fazia mais sentido. Agora somos CinePipocaCult, vamos continuar falando de cinema, roteiro e bons eventos que estejam acontecendo na cidade, sempre com a intenção de valorizar a sétima arte e colaborar com a cultura do nosso estado.

Leia >>

Apresentação

O CinePipocaCult é um site baiano criado por Amanda Aouad e Ari Cabral, que busca levar todos os dias, informações, reflexões e curiosidades sobre a sétima arte. Cine de Cinema, Pipoca de filme entretenimento, Cult de filme de arte. Ou seja, bom cinema independente de estilo. É preciso analisar cada filme por aquilo que ele se propõe e não ter preconceitos e a principal missão do site é fomentar a discussão cinematográfica. Filmes que entram em cartaz são destaques já que existe a demanda do público por informações e é preciso incentivar a ida ao cinema, mas também há espaço para resgate de clássicos ou mesmo de filmes esquecidos que possam trazer alguma discussão interessante.

Com uma trajetória de quase três anos, o site encontrou reconhecimento do público e da crítica, expressados, principalmente, nos comentários e elogios que recebe todos os dias e no prêmio TOP BLOG nacional. Em 2009 foi contemplado com o terceiro lugar pelo júri acadêmico do TOP BLOG nacional. Pouco conhecido, com uma média de 5 mil visitas mensais na época e com menos de um ano de existência, chamou a atenção dos especialistas que entraram para ver cada um dos 100 candidatos da categoria. Isso ajudou a dar visibilidade e confirmar no ano seguinte a qualidade ao ser novamente premiado com o terceiro lugar do prêmio TOP BLOG, dessa vez na categoria popular. É o único blog de cinema que conseguiu o feito de estar na final dos dois anos da premiação.

Hoje, cada post do CinePipocaCult chega diretamente a mais de 4 mil pessoas, entre assinantes do feed, amigos e fãs no Facebook e seguidores no Twitter, fora os que chegam por indicações, buscas no Google e promoções. Graças às parcerias com outros sites, à associação a Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos e à divulgação em agregadores de link, a visualização mensal já passa dos 40 mil, com quase 60 mil pageviews segundo o Analytics. O CinePipocaCult também está muito bem posicionado no Google, principal site de busca da internet, sendo atualmente Pagerank 4. Desta forma, cada matéria postada no site tem grandes chances de aparecer na primeira página do Google e outros sites de busca graças a um eficiente trabalho de SEO desenvolvido por Ari Cabral.

O CinePipocaCult cresceu e se transformou em uma janela cinematográfica, não apenas pela quantidade de visitas diárias, mas principalmente, pela qualidade desse público segmentado, que leva em consideração cada informação que está ali. Vide o sucesso da campanha Seja Educado, Cinema é lugar sagrado, lançada em 2009. É possível falar diretamente com o cinéfilo, o interessado em filmes e o estudioso do assunto, já que buscamos sempre melhorar a qualificação do texto ali apresentado, com embasamento teórico e não apenas opinativo, porém sempre com uma linguagem acessível a todos.

Seja bem vindo! E se você tem algum negócio relacionado ao cinema solicite o nosso midiakit.

Equipe:

Editoria: Amanda Aouad (@aaouad) é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista, especialista em Cinema pela UCSal e mestranda em Análises Narrativas do programa de Comunicação e Cultura Contemporânea da UFBA. Fez ainda dois cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos. Contato: amanda@cinepipocacult.com.br

Marketing: Ari Cabral (@aricabral) é formado em Publicidade e Propaganda, especialista em tratamento de imagem e diretor de arte da Agência Muito. Experiência também com Redes Sociais e edição de vídeo, fez ainda um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Contato: ari@cinepipocacult.com.br

Midiakit:

Leia >>

Related Posts with Thumbnails
 

Licença Creative CommonsBlog CinePipocaCult by Amanda Aouad is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Não a obras derivadas License
Based on a work at www.cinepipocacult.com.br
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://www.cinepipocacult.com.br