22/05/2009

Star Trek - Um novo começo

Este poderia ser o subtítulo do décimo primeiro filme da franquia mais cultuada da ficção científica. J.J. Abrams[bb] se utiliza de sua principal arma em Lost, a viagem no tempo, para embaralhar e reconstruir tudo aquilo que conhecemos e conseguir um feito inédito. Agradar a gregos e troianos. Por quê? Pelo simples fato de que traz o gostinho saudosista aos fãs que vêem seus personagens preferidos personificados em versões juvenis impressionantemente bem caracterizados, mas cria uma história atual, com efeitos visuais, ação e ritmo que empolga a qualquer cinéfilo interessado em ficção científica. Não é a toa que se tornou um midas de Hollywood, fadado ao sucesso.

Bom, como fã da série clássica, e mais uma vez repito, apenas da série clássica já que a nova geração nunca me empolgou, devo confessar que senti falta daqueles roteiros mais inteligentes, onde a trama gerada em torno de enigmas, sem apelar para tantos efeitos especiais. Porém, não sou tola e entendo perfeitamente que os tempos são outros. A linguagem cinematográfica mudou com a tecnologia e não dá mais para criar filmes de ação e ficção científica sem apelar para explosões, lutas, perseguições e cenas surpreendentes. A destruição de um planeta é algo marcante, que jamais seria possível sem a tecnologia atual.

Os personagens estão todos lá, Uhura, Kirk, Scotty, Spock, McCoy, Sulu e Checkov. Mesmo com a mudança no tempo-espaço, a personalidade de todos ficou intacta, dando a sensação do momento histórico que o espectador está presenciando, mesmo que os personagens não tenham a noção disso. Mesmo, Chris Pine não tendo o charme de William Shatner, sua interpretação do eterno capitão arrogante e impulsivo está convincente. Mas, o destaque é mesmo Spock, apesar dos resquícios de Sylar, Zachary Quinto encarna a personalidade turbulenta do meio humano, meio vulcano que está sempre entre a lógica e pequenas manifestações de emoções. Nem mesmo quando Leonard Nimoy surge na tela com a frase: "Eu sou Spock", o que causa emoção em qualquer fã do personagem, Quinto não perde sua vez. Ambos, agora, são Spock.

A história em si é conduzida por uma nave romulana que volta ao passado para uma vingança pessoal e acaba embaralhando a história, alterando fatos e matando personagens décadas antes da hora. Cabe aos tripulantes da Enterprise lutar para que eles também não destruam o planeta Terra, reequilibrando o sistema e conduzindo a nova história. É difícil falar do enredo sem se trair com um pequeno detalhe que possa estragar a surpresa, então, vão ao cinema.

Apenas um comentário final, que acredito não estrague em nada. O filme termina com Leonard Nimoy narrando o texto imortalizado por William Shatner que começava todos os episódios da série clássica. Uma sensação boa de nostalgia que dá abertura para um novo começo de uma saga já imortalizada.

“Espaço, a fronteira final ... estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão para explorar novos e estranhos mundos, para pesquisar novas formas de vida e novas civilizações... Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve!”


6 opiniões:

socra disse...

"A destruição de um planeta é algo marcante, que jamais seria possível sem a tecnologia atual."
Marcante se for usada com conteúdo, mostrando os efeitos disso, com inteligência. Marcante até que ponto, até onde essa tecnologia mudou para melhor, até onde os efeitos devem passar por cima do roteiro? Seria como mostrar uma casa sendo assaltada e uma casa sendo assaltada no Laranja Mecânica.

22 de maio de 2009 14:56
Fabio disse...

Olá, gostaria de saber se você tem algum e-mail para contato. Obrigado

22 de maio de 2009 17:27
Amanda Aouad disse...

Concordo, Socra, por isso falei da diferença do roteiro da série clássica e já tinha falado em outro post sobre o excesso de efeitos especiais nos filmes atuais.
Mas, a destruição do planeta tem um impacto no roteiro, eu só não falei mais para não contar o filme a quem não assistiu.

22 de maio de 2009 20:23
Amanda Aouad disse...

Só completando, quando eu disse que "a explosão é algo marcante", foi a forma como a explosão foi feita. É impactante ver o planeta implodindo, sendo sugado aos poucos e virando um buraco negro, com as naves sendo atraídas para lá. Agora, realmente o essencial é a história, Star Wars (uma nova esperança) mostrou a destruição de Alderaan de uma forma tosca (no sentido tecnológico) e nem por isso deixou de funcionar para a trama, na época. Porém, se aquela cena fosse feita hoje, seria motivo de piada e críticas...

23 de maio de 2009 09:20
Hugo disse...

Infelizmente não assisti a filme algum da série de filmes "Jornada nas Estrelas".
Quem sabe eu não começarei por este.

Abraço

23 de maio de 2009 17:39
Amanda Aouad disse...

Fábio, já te respondi por e-mail...

Hugo, é uma boa idéia, mas se tiver oportunidade, dê uma olhada na série clássica. Eu recomendo.
Abraços

23 de maio de 2009 22:20

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