10/08/2009
À Deriva
Freud explica, esta é a melhor definição para a trama do filme brasileiro À Deriva. Aclamado em Cannes, o filme de Heitor Dhalia surpreende pela boa narrativa, com uma direção inteligente e planos variados, boas interpretações e uma história simples sobre uma fase crucial para qualquer menina: a adolescência.
A atriz Laura Neiva foi descoberta através do site de relacionamentos Orkut e foi uma grande descoberta, já que a garota consegue demonstrar com muita sensibilidade essa transição da infância para adolescência, quando começa a descobrir o interesse pelo sexo oposto, as dúvidas sobre seus próprios sentimentos e as dificuldades de lidar com problemas. Felipa se depara com algo mais nessa fase: a descoberta de que seu pai tem uma amante. Com um Complexo de Édipo bem exacerbado, a garota não consegue lidar bem com a situação de seu pai se interessar por outra mulher.
A trama psicológica parece tola para alguns, mas está na visão subjetiva da menina toda a delicadeza do tema, tornando a reviravolta final ainda mais impactante. Não é absurda como falaram alguns, coisas muito mais absurdas acontecem na vida real. À Deriva fala de questões cotidianas, de sentimentos, de descobertas. Não possui uma narrativa clássica, um drama principal definido, é a construção dessa fase da vida contada de uma forma muito agradável.

Debora Bloch está muito bem no papel da mulher infeliz no casamento, enquanto Camilla Belle consegue trazer naturalidade em sua Ângela, apesar das poucas cenas. O francês Vincent Cassel também defende de forma sensível o seu Mathias e constrói uma bela relação com a garota Laura Neiva, que é sem dúvidas a grande interpretação do filme. Cauã Reymond é quase um figurante de luxo, servindo apenas para embelezar a tela, nas poucas aparições, apesar de decisivas.
Ao contrário de Nina e O Cheiro do Ralo, Heitor Dhalia traz uma linguagem mais crua em sua direção, realista bem próximo da linguagem criada pelo realismo italiano. Um bom filme, que mereceu todos os aplausos do Festival de Cannes desse ano.
Em vez de colocar o trailer, preferi deixar aqui esta entrevista com Heitor Dhalia, contando um pouco do filme.






































4 opiniões:
Eu tb gostei bastante do filme, principalmente a forma com que o Heitor Dhalia deu ao filme. Debora Bloch para mim foi a surpresa de À Deriva!
10 de agosto de 2009 11:51Eu não vi muito de Complexo de Édipo neste filme, Amanda.
10 de agosto de 2009 22:32Mas gostei muito. Achei extremamente sensível, com uma bela fotografia e atuações muito boas, especialmente a da Débora Bloch.
Verdade, Fernando, mas Débora sempre foi boa atriz, apenas com papéis meio caricaturais.
11 de agosto de 2009 09:31É mesmo, Fred? Pôxa, a relação dos dois é de tanta cumplicidade, a admiração da filha pelo pai, a forma diferenciada como ele trata ela, em relação aos outros dois filhos. Fora, a fixação dela ver o pai com a amante em detalhes. Complexo de Édipo não quer dizer que haja um desejo sexual real, é algo inconsciente. E antes que alguém fale que é complexo de Electra, na verdade, Freud escreveu sobre Édipo, seja filho com mãe ou filha com pai.
Bom filme. Quanto ao complexo de Édipo, concordo, não precisa ser explícito, a garota tem o pai como um super-herói até descobrir a amante.
11 de agosto de 2009 11:38Postar um comentário