O Segredo de Kells

O Segredo de Kells
"Em um mosteiro, o mais fantástico dos livros, o livro dos Kells, precisa ser concluído e mostrado ao mundo. Esta misteriosa tarefa é dada a um menino de 12 anos, Brendan. Para completar o lendário livro, ele conta com os ensinamentos do mestre Aidan e com a ajuda de Aisling, uma menina-lobo. Contudo, para isso ele precisa desobedecer seu tio, perder-se na floresta encantada e enfrentar uma serpente diabólica que protege o incrível olho de cristal."


A principal sensação que tive ao terminar de assistir ao Segredo de Kells foi a de anseio por mais conhecimento, por saber qual o significado daqueles símbolos celtas no famoso livro e por alguma explicação mais exata de tudo que acabei de ver nessa produção franco-belga-irlandesa. Mas o filme é voltado para o público infantil e o sensorial é mesmo a principal ferramenta. Não digo com isso que seja uma aventura ruim para um adulto. Pelo contrário, qualquer um fica encantado com a animação que mistura simbologia, religiosidade e fábulas infantis para contar uma história tão real.

O traço é simples, sem ser simplista, a animação em 2D não tem preocupação com perspectivas, mas investe nas cores e nos efeitos sensoriais, produzindo efeitos visuais e sonoros que atingem diretamente o nosso inconsciente tornando a experiência única. Dirigida por Tomm Moore é ousada quando traz a mitologia celta e seu sincretismo com a religião católica na tentativa de proteger os mistérios milenares das invasões bárbaras que assolaram a Europa no início da Idade Média.

AislingA menina Aisling é o símbolo dessa civilização perdida, com o poder do feminino e a integração com a natureza, sua colaboração na introdução de Brendan nos grandes mistérios é bastante sutil, mas muito interessante. Assim como toda a questão de censura por parte do Abade dentro do mosteiro, simbolizando o medo dessa nova civilização que se forma.

O livro de Kells é real, não uma simples ficção simbólica. E foi produzida por monges, sendo a principal peça do cristianismo irlandês. Encontra-se exposto permanentemente na biblioteca do Trinity College de Dublin, República da Irlanda.

Além de todo simbologismo sensorial, o filme incentiva o gosto pela leitura e ilustração nas crianças, sendo algo totalmente diferente das animações Disney a que estamos acostumados. Não sei se entrará em circuito oficial, por enquanto, ele faz parte do Festival de Animação Infantil que está ocorrendo em alguns pontos do país. Para mim, foi uma grata surpresa.

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Linha de Passe

A violência está presente no cinema brasileiro, desde o início até os dias de hoje. Se podemos dizer que somos feitos de algum tema para definir o cinema nacional, temos que citar: miséria, violência e problemas sociais. Seja na Seca do Sertão Nordestino ou no sol quente das favelas do Rio de Janeiro. Temos um país imenso, repleto de diversidades culturais, talentos e compreensões, mas é na miséria que reina a nossa vanguarda cinematográfica. Filmes marcantes como Rainha Diabo, Madame Satã, Assalto ao Trem Pagador, Vidas Secas, Deus e o Diabo na Terra do Sol, além dos mais recentes como Cidade de Deus são fáceis de lembrar e serem comentados seja para elogiar ou criticar.

Neste panorama, no entanto, poucas vezes vemos na tela o retrato dos verdadeiros excluídos. Pessoas de classe baixa, com poucas oportunidades que lutam de forma honesta para sobreviver a cada dia. Assim é Linha de Passe, filme de Walter Sales que ganhou destaque e deu a Palma de Ouro de melhor atriz para Sandra Coverloni.

Linha de Passe
Sandra interpreta Cleuza, empregada doméstica, batalhadora, corinthiana doente, que cria seus filhos não admitindo brigas nem desonestidade em casa. São três rapazes mais velhos: Denis, Dario e Dinho. O caçula Reginaldo, filho com outro homem, que sente-se diferente dos irmãos por ser negro assim como o pai. E um quinto que está na barriga e serve para mostrar o incômodo dos filhos em relação a este fato. Cleuza bebe no bar, xinga nos jogos e não mede palavras ao brigar com os filhos que saem da linha. Uma cena forte é quando ela serve o jantar para o filho Dinho com uma raiva imensa por aquela situação sem esperanças.

Cada filho busca o sonho de realização a sua maneira. Denis, motoboy, procura o trabalho informal, sempre com dificuldades financeiras, tendo uma ex-mulher e um filho para dar pensão. Cai na tentação do dinheiro fácil, mas demonstra a dificuldade de ser um invisível para sociedade dominante. Dinho trabalha em um posto de gasolina e encontra refúgio na religião. Frequentador de uma igreja evangélica questiona a própria fé ao ver problemas que parecem intransponíveis. Dario é um jogador de futebol com talento, mas que já passou da idade de participar de peneiras para clubes. Lida com a frustração de ser considerado velho aos dezoito anos, porém ainda não desiste, chegando a burlar a lei, falsificando carteira de identidade e ouvindo do técnico que "você joga bem, mas, como você, tem vários por aí com quinze anos".

Reginaldo é um caso a parte. Garoto ainda, sente-se a par da família, por ser negro e sonha em encontrar com o pai. Passa o dia andando nos coletivos, observando aquele que imagina ser seu pai e imitando os gestos do motorista. Bastante esperto, é capaz de dirigir apenas pela observação dos gestos do motorista.

Sandra Coverloni está muito bem no papel da matriarca, sabendo dosar os momentos de descontração quando está no estádio de futebol torcendo pelo Corinthians e no bar da esquina, com os dramas e preocupações diárias com os filhos. No momento em que é preciso uma carga emotiva maior, a atriz não deixa o ritmo cair, expressando toda a dor e ética de uma mulher que só quer viver e criar os seus filhos dignamente.

Outro destaque do filme é o ator Vinícius de Oliveira. Revelado ainda criança pelo próprio diretor em Central do Brasil, o garoto defende bem o drama de seu personagem Dario que sonha em ser um jogador de futebol de talento. Para a preparação do filme, o ator chegou a estudar na escolinha de futebol de Zico, o que deu mais realidade às suas cenas com a bola.

Com a mesma parceria que fez com Daniela Thomas em Terra Estrangeira, Walter Salles trabalha com uma linguagem realista, crua que salta aos olhos do espectador e mostra a angústia de uma sociedade esquecida. É o seu retorno ao cinema brasileiro após a experiência com Diários de Motocicleta e do hollywoodiano Água Negra. A fotografia é lavada, com tons claros e enquadramentos precisos. Walter Salles buscou inspiração em dois filmes documentários de seu irmão João Salles para construir os personagens deste filme: Futebol e Santa Cruz. A montagem paralela mostra a vida dos cinco integrantes da família em tempo real, comparando suas ações e realidade, dando um ritmo confuso no início, mas que vai se organizando até o final aberto. Não há conclusão, a vida continua a partir dali e cabe aos espectadores imaginar, assim como é a realidade que só tem fim com a morte.

Contraditoriamente ao dito até então, no entanto, o filme é tão tenso e real que se torna cansativo. A estética humanista impressa em seus demais filmes é um pouco esquecida aqui, na tentativa, talvez, de burlar a crítica que a considera um falseamento da realidade. Salles sempre teve na poesia das imagens sua marca registrada. Em sua busca por uma identidade nacional menos dura, sempre produziu dramas humanos sensíveis e bastante reais. Em Linha de Passe, essa linha parece extrapolada com uma necessidade exacerbada de sensibilizar o espectador. É impressionante que todos os cinco membros da família estejam passando por dificuldades e momentos decisivos ao mesmo tempo. O argumento acaba soando falso, forçando um drama excessivo àquela família.

Além disso, a linguagem se arrasta em pontos diversos, prolongando o sofrimento da família e aumentando o drama na tela. Talvez bastasse metade do tempo para passar a mensagem sem precisar expor tão minuciosamente alguns detalhes. Por isso, Linha de Passe cai um pouco o ritmo e o interesse da metade para o fim, perdendo a força do filme e fazendo deste apenas uma obra mediana, bem diferente de Abril Despedaçado, Central do Brasil ou mesmo Terra Estrangeira, outras obras marcantes do diretor.

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Continua chovendo Hambúrguer

Tá Chovendo HamburguerApós 4 semanas, ignorando grandes estreias como Bastardos Inglórios, Distrito 9 ou a animação da Disney/Pixar Up - Altas Aventuras, Tá Chovendo Hambúrguer continua liderando as bilheterias brasileiras. Uma animação divertida, bem produzida e que levanta temas importantes como obesidade, gula, valor da comida e questões ambientais.

O fato chama a atenção já que o filme da Sony Pictures não estava entre os mais esperados do ano. Ao ver o trailer pela primeira vez, pensei que seria uma história boba, vazia, daquelas que tem aos montes por aí. O que chama a atenção em Tá Chovendo Hambúrguer é exatamente o fato de usar um tema de um sonho infantil para tocar em assuntos importantes. Quem nunca sonhou em ver guloseimas caindo do céu? Contando a história do protagonista Flint desde garoto com seu sonho inventivo, a história segue um crescente de ações até culminar na adrenalina do mundo quase destruído por, pasmem, comida. A metáfora é muito interessante e daria para fazer análises profundas. Mas acredito que o sucesso da bilheteria do longa é mesmo a capacidade de entreter adultos e crianças, com um humor clichê, facilmente reconhecível, utilizando-se de desejos inconscientes em todo ser humano.Muita gente que está indo ao cinema, nem mesmo percebe todas as mensagens por trás do filme, mas, com certeza, todos se divertem e por isso indicam. Com o boca-a-boca, a bilheteria só tende a crescer.

Curiosidade: No portal do MSN, fala que para lançamento nos Estados Unidos, foi feita uma ação de marketing interessante. Chefs de cozinha foram contratados para criar a maior almôndega já feita. Com 50kg, a ação foi parar no livro dos recordes. Seria interessante ver algo parecido por aqui.



Para quem ainda não viu, fica a dica.
Tá Chovendo Hamburguer
'Tá Chovendo Hamburguer'
Sinopse (fonte: msn): Durante toda a sua vida, Flint Lockwood sempre sonhou em se tornar um grande cientista, reconhecido pela sua contribuição à humanidade. Para isso, desde pequeno fez de tudo para inventar máquinas que pudessem facilitar a vida de todos. Porém, seus inventos nunca foram compreendidos como deveriam, e nem a população da pequena Chewandswallow, onde vive, confia nas maluquices que saem da cabeça deste criativo rapaz. Um dia, no entanto, Flint tem uma grande ideia que pode causar uma grande revolução, acabando com a fome no mundo. Ele descobre uma maneira de transformar água em comida, e logo percebe que Tá Chovendo Hamburguer. O invento tem tudo para ser um sucesso, não fosse a ambição de um rico empresário, que tenta se dar bem às custas de Flint. Quando o cientista percebe, sua máquina causou um grande caos no mundo todo.

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Besouro

A expectativa nunca é uma boa amiga. Esperei tanto por esse filme que ao assisti-lo me senti da mesma forma que Walter da Silveira ao ver Bahia de Todos os Santos, frustrada. Tal qual o antigo crítico baiano eu esperei ver uma revolução cinematográfica e me decepcionei, não era o filme que esperava. Mas também não é uma desilusão total. As belas cenas de ação estão ali, a capoeira é reverenciada e o jogo de cenas final é muito bom, fechando bem a história. Se toda a projeção fosse igual aos seus vinte minutos finais, seria um grande filme.

BesouroBesouro tem problemas de direção, tem problemas de elenco, mas principalmente, tem problemas de roteiro. Se era para fazer um filme comercial, Patrícia Andrade poderia recorrer à trajetória do herói traçada por Joseph Campbell e traduzida passo a passo por Christopher Vogler. Seria um belo filme. Suas escolhas, no entanto, são confusas e o nascimento do herói dá-se em um passe de mágica que fica pouco crível, por mais que os Orixás sejam forças poderosas. Tirando essa premissa básica, o filme começa com um didatismo insuportável. Primeiro temos uma cartela com um texto explicando a época e a situação do negro, como se não bastasse ouvirmos a voz over de Milton Gonçalves narrando-o. A maioria das pessoas não conhece a história do Brasil? É verdade, mas será que era tão necessária assim aquela informação? No início do cinema, os filmes possuíam um prólogo, tudo era muito recente e as pessoas poderiam se perder. Mas, hoje, mais de cem anos depois, o espectador está refinado, certas explicações são mais do que dispensáveis. Gostamos de ir descobrindo o filme aos poucos, principalmente com imagens. Cinema é imagem, não é texto. E o pior é ver a mesma cartela voltar para fechar o filme com uma explicação pífia. Do jeito que o texto (e a voz inconfundível de Milton Gonçalves, não esqueçam) fala, fica parecendo que a luta de Besouro era apenas para regularizar a situação da capoeira. E a situação do negro, como é que fica?

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Dicas das Semana

Cinema
Festival de Cinema Infantil
Ocorre até o dia 01 de novembro no Cinemark Salvador Shopping, com ingressos a R$ 4,00. Uma boa oportunidade para ver clássicos como Castelo Rá Tim Bum e O Garoto de Chaplin, ou para pré-estreias como O Segredo de Kells, um filme parceria entre Irlanda, França e Bélgica que conta uma bela história de um lendário e precioso livro.




Alô, Alô, Terezinha
Leia crítica
O documentário de Nelson Hoineff sobre Chacrinha estreia em todo o Brasil na sexta-feira dia 30/10, mas no dia 27 é possível assistí-lo no Circuito Sala de Arte (Cine Vivo), às 21h.

Sinopse: Documentário sobre o maior fenômeno da televisão brasileira, o apresentador Abelardo Barbosa, mais famoso como Chacrinha. O público assistirá ao apresentador de auditório jogando bacalhau para a platéia, soltando seus bordões, buzinando calouros ou até dando o famoso troféu abacaxi, e ainda apresentando os maiores ídolos da época.


Televisão

O mistério da Libélula
Sexta-feira - Cinemax - 22:15
Esse suspense estrelado por Kevin Costner é uma surpresa interessante, apenas com alguns excessos em cenas de susto.

Sinopse: Depois da morte de sua mulher, Emily (Susanna Thompson), o médico Joe Darrow (Costner) fica completamente desnorteado. Em meio ao inferno no qual sua vida se tornou, Joe começa a desconfiar que sua esposa está tentando se comunicar com ele por meio das experiências de seus pacientes à beira da morte e de misteriosas libélulas (de diversas formas) que o perseguem e o assombram. Com ajuda de uma vizinha (Kathy Bates), o médico começa a tentar desvendar as mensagens supostamente enviadas por Emily.

Mamma Mia
Quinta-feira - TeleCine Premium - 19:55
Para quem gosta de musical e da banda ABBA é imperdível. Divertido e com Meryl Streep, como sempre, muito bem.

Sinopse: Donna (Meryl Streep) é dona de um pequeno hotel e mãe solteira da espirituosa Sophie (Amanda Seyfried), que vai casar. Donna precisa superar o fato de que irá ficar sozinha e convida duas amigas especiais para o casamento da filha, do tempo que era vocalista de uma banda chamada Donna and the Dynamos. Procurando conhecer a verdadeira identidade de seu pai, Sophie convida secretamente três homens especiais.


DVD

A Mulher Invisível
Leia crítica
Quem não conseguiu ver no cinema, já pode conferir a comédia de Cláudio Torres.

Sinopse: Pedro (Selton Mello) acreditava no casamento, mas foi abandonado pela esposa. Após três meses de depressão e isolamento, ele ouve batidas na sua porta. É a mulher mais linda do mundo pedindo uma xícara de açúcar: Amanda (Luana Piovani), sua vizinha. Pedro se apaixona por aquela mulher perfeita, carinhosa, sensível, inteligente, uma amante ardente que gosta de futebol e não é ciumenta. Seu único defeito era não existir.

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Alô, Alô, Terezinha!

Alô, Alô, TerezinhaAbelardo Barbosa foi um ícone na televisão brasileira. Com seu jeito palhaço, sua linguagem escrachada, marcou a vida de muitas pessoas, inclusive a minha, uma criança que cresceu assistindo o Cassino do Chacrinha aos sábados. Nada é parecido com aquilo, tão autêntico como a cultura brasileira. Os programas de auditório de hoje são cópias de programas americanos, por vezes, com o mesmo nome. Não há mais a espontaneidade, a cultura popular, o espaço para o povo e novos artistas. Como foi dito no filme, apareceu no Chacrinha, era certeza de música tocando nas rádios.

Por isso, senti uma tristeza ao ver uma sala de pré-estreia (normalmente disputada com filas enormes) tão esvaziada. As pessoas demonstraram um certo preconceito com o popular, como se fosse algo menor, brega. Temo pela bilheteria do longa, se a visão continuar essa, até porque o público de Chacrinha, ou seja a grande massa, não frequenta cinema. Segundo pesquisa recente apenas 9% da população vai aos cinemas. Loucura, não é?

Voltando ao longa, o diretor Nelson Hoineff fez uma escolha muito feliz. Como ele declarou antes da exibição do filme não é um documentário biográfico, é um resgate do clima do programa de auditório e do mundo criado por Chacrinha. Em um estilo clássico, há depoimentos atuais intercalados com cenas dos antigos programas. Levando em consideração que ele utiliza tanto os dois da extinta TV Tupi (A buzina e a discoteca do Chacrinha) e o da Rede Globo (Cassino do Chacrinha), foram muitas horas de decupagem. Com a ajuda de Newton Cannito, o roteiro é inteligente e a montagem constrói discussões interessantes como a real situação das Chacretes, as figuras emblemáticas e os calouros sem noção. É possível rir com um desafinado que diz ter alma de artista e afimar ser melhor que Roberto Carlos, a quem considera uma enganação.

Todas as chacretes são homenageadas, vemos a situação atual de cada uma delas, em sua maioria, longe da fama, como cozinheira, dona de mercadinho, entre outras. E o contraste com Rita Cadillac, a única que conseguiu se manter na mídia. O filme vai sendo construído a partir da lembrança das pessoas. Vários artistas se revezam na tela, com maior ou menor destaque. E um depoimento emocionante de Russo, o eterno ajudante de palco.

Acidente com BiafraApesar de ser um documentário, percebe-se uma preocupação com a direção de arte. O cenário é escolhido de acordo com a personalidade que fala, como Wanderley Cardoso ao lado de uma placa "o bom rapaz", Beth Carvalho em um sofá todo verde e rosa, ou Elimar Santos com um lindo piano. Sendo assim, surgiu a idéia do parapente na sequência de Biafra cantando "Sonho de Ícaro", que virou hit na internet por causa do acidente que está na íntegra no filme.

É um filme que diverte, resgata uma cultura que começa a ser esquecida e dá voz a pessoas que perderam o seu espaço na mídia. Por isso, é tão belo e fundamental. Que o nosso país não seja de um povo sem memória, viva a Alô, Alô, Terezinha!

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9, a salvação

9, a salvaçãoO trailer de 9 não me empolgou, sua premissa de um futuro caótico, onde máquinas dominam e a humanidade está perdida me pareceu batida e cansativa. Duas coisas me atrairam ao cinema: a produção ser de Tim Burton e a curiosidade de entender melhor o que significavam aqueles bonequinhos. Originalmente um curta-metragem que concorreu ao Oscar de 2006, o novato Shane Acker me surpreendeu. O filme constrói uma relação interessante e nos identificamos com aquela criaturinha esperta e decidida chamada 9, que na versão original é dublado por Elijah Wood.

9, último bonequinho de pano feito por um cientista, acorda em um mundo destruído e vai vagando sem rumo. O início do filme é mudo e solitário, lembrando Wall-E em alguns aspectos. A diferença é que o mundo sombrio de Tim Burton está ali, uma melancolia domina todo o filme, não foi à toa que o diretor se interessou pelo projeto. Logo 9 encontra 2, outro bonequinho, visivelmente um cientista, que é capturado por um monstro-máquina. Na tentativa de encontrar o novo amigo, 9 conhece os demais bonequinhos do cientista e analisando-os juntos, percebemos que cada um parece simbolizar uma emoção humana. 1 é o líder, ancião que teme mudança e prefere se esconder. 3 e 4 são gêmeos curiosos, que catalogam cada coisa que encontram (lembram muito Wall-E), 5 é o aprendiz e amigo fiel, 6 é a intuição, visionário que sabe a chave do mistério, 7 é a garota corajosa e 8 é o forte, mas com pouco raciocínio. A questão de serem nove bonequinhos parece mesmo ter algo de cabalístico.

9, a salvaçãoO problema é que acabou aí. Pamela Pettler vai recheando seu roteiro de cenas e mais cenas de ação, porque a narrativa não tem muito a dizer, não desenvolve. No final do filme vem uma explicação mística/filosófica para tudo aquilo, que faz sentido, mas cai no vazio. Não tinha necessidade de manter como uma surpresa, uma revelação final. Se desde o início trabalhasse a idéia, não ficaria no superficial e poderia ser um grande filme, marco da história cinematográfica. Porque tecnologia e efeitos especiais eles tem. Cada boneco, cada cenário, cada cena de ação é de uma perfeição ímpar. A construção dos nove personagens também é muito feliz. São completos, verossímeis e coerentes. Faltou uma história mais bem amarrada para eles passearem.

Perto do fim, "Somewhere over the rainbow" trilha uma sequência absolutamente desnecessária, que corta todo o clima e soa falso naquele mundo caótico e não finalizado. Mas, o final do filme é bem construído, com uma pincelada de espiritualismo que soa surreal, mas que tem uma explicação plausível.

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Besouro - pré-estreia em Salvador

Besouro - pre-estreia em SalvadorOntem foi a pré-estreia de Besouro, o aguardado filme de João Daniel Tikhomiroff no Multiplex Iguatemi Salvador. Lotado, foram reservadas três salas para exibição que contou com a presença do diretor e elenco, com direito a roda de capoeira enquanto aguardávamos o início. A minha crítica sobre o filme deixarei para postar na segunda-feira para digerir melhor uma certa frustração. Por enquanto, vai apenas um pouco do evento e da festa que foi termos a Bahia e a capoeira representadas na tela do cinema. Tomara que Besouro chame a atenção para essa luta secular, de uma beleza ímpar e com uma cultura tão vasta.

Eu até consegui falar com João Daniel, mas a confusão e a correria não me permitiram uma declaração exclusiva. Transcrevo, então, aqui a fala do diretor antes da exibição, já dentro do cinema:

Besouro - pre-estreia em SalvadorJ.D.T - "Estou muito feliz de estar lançando esse filme em Salvador, que é a própria mistura de raças e eu como sou uma pessoa que me apaixonei por um personagem baiano, a história do Besouro e todas as suas lendas, eu vim para Bahia para conhecer melhor isso, passei quatro anos pesquisando isso, baseado na inspiração de um livro que eu li “Feijoada no Paraíso” do Marco Carvalho. Então eu comecei a ficar apaixonado por essa terra, cada vez mais e resolvi fazer um filme que alguns estão dizendo que é uma homenagem à Bahia, homenagem a capoeira e uma reverência ao candomblé. Eu fiz com muita paixão esse filme, usei recursos nunca utilizados no cinema brasileiro, uma grande produção que acho que dignifica muito o nosso cinema. E acho que dignifica a nossa (se me permitem chamar assim) Bahia. Espero que vocês se apaixonem pelo filme, que viajem pelas asas do Besouro. É um filme que homenageia a capoeira de modo generalizado, não é um documentário, é um filme de ficção, então, eu utilizo imagens de capoeira com ângulos e movimentos nunca demonstrados antes para transformar em uma arte linda, visual e cinematográfica. Eu acho que isso vai encantar o Brasil e espero que o mundo. Estamos recebendo vários convites de festivais que querem o filme, outros distribuidores. Então, quem sabe, tenhamos criado um herói brasileiro nascido na Bahia."

Como muita gente está perguntando, adianto aqui a síntese do que achei e coloquei no twitter: os primeiros minutos de Besouro são assustadores, mas resistindo a eles o filme engrena, tem boas cenas de ação e o final é muito bom.

Ailton Carmo, o ator que faz Besouro, também participou da roda de capoeira montada no meio da praça do Multiplex.

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Um pouco mais da roda de capoeira para vocês sentirem o clima que precedeu o filme.

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Deixe ela entrar

Deixe ela entrarSe você é daqueles que ao falar de cinema sueco pensa logo em Ingmar Bergman, comece a aumentar seu repertório. Tomas Alfredson lançou um filme que tem encantado a todos os cinéfilos que o vêem, pela poesia e metáfora da passagem da infância. Não tenho receio em dizer que Deixe ela entrar é um dos melhores filmes do ano.

Que ninguém vá ao cinema esperando um filme de vampiro. A premissa aqui serve apenas para um mote metafórico das dificuldades de uma época em que temos que aprender a crescer e lutar pela nossa sobrevivência. Até por isso, acho que a única coisa desnecessária do filme são as consequências de um ataque da vampirinha, principalmente na cena dos gatos e na cena do fogo no hospital. Apenas demonstração de efeitos especiais que não ajudam no avanço da narrativa.

A trama se centra mesmo no relacionamento de Eli com Oskar. Adaptação do livro de mesmo nome de John Ajvide Lindqvist, que também escreveu o roteiro, o filme conta a construção da amizade e amor inocente entre duas crianças solitárias. O fato de uma delas já ter doze anos há muito tempo não muda a questão de que são duas pessoas carentes. Oskar é um garoto ingênuo, mas que desde sua primeira cena demonstra uma sede de vingança contra seus algozes na escola. Talvez por ver isso, Eli se aproxime dele, ambos são sobreviventes de um sistema excludente.

Deixe ela entrarA garota tem um guarda-costas misterioso, provavelmente um Oskar do passado que cresceu, que mata pessoas para levar o sangue que alimentará sua vampirinha. A cena em que ele pede para que Eli pare de encontrar Oskar e esta responde com um carinho em seu rosto é o maior indício de que eles tiveram alguma relação no passado. Por outro lado, a vampira não deixa transparecer suas emoções positivas, no início, ela grita muito com o velho homem. Fica assim a dúvida, será que ela gosta de Oskar ou está apenas conquistando-o para ser seu novo guarda-costas? Afinal, ela precisa de alguém que a proteja de dia.

Tomas Alfredson e o diretor de fotografia, Hoyte Van Hoytema, são muito felizes na escolha das cenas, quase sempre apenas sugeridas, sem explicitar os ataques, nem chocar a platéia com excesso de sangue. A fotografia sombria, ajuda na construção do clima de tensão e no suspense, principalmente da personagem principal, que primeiro aparece apenas através de silhuetas e voz. Um encanto de filme, que deixa uma sensação boa de ter visto algo sublime.

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Encurralado

Encurralado1971, surge nos cinemas o filme de um novo diretor, seu nome: Steven Spielberg. Totalmente diferente do que vai se configurar sua carreira como cineasta, Encurralado é um típico filme de suspense com todos os elementos defendidos por Hitchcock, mestre do gênero. A trama criada por Richard Matheson conta a história de David Mann, um homem comum que sai para mais uma de suas viagens a trabalho, corriqueiras, quando encontra na estrada um caminhão-tanque. Ao ultrapassá-lo, o motorista do Plymouth Valiant vermelho parece irritar o caminhoneiro que passa a perseguí-lo pela estrada.

É um road movie aterrorizante, por assim dizer. A tensão é construída a cada cena. A começar pelo início do filme, que tem mais de cinco minutos de uma câmera subjetiva desde a saída da garagem até atingir a estrada. O caminhão começa sua perseguição em doses homeopáticas. Sem nunca ser revelado o rosto do motorista, ele começa a fazer pequenas ultrapassagens e depois não deixa o carro passar, andando em zig zag pela pista. O motorista do carro, em uma boa interpretação de Dennis Weaver, vai percebendo aos poucos que aquele homem não pode ser normal. O que parecia uma birra de estrada, passa a ser um surto obssessiva.

Dennis Weaver em EncurraladoO momento mais brilhante do filme é quando David Mann para no Chuck´s Café, após uma fuga espetacular que o faz bater na cerca de uma fazenda. Ele entra no local e percebe que o caminhão está parado no lado de fora. Ou seja, o caminhoneiro está lá dentro, mas como saber quem é ele? Espectador e personagem ficam em uma tensão crescente observando cada pessoa ali presente. Para complicar a situação, vários figurantes estão com a mesma bota do tal caminhoneiro, que foi vista outra parada, em um posto de gasolina. E ainda há um jogo de cena, com olhares direcionados ao protagonista de maneira suspeita.

A única coisa não fica bem resolvida é o final. Spielberg caiu em um lugar comum da escalada da loucura e não conseguiu resolver bem o seu suspense.

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Hotxuá - a poesia que encanta

Leticia Sabatela no CineVIVOPreciso começar esse post explicando a experiência que foi o Cine Papo na última sexta-feira, no Festival Internacional de Cinema de Salvador. Uma desorganização que ainda não entendi direito como foi possível em um Festival desse porte, quase estraga a noite, deixando Letícia Sabatela sem graça e pedindo milhares de desculpas à platéia. Trata-se da exibição de seu primeiro longa-metragem como diretora: Hotxuá. O filme tem parte de sua película falada na língua original da tribo Krahô. Detalhe que parece ter sido esquecido pela produção. Resultado: filme sem legenda em português. A solução foi exibir a cópia com legenda em inglês, que foi preparada para o Festival de Nova York. Algo, realmente surreal, mas será que não dava para testar a cópia antes da exibição?

A sorte é que a atriz (e agora diretora) é uma simpatia de pessoa e muito educada. E o mais importante: o filme é muito bom, pura poesia retratando um tema de extrema importância. Então, assisti feliz, apesar de alguma dificuldade no vocabulário.

HotxuáHotxuá é o nome dado a uma espécide de sacerdote do riso, na tribo indígena localizada no Tocantins. O documentário, feito em dez dias, mostra a relação desse povo com o riso, com seus rituais sagrados e com a aproximação do homem branco. A princípio, Letícia não pretendia dirigir o filme. Conheceu a tribo em 1996 e vinha mantendo uma relação próxima com eles, até que partiu dos próprios índios o pedido. Como o diretor inicial acabou saindo do projeto, a atriz chamou Gringo Cardia para co-dirigir com ela esta espécie de observatório ritualístico. Como disse no Cine Papo, boa parte do mérito do resultado é do diretor de fotografia Silvestre Camp, que abraçou o tema, se infiltrando entre os índios e dando ao documentário um tom mais íntimo.

Esse é o clima que predomina, estamos quase imersos na tribo, ouvindo as histórias daqueles seres antigos e sábios sobre suas raízes. O sagrado é tratado com respeito pelos diretores que não procuram interferir muito no ritual local. Há cenas de grande impacto como a brincadeira dos Hotxuá que abrem o filme. Ou quando os mais velhos explicam aos mais novos a área onde não podem caçar, para manter o equilíbrio. Eles estão embaixo de uma árvore, quando começa a chover e o índio explica os dois mundos na visão dos Krahô: Kayamarê e Wayamarê.

HotxuáA única falha do filme, é a falta de direcionamento. Mostrar a cultura Krahô e o riso sagrado é uma opção confusa, pois cita questões que mereciam aprofundamento, como a visão de mundo daquele povo e a ameaça do homem branco, com a exploração da soja, que pode destruir toda a multicultura da terra. Letícia falou muito bem no Cine Papo sobre isso, só que não está presente no filme. Por outro lado, tenta explorar a questão do riso em outras culturas, ao levar um palhaço de origem européia para tribo. O objetivo ali fica confuso, pois cria uma espécie de disputa sem sentido entre os dois palhaços, quando uma das funções do Hotxuá é exatamente diluir disputas através do riso. O índio fica perdido em meio as brincadeiras com mais malícia do palhaço branco.

É contudo, um belo filme, a fotografia possui um colorido forte, quente, sintetizando o espírito Hotxuá. A montagem também é feliz, intercalando momentos de observação pura com outros onde os índios falam diretamente para câmera. Uma viagem interessante, mesmo com legendas em inglês.

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CinePipocaCult Na Sequência - com promoção

Rádio MetrópoleHoje fui entrevistada pelo programa Na Sequência, da Rádio Metrópole, apresentado pelo professor Ricardo Carvalho. O programa é direcionado a jovens e vai ao ar todos os domingos às 11h. Minha participação foi para falar do CinePipocaCult, ainda um reflexo do prêmio TOP BLOG e gostei muito do clima, do Rick e da troca com os demais participantes. Confesso, que no início estava um pouco nervosa (meu negócio é escrever, não falar, ainda mais ao vivo), mas depois fui me acostumando. Ouçam parte do programa.

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Dicas da Semana

Cinema
Distrito 9
Neil Blomkamp constrói uma história instigante com uma bela metáfora sobre o Apharteid na África do Sul, ao falar de alienígenas e preconceito. O filme é produzido por Peter Jackson.

Sinopse: Em um mundo fictício, extraterrestes tornam-se refugiados na África do Sul, onde ficam segregados dos humanos em uma área chamada Distrito 9. Após quase 30 anos, porém, as autoridades decidem mudá-los de local, o que gera conflitos.

Festival Internacional de Cinema
Herbert de Perto
21/10 - 20:30 - Cine Vivo
Cine Papo com Pedro Bronz após sessão.
Última semana do Festival Internacional de Cinema, uma boa pedida é o documentário sobre o líder dos Paralamas do Sucesso. Quem não puder conferir na quarta-feia, com a presença do diretor Pedro Bronz, pode assistí-lo na quinta-feira, no mesmo cinema (às 18:45).

Sinopse: Herbert de Perto é um mergulho na vida de um dos mais talentosos músicos brasileiros. Uma visão íntima e corajosa da vida e carreira do líder da banda Paralamas do Sucesso. Herbert Vianna confronta-se com imagens de sua vida para contar sua história de luta, persistência e superação.

Crítico
20/10 - 14:00 - MAM
Outra oportunidade de conferir o filme de Kléber Mendonça Filho sobre o crítico de cinema. Documentário com depoimentos de diversos cineastas e críticos cinematográficos.

Televisão
Os doze macacos
18/10 - 22h - MGM
Excelente ficção científica. Dirigido por Terry Gilliam, o longa é baseado em um filme do francês Chris Marker: "La Jetée" (1962) que é todo montado através de fotografias e vozes sobrepostas.

Sinopse: "James Cole (Bruce Willis), um prisioneiro do ano de 2035, troca sua liberdade por uma missão nada convencional: voltar no tempo e evitar a propagação de um vírus que devastou a maioria da população sobre a terra. Os sobreviventes são obrigados a morar no subterrâneo porque o ar está envenenado. Ele retorna no ano de 1990, seis anos antes da praga, e é logo internado num manicômio, pois seus avisos soam como crises de loucura. Lá, conhece a doutora Kathryn Railly (Madeleine Stowe) e o louco Jeffrey Goines (Brad Pitt), filho de um importante virologista (Christopher Plummer)".

DVD
Patch Adams, o amor é contagioso
Hoje é o dia do médico, então, indico aqui para quem ainda não viu o filme Patch Adams, o amor é contagioso, uma lição de amor à verdadeira vocação da medicina: ajudar aos outros. Que o juramento de Hipócrates possa vibrar nos corações de todos aqueles que exercem ou pretendem exercer essa bela profissão.

Sinopse: "No ambiente silencioso e esterilizado de um hospital, um palhaço com sapatos gigantescos e um enorme nariz vermelho surge pela porta. Os pacientes que se cuidem... Rir é contagioso. A história real de Patch, paciente e, mais tarde, médico de uma instituição para doentes mentais, celebra o triunfo da busca insistente por um ideal. Sua vontade de tornar-se médico surgiu quando, ainda adolescente, foi internado numa clínica devido a uma depressão. Seu sonho começou a se tornar realidade no final dos anos 60, quando Patch estudou na Escola de Medicina da Virgínia e, em seguida, abriu o Instituto Gesundheit com uma abordagem mais personalizada da prática médica. Tudo estava bem, mas em meados dos anos 80, o Instituto Gesundheit começou a receber atenção da mídia sobre seus procedimentos terapêuticos nada ortodoxos. Os conflitos começaram. O doutor Patch proclama: 'Todos sabemos como o amor é importante e, mesmo assim, quão frequentemente o demonstramos? Quantas pessoas doentes neste mundo sofrem de solidão, tédio e medo que não podem ser curadas com uma simples pílula?'. Utilizando métodos nada convencionais e surpresas incríveis para aplacar a ansiedade dos pacientes, Patch foi o pioneiro na idéia, até então radical, de que os médicos devem tratar as pessoas, e não apenas a doença. Compaixão, envolvimento e empatia têm tanto valor quanto remédios e avanços tecnológicos".

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Cinema Baiano no Festival do Paraná

"Pau Brasil" e "Doido Lelé" ganharam prêmios no 4ª Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino. O longa do baiano Fernando Belens, primeiro de sua carreira, levou Melhor Ator (Bertrand Duarte), Melhor Atriz Coadjuvante (Fernanda Belling e Milena Flick) e Melhor Direção de Arte (Moacyr Gramacho). Já o curta-metragem de Ceci Alves, levou o prêmio de Melhor Ator (Vinícius Nascimento).

Devo confessar que não assisti nenhum dos dois, a chance que tinha de ver "Pau Brasil" fiquei impedida de ir, mesmo com o ingresso já nas mãos, devido a tal gripe que me deixou de cama por uma semana. Já "Doido Lelé" não tive oportunidade. Mesmo assim, as notícias me animam, principalmente pelas recentes críticas que o longa levou no blog de André Setaro.

O filme conta a história das famílias de Joaquim e Nives que vivem lado a lado em um pequeno e perdido povoado no coração do Brasil chamado Pau Brasil. Apesar de conviverem com a mesma estrutura perversa de opressão social, lidam com a vida de modo radicalmente diferente. A intolerância com o outro e a pobreza são os ingredientes desse drama trágico, onde cada personagem carrega suas contradições, coexistindo com mitos clássicos e afro brasileiros. Segundo Setaro, este filme retrata a maturidade do cinema baiano e é baseado no livro homônimo de Dinorah do Valle, vencedor do prêmio Casa de las Americas (Havana). Interessante, parece ser.



Destaco aqui o prêmio de Bertrand Duarte, grande ator baiano que tive o privilégio de entrevistar em julho. Venceu concorrendo com atores como Caco Ciocler, Chico Diaz, Thiago Luciano, Beto Schultz, além de Oswaldo Mil, seu colega de cena. O prêmio após tantos anos dedicado à publicidade, deixando a carreira de ator em segundo plano, demonstra o talento desse artista que merece ser reconhecido não apenas na Bahia e no Brasil, como no mundo.

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Oh Captain, My Captain!

Peguei a idéia desse post do blog de Cíntia Carvalho do Cinecabeça. Sem querer ser uma copia e cola, acho importante falar dessa data e dessa figura tão importante para a nossa formação pessoal e profissional: Dia 15 de outubro, dia do professor. Em um país que paga tão mal aos seus mestres e dá pouca importância à educação, são corajosos seres que ainda insistem em educar. O cinema está repleto de exemplos de professores que com sua filosofia tentaram mudar o mundo. Escolhi aqui três exemplos marcantes para homenagear a todos os mestres que passaram e ainda passarão por minha vida.

O primeiro é quase obrigatório em qualquer lista de filme com professor. Sociedade dos Poetas Mortos trouxe a temática sob um ângulo fundamental para mim na questão de educar: a de fazer o aluno pensar do si próprio e se preparar para vida. É isso que o Sr. Keating faz ao entrar na sala de aula e começar a instigar os alunos a ver o mundo de uma maneira diferente. Sua forma de encarar o magistério incomoda, e o resultado todos provavelmente já sabem. A cena final (E atenção que tem spoilers) é uma lição de vida, um contraste do velho autoritarismo contra o novo sonhador e a prova de que sim, somos seres pensantes e capazes de mudar, pelo menos, o nosso mundo.



O segundo filme é um clássico dos anos 60. Ao mestre com carinho de James Clavell levou para as telas a história de um professor que enfrenta uma turma que mais parece uma gangue. O diferencial aqui do professor Mark Thackeray é tratar os garotos como adultos e não como meninos marginais. Com sua postura, vai amolecendo e educando a turma aos poucos. A música da cena final virou hino de professor e aluno.



O terceiro filme não consegui uma cena marcante no Youtube, mas encontrei um resumo interessante. Filhos do silêncio conta a história de um professor idealista, John Leeds, que assume uma turma de deficientes auditivos ensinando-os não apenas a falar, mas a sentir a música, podendo assim cantar e dançar. É uma lição de vida e uma bela história de amor, já que, na escola, ele conhece a arredia Sarah, funcionária local que a princípio, se recusa a tentar seus métodos. As cenas dos dois são cheias de poesia, aguçando os sentidos e dando uma nova percepção de mundo para ambos.

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Gamer

Fui ao cinema sem grandes pretensões. Não esperava um novo Matrix, nem mesmo um grande filme de ação. Difícil definir Gamer, que recebeu duras palavras da crítica especializada. O filme não é tão ruim assim, apesar de evocar O Sobrevivente em uma versão hitech. A premissa, na verdade, é a mesma desde o início da humanidade: homens escravos servindo de diversão aos que tem dinheiro. Afinal, o que eram os gladiadores da Roma antiga? Há uma cena, inclusive, em que Gerard Butler faz um gesto muito parecido com o de Russell Crowe no filme de Ridley Scott, que é quando ele pega um punhado de areia e observa os treinos dos Slayers.

A diferença é que agora, tal qual um desses vídeos games de luta em primeira pessoa, os jogadores controlam os lutadores em brigas reais. A desculpa é que todos que estão ali são condenados a morte e tem uma chance de liberdade se permanecerem vivos por 30 sessões. Perto disso está Kable, controlado pelo adolescente Simon, que virou uma espécie de herói pós-moderno e sonha voltar para sua família. Seria uma premissa interessante, com boas cenas de ação, se Mark Neveldine e Brian Taylor não quisessem ir além, buscando uma crítica pseudo-intelectual ao mostrar uma luta velada contra o sistema implantado pelo empresário sulista Ken Castle (Michael C. Hall), uma reporter irritada e um grupo de hackers liderados por um negro e uma mulher (alguém lembrou de Morpheus e Trinity?) que têm uma tecnologia capaz de libertar o cérebro de Kable...

Além disso, ainda tem as intermináveis cenas na outra plataforma criada por Castle. Society: uma espécie de Second Life degradada, onde sexo e drogas são as principais atividades. Aqui, assim como em Slayers, os jogadores controlam pessoas reais. A diferença é que, dessa vez, são funcionários do jogo, não prisioneiros. Uma espécie de prostituição futurista. É nesse ambiente que vemos a participação quase tosca de Milo Ventimiglia (Peter da série Heroes), como um avatar prestes a ter relações com a esposa de Kable (vivida pela atriz Amber Valletta).

Como se não bastasse, os momentos finais do filme são quase um anti-climax. A começar pela performance estranha de Michael C. Hall, em uma dança surreal ao som de "I've Got You Under my Skin", à conclusão em si na quadra de basquete. A trama parece se perder, deixando a sensação ruim. Os primeiros momentos do filme possuem boas cenas de ação e podem salvar a sua ida ao cinema.

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A crítica da crítica da crítica...

Festival Internacional de CinemaFato, no mínimo curioso, ocorre hoje no Festival Internacional de Cinema. Será exibido no Clube da Crítica o filme "Crítico" do diretor e crítico de cinema Kléber Mendonça Filho. A sessão é sucedida por comentários de críticos sobre o filme, o detalhe é que nesse caso, além do baiano André Setaro, teremos a presença do próprio Kleber Mendonça. Ou seja, um crítico faz um filme sobre o crítico e vai criticá-lo após a sessão. Haja metalinguagem... Ou seja, imperdível.

Com depoimentos de diversos diretores e críticos cinematográficos, o filme foca bastante na questão do papel da crítica e seu poder de fazer ou não um filme ter boa bilheteria.

Quem puder ir, é hoje, Cinema do Museu: 20:30

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Os trapalhões - heróis do cinema brasileiro

Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida, sim, mas a mídia prefere lembrar o tal Dia das Crianças, dá mais ibope... Como filmes sobre Nossa Senhora Aparecida só conheço um documentário literal Aparecida das Águas, resolvi falar de um tema que queria há muito tempo: Os Trapalhões. Além de marcar a minha infância, o grupo foi o responsável, durante muitos anos pela não parada total do cinema brasileiro.

Na década de oitenta, quando o cinema nacional se resumia ao circuito marginal, quando a Embrafilmes estava mal das pernas e principalmente, quando Collor fechou suas portas e o cinema brasileiro foi quase a zero, foram eles que permaneceram nas principais salas comerciais, dando bilheteria brasileira, empregando técnicos e artistas e promovendo nossa história. Mais de cento e vinte milhões de pessoas já assistiram a filmes d'Os Trapalhões, sendo que cinco estão na lista dos dez mais vistos na história do cinema brasileiro.

Os Trapalhões têm uma vasta filmografia onde histórias engraçadas dos eternos palhaços se misturam à contos populares, literatura clássica e paródias de filmes de sucesso. Sempre com uma linguagem fácil e inteligente para crianças de todas as idades terem diversão certa. Lembro bem da minha ansiosa espera anual para o próximo filme do grupo, que guardo com carinho das lembranças de minha idas ao cinema.

A maior bilheteria do grupo em toda a história foi O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão que perdeu recentemente a terceira colocação de maiores bilheterias nacionais para Se eu fosse você 2. Ainda sem Zacarias, o filme conta a história de Pilo (Didi), Duka (Dedé) e Fumaça (Mussum), três amigos trambiqueiros que são confundidos com valentes e contratados pela jovem Glória para uma expedição às minas do Rei Salomão, onde o pai dela, o arqueólogo Aristóbulo, é prisioneiro. Como a recompensa é um tesouro escondido, eles aceitam e, em sua aventura, enfrentam uma bruxa malvada disposta a tudo para impedir que eles cheguem até o tesouro.

O mais marcante para mim, no entanto, é a segunda bilheteria do grupo e sétima nacional: Os saltimbancos trapalhões. Baseada na peça Os Saltimbancos de Chico Buarque de Holanda, o filme teve sua história alterada, com novas músicas, e ganhou uma roupagem diferente, dentro de um circo, onde os quatros amigos Didi, Dedé, Mussum e Zacarias são sucesso por fazer o público rir, mas tornam-se desafetos do mágico Assis Satã e do Barão, o dono do circo. Lucinha Lins cantando a história de uma gata ficou guardada em minha memória infantil como o grande momento do filme.

Destaco ainda Os trapalhões na Guerra dos Planetas, uma paródia engraçadíssima de Guerra nas Estrelas, com direito a princesa sequestrada e planeta em perigo. Primeiro filme com a participação de Zacarias ocupa a oitava colocação nas bilheterias nacionais (terceira maior do grupo).

E por fim, o que considero de melhor qualidade artística, Os Trapalhões no Auto da Compadecida. O grupo conseguiu adaptar muito bem a história de Ariano Suassuna, recontando a trama com humor, mas sem perder o viés crítico e o contexto histórico da narrativa. Talvez, por vê-los de forma tão diferente, as crianças não tenham entendido a proposta e o filme não foi recorde de bilheteria. Ainda assim, é um dos filmes mais lembrados e reprisados na televisão. Fica também, como uma homenagem ao dia de hoje, já que Nossa Senhora é a grande aliada de João Grilo, protetora dos sofredores e mãe de todos. No filme, interpretada por Betty Goffman.

Infelizmente não achei cenas do filme no Youtube (apenas da versão da Globo Filmes para a história), por isso, segue a História de um gata para relembrar.

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Dicas da Semana

Cinema
Bastardos Inglórios
Leia crítica
Sinopse
A pequena judia Shosanna Dreyfus testemunha a execução da sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa e consegue escapar fugindo para Paris, onde muda de nome e assume a identidade de uma dona de um pequeno cinema. Em outro lugar da Europa, o tenente Aldo Raine organiza um grupo de soldados judeus americanos para colocar em prática uma vingança, nasce os "Os Bastardos", que juntam-se à atriz alemã e agente secreta Bridget Von Hammersmark em uma missão para eliminar os líderes do Terceiro Reich.

O Golfinho
Não é um filme de milhões, não é Disney, nem Pixar, mas a animação peruana chama a atenção. Apesar de algumas limitações na animação, a sinopse é interessante, lembrando muito o espírito de Fernão Capelo Gaivota. Uma boa pedida para o Dia das Crianças.



Festival Internacional de Cinema
HOTXUÁ
DIA 16, SEXTA, 20:35 – CINE VIVO 1 (cine papo)
DIA 17, SÁBADO, 18:50 – CINE VIVO 2
Primeiro filme dirigido pela atriz Letícia Sabatella, em parceria com Gringo Cardia, o filme mostra os índios da tribo krahô, no Tocantins, mais especificadamente os hotxuás, sacerdotes do riso – palhaços rituais que, além de manterem a força da comunidade ao alegrá-la, preservam os festejos que homenageiam as plantas, os quais constituem as leis principais dos krahôs. O Cine Papo será com a presença da atriz.

TUDO ISSO ME PARECE UM SONHO

DIA 17, SÁBADO, 19:30 – CINEMA DO MUSEU (cine papo)
DIA 20, TERÇA, 19:00 – CINEMA DO MUSEU (clube da crítica)
Geraldo Sarno faz um documentário metalinguístico onde mostra todo o processo de pesquisa e criação do filme sobre o General Abreu e Lima, pernambucano que participou, ao lado de Bolívar, de batalhas que libertaram a Colômbia, Venezuela e Peru da coroa espanhola. O diretor estará no Cine Papo, mas o clube da crítica também é uma boa opção de discussão sobre o filme.

Televisão
Abril Despedaçado
Globo, 13/10 - Terça-feira, 01:40
O filme de Walter Salles é uma bela adaptação livremente inspirada no livro homônimo do escritor albanês Ismail Kadaré. Fala sobre duas famílias em um triste ciclo de vingança.

Sinopse: Abril 1910 - Na geografia desértica do sertão brasileiro, uma camisa manchada de sangue balança com o vento. Tonho, filho do meio da família Breves, é impelido pelo pai a vingar a morte do seu irmão mais velho, vítima de uma luta ancestral entre famílias pela posse da terra. Se cumprir sua missão, Tonho sabe que sua vida ficará partida em duas: os 20 anos que ele já viveu, e o pouco tempo que lhe restará para viver. Ele será então perseguido por um membro da família rival, como dita o código da vingança da região. Angustiado pela perspectiva da morte e instigado pelo seu irmão menor, Pacu, Tonho começa a questionar a lógica da violência e da tradição. É quando dois artistas de um pequeno circo itinerante cruzam o seu caminho...

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Vale a pena ficar de olho nesses blogs


E o CinePipocaCult ganhou mais um selo, dessa vez veio do It was Red, outro bom blog sobre a sétima arte, de Daniel Brito que agora está de férias, mas deve voltar a postar em breve para alegria dos cinéfilos. Agradeço a lembrança, principalmente porque ele fez questão de salientar em seu post que se preocupou muito com a qualidade dos blogs que estava indicando. Valeu mesmo, Daniel.

Então, vamos a nossa indicação. Garimpei no meu blog roll alguns bons blogs que ainda não tinha indicado em nenhum selo e que também não haviam recebido este em específico, para não ficar repetitivo. Por isso, a lista diminuta, lembrando que é sempre bom ficar de olho em todos os que estão no meu blog roll aí do lado.

Cinema de Ricardo Martins

CineButeco de Fernando Império e Cicero Melo

Cinecabeça de Cintia Carvalho.

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Bastardos Inglórios

Cartaz Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds)Quando os letreiros começaram achei que tinha voltado no tempo e ia começar O Álamo, faroeste clássico do anos 60, por causa da execução instrumental da inconfundível A Time to Remember. O filme inteiro é repleto de citações ao velho oeste, bem típico de um diretor que sempre bebeu de diversas fontes para montar a sua autoria. A cena inicial em uma fazenda longínqua no interior da França, também traz esse clima retrô. É quando aparece o coronel nazista Hans Landa, que toma conta do filme com a interpretação assombrosamente boa de Christoph Waltz. O diálogo dele com o fazendeiro é digno dos melhores diálogos de Tarantino, um jogo de palavras em uma tensão psicológica com um desfecho típico.

Bastardos Inglórios conta a história da pequena judia Shosanna Dreyfus que testemunha a execução da sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa e consegue escapar fugindo para Paris, onde muda de nome e assume a identidade de uma dona de um pequeno cinema. Em outro lugar da Europa, o tenente Aldo Raine organiza um grupo de soldados judeus americanos para colocar em prática uma vingança, nasce os "Os Bastardos", que junta-se à atriz alemã e agente secreta Bridget Von Hammersmark em uma missão para eliminar os líderes do Terceiro Reich. O destino de todos vai se cruzar graças à exibição de um filme alemão, no tal cinema.

Brad Pitt em Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds)

A divisão do filme em capítulos é uma organização sutil dos temas e ajuda na narrativa do filme e na trajetória da judia Shosanna, dos Bastardos e do Coronel Hans Landa. Interessante perceber que a história se baseia nesses três pilares e eles quase não se encontram. O embate entre o coronel e Aldo Raine, com Brad Pitt também muito bem em seu papel, só ocorre no ato final, mas sustenta o suspense durante toda a projeção.

O clima é olho por olho, dente por dente, no estilo Tarantino de ser, ou seja, muita violência, sangue e cenas explícitas com carne sendo cortada, escalpos arrancados e bastão amassando nazistas. Há quem goste e cultue, eu fico incomodada na cadeira, mas não deixo de admirar o talento do cineasta em construir suas cenas. Interessante observar que é um filme poliglota, já que alemão fala alemão, francês fala francês e americano fala inglês, o que permite algumas brincadeiras de linguagem na torre de babel construída.

Os diálogos são fantásticos, a tensão é constante e a violência é uma forma de extravasar tudo isso. Não é engraçado, não nos sentimos identificados com a sede de vingança dos judeus, mas entendemos a trajetória, principalmente da garota que viu sua família ser assassinada tão cruelmente e viu a oportunidade de ter toda a cúpula nazista em seu pequeno cinema, incluindo Adolph Hitler. Apesar de se basear em fatos históricos, o filme não é fiel a realidade, nem aos acontecimentos durante a Segunda Guerra. É um mundo alternativo, com uma base histórica, o mundo com os olhos de um eterno adolescente, com muito talento e rebeldia. Tenho que aplaudir sua ousadia.

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Festival Internacional de Cinema

Festival Internacional de CinemaA partir de sexta-feira, dia 09 de outubro, Salvador vive o clima do 6º Festival Internacional de Cinema. Promovido pelo Circuito Sala de Arte, com o patrocínio da Vivo e Governo da Bahia (Faz Cultura), acontecerá nos cinco espaços do Circuito Saladearte - Cinema do Museu, Cinema da UFBA, Cine ViVO, Cinema do MAM e Cine XIV – com mostras de filmes, oficinas, mesas-redondas e sessões especiais. Uma verdadeira maratona cultural de cinema e vídeo com o objetivo de trazer ao público baiano um vasto painel do cinema feito hoje no mundo, sem perder de vista a cinematografia nacional. “O Festival é um momento de celebração, de troca. Nos outros anos, já tivemos a presença de nomes emblemáticos do cinema nacional e baiano”, afirma Ana Ferreira, sócia do Grupo Saladearte e coordenadora geral do evento.

Insolação - Felipe HirschEste ano, o Festival exibirá cerca de 70 filmes, divididos em mostras temáticas, com produções de mais de 15 países. “O critério de seleção dos filmes do circuito saladearte é muito eclético, tendo em comum filmes autorais, que tenham alguma expressão artística”, lembra André Trajano, também sócio do Grupo. Reforçando essa idéia de variedade, dentro de uma espécie de selo de qualidade, Marcelo Sá, sócio e diretor artístico das salas brinca: "O Circuito Saladearte vive em clima de festival. São dezenas de filmes por mês, em todas as nossas salas".

A novidade desse ano é a parceria com o Festival Vivo arte.mov, focado na interação entre cinema e mídias móveis. O evento será realizado através de um workshop que visa a produção de filmes com telefones celulares e websites interativos. O workshop será ministrado por Nacho Durán, que já produziu vários trabalhos em arte multimídia tendo como elo em comum a pesquisa e experimentação com micro-cinema, interatividade e VJing. Os interessados podem se inscrever pelo e-mail saladearte@uol.com.br. As inscrições seguem até o dia 13/10.

Inquilinos - Caio BlatAlém da exibição de produções nacionais e internacionais, dentre eles, o falado Insolação de Felipe Hirsch e Daniela Thomas, o evento conta com mesas redondas, Cine papo com a presença de cineastas e atores, clube da crítica, com análises de críticos renomados, além das motras de arte.mov. Destaco a exibição do filme Tudo isso me parece um sonho, de Geraldo Sarno. Um documentário instigante, onde a metalinguagem predomina (é quase um documentário de como se faz um documentário) e que terá uma sessão no Cine Papo, com a presença do próprio cineasta (17, Cine do Museu) e uma sessão no Clube da Crítica (20, Cine do Museu), onde Andre Setaro e João Carlos Sampaio irão comentar a produção. 

A programação completa pode ser conferida nos links abaixo.
PROGRAMAÇÃO GERAL 2009

PROGRAMAÇÃO PARALELA (mesas-redondas, Cine Papo, workshop)

Quando: 9 a 22 de outubro de 2009 (8/10 abertura para convidados)
Quanto: R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia)
Realização: Grupo Saladearte / Vivo / Fazcultura
Patrocínio: VIVO
Parceiros Institucionais: Fazcultura, MAM, Museu Geológico e UFBA.
Apoio Cultural: Banco do Nordeste, Shopping Iguatemi e UniJorge

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Titãs, a vida até parece uma festa

Cartaz Titãs
É, a frase da música diversão é perfeita para descrever a sensação do filme documentário sobre o grupo Titãs. A vida parecia mesmo uma festa quando o grupo começou nos anos 80 e, aos poucos, a realidade foi se tornando cruel para alguns. Houve crises, separações e uma morte. Hoje, os Titãs não são mais os mesmos, nem poderiam. Envelheceram, amadureceram, o mundo mudou e o modelo de rebeldia inicial não cabe mais. Ainda assim, ao contrário do que muitos falam, possuem letras inteligentes e mesmo críticas. Basta ouvir com cuidado a mensagem de A melhor banda de todos os tempos e assistir aos resultados do VMB.

Voltando ao filme, este é na verdade um grande registro que começou como brincadeira de Branco Mello ao comprar uma câmera e começar a fazer imagens das excursões e ensaios do grupo. Resgatar imagens das participações em programas antigos como Chacrinha, Hebe, Bolinha ou Sílvio Santos foi uma complementação. É um resgate histórico de uma das maiores bandas de rock do país. Os oito integrantes são mostrados sem censuras, abordando, inclusive os episódios envolvendo drogas e a prisão de Tony Belloto e Arnaldo Antunes. 

Os Titãs marcou uma geração e foi trilha sonora da minha adolescência, por isso me emocionei em muitos momentos. É muito bom ver as imagens do Rock in Rio, com o show antológico da banda. Ou ainda, acompanhar as brincadeiras no hotel e os momentos de composição. É emocionante relembrar o acidente com Marcelo Frommer e ouvir o depoimento de Branco Mello à imprensa. O clima de nostalgia é o responsável por gostarmos do filme, que como arte cinematográfica tem pouco. A edição é interessante ao criar clipes com várias apresentações da mesma música, mas não chega a ser uma inovação, nem mesmo traz uma linguagem própria. É um registro. E como tal, merece ser visto e comemorado. O DVD traz ainda extras com seis clipes originais.

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Salve Geral

Nosso grito se espalhará pelo país. Se for para amar, amaremos. Se for para matar, mataremos. Assim está escrito no manifesto do PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa que no dia das mães de 2006 causou terror na cidade de São Paulo ao protestar contra a transferência de seus líderes para o presídio de segurança máxima. O filme de Sérgio Rezende que retrata esse momento poderia ser uma grande reflexão sobre o sistema carcerário brasileiro, sobre questões éticas e a vulnerabilidade em que se encontra o cidadão comum. É porém, raso demais em todos os aspectos, tornando Salve Geral um filme bem feito, porém longe de ser um grande marco cinematográfico.

A história fictícia que conduz a trama é fraca ao não aprofundar a construção de seus personagens e suas motivações. O jovem Rafa, interpretado pela grata surpresa Lee Thalor, é um boneco da situação, desde o crime acidental que comete até o desenrolar de sua trama na penitenciária. Pouco é explorado do seu drama e das consequências que todos os jovens sofrem ao serem presos no país. A professora Lúcia, vivida magistralmente por Andréa Beltrão também se torna um joguete nas mãos do PCC, sem explorar a dor da mãe que vê seu filho naquela situação precária, não podendo se destacar uma única cena realmente forte. Resta ainda a estranha Ruiva, que comanda os acontecimentos de fora da cadeia com um esquema de comunicação próprio. Denise Weinberg está bem em alguns momentos, mas em outros é bastante caricatural, o que me causou uma certa agonia.

Falta a Salve Geral um conjunto da obra, um objetivo claro a ser exposto e uma reflexão sobre os acontecimentos que não seja o determinismo de que é assim e nada podemos fazer. As cenas do ataque propriamente dito são ágeis, bem feitas e fazem com que o espectador saia do cinema com uma sensação de fragilidade, um medo pelo que pode acontecer a qualquer momento. Principalmente os paulistanos que viveram o fato e os soteropolitanos que há quinze dias viram diversos ônibus serem incendiados na capital baiana por um motivo parecido. Mas tudo isso é pouco para fazer do filme um grande acontecimento. Ele não traz nenhuma inovação na linguagem, como o fez Cidade de Deus, nem tem uma trajetória forte como Tropa de Elite.

Dificilmente conseguirá a sonhada indicação ao Oscar, o que me faz questionar o porquê de ter vencido a disputa com filmes como O Contador de Histórias, A Festa de Menina Morta, Feliz Natal ou Se nada mais der certo. Talvez, o fato dele ser uma possível boa bilheteria, já que o diretor tem um bom histórico nessa área, ou pelo fato de nenhum dos filmes citados ser incontestavelmente um grande filme. Todos bons, mas nenhum tem o brilho de um grande clássico cinematográfico.

A direção me impressionou, esperava menos, principalmente das cenas de ação. A produção é detalhada, com grandes investimentos e ajuda na construção da sensação da megalópole sitiada. A trilha sonora também chama a atenção e tem razão de ser, já que Lúcia é uma pianista frustrada e a música clássica é a trilha das cenas mais violentas, construindo um contraste empolgante.

O final ainda deixa uma sensação de inversão de valores, impunidade e futuro incerto. Nada presta? Não gosto de pensar em uma definição tão pessimista para humanidade. É uma história bem contada, mas não mais que isso. Uma pena, poderia ser um grande filme se ousasse ir além.

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