06/04/2010
"Sim, mas" é jogo psicológico
Minha mãe é analista transacional, então, cresci ouvindo sobre jogos psicológicos, script de vida e triângulo dramático. Quando vi o anúncio do Euro Chanel de um filme francês chamado Sim, mas, fiquei curiosíssima sobre o enredo e resolvi conferir. Não posso dizer que seja uma grande obra, mas é interessante, principalmente do meio para o fim.
Confesso pouco conhecer sobre o diretor Yves Lavandier. Pesquisando, descobri até que escreveu um livro (La Dramaturgie) de roteiro comparado a Poética de Aristóteles por Jacques Audiard. Mas, ele escolheu começar o filme de uma forma muito didática com Gérard Jugnot, que vive o terapeuta, falando diretamente para câmera e explicando um pouco da teoria da Análise Transacional, intercalado com cenas ilustrativas. Se o filme fosse todo assim, acho que acabaria largando-o no meio.
Felizmente, quando a protagonista Eglantine Laville entra no consultório terapêutico, o filme engrena. A história é aparentemente bem simples. Uma adolescente com pais problemáticos. A mãe, deprimida e alcóolatra, e o pai, ausente que compensa dando dinheiro a cada nota escolar boa da filha. Pra completar, a moça começa a namorar sério, mas tem medo da "primeira vez". Preocupada com a situação da mãe, ela procura um terapeuta e começa a mudar sua vida.
O mais interessante que achei do filme é exatamente o fato de utilizar a Análise Transacional. O que sempre vemos no cinema é a teoria de Freud e Lacan, no máximo Jung, com sessões de análise emblemáticas. Estereótipos de analistas e seu divã seja para comédia ou para o drama. Ver uma relação mais próxima da minha realidade, por si só já me conquistou. Muitos chamam Eric Berne de frio, tentando calcular o comportamento humano, mas a caracterização dos jogos psicológicos dos quais nos utilizamos todos os dias para nos manter em posição de vítima do mundo é muito interessante. O título do filme mesmo: "sim, mas". É um dos jogos mais comuns do ser humano. Aquela atitude de sempre negar uma solução que lhe oferecem.

- "Queria tanto ir ao cinema, mas tenho que estudar".
- "A prova não é só na sexta-feira?"
- "Sim, mas é muita coisa".
- "Eu posso te ajudar com os resumos"
- "Sim, mas você não sabe todo o assunto".
- "Se quiser, eu leio com você e tomo a lição".
- "Sim, mas vai ser complicado conciliar um horário"
E por aí vai. Se as partes quiserem, o jogo não acaba nunca e a pessoa sempre estará na posição de "coitada de mim".
A partir do momento em que Eglantine Laville começa a interagir com o terapeuta Erwann Moenner, o assunto flui de uma forma leve e construtiva, nos embalando em seus dramas e em seus aprendizados. O roteiro é simples, bem clichê até, daria uma boa Sessão da Tarde. As falas do terapeuta servem para refletir sobre nossas próprias atitudes. Como eu disse, não é nenhuma obra-prima cinematográfica, mas com ensinamentos profundos sobre o comportamento humano. Acho, até, que os analistas transacionais poderiam utilizá-lo em suas aulas do Curso 101.






































8 opiniões:
Adorei este Post ! Muito bem escrito .....Me deu vontade de ler o livro e levar o POST pra minha terapeuta ver....
6 de abril de 2010 17:02Valeu....
Obrigada, Mônica. Também fiquei com vontande de ler o livro de roteiro, mas não achei no Brasil. Se encontrar me avise. E ficarei feliz se você levar o post para sua terapeuta. Se ela usar a internet, manda o link para ela comentar o que achou.
6 de abril de 2010 22:06abraços
Fiz AT por cinco anos, fiquei super curiosa com esse filme. Vou procurar.
7 de abril de 2010 10:03É interessante, sim, Juliana, agora tirando o Canal Euro Chanel não o vi em lugar nenhum, se encontrar avise.
7 de abril de 2010 10:42parece ser um filme que enriquece o psicologico...só nao entendi o titulo usando sim "mais"
10 de abril de 2010 01:14quando mais é usado pra intensidade,porem com a explicação do post percebi que o mais deveria ser de motivo por tanto mas.
Não entendi seu comentário, Anônimo. O título do filme é "sim, mas", não "mais". Talvez você esteja confundindo com o título original em francês, que no cartaz está "oui, mais". Só que o sentido de "mais" (pronúncia "mê") em francês é o do nosso "mas" em português.
10 de abril de 2010 10:34pois é só de olhar o cartaz já dá p ver q nñ é portugues, e dá p deduzir q é frances por causa do oui , enfim ..
11 de abril de 2010 00:08Boa recomendação do Filme. Vale a pena assistir. O tema "Analise Transacional" é muito enriquecedor para quem busca desenvolvimento humano.
22 de abril de 2010 17:50Postar um comentário