21 de nov de 2010

Trapézio

Gina LollobrigidaRever clássicos é sempre uma experiência interessante. Vi Trapézio há muito tempo, nem lembro direito as circunstâncias, mas me impressionaram as cenas de circo, principalmente, claro, os vôos no trapézio. Mas, a história é centrada nos bastidores, tirando muito do glamour do picadeiro e mostrando o quanto é difícil o jogo para se manter em cena.


O filme já começa impactante. Burt Lancaster é o trapezista Mike Ribble, único capaz de fazer o salto triplo no trapézio. Ele se prepara, salta e cai. Não apenas na rede, mas no chão. Há uma passagem de tempo e o jovem Tino Orsini, vivido por Tony Curtis, aparece no circo a sua procura. Ribble agora é apenas um montador, ficou com um defeito na perna, mas o rapaz quer que ele o treine, pois pretende aprender o salto triplo. O embate dos dois se passa nos bastidores de um teste onde o empresário do circo irá comprar alguns números que serão apresentados no espetáculo. É nesse jogo de articulação para se dar bem que surge Lola, a interesseira vivida por Gina Lollobrigida.

Burt Lancaster, Gina Lollobrigida e Tony Curtis

Lola quer ser a estrela do circo e não poupa esforços para conseguir seu intento, inclusive jogar seu charme para os dois parceiros de trapézio. O jogo de sedução e troca de interesses é bem amarrado, nos envolvendo na história. As personalidades são bem datadas e marcadas, mas fazem parte da estrutura fílmica da época. Tino é o bobo, deslumbrado e presa fácil. Lola é a femme fatale. Ribble é o esperto e inteligente, mas que acaba enredado pela situação.

TrapézioO que mais impressiona no roteiro de James R. Webb é que apesar de todos os indícios, a história e principalmente o seu final, não é nada clichê. Somos surpreendidos pela forma que o filme nos conduz e ficamos perdidos sem saber como aquilo tudo irá se resolver, a partir das complicações que vão se desenrolando. A direção de Carol Reed é segura e as cenas são tensas. O trapézio é mais um personagem que nos deixa em suspensão a cada movimento. Nem por isso, ele descuida dos secundários. Principalmente Rosa e seu marido com o número do cavalo no arco de fogo.

Emoção não falta nesse longametragem de 1956. Bom roteiro, boa direção, boas atuações e cenas fortes tornam Trapézio uma boa opção em qualquer tempo.


Amanda Aouad

Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA, especialista em Cinema pela UCSal e roteirista de Ponto de Interrogação, Cidade das Águas e Vira-latas. É ainda professora de audiovisual, tendo experiência como RTVC e assistente de direção. Membro da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos e da Liga dos Blogues Cinematográficos.

7 opiniões:

renatocinema disse...

Fiquei curioso. Adoro clássicos.

21 de novembro de 2010 10:09 Excluir comentário
Hugo disse...

Seu texto diz tudo, é um bom drama sobre os bastidores do circo, mas poderia ser sobre qualquer outro local, como bastidores da cena musical ou do cinema.

Asa cenas de suspense nas sequências do trapézio são bem filmadas também.

Até mais

21 de novembro de 2010 19:55 Excluir comentário
Kamila disse...

Nunca tinha ouvido falar deste filme antes. Que premissa mais inusitada!!

21 de novembro de 2010 21:52 Excluir comentário
Amanda Aouad disse...

Se gosta de clássicos, Renato, esse é legal, sim.

Verdade, Hugo, as cenas no trapézio nos deixam tensos.

É inusitada, mas bem construida, Kamila.

abraços

21 de novembro de 2010 23:03 Excluir comentário
renatocinema disse...

Sobre 400 contra 1.kkkk. Eu avisei.kkkk.

22 de novembro de 2010 06:23 Excluir comentário
Cristiano Contreiras disse...

Nossa, eu vi esse filme tem uns 10 anos! Lembro bem pouco...mas, eu lembro de ter gostado - que bom que postou, vou baixar pra rever!

Você sabe que aprecio os clássicos, Beijos!

22 de novembro de 2010 10:52 Excluir comentário
Anônimo disse...

Vi esse filme em vhs,quando os videocassetes estavam na moda.Gina Lollobrigida está linda,gostosa,sensual. As cenas do trapézio são emocionantes e o triangulo Curtis,Gina e Burt dão mais charme a esse inesquecível clássico. Merece aplausos até hoje.

5 de março de 2011 18:21 Excluir comentário

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