Viajo porque preciso, volto porque te amo

O título já é pura poesia. Karim Aïnouz e Marcelo Gomes se uniram para recriar o cinema de uma forma inusitada, preterindo o que ele tem de principal que é a imagem. Poesia, sons e sensações, o filme é para digerir aos poucos. Em uma sessão superlotada no Panorama de Cinema Baiano, assisti ao longa em uma cadeira improvisada, junto a vários outros divididos entre o chão, a escada e as confortáveis cadeiras do local. As palmas para o diretor e ator presentes foram sinceras e o debate que se seguiu explicou um pouco o que não precisava ser explicado. Afinal, aquilo era uma experiência única, um filme sobre a dor e a superação da mesma. Valeu o momento.

Há dez anos, os dois diretores ganharam uma verba para fazer uma pesquisa de campo para os filmes que estavam tentando produzir. Aïnouz, Madame Satã, e Gomes,Cinema, Aspirinas e Urubus. Foram então pelo sertão nordestino filmando em diversas câmeras e momentos. Com o material bruto, chegaram ao argumento do filme. Não queriam um documentário, por isso misturaram realidade à ficção, criando Zé Renato, um geólogo que está fazendo um estudo de solo para uma região que sofrerá a transposição de um rio. Apesar de não citar em nenhum momento, fica impossível não associar à polêmica transposição do Rio São Francisco. Pelo menos para nós, aqui no Nordeste.

Irandhir Santos empresta sua voz à Zé Renato com uma carga dramática impressionante. Marcelo Gomes disse que escolheu o ator pela voz aveludada, mas o que ouvimos no longa é uma voz amargurada, repleta de dor e angústia. É esse sentimento que compartilhamos com aquelas imagens mescladas que batem como um convite a mergulhar naquela história da mesma forma que os saltadores de Acapulco no final da projeção.

Em sua jornada, Zé Renato conhece pessoas diversas, mas uma lhe resume com simplicidade o que se espera do mundo: "uma vida lazer". Quem não quer "uma vida lazer"? Ter alguém de quem se gosta ao seu lado e poder curtir os bons momentos de nossa existência, sem se preocupar com problemas menores. Sem sentir dor ou solidão. A nossa vida é aquela pergunta constante do que vem depois, pois nunca estamos satisfeitos ou seguros da felicidade.

Aos que estranharem a fotografia, a escolha estética foi essa mesmo. Zé Renato é um geólogo, não um fotógrafo ou cineasta. Aquilo é o seu diário de bordo, sua alma aberta. Não são as imagens, mas as palavras e o sentimento que o conjunto passa ao espectador que importa. Ainda assim, a simulação do super 8 é bem simpática. A diretora de fotografia Heloísa Passos teve que juntar materiais de diversas câmeras diferentes para encontrar uma unidade e a escolha foi nivelar por baixo, como explicou Marcelo Gomes na conversa após a sessão.

O mais importante não é o como foi feito, mas o que o filme provoca em nosso sensorial. Repito que é uma viagem fantástica, só acho que é repetitiva e cansativa, chegamos ao final da projeção igual ao Zé Renato, angustiados em ver aquela mesma paisagem, sentir aquele mesmo sentimento, ter saudades daquela mesma pessoa. Faz parte do efeito fílmico e da recriação eterna que é a arte cinematográfica.

Boa notícias os soteropolitanos, o filme estreia dia 04 no Espaço Unibanco.

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Tinha que ser você

Tinha que ser vocêHá argumentos em que é necessário coragem para explorar aquilo que a história pede de fato. Tinha que ser você é um desses filmes, uma pena que o diretor e roteirista Joel Hopkins não teve a mesma coragem de Richard Linklater (Antes do Amanhecer e Depois do Pôr do Sol). A história se resume no encontro de duas pessoas, sua troca de experiências, diálogos, desfecho. Simples assim. Ainda mais tendo nas mãos dois grandes atores como Dustin Hoffman e Emma Thompson. Nada mais era preciso para um filme fenomenal. O problema é que Hopkins acha que isso não é o suficiente e acaba construindo uma montagem que insiste em sair desse enquadramento, explorando subtramas sem graça, fazendo ceninhas clichês de troca de roupa, a la Uma linda mulher, e passeios no parque com trilha sonora cafona.

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Licença para falar de Lost

Olhos de JackPeço licença para falar neste espaço cinéfilo sobre televisão. É que essa semana foi exibido o último episódio da série Lost, produto com seis temporadas que marcou a teledramaturgia mundial. Após ver o último episódio e alguns comentários pela internet, senti necessidade de comentar sobre o assunto e como muitos aqui também assistem e gostam, creio que vai ser uma discussão válida. A começar, queria falar que não me importa tanto o último episódio, mas o conjunto da obra, o que Lost significou na construção narrativa seriada e como ela irá ser lembrada. Muitos mistérios ficam sem respostas? Sim, faz parte da vida, já dizia Shakespeare: "há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia".

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Não me venha falar da malícia de toda mulher

TootsieHá filmes que não envelhecem, aliás, a verdadeira arte não tem idade, pode ser apreciada por várias gerações com o mesmo frescor do lançamento. É assim com o filme Tootsie, comédia dirigida por Sydney Pollack em 1982. O filme teve nove indicações ao Oscar, mas só venceu melhor atriz coadjuvante para Jessica Lange, o que é quase uma maldade com Dustin Hoffman, o nome do filme. O prêmio ficou mesmo para Ben Kingsley por Gandhi.

Revendo essa semana na Universal, senti a mesma alegria de quando criança nas eternas Sessões da Tarde. A jornada de Michael Dorsey se passando por Dorothy Michaels para conseguir um papel em uma telenovela americana é hilária. A construção do roteiro é gostosa de acompanhar, começando com o desespero de Michael por não conseguir emprego, passando pela oportunidade do papel para uma atriz, a idéia maluca de se disfarçar, o sucesso absoluto não apenas da personagem, mas da falsa atriz que aparece em vários noticiários e revistas, a paixão pela colega Julie Nichols, o pai da moça até o desfecho memorável. A cena da escada é uma das mais engraçadas de todas.

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O mapa de Quincas

Jogo Quincas Após uma semana seguindo os passos de Quincas, nossa jornada chegou ao fim. Apesar de muitos terem começado (foram quase mil visualizações nos posts do jogo) e vários terem elogiado por comentários, e-mail, twitter ou orkut, poucos chegaram ao final e encontraram a resposta para o enigma. Afinal, onde estava o prêmio? Para todos que começaram, desistiram no meio, nem tentaram ou ainda estão quebrando a cabeça, segue agora o mapa da mina, verão que não estava difícil e que deixamos, até, várias dicas. Parabéns aos vencedores, a experiência foi boa. Agora que conhecemos melhor o perfil de nossos leitores, vamos começar mais devagar de uma próxima vez. Convido a todos para uma última viagem, dessa vez com as respostas.

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Coisas de Cinema

Começa essa semana, em Salvador, o VI Panorama Internacional Coisa de Cinema. O tema desse ano é "Os cem anos de cinema na Bahia", com mostras competitivas e exibição de clássicos. Um dos destaques é a cópia restaurada de Redenção, primeiro longa baiano, além da homenagem aos Cem anos de Akira Kurosawa, com exibição de diversos longas do cineasta. Na mostra competitiva, finalmente os baianos vão poder conferir o longa de Henrique Dantas, Filhos de João. O Panorama contará ainda com debates e apresentações especiais. Para conferir a programação completa, veja o site Coisa de Cinema.



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Fúria de Titãs

Fúria de Titãs 3DRobert McKee, um dos principais consultores de roteiro de Hollywood veio ao Brasil nesta semana para um workshop e criticou a falta de escritores no cinema nacional. Segundo o guru, autor do cultuado livro Story, "Se um filme no Brasil é bom, ele geralmente é a adaptação de um livro. Muitas vezes o cinema brasileiro tem que esperar escritores fazerem bons livros que podem ser adaptados." Pode não estar de todo errado, mas acho que ele deveria olhar para a própria casa antes de apontar o erro alheio, afinal, não é de hoje de Hollywood adapta livros, peças, histórias em quadrinhos e, principalmente, os próprios filmes antigos.

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Pensando no planeta

Revista TudoBemCinema e meio-ambiente é uma mistura que está na moda. Festivais e mostras diversas têm ocorrido com esse tema pelo mundo. O TOP BLOG desse ano tem o tema "eu vivo sustentável" e todos os que votam ainda participam de uma promoção respondendo em 144 caracteres “Como viver + sustentável?”, as melhores ganham prêmios que variam de uma camisa a um notebook.

A Revista TudoBem, parceira aqui na Bahia, também traz esse mês sua versão verde, com várias dicas e curiosidades sobre o mundo sustentável.

Por isso, resolvi entrar na onda e fazer uma seleção de bons filmes sobre o assunto. Seja de ficção, documentário ou animação, todos demonstram uma preocupação com o nosso planeta. Vale a dica e a natureza agradece.


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Lua Nova

Taylor Lautner e Kristen StewartVampiros e lobisomens sempre existiram na literatura e no cinema. Seja o estranho Nosferatu, o temido conde Drácula, ou o depressivo Louis, esses seres despertam curiosidade, atração e medo em suas vítimas. Mas, uma coisa sempre foi comum: eles eram considerados monstros a serem caçados e evitados. Mesmo o sedutor Drácula de Bram Stoker demonstrava todo seu terror e maldição, ou alguém torceu para que ele ficasse com Winona Ryder? É algo ambíguo da maldição que atrai, mas no final, acaba afastada, estilo O Fantasma da Ópera. A gente sabe que é fascinante, mas prefere casar com o mocinho. Afinal, seja como filhos de Lilith ou descentente do Conde, sempre são seres degradados.

Mas, agora parece que ser vampiro virou cool, seja em séries como True Blood ou na controversa Saga Crepúsculo. Na verdade, o movimento literário conhecido como Romantismo já tinha esse amor pela morte, sofrimento e estoicismo, com suas visitas a cemitérios e até relações sexuais com cadáveres. Era pura dor e sofrimento consciente da certeza de que "a vida é morte e a morte é a vida que se quer". O problema é que os livros de Stephenie Meier mascararam esse horror explícito com um vampiro purpurinado e, de repente, todos torcem desesperadamente para que Bella seja mordida e viva sua morte-vida ao lado de seu amado Edward.

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O Desinformante!

Matt DamonResponsável por bons filmes como Erin Brockovich, Traffic e 11, 12, 13 homens e um, outro e novo segredo, Steven Soderbergh tem seu lugar como diretor, mas, definitivamente, ele não é um dos irmãos Coen. Então, ao tentar dar um tom farsesco surreal à história criada por Scott Z. Burns a partir do livro do jornalista Kurt Eichenwald, algo parece ter desandado tornando o filme O Desinformante! mais um da lista dos "poderia ser ótimo".

A história, que é verídica, tem um potencial enorme. Mas não consegue ser tão irônica e engraçada quanto deveria. Matt Damon vive Mark Whitacre, um funcionário da Archer Daniels Midland que começa a se enrolar com uma falsa ameaça à empresa. Depois, seu jogo duplo começa a complicar ainda mais ao fingir para os agentes federais Brian Shepard (Scott Bakula) e Bob Herndon (Joel McHale) que existe um grande cartel a ser desmascarado.

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Vidas que se cruzam?

Charlize TheronQue Guillermo Arriaga é um excelente roteirista não se tem dúvida, já que nos brindou com pérolas como 21 Gramas, Babel e Amores Brutos. Roteiros inteligentes, sensíveis e que brincam com o formato da narrativa. Agora ele estreia na direção e nos traz uma boa história, mas parece que, ao se aventurar em outra técnica, deixou a desejar exatamente naquilo em que era especialista.

Vidas que se cruzam já começa com um erro na tradução do título que é na verdade o grande erro do roteiro. A história tenta se sustentar na mesma brincadeira de várias vidas cruzadas, mas se perde ao apresentar uma teia óbvia. Desde o início está bem claro quem é quem e na terceira sequência já dá para perceber a falta de linearidade e onde tudo isso vai nos levar. Então, o jogo de esconde-esconde acaba soando com enrolação e o ritmo do filme fica lento ao extremo.

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THIS IS A GAME

PROMOÇÃO ENCERRADA, VER RESULTADO NO POST O MAPA DE QUINCAS

Jogo QuincasDia 21 de maio estreia em todo Brasil o filme, Quincas Berro d´Água de Sérgio Machado, já divulgado e resenhado neste blog. Continuando a parceria com a Núcleo da Idéia, o CinePipocaCult ganhou agora um Kit para sortear entre seus leitores. O prêmio consiste em 1 camiseta, 1 par de ingressos, 1 descanso de copo e 1 livro "Quincas Berro d'Água" de autoria de Jorge Amado da editora Companhia das Letras. Além de dois kits simples com um par de ingressos e dois descansos para copos. Legal, né? Mas, para deixar a promoção ainda mais divertida, resolvemos criar um jogo em torno do tema. Uma brincadeira do tipo caça ao tesouro para que não apenas o vencedor ganhe com a experiência. Afinal, o que vale é a diversão de conhecer a Bahia antiga, a Bahia de Quincas, em fotos, textos e vídeos.

O regulamento é simples, pistas serão lançadas a partir deste post e durante toda a semana de 17  a 21/05, aqui e em outros pontos da internet. Cada dia, a senha do post é a resposta ao enigma do dia anterior. Ao final da semana, quem seguiu todas as pistas descobrirá a chave do enigma: onde o tesouro está enterrado. A primeira pessoa que enviar a resposta correta, até o dia 24/05, levará o kit completo e as duas seguintes o kit simples. Podem participar pessoas de todo o Brasil.


Não se sinta confuso, nem perdido, a medida que os dias forem passando, verão que não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. Agora, se ainda assim, não souber como começar, peça a ajuda de especialistas. Mas, atenção, para não criar confusão, deixe bem claro que THIS IS A GAME, NOT AN ARG!

E foi dada a largada:
Que tal um tour pela primeira capital do Brasil com um personagem bem peculiar que é a cara da Bahia?


Sei que vocês conhecem bem Salvador e não vão sentir nenhuma dificuldade na primeira pista. Identifiquem o primeiro ponto turístico que vocês conhecerem, procurem pelo youtube e sigam as pistas.

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O preço da traição

Não, caros amigos, não estou falando do filme Mulholland Falls dirigido por Lee Tamahori em 1996. Na verdade, Chloe é um remake de um filme francês chamado Nathalie. A história é a mais universal possível, um casamento desgastado pelo tempo balança com a desconfiança de uma traição. O problema é a solução que a esposa supostamente traída encontra. Contratar uma garota de programa para seduzir seu marido. Uma espécie de teste da fidelidade sem câmeras, e aí é que está o grande problema.

Com direção de Atom Egoyan e roteiro de Erin Cressida Wilson, a história começa morna e demora muito a engrenar. Tudo é meio tímido, parece que diretor e roteirista estão tateando, sem saber como abordar o assunto. Ao contrário de Julianne Moore, um show de interpretação, sempre segura em passar a emoção necessária em cada gesto ou palavra. Liam Neeson também está bem como o marido e professor sedutor. E Amanda Seyfried conseguiu mostrar que é uma boa atriz, segurou muito bem sua Chloe.

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Os mais sensuais dos filmes de ação

Antonio BanderasComo o Café com Pop anunciou, o site americano The Huffington Post fez uma lista com as mulheres mais sensuais dos filmes de ação. Reconheço que algumas atrizes escolhidas são mesmo muito bonitas e sensuais, outras achei estranho estarem na tal lista. Scarlett Johanson mal estreou em Homem de Ferro e já é a primeira da lista, enquanto que Angelina Jolie ficou apenas em nono lugar. Mas, estranho mesmo foi ver a musculosa Demi Moore em "GI Jane" em segundo lugar. De qualquer forma, quem quiser conferir, clique no link para ver a lista completa.

Agora, para que não fiquemos na vontade, resolvi fazer uma lista dos homens mais sensuais dos filmes de ação, a ordem pode não ter sido tão correta, mas a gente acaba ficando na dúvida com as opções... Que acham?

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Homem de Ferro 2

Robert Downey JrEm 2008 Jon Favreau levou aos cinemas a história de Tony Stark e seu alterego Homem de Ferro. Todo o roteiro se concentrou na construção desse anti-herói inconsequente que após ver a destruição de suas armas de guerra de perto, quer deixar o legado de um mundo em paz. Muito bem produzido e roteirizado, o filme foi sucesso absoluto de crítica e bilheteria, tendo na figura de Robert Downey Jr. a encarnação do personagem dos quadrinhos, tal qual Hugh Jackman caiu como uma luva para Wolverine. O filme acaba com a provocação: na coletiva de imprensa Tony Stark diz que é o Homem de Ferro e a continuação resgata exatamente desse ponto.

Mickey RourkePor não ter uma identidade secreta, o Homem de Ferro é a síntese da incongruência americana que sempre criou seus super-heróis como mártires anônimos de uma nação honrada. Tony Stark joga na tela que os Estados Unidos não querem a paz e o bem-estar, eles querem o poder de controlar o mundo, por isso pressionam tanto para ter a tal armadura invencível a favor do exército. Mesmo o crente James Rhodes cai nessa armadilha. Todo o segundo longa é construído em cima desse argumento e Tony tem que enfrentar a pressão do governo, o veneno que o mata e salva sua vida ao mesmo tempo, além de um vilão esquecido, Ivan Vanko, que é a denúncia a incoerência de um homem que construiu sua fortuna em cima de vendas de armas e diz que tudo o que ele busca é um mundo em paz. Na verdade, ali está um embate que começou entre seus pais e foi herdado por seus filhos.

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Quem é essa mulher?

Zuzu AngelNo Dia das Mães pensei em resgatar as grandes mães do cinema ou filmes que pudessem representar esse imenso amor incondicional. Lembro agora da frase de Chico Xavier ao personagem de Tony Ramos que diz para ele transmitir a sua esposa que o amor de mãe é tão grande que mesmo tendo morrido quando ele tinha cinco anos, sua mãe continuava o acompanhando. Tantos exemplos poderiam ser dos mais tristes aos mais alegres como o musical Mamma Mia!. Mas, resolvi homenagear aqui uma mulher real, que ficou conhecida nesse país por sua luta e desespero para encontrar seu filho sumido.

Zuzu Angel era uma estilista conhecida no Brasil que começava a fazer sucesso nos Estados Unidos quando sua vida mudou drasticamente. Seu filho Stuart Angel Jones foi preso, torturado e morto pela ditadura militar, mas a verdade só foi aparecendo aos poucos, após muita luta e desespero dessa mãe incansável. Zuzu Angel jamais se conformaria com desculpas escusas nem com ameaças. Ela precisava mostrar ao mundo sua dor. Com muitas cartas a jornais e à classe artística, conseguiu apoios importantes como a anistia internacional e o compositor Chico Buarque de Holanda. Sua história merece sempre ser relembrada para que nunca esqueçamos o que aconteceu nesse país.

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Freddy Krueger no cinema

Freddy KruegerEm 1984 chegava as telas o filme A Hora do Pesadelo, dirigido e escrito por Wes Craven, o filme tornou-se uma febre do gênero de terror e eternizou o personagem Freddy Krueger como um dos vilões mais conhecidos da história do cinema. O sucesso foi tanto, que as sequências não pararam, foram sete filmes, além do pífio Freddy vs. Jason de 2003. A história, dizem, é inspirada em um caso da infância de Craven que ficou conhecido como Síndrome da Morte Súbita Asiática. Um assassino de crianças em série é queimado pelos pais revoltados e volta nos pesadelos de seus filhos para atormentá-los.

Novo FreddyVinte e cinco anos depois, o diretor Samuel Bayer, com o roteiro de Wesley Strick e Eric Heisserer, resolvem revisitar o mito com tecnologia mais apurada, efeitos especiais interessantes, e uma história melhor amarrada. Mas que, ainda assim, esbarra em um detalhe importantíssimo: o primeiro Freddy Krueger é Robert Englund e, por mais que Jackie Earle Haley seja um excelente ator, não é a mesma coisa. A nova tecnologia também acabou atrapalhando uma característica fundamental, o rosto do vilão. Mais aberto e derretido, ele perdeu todas as expressões faciais que lhe davam um tom ainda mais sarcástico.

Na verdade, a melhor coisa desse filme foi eu ter assistido em uma pré-estreia especial à meia noite. O cinema estava todo caracterizado com luzes vermelhas, cartazes e exposição de DVDs, bonecos e acessórios de Freddy. O boneco é tão bem feito que, fotografado de perto ficou parecendo que o personagem estava lá com a gente.

Na pre-estreia em Salvador,
alguns artigos foram expostos, como o boneco...
e a famosa luva.

Do filme em si, alguns detalhes da história foram alterados, o que, para mim, soou melhor. Agora confesso que achei estranha a escolha, já que pelo trailer dava a impressão de que o longa privilegiaria a trama anterior ao ocorrido no original. Na verdade, da forma como foi construído, o trailer acaba sendo um grande spoiler, já que o filme foca boa parte da narrativa na descoberta dos pesadelos misteriosos. Tudo bem que os realizadores podem contra-argumentar que todos já viram algo de A Hora do Pesadelo e sabem do que se trata, mas, então, pra que essa construção fílmica?

Cartaz de A Hora do PesadeloA grande sacada de A Hora do Pesadelo ao ser lançado em 1984 foi misturar realidade com imaginação, brincando com o medo que toda criança tem do desconhecido. Talvez por isso, a história funcione tão melhor aos olhos infantis, onde a sensação de ameaça é muito maior. Porque o filme não se baseia no efeito do susto. Ele está sempre enunciado e previsível. A gente sabe quando o personagem está sonhando, e a gente sabe que quando ele está sonhando Krueger irá aparecer. Tudo é repleto de clichês e poucas vezes somos surpreendidos. A própria música colabora com esse efeito, sempre dando indícios de quando o perigo está iminente. Aliás, a trilha sonora é outro ponto forte do filme, sempre eficaz.

O terror que A Hora do Pesadelo tenta despertar é a confirmação de nossos maiores medos e a forma como o vilão mata, sempre de forma exageradamente cruel, com sangue jorrando para todos os lados. Para a criança que vê aquilo, o medo é grande, para o adulto pode tornar-se risível depois de tantos filmes. Nancy continua sendo um contra-ponto interessante, e a novata Rooney Mara defende bem o seu papel, mas falta algo para este filme que nunca chegará aos pés do clássico dos anos 80. Aliás, eu espero, sinceramente que não venham outras continuações por aí.

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Começar de novo e contar contigo

Começa hoje a votação do prêmio TOP BLOG e o CinePipocaCult está mais uma vez na disputa. Em 2009, entramos sem nenhuma pretensão de ganhar. Ficar entre os 100 mais votados já foi uma vitória incrível entre os milhares de blogs existentes. Quando veio a notícia do TOP 3 pelo voto acadêmico foi um sonho. Um reconhecimento ímpar que ajudou a impulsionar ainda mais esse espaço. Fomos para São Paulo felizes, curtir a festa e trocar experiências com outros blogueiros. Apareci em algumas entrevistas como no Soterópolis e na Rádio Metrópole e até hoje, a notícia ainda dá retorno, como no MuitoTudo e no site da Sinapro. Fiz também uma entrevista com Bertrand Duarte e Edgard Navarro para a revista TudoBem.

A partir do prêmio, a vontade de fazer um blog melhor a cada dia só aumentou. O domínio próprio foi comprado.O design foi todo reformulado para deixar a navegação mais fácil e agradável. As ferramentas de redes sociais também foram ampliadas com Twitter, Youtube e Facebook. E para comemorar um ano de existência, lançamos a campanha Seja Educado, que se espalhou por mais de 40 blogs e foi parar no site da ABCV e no jornal Tribuna da Bahia.

Com todas essas ações, conquistamos parcerias importantes que estão gerando promoções diversas. Essa parte está apenas começando, algumas ações estão sendo estudadas e vem coisa boa logo depois da Copa do Mundo. Na certeza de que vamos buscar sempre mais para que o blog fique cada vez melhor.

Todas essas conquistas e o empenho de Ari nas questões técnicas e marketing só me incentivam a procurar escrever cada vez mais sobre filmes diversos, discutir o cinema em si e trocar experiências com vocês, leitores do blog, que através dos comentários são o termômetro, a troca e o pagamento de nossa jornada pelas maravilhas da sétima arte.

É por isso, que mais uma vez agradeço a participação de todos e peço o seu voto para podermos novamente ficar entre os 100 blogs mais votados na categoria Cultura. Novamente sem pretensões de ser o vencedor, afinal tem gente muito boa por aí. Ter a chance de ser analisado ao ficar no TOP 100 já é uma grande vitória para nós. O que vier pela frente, é lucro.

Então, votem à vontade e indiquem o CinePipocaCult. Para votar, basta clicar no selo ao lado. Você será redirecionado para o site do TOP BLOG e precisa colocar seu e-mail no espaço indicado. Isso é muito importante, pois uma mensagem de confirmação será enviada para o seu e-mail e só aí, o voto vale. Contará um voto por e-mail, o que não significa que você não possa votar em mais de um blog. Segundo explicações dos próprios organizadores, cada e-mail pode "votar uma vez em todos os blogs do site TopBlog!" Ao votar, você ainda concorre a prêmios. Basta criar uma frase criativa com o tema "viver sustentável", a melhor frase da semana ganha uma camisa e uma mochila. E a melhor de todas leva um NOTEBOOK SONY VAIO W210.

E atenção, votem pelo selo lá em cima na direita, porque o TOP BLOG acabou indicando o CinePipocaCult mais de uma vez e ficamos com três cadastros no portal. Estamos aguardando a possibilidade de excluir os outros dois. Só para confirmar o que está valendo:

Categoria: Cultura
CÓDIGO: 1113577
TÍTULO: CinePipocaCult
DESDE: 12-2008
INDICADO POR: Amanda Aouad
URL: cinepipocacult.com.br/

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Animação cresce no Brasil

PeixonautaA animação é um setor que tem crescido muito no Brasil. Com as novas facilidades tecnológicas e a especialização cada vez maior de profissionais, está ficando mais fácil lançar curtas e séries animadas no país. Vários editais como o AnimaTv ajudam, mas o formato parece mesmo estar conquistando a todos. Isso sem falar dos brasileiros lá fora, como Carlos Saldanha, diretor de A Era do Gelo II e III e Marcelo de Moura que trabalhou no indicado ao Oscar O Segredo de Kells.

Outros longas já estão programados como o Lutas, direcionado para o público jovem e adulto, dirigido por Luiz Bolognesi. E o infantil, As aventuras do avião vermelho, baseado no livro de Érico Veríssimo, que está utilizando uma mistura de 3D e 2D para compor os desenhos. Que fique claro que o 3D aqui é a criação em três dimensões no computador, não a nova onda de exibição com óculos especiais. A mesma ténica em que está sendo produzido o longa de Ivete Sangalo, este totalmente em 3D.

Lutas

Agora chega a notícia de que Peixonauta também vai virar longametragem, e este sim, em 3D. A previsão de estreia é 2011. A série brasileira, que é campeã de audiência no Discovery Kids e recentemente ganhou o prêmio de Melhor Programa Infantil da Associação Paulista de Críticos de Arte, é produzida pela TV Pinguim.

A história com uma linguagem bem infantil, com tons educativos e ambientais, mostra as aventuras de um peixe agente secreto que, para se deslocar fora da água, usa uma espécie de roupa de astronauta (daí o nome). Ele conta sempre com a ajuda de um macaco engraçado chamado Zico e de uma menina chamada Marina. A marca da interação é uma dancinha batendo palmas e pés para acompanhar umas bolas que dão as pistas dos mistérios. A faixa etária do desenho é de cinco a sete anos, mas não impede que outras crianças gostem dos personagens.


Para quem vivia apenas de esporádicos filmes da Turma da Mônica, o Brasil vai em um caminho muito promissor. Agora é torcer para que muitos outros projetos nacionais invadam as nossas telas.

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Sede de Sangue

Sede de SangueO diretor sul-coreano Park Chan-wook ficou conhecido por seu estilo peculiar, cheio de simbolismo e sua capacidade de construir narrativas intensas. Com Mr. Vingança (2002), Oldboy (2003) e Lady Vingança (2005) entrou para o hall de grandes diretores e se destacou com um cinema sádico, mórbido e fetichista. Com o roteirista Jeong Seo-gyeong ele construiu uma história surprendente, principalmente por que vem na contramão da nova onda de vampiros do bem, encabeçada pela Saga Crepúsculo.

Sede de sangue é a construção do vampiro sisudo, escondido em sua própria natureza dúbia, repleto de desejo sexual e instintos animais. A ousadia maior de Chan-wook foi o nascimento desde vampiro em específico. O padre Sang-Hyeon, vivido pelo ator Song Kang-ho (Hospedeiro), está cansado de ver pessoas morrendo com um vírus estranho, o V.E., e resolve ser voluntário em pesquisas escusas. Ele se interna na clínica, pega o vírus e aparentemente morre. Mas, ao receber uma transfusão de sangue, milagrosamente volta ao normal.

Sede de Sangue

A notícia se espalha e pessoas passam a idolatrá-lo como santo milagreiro, pedindo ajuda para diversas enfermidades. O que elas não sabem é que Sang-Hyeon agora tem instintos estranhos e uma sede imensa de sangue. Ou seja, ele se tornou um vampiro. Um vampiro bem semelhante a Louis de Anne Rice. Um ser deprimido, em conflito, entre seu instinto animal e sua fé cristã. Como viver de sangue sem matar seres humanos que ele prometeu proteger e guiar? Como aceitar o devotamento dos outros quando se sabe que é um monstro?

Sede de SangueA natureza humana é debatida em toda a projeção, no melhor estilo do diretor, que sempre está tentando provar que não somos tão santos como parecemos. E tudo piora quando o padre encontra uma antiga colega Tae-ju. Todos os seus instintos sexuais, antes reprimidos, vêm a tona e seus dilemas só aumentam. A situação vai piorando a cada cena e vou parar por aqui para não entregar o filme inteiro. Mas, o dilema do padre vampiro é sempre a fé versus o instinto.

Há um viés no filme, no entanto, que é a sua duração. Em muitos momentos a narrativa se arrasta, porque Park Chan-wook quis falar de tudo ao mesmo tempo agora, construindo vários filmes em um. Tem suspense, romance, surrealismo, sátira, escatologia, terror, comédia, sim, comédia, porque tem momentos em que as situações são tão ridículas que dá vontade de rir. O filme, então, fica longo e cansativo. Mas, ainda assim, é uma experiência inusitada. O talento do diretor nos brinda com belas cenas, passagens incríveis e faz poesia mesmo em momentos de recusa. Uma coisa é certa, você não verá outro filme como este.

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O sucesso do Festival de Recife

Não teve para ninguém, As Melhores Coisas do Mundo de Laís Bodanzky ganhou oito prêmios no Festival de Recife 2010. Foram: melhor filme, direção, ator (Francisco Miguez), roteiro, fotografia, direção de arte, edição de som e o prêmio da crítica. Um sucesso absoluto que confirma o potencial do filme já dito aqui. Que o cinema nacional possa sempre nos presentear com filmes como este.

Vejam a lista completa do Festival (fonte):

LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme: As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky

Direção: Laís Bodanzky, por As Melhores Coisas do Mundo

Ator: Francisco Miguez, por As Melhores Coisas do Mundo

Atriz: Paloma Duarte, por Léo e Bia

Atriz Coadjuvante: Mariana Nunes, por O Homem Mau Dorme Bem

Ator Coadjuvante: Bruno Torres, por O Homem Mau Dorme Bem

Roteiro (prêmio dividido): Luiz Bolognesi, por As Melhores Coisas do Mundoe Wolney Atalla e Caio Cavechini por Sequestro

Fotografia: Mauro Pinheiro Jr., por As Melhores Coisas do Mundo

Montagem: Marcelo Moraes e Marcelo Bala, por Sequestro

Trilha Sonora: Oswaldo Montenegro, por Léo e Bia

Direção de Arte: Cássio Amarante, por As Melhores Coisas do Mundo.

Edição de Som: Alessandro Laroca, por As Melhores Coisas do Mundo.

Prêmio Especial do Júri: Rogério Fróes, por Não Se Pode Viver Sem Amor

Melhor Filme/Júri Popular: O Homem Mau Dorme Bem

Prêmio da Crítica: As Melhores Coisas do Mundo

CURTAS EM 35mm

Melhor Curta-Metragem: Bailão, de Marcelo Caetano.

Diretor: Kleber Mendonça Filho, por Recife Frio.

Atriz: Zezita Matos, por Azul

Ator: Ricardo Lilja, por Amigos Bizarros do Ricardinho

Roteiro: Kleber Mendonça Filho, por Recife Frio.

Fotografia (prêmio dividido): Ivo Lopes Araújo, por A Montanha Mágica; e André Lavenère, por A Noite por Testemunha

Direção de Arte: Juliano Dornelles, por Recife Frio

Melhor Montagem: Lucas Gonzaga, por Amigos Bizarros do Ricardinho

Trilha Sonora: Revertere AD Locum Tuum

Edição de Som: Vinícius Leal e Jessé Marmo, por Geral

Melhor Curta-Metragem/Júri Popular: A Noite Por Testemunha, de Bruno Torres

Prêmio Especial do Júri: Circuito Interno, de Júlio Martí.

Menção Honrosa do Júri: ZÉ(S), de Piu Gomes.

Prêmio da Crítica: Geral, de Anna Azevedo.

Prêmio Aquisição Canal Brasil: Faço de Mim o Que Quero, de Sergio Oliveira e Petrônio Lorena.

CURTAS-METRAGENS EM DIGITAL

Melhor Curta-Metragem Digital: Áurea (de Zeca Ferreira).

Diretor: Allan Ribeiro, por Ensaio de Cinema.

Roteiro: Maria Camargo, por Se Meu Pai Fosse de Pedra.

Montagem: Luelane Corrêa, por Áurea (de Zeca Ferreira).

Melhor Curta-Metragem/Júri Popular: Tanto, de Nataly Callai

Prêmio Especial do Júri: À Fotografia de Áurea (de Zeca Ferreira).

Prêmio da Crítica: Áurea, de Zeca Ferreira

Menção Honrosa: Sweet Karolynne, de Ana Bárbara Ramos (PB).

MOSTRA PERNAMBUCO

Melhor Longa-Metragem: Porta a Porta, de Marcelo Brennand

Melhor Curta-Metragem (1º colocado): Tereza – Cor Na Primeira Pessoa (Amaro Filho e Marcilio Brandão

Curta-Metragem (2º colocado): Tchau e Bênção, de Daniel Bandeira

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O Caminho das Nuvens

Caminho da NuvensBaseado na história real de Cícero Ferreira Dias, um caminhoneiro desempregado que, junto com sua mulher e seus 5 filhos, pedala desde Santa Rita, na Paraíba, até Bangu, no Rio de Janeiro, foi a primeira e quase única investida de Vicente Amorim na direção cinematográfica. Filme de 2003, Caminho das Nuvens é daqueles road movies bem realistas, com uma direção sincera, que nos apresenta a dureza do sertão nordestino e das dificuldades do brasileiro, sempre um crente à espera de um milagre. Assim é Romão, vivido de forma fantástica por Wagner Moura. Um homem que busca um emprego digno que pague mil reais para que ele possa sustentar sua família.

O caminho é cheio de percalços, ainda mais com seis pessoas e um bebê estrada abaixo montados em bicicletas. Tudo ao som de Roberto Carlos, um plus da trilha sonora que brinca com cenas diversas da discografia do rei. Cláudia Abreu, a esposa de Romão, trabalha em vários bicos e coloca seus filhos para pedir dinheiro pela estrada, enquanto o marido sonha com o tal emprego dos sonhos. A princípio, a meta é chegar em Juzeiro do Norte, onde o patriarca irá pedir ao Padre Cícero a graça desejada.

Caminho da Nuvens

Mais tarde, o foco vira o Rio de Janeiro, cidade grande onde Romão tem certeza que conseguirá o tal emprego. No entanto, Antônio, o filho mais velho, começa a questionar as atitudes do pai e entrar em conflito com o mesmo, mostrando a lógica torta dele estar sonhando com emprego ideal, enquanto fuma seu cigarro e dá ordens para que o resto a família ajude nas despesas. O embate de gerações, o rito de passagem da infância, são bem desenvolvidos.

Cartaz Caminho da NuvensO grande problema desse sonho, demonstrado de forma sutil no roteiro de David França Mendes , é que um homem semi-analfabeto dificilmente conseguirá um emprego digno como ele imagina. E em sua meta impossível, acaba descuidando do possível do dia a dia, que fica a cargo de sua esposa, sempre abnegada. Quantos milhares de Romãos existem espalhados por aí?

Além de Wagner Moura, que dá um tom amargo e, ao mesmo tempo, sonhador ao protagonista, destaque para Cláudia Abreu que consegue imprimir um belo sotaque nordestino, até mesmo ao cantar "Como é grande o meu amor por você" de forma bem entoada. Destaque também para o garoto Ravi Lacerda, o Pacu de Abril Despedaçado, que consegue dar uma maturidade muito boa ao revoltado Antônio.

Alguns podem não gostar do final, aberto, onde nada se resolve, mas tudo se define. É a lógica da vida real, onde o fim é apenas quando não há mais vida. Tudo parece incompleto, faltando um pedaço, não se resolve completamente. Ou não... Talvez, essa seja exatamente a graça. Um filme simples e verdadeiro que já ganhou o mundo. No Japão, ele recebeu o nome de "Oi, Bicicleta". Vai entender, né?

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Nunca é demais

Acredito que ser reconhecido nunca é demais. Por isso, recebo com muita alegria mais um selo para o CinePipocaCult. Dessa vez, vieram de MaDame Lumière e Reinaldo Glioche do Claquete, dois belos blogs que também recomendo. Muito obrigada mesmo.


O Que é Prêmio Dardos?

O Prêmio Dardos é um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Após receber o selo deve-se seguir algumas regras:
- Exibir a imagem do selo no blog.
- Exibir o link do blog que você recebeu a indicação.
- Escolher 10, 15 ou 30 blogs para dar indicação, e avisá-los.

Os meus indicados são :

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Noite de Festa: Revendo Quincas

Após a pré-estreia para blogueiros, esta semana o filme Quincas Berro D´Água teve sua pré-estreia oficial em noite de festa. Boa parte do meio cinematográfico, imprensa e classe artística em geral se reuniu, lotando os 1.500 lugares do Teatro Castro Alves e aplaudiu com entusiasmo o novo filme de Sérgio Machado. Entre os convidados, pessoas como Edgar Navarro, Pola Ribeiro, Sílvia Abreu, prestigiando o cineasta que saiu da Bahia, para trabalhar como colaborador de Walter Salles e logo seguiu rumo próprio.

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