23/03/2011

Eterna Liz Taylor

Liz TaylorTalvez a nova geração não consiga compreender a importância de Elizabeth Taylor para a história do cinema. Representante do verdadeiro star system do cinema clássico norte-americano, Liz Taylor era uma diva com toda a grandeza que a palavra pode significar. Seu erro, talvez, tenha sido não preservar sua imagem, deixando que a imprensa explorasse ao máximo todos os seus escândalos e problemas afetivos em seu diversos matrimônios, principalmente com o também ator Richard Burton, com quem tinha uma relação conturbada. Mas, Taylor também era famosa por sua beleza, e seus peculiares olhos azuis violeta. Além de ser uma militante de causas nobres, principalmente no combate a AIDS, doença que levou um de seus melhores amigos, o ator Rock Hudson. E, claro, por seu talento como atriz, que lhe renderam dois Oscars, o maior salário de Hollywood na época e filmes que estão na nossa memória. Liz Taylor finalmente descansa, após anos de luta contra problemas de saúde. Não lamento exatamente a sua partida, já que não somos imortais e acredito em um descanso e vida melhor depois dessa. Lamento que sua última participação no cinema tenha sido em 1994 como a sogra de Fred Flintstone, sem contar com duas aparições rápidas em séries de televisão. Dezessete anos longe das telas e do público a fazem ser lembrada apenas como a amiga excêntrica de Michael Jackson por muitos ou como a representante de associações filantrópicas. Fico feliz de ter sido apresentada a essa atriz por minha mãe, que sempre amou os grandes filmes dela, e ter podido estudá-los em minha trajetória de cinéfila. Esse legado é que faz de Taylor uma imortal em nossas mentes. Relembro aqui os que mais gosto.

Liz Taylor
Gata em Teto de Zinco Quente
Como é esperado de um texto original para o teatro, Gata em Teto de Zinco Quente tem sua força nos diálogos e nas interpretações dele. Não por acaso é lembrado por muitos como um dos melhores papéis de Liz Taylor. Maggie é uma mulher frustrada com um marido alcóolatra, em outra ótima atuação de Paul Newman, que ela ama profundamente, mas por quem é desprezada. Este papel lhe rendeu uma das cinco indicações ao Oscar de sua carreira.


Liz Taylor
De repente, no último verão
Outra indicação ao Oscar, é daqueles filmes que nos arrebata de emoção. Forte, denso, memorável. Aqui Taylor contracena com Katherine Hepburn e ambas dão show de interpretação. Uma como a sobrinha internada e a outra como a tia que quer se livrar do fardo através de uma lobotomia. Os minutos finais dão a dimensão exata da capacidade dessa atriz.

Liz Taylor
A Megera Domada
Outro texto vindo de uma peça teatral, dessa vez de William Shakespeare, a eterna briga entre Catarina e Petrúquio tem um valor especial para mim por ter sido o primeiro filme que vi da atriz. Contracenando com Richard Burton, parecia que a vida imitava a realidade, já que o casal brigou muito a vida inteira, mas também se amou com a mesma intensidade.

Liz Taylor
Assim caminha a humanidade
Outro clássico muito lembrado onde contracenou com Rock Hudson e James Dean, dois astros que foram cedo, deixando sua fama. Aqui Taylor é Leslie, esposa do personagem de Rock Hudson e paixão de James Dean. Contando um pouco da história do Texas, petróleo e trajetórias familiares, é um daqueles épicos inesquecíveis que ficam em nossa memória. E olha que eu só vi uma vez, quando ainda era pequena, preciso rever urgentemente.

Liz Taylor
Cleópatra
Outro clássico que ficou marcado pelo primeiro cachê de um milhão dado a uma atriz. Cleópatra é grandioso como a rainha do Egito, a cena de sua entrada em Roma é uma superprodução pouco vista na época. Foi um verdadeiro exagero, por mais bem feito que possa ter parecido e as bilheterias não conseguiram justificar o orçamento. Mas, Liz Taylor é sempre Liz Taylor, ainda mais com Richard Burton como Marco Antonio.

Liz Taylor
Quem tem medo de Virgínia Woolf?
Mais um texto vindo do teatro com toda a carga dramática nos diálogos. O que dizer de um filme onde todos os integrantes do elenco foram indicados ao Oscar? E Liz Taylor consegue se destacar como Martha, papel que lhe rendeu a segunda estatueta da carreira. O melhor do filme é essa junção dessas quatro pessoas em um mesmo espaço, em uma noite desencavando verdades incômodas.


Crédito especial para o primeiro Oscar da atriz em Disque Butterfield 8, filme que ainda não vi.



8 opiniões:

Cine Mosaico disse...

O cinema perde mais uma atriz brilhante.

RIP LIZ TAYLOR.

24 de março de 2011 09:16
Daniel Pepe disse...

Bela homenagem, Amanda! Meu preferido dela não foge muito à regra, é "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?". Vale destacar a entrega da atriz que engordou e se fez parecer mais velha para o papel.

24 de março de 2011 10:19
pseudo-autor disse...

Só dá vontade de dizer "Volta, Liz, volta".
O cinema continua a perder os seus gigantes. O que será de nós, pobres cinéfilos?

Cultura na web:
http://culturaexmachina.bogspot.com

24 de março de 2011 14:56
Reinaldo Glioche disse...

Ótima lembranças Amanda. E vc as pontuou muito bem. Gosto muito de Gata em teto de zinco quente e Quem tem medo de Virgínia Woolf?. Os outros são bons filmes tb. se me permite um aparte de suas considerações, discordo quando lamenta que Taylor permitiu que a imprensa explorasse seus escândalos. Creio que foi muito em virtude dessa exploração que ela ser tornou a imortal que agora sacramentou em sua despedida. Sem esses revezes, digamos assim, sua estatura dentro do star system não seria o mesmo. Diva com todos os requisitos de diva...
Beijos

24 de março de 2011 15:55
Gabriel disse...

O único filme que vi dela é Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, e daí já pode-se dizer que era uma atriz fantástica. Uma grande perda para o cinema.

24 de março de 2011 16:31
Jurubeba disse...

Amanda,

Lindo vídeo - faz jus a beleza de Liz Taylor. Uma diva!
Linda homenagem também... Apesar que dos filmes citados, eu só assisti Cleópatra e trechos de Assim caminha a humanidade!

26 de março de 2011 10:52
Cristiano Contreiras disse...

Amo muito "Quem tem medo de Virginia Woolf?", mas tenho uma admiração por "Disque Butterfield 8", veja esse Amanda. E, ah, eu adoro "Cleopatra", acho que o filme envelheceu bem...

Nunca esquecerei Miss Taylor!

Beijo

27 de março de 2011 01:21
Amanda Aouad disse...

Pois é, João.

hehe, verdade, Daniel, tanto que não queriam ela para o papel por achar muito jovem, mas ela encarou a transformação.

Sem dúvidas, Pseudo.

Ok, Reinaldo, pode ser, na verdade, se não fosse assim, não seria ela, né? Mas, é que leio muito texto ressaltando apenas essa parte da atriz e isso me incomoda um pouco, sabe?

Verdade, Gabriel.

Faz, mesmo, Jô, veja o resto, acho que vai gostar.

Vou ver sim, Cris, está na minha lista.

beijos

27 de março de 2011 10:34

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