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Vingadores: Ultimato

Vingadores: Ultimato - filme

O fim de uma era não é qualquer coisa. Por isso o hype, talvez exagerado principalmente no número de salas, mas não deixa de ser compreensível. É difícil falar do fim, sem dar spoilers, porque tem muitas estratégias de produção de efeito em Vingadores – Ultimato que só é compreensível com exemplos práticos.

É um final digno, acima de tudo. Entrega emoção, diversão e, por que não, fan service, bem dosadas. Poderia ter uma menor duração, enxugar algumas questões do seu primeiro ato, mas levando em consideração que estamos vendo o fim de uma era, chega a ser justificável. Respeita a situação deixada após Guerra Infinita, trabalha as emoções, o cansaço, a sensação de fracasso.

O roteiro precisa dar conta de muitos personagens. Todos os que já passaram pelo Universo Marvel nesses onze anos. Claro que isso é um problema, mesmo com três horas de projeção, alguns acabam fazendo pontas de luxo, mas percebe-se uma preocupação em dar a cada um pelo menos um grande momento. Não deixa de ser louvável o esforço.

Vingadores: Ultimato - filmeÉ notório que os Vingadores sempre tiveram um líder, o protagonista maior dessa Saga, não por acaso foi dele o primeiro filme. Tony Stark se constrói através da jornada do herói. Está sempre pontuando os principais plot points dos heróis, tomando a iniciativa e liderando o grupo, mesmo quando parece ter perdido a esperança. Aqui não é diferente. E Robert Downey Jr. consegue brilhar, como sempre. Mas outros heróis também ganham vez aqui, em especial, a Viúva Negra.

Natasha lidera o grupo no pior momento, quando eles precisam conviver com o fracasso de ter perdido para Thanos. E Scarlett Johansson consegue sustentar bem o tom trágico desse primeiro momento. Essa busca por um fio de esperança, uma motivação para continuar em frente. Como o próprio vilão diz, não somos capazes de lidar com nosso fracasso. Isso vai nos corroendo por dentro, incomoda, deixa desmotivados para continuar em frente. Mas é sempre necessário ir em frente.

Afinal, o que vale a pena na vida? Os heróis também precisam descobrir isso. Além da humanidade como um todo, é instigante a maneira como o filme trabalha a importância de determinadas pessoas em nossas vidas. A oportunidade de vivenciar com elas bons momentos, compartilhar alegrias e sonhos. Agradecer por estar ali. O filme revisita momentos chaves, traz doses de reencontros e despedidas, recupera amores e amizades que achávamos que não fossem mais possíveis.

Vingadores: Ultimato - filmeEntão, ainda que existam algumas lutas e uma batalha final realmente épica, o principal programa de efeito da obra acaba mesmo sendo o drama sentimental, sem se tornar piegas. Há no roteiro e na direção uma capacidade de dosar bem esses momentos, trabalhando nostalgia e sentimentos profundos que nos tocam e envolvem.

A catarse maior, como é de se esperar, está na batalha final. Não é mais simplesmente uma reunião de heróis. É o verdadeiro espírito de tudo que foi trabalhado até o momento. Do que importa, do que nos faz humanos e do que vale a pena lutar e arriscar morrer. Ainda que algumas lutas e desfechos pareçam esquemáticos, não dá para chamar de solução covarde ou mesmo esperada.

No jogo da quebra e confirmação de expectativas, Vingadores consegue satisfazer em diversos níveis, porque traz camadas também diversas em suas mínimas escolhas. Não se trata só de quem morre, quem vive ou quem retorna. É a vitória da esperança sobre o determinismo. É a abertura para quaisquer possibilidade dentro de um universo tão rico que soube trabalhar tão bem sua estrutura serial nesses onze anos.

Vingadores – Ultimato pode não ser o melhor filme de super-heróis já visto, mas, sem dúvidas, é o coroamento de um dos projetos mais ousados que merecia ser assim: épico.


Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019 / EUA)
Direção: Anthony Russo, Joe Russo
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Com: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Brie Larson, Jeremy Renner, Karen Gillan, Danai Gurira, Don Cheadle, Paul Rudd
Duração: 181 min

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