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Samaritano
Samaritano (Samaritan, 2022), dirigido por Julius Avery e estrelado por Sylvester Stallone, prometia ser uma adição interessante ao gênero de super-heróis. Com um tom mais sombrio e uma tentativa de desconstrução do herói tradicional, o filme tinha potencial para se destacar. No entanto, Samaritano tropeça em suas ambições, entregando uma narrativa mediana e falhando em criar algo verdadeiramente diferente.
Ao adotar um tom sombrio e explorar temas como a dualidade entre o bem e o mal, o filme se inspira em produções como The Boys, O Legado de Júpiter e Watchmen. No entanto, ao fazê-lo, acaba caindo em armadilhas narrativas e não consegue entregar o que promete. A cidade retratada é escura, suja e violenta, mas a falta de originalidade nas abordagens e personagens acaba minando qualquer impacto que poderia ser alcançado.
O enredo gira em torno dos irmãos super-poderosos Samaritano e Nemesis. O filme explora flashbacks para revelar que Samaritano é o herói que ajuda as pessoas, enquanto Nemesis assume o papel de antagonista com uma visão diferente do mundo. No entanto, a trama demora a engajar o público e as relações entre os personagens não são bem desenvolvidas. A dinâmica entre o jovem Sam, interpretado por Javon 'Wanna' Walton, e seu vizinho Joe Smith (Stallone) poderia ter sido um ponto forte, mas acaba sendo apenas mais um dos elementos travados e sérios demais que permeiam todo o filme.
Outro problema é a falta de carisma e profundidade nos personagens. Apesar do esforço de Walton e Pilou Asbæk em seus respectivos papéis, o roteiro não oferece material suficiente para que os atores brilhem. O texto de Bragi F. Schut lida com questões debatidas há mais de duas décadas nos filmes de super-heróis, sem acrescentar nada novo ou relevante à discussão. Além disso, as cenas de ação e combate são decepcionantes, com uma direção incompetente que dificulta a apreciação dos movimentos e prejudica o ritmo do filme.
Samaritano também falha em sua tentativa de desconstrução narrativa. Apesar de apresentar situações absurdas e sugerir uma abordagem menos maniqueísta, o roteiro não consegue sustentar essa proposta de forma satisfatória. A trama se torna confusa e a desconstrução dos personagens e do mundo apresentado é desleixada e mal executada.
Embora tenhamos que reconhecer o carisma do jovem Javon 'Wanna' Walton e o desempenho competente de Pilou Asbæk, esses elementos não são suficientes para salvar o filme de suas falhas fundamentais. Mesmo com a presença de Sylvester Stallone, ator veterano de Hollywood, Samaritano não consegue aproveitar seu potencial. Em um cenário cinematográfico saturado de produções de super-heróis, Samaritano acaba se perdendo em meio à falta de originalidade e execução fraca, se tornando um exemplo de desperdício de talento e falta de ousadia.
Ao final, Samaritano (2022) é um filme que se propõe a explorar novos caminhos dentro do gênero de super-heróis, mas acaba tropeçando em suas próprias ambições. Embora tenha a intenção de apresentar uma abordagem sombria e desconstruída dos heróis, o filme falha em entregar algo original e cativante. A falta de carisma nos personagens, o roteiro previsível e as cenas de ação mal executadas contribuem para uma experiência mediana e esquecível. Enfim, o filme se leva muito a sério, mas não consegue sustentar suas pretensões narrativas. Com um mercado saturado de produções do gênero, é difícil recomendar Samaritano como uma escolha indispensável para os fãs de super-heróis em busca de algo novo e emocionante.
Samaritano (Samaritan - 2022, EUA)
Direção: Julius Avery
Roteiro: Bragi Schut
Com: Sylvester Stallone, Javon “Wanna” Walton, Pilou Asbæk
Duração: 102 min.
Bacharel em Publicidade e Propaganda desde 2000 e atuante na área, alia técnica e criatividade em tudo o que faz. Cinéfilo de carteirinha, Ari se apaixonou pelo cinema nas madrugadas da TV, onde filmes clássicos moldaram seu olhar crítico e sua veia artística, inspirando-o a participar de um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Histórias são a alma de sua trajetória. Jogador de RPG há mais de 30 anos, decidiu unir sua experiência como roteirista e crítico e sua determinação para escrever livros e materializar suas ideias. Seu primeiro livro, Corrida para Kuélap, está disponível para venda para Kindle. E é só o começo.
Samaritano
2023-06-02T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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