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Corpus Christi
Corpus Christi
Corpus Christi, dirigido por Jan Komasa, é um filme polonês que mergulha em questões complexas de fé e preconceito. Baseado em fatos reais e indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2020, o longa apresenta uma narrativa envolvente e atuações poderosas, enquanto explora a essência da igreja católica e a dicotomia entre a palavra institucional e a humanidade por trás dela. Um filme que desafia as convenções e explora as contradições de uma igreja que muitas vezes exclui e fere.
No centro dessa poderosa obra cinematográfica está Bartosz Bielenia, que entrega uma atuação magnética como Daniel, um ex-presidiário em busca de redenção. Bielenia cativa a audiência com seu olhar penetrante e habilidade de transmitir emoções profundas, levando-nos a uma jornada emocional através das múltiplas camadas do personagem. Sua interpretação brilhante é uma prova de seu talento como jovem ator.
Corpus Christi apresenta diversos momentos impactantes que ecoam na mente do espectador. Desde os sermões envolventes de Daniel, que desafiam os dogmas cristãos, até sua luta para enterrar um homem considerado culpado, o filme nos confronta com questões universais sobre a natureza humana e a busca pela redenção.
A direção de Jan Komasa é outro destaque do filme. Com uma abordagem sensível e envolvente, Komasa tece uma narrativa que oscila entre momentos de contemplação e tensão emocional. Sua escolha de ritmo e alternância habilmente constrói uma atmosfera contraditória, mantendo a curiosidade do espectador em alta. Além disso, a direção visual é impressionante, com a belíssima fotografia enevoada e esverdeada de Piotr Sobocinski Jr., que transmite uma sensação de lugar doente em busca de cura.
Corpus Christi vai além de uma simples abordagem da fé, confrontando as contradições inerentes à igreja católica enquanto instituição. O roteiro habilmente mescla questões teológicas com as complexidades humanas, revelando a força devastadora das palavras institucionais e suas consequências de exclusão e preconceito. O filme nos leva a refletir e questionar a capacidade da igreja de acolher verdadeiramente aqueles que mais necessitam de redenção.
No entanto, o filme enfrenta alguns desafios em sua resolução. A mudança súbita de estilo adotada no desfecho cria uma ruptura na narrativa, afastando-se da estrutura tradicional estabelecida anteriormente. Essa escolha ambígua pode deixar uma sensação de que o final não se encaixa perfeitamente na narrativa como um todo, deixando uma sensação de falta de coesão narrativa.
No entanto, apesar desse pequeno tropeço, Corpus Christi é uma obra cinematográfica que vale a pena ser explorada. Sua profundidade temática, atuações cativantes e abordagem instigante da fé proporcionam uma experiência cinematográfica intensa e provocadora. Jan Komasa e sua equipe conseguem capturar a complexidade da jornada de redenção de Daniel e oferecem um olhar crítico sobre as contradições da igreja católica e seus desafios na busca pela verdadeira compaixão e acolhimento.
Corpus Christi é uma obra que desperta reflexões sobre a natureza humana, a dualidade entre o bem e o mal e a capacidade de transformação. Embora não seja isenta de falhas, o filme deixa sua marca e convida o público a questionar as estruturas estabelecidas em busca de um entendimento mais profundo sobre as responsabilidades de lidar com a fé.
Corpus Christi (Corpus Christi - 2019, Polônia)
Direção: Jan Komasa
Roteiro: Mateusz Pacewicz
Com: Bartosz Bielenia, Eliza Rycembel, Aleksandra Konieczna
Duração: 115 min.
Ari Cabral
Bacharel em Publicidade e Propaganda, profissional desde 2000, especialista em tratamento de imagem e direção de arte. Com experiência também em redes sociais, edição de vídeo e animação, fez ainda um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Cinéfilo, aprendeu a ser notívago assistindo TV de madrugada, o único espaço para filmes legendados na TV aberta.
Corpus Christi
2023-06-05T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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