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E.T. - O Extraterrestre
E.T. - O Extraterrestre
A obra-prima de Steven Spielberg, E.T. – O Extraterrestre (1982), é uma dessas raridades no cinema que consegue atravessar gerações, mantendo sua relevância e impacto emocional. Lançado há mais de quatro décadas, o filme continua a encantar tanto novos espectadores quanto aqueles que o assistiram em sua infância. Spielberg, que já havia explorado temas extraterrestres em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), alcançou em E.T. um equilíbrio perfeito entre fantasia e realidade, criando uma narrativa de amizade e descoberta que toca profundamente.
O enredo de E.T. é, à primeira vista, simples: um alienígena fica acidentalmente preso na Terra e é acolhido por um garoto de dez anos, Elliot (Henry Thomas), que está lidando com as emoções complexas do divórcio dos pais. Essa premissa básica, no entanto, é o que permite ao filme explorar temas universais de maneira direta e eficaz. A solidão de Elliot e a inocência pura de E.T. criam um vínculo que transcende as barreiras de comunicação, mostrando que a amizade e o cuidado não conhecem fronteiras.
As atuações no filme são um dos pilares de seu sucesso duradouro. Henry Thomas, como Elliot, entrega uma performance que é ao mesmo tempo vulnerável e corajosa, capturando perfeitamente o espírito curioso e determinado de uma criança. Drew Barrymore, em um de seus primeiros papéis como Gertie, a irmã mais nova de Elliot, traz uma energia encantadora e genuína que adiciona leveza e humor à narrativa. Robert MacNaughton, como Michael, o irmão mais velho, complementa o trio com uma atuação que equilibra responsabilidade e cumplicidade juvenil.
A direção de Spielberg é magistral em E.T.. Ele consegue criar um ambiente onde a fantasia parece inteiramente plausível, utilizando efeitos especiais que, para a época, eram revolucionários. O uso do animatrônico para dar vida a E.T., criado por Carlo Rambaldi, é uma conquista técnica notável que ainda hoje impressiona pela expressividade e realismo. Spielberg optou por filmar grande parte das cenas em ordem cronológica, o que ajudou a construir uma química natural entre o elenco infantil e a fortalecer as performances emocionais ao longo do filme.
A trilha sonora de John Williams merece um destaque especial. "Flying Theme" tornou-se uma das composições mais icônicas do cinema, capturando perfeitamente o senso de maravilha e aventura que permeia o filme. Williams, com sua habilidade inata de traduzir emoções complexas em música, cria uma atmosfera que eleva cada cena, fazendo com que o espectador sinta cada momento de alegria, medo e tristeza junto com os personagens.
Um dos momentos mais marcantes de E.T. é, sem dúvida, a cena das bicicletas voadoras. Esta sequência não só se tornou um símbolo do filme, mas também da capacidade do cinema de transformar sonhos em realidade. A imagem de Elliot e seus amigos voando pelo céu noturno, com E.T. no cesto da bicicleta, é uma metáfora poderosa para a força e o poder da amizade. Esse é um momento que resume a magia do filme para todas as idades.
No entanto, em E.T., algumas revisões feitas são passíveis de críticas. Além disso, a decisão de substituir as armas dos agentes federais por walkie-talkies e de adicionar um E.T. feito em CGI na reedição de 2002 foi controversa, sendo considerada por alguns como um exemplo de revisionismo excessivo que desrespeita a integridade original da obra.
Ainda assim, esses pontos negativos são ofuscados pelos inúmeros aspectos positivos do filme. E.T. é uma aula de como o cinema pode ser usado para contar histórias que são ao mesmo tempo simples e profundamente significativas. Ele desconstrói a percepção tradicional de alienígenas como ameaças, apresentando-os como seres que, assim como nós, buscam conexão e compreensão. Esta abordagem inovadora e humanizadora foi crucial para o sucesso do filme e ajudou a redefinir o gênero de ficção científica.
A rejeição inicial da Columbia Pictures, que não acreditava no potencial do filme por considerá-lo demasiadamente infantil, é hoje uma nota de rodapé irônica na história de Hollywood. E.T. tornou-se um fenômeno cultural, arrecadando mais de 350 milhões de dólares nos Estados Unidos e mais de 300 milhões em todo o mundo, sem contar os ganhos adicionais de seus inúmeros relançamentos.
Em resumo, E.T. – O Extraterrestre é uma homenagem à imaginação infantil e à pureza das primeiras amizades. Spielberg captura a essência da infância de forma inigualável, convidando-nos a redescobrir a maravilha e a inocência através dos olhos de Elliot e E.T. O filme é um testemunho do poder do cinema de nos transportar para outros mundos, ao mesmo tempo em que nos faz refletir sobre o nosso próprio. Ele permanece, após todos esses anos, uma obra fundamental, um dos maiores clássicos do cinema de todos os tempos.
E.T. – O Extraterrestre (E.T. the Extra-Terrestrial, 1982 / EUA)
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Melissa Mathison
Com: Henry Thomas, Robert MacNaughton, Drew Barrymore, Dee Wallace, Peter Coyote
Duração: 115 min.
Bacharel em Publicidade e Propaganda desde 2000 e atuante na área, alia técnica e criatividade em tudo o que faz. Cinéfilo de carteirinha, Ari se apaixonou pelo cinema nas madrugadas da TV, onde filmes clássicos moldaram seu olhar crítico e sua veia artística, inspirando-o a participar de um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Histórias são a alma de sua trajetória. Jogador de RPG há mais de 30 anos, decidiu unir sua experiência como roteirista e crítico e sua determinação para escrever livros e materializar suas ideias. Seu primeiro livro, Corrida para Kuélap, está disponível para venda para Kindle. E é só o começo.
E.T. - O Extraterrestre
2024-08-14T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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