26/01/2009

Nosso Blockbuster

Se eu fosse você Em 2006, Daniel Filho levou as cinemas o que seria mais uma de suas comédias românticas, com atores globais, piadas divertidas, dancinhas engraçadas e uma história leve para toda a família. Porém, Se eu fosse você foi além de todas as expectativas do gênero, levando 3.644.956 espectadores aos cinemas. O maior público daquele ano. Glória Pires e Tony Ramos, atores de grande talento, conseguiram o tom certo para a história de Cláudio e Helena, um casal que troca de corpo sem razão aparente e tem que viver a vida um do outro. O argumento não tem absolutamente nada de novo, várias versões já foram feitas sobre o mesmo tema. Ainda assim, rendeu tanto sucesso que o público não ficaria satisfeito apenas com uma dose.


Em um acontecimento inédito no cinema brasileiro, um filme comercial (sem ser produto televisivo, nem infantil) tem uma continuação pautada exclusivamente em seu sucesso de público. E o mais incrível: com total êxito. Recorde de bilheteria em sua estréia, com 570 mil espectadores, já chegou a impressionante marca de 2,4 milhões de espectadores, batendo filmes como Tropa de Elite. Tudo isso com apenas três semanas.

Se eu fosse vocêComo a maioria das pessoas, tenho um pé atrás em relação a continuações. São sempre mais do mesmo, com piadas requentadas e uma dose oportunismo. Os americanos são experts nisso. Basta um filme fazer sucesso que lá vem o 2, 3, 4 e sabe-se lá o quê. Mas, apesar de todo o preconceito, Se eu fosse você 2 vale a pena. Primeiro porque temos dois grande atores, ainda mais a vontade em seus papéis invertidos. Depois, porque a história consegue inovar em cima do mesmo tema, trazendo situações extras, tão ou mais hilárias que o primeiro. Na realidade, o filme é uma comédia de situação (sitcom) que fala da necessidade de se colocar no papel do outro para resolver os problemas e as diferenças. Em uma crise maior que a do primeiro filme, o casal desta vez está pedindo o divórcio e até por isso, a troca é ainda mais inusitada. E vale a diversão.

O resto do elenco está praticamente trocado: Glória Menezes, Ary Fontoura e Patrícia Pilar envolvidos com as gravações da novela A Favorita, não puderam participar. E coube a nomes como Cássio Cabus Mendes, Vivianne Pasmanter e Chico Anísio dar o suporte à dupla. Sinceramente, o primeiro time era melhor, mesmo assim, o filme consegue ser leve e não torna-se repetitivo. Direção e fotografia, nada de mais, apenas cumprindo o papel do gênero. Mas, afinal é uma comédia romântica. Sessão da tarde, mas das mais divertidas e o melhor: nacional. Se damos tanto dinheiro para besteiras americanas, por que não para o nosso próprio cinema?


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

6 opiniões:

Cecilia Barroso disse...

Eu gostei mais do segundo filme do que do primeiro.

Penso como você... A gente paga para ver essas porcarias americanas mas não pensa duas vezes antes de meter o pau só porque o filme é brasileiro.

27 de janeiro de 2009 00:14
Amanda Aouad disse...

Da história, eu também preferi o segundo, Cecilia, só achei o elenco do primeiro melhor. Cássio Cabus Mendes está over (e olha que acho excelente ator), Marcos Paulo só faz pose e Chico Anysio não é dos meus preferidos.

27 de janeiro de 2009 15:07
Robin disse...

Gosto muito das comédias de Daniel Filho. Acho que o preconceito com o cinema nacional não tem nada a ver. A gente ainda não tem uma indústria firme em cinema porque os brasileiros não apóiam.

27 de janeiro de 2009 22:49
Falando em Série... disse...

Fui infectado pelo virus americano de um modo que não consigo gostar de filmes nacionais, salvo algumas exceções. Quando a Se Eu Fosse Você 2, confesso que assisti na semana da estréia, por de vez enquanto assistir um filme que não precisa pensar é bom demais!

29 de janeiro de 2009 12:06
Nobre disse...

olha, eu tô sinceramente cansadão de querer locar um DVD na locadora em um momento em que eu quero descansar a cabeça e quando eu vejo títulos brasileiros, só encontro filmes que tem a "intenção" de serem cabeças (mesmo sem nunca terem sido) ou a estética de "favela para gringo ver" mascarado de "cine-realidade" que eu, sinceramente, já estou com repulsa. tanto que não sou só eu.

por exemplo, os donos de UMA DAS LOCADORAS onde atualizo a minha lista de filmes vistos dizem que cada vez que chega o representante comercial dos DVDs e está escrito que o país de origem do filme é BRASIL, eles pensam duas vezes antes de comprar o mesmo ou esperam um monte de tempo até baixarem os valores. pois as locações são ínfimas e não retornam o investimento feito na compra do DVD que todos sabem são adquiridos a um preço mais caro do que se comprarmos o filme em uma loja (original, diga-se de passagem).

quando eu fui locar "Se eu fosse você 2" na semana passada, apurei que a locadora havia comprado 3 cópias desse título nacional. um número realmente muito bom que mesmo sendo nacional foi feita a compra de mais de uma unidade pela previsão de grande demanda. mas ainda falta um bom chão de um título brasileiro repetir números de compra de cópias tal como eles fizeram de "Marley & Eu" (confesso, chorei e me atirei no chão quando o cusco morreu!) ao adquirirem 9 cópias em DVD e mais 3 em Blue-Ray.

um proprietário de locadora me disse certa feita que teve um filme americano que no elenco tinha Alice Braga e Rodrigo Santoro (se alguém lembrar o título e quiser comentar o que achou, manda bala aqui no blog da Amanda). mas bastou chegar em DVD e os produtores, achando que iam abafar, resolveram colocar nossos dois atores nacionais na capa para fazer "chamarisco". resultado: está na lista dos menos locados independente dos que o assistiram terem gostado ou não.

quer dizer, ainda tem MUITO a ser feito para comprovar que o preconceito aos filmes brasileiros "já era". não vou ser hipócrita não: tenho um pé atras ainda ao ver um. pensamento esse que acredito eu que seja herança das pornochanchadas.

SOBRE SE EU FOSSE VOCÊ 2: tudo de bom! serei repetitivo: Glória Menezes e Patrícia Pillar fizeram falta, mas é um dos RARÍSSIMOS casos em que o segundo é melhor do que o primeiro.

Um abraço

Nobrezito

9 de junho de 2009 16:37
Amanda Aouad disse...

Nobrezito, vc tem toda razão, temos que ter variedade de temas. Quanto ao filme de Rodrigo Santoro e Alice Braga, aqui chama-se Cinturão Vermelho (Redbelt). Ainda não assisti, não por causa da presença dos dois, mas a sinopse não me agradou muito. Quando assistir escrevo aqui.

9 de junho de 2009 17:32

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