Grandes Cenas: Fale com ela

A cena de hoje foi uma sugestão de Lhais, se você tiver também uma cena favorita no cinema, comente que, na medida do possível, eu posto aqui.



Fale com ElaFale com Ela (2002) é um filme de Pedro Almodóvar[bb] que fala do universo feminino de uma forma totalmente inusitada. As duas protagonistas estão em coma, em um hospital, e a história é narrada através dos dois homens que as amam e aguardam que elas acordem. Benigno, enfermeiro do hospital, nutre uma paixão platônica por Alicia, de quem cuida com devoção exagerada. Marco é um jornalista que tenta esquecer um amor mal sucedido quando conhece a toureira Lydia, em destaque na imprensa pelo término do seu romance com outro toureiro: "El Niño de Valência". O título do filme é o conselho que Benigno dá ao homem que acaba tornando-se seu amigo. "Fale com ela. De uma certa maneira ela irá ouvir."

Mesmo com as cores fortes, tão características do diretor, o filme não traz personagens tão exacerbados. Eles sofrem por amor, mas um amor mais contido. Mesmo em meio aos rompantes suicidas de Lydia, tudo é feito com mais plástica e poesia. A cena a ser analisada é o momento em que ela, perigosamente, doma o touro fazendo com que ele se aproxime o máximo dela. A toureira acabou de dar uma entrevista, onde a repórter falou abertamente do sofrimento da moça em relação ao término do namoro, dizendo que El Niño a usou para obter fama. Lydia irrita-se e sai no meio da entrevista, deixando a entrevistadora quase caída no chão.

A cena da tourada, ao contrário, é bela, plástica. Faço um parêntese aqui para dizer que não suporto touradas, o pobre bicho é maltratado para ficar nervoso, apenas para divertir meia dúzia de gente. Mas, enfim, a grande sacada do filme é o contraste das emoções de Lydia, da dureza e sofrimento do touro, de El Nino na platéia e da música, uma declaração de amor.

Aqui outra pausa para o efeito na platéia brasileira. Vi o filme no cinema e quando esta cena começou, o burburinho foi inevitável vários sons tímidos ecoando em surpresa: Elis?! Elis?! Elis?! Realmente, ouvir Elis Regina é sempre uma grata surpresa, ainda mais em um filme de Almodóvar. A música era "Por toda a minha vida" de Tom Jobim. E, como já falei, faz uma declaração de amor eterno. Amor de Lydia por El Niño e pelo touro, por aquilo que ela é e representa naquela arena.

Seus movimentos em câmera lenta, em um balé com o touro dão uma sensação de emoção contraditória na pláteia, que teme pela protagonista, já sabe que ela vai acabar em coma. E ao mesmo tempo de prazer que a música e a dança proporcionam. Desnecessária a conversa entre El Niño e seu acessor no meio, interrompendo aquele momento íntimo apenas para explicar que Lydia está ali, se arriscando, para chamar sua atenção e de certa forma se vingar do homem que a deixou.

O contraste de luz e sombra realçam a plástica da cena, além do sangue escorrendo do touro, que simbolicamente escorre também de Lydia, ferida por dentro. A câmera procura o touro, realçando o balé e deixando a platéia nervosa sem saber se aquele é o momento em que Lydia irá sucumbir. A imagem de Lydia, no entanto, continua impassível, segura de si e surpreendentemente forte.

Fale com Ela: Lydia doma o touro
A cena é pura emoção, feita para provocar efeitos contraditórios na platéia. Vale mais a pena vê-la do que falar sobre ela.

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Valsa com Bashir

poster Valsa com BashirConversando com um amigo que tem um sonho recorrente, Ari Folman, cineasta israelense, percebe que não tem lembranças sobre sua passagem na primeira Guerra no Líbano no início dos anos oitenta. Após a conversa, apenas uma imagem vaga saindo do oceano, vendo a cidade destruída e mulheres palestinas correndo desesperadas.

Este é o mote do filme, Valsa com Bashir, que tem de mais inusitado o fato de ser um documentário todo em animação. Um doc-drama, na verdade, já que há muitas imagens oníricas, simulação de cenas e uma narrativa forte. Porém, o formato é bastante documental, tendo inclusive entrevistas com ex-combatentes, com o cuidado de por legendas e enquadrar como algo real. Ari Folman vai em busca de seus companheiros de guerra, entrevistando-os, na tentativa de recordar sua vivência. Aos poucos, sua memória vai voltando e ele vai narrando suas emoções.

O mote principal é o massacre ocorrido em Sabra e Shatila, em 1982. Nos dias 15 e 16 de setembro daquele ano, uma milícia libanesa cristã-falangista, revoltada com a morte de seu líder Bashir Gemayel, executou milhares de refugiados palestinos com o aval do exército de Israel. Com isso, o filme faz uma reflexão e mostra a insensatez da guerra.

Merecido o prêmio de melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro. E apesar de perder o Oscar para Okuribito (Japão) não perdeu seu brilho nem a importância. O desenho realista e a direção impressionam, deixando o espectador preso à narrativa e podendo conhecer um pouco mais sobre o ocorrido nas missões. O recurso de cores, mais vibrantes em cenas alegres e opaca nas cenas mais densas, além das possibilidades de uma animação, apenas enriquecem a trama. É sem dúvidas, um belo filme. De uma realidade triste, medonha, mas ainda assim um belo filme.

O susto fica para o final. E se quiser ser surpreendido, não leia o que está em preto (para ler selecione o espaço com o mouse), mas aviso que é chocante e você sai do cinema com um certo sabor amargo e depressivo. E saber disso, não chega a estragar a experiência fílmica. Já vi algumas críticas pela net que contam esse final. Exatamente pelo recurso mais ameno da animação, Ari Folman percebe que o desenho acaba não dando a dimensão exata do sofrimento daquelas pessoas e sem aviso, transporta a animação para imagens de arquivo, deprimentes, tristes, que deixam a noção exata de que a guerra é a maior de todas as sandices humanas.

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Enquanto isso, em Cannes

Sessão de gala de "À Deriva" termina com mais de cinco minutos de aplausos

Bastante conceituado e bem sucedido pela direção do filme O Cheiro do Ralo, Heitor Dhalia conseguiu com À Deriva chamar a atenção da crítica internacional sendo bastante bem recebido na mostra Um Certo Olhar do 62º Festival de Cannes. "Parece uma história leve, mas é muito mais profundo do que parece. Fala de família, que é o grande tema universal e esse é um tópico delicado para todo mundo", nas palavras do diretor. Dramas pessoais feitos de forma sensível, sempre geraram bons filmes. A nós, resta a espera da estreia aqui em terras tupiniquins.



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Três documentários e duas ficções...

Como diz a gíria popular, o cinema nacional está "bombando". Cinco bons filmes estão ao acesso do público atualmente, então resolvi colocar um post apenas com indicações. Posteriormente, alguns deles poderão ter críticas exclusivas. Porém, o importante é: vamos ao cinema ver filmes nacionais, ajuda o nosso cinema, com renda e notícias, além de ser um bom entretenimento para todos.

Palavra (En) cantada - Helena Solberg
O filme é um belo documentário que une música e literatura em uma reflexão sobre a língua portuguesa e a transposição dos meios. Conta com a presença de depoentes ilustres e os costura de forma harmônica, não nos fazendo perceber o tempo passar. Além da presença de Chico Buarque, Lenine, Adriana Calcanhoto, Tom Zé, Martinho da Vila, Maria Bethânia e outros, temos pérolas de arquivo, como Caymmi em uma imagem recuperada, Waly Salomão, Hilda Hilst, Vinícius e Cartola. Sem dúvidas, um programa para enriquecer a mente.



Simonal - Ninguém sabe o duro que dei - Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal.
Documentário também é homenagem e tem valor histórico. Se tem um artista que virou mito e tabu no Brasil, este foi Wilson Simonal. Acusado de "dedo-duro" da ditadura, viu sua carreira desmoronar da noite para o dia e nunca conseguiu se reerguer. Anos depois, ainda é difícil falar sobre ele sem gerar constrangimentos. Este documentário traz sua trajetória da glória ao ostracismo de uma maneira direta, honesta e bastante interessante. Merece ser visto, mesmo que você não acredite em um "Casseta" como diretor, ou ache que Simonal foi mesmo um anti-patriota.



Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado - Joel Zito Araújo
Completando a lista dos documentários, este que ainda estreia em todo país na sexta-feira, mas já teve pré-estreias com a presença do diretor em várias partes do país, incluindo Salvador. O filme retrata o sonho de milhares de meninas no Brasil que fazem turismo sexual tentando casar-se com um estrangeiro rico. Forte, o documentário mostra a realidade e expõe o descaso da justiça brasileira em relação ao tema, principalmente no depoimento da senadora cearense Patrícia Saboya.



A Mulher Invisível - Cláudio Torres
Mais um comédia de bom gosto do cinema nacional. Pedro (Selton Melo muito bem no papel) após uma desilusão amorosa conhece uma mulher ideal, a suposta vizinha Amanda, vivida por Luana Piovani. O rapaz acredita que encontrou a mulher de sua vida até que percebe que apenas ele consegue vê-la. Surgem, então, as situações mais inusitadas, levando o público a um bom entretenimento. É bom que estejamos fazendo boas comédias, comerciais, só espero que outros gêneros comecem a encher as telas também.



Budapeste - Walter Carvalho
Sim, vou indicar Budapeste, reclamei acima que não queria filmes nacionais apenas no gênero comédia, então, a adaptação do livro homônimo de Chico Buarque não poderia ter passado despercebida. O resultado na tela não é tão belo quanto nas páginas do livro, mas como adaptar um livro que tem na metalinguagem sua essência? Talvez, por tentar ser fiel demais a obra, Walter Carvalho e a roteirista Rita Buzzar não tenham sido tão felizes. Mesmo assim, a experiência é válida, com belas imagens e uma desconstrução interessante, viajamos na busca do personagem principal Costa, que se descobre dividido em duas cidades.



E sem esquecer de Divã, que continua em cartaz com ótima bilheteria.

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Star Trek - Um novo começo

Este poderia ser o subtítulo do décimo primeiro filme da franquia mais cultuada da ficção científica. J.J. Abrams[bb] se utiliza de sua principal arma em Lost, a viagem no tempo, para embaralhar e reconstruir tudo aquilo que conhecemos e conseguir um feito inédito. Agradar a gregos e troianos. Por quê? Pelo simples fato de que traz o gostinho saudosista aos fãs que vêem seus personagens preferidos personificados em versões juvenis impressionantemente bem caracterizados, mas cria uma história atual, com efeitos visuais, ação e ritmo que empolga a qualquer cinéfilo interessado em ficção científica. Não é a toa que se tornou um midas de Hollywood, fadado ao sucesso.

Bom, como fã da série clássica, e mais uma vez repito, apenas da série clássica já que a nova geração nunca me empolgou, devo confessar que senti falta daqueles roteiros mais inteligentes, onde a trama gerada em torno de enigmas, sem apelar para tantos efeitos especiais. Porém, não sou tola e entendo perfeitamente que os tempos são outros. A linguagem cinematográfica mudou com a tecnologia e não dá mais para criar filmes de ação e ficção científica sem apelar para explosões, lutas, perseguições e cenas surpreendentes. A destruição de um planeta é algo marcante, que jamais seria possível sem a tecnologia atual.

Os personagens estão todos lá, Uhura, Kirk, Scotty, Spock, McCoy, Sulu e Checkov. Mesmo com a mudança no tempo-espaço, a personalidade de todos ficou intacta, dando a sensação do momento histórico que o espectador está presenciando, mesmo que os personagens não tenham a noção disso. Mesmo, Chris Pine não tendo o charme de William Shatner, sua interpretação do eterno capitão arrogante e impulsivo está convincente. Mas, o destaque é mesmo Spock, apesar dos resquícios de Sylar, Zachary Quinto encarna a personalidade turbulenta do meio humano, meio vulcano que está sempre entre a lógica e pequenas manifestações de emoções. Nem mesmo quando Leonard Nimoy surge na tela com a frase: "Eu sou Spock", o que causa emoção em qualquer fã do personagem, Quinto não perde sua vez. Ambos, agora, são Spock.

A história em si é conduzida por uma nave romulana que volta ao passado para uma vingança pessoal e acaba embaralhando a história, alterando fatos e matando personagens décadas antes da hora. Cabe aos tripulantes da Enterprise lutar para que eles também não destruam o planeta Terra, reequilibrando o sistema e conduzindo a nova história. É difícil falar do enredo sem se trair com um pequeno detalhe que possa estragar a surpresa, então, vão ao cinema.

Apenas um comentário final, que acredito não estrague em nada. O filme termina com Leonard Nimoy narrando o texto imortalizado por William Shatner que começava todos os episódios da série clássica. Uma sensação boa de nostalgia que dá abertura para um novo começo de uma saga já imortalizada.

“Espaço, a fronteira final ... estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão para explorar novos e estranhos mundos, para pesquisar novas formas de vida e novas civilizações... Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve!”

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Crepúsculo dos Deuses - com spoilers

“O roteiro é o princípio de um processo visual e não o final de um processo literário”. (Comparato, 1993, p.16).


O que faz uma história merecer ser contada? Uma pergunta aparentemente complexa, mas com uma resposta muito simples: a quebra da normalidade (Duarte, 2006). Não importa o tema, a intenção, o gênero, toda história começa bem até que... algo acontece. E é este algo que irá ser desenvolvido até a resolução do mesmo.

E por onde se começa? Muitos manuais afirmam que se deve começar pelo fim. Sabendo-se onde quer chegar, conseguimos traçar o caminho até ele. Mas, precisamos de um ponto de partida. Analisando Crepúsculo dos Deuses (1950), podemos afirmar que os roteiristas tinham um tema a desenvolver: a decadência do cinema mudo e de suas estrelas. Daí surge Norma Desmond, a grande atriz esquecida que não aceita o fim (“Eu sou grande, os filmes que ficaram pequenos”). Precisava, então, desenvolver esta trama até o ponto em que, totalmente fora da realidade, Norma mata seu amante/roteirista Joe Gillis e se entrega a fantasiosa idéia de estar gravando um filme.

Apesar de começar com a apresentação da cena do crime, Crepúsculo dos Deuses mostra o mundo comum de Joe Gillis, um roteirista endividado, a procura de uma oportunidade e desesperado para não perder seu carro para os credores. O primeiro ato consiste em sua luta por ajuda, seja com seu agente, com o estúdio da Paramount, MGM ou amigos. Desesperado ele foge dos credores indo parar em uma mansão na Av. Sunset Boulevard, onde conhece Norma Desmond e é contratado. Aqui temos o ponto de partida. Tudo mudou na vida do protagonista. Ele se muda para mansão e começa a trabalhar no roteiro de Salomé que marcaria a volta da estrela as telas. O segundo ato é o desenvolvimento deste acordo e suas conseqüências, culminando no clímax que é o assassinato de Joe. O terceiro ato é a loucura final de Norma Desmond, culminando em sua descida triunfal para a cadeia (que ela imagina ser a gravação da primeira cena de seu filme).

Já havia sido anunciado o assassinato no início do filme, logo não há surpresa, mas não estávamos certos em relação ao assassino. Poderia ser o fiel Max, o mordomo que se revelou o primeiro diretor e marido da atriz. Qualquer credor, Artie (o noivo traído) ou a própria Bete. O fato é que Norma Desmond foi escalando a loucura até o seu desfecho, a descida como se estivesse em um filme. Esta é a cena surpreendente, que satisfaz o espectador.

Durante toda a projeção, ficamos esperando o momento em que Norma descobrirá toda a fantasia criada por Max, ou então, que algum estúdio por pena a coloque em uma ponta de um filme. Esta seria nossa cena obrigatória. A essa altura, ela é nossa protagonista, já sabemos que Joe Gillis termina morto em uma piscina, mas imaginamos milhares de finais para Norma Desmond. A graça da cena obrigatória é exatamente o que ocorre aqui, ela não acontece. Ao contrário, vem algo inusitado. Norma presa, mas de uma forma fantasiosa consegue concretizar seu sonho de encenar Salomé.

Isto é o que torna o filme inesquecível. Toda a construção do roteiro tornou Crepúsculo dos Deuses um clássico do cinema, relembrado até hoje e vencedor do Oscar de melhor roteiro.

Assustadoramente, encontrei o filme na íntegra no Youtube. Aqui a primeira das nove partes:

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Filhas do Vento

A Rede Globo exibe na madrugada de hoje Filhas do Vento. Único filme de ficção de Joel Zito Araújo até então, o longa ganhou diversos prêmios como 32º Festival de Gramado, de onde saiu vencedor de 8 Kikitos. Mesmo assim, é um filme polêmico, onde uns adoram e outros não suportam, como o crítico Rubens Ewald Filho que insinuou que os prêmios de Gramado foram dados apenas porque o elenco era todo negro.

O filme é panfletário da causa negra, não há como negar. Joel Zito Araújo sempre foi um ativista da causa, pesquisando e produzindo obras sobre o racismo velado que existe no Brasil. Sua obra de maior impacto foi resultado de anos de pesquisa sobre a participação do negro nas telenovelas brasileiras. A Negação do Brasil virou documentário e livro, mostrando que cabe ao negro apenas papéis secundários como escravo, empregado ou marginal. Como grande pesquisador de telenovelas era natural também que seu primeiro filme[bb] de ficção tivesse muito dessa linguagem. A movimentação de câmera, a trilha sonora sempre exacerbada, a construção dramatúrgica do melodrama clássico. Mesmo assim, há méritos em Filhas do Vento.

O filme é sensível e mostra o reencontro de duas irmãs após 45 anos. Podendo retratar o drama de qualquer mulher, mostra as consequências da escravidão e do racismo de forma sutil naquela sociedade. Após a morte do pai, Cida e Jú têm que lidar com o rancor dos acontecimentos passados e reencontrar o amor mútuo em família. O roteiro é bem construído e vai dosando a emoção no expectador que se envolve com o drama, sonhos e frustrações daquelas mulheres.

Porém, o engajamento é tímido, sutil como é o racismo no país. Aqui não temos uma luta de classes declarada com nos EUA, por exemplo. Somos um país dito liberal, de um povo aparentemente sem preconceitos. Isso foi o que Joel sempre procurou mostrar em seus trabalhos. Logo, no momento de contra-atacar, ele acabou caindo na mesma sutileza. Não expôs os fatos de maneira clara e perdeu a oportunidade de tocar no assunto de forma mais consistente. Ainda assim, é um começo. O elenco, quase todo negro e a história de uma família que poderia ser branca, azul ou amarela, mostra que todos têm direitos a grandes papéis.

Outro grande mérito do filme foi produzir uma boa obra, e tantos prêmios, com um baixo orçamento. Talvez pela experiência com documentários, Joel Zito Araújo não abusou nos recursos em seu filme de ficção. Uma pena é que ele não tenha insistido no gênero, já que após cinco anos, está novamente lançando um documentário.

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Mostra 50 anos do Cinema Baiano

Durante a VII Semana Nacional de Museus, que ocorre de 17 a 23/05 no Palacete das Artes Rodin Bahia, será feita uma homenagem aos 50 anos do cinema baiano.

Com o intuito de disseminar obras de grande representatividade no cenário local, que ainda são pouco conhecidas pelo grande público, todos os dias, sempre as 19h serão exibidos filmes marcantes de diversos realizadores da Bahia. Na sexta-feira, último dia do evento, ocorrerá uma palestra do crítico André Setaro: O cinema baiano sob o olhar de André Setaro. Neste dia, a exibição do filme ocorrerá as 20:40, após a palestra.

Mostra do Cinema Baiano
Local: Espaço de Artes Rodin
Horário: 19h (exceto na sexta-feira, que serás 20:40, após palestra de André Setaro)
Filmes:
Segunda-Feira: A Grande Feira (1961), de Roberto Pires
Terça-Feira: Tocaia no Asfalto (1962), de Roberto Pires
Quarta-Feira: Deus e O Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha
Quinta-Feira: Metereorango Kid, o Herói Intergalático (1969), de André Luiz Oliveira
Sexta-Feira: Eu Me Lembro (2005),de Edgard Navarro

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Grandes Cenas: Sociedade dos Poetas Mortos

Sociedade dos Poetas MortosEm 1989, Peter Weir dirigiu um filme muito diferente do seu maior sucesso até então, A Testemunha. Um melodrama sensível, que falava de sonhos e vontade de viver a vida. Em um conservador colégio, chega um professor diferente. Carismático, Mr. Keating (Capitan) quer ensinar aos jovens a pensar por si só e viver a vida intensamente. Suas aulas mexem profundamente com alguns alunos, mas mexe com a ortodoxa tradição da escola, gerando problemas.

Um dos principais alunos envolvidos na grande mudança é Todd, o tímido garoto interpretado por Ethan Hawke. Escolhi então, a cena em que ele aprende a "fazer" poesia, sem se importar com críticas para análise.

Keating havia pedido que cada aluno levasse uma poesia para ler em voz alta, após muitas tentativas, Todd desistiu e apenas assumiu que não havia feito nada. O professor percebe que o problema do garoto é auto-estima baixa e resolve lhe dar uma lição. Interessante perceber o enquadramento da câmera quando Keating chama Todd, sempre subjetiva, vendo Todd de cima para baixo, dando a sensação de inferioridade. E o professor de baixo para cima, dando a impressão de austeridade, força, como gostava o realismo alemão.

Pedindo que ele vá a frente da sala, o professsor começa soltando sua tensão e pedindo para ele gritar. Sem graça, Todd começa, sem muita força e o professor insiste até que consegue que ele grite. A partir daí começa o processo criativo. A câmera começa a rodar em torno dos dois, dando uma sensação solta, perdida, tal qual Todd deve estar se sentindo. Mr. Keating vai circulando ao redor de Todd, a câmera também, só que em outro ritmo, e ele vai perguntando coisas que possam vir a cabeça do garoto em relação a um retrato na sala. O jogo de palavras vai se formando.

O professor, então, pede que Todd feche os olhos e descreva o que vê. Nervoso, Todd começa a soltar as palavras. A câmera continua rodando, Mr. Keating segura os olhos de Todd e roda com ele e continua lhe fazendo perguntas. Até sentir que o garoto pegou o ritmo, então, se afasta e ouve a poesia junto com os outros alunos, maravilhado. Após o final, todos batem palma. E Mr. Keating finaliza, "nunca esqueça isso".


Nunca esqueça o quê? Que a poesia é sentimento, solto, sem preparo, expressão pura e bela. Há beleza nas palavras, mesmo que não seja um profissional. Mais tarde, o garoto vai mostrar ao Capitan que aprendeu a lição, não digo como para não estragar o momento de quem não tenha visto o filme.

Robin Williams já provou que não é um ator apenas de comédia. Denso, versátil, sabe dosar a emoção com pequenos gestos, olhar e sorriso. Como o professor Keating ele incorpora o próprio herói, grande homem obstinado, ídolo e exemplo de todos. Não é a toa que arrebatou espectadores no mundo inteiro. Nesta cena específica, ele conduz a ação de forma simples, ágil, dando a emoção necessária para que todos se envolvam no processo de criação da poesia. Já Ethan Hawke, conhecido na época por seu papel infantil em Viagem ao Mundo dos Sonhos, demonstrou talento para fortes emoções e soube defender seu tímido Todd com muita expressividade. Não é a toa que de todos os "poetas mortos" foi o único a ter uma carreira expressiva em Hollywood.

É interessante perceber também a direção, sempre buscando que o movimento de câmera interaja na ação, sempre dinâmica, o que por vezes incomoda, mas nessa cena funciona, já que a confusão de Todd nos é passada por essa proliferação de movimentos.

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Notícias de Festivais

Hoje vamos dar notas sobre algumas coisas legais que estão acontecendo...

Festival de Cannes
Começa hoje o Festival de Cannes, sempre uma vitrine de grande badalação, tem esse ano Pedro Almodóvar com Los Abrazos Rotos e Isabel Coixet com Mapa de Los Sonidos de Tokyo concorrendo à Palma de Ouro, que se vencido quebrará um tabu, já que nenhum diretor espanhol vence desde 1961 (Buñuel). Outro destaque é Quentin Tarantino com Inglorious Bastards, único representante do cinema americano na disputa, o filme sobre a Segunda Guerra Mundial, onde Brad Pitt lidera um grupo judeu que quer se vingar do holocausto. Sem nenhum representante na disputa principal, o Brasil será representado por À Deriva de Heitor Dhalia na mostra Um Certo Olhar, que faz parte da seleção oficial. A Palma de Ouro será anunciada dia 24 de maio... Alguém aí me manda pra França? hehehe.



Grande Prêmio Festival do Júri Popular
O Guarani, curta baiano de Cláudio Marques e Marília Hughes foi o grande vencedor do Prêmio que apresenta em diversas cidades brasileiras alguns dos melhores curtas-metragens da recente produção nacional. Após a exibição, o público presente votava em 13 categorias. O Guarani foi o mais votado pelo público em três cidades (Salvador, Curitiba e João Pessoa), e acabou como o mais lembrado na soma geral dos votos das 18 cidades onde o Festival foi exibido. Contando a história do Cine Guarani, atual Espaço Unibanco, Cine Gláuber Rocha, o documentário agradou a todos e está disponível no Site Porta-Curtas, além de ganhar uma nova cópia em 35mm. Outros destaques baianos, o ator Wagner Moura venceu na categoria melhor ator, pelo curta-metragem paulista "Blackout", de Daniel Rezende. Cães, de Adler "Kibe" Paz e Moacyr Gramacho, e “A Cidade Cargueiro”, de Aline Frey, também concorreram entre os 41 curtas selecionados para disputar o Festival.



Cine Ceará
Estão abertas as inscrições para Cine Ceará que terá mais uma vez a disputa do pitching de roteiro. Iniciado em 2006, o pitching premia o melhor argumento para desenvolvimento do roteiro do longa, além de dar uma participação na distribuição que é apoiada pela Globo Filmes. O vencedor de 2006, foi o roteiro Trampolim do Forte, do baiano João Gabriel que terminou as filmagens no final de 2008 e prepara o lançamento para ainda esse ano. O filme conta a história dos garotos de rua que, para esquecer a vida difícil, pulam no mar, ao final do dia, no Porto da Barra.

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Polêmica a vista

E para completar o dia, apenas uma dica de um filme brasileiro que promete gerar muita polêmica, antes mesmo de sua estreia, prevista para o final do ano.

Do Começo ao Fim, novo filme de Aluízio Abranches, conta a história de dois irmãos que nutrem um amor homoerótico. Reunir incesto e homossexualismo em um filme só? Polêmica na certa.

Mas, pelo trailer o assunto parece ser tratado sem apelação, de forma bem delicada. A trajetória do diretor conta com dois dramas fortes. O também polêmico Um copo de cólera, onde o casal Alexandre Borges e Júlia Lemmertz tem uma relação sexual bem real. E As três Marias, onde Marieta Severo manda as filha contratarem matadores para vingar a morte do pai e dos irmãos.

Pelo visto o cinema nacional ainda vai ouvir falar muito de Aluízio Abranches. Confiram o trailer e deixem suas opiniões.

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Eles não usam black-tie

Um dos fundadores do Cinema Novo, Leon Hirszman sempre foi extremamente sensível. Sua direção, com uma linguagem neo-realista e temas relativos à pobreza, sempre retrataram a realidade social brasileira. Assim, em 1981 ele resolveu adaptar para o cinema a peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri, escrita para o Teatro de Arena em 1958.

O filme conta a história de uma família de operários, onde Otávio, o pai, é um ativista politizado, que já foi preso pela ditadura e quer lutar por melhorias da classe enquanto que seu filho, Tião, quer apenas se dar bem na vida. Quando engravida a namorada Maria e tem que casar, acaba tornando-se dedo-duro e fura-greve, decepcionando a todos.

Apesar de pouco conhecido hoje em dia, Eles não usam Black-Tie fez sucesso de público, de crítica nacional e internacional, ganhou prêmios expressivos como o Festival de Veneza. Além de se tornar um marco no cinema político brasileiro. Sua expressividade social e ideológica é tamanha que mesmo hoje, causa impacto. É também precursor, já que fala em greve dois anos depois da primeira grande paralização no ABC paulista.

Mais do que falar apenas da classe operária e dificuldades do povo, o filme traz uma reflexão sobre o nosso papel na vida. Na luta pelos próprios direitos. Na passividade da maioria da população. Na lei da vantagem que muitos gostam de exaltar. Ou seja, os ideais comunistas estão dissolvidos pelas falas e ações do filme, porém de uma maneira salutar, questionadora, que vale a reflexão do mundo em que vivemos. Destaco esta cena específica:



O elenco também chama a atenção. Gianfrancesco Guarnieri, Fernanda Montenegro, Bete Mendes, Milton Gonçalves, Francisco Milani e mesmo Carlos Alberto Riccelli estão muito bem em seus papéis. Com interpretações realistas, comoventes. Um filme que vale a pena ser lembrado, visto e revisto. Cinema nacional[bb] de ótima qualidade.



Prêmios:
Leão de Ouro do Festival de Veneza, 1981; prêmio FIPRESCI (Federação Internacional de Crítica Cinematográfica; prêmio OCIC (Office Catholique International du Cinéma); prêmio AGIS da Banca Nazionale del Lavoro; prêmio FICE (Federação Italiana dos Cinemas de Arte); Grande Prêmio do Festival dos Três Continentes, Nantes, França, 1981; Grande Prêmio Coral do III Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, Havana, Cuba, 1981; Espiga de Ouro do Festival Internacional de Valladolid, Espanha, 1981; melhor filme do X Festival Internacional de Cinema de Montreuil, França, 1982; prêmio da crítica para o melhor filme ibero-americano no Festival de Cartagena, Colômbia, 1983; Margarida de Prata da CNBB para o melhor longa-metragem de 1981; Prêmios Air France de Cinema de 1981 para melhor filme, diretor e atriz (Fernanda Montenegro), e prêmio especial para Gianfrancesco Guarnieri; prêmio Curumim do Cineclube de Marília, SP, 1982.

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Vida Longa e Próspera

Jornada nas Estrelas
Estreia hoje em todo o país, o décimo primeiro filme da franquia Star Trek[bb], que promete resgatar a magia da antiga série. O filme, dirigido por J.J. Abrams[bb], conta a história anterior à série clássica, mostrando a formação da tripulação da Enterprise, o primeiro encontro de Capitão Kirk e Spock e a primeira missão da tripulação.

Star Trek é um marco na ficção científica, não há como negar. A série clássica em suas três temporadas marcou gerações que a cultuam até hoje. O forte nela, sempre foi o roteiro, inteligente, com missões que lidavam com teorias de tempo e espaço, sempre burlando a falta de recursos para efeitos especiais. O exemplo que mais me fascina é o de por não ter tecnologia para fazer uma nave pousar, eles terem criado o famoso teletransporte, que acabou virando marco da série.

Com o sucesso, a série gerou outros produtos, os filmes, um desenho animado e novas versões de série (como a Nova Geração e Enterprise), mas aí a magia se perdeu nas brincadeiras tecnológicas e maquiagens em excesso. Perdemos também o melhor personagem: Spock, esse meio humano, meio vulcano, brilhantemente interpretado por Leonard Nimoy. Tanto que o ator está nesse novo filme.

Spock é a chave e o grande medo dos fãs no Jornada nas Estrelas 11. Primeiro, porque Leonard Nimoy está no inconsciente de todos. É que nem procurar outro Wolverine que não seja Hugh Jackman. Depois, porque o novo intérprete do Vulcano é Zachary Quinto. Bom ator, mas que está muito marcado pelo seu personagem atual na série Heroes. Pelos trailers vai ser complicado desassociá-lo do vilão Sylar.

J.J. Abrams não é fã da série, já confessou, porém tem demonstrado ser bom em ficção científica. Após sua consagração na criação da série Lost, as portas definitivamente se abriram para o roteirista. Foi assim que Tom Cruise o chamou para roteirizar e dirigir Missão Impossível III, e ele parece não ter decepcionado já que cabe a ele o comando da Enterprise nessa volta por cima da série mais famosa de todos os tempos. É uma ousadia, que pode dar muito certo ou não.

No mais, fica a expectativa. Como fã confessa de boa ficção científica, já estou me programando e em breve farei meus comentários por aqui.


Outros filmes da série:
Jornada nas Estrelas - O Filme (1979)
Jornada nas Estrelas 2 - A Ira de Khan (1982)
Jornada nas Estrelas 3 - À Procura de Spock (1984)
Jornada nas Estrelas 4 - A Volta Para Casa (1986)
Jornada nas Estrelas 5 - A Fronteira Final (1989)
Jornada nas Estrelas 6 - A Terra Desconhecida (1991)
Jornada nas Estrelas - Generations (1994)
Jornada nas Estrelas - Primeiro Contato (1996)
Jornada nas Estrelas - Insurreição (1998)
Nêmesis (2002)

Séries:
Jornada nas Estrelas (1966-1969)
Jornada nas Estrelas - A Nova Geração (1987-1994)
Jornada nas Estrelas - Deep Space Nine (1993-1999)
Jornada nas Estrelas - Voyager (1995-2001)
Jornada nas Estrelas - Enterprise (2001-2005)

Estrelas - A Série Animada - Entre 1973 e 1974

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MTV Movie Awards

O prêmio dado ao cinema pelo canal de Música e Entretenimento (cada vez menos música e mais entretenimento), sempre gera controvérsias. Dedicado a filmes para o público jovem, tem categoria divertidas como o melhor beijo, melhor briga e este ano as indicações vieram do próprio público. Isto explica a liderança de Crepúsculo com sete indicações. Ou a presença de High School Musical 3 na lista de melhor filme. O grande vencedor do Oscar, Quem quer ser milionário, vem logo atrás com 6 indicações. Duas novas categorias foram incorporadas à premiação: Melhor Canção de Filme e Momento "WTF", que seria algo do tipo: Momento "Que Porra é Essa?", para as cenas mais grotescas. A premiação que sempre conta com performances interessantes e paródias de filmes, será no dia 31 de maio. É aguardar para ver quem leva a Pipoca Dourada. Ou não, porque diante das previsões... Quem quiser votar é só ir no site.

Indicados:

Melhor Filme
Batman - O Cavaleiro das Trevas
High School Musical 3: Ano da Formatura
Homem de Ferro
Quem Quer Ser Um Milionário?
Crepúsculo

Melhor Atriz
Angelina Jolie - O Procurado
Anne Hathaway - Noivas em Guerra
Kate Winslet - O Leitor
Kristen Stewart - Crepúsculo
Taraji P. Henson - O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Ator
Christian Bale - Batman - O Cavaleiro das Trevas
Robert Downey Jr. - O Homem de Ferro
Shia LaBeouf - Controle Absoluto
Vin Diesel - Velozes & Furiosos
Zac Efron - High School Musical 3: Ano da Formatura

Atriz Revelação
Amanda Seyfried - Mamma Mia!
Ashley Tisdale - High School Musical 3: Ano da Formatura
Freida Pinto - Quem Quer Ser Um Milionário?
Miley Cyrus - Hannah Montana: O Filme
Vanessa Hudgens - High School Musical 3: Ano da Formatura
Kat Dennings - Uma Noite de Amor e Música

Ator Revelação
Robert Pattinson - Crepúsculo
Taylor Lautner - Crepúsculo
Ben Barnes - As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian
Dev Patel - Quem Quer Ser Um Milionário?
Bobb'e J. Thompson - Modelos Nada Corretos

Melhor Performance Em Comédia
Amy Poehler - Uma Mãe Para Meu Bebê
Anna Faris - A Casa Das Coelhinhas
James Franco - Segurando As Pontas
Jim Carrey - Sim Senhor
Steve Carell - Agente 86

Melhor Vilão
Derek Mears - Sexta Feira 13
Dwayne Johnson - Agente 86
Heath Ledger - Batman - O Cavaleiro das Trevas
Jonathon Schaech - A Morte Convida Para Dançar
Luke Goss - Hellboy 2:O Exército Dourado

Melhor Briga
Anne Hathaway vs. Kate Hudson - Noivas Em Guerra
Christian Bale vs. Heath Ledger - Batman - O Cavaleiro das Trevas
Ron Perlman vs. Luke Goss - Hellboy 2:O Exército Dourado
Robert Pattinson vs. Cam Gigandet - Crepúsculo
Seth Rogen and James Franco vs. Danny McBride - Segurando as Pontas

Melhor Beijo
Angelina Jolie and James McAvoy - O Procurado
Freida Pinto and Dev Patel - Quem Quer Ser Um Milionário
James Franco and Sean Penn - Milk - A Voz Da Igualdade
Kristen Stewart and Robert Pattinson - Crepúsculo
Paul Rudd and Thomas Lennon - Eu Te Amo, Cara
Vanessa Hudgens and Zac Efron - High School Musical 3: Ano da Formatura

Melhor Momento WTF
Amy Poehler - Uma Mãe Para Meu Bebê, Urinando na Pia
Angelina Jolie - O Procurado, Assassinato da Bala Curva
Ayush Maheseh Khedekar - Quem Quer Ser Um Milionário, Pulando Na Poça de Cocô
Ben Stiller - Trovão Tropical, Experimentando A Cabeça Decapitada
Jason Segel and Kristen Bell - Ressaca de Amor, O Rompimento Nu

Melhor Música de Filme
"Jai Ho" - AR Raham, Quem Quer Ser Um Milionário?
"The Wrestler" - Bruce Springsteen, O Lutador
"The Climb" - Miley Cyrus, Hannah Montana: O Filme
"Decode" - Paramore, Crepúsculo

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Justiça

Bom, hoje é dia de cinema nacional e pela primeira vez vou comentar um documentário. Temos excelentes filmes no gênero no país, a começar pelas grandes obras de Eduardo Coutinho[bb]. Mas, o filme de Maria Augusta Ramos me tocou profundamente. Ele mostra o porquê de eu nunca ter pensado em fazer faculdade de Direito na vida. A justiça em nosso país é algo obscuro para a maioria da população, poucas pessoas já entraram em um tribunal de justiça e o que temos como idéia de julgamento é o modelo americano mostrado nos filmes, ou mesmo, em nossas telenovelas. Desta maneira, Maria Augusta Ramos[bb] pousa sua câmera no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e faz um documentário que retrata uma realidade incômoda, desigual, que foi um grande sucesso em todos os festivais que passou.

Brasileira, Maria Augusta Ramos viveu muito tempo fora, principalmente na Holanda, onde iniciou sua carreira como diretora. De volta ao Brasil, vem se dedicando ao estilo documental, sempre com uma busca reflexiva sobre o tema, sem pré-julgamentos ou teses a serem comprovadas, conforme ela própria afirma. Seu trabalho chega com um diferencial entre os documentários brasileiros, que a exemplo do estilo de Coutinho, tendem a recorrer aos moldes do cinema verdade, com entrevistas e depoimentos diretamente para câmera. Ramos foge disso, fazendo com que a situação ocorra independente de sua presença lá.

O argumento do filme é bastante simples, acompanhar o dia a dia do tribunal de justiça, acompanhando de perto dois casos, o de Carlos Eduardo e o de Alan. Assim, conhecer um pouco também das pessoas que fazem a justiça desse país, como a defensora pública Maria Ignez e os juízes Geraldo e Fátima.

A idéia é fazer um retrato do processo jurídico do país, tendo como recorte o tribunal do Rio de Janeiro, sem interferir na realidade. Apenas demonstrando o que acontece desde que o acusado chega até a definição de sua sentença. O universo do filme é, principalmente, o Tribunal de Justiça, na sala de interrogatório, mas também passeia pela penitenciária municipal e a casa de alguns personagens. A escolha é por uma realidade limpa, sem apelação, nem imagens chocantes. Apenas a constatação da realidade do sistema burocrático e a incapacidade dos detentos de se defender adequadamente.

Quem assiste ao filme de Maria Augusta Ramos sem nunca ter estado no Brasil tende a tirar uma conclusão equivocada: De que marginal aqui é sempre negro e pobre. Parece que o branco, rico, é sempre honesto e está em um patamar superior. Em alguns momentos há pistas de que algo está errado como na conversa na casa de Maria Ignez, onde ela reclama que só prendem “ladrão de galinha”, mas em sua maioria, transcorre a discrepância de classes. Não que seja correto deixar os pequenos furtos impunes, mas poderia haver algumas penas alternativas. Porém, esta é uma reflexão posterior, do espectador, a construção do documentário nos demonstra apenas a realidade vivida naquele local.

O efeito dominante é a reflexão. O documentário funciona apenas como um observador, sem nenhuma tendência a julgar ou comprovar que algo está certo ou errado. A informação é passada e o espectador tira suas próprias conclusões. O próprio recorte não é tendencioso, no momento em que acompanha todos os lados: juiz, defensor e réu, sem interferir ou questionar, apenas observando e mostrando a realidade como ela é.

É interessante observar a opção da linguagem cinematográfica feita por Maria Augusta Ramos, que coloca a câmera parada o tempo inteiro. Há cortes secos, mas nenhum movimento de câmera. O ritmo é ditado pelos planos longos e curtos, intercalados em momentos diferentes, porém não há travelling, zoom, pan, câmera na mão. É muito interessante como isso é seguido a risca mesmo em momentos mais dinâmicos como as visitas ao presídio.

O som também é totalmente ambiente, não há nenhuma trilha musical, nem mesmo de ruídos. Apenas o real exposto na tela, sem máscaras, nem maquiagens. E a história é tão instigante e dinâmica que não fica monótono em nenhum momento. É o silêncio nos ajudando a refletir.

Não é a toa que ganhou seis prêmios internacionais como o de Melhor Filme no Festival Internacional de Documentário ´Visions du Réel´ em Nyon, Suíça, maio/2004.

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O primeiro selinho a gente nunca esquece...


O CinePipocaCult acaba de ganhar seu primeiro selinho, fiquei muito feliz. Foi de André do Milha Turva um blog muito legal e bem humorado que eu indicaria na listinha abaixo se já não fosse o motivo do post.

Aqui ficam as regras:
1. Aceitar o prêmio, publicá-lo no blog juntamente com o nome da pessoa que vos premiou e o link do seu blog.
2. Passar o prêmio a outros 15 blogs e contactá-los a fim destes saberem que ganharam o prêmio.

E os blogs escolhidos são:
1 - Cinema - Filmes e Seriados
2 - O cara da locadora
3 - Cenas de Cinema
4 - Blog da ABCV
5 - Abrace o Mundo
6 - Cinema em Casa
7 - Blog dos Cinéfilos
8 - Publicando
9 - Blog Muito
10 - Tudo é Crítica
11 - Blog do Vinícius
12 - A Grande Arte
13 - Cinema e Argumento
14 - Blog da Juliana
15 - EntreBreaks

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Grandes Cenas: Sonata de Outono

Sonata de OutonoHoje vamos estrear mais uma série, a análise fílmica de grandes cenas do cinema. De quinze em quinze dias, sempre as sexta-feiras, teremos no blog um detalhamento de alguma cena que marcou época, deixou registro em nossa memória ou simplesmente gostei muito. E assim, tentar entender por que ela é tão marcante. Se você tem alguma cena preferida e quiser vê-la aqui, deixe a sugestão nos comentários.

Para começar, um filme de Ingmar Bergman[bb] de 1978: Sonata de Outono. Como todo filme de Bergman, fala de tensões psicológicas, com mulheres problemáticas. Seria cômico se não fosse trágico, mas a beleza dos filmes de Bergman está exatamente em traduzir as tensões emocionais em cenas magníficas, com interpretações memoráveis.

Sonata de Outono conta o reencontro de Eva com sua mãe Charlotte, uma pianista famosa, após sete anos de distância. Eva cuida agora de sua irmã doente, internada pela mãe em uma clínica especializada. Charlotte é a típica mulher que sabe esconder suas emoções, enquanto Eva é o retrato do sofrimento. A interpretação de Ingrid Bergman e Liv Ullmann rendeu prêmios, e pode ser conferida nessa cena escolhida.

A cena ocorre após meia hora de projeção. A noite, Charlotte vê que Eva está estudando piano e pede que ela interprete um prelúdio de Chopin[bb]. Eva fica nervosa, insegura, mas Charlotte insiste e ela acaba tocando.


Os sete minutos da cena praticamente se resumem a três enquadramentos principais, o som do piano e o olhar dessas duas grandes atrizes. Há pouco movimento de câmera, que apenas acompanha Charlotte se dirigindo ao piano e depois sobe de suas mãos para o seu rosto. O restante é de câmera parada com cortes secos para nove enquadramentos diferentes.

A primeira parte consiste em Eva tocando. A câmera parada enquadra seu busto e a partitura. Ela de lado, quase de costas, tímida. Este enquadramento se intercala com Charlotte em plano médio observando a filha tocar. A expressão de Ingrid Bergman diz tudo, sua frustração, pena, melancolia, incômodo ao ouvir aquilo são passados pelo olhar. A sequência deixa uma angústia. São quase dois minutos que parecem intermináveis.

Após finalizar a música, Eva permanece de cabeça baixa, Charlotte não sabe o que dizer e ao ser questionada se gostou, acaba tomando coragem e explica para filha como ouvir Chopin, dando uma verdadeira aula de música. A câmera acompanha Charlotte que sai de seu lugar e senta ao lado da filha. Outro enquadramento estático, vendo as duas de frente, por trás do piano. A aula é constrangedora para Eva, a cena corta para o marido Victor que assiste a tudo sem interferir, mas demonstra sua expressão preocupada. Volta para o mesmo enquadramento e após terminar de explicar, Charlotte vai demonstrar o que falou.

Começa então, a sequência de Charlotte tocando a mesma música e é nítida a diferença da sonoridade da mesma. A melodia ganha vida. A cena começa com o close na mão da personagem e vai subindo até enquadrar seu rosto em close, em uma expressão suave. Em contra-plano, passamos para outro enquadramento fixo, com Charlotte em primeiro plano e Eva ao fundo. O enquadramento causa estranhamento e a expressão de Eva é de pura angústia. Agora é a vez de Liv Ullmann expressar tudo no olhar. O enquadramento permanece até o final da música, quando volta para as mãos da personagem. Depois corta novamente para as duas vistas de frente.

Por fim, Bergman finaliza a cena com um enquadramento de fora da sala, no corredor, um olhar de terceira pessoa, vendo a distância o desenlace daquela família. Típico do diretor que explora tão bem as nuances dessas relações.

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