Home
Andy Samberg
animacao
aventura
critica
David Strathairn
Fortune Feimster
Ginnifer Goodwin
Idris Elba
infantil
Jason Bateman
Ke Huy Quan
oscar 2026
Shakira
suspense
Zootopia 2
Zootopia 2
Zootopia 2 chega quase uma década depois do primeiro filme com a missão ingrata de provar que não é apenas uma sequência tardia movida por nostalgia. O que impressiona logo de início é que o filme não tenta reinventar o que já funcionava. Ele prefere expandir o que já era forte: o universo urbano cheio de espécies, a dinâmica entre Judy Hopps e Nick Wilde e o uso do humor para falar de temas sociais sem parecer uma aula disfarçada.
A trama retoma a dupla de policiais em um momento curioso da carreira. Apesar de já terem salvado a cidade, Judy e Nick ainda são vistos como novatos, o que cria um atrito interessante com a chefia e entre eles mesmos. Esse detalhe narrativo parece simples, mas é um dos motores emocionais do filme. Ao colocá-los em terapia de parceria e depois envolvê-los em uma investigação que os coloca sob suspeita, o roteiro transforma a confiança mútua no verdadeiro centro dramático da história. Não é apenas mais um caso policial. É um teste de maturidade.
A chegada de um réptil misterioso à cidade funciona como metáfora direta para o preconceito. Se o primeiro filme trabalhava a divisão entre predadores e presas, a sequência amplia o debate ao introduzir espécies historicamente excluídas. A escolha não é exatamente sutil, mas funciona porque o filme entende seu público. Em vez de discursos didáticos, a mensagem aparece nas situações de conflito e na evolução das relações. É uma animação que sabe que crianças absorvem ideias melhor quando elas vêm disfarçadas de aventura.
Visualmente, Zootopia 2 é um salto impressionante. A animação aposta em texturas mais complexas, iluminação sofisticada e uma sensação de escala que torna a cidade ainda mais viva. Novos ambientes como regiões desérticas, montanhosas e áreas aquáticas ampliam a sensação de que aquele mundo continua crescendo. Há sequências de ação particularmente inventivas, como perseguições que exploram a verticalidade da cidade e um trajeto por um tubo aquático gigante que demonstra o cuidado da direção com ritmo e espacialidade. É um tipo de cena que justifica o ingresso em tela grande.
Jared Bush e Byron Howard mantêm a assinatura que consolidaram no primeiro longa. A direção equilibra humor e suspense com fluidez, sem deixar a narrativa se perder em subtramas. Ainda assim, o filme não escapa de um problema comum a muitas sequências de animação: a sensação de familiaridade excessiva. A estrutura investigativa lembra bastante o original, e alguns arcos emocionais seguem caminhos previsíveis. Em certos momentos, parece que o roteiro prefere a segurança à ousadia. O resultado é um filme muito bem executado que raramente surpreende de verdade.
A dublagem original continua sendo um dos grandes trunfos. Ginnifer Goodwin e Jason Bateman mantêm a química que transformou Judy e Nick em uma das duplas mais carismáticas da animação recente. O timing cômico entre os dois é impecável e sustenta até mesmo as cenas em que o roteiro se apoia mais no humor verbal do que na ação. Os novos personagens funcionam como reforço, especialmente a cobra carismática que serve de pivô narrativo, mas nenhum rouba o protagonismo da dupla.
Um momento que sintetiza bem o valor do filme acontece durante uma perseguição que atravessa diferentes distritos da cidade. A sequência mistura comédia física, suspense e um comentário sobre confiança entre parceiros. Enquanto a ação se desenrola, Judy e Nick precisam decidir se confiam um no outro ou se seguem protocolos rígidos. É ali que a narrativa revela sua essência: por trás da investigação e dos gags visuais, o que está em jogo é a construção de uma amizade adulta, baseada em escolhas e não apenas em afinidade.
A trilha sonora de Michael Giacchino acompanha a energia do filme sem tentar repetir fórmulas. Há também o retorno musical de Shakira, que funciona mais como elemento de universo do que como número isolado. Esses detalhes reforçam a sensação de continuidade e ajudam a consolidar Zootopia como uma franquia que a Disney claramente pretende continuar expandindo.
Se há uma crítica mais consistente, ela está na ambição controlada do roteiro. O filme amplia o mundo e introduz novas camadas políticas e históricas, mas raramente leva essas ideias ao limite. Em alguns momentos, a trama parece pronta para mergulhar em conflitos mais complexos e recua para manter o tom familiar. Isso não compromete o entretenimento, mas deixa a impressão de que a narrativa poderia ter ido além.
Mesmo assim, Zootopia 2 se sustenta com folga como uma sequência relevante. É uma animação que entende o valor de seus personagens e sabe que o público voltou para revê-los em movimento. Ao apostar na evolução da parceria entre Judy e Nick e na expansão temática da cidade, o filme se posiciona como um capítulo sólido de uma saga que ainda tem muito a explorar. Talvez não tenha o impacto revolucionário do primeiro, mas confirma que Zootopia continua sendo um dos universos mais vivos e inteligentes da animação contemporânea.
Zootopia 2 (Zootopia 2, 2025 / Estados Unidos)
Direção: Jared Bush, Byron Howard
Roteiro: Jared Bush
Com: Ginnifer Goodwin, Jason Bateman, Ke Huy Quan, Fortune Feimster, Shakira, Idris Elba, Andy Samberg, David Strathairn
Duração: 108 min.
Bacharel em Publicidade e Propaganda desde 2000 e atuante na área, alia técnica e criatividade em tudo o que faz. Cinéfilo de carteirinha, Ari se apaixonou pelo cinema nas madrugadas da TV, onde filmes clássicos moldaram seu olhar crítico e sua veia artística, inspirando-o a participar de um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Histórias são a alma de sua trajetória. Jogador de RPG há mais de 30 anos, decidiu unir sua experiência como roteirista e crítico e sua determinação para escrever livros e materializar suas ideias. Seu primeiro livro, Corrida para Kuélap, está disponível para venda para Kindle. E é só o começo.
Zootopia 2
2026-03-12T08:30:00-03:00
Ari Cabral
Andy Samberg|animacao|aventura|critica|David Strathairn|Fortune Feimster|Ginnifer Goodwin|Idris Elba|infantil|Jason Bateman|Ke Huy Quan|oscar 2026|Shakira|suspense|
Assinar:
Postar comentários (Atom)
cadastre-se
Inscreva seu email aqui e acompanhe
os filmes do cinema com a gente:
os filmes do cinema com a gente:
No Cinema podcast
anteriores deste site
mais lidos do site
-
Ainda no clima Avatar vs M. Night Shyamalan, percebi que não falei de seu grande filme aqui no blog. Por isso, resolvi resgatar O Sexto Sent...
-
Ser mulher no Brasil não é algo fácil. Imagine no início do século XIX. Ser uma mulher artista era ainda pior. Não havia espaço para criar,...
-
M. Night Shyamalan começou muito bem a sua carreira e foi caindo aos poucos, chegando a ser desacreditado pela crítica . Parece que a má f...
-
Assistindo Frankenstein de Guillermo del Toro , dá para sentir de imediato que estamos diante de um cineasta apaixonado por monstros, mas m...
-
Armadilha , dirigido e roteirizado por M. Night Shyamalan , chegou ao público num momento em que o nome do cineasta era sinônimo tanto de ex...
-
O cinema nasceu documental representando um registro de uma época. É memória em imagem e som que resgata a História, registra uma época. Ma...
-
Ao revisitar Anaconda (1997), sinto uma mistura estranha de nostalgia, divertimento e certo constrangimento prazeroso. É o tipo de filme q...
-
Quando a câmera de Aquário se aproxima de Mia, ela não olha para nós: nos atinge. Não é um filme sobre adolescentes ficcionais idealizados...
-
Ratatouille não é apenas um filme de animação sobre um rato que sonha em cozinhar em Paris . Assistir a esse longa é confrontar uma ideia ...
-
Quando penso em Tubarão hoje, não consigo dissociar duas sensações: a do medo primitivo que senti na primeira vez que ouvi aquela batida du...




