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Os trapalhões - heróis do cinema brasileiro

Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida, sim, mas a mídia prefere lembrar o tal Dia das Crianças, dá mais ibope... Como filmes sobre Nossa Senhora Aparecida só conheço um documentário literal Aparecida das Águas, resolvi falar de um tema que queria há muito tempo: Os Trapalhões. Além de marcar a minha infância, o grupo foi o responsável, durante muitos anos pela não parada total do cinema brasileiro.

Na década de oitenta, quando o cinema nacional se resumia ao circuito marginal, quando a Embrafilmes estava mal das pernas e principalmente, quando Collor fechou suas portas e o cinema brasileiro foi quase a zero, foram eles que permaneceram nas principais salas comerciais, dando bilheteria brasileira, empregando técnicos e artistas e promovendo nossa história. Mais de cento e vinte milhões de pessoas já assistiram a filmes d'Os Trapalhões, sendo que cinco estão na lista dos dez mais vistos na história do cinema brasileiro.

Os Trapalhões têm uma vasta filmografia onde histórias engraçadas dos eternos palhaços se misturam à contos populares, literatura clássica e paródias de filmes de sucesso. Sempre com uma linguagem fácil e inteligente para crianças de todas as idades terem diversão certa. Lembro bem da minha ansiosa espera anual para o próximo filme do grupo, que guardo com carinho das lembranças de minha idas ao cinema.

A maior bilheteria do grupo em toda a história foi O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão que perdeu recentemente a terceira colocação de maiores bilheterias nacionais para Se eu fosse você 2. Ainda sem Zacarias, o filme conta a história de Pilo (Didi), Duka (Dedé) e Fumaça (Mussum), três amigos trambiqueiros que são confundidos com valentes e contratados pela jovem Glória para uma expedição às minas do Rei Salomão, onde o pai dela, o arqueólogo Aristóbulo, é prisioneiro. Como a recompensa é um tesouro escondido, eles aceitam e, em sua aventura, enfrentam uma bruxa malvada disposta a tudo para impedir que eles cheguem até o tesouro.

O mais marcante para mim, no entanto, é a segunda bilheteria do grupo e sétima nacional: Os saltimbancos trapalhões. Baseada na peça Os Saltimbancos de Chico Buarque de Holanda, o filme teve sua história alterada, com novas músicas, e ganhou uma roupagem diferente, dentro de um circo, onde os quatros amigos Didi, Dedé, Mussum e Zacarias são sucesso por fazer o público rir, mas tornam-se desafetos do mágico Assis Satã e do Barão, o dono do circo. Lucinha Lins cantando a história de uma gata ficou guardada em minha memória infantil como o grande momento do filme.

Destaco ainda Os trapalhões na Guerra dos Planetas, uma paródia engraçadíssima de Guerra nas Estrelas, com direito a princesa sequestrada e planeta em perigo. Primeiro filme com a participação de Zacarias ocupa a oitava colocação nas bilheterias nacionais (terceira maior do grupo).

E por fim, o que considero de melhor qualidade artística, Os Trapalhões no Auto da Compadecida. O grupo conseguiu adaptar muito bem a história de Ariano Suassuna, recontando a trama com humor, mas sem perder o viés crítico e o contexto histórico da narrativa. Talvez, por vê-los de forma tão diferente, as crianças não tenham entendido a proposta e o filme não foi recorde de bilheteria. Ainda assim, é um dos filmes mais lembrados e reprisados na televisão. Fica também, como uma homenagem ao dia de hoje, já que Nossa Senhora é a grande aliada de João Grilo, protetora dos sofredores e mãe de todos. No filme, interpretada por Betty Goffman.

Infelizmente não achei cenas do filme no Youtube (apenas da versão da Globo Filmes para a história), por isso, segue a História de um gata para relembrar.

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