12/10/2009
Os trapalhões - heróis do cinema brasileiro
Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida, sim, mas a mídia prefere lembrar o tal Dia das Crianças, dá mais ibope... Como filmes sobre Nossa Senhora Aparecida só conheço um documentário literal Aparecida das Águas, resolvi falar de um tema que queria há muito tempo: Os Trapalhões. Além de marcar a minha infância, o grupo foi o responsável, durante muitos anos pela não parada total do cinema brasileiro.
Na década de oitenta, quando o cinema nacional se resumia ao circuito marginal, quando a Embrafilmes estava mal das pernas e principalmente, quando Collor fechou suas portas e o cinema brasileiro foi quase a zero, foram eles que permaneceram nas principais salas comerciais, dando bilheteria brasileira, empregando técnicos e artistas e promovendo nossa história. Mais de cento e vinte milhões de pessoas já assistiram a filmes d'Os Trapalhões, sendo que cinco estão na lista dos dez mais vistos na história do cinema brasileiro.
Os Trapalhões têm uma vasta filmografia onde histórias engraçadas dos eternos palhaços se misturam à contos populares, literatura clássica e paródias de filmes de sucesso. Sempre com uma linguagem fácil e inteligente para crianças de todas as idades terem diversão certa. Lembro bem da minha ansiosa espera anual para o próximo filme do grupo, que guardo com carinho das lembranças de minha idas ao cinema.
A maior bilheteria do grupo em toda a história foi O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão que perdeu recentemente a terceira colocação de maiores bilheterias nacionais para Se eu fosse você 2. Ainda sem Zacarias, o filme conta a história de Pilo (Didi), Duka (Dedé) e Fumaça (Mussum), três amigos trambiqueiros que são confundidos com valentes e contratados pela jovem Glória para uma expedição às minas do Rei Salomão, onde o pai dela, o arqueólogo Aristóbulo, é prisioneiro. Como a recompensa é um tesouro escondido, eles aceitam e, em sua aventura, enfrentam uma bruxa malvada disposta a tudo para impedir que eles cheguem até o tesouro.
O mais marcante para mim, no entanto, é a segunda bilheteria do grupo e sétima nacional: Os saltimbancos trapalhões. Baseada na peça Os Saltimbancos de Chico Buarque de Holanda, o filme teve sua história alterada, com novas músicas, e ganhou uma roupagem diferente, dentro de um circo, onde os quatros amigos Didi, Dedé, Mussum e Zacarias são sucesso por fazer o público rir, mas tornam-se desafetos do mágico Assis Satã e do Barão, o dono do circo. Lucinha Lins cantando a história de uma gata ficou guardada em minha memória infantil como o grande momento do filme.
Destaco ainda Os trapalhões na Guerra dos Planetas, uma paródia engraçadíssima de Guerra nas Estrelas, com direito a princesa sequestrada e planeta em perigo. Primeiro filme com a participação de Zacarias ocupa a oitava colocação nas bilheterias nacionais (terceira maior do grupo).
E por fim, o que considero de melhor qualidade artística, Os Trapalhões no Auto da Compadecida. O grupo conseguiu adaptar muito bem a história de Ariano Suassuna, recontando a trama com humor, mas sem perder o viés crítico e o contexto histórico da narrativa. Talvez, por vê-los de forma tão diferente, as crianças não tenham entendido a proposta e o filme não foi recorde de bilheteria. Ainda assim, é um dos filmes mais lembrados e reprisados na televisão. Fica também, como uma homenagem ao dia de hoje, já que Nossa Senhora é a grande aliada de João Grilo, protetora dos sofredores e mãe de todos. No filme, interpretada por Betty Goffman.
Infelizmente não achei cenas do filme no Youtube (apenas da versão da Globo Filmes para a história), por isso, segue a História de um gata para relembrar.






































11 opiniões:
Ótimo post! Gosto muito dos trapalhões apesar de não ter alcançado a época deles, assisti praticamente só reprises dos programas. Entretanto assisti acho que todos os filmes deles. Até os filmados na última década, que não são lá grande coisas em comparação aos antigos.
12 de outubro de 2009 16:29Uma sugestão: mudar a cor de fundo do blog, por favor. Auxilia a leitura.
Pois é, Wenndell, também gosto muito deles, mas o que você chama de a última década? Porque na última década, já não existia os trapalhões, são filmes de Renato Aragão, e tem uma grande diferença entre eles. Agora, mesmo os últimos filmes dos Trapalhões (até 1991) já não são tão bons em minha opinião, a exemplo de O Casamento dos Trapalhões e Uma Escola Atrapalhada.
12 de outubro de 2009 18:07Quanto ao fundo do blog, jura que você tem dificuldades de ler com o fundo preto? Eu nunca pensei nisso, nem tive outras reclamaçoes. Leio outros sites e blogs com esse fundo sem problemas. Talvez, possamos ver a mudança de uma fonte, não sei, esse departamento é com Ari, responsável pelo lay-out do blog, ele optou por ser assim, para ajudar o planeta, mas vamos ver o que é possível.
grande marco da minha infância e de muitos, da serie não me lembro de ter assistido mas os filmes muito!!!
12 de outubro de 2009 20:25Principalmente na sessão da tarde, bons tempos...
Os que mais me lembro são aqueles que tinham participações especiais como a Xuxa e Angélica. Um clássico do cinema Brasileiro, quando ainda não se dedicava em violência e palavrão nas telas!!!
Abraço!
Para quem cresceu nos anos 80 e 90, Os Trapalhões foram o capítulo inicial na cinefilia! :-) Não foi diferente comigo. Cresci assistindo aos filmes dele e você destaca, no final, o meu favorito deles: "Os Saltimbancos Trapalhões".
12 de outubro de 2009 20:49Amanda, ótima postagem e sinceramente eu tb estava com a idéia de escrever sobre Os Trapalhões hoje, mas acabou faltando tempo para criar um texto legal. Mas vou escrever sobre eles ainda.
12 de outubro de 2009 20:54Com certeza os filmes dos anos 70 e 80 do grupo são os melhores. E todos esperávamos domingo a noite para assistir o programa de tv tb.
Bjos
Os Trapalhões merecem mesmo todas as homenagens, grandes tempos, grandes filmes. Gosto muito de "Na serra pelada" e "O Rei do futebol".
13 de outubro de 2009 11:26Vi seu blog no blogupp e vim visitar para conhecer!
13 de outubro de 2009 12:21Pri em Forma
http://priemforma.com
http://twitter.com/priemforma
Oi Amanda!
13 de outubro de 2009 12:28Adorei seu texto e me identifiquei bastante com ele.
Eu era fã dos trapalhões e tenho tantas lembranças boas e gostosas dessa época.
Nas minhas férias de infância era sagrado, minha irmã levava a mim e meu sobrinho para vermos o mais novo filme dos trapalhões. Eu adorava e ficava numa alegria e na expectativa do próximo filme.
O quarteto faz falta. Embora o Didi tente manter o programa e os filmes, infelizmente eles não se igualam aos daquela época. Quarteto como aquele, acho que nunca mais veremos. Todos eram ótimos sem exceção.
Gosto de todos os filmes citados, especialmente "Os trapalhões na guerra dos planetas" e "Os saltimbancos", de todos os filmes deles os que mais gosto.
Um abraço.
Cintia Carvalho.
Ps. amanhã (14/10) irei assistir a "Bastardos inglórios". Tenho lido as críticas e comentários e parece bom.
Depois comento com vc o que achei.
Pois é, Ricardo, de todos nós.
14 de outubro de 2009 08:57Isso mesmo, Kamila.
Com certeza, Hugo, faça também que eles merecem.
Robin, ri muito com "O Rei do futebol", Didi fazendo gol contra é ótimo.
Que bom, Pri, volte sempre, vou ver o seu.
Cíntia, é verdade, exatamente como eu lembro.
Ótima lembrança Amanda. Sem dúvidas os trapalhões são um grande marco do nosso cinema, que deveriam se perpetuar por muitas e muitas gerações. Seus filmes sempre foram muito engraçados, com trechos até mesmo politicamente incorretos, o que é muito difícil de se encontrar no cinema atual. Parabéns pela pelo texto.
14 de outubro de 2009 15:37Obs: Se eu não me engano, é em os trapalhôes e o Rei do Futebol, que Didi bate o escanteio e faz o gol de cabeça. kkkkkkkkkkk Este filme é realmente hilário.
visatem: www.cinemaniac2008.blogspot.com
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