terça-feira, 10 de novembro de 2009

Adeus, Lenin

O mundo ontem comemorou 20 anos da queda do muro de Berlim. Em um mundo globalizado, com União Européia cada vez mais forte, é até difícil lembrar que há tão pouco tempo, um país era separado por um muro que simbolizava a divisão entre comunistas e capitalistas da Guerra Fria. A queda do muro é considerada símbolo da liberdade, de um mundo melhor, o que chega a ser contraditório, já que a ideologia comunista era exatamente trazer o bem estar a todos. Os sonhos de uma geração caíram naquele dia, o sonho de um mundo igualitário, justo e mais humano. É disso que fala muito bem o filme dirigido e roteirizado por Wolfganger Becker, com a ajuda de Bernd Lichtenberg.

Em 1989, pouco antes da queda do muro de Berlim, a Sra. Kerner, uma comunista convicta, passa mal, entra em coma e fica desacordada durante os dias que marcaram o triunfo do regime capitalista na Alemanha (ou seja, a queda do muro). Ao voltar do coma, em meados de 1990, sua cidade, ex-Berlim Oriental, está sensivelmente modificada. Com medo que as mudanças causem algum trauma e piore a situação, seu filho Alexander, decide esconder os acontecimentos, tendo que se virar para construir programa de televisão falso, esconder painéis de Coca-Cola e trocar o rótulo dos alimentos e produtos utilizados. E o mais interessante é que tudo é construído com leveza e até mesmo com humor. Não é sofrido, mas nos comovemos com aquela história.

Esconder o capitalismo em uma cidade sedenta por ele, é uma verdadeira saga para Alexander. Até porque as mudanças ocorrem rápido demais. Parece que o povo alemão oriental estava esperando na beira do muro que ele caísse. A invasão do consumo é como uma onda que atinge a todos e dá a sensação de que todos "merecem" a sociedade atual. A história é contada pelos vencedores e o que vemos na mídia e livros escolares é um socialismo caótico, ditador e vilão, porém, tudo tem seu outro lado. O roteiro é sensível e inteligente ao constratar as duas visões da queda: os que se sentiam presos pelo regime e os que acreditavam com toda força em seus ideais. A simbologia maior está na Sra. Kerner e em seu sonho utópico de uma sociedade melhor. Isso torna a luta de seu filho tão comovente e interessante. Ficamos torcendo para que ele consiga manter aquele mundo harmônico para sua mãe doente. Um drama humano que emociona e nos faz refletir.

6 opiniões:

Bruno disse...

Nossa, eu adoro esse filme, já perdi as contas de quantas vezes vi!

Mas o que mais me surpreendeu, negativamente, é de como existem pessoas no mundo sem culturaa.

Uma das 3767676 de evzes que vi, foi quando minha professora de sociologia passou esse filme, após o término eu ouço um comentário: "Não entendi o filme, chama Adeus Lenin e não tem nenhum personagem que chama assim?!"

É de doer! haha

Robin disse...

Caramba, ele estava esperando um Lenin, mas e a estátua gigante sendo levada pelo helicóptero??? Mostra a ele: ali, adeus Lenin, kkkkkkkkkk. O filme é muito bom mesmo e concordo que a queda de Berlim tem um pouco dessa nostalgia do fim do sonho comunista.

Amanda Aouad disse...

Nossa, Bruno, não sei se dou risada ou se choro com essa... Ainda mais vindo de um estudante em uma aula de sociologia... hehehe. Eu também gosto muito do filme.

Cristiano Contreiras disse...

Filme ótimo!!!!

Cintia Carvalho disse...

Oi Amanda!

Obrigada por me avisar da mudança. Vou fazer a alteração.

Adorei seu texto, está muito bom.
O filme é maravilhoso e perfeito. Adoro tudo nele. Meu último post fala sobre a queda e o filme.

Lendo o comentário de seu amigo ai em cima, não me espanta. Quando estava na faculdade, meu professor de sociologia passou alguns filmes que falassem sobre a aula a ser dada e lembro de uma vez ao passar "Tempos modernos" e a turma ao invés de prestar atenção e compreender a mensagem do filme ficou brincando e achando aquilo engraçado. Fiquei tão aborrecida naquele dia. Mas, fazer o que? Até numa Universidade encontramos estes tipos de pessoas. Ainda bem que algumas se salvam.

Enfim, tenho boas lembranças desta epoca que marcou minha adolescência.

Um abraço.
PS. o texto sobre "3D" ta super bacaninha. Uma informação que vc nos passou que eu desconhecia era a de que a partir de 2010 teremos televisores com esta tecnologia.
Viva a modernidade.

Amanda Aouad disse...

Que bom, Cíntia. É impressionante mesmo que em faculdades, encontremos pessoas tão ignorantes. Mas, fazer o que?
Quanto ao 3D, pois é, vamos ver como vai ser isso das tvs.
bjs