Finalmente o Oscar para uma grande atriz


Após seis indicações ao Oscar, finalmente Kate Winslet conseguiu seu sonho de infância: vencer um Oscar. Segunda a própria atriz no discurso de agradecimento, ela treinava com um frasco de shampoo para o momento tão esperado. Aliás, como o prêmio já era dado como certo, após a vitória de dois Globo de Ouro (melhor atriz e melhor atriz codjuvante), a grande surpresa ficou mesmo pelo agradecimento. Além do referido fato da infância, Kate pediu que os pais assobiassem para ela saber onde estavam, mandou beijo e disse que os amava. Também agradeceu aos amigos, colaboradores, diretores, o marido, Sam Mendes, e falou dos filhos, Mia e Joe - no tapete vermelho. Kate disse que sua filha lhe pediu que, se ganhasse, teria um surto de felicidade no palco. Parece que a atriz atendeu ao pedido, pois para finalizar virou para Meryl Streep na platéia (grande atriz indicada 15 vezes) e disse "me desculpe, mas você terá que aceitar isso". Quase um "vocês vão ter que me engolir de nosso lendário Zagalo.

Mas, o fato é que o prêmio foi merecido. Meryl Streep está sempre ótima, Angelina Jolie também deu show em A Troca (e seria um consolo pela injustiça de não ter ganho ano passado pelo Preço de uma coragem). Mas, Kate Winslet está excepcional em O Leitor. A atriz já havia provado ser boa desde sua indicação ao prêmio de melhor atriz codjuvante, em seu terceiro filme Razão e Sensibilidade (venceu o prêmio no Bafta por esse filme). Como atriz principal, de todos os indicados destaco Brilho Eterno de uma mente sem lembrança, onde esteve muito bem, apesar de o maior destaque do filme ser Jim Carrey em um surpreendente papel dramático.

Em O leitor, Kate não tem concorrente. Ela é o grande nome do filme e sua caracterização da alemã nazista é perfeita. Tão perfeita que chega a ser perigosa, pois nos vemos envolvidos com sua história e acabamos sentindo compaixão por sua personagem, que deveria ser despresível. Principalmente no fim, quando confirmamos que todos os atos de sua vida foram levados pelo impulso da vergonha boba de não saber ler. Merecia o Oscar, merecia os aplausos. Talvez só não precisasse surtar tanto, mas, foi pedido de sua filha.



Indicações e Prêmios:

Oscar:
2008 - Melhor atriz - O Leitor - vencedora
2007 - Melhor atriz - Pecados íntimos - indicada
2005 - Melhor atriz - Brilho eterno de uma mente sem lembranças - indicada
2003 - Melhor atriz coadjuvante - Íris - indicada
1998 - Melhor atriz - Titanic - indicada
1996 - Melhor atriz coadjuvante - Razão e sensibilidade - indicada

Globo de Ouro:
2008 - Melhor atriz / drama - Foi apenas um sonho - vencedora
2008 - Melhor atriz coadjuvante / drama - O leitor - vencedora
2007 - Melhor atriz / drama - Pecados íntimos - indicada
2005 - Melhor atriz comédia / musical - Brilho eterno de uma mente sem lembranças - indicada
2003 - Melhor atriz coadjuvante - Íris - indicada
1998 - Melhor atriz / drama - Titanic - indicada
1996 - Melhor atriz coadjuvante - Razão e sensibilidade - indicada

BAFTA
2008 - Melhor atriz - O Leitor - Vencedora
2008 - Melhor atriz - Foi Apenas Um Sonho - indicada
2007 - Melhor atriz - Pecados íntimos - indicada
2005 - Melhor atriz - Em busca da Terra do Nunca - indicada
2005 - Melhor atriz - Brilho eterno de uma mente sem lembranças - indicada
2003 - Melhor atriz coadjuvante - Íris - indicada
1996 - Melhor atriz coadjuvante - Razão e sensibilidade - Vencedora

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O grande vencedor de 2008

Com estréia prevista para dia 06 de março no Brasil, Quem quer ser um milionário já pode ser conferido em poucas sessões de pré-estréia desde o dia 20 de fevereiro. A concessão foi devido ao sucesso que o filme vem fazendo nos diversos festivais que participa e da cerimônia do Oscar, onde sagrou-se o grande vencedor da noite com 8 estatuetas (das dez que concorria, sendo que duas em uma mesma categoria - melhor música). Tanta badalação fez a Índia saltar aos olhos ocidentais e criar curiosidade para sua mais famosa indústria: Bollywood.

Cartaz

O filme, na realidade, é inglês. Do diretor Danny Boyle, o mesmo de Trainspotting, entre outros. E tem 40% do filme falado em Hindi, o que já é um avanço imenso. Bem escrito, bem dirigido e com uma bela fotografia é, sem dúvidas, um bom filme. Mas, não é inovador, nem acredito que será citado na lista dos melhores filmes de todos os tempos em um futuro próximo.

Na realidade, sua história é bem conhecida, a trajetória do herói. Um garoto pobre que enfrenta diversas dificuldades com o único objetivo de ficar com sua amada. Há personagens maniqueístas, além de um foco forte na pobreza e na violência. Talvez por isso a comparação insana com Cidade de Deus. Há também uma referência a Bollywood com a fotografia e a dança final. Porém, o que nos envolve é o como a história foi contada.

O filme começa quando Jamal está a uma pergunta de se tornar milionário em um programa de auditório parecido com o nosso show do milhão: Quem quer ser um milionário. Baseada no livro Q&A, de Vikas Swarup, com roteiro de Simon Beaufoy (do premiado Ou Tudo ou Nada), o filme narra o interrogatório do jovem Jamal, que está sendo acusado de fraude, em paralelo a fatos de sua vida miserável que serviram de inspiração para as respostas do programa. A forma como essa junção é mostrada é o grande plus do filme, que conta com bons atores e cenas memoráveis. Apesar de um final previsível, típico de melodrama atual, o filme é uma boa indicação e merece prêmios. Só não sei se tantos.

Ao contrário do que muitos mostraram, na Índia ele não está sendo tão bem aceito. Para um programa de TV "vender a miséria da Índia" não era a melhor maneira de abrir o país para o Ocidente. Já a crítica de cinema Kishwar Desai diz que "Para entender quem padece com uma miséria tão atroz na Índia é preciso um cineasta indiano ao invés de britânico". A maior estrela de Bollywood Amitabh Bachchan também criticou o filme por causa da temática focada na pobreza: "Se SM projeta a Índia como uma nação desprotegida do terceiro mundo e causa dor e repulsa em patriotas e nacionalistas, que fique claro que mesmo na nações mais desenvolvidas também existem áreas sombrias e desprotegidas".

Particulamente, acho que essa vitória de Slumdog Millionaire pode ser uma porta aberta para o resto do mundo se interessar pela maior indústria de cinema depois de Hollywood. Resta a eles saber aproveitar.

Dança final

Prêmios do filme:

Oscar:
Filme
Direção(Danny Boyle)
Roteiro Adaptado (Simon Beaufoy)
Fotografia (Anthony Dod Mantle)
Montagem (Chris Dickens)
Som (Ian Tapp, Richard Pryke, Resul Pooktty)
Trilha Sonora (A. R. Rahman)
Canção (Jai Ho, de A. R. Rahman e Sampooran Singh Gulzar)

BAFTA:
Filme
Direção
Roteiro Adaptado
Fotografia (Anthony Dod Mantle)
Edição (Chris Dickens)
Som (Ian Tapp, Richard Pryke, Resul Pooktty)
Música (A. R. Rahman)

Globo de Ouro:
Filme - Drama
Direção
Roteiro
Trilha Sonora

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And the Oscar goes to...

Concorrendo com o domingo de Carnaval, a festa do Oscar não teve tanto brilho no Brasil. A noite começou com apresentações mais modestas por causa da crise, segundo o próprio Hugh Jackman. O apresentador da festa demonstrou ter a versatilidade de um showman, cantando, dançando, fazendo piadas e nos surpreendendo. Como inovação, a 81ª cerimônia trouxe cinco vencedores de edições anteriores de cada categoria de ator para falar dos cinco indicados atuais, emocionando muita gente. Sem surpresas, os favoritos Sean Penn e Kate Winslet levaram ator e atriz. E todos se emocionaram quando a família de Heath Ledger levantou-se para receber o Oscar póstumo de ator codjuvante. Contrariando a maior parte da falsa lista que surgiu horas antes, o grande vencedor da noite foi mesmo o Inglês/Indiano Slumdog Millionaire (Quem quer ser um milionário), que das dez estatuetas que concorria, levou para casa oito, entre elas de melhor filme, diretor e roteiro. Na realidade, perdeu apenas a de melhor edição de som para Batman, porque a outra (melhor música) ele concorria com ele mesmo. Parece que a Índia está mesmo invadindo o cinema ocidental.

Abertura da noite:


Confira todos os vencedores.

Melhor Filme
· Quem Quer Ser Um Milionário?
Melhor diretor
· Danny Boyle - Quem Quer Ser Um Milionário?
Melhor ator
· Sean Penn - Milk - A Voz da Liberdade
Melhor atriz
· Kate Winslet – O Leitor
Melhor ator coadjuvante
· Heath Ledger - Batman – O Cavaleiro das Trevas
Melhor atriz coadjuvante
· Penélope Cruz - Vicky Cristina Barcelona
Melhor Animação Longa-Metragem
· Wall-E
Melhor Roteiro Adaptado
· Quem Quer Ser Um Milionário?
Melhor Roteiro Original
· Milk - A Voz da Liberdade
Melhor Direção de Arte
· O Curioso Caso de Benjamin Button
Melhor Fotografia
· Quem Quer Ser Um Milionário?
Melhor Figurino
· A Duquesa
Melhor Filme Estrangeiro
· Okuribito (Japão)
Melhor Documentário
· O Equilibrista
Melhor Documentário Curta-Metragem
· Smile Pinki
Melhor Montagem
· Quem Quer Ser Um Milionário?
Melhor Maquiagem
· O Curioso Caso de Benjamin Button
Trilha Sonora Original
· Quem Quer Ser Um Milionário?
Melhor Canção Original
· "Jai Ho" - Quem Quer Ser Um Milionário?
Melhor Curta Animado
· La Maison en Petits Cubes
Melhor Curta Live-Action
· Spielzeugland (Toyland)
Melhor Edição de Som
· Batman – O Cavaleiro das Trevas
Melhor Mixagem de Som
· Quem Quer Ser Um Milionário?
Efeitos Especiais
· O Curioso Caso de Benjamin Button


Trailer do Vencedor:

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Contagem Regressiva

Faltam poucas horas para a maior festa do cinema de Holywood e uma lista com os supostos vencedores do Oscar aparece na internet. A academia, claro, já se pronunciou dizendo ser uma fraude. Os "vencedores" são bastante plausíveis, mas para saber a verdade, só conferindo hoje à noite. Façam as suas apostas.

Detalhe, por ser Domingo de Carnaval, nenhuma televisão aberta irá transmitir a cerimônia que poderá ser conferida pela TNT.

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Pais, tranquem em casa!

Enquanto Se Eu Fosse Você 2 continua sendo recorde de bilheteria nos cinemas brasileiros, nos Estados Unidos um filme francês/americano é o fenômeno dos últimos tempos. Taken, ou como traduziram aqui Busca Implacável, é um filme de ação e suspense no melhor estilo Bourne que liderou as bilheterias norte-americanas durante duas semanas.

O ex-agente do governo Bryan Mills fala com sua filha pelo telefone quando ela lhe narra a invasão da casa onde está na França, por bandidos que já pegaram sua amiga e estão prestes a te pegar também. De forma rápida e fria, Mills orienta sua filha na eminência do sequestro e junta pistas para poder resgatá-la.

"Não sei quem você é. Não sei o que você quer. Se for resgate, vou avisando, não tenho dinheiro. Só tenho a habilidade adquirida em uma longa carreira nas sombras. Habilidade que faz de mim um pesadelo para gente como você. Se soltar minha filha agora, tudo estará resolvido. Não irei atrás de você; sem procura nem perseguição. Se não soltar, vou atrás de você e vou encontrá-lo. Acabo com você."

Com esta ameça, o personagem interpretado magnificamente por Liam Neeson segue as pistas e se envolve em uma caçada realmente implacável em busca de sua filha. As cenas de ação são eletrizantes. Porém, o roteiro é previsível e cheio de clichês. Enquanto o personagem Bryan Mills é extremamente bem construído, sua filha Kim parece uma criança boba e, apesar dos 17 anos, corre feito uma menininha e faz birra se for contrariada, talvez pela superproteção do pai. Interpretada por Maggie Grace (Shannon da série Lost, agora morena), ela é totalmente incongruente e sua trajetória não convence. Ainda assim, Busca Implacável é daqueles filmes de tirar o fôlego.

Porém, analisando um pouco mais o argumento fica a questão do exagero do mundo perigoso em que moramos. Claro que ninguém aqui é ingênuo para imaginar que sequestros, tráfico de mulheres e quadrilhas internacionais não existam. Porém, o filme beira a um exagero épico que fará pais trancarem suas filhas em casa, com medo de não poder ser o herói que vai salvá-las no final. Mesmo assim, é um filme interessante para quem gosta de uma catarse do mundo real. Pelo sucesso do filme, acredito numa continuação para Bryan Mills que, aliás, é o que move o mundo do cinema na atualidade.

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Outra chance para humanidade

Em 1951, Robert Wise deixou seus sucessos românticos como Amor, Sublime Amor e A Noviça Rebelde para dirigir o filme que é considerado por muitos o mais importante da ficção científica de todos os tempos. O dia em que a Terra parou traz Michael Rennie e Patrícia Neal em uma história que procura fazer uma análise da conduta do ser humano no planeta. Ainda em plena Guerra Fria, com a eminência de uma guerra nuclear, todos estavam com medo do fim do mundo e uma história como essa era propícia para analisar o futuro.



O alienígena Klaatu vem à Terra para avaliar se a humanidade merece ou não sobreviver, já que uma comissão interplanetária percebeu que o planeta está em declínio e será destruído em breve. Para isso, Klaatu irá conviver com uma família de classe média e conhecer um pouco mais da vida dessas pessoas. Porém, a forma hostil como é recebido pelas autoridades o levam a concluir que os seres humanos merecem ser destruídos. Um clássico que permanece atual até hoje, tanto que sua refilmagem está fazendo um grande sucesso mundial.

Estrelado pelo astro Keanu Reeves, no papel de Klaatu, o filme ganhou nova roupagem, muitos efeitos especiais, mas perdeu em essência e força narrativa. Ficamos tão vidrados nos efeitos dos insetos exterminadores que não paramos para refletir aquilo que o filme passa. Isso me lembra uma frase de outro sucesso de Reeves, Matrix, quando o agente Smith compara o ser humano a um vírus que destrói tudo em volta. Claro que o extermínio não é a solução, pois na eminência do abismo nós evoluímos, mas por que precisamos a chegar a pontos tão extremos? Na verdade, ninguém tem o direito de decretar o fim de nenhuma civilização. A comparação feita pela secretária de segurança com o que ocorreu com povos como os Maias, Astecas e Incas é bem feliz. O fato é que ninguém gostaria de estar no lugar de uma civilização menos adiantada que pudesse ser exterminada por outra.

Em relação ao novo filme, fica a conclusão de que nem como um alienígena sem emoção, Keanu Reeves consegue ter uma boa interpretação. Seu sucesso se deve a astúcia de escolher bons papéis e conduzir sua carreira de forma inteligente. E é impressionante o que ele consegue. É interessante ver no cinema, com boa tecnologia e uma tela grande. Mas, recomendo que vejam depois o original. Assim, têm uma boa noção do que é um filme de ficção científica em um tempo em que a tecnologia estava ainda engatinhando.


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De Harry Potter a Príncipe Caspian

As Crônicas de Nárnia - Príncipe CaspianQuando lançou em 1997 seu primeiro livro do bruxinho simpático, J.K. Rowling não apenas garantiu a sua aposentadoria, como deu uma identidade à literatura adolescente. É só observar as prateleiras das livrarias para perceber que o foco e os leitores mudaram. Em consequência mexeu em toda a estrutura cinematográfica de adaptações para o público. Com um marketing bastante eficaz, trouxe de volta o culto ao mundo mágico, fantasia e histórias épicas (algumas melhores que a do próprio bruxinho), como o cultuado Tolkien. Fenômeno similar ao que Matrix representou para os filmes de ficção.

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O homem que queria matar Hitler

Operação Valquíria - Tom CruiseEstreou ontem em todo Brasil o filme que Tom Cruise veio ao país para divulgar: Operação Valquíria. O astro passeou pelo Rio de Janeiro e prometeu voltar para filmar algo na cidade que considerou linda. Nem assim, ele conseguiu toda a simpatia necessária para que a crítica gostasse de sua atuação. Não vou ser tão severa com o moço. Cruise é um bom ator, não é fantástico, nem fora do comum, mas consegue bons momentos como em Nascido a 4 de julho, Questão de Honra ou como o vampiro Lestat que chegou a gerar um pedido de desculpas por parte de Anne Rice. A autora tinha feito campanha para que Tom Cruise não interpretasse seu personagem favorito, mas acabou se rendendo e dizendo que estava errada ao ver o filme e sua atuação. Mas, em Operação Valquíria falta intimidade com a arte de expor emoções contraditórias. O coronel Claus von Stauffenberg acaba sendo pouco mais de um robô frio e sentimos falta de algo mais, principalmente nas cenas finais.

Além do mais, o filme reflete um forte sentimento alemão e feito por americanos, falado em inglês, fica quase sem sentido. A história já havia sido contada recentemente por quem é de direito e essa refilmagem acabou sendo apenas um chamariz para o mundo conhecer um pouco mais dos bastidores da segunda guerra. Afinal, a história é feita pelos vencedores (não é o que dizem?).


No geral, o filme é muito bem feito, digno de clássicos de guerra e conspirações. A direção de Bryan Singer é sensível ao tema, com ângulos e detalhes próximos que trazem a sensação de segredo e intimidade com a história. O roteiro segue um ritmo de suspense e ficamos presos a cadeira na expectativa, mesmo sabendo através da história como aquilo irá terminar. Mas, Operação Valquíria nos leva a deixar o cinema de lado para pensar e falar em um assunto que salta aos olhos do mundo e que já se tornou tabu: o Holocausto.

Operação ValquíriaPassando batido pelo Bispo imbecil que declarou recentemente ser tudo ilusão de ótica, qualquer ser humano no planeta concorda que foi a maior atrocidade da humanidade. Não pelo extermínio, pois os judeus estão aí, ao contrário de civilizações que estão apenas na lembrança como os Maias, Astecas e Incas. Mas, pela forma covarde que os campos de concentração trataram seres humanos, com uma desculpa vil de raça inferior ou superior. Alemão virou sinônimo de monstro insensível e a história de Operação Valquíria serve para devolver um pouco da honra desse povo. Afinal, como é dito no início e no fim: "precisamos mostrar que nem todos os alemães são como ele".

A trama foi a décima terceira e última tentativa de grupos resistentes em derrubar Hitler e acabar com o genocídio nos campos de concentração. Resultou na pior de todas, já que seus mandantes foram todos assassinados após a descoberta. Deixo claro que aqui estou citando a história, para que ninguém me acuse de spoiler. O que mais chamou a atenção desta última tentativa, foi que eles conseguiram ir mais longe que qualquer outra, chegando a anunciar a morte do Führer e a tomar parte da Alemanha, antes da derrocada. E o mais interessante é que fizeram o golpe utilizando um plano criado pelo próprio Hitler. Era uma estratégia de controle de situação, caso houvesse alguma ameaça interna. O nome vem em inspiração a música de Wagner que toca na casa do coronel Claus von Stauffenberg dando-lhe a luz que precisava para arquitetar seu plano. Esta é uma sequência bastante interessante no filme de Bryan Singer.

Para quem quiser apenas um resumo da história, encontrei o trailer do filme original. Serve também de comparação para quem ainda não viu esse filme alemão de 2004.

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Wall-E

Nem Madagascar, nem Bolt, muito menos nosso Grilo Feliz. A animação mais festejada do ano, com certeza é Wall-E. Indicada ao Oscar de melhor animação e melhor roteiro original, a história desse robozinho conquista a todos que a assistem. Aparentemente é mais uma história de robô com emoções humanas que sofre bastante até seu final feliz. Mas, na realidade, Wall-E é uma reflexão sobre a condição humana e o futuro da humanidade como um todo.

Com um roteiro inteligente, baseado praticamente em imagens e ações, poucos são os diálogos, conta a história de um tempo futuro quando o planeta Terra virou um lixão abandonado e apenas um robozinho continua nele fazendo compactação de lixo e guardando tudo que acha interessante. Seu nome, Wall-E é uma abreviação de Waste Allocation Load Lifter Earth Class, ou em português, Empilhadeira de Lixo de Uso Terrestre e sua única companhia é uma barata, que o acompanha em seu serviço e em sua casa. Entre as coisas guardadas por Wall-E está uma fita do musical Hello Dolly, clássico dos anos 60 eternizado por Barbra Streisand, que o robozinho assiste todos os dias, repetindo passos de dança com um chapéu improvisado e sonhando com o toque de mãos com seu par romântico.

Sua rotina é quebrada com a chegada do robô-sonda EVA (Examinadora de Vegetação Alienígena) que não por coincidência tem o mesmo nome da mulher de Adão, por quem o robozinho se apaixona e vive uma aventura para trazê-la de volta ao planeta. Em sua trajetória, irá conhecer a colônia humana, que vive em algum lugar do espaço, na esperança de voltar ao planeta Terra, quando este tiver novamente condições de vida. E nesse momento, o roteiro nos traz a maior reflexão sobre as emoções humanas. Já que os seres que ali vivem perderam as características comuns aos terrestres. Totalmente apáticos e dependentes das máquinas até mesmo para se locomover ou se comunicar com a pessoa que está ao seu lado. É o velho robozinho, que de tanto assistir a filmes, vai mostrar como é viver em comunidade.

Os estúdios Disney se uniram à Pixar para fazer uma animação primorosa. Os detalhes que compõem o filme chegam próximo ao real, com texturas e equilíbrio. Wall-E foi inspirado na luminária símbolo da Pixar e em um binóculo para os olhos, pois segundo seu criador Andrew Stanton, assim eles poderiam dizer tudo através dos olhos do robozinho. E provando que os olhos são a janela da alma, é impressionante como o roteiro consegue nos comover e fazer torcer por um robozinho velho que só fala a palavra EVA o filme todo. Já EVA é baseada no design dos iPod, dizem que a Pixar chegou a pedir assistência ao designer da Apple, Johnny Ive. Apenas quando chegam as formas humanas é que percebemos que o 3D ainda não é perfeito. Tanto que é utilizado um recurso de vídeo para vermos a mensagem do último comandante terrestre ao atual capitão. Mesmo assim, Wall-E impressiona e emociona a todas as idades. Vale a pena embarcar nessa aventura.

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Festival de Trapalhadas

Brad PittUma confusão atrás da outra, é como pode ser definido o novo filme dos irmãos Coen: Queime Depois de Ler. Com um humor inteligente, o roteiro foi indicado pelo sindicato de Hollywood como um dos melhores do ano e não é para menos. Todo o argumento é bem construído, em uma sucessão de trapalhadas que levam a um final, como iremos definir: tragédia pastelão, ou algo do tipo. É surreal, e a conversa entre os agentes define perfeitamente a história: "Volte quando tudo isso fizer sentido", diz o chefe da CIA ao ser informado do que está acontecendo.

Poster de Queime Depois de LerA história gira em torno de um ex-agente demitido que resolve escrever suas memórias, contando detalhes secretos das ações. Por engano, o CD vai parar nas mãos de Chad e Linda, dois estranhos funcionários de uma academia de ginástica que resolvem tirar proveito das informações. Brad Pitt está ótimo como o atrapalhado Chad, e Frances McDormand defende muito bem sua ambiciosa Linda, que quer acima de tudo concluir sua cirurgia plástica. Destaque também para George Clooney, como o hipocondríaco Harry, detetive chamado para investigar o caso.

Apesar de bem escrita, a história do filme não passa de uma bobagem e talvez, por isso, não tenha tido vez no Oscar. Mesmo assim, a construção da trajetória nos envolve de uma maneira que ficamos presos à trama e é impossível não rir com a conversa final, entre o chefe e o engarregado da CIA. Define muito bem tudo que acabamos de ver. A direção também, merece destaque, com planos bem definidos, sucessão de cenas rápidas e instigantes, além das atuais naturais. Mais um mérito para os irmãos Coen, que sempre buscam aprimorar suas idéias e trazer originalidade ao cinema Hollywoodiano.

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A arte de Adaptar

Desde que surgiu o cinema de ficção, surgiu a adaptação de obras diversas para a grande tela. Livros, peças de teatro, fatos reais, histórias em quadrinhos, tudo sempre serviu de inspiração para histórias diversas e sempre foram muito bem aceitas. As pessoas gostam de rever histórias conhecidas com outro tratamento. Segundo Linda Seger, 85% do vencedores do Oscar de melhor filme são adaptações. Esse é um dado assustador, que provavelmente se confirmará esse ano, já que Milk é o único dos cinco indicados a melhor filme que é roteiro original, mesmo assim baseado em fatos reais. Será que a inspiração é tão pequena que histórias originais são raras de conquistar grandes platéias? Como dizia Lavoisier "nada se cria, tudo se transforma". E em uma indústria que visa o lucro rápido como o cinema comercial americano, é mais fácil apostar no já conhecido.

Homem-aranhaCom a evolução da tecnologia, muitas histórias dos quadrinhos passaram para as telas com novas roupagens, mas a sensação é que eles estão tão preocupados com os efeitos que esquecem as histórias. Homem-Aranha[bb] mesmo teve um ótimo roteiro em seu primeiro filme, mas as continuações foram caindo a olhos vistos. O terceiro filme é confuso, superficial e com muitos elementos desnecessários.

Senhor dos AnéisO fato é que adaptar é sempre um processo delicado. Há uma máxima no senso comum que diz que um filme nunca é tão bom quanto o livro. Não chega a ser uma verdade absoluta. O problema é que ao ler um livro a nossa mente se transporta para o mundo que nossa imaginação é capaz de criar e nenhum diretor, por mais sensitivo que seja, irá conseguir suprir a imaginação de cada ser humano. Adaptar não é necessariamente ser totalmente fiel a obra, como muitos fãs exigem, mas contar a mesma história com os recursos da mídia proposta. A essência é que tem que estar lá. Quando converso com fãs de Tolkien que abominam a trilogia que chegou ao cinema pelas mãos de Peter Jackson percebo esse preciosismo. Ninguém, nem o próprio Tolkien, conseguiria fazer um filme que os agradasse, pois eles queriam ver o livro na tela e isso, é impossível. A obra tem alterações, tem cenas que estão nos apêndices e foram inseridas para dar mais trabalho a Liv Tyler e justificar seu cachê. Tem muita coisa condensada e retirada, mas a essência está lá. A Terra Média conseguiu ser reproduzida de forma satisfatória.

As Brumas de AvalonPior foi o que fizeram com a obra de Marion Zimmer Bladley. Os fãs de As Brumas de Avalon assistiram assustados a uma deturpação da história. Nem Anjelica Huston como Viviane conseguiu salvar o filme. Todo o esforço em mostrar que o ser humano é ambíguo e que cada religião e povo defende seu ponto de vista foi reduzido mais uma vez a dicotomia do bem vs. mal. No filme, Morgana oscilava entre uma tola deslumbrada e uma mocinha de folhetim. Gwenhwyfar ficou uma coitada sofredora. E Morgause a encarnação do mal. É bom lembrar, aos desavisados que não leram o livro que não existem bem e mal para as sacerdotisas de Avalon, então, Viviane jamais poderia dizer coisa do tipo: "Minha irmã é uma feiticeira má". Talvez alguma boa alma ainda consiga refilmar essa grande obra como ela merece.

O fato é que, para adaptar, o roteirista precisa conhecer a obra e tirar dela a sua essência. Depois, o trabalho é de construção de uma história condizente com a mídia a que está se escrevendo. Assim conseguimos belos e eternos filmes como E o Vento Levou, Dança com lobos, A noviça rebelde, O poderoso Chefão, Ben Hur, entre outros. Sim, todos eles são adaptações.

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Thriller Brasileiro

Estréia hoje em todo o país o filme Verônica, de Maurício Farias, protagonizado por sua esposa, a atriz Andréa Beltrão. Diretor de grandes sucessos televisivos como A Grande Família (dirigiu também o primeiro longa da série), Farias surpreende com uma história consistente e engajada que procura criar uma heroína popular brasileira.

Verônica é uma professora de escola pública, sem paciência para crianças e com problemas pessoais. Um dia, ela percebe que ninguém foi buscar o aluno Leandro e resolve ajudar o menino. Começa, então, uma luta pela sobrevivência e justiça. Os pais de Leandro foram assassinados e o garoto está jurado de morte, pois tem um pendrive com informações que comprometem tanto traficantes quanto a polícia. Aos poucos, Verônica vai se afeiçoando ao menino e desenvolvendo seu lado materno, sendo capaz de tudo para protegê-lo.

Andrea Beltrão é VerônicaO filme possui suspense, reflexão, muita correria e alguns bons momentos. Mas, destaque mesmo, só a atuação de Andréa Beltrão que dá vida a Verônica, provando que não é apenas uma atriz de comédia. No mais, falta ao filme um pouco mais de tato com o gênero de ação. Talvez porque seja tão raro no Brasil, mas já é um começo interessante. Apesar da co-produção com a Globo Filmes, foi feito com baixo orçamento, tendo a equipe que criar uma cooperativa para viabilizar as filmagens no mesmo estilo de O Cheiro do Ralo. A Globo só entrou no projeto após o filme pronto, para ajudar na distribuição, que aliás é a parte mais complicada do nosso mercado nacional. Com apenas 500 mil reais, sendo o filme editado pelo próprio diretor em casa, Verônica merece aplausos. Foi feito praticamente pelo sonho do diretor. É um exemplo em um país ainda tão carente de bons filmes.

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Todas as atenções

Se Hollywood é a maior indústria do cinema mundial, a premiação que a sua academia distribui todos os anos, pode não ser a mais respeitada, porém, é a mais conhecida e esperada. Todos querem ganhar um Oscar, e a contagem regressiva até o dia 22 de fevereiro já começou. Aqui no Brasil, teremos uma concorrência desleal, já que estaremos em pleno domingo de Carnaval, mesmo assim, a cerimônia continua gerando expectativa e tendo seu charme.

Pensando nisso, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood lançou um novo site que reúne todas as informações sobre a academia, a premiação e os projetos realizados. Contando a história da indústria com cartazes, textos, fotos e vídeos, o internauta pode fazer uma viagem pela história do cinema americano, conhecendo curiosidades sobre a técnica e os técnicos que a fizeram. Cineastas, iniciantes ou não, podem ter acesso também a roteiros dos filmes produzidos. É possível, também, se inscrever no site para receber informações sobre a premiação até o dia da exibição do evento.

Além do site, vale a pena também conferir o canal da academia no Youtube, que não pode ter vídeos incorporados a este blog (a pedido do próprio canal). Indico especialmente, o Oscar honorário a Charlie Chaplin, gênio do cinema mudo que chegou a ser expulso dos Estados Unidos e nunca ganhou uma estatueta. Eles se redimiram, antes tarde do que nunca.

Um pouquinho do gênio, então:

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Um país em três horas

Australia A história de qualquer país, por menor que seja, não pode ser contada em um filme. E foi isso que tentou Baz Luhrmann, o que tornou seu novo filme Austrália uma saga maçante, pois tenta falar de tudo ao mesmo tempo e acaba não fortalecendo o principal. Tem Segunda Guerra, tem aborígenes, tem disputa de terra e briga de gado, tem amor, tem corrupção e vilania. Foi lançado como um "filme de antigamente", sendo comparado pelos produtores a dois grandes clássicos do cinema: E o vento levou e Entre dois amores. Semelhanças entre os três, há, não resta dúvidas. Afinal, Austrália é um épico sobre uma época, onde a personagem principal é uma mulher forte, destemida, avessa à convenções. Ela também é uma mulher em um país estranho, que se apaixona por um homem rústico e por esse país. E aí está o problema maior. Tentar juntar os dois filmes. É muita informação para uma única projeção. O espectador cansa e se perde em muitos momentos.

A pior coisa para um roteiro é parecer que acabou e ainda ter muita história a ser contada. A gente tem essa sensação em diversos momentos do filme. Vi muita gente saindo no meio e muita gente impaciente sair reclamando. Mas, não deixa de ser um filme corajoso. E tem bons momentos. Uma bela fotografia, cenas de ação de tirar o fôlego, momentos de poesia. Se deixarmos nos levar pelo melodrama, seja na relação amorosa ou na relação de Sara Ashley com o pequeno aborígene, em algumas cenas podemos até mesmo nos emocionar. Mas, até nisso os clichês são fortes demais. Tudo é exagerado demais em Austrália.

Fora a construção de Sara Ashley que no início beira ao pastelão. O que dizer da cena em que ela vê pela primeira vez um canguru? Ou quanto chega ao porto australiano e o Capataz está lutando com suas malas? Cenas pitorescas como a de Rei George em meio ao bombardeio do porto, ou a corrida de bois para embarcar no navio, também são over ao extremo. Mas, o pior ainda está por vir. Se você não viu o filme e não quer perder a surpresa, não leia o próximo parágrafo. Fique com o trailer do filme e volte aqui após sua jornada. Mas, se você é do tipo que não gosta de clássicos melodramáticos, pode continuar e não veja o filme, vai ser perda de tempo.


Matar a personagem principal seria algo extremamente corajoso, um final triste, mas poético, com o Capataz criando o menino aborígene, na fazenda. Cheguei a pensar que teriam a coragem de finalizar o filme ali. Porém, apesar de vermos Sara ser a primeira atingida com a explosão do local, não é ela quem morre. Em uma aparição surreal, ela ressurge e reencontra o seu amado e seu filho adotivo. Nem aí, o filme acaba. Já na fazenda, mais algumas cenas de família feliz, antes do aborígene finalmente aceitar o convite de Rei George para sua jornada de vida. Afinal, ele é um aborígene e pertence ao mundo, não à "senhora patroa". Definitivamente, há bons momentos, mas Austrália não chega aos pés de um clássico do cinema.

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