50 anos do Cinema Baiano (Parte 5)

Após a exibição única do filme Redenção (uma cópia em estado precário, por falta de apoio à conservação de nossa história), Oscar Santana disse uma frase que faz pensar. Segundo o produtor, tínhamos que tomar cuidado em não estar fazendo com os alunos de cinema o mesmo que fazem com os alunos de circo. Ensina-se a arte, mas não se oferece lugar para eles a exercerem, então, vão fazer malabarismo nas sinaleiras. A classe cinematográfica ainda luta por uma faculdade de cinema na UFBa, mas além do curso de cinema da Faculdade FTC e da Faculdade do Recôncavo, a Bahia possui diversos cursos de rádio, televisão e comunicação de onde saem, todos os anos, milhares de alunos sonhando em ser cineastas.

Lázaro RamosÉ fato que a produção baiana aumentou. Com o novo governo, diversas leis de incentivo e editais de fundo de cultura têm movimentado o mercado, com curtas e longas, seja de ficção, documentário ou animação. Produções nacionais estão na cidade filmando as obras de Jorge Amado[bb] e a série Ó Paí Ó já tem segunda temporada garantida. Novos cursos profissionalizantes surgem a todo momento e há uma preocupação em formar mão-de-obra qualificada. Porém, ainda é pouco. Não temos uma indústria estabelecida e não há fluxo para absorver todos os profissionais lançados no mercado. O Pólo ainda está no eixo Rio-São Paulo e, mesmo lá, a produção ainda não está tão grande.

Com a organização da Bahia Film Comission ficou mais fácil a centralização do apoio a produções de fora, já que além da sede no Barbalho, há um catálogo de mão-de-obra e acesso mais rápido para liberação de espaço junto à prefeitura e estado. Atualmente, duas obras de Jorge Amado estão sendo transportadas para a tela. Quincas Berro D´Água, com direção de Sérgio Machado e participação de atores como Mariana Ximenes e Paulo José. E Capitães da Areia, que será dirigido por Cecília Amado, neta do escritor. Vale lembrar que Dona Flor e seus dois maridos, dirigido por Bruno Barreto, é até hoje a maior bilheteria nacional com 11 milhões de espectadores.

Lázaro Ramos também quer produzir seu próprio filme.

Atualmente, existem nove produções em andamento catalogadas.
Em fase de finalização
Trampolim do Forte - de João Rodrigo Mattos
Pau-Brasil - de Fernando Bélens
Estranhos - de Paulo Alcântara
Besouro - de Daniel Tikhomiroff
Jardim das Folhas Sagradas - de Pola Ribeiro

Em fase de produção
Capitães da Areia - de Cecília Amado
A morte e a morte de Quincas Berro d´Água - de Sérgio Machado
O homem que não dormia - de Edgard Navarro
Ele, o tal - de Josias Pires e Joel de Almeira (documentário sobre Cuíca de Santo Amaro)

Resta a mesma pergunta de sempre, que foi bastante discutida no programa debate da TVE no dia 24 de março. E a distribuição? Quando estes filmes ficarem prontos, haverá condições de chegarem às telas do cinema? Ou serão mais alguns filmes apenas de festivais? As leis de incentivo estão a todo vapor para produção, mas pouca gente conseguiu solução ainda para o gargalo da distribuição. E sem chegar ao público, não pode-se dizer que realmente exista cinema na Bahia.

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Diga não ao bloqueio de blogs.


Os blogs são uma realidade intensa na internet. Milhares de novos posts são disparados diariamente. Alguns com diários pessoais, outros apenas para incentivar a pirataria, porém uma grande massa vem mudando a forma de comunicação com matérias, estudos, discussões embasadas e sérias. Blogs pessoais, de revistas, de jornais, de televisão ou de profissionais com informações técnicas estão sendo prejudicados por uma conduta cada vez mais comum em escolas e empresas: o bloqueio indiscriminado dos blogs. Por isso, os blogueiros sérios estão se unindo em uma campanha para frear esta ação e conscientizar as pessoas da realidade de internet. É a campanha Diga não ao bloqueio de blogs.
Você que tem um blog, participe também. Só unindo forças conseguimos chegar a algum lugar.

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Frost X Nixon

A Revista Época traçou uma comparação interessante. Imagine se em 1992 após o impeachment de Collor, ele cedesse uma série de entrevistas exclusivas para Otávio Mesquita. Este é o argumento de Frost/Nixon.

A verdade é que David Frost era um showman inglês que foi expulso dos Estados Unidos e queria provar que tinha valor. Bancou a entrevista apostando todas as suas fichas no furo de reportagem e por pouco não se deu mal. Diante de um dos políticos mais inteligentes de todos os tempos, ele sofreu até o último minuto quando conseguiu, finalmente, fazê-lo confessar.

Oliver Stone[bb] já tinha contado a história de Nixon em 1995, com Anthony Hopkins[bb] muito bem no papel. Então, o mundo já estava familiarizado com o escândalo de Watergate (citado também em Forest Gump) e tinha noção do horror dos americanos por um presidente que "saiu da linha". Ron Howard pega exatamente onde termina Nixon, na renúncia, e continua a história, mostrando como aquele presidente corrupto e esperto caiu diante de um humorista desacreditado.

O filme consegue mostrar a tensão do momento e prender o espectador grudado na tela. É sem dúvidas uma ótima pedida e mereceu as indicações ao Oscar. Porém, o mais impressionante é mesmo a interpretação de Frank Langella. Ele não apenas encarna Richard Nixon com perfeição, como consegue emoção nos pequenos gestos. É impressionante ver sua fisionomia desmoronar aos poucos enquanto o personagem vai se envolvendo no drama da entrevista. Michael Sheen também está muito bem em seu papel de entrevistador, dando a carga dramática necessária quando é pressionado. São dois grandes personagens que dão boas possibilidades a interpretação. A trama mostra que, na realidade, os dois queriam a mesma coisa, ser reconhecidos.

A direção de Ron Howard[bb] é correta, sem grandes inovações ou ousadias, mostra aquilo que tem que ser mostrado em um ritmo bom e envolvente. E a fotografia, muitas vezes escura, ajuda no clima de tensão. É um bom filme, sem dúvidas. Mas, nem por isso uma obra-prima.

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50 anos do Cinema Baiano (Parte 4)

O fim da Embrafilmes acabou com a produção do cinema nacional e não foi diferente na Bahia. Amargamos anos de ostracismo e falta de produções, onde a única coisa nacional vista nas telas era Os Trapalhões, Xuxa e os filmes pornográficos que circulavam no mercado paralelo. A retomada do cinema nacional veio em 1994 com Carlota Joaquina, mas na Bahia só fomos ver algo novo em 2001 com Três Histórias da Bahia.

Não é exatamente um longa, e sim, três curtas que foram produzidos ao mesmo tempo, pela mesma produtora, porém com histórias, diretores e atores diferentes. O único link entre elas é o Carnaval, que de alguma forma está representado nas três tramas. Seu valor cinematográfico não é expressivo, já que as três histórias têm problemas. Mesmo assim é um marco. Foi a partir daí que o mercado baiano voltou a esquentar, vários alunos recém-saídos das escolas trabalharam como estagiários no filme e começaram suas próprias produções sendo hoje os cineastas que movimentam o cenário local. Os meios de comunicação e o governo começaram a voltar os olhos para o cinema local. Enfim, serviu como ânimo, incentivo, o cinema baiano não estava morto. Só por isso, já vale ser lembrado.

As três histórias são "Agora é Cinza", filme dirigido por Sérgio Machado que traz Sérgio Mamberti como um Rei Momo aposentado. "O Pai do Rock", com direção de José Araripe mostra os quatro integrantes da montagem original da peça Os Cafajestes (Daniel Boaventura, George Vassilatos, Fábio Lago e Osvaldo Mil) como uma banda de rock de garagem que faz um pacto com o diabo, interpretado por Ingra Liberato e "Diário de um Convento", dirigido por Edyala Iglesias que conta a história de uma enclausurada do século XVII através de uma escritora, interpretada por Lucélia Santos, que chega à cidade a procura de um diário.

A partir daí, os filmes voltaram a surgir aos poucos, um por ano, com o edital da Petrobrás. Destaque para o documentário Samba Riachão de Jorge Alfredo, que ganhou prêmio principal no Festival de Brasília de 2001, tendo boa aceitação em diversos festivais como o Internacional de Cuba. E para o longa Eu me lembro, de Edgard Navarro, que levou sete prêmios no Festival de Brasília 2006 e deu novo ânimo ao cinema baiano, mostrando que ele está vivo e pode produzir muitos filmes com destaque nacional e internacional. Ambos podem ser encontrados em DVD e Eu me lembro já teve sua estréia no Canal Brasil.

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A capacidade de surpreender

Sexto SentidoRevendo o filme O Sexto Sentido na Globo e observando a sua audiência fiquei pensando sobre a principal característica de um bom suspense: surpreender de forma coerente o espectador. Quando Hitchcock[bb] estreou com Psicose, ninguém podia imaginar que Norman Bates se fantasiava da mãe morta. Mas fez sentido e isso foi o sensacional.

Assim, M. Night Shyamalan[bb] quis criar a sua marca cinematográfica que começou com o Sexto Sentido, mas não teve uma continuidade tão boa quanto a do mestre do suspense Hitchcock. Nem é preciso dizer que este texto está cheio de spoilers, vou falar exatamente de finais de filme, então, se você não viu e não quer saber, dê uma olhada nos outros posts.

O Sexto Sentido conta a história de um garoto que vê pessoas mortas e é acompanhado por um psiquiatra, muito bem interpretado por Bruce Willis. O drama nos envolve e, acostumados a filmes que falam do sobrenatural, não nos damos conta das pistas que a trama nos passa.

Cole confessa o seu "segredo" ao Dr. Crowe: "Eu vejo gente morta... Eles não sabem que estão mortos." O garoto disse. Vimos o Dr. Malcom Crowe levar um tiro no início do filme e desde então ele vaga pelo mundo tendo contato apenas com o garoto. Mesmo assim, parece que não temos a capacidade de perceber o óbvio. Muita gente só descobriu que ele estava morto na cena final, ao ver o sangue em suas costas. Muitos tiveram que ver várias vezes para perceber os detalhes que estavam ali o tempo todo. Isso fez do filme genial, ele não escondeu as evidências, nós que não tivemos a capacidade de ver o que estava em nossa frente.

Porém, o sucesso desta empreitada causou um dano ao diretor que trouxe para si a responsabilidade de repetir o suspense revertido todo final de filme. Sinais, A Vila, A dama da Água, Fim dos Tempos... Nada irá conseguir o mesmo feito de O Sexto Sentido se não fizer sentido dentro da trama. O espectador já vai para o cinema com a vontade de descobrir a pegadinha e isso gera um círculo vicioso que não ajuda nem ao filme, nem a quem vai vê-lo. Tem que ser de uma maneira natural, senão, não faz sentido. É preciso tornar o espectador cúmplice do personagem, fazê-lo se envolver com a narrativa. Não necessariamente com uma reversão de expectativa.

Um filme que veio no rastro de O Sexto Sentido foi Os Outros de Alejandro Amenábar. O grande plus do filme é surpreender além do esperado. O espectador acha que já entendeu tudo e vem mais coisa. Quando os empregados batem a porta de Grace, fica claro para muitos que eles estão mortos. Há uma atmosfera sombria em torno dos três, mistério... Quando o marido de Grace volta da guerra, fica quase evidente que Grace e as crianças também estão mortas e que tudo aquilo são níveis de fantasmas diferentes. O que a maioria não conseguiu imaginar foi que "os outros" de quem ficamos com medo durante toda a projeção eram na realidade os vivos. Esse foi o grande plus que o filme trouxe e que faz com que seja um filme para ser visto apenas uma vez. Afinal, os sustos e tensão que vimos perde o sentido ao saber a verdade.

O fato é que um bom filme de suspense não pode ser uma fórmula pronta de repetição do que já deu certo. O que já foi visto não é surpresa. A criatividade está em reinventar, surpreendendo de forma coerente o espectador. Nisso, O Sexto Sentido vai continuar sendo clássico, assim como Psicose.

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Panorama de Cinema



Começa hoje em Salvador o V Panorama Internacional Coisa de Cinema, no Espaço Unibanco, Sala Walter da Silveira e Centro Cultura Plataforma. Diversos filmes inéditos ou de difícil acesso podem ser conferidos, além da mostra competitiva e homenagens a grandes filmes baianos.

O evento contará ainda com palestras e mesas redondas sobre diversos temas sobre o cinema. Confiram a programação completa no blog.

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Dublar ou não dublar

Os recentes filmes com utilização de tecnologia 3D trazem à tona novamente a polêmica sobre filmes dublados. Muita gente reclama de dublagens e gostaria de ver apenas as vozes originais, mas como diz Adhemar Oliveira, “assistir a um filme em 3D com legendas seria como dirigir numa estrada olhando sempre para placa do caminhão na sua frente”, compara o sócio das redes Espaço Unibanco e Unibanco Arteplex. “O filme 3D é feito para dar uma inserção virtual numa realidade tridimensional, e as legendas ainda não combinam com esse conceito”, completa.

Em filmes com atores, a repúdia por dublagem é compreensível, afinal por melhor que seja a dublagem brasileira (considerada a melhor do mundo), é possível perceber que a voz não é a mesma, a boca mexe de forma diferente e há casos onde a interpretação do dublador perde a sutileza do personagem, como no caso de O Diabo Veste Prada. Boa parte da interpretação de Meryl Streep, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, estava no tom de som, suave, baixo. Na dublagem, ela perdeu todo o encanto.

Agora, em uma animação, seja com a voz americana ou brasileira, será sempre uma dublagem, se é que vocês me entendem. As cópias passaram a chegar por aqui legendadas apenas recentemente, quem lembra de clássicos da Disney legendados? A dublagem faz parte da animação, seja ela para criança ou não. Na tecnologia 3D então, fica clara a necessidade de uma dublagem para a experiência de imersão ser completa. E a polêmica perde o sentido quando observamos uma pesquisa encomendada pelo sindicato de distribuidores. Já que a maioria do público brasileiro diz preferir filmes dublados.

Fonte: UOL

A questão é que é preciso analisar a pesquisa de forma completa. Pois, ao olhar os dados em separado percebe-se que a preferência pela dublagem se concentra entre os espectadores médio (57%) e eventual (69%). Entre o público mais freqüente, há um empate técnico 46% preferem dublados e 47%, legendados. Ou seja, cinéfilo gosta de filme com o som original. A boa notícia é que com o advento do DVD, onde todas as opções são possíveis, ficou mais fácil para o mercado distribuir seus filmes sem precisar escolher uma única forma. Agora, quem não dispensa a sala escura para ver seus filmes preferidos tem que torcer para continuarem distribuindo sessões legendadas e dubladas.

E você? Prefere filme dublado


ou legendado?

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50 anos do Cinema Baiano (Parte 3)

Após o fim do Ciclo Baiano de Cinema houve um esfriamento da produção local, poucos filmes esporádicos eram feitos, em sua maioria curta-metragem. Para dar vazão a essa produção e continuar a discussão sobre cinema surge a Jornada de Cinema, presente até hoje no calendário cultural baiano. Mas foi o surgimento de uma nova bitola que deu novo ânimo a produção local. Na década 70 surge a bitola super-8, mais barata que a 35mm e com boa qualidade, gera um verdadeiro boom nacional de produção. Na Bahia, não é diferente e jovens cineastas começam a produzir filmes que são destaques até hoje, José Araripe, Pola Ribeiro, Edgard Navarro, Fernando Bélens, entre outros. É o chamado Movimento Super Oito, que conta com filmes como A Conversa (Pola Riberio) e O Rei do Cagaço (Edgard Navarro).

Ganhando experiência, os cineastas começaram a buscar meios de fazer novos filmes de forma independente. No final da década de 80, Edgard Navarro lança, em 35mm, o seu filme mais cultuado e conhecido: SuperOutro. Um média metragem que vale a pena ser revisto.

"Acorda humanidade", grita o mendigo interpretado de forma fantástica por Bertrand Duarte. SuperOutro é uma sátira a tudo e a todos. O superoutro é um mendigo que tem como missão voar. Ele confronta a polícia, a burguesia e o sincretismo religioso da cidade de Salvador, utilizando de símbolos sobre a exclusão social urbana brasileira, com sarcasmo e ousadia. Um ser com traços esquizofrênicos que mostra os problemas da sociedade que se acha sã. Uma de suas frases símbolo é "para quê que eu vou querer saber de tudo. O dia que eu souber de tudo eu não vou querer saber mais de nada." O filme ganhou os principais prêmios no Festival de Gramado de 1989 (Melhor Filme, diretor e ator) e é considerado até hoje o grande marco de Edgard Navarro.

Cartaz de Superoutro
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Roteiro: Edgard Navarro
Fotografia: Lázaro Faria
Música: Celso Aguiar
Montagem: Edgard Navarro Filho
Produção: Edgard Navarro Filho
Produtora: Lumbra Cinematográfica, Sani Filmes, FCB

Cena de Superoutro
Apesar de toda hostilidade e incompreensão que encontra pelo caminho, o herói do filme não desiste de sua missão libertária, em sua fantasia, ele se joga do terraço e voa pela cidade de Salvador. É a redenção patriótica, absurda e terminal de um filme inovador e incômodo.

Alguns comentários da época:

"O Superoutro atua no cerne do cinema. É um filme rico, forte, extremamente estimulante. Não tem uma imagem pobre naquele filme. Para mim é o melhor filme da década". (Caetano Veloso - Revista Tabu - 1989)

"Superoutro é o filme definitivo do cinema baiano na década de 80." (José Umberto Dias - Cine Imaginário - 1989)

"Um filme feito com vísceras, paixão e alma por um dos mais transgressores dos cineastas brasileiros." (Maria do Rosário Caetano - Almanaque - 2005)

Atenção*


*Quem não gosta de spoilers, esse vídeo possui um resumo de 5 minutos do filme, com o final incluso, foi postado pelo Nublog, tendo cenas de outros filmes do ator Bertrand Duarte.

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Tempos de paz


Daniel Filho ainda é visto como um homem de televisão, não é para menos. Sua carreira se confunde com a da Rede Globo de Telecomunicações, onde ajudou a criar o tal "padrão Globo de Qualidade". Desde que saiu para montar sua produtora de cinema, tem feito filmes populares, com atores "globais" e um certo vício televisivo. Mas, não se pode deixar de reconhecer um esforço para criar uma indústria cinematográfica no país. Como ele mesmo falou em entrevista para o JB todos os seus filmes se pagaram. E ele assinou o maior sucesso de bilheteria da retomada do cinema nacional: Se eu fosse você 2. É um fenômeno que não deve passar em branco.

Agora, Daniel se prepara para estrear em maio o seu filme mais autoral. Tempos de Paz é baseado na peça Novas Diretrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil, que ganhou Prêmio Shell de melhor autor, atores e iluminação. É um filme denso, com uma mensagem forte e focada em apenas dois personagens. Daniel chegou a compará-lo aos filmes de Bergman e sua tensão psicológica. Se ele conseguir metade da magia dos filmes do aclamado diretor, o cinema nacional agradece.



A mensagem do filme, segundo o autor é: qual a função da arte num mundo tão conturbado quanto o nosso? A história conta o encontro entre um torturador do governo Vargas com um ex-ator polonês confundido com um nazista. Tudo se passa em 18 de abril de 1945. Os combates já cessavam na Europa, mas o Brasil ainda se encontrava tecnicamente em guerra. O embate se desenrola na sala de imigração do Porto do Rio de Janeiro. A peça retrata um período crítico e fala de maniqueísmo e de luta pela vida.

Tony Ramos e Dan Stulbach são dois grandes atores, fizeram a peça e agora levarão a história para as telas. Mesmo marcados pela televisão é fato que podem fazer um grande trabalho, já que o estilo é propício. Como Daniel Filho irá levar este embate para as telas é algo que deixa uma curiosidade e uma torcida para que bons filmes possam ser feitos no país e, nem por isso, amarguem bilheterias insignificantes.

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"Who watches the watchmen?"

Rorschach"Who watches the watchmen?" ("Quem vigia os vigilantes?") esta é a pergunta que paira na cabeça dos cidadãos americanos e faz com que o presidente Nixon proíba a ação de heróis mascarados pelas cidades no mundo criado por Alan Moore. Uma sátira à cultura americana em que super-heróis são seres tão humanos e falhos como qualquer pessoa, mas que se dispuseram a usar fantasias para lutar contra o crime. O ano é de 1985, a Guerra Fria está no auge da tensão e um Relógio do Juízo Final marca constantemente cinco minutos para a meia-noite. A Guerra Nuclear parece iminente e não há muitas esperanças para mundo. Neste clima, o Comediante, um ex-integrante dos Watchmen, é assassinado em seu apartamento. O filme conta a história da investigação de Rorschach, outro Watchmen, para o assassinato, em paralelo à crescente tensão pela guerra nuclear. Ele pensa que estão querendo eliminar os Watchmen.

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Redenção faz 50 anos

RedençãoApenas para lembrar que hoje é o aniversário de estreia do filme Redenção, de Roberto Pires, primeiro longa-metragem baiano que está rendendo a este blog uma série de cinco posts (sempre as segunda-feiras) sobre a trajetória do nosso cinema.

Lembrando também que o filme está em processo de restauração e que será exibido no dia 24 de março no Espaço Unibanco - Cine Glauber Rocha, dentro da programação do V Panorana de Cinema. Hoje, Cineclube Roberto Pires do Espaço Cultural Raul Seixas (Av. Sete de Setembro, Mercês) exibe, a partir das 18 horas de segunda-feira, um programa com o filme Tocaia no Asfalto, também de Roberto Pires, antecedido de um curta-metragem, Artesão dos Sonhos, perfil do cineasta, dirigido pelo filho Petrus Pires e Paulo Hermida.

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50 anos do cinema baiano (Parte 2)

Glauber Rocha Não é a toa que a maior referência ao cinema baiano é Glauber Rocha. O baiano nascido em Vitória da Conquista é um gênio, não apenas um cineasta reconhecido, como também estudioso e crítico com vários artigos publicados. Seu começo foi no Clube de Cinema de Walter da Silveira, seu primeiro filme foi Barravento, um dos integrantes do Ciclo Baiano de Cinema. Mas, seu vôo solo começou com o Movimento Cinema Novo, inspirado na Nouvelle Vague, francesa.

Para quem não conhece, o movimento da Nouvelle Vague começou com André Bazin que criou a Revista Cahier Du Cinema para pensar o cinema de autor. Dentre os críticos participantes estavam Godard, Truffaut, Claude Chabrol e Erish Romer. Eles defendem filmes mais realistas e ligados aos problemas do próprio país. Filmes que induzissem a reflexão. Dois grandes filmes do movimento são Os incompreendidos e Acossado.

Assim, o Cinema Novo[bb] construiu a sua própria teoria do cinema de autor, falando da realidade brasileira de maneira engajada e crítica. Seus maiores representantes foram Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. Deus e o Diabo na Terra do Sol e Vidas Secas, são clássicos que gosto de relembrar sempre. Mas, o movimento foi muito além disso, sendo contra a linguagem de estúdio, industrial. Assume a falta de recursos como desafio. O famoso "uma idéia na cabeça, uma câmera na mão". Um verdadeiro produto da cultura e mobilização política dos anos 60.

E foi como Gláuber Rocha se firmou no mercado nacional e internacional. Não é um movimento baiano, não é considerado cinema baiano, já que é feito com recursos nacionais. Mas, é de um baiano que sempre fez questão de citar sua origem e falar de sua terra. Por isso, é motivo de orgulho para o Estado e está sendo relembrado nesse especial. Afinal, não precisamos de bairrismos para lembrar e admirar os grandes feitos do cinema nacional.

Alguns filmes do Cinema Novo:
Urbano: A grande Cidade (Cacá Diegues), Terra em Transe (Glauber Rocha), São Paulo SA (Luís Sérgio Person), Assalto ao Trem Pagador (Roberto Faria).
Rural: Vidas Secas (Nelson Pereira dos Santos), Os fuzis (Ruy Guerra), Deus e o Diabo na Terra do Sol (Gláuber Rocha), Menino de Engenho (Walter Lima Jr).


Falando em Gláuber, faço propaganda das Quartas Baianas, que ocorrem na Sala Walter da Silveira, sempre as 20h. Nesta quarta-feira, dia 11, será exibido o filme Câncer e dia 18, o filme A idade da Terra.

Dia 11.03 (quarta-feira)
20h (70 anos Glauber Rocha)
Câncer
Direção: Glauber Rocha
Fic. 86 min. 1968/1972
No Rio de Janeiro, em 1968, em meio à turbulência política da época, um negro carioca, malandro típico, se encontra com o receptador de seus pequenos golpes. Entre eles, move-se de modo escorregadio uma loura sensual, que contempla alternadamente com seus carinhos um e outro. Sob esta estrutura relativamente prosaica, Câncer traça um painel daquele momento brasileiro, flagrando com câmera nervosa detalhes de um Rio que não existe mais e onde aparece quase como um personagem do filme, a antiga Cinelândia. 'Nenhuma história particular, somente três personagens, em 27 planos longos, improvisando situações cujo tema é a violência psicológica, sexual e racial. No comando, a improvisação total.

Dia 18.03 (quarta-feira)
20h (70 anos Glauber)
A Idade da Terra
Direção: Glauber Rocha.
Brasil, 160 min. 1980.
Visão alegórica de um Brasil que busca sua identidade própria em meio ao complexo jogo político e à diversidade racial que compõem o país.
Com Maurício do Valle, Jece Valadão, Antonio Pitanga, Tarcísio Meira, Geraldo Del Rey, Ana Maria Magalhães, Norma Bengel.

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A mulher e o cinema

Quando o francês Georges Méliès viu aos filmes dos irmãos Lumière, percebeu que podia ir além e utilizar sua magia para criar filmes narrativos. Em 1899, ele filmou Cinderela em 20 cenas e, assim, o feminino chegou as telas do cinema. A mulher que simboliza o argumento universal "Amor como ascensão social", a doce, boa e servil donzela a espera de seu príncipe encantado. Por muitos anos, as mulheres foram vistas e representadas no cinema desta forma.

A revolução sexual dos anos 60 e a oficialização do decreto do dia Internacional da Mulher em 1975 (em homenagem as mulheres mortas na manifestação de 1857 na fábrica de tecidos de NY) incentivaram novas abordagens. Filmes memoráveis puderam ser feitos mostrando a mulher em suas diversas fases e possibilidades. Seria impossível fazer uma lista pessoal, diante de tantos exemplos, por isso cito e indico aqui o livro A Mulher vai ao cinema, de Inês Assunção de Castro Teixeira e José de Sousa Miguel Lopes. Nele, são feitas análises de diversos filmes que mostram exemplos de mulheres dignas de serem lembradas e homenageadas em um dia como este.

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Alguns dos Filmes do livro:
Rosa Luxemburgo (1986) - Dirigido por Margarethe Von Trotta, o filme conta a biografia da teórica marxista Rosa Luxemburgo, judia polonesa que liderou a revolução comunista na Alemanha no século XIX. O filme alemão fez sucesso, principalmente pela atuação de Barbara Sukowa, que ganhou o Cannes de melhor atriz (dividindo com a brasileira Fernanda Torres).

Frida (2002) - Filme dirigido por Julie Taymor que conta a história da artista Frida Kahlo. Artista de grande talento, Frida foi uma ativista do movimento feminista e teve uma vida de contestação política. Bissexual assumida, ela teve vários escândalos amorosos e um romance conturbado com o também artista Diego Rivera.

Eternamente Pagu (1987) - O filme de Norma Bengell é de difícil acesso, porém foi lembrado por contar a trajetória de Patrícia Galvão, poetisa, militante comunista, feminista. O filme mostra a trajetória da menina que, ainda com 20 anos, encantou intelectuais, escandalizou conservadores, lutou ao lado de Carlos Prestes, sendo presa diversas vezes.

Lanternas Vermelhas (1991) - Dirigido por Zhang Ymou, conta a história de Songlian, uma estudante universitária chinesa que tem que abandonar os estudos para se casar com o patriarca do clã dos Chen. Porém, o marido já tem três outras esposas e a disputa por ser a preferida é travada de forma dura, entre elas.

A excêntrica família de Antonia (1995) - Este filme dirigido por Marleen Gorris é uma fábula existencial sobre a força das mulheres e um forte elogio a individualidade. Três gerações de mulheres de forte personalidade marcam a vida de Antonia e suas histórias são contadas através de um realismo mágico. Vencedor de melhor filme estrangeiro do Oscar.

As Horas (2002) - Através do livro de Virginia Woolf, o filme narra a história de três mulheres de três épocas diferentes, que estão ligadas ao objeto. A própria autora em 1923, uma dona de casa em 1949 que tenta ler o livro e uma editora de livros nos tempos atuais. Dirigido por Stephen Daldry, tem Nicole Kidman, Juliane Moore e Meryl Streep no elenco.

Fale com Ela (2002) - O filme de Pedro Almodóvar mostra duas mulheres que tem seus caminhos cruzados por acidentes. O enfermeiro Benigno cuida de Alice, mulher por quem é apaixonado e está em coma. Todos os dias, ele conversa com ela, como se esta pudesse lhe ouvir. Quando a toureira Lyda Flores vai parar no mesmo hospital, ele aconselha o jornalista Marco Zuluaga a também falar com ela.

Persona (1966) - Um dos filmes mais cultuados de Ingmar Bergman, conta a história de uma atriz em crise e uma enfermeira psiquiátrica que começam a inverter os papéis após um tempo de convivência. Uma perturbadora investigação psicológica que rende a Bibi Andersson e Liv Ullmann interpretações memoráveis.

A todos um feliz dia das mulheres. E lembrem-se: "nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda"...

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Eu queria acreditar...

Saiu em DVD o segundo longa-metragem da série Arquivo X[bb]. Demorei para comentar sobre ele porque queria deixar passar a sensação de desperdício, mas é impossível mudar de idéia e fazer uma boa crítica sobre Eu quero acreditar. O trocadilho inevitável que a maioria dos fãs da renomada série tem na ponta de língua é eu queria acreditar que valia a pena ver novamente Scully e Mulder nas telas. A nostalgia deixava pelo seriado que arrebatou milhares de fãs é imensa. Só quem acompanhou penosamente as nove temporadas sabe o que estou falando. Falo penosamente, porque naquele tempo não era tão fácil encontrar episódios na internet, em Salvador ainda não tinha TV a cabo, a Sky não tinha esse rodo de promoções e a Rede Record judiava dos fãs mudando os horários a toda hora.

O primeiro longa da série foi tiro certeiro, chegou as tela na época em que a série estava em seu auge (entre a quarta e quinta temporada) com uma trama bem embasada que teve continuidade na televisão. Tudo era euforia e os roteiros do melhor que existe em ficção científica nos prendiam na cadeira. A dose de sobrenatural com alienígenas em um Mulder totalmente crente contrastando com uma cética Scully casavam perfeitamente. Com a saída de Mulder da série (da sexta para sétima temporada), Scully foi alterando seu perfil, ficando mais crente, com a idéia fixa de encontrar seu parceiro abduzido da mesma forma que Mulder procurava sua irmã. Após tantas aventuras e mudanças é no mínimo esquisito ver em um novo longa, oito anos depois do final da série, Scully voltar a ser tão cética quando na primeira temporada. É ainda mais estranho ignorarem a forma como o seriado acabou e voltarem com uma história das mais fracas ao estilo dos piores episódios dos nove anos de série. Para completar um final lamentável que Chris Carter teve o despautério de dizer que era um presente para os fãs. Acho que não chega a ser um spoiler dizer que a cena a que me refiro é do casal no meio do oceano em um barquinho dando adeus para câmera... Ou alguém se importa com isso?

O fato é que era melhor Arquivo X ter ficado em nossas memórias com sua química perfeita e seus mistérios assustadores. Se é para voltar com um clima tão insoso, melhor ficar com o mito da maior série televisiva que já acompanhei em todos os tempos. Que Scully e Mulder descansem em paz em nossa memória e nossos DVDs.

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Maratona DOCTV na TVE Bahia

Uma oportunidade para os interessados em documentário no Brasil, segue release que recebi:

No próximo final de semana, a TVE Bahia exibe, em bloco, diversos documentários da série DOCTV – Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro. É a Maratona DOCTV, que levará ao ar onze trabalhos produzidos em diferentes regiões do país e que integram as três primeiras edições do programa. Desde 2003 o DOCTV – por meio da parceria entre o Ministério da Cultura, as TVs públicas e a produção independente de todo o país – já capacitou dezenas de realizadores e viabilizou a produção e circulação de 171 documentários independentes.

Confira a programação:

Sábado 07/03
21h30 - Mapulawache: Festa do Pequi (2007), de Aiuruá Meinako
22h30 - Os Negativos (2007), de Angel Dièz;
23h30 - Tumbalalá – Tupinambá (2004), de Sebastián Gerlic;
00h30 - Uma Encruzilhada Aprazível (2007), Ruy Vasconcelos;
01h30 - Paraíso (2005), de Marco Antônio Ribeiro Alves, Fernando Uehara e Caetana Britto;
02h30 - A Próxima Refeição (2004), de Kleber Bechara;

Domingo 08/03
21h00 - Preto Contra Branco (2004), de Wagner Morales;
22h00 - Mandinga em Manhattan (2005), de Lázaro Faria;
23h00 - Zumbi Somos Nós (2007), de Frente 3 de Fevereiro;
00h00 - Acidente (2005), de Cao Guimarães e Pablo Lobato;
01h00 - As Vilas Volantes (2005), de Alexandre Veras

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Gotas de liberdade

Falar na Índia está em alta, seja na novela das oito ou na cerimônia do Oscar. Então, vamos falar de um filme que me emocionou profundamente: Water, que aqui ganhou o título de Gotas de liberdade. Escrito e dirigido por Deepa Mehta, foi proibido na Índia, sendo co-produzido e lançado pelo cinema canadense. Deepa Mehta faz o chamado cinema indiano independente, à parte das grandes indústrias da Índia, sempre com temas polêmicos e buscando expor aquilo que considera errado em seu país. Por isso, ela tem forte oposição dos grupos de fundamentalistas hindus e, por muitos não é considerado cinema indiano, já que suas histórias têm que ser produzidas fora do país.

A Índia possui a maior indústria de cinema do mundo, o povo indiano é simplesmente apaixonado por filmes e gera quase 900 longas por ano. Ao contrário do que muitos pensam, Bollywood é apenas uma dessas indústrias, apesar de ser a mais conhecida e com maior número de expectadores. O nome Bollywood vem da junção de Hollywood com Bombaim (antigo nome da cidade onde concentra-se essa indústria) e abrange os filmes falados em hindi. Em geral, os filmes indianos possuem romance, aventura e drama recheados de muita música. Sempre com um tom leve e bonito de se ver.

Deepa Mehta, ao contrário, prefere retratar uma realidade por trás dessa alegria. E por suas críticas incomoda muitas pessoas. Em Water, seu longa de 2005 que concorreu ao Oscar de 2007 (perdendo para o alemão A vida dos outros), Deepa fala da situação deplorável das viúvas na Índia. Ele é o último de uma trilogia: Terra, Fogo e Água, e comove ao retratar uma jovem viúva de apenas nove anos, que não consegue se conformar com sua situação de excluída.

Segundo as escrituras, à viúva só existem três opções: morrer com o marido, uma vida de abnegação ou casar com o irmão mais novo do marido, se a família permitir. Sem obrigação de sustentar mais uma pessoa, as famílias depositam as mulheres em abrigos com poucas opções, apenas com roupas brancas, cabeça raspada e nenhum dinheiro. A pequena Chuyia passa a conviver com diversas mulheres em idades e humores diferentes e conhece a bela Kalyani, única viúva com cabelo, por servir de prostituta para conseguir dinheiro para o grupo. As duas começam uma amizade que ajuda a menina a conviver com aquela situação.

Em todos os momentos, o filme contrasta a bela fotografia indiana com aquelas mulheres de branco e cabeça raspada, tristes, decadentes, esperando a morte chegar. Possui uma poesia ímpar e emociona a todos, principalmente no final. Os atores, em sua maioria desconhecidos do grande público, contam com uma estrela de Bollywood, o ator John Abraham.



Mais do que um filme, uma reflexão, Water termina com a frase: "Há 34 milhões de viúvas na Índia segundo o Censo de 2001, muitas continuam a viver sob condições subumanas, como prescrito 2000 anos atrás nos textos sagrados de Manu." Vale a pena ser conferido.

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50 anos do cinema baiano (Parte 1)

Roberto Pires Em março, o primeiro longa-metragem totalmente baiano completa 50 anos. Redenção, de Roberto Pires pode não ser uma obra-prima, mas marcou pelo pioneirismo e, principalmente, pela invenção do seu diretor que utilizou um conjunto de lentes de fabricação própria, bastante parecido com o CinemaScope. Por isso, o CinePipocaCult fará um retrospecto do cinema baiano nessas cinco décadas. Toda segunda-feira, teremos um post sobre o assunto para analisar um pouco mais de perto essa terra tão conhecida pelo seu cineasta mais famoso: Glauber Rocha.

Na realidade, já se fazia filmes desde 1910, com Diomedes Gramacho e José Dias da Costa,mas eram filmes documentários curtas e médias. Alexandre Robatto, maior nome do cinema baiano até a década de 50, era um pioneiro do documentário arte, com seu olhar peculiar, retratava de forma própria a cultura popular do estado, tendo em o Xaréu (sobre um estilo de pesca) e Vadiação (sobre capoeira) filmes lembrados até hoje.


No início do século XIX, em todo Brasil, vinha ocorrendo um fenômeno chamado de ciclos regionais. Era uma época de regionalização, onde cada região produzia uma quantidade de filmes por uma determinada época. Os estudiosos, ao analisar, caracterizam como ciclos isolados, pois surgiam e logo sumiam. Na Bahia, este ciclo só ocorreu na década de 50, após Walter da Silveira criar o cineclube baiano, que serviu de aglomeração e estudo de muitos cineastas locais.

O marco inicial foi Redenção, que estreou em 1959 no antigo cine Guarany (hoje Espaço Unibanco) na versão P&B e Cinemascope, causando espanto no público que via um longa-metragem baiano virar realidade. Assim começa o Ciclo Baiano de Cinema que teve seu apogeu de 1959 a 1963, contando com filmes memoráveis como: A Grande Feira, Tocaia no Asfalto e Barravento. E tudo parecia propício para o cinema local. Eram os anos JK, a economia estava em ascensão, com bom investimento e tendo Salvador como um pólo artístico forte. A euforia foi grande e houve uma tentativa frustrada de se criar uma indústria cinematográfica no Estado. O sucesso dessa época foi tanto que o filme A Grande Feira foi a maior bilheteria de 1961, batendo o clássico Ben-Hur.

Infelizmente, apesar de alguns filmes continuarem sendo feitos até 1972, o grande movimento acabou. Rex Schindler, principal produtor/investidor do cinema baiano, desanimou com a falta de retorno. A distribuição era complicada devido aos esquemas industriais e ao boicote de distribuidoras nacionais como a Cinedistri, que cancelou a estréia de A Grande Feira em São Paulo, para não atrapalhar o lançamento de O Pagador de Promessas, que acabou só sendo lançado anos depois. Ou seja, o mesmo problema que enfrentamos até hoje: distribuição e exibição, este é o grande gargalo do cinema nacional. Talento para produzir, a gente já provou que tem de sobra, só faltam as soluções para que estes filmes cheguem ao público.

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