A Origem de Wolverine

Após resistir a versão que vazou na internet ainda sem efeitos especiais finais, fui ontem para pré-estreia de X-Men Origins, que estreia amanhã em todo Brasil. Devo confessar que sou fã do personagem, com seu humor sarcástico, estilo bonachão, o bad boy que sempre se dá mal. Não é a toa que ficou em primeiro na lista de Top 200 personagens dos quadrinhos de todos os tempos da Wizard Magazine (em maio de 2008) e em quarto na lista de 50 maiores personagens dos quadrinhos da Empire Magazine em julho de 2008. Wolverine é especial. Talvez por isso o filme deixe a desejar. Afinal, é complicado explicar em duas horas o que significa toda sua complexidade.

Wolverine surgiu nos quadrinhos em 1974, no gibi The Incredible Hulk n.180. E só depois Len Wein o levou para os X-Men, quando uma nova leva de mutantes é convocada para salvar os antigos que estavam presos em uma ilha. O nome Wolverine vem de um animal típico do Canadá, um pequeno mamifero também conhecido como carcaju, possui cerca de 40cm e que possui fortes garras que ficam escondidas. Conta uma lenda indígena canadense que ele seja imortal devido a sua força e coragem.

Por ter grande poder de cura e nenhuma memória, ficava difícil entender de onde havia surgido o personagem. As primeiras pinceladas do seu passado foram explicadas no quadrinho Arma X, em 1991. Essa história já tinha sido explicada em parte, no segundo filme da série. Apenas com a série limitada Origens, foi explicado seu longínquo passado e todos os seus dramas pessoais que estão expostos no filme.


Nascido James Howlett e normalmente conhecido como Logan, Wolverine é um mutante, possuidor de sentidos aguçados, habilidades físicas superiores, garras retráteis e um fator de cura que permite lhe recuperar-se de praticamente qualquer dano, doença ou toxina, também permitindo-lhe viver mais do que o tempo de vida normal. Junto com seu irmão Victor Creed, ele passa por diversas guerras até se alistar na chamada equipe X, liderada por Cel. William Striker (o mesmo do segundo[bb]filme) que comanda diversos mutantes em missões de caráter duvidoso.

Não li a série Origens, é verdade, então não sei dizer até que ponto é fiel. Percebo apenas personagens que não deveriam estar ali, como Gambit e explicações estranhas para o nome Wolverine e a sua perda de memória. Mas, o que mais me incomodou foi a tensão constante. A história é dark demais. Senti falta do jeito bonachão do personagem, que fica de lado em seu drama pessoal. De fato, sua história é pesada demais para piadas. Com pequenas exceções como quando vai parar, completamente nu, em um celeiro de um casal idoso bastante simpático.

Após o pífio X-Men 3, a saga[bb] merecia algo melhor para ser lembrado pelos fãs, e nisso, Wolverine consegue seu intento. Há muita cena de ação bem feita, mutantes melhores desenvolvidos e uma história com começo, meio e fim coerentes. Dentes-de-Sabre também foi redimido após sua triste aparição no primeiro filme, em que apenas rosnava. Contando a história de Wolverine, conhecemos também a história de seu arqui-inimigo, que afinal, era seu irmão.

Não tem a pretensão de ser a melhor adaptação de todos os tempos, nem de um grande filme. Vale pela diversão, para matar saudade de Hugh Jackman em seu melhor papel e para acender o pavio da continuação com a origem dos X-Men. Ah, se não tiver pressa de sair do cinema, após os créditos há uma pequena cena extra. Nada demais, nem revelador, mas vale como bônus.

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Divã

Paulo Emilio Salles Gomes costumava dizer que o melhor filme estrangeiro não vale o pior filme brasileiro, porque o último põe a nossa cara nas telas. Sempre achei de um bairrismo exagerado tal frase, afinal bons filmes não tem nacionalidade, são universais. Porém, também me incomoda o rótulo que alguns cinéfilos utilizam para "odiar" filmes brasileiros, principalmente os da Globo Filmes. Claro, a maioria tem um cheiro de televisão e não acrescenta muito à nossa vida. Mesmo assim, é bom ver que o cinema nacional voltou a ocupar as salas de cinema. É na quantidade que ressaltamos a qualidade.

Sendo assim, fui ao cinema assistir ao longa de José Alvarenga Jr. Levando em conta sua carreira televisiva e seus filmes típicos de cinema, não era de se esperar uma direção primorosa. Estavam lá todos os vícios de televisão, os enquadramentos fechados, a movimentação de câmera clichê. E tudo isso passou quase despercebido durante a projeção pelas qualidades que o filme traz.


Adaptado de uma peça com o mesmo nome, Divã me lembrou muito os dilemas de Shirley Valentine também filme e peça, no Brasil interpretado divinamente por Renata Sorrah em sua primeira montagem. Uma mulher madura, com um casamento morno que resolve repensar a vida. Mercedes é uma típica dona de casa, professora de matemática particular e que tem um sonho frustrado de ser pintora. Resolve ir ao analista só por curiosidade e percebe que sua vida está sem graça há muito tempo. O filme tem doses de humor e drama que envolve o espectador de uma maneira gostosa. É uma comédia, não um pastelão, logo as cenas em geral são leves e nos levam a rir de bobagens. Faz parte da vida. Porém, conta também com momentos de reflexão, falando de amizade, relacionamentos e sonhos de uma maneira inteligente.

A interpretação de Lília Cabral é digna de aplausos. Uma excelente atriz em qualquer meio que esteja (foi ela quem protagonizou a peça, sucesso de crítica e público) consegue transitar do riso as lágrimas de forma esplêndida. Mercedes se torna amiga do público na primeira cena, quando relata ao analista (representado apenas por uma sombra) seus dramas pessoais. Alexandra Richter, a amiga, também merece destaque, assim como Paulo Gustavo, seu marido de trejeitos bastante suspeitos. José Mayer, Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond estão mais para embelezar a tela do que para grandes interpretações, mesmo assim, contam para encher as salas de cinema.



Como disse Jorge Alfredo certa vez, cinema também é pipoca, ou seja, diversão leve. Logo, Divã é um programa divertido, fácil e nacional. Vale a pena prestigiar e distrair um pouco a mente.

Para divulgar o filme, a produção fez uma promoção: Você no Divã, onde pessoas enviavam seus vídeos, o melhor ganhou uma máquina fotográfica.

Vencedor do júri:


Vencedor do voto popular:

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Novidades do blog

Além dos posts e de todas as dicas e notícias que colocamos em nossa barra lateral, o CinePipocaCult conta agora com novas ferramentas. Temos o widget do blog que pode ser adicionado em qualquer página. O Grooveshark, com algumas das músicas mais marcantes do cinema. E agora o blog pode ser lido em celulares e iPhones com um layout próprio através do Mofuse. Quem quiser acessar, o endereço é cinepipocacult.mofuse.mobi .

Veja como ficou:

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Vicky Cristina Barcelona


Woody Allen[bb] é daqueles tipos de diretores que não tem meio termo, ou você ama ou odeia. Ou acha um gênio, ou acha um saco. Isso nos seus mais de cinquenta anos de cinema, onde ele atuava, dirigia e escrevia seus filmes, criando clássicos como A Era do Rádio , Noivo neurótico, noiva nervosa ou A Rosa Púrpura do Cairo. Era um estilo próprio, sempre retratando a cidade de Nova York, deixando uma marca registrada. Porém, em 2005 ele inovou com um inusitado Match Point e pareceu que iria iniciar uma nova carreira de sucesso. Com um suspense inteligente e verdadeiramente surpreendente Allen trouxe as telas um lado mais sombrio, realista e questionador. Para mim, o melhor filme dele.

A promessa, no entanto, não se confirmou e Woody Allen não resistiu em aparecer em Scoop. Mesmo voltando a ficar apenas atrás das telas em O Sonho de Cassandra, não conseguiu chegar perto do resultado de Match Point. Isso acabou decepcionando fãs e crítica que esperavam algo melhor do diretor. Então, veio Vicky Cristina Barcelona. Abandonando Londres (cenário dos três outros filmes), Woody Allen desembarcou na alegria e colorido da cidade espanhola tal qual as protagonistas do título.

O filme conta a história de Cristina e Vicky, duas americanas que vão passar as férias em Barcelona, na casa de parentes de Vicky. Enquanto Cristina é uma mulher dividida, sem definição profissional e em busca de um amor idealizado, Vicky é tipicamente metódica, vê a vida de forma prática, está prestes a se casar com um homem bem sucedido e equilibrado, está terminando o mestrado sobre a cidade Catalã e não gosta de correr riscos. Tudo muda quando as duas conhecem o pintor Juan Antonio, um homem sedutor, recém separado de Maria Elena, que vai se envolver e mexer nas estruturas de ambas. A história é amparada por uma narração em off constante que destoa em diversos momentos, quebrando o ritmo da piada. Em outros torna-se necessária, já que o filme imprime um estilo literário e só é possível conhecer a profundidade de cada personagem através de sua apresentação em off.

Um dos grandes atributos de Woody Allen sempre foi explorar a atuação, com cenas desafiadoras e trabalhos constantes. O elenco do filme, no entanto, não parece ter bebido da mesma fonte do diretor, com atuações quase mortas, a exceção de Penélope Cruz que abraça sua louca Maria com paixão. Sua atuação, no entanto, não faz nem sombra a Kate Winslet que mereceu todos os prêmios do ano.

No geral, a direção de Vicky Cristina Barcelona é eficiente. Você pode não gostar do estilo Allen de ser, mas não pode negar que ele seja competente no que faz. É interessante perceber os detalhes dos enquadramentos, mostrando a confusão de Cristina, sempre entre a razão e a paixão. Sua personagem é a metáfora do contraste entre o estilo americano e europeu de ser. Allen também utiliza a fusão nas cenas em que Vicky acaba cedendo a Juan, simbolizando a mistura dos dois mundos. Esta ideia está sempre na mente e na lente do diretor.



Sendo assim, é um bom filme, mas não chega aos pés do surpreendente Match Point e não acredito que irá figura entre as grandes obras do autor.

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O futuro do cinema está no passado

1982, Festival de Cannes, Paris. Para o renomado cineasta Wim Wenders[bb], uma ameaça pairava sobre o cinema. Em sua visão apocalíptica, a televisão e a indústria destruiriam aquilo que ele considerava arte. Foi, então, que surgiu a idéia, no mínimo, estranha de convidar quinze cineastas e colocá-los em um quarto de hotel (de número 666) com uma câmera, um gravador e um papel com perguntas sobre o futuro do cinema. Este é o resumo do média metragem Quarto 666 que seria ridículo se Wenders não contasse com o “elenco” de estrelas dispostos a levar sua investida a sério.

Não acredito que possamos chamar o média metragem de uma obra de arte por sua técnica, afinal, está ali um único enquadramento e personagens se revezando com graus de estranhamento diversos, ao ponto de um telefone tocar no meio do depoimento de Goupil.















É quase uma experimentação amadora, com pequenas poesias em relação à metáfora de uma grande árvore que está na estrada do aeroporto de Paris. Para Wenders, ela é a grande testemunha do processo histórico que estão vivendo e foi ela quem lhe alertou para a situação. Ele começa e termina o filme com sua imagem (vale perceber que a do início é dia e a do final é noite). Quase uma viagem de um dia pelo cinema mundial, já que Wenders escolheu diversas nacionalidades presentes no Festival, inclusive nossa representante brasileira, Ana Carolina.

O grande mérito do filme, repito, é seu elenco. Estão ali diretores de diversos estilos e compreensões sobre seu processo de trabalho e é interessante vê-los diante das câmeras de uma forma totalmente inusitada, com liberdade para serem sinceros por dez minutos (tempo de um rolo de filme 16mm). A exceção de Godard[bb], todos ligam e desligam as câmeras e estão livres para expor suas idéias a cerca deste tema, tão em voga na época e até hoje atual.

Uma grande sacada de Wenders foi colocar ao lado da poltrona onde o entrevistado sentaria, uma televisão (o oponente temido) que a cada entrevista mostrava alguma imagem banal (jogo, programa de auditório, desenho animado, série japonesa de monstro, entre outros), em uma clara crítica ao meio. Interessante ressaltar que apenas Werner Herzog tem a ação de desligá-la, enquanto muitos simplesmente a criticam.
















Godard chega a brincar que Wenders o chamou ali para assistir a um jogo de tênis (imagem que está na televisão no momento de sua fala) e que ele fará esse papel de bola (que ele considera tolo). Ele, chega a filosofar em vários momentos de sua fala (que marca com um cronômetro), chegando a dizer que Wenders o colocou diante das câmeras, mas sua mente está atrás dela.

O único entrevistado ausente é Yilmar Guney (na época, fugitivo da polícia), sua voz é mostrada em um gravador pelo próprio Wenders e sua foto colocada em cima da tela da televisão. É o único momento em que o enquadramento muda, primeiro focando o gravador em um contra-plano, depois fechado na televisão para mostrar a foto de Guney.

O fato é que estes cineastas de renome se expõem, discordam ou endossam a preocupação de Wenders, alguns curtos e grossos como Paul Morrisey que acredita no fim do cinema, outros otimistas como Antonioni que acha que iremos nos adaptar sem perceber. Há ainda os práticos, como Spielberg, único representante da indústria Hollywoodiana, que parece até mesmo feliz com as mudanças (sua grande preocupação é com dólares e a inflação). Ou nossa representante, Ana Carolina, que diz não se interessar por cinema eletrônico, por não considerá-lo arte. E é isso que torna “Quarto 666” interessante e até mesmo necessário de ser visto. Afinal, é a visão do cinema sobre sua própria sorte, em uma época em que a tecnologia ainda estava engatinhando. Que ninguém o procure esperando um filme, em sua visão artística com roteiro, direção e montagem. Há ali uma proposta clara de debate e o inusitado da forma é que o torna mais verdadeiro.

Pra terminar, uma entrevista interessante que encontrei no Youtube com o diretor, já que no filme ele apenas convida os outros a falarem:

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Grande Prêmio Vivo de Cinema Brasileiro


Quando anunciaram o filme brasileiro que iria tentar o Oscar de filme estrangeiro, eu pensei que realmente não entendesse nada de cinema, afinal não suportei o filme de Bruno Barreto. Felizmente, semana passada, o Prêmio Vivo de Cinema mostrou que, como eu pensava, tínhamos filmes muito melhores no ano.

Os dois grandes vencedores da noite foram Estômago e Meu nome não é Johnny. O primeiro melhor filme, diretor e roteiro original, confirma seu favoritismo e é, para mim, o melhor filme brasileiro de 2008, tanto que falei dele há duas semanas por aqui. Meu nome não é Johnny levou ator e melhor roteiro adaptado. É uma boa obra, mas acho que falta algo a trama para se tornar um filme inesquecível. Mariza Leão e Mauro Lima conseguiram adaptar muito bem a história que o protagonista escreveu no seu livro homônimo. A trama de um rapaz de classe média alta que vira traficante de drogas é inusitada, já que estamos acostumados a rotular traficantes como negros de origem pobre que vivem no morro. Mesmo assim, o filme não deixa de ter clichês. A interpretação de Selton Mello merece prêmios, apesar de, por gosto pessoal, eu preferir João Miguel.

Dos cinco concorrentes a melhor filme, destaco ainda a presença de Ensaio sobre a Cegueira. Um grande filme de Fernando Meirelles que abrilhanta ainda mais a vitória de Estômago. E Linha de Passe de Walter Salles que figurava entre os preferidos da crítica.

Tudo isso, demonstra que a academia de cinema deve pensar bem, antes de escolher um representante ao Oscar se quiser voltar a figurar entre os cinco e, quem sabe, um dia levar a estatueta para casa.

O baiano Maurício Lídio venceu na categoria celular, novidade do mundo tecnológico que fez um realizador de celular estar no mesmo tapete de diretor já consagrados como Fernando Meirelles, Walter Salles e Lais Bodanzky. Este é o curta vencedor da categoria:



Os vencedores:
Melhor Filme: Estômago

Melhor diretor: Marcos Jorge (Estômago)

Melhor ator: Selton Melo (Meu nome não é Johnny)

Melhor atriz: Leandra Leal (Nome Próprio)

Melhor longa Documentário: O mistério do Samba

Melhor roteiro Original: Cláudia Da Natividade, Fabrízio Donvito, Lusa Silvestre e Marcos Jorge (Estômago)

Melhor roteiro adaptado: Mariza Leão e Mauro Lima (Meu nome não é Johnny)

Melhor Longa-Metragem Estrangeiro: Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona, Ficção, Espanha/Inglaterra)

Melhor Longa-Metragem Infantil: Pequenas Histórias

Melhor Longa-Metragem De Animação - Menção Honrosa: O Garoto Cósmico

Melhor Ator Coadjuvante: Babu Santana (Estômago)

Melhor Atriz Coadjuvante: Julia Lemmertz (Meu Nome Não É Johnny)

Melhor Trilha Sonora Original: Fabio Mondego, Fael Mondego, Marco Tommaso e Mauro Lima (Meu nome não é Johnny)

Melhor Trilha Sonora: Wagner Tiso (os dasafinados)

Melhor Som: Amando Torres Jr, François Wolf e George Saldanha (Meu nome não é Johnny)

Melhor Efeitos Visuais: André Waller, Renato Tilhe, Ricardo Gorodetcki e Tamis Lustre (Ensaio sobre a cegueira)

Melhor Montagem De Documentário: O Mistério Do Samba - Natara Ney

Melhor Montagem De Ficção: Marcelo Moraes (Meu nome não é Johnny)

Melhor Direção De Fotografia: César Charlone (Ensaio sobre a cegueira)

Melhor Direção De Arte: Tulé Peake (Ensaio sobre a cegueira)

Melhor Maquiagem: Micheline Trépanier (Ensaio Sobre a Cegueira)

Melhor Figurino: André Simonetti (Chega de Saudade)

Melhor Filme Nacional pelo Voto Popular: Estômago

Melhor Filme Estrangeiro pelo Voto Popular: Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona, Ficção, Espanha/Inglaterra)

Melhor Curta-Metragem De Animação: Dossiê Rê Bordosa

Melhor Curta-Metragem De Documentário: Dreznica

Melhor Curta-Metragem De Ficção: Café Com Leite

Melhor filme para celular: Bárbara

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Underworld

Continuações são sempre situações delicadas, trilogias então, geram legiões de fãs ou revoltas tão imensas quanto sua divulgação. Recente, o site Dan Meth tentou medir e mostrou que normalmente as trilogias não sustentam o sucesso do original, com raras exceções. Nos anos 80, a sequência do cultuado Highlander surpreendeu negativamente os fãs ao apresentar um segundo filme totalmente futurista e estranho, voltando no terceiro com uma continuação mais digna. Após o sucesso de Matrix que revolucionou o cinema mundial, seus criadores lançaram duas continuações totalmente sem essência, focadas apenas em efeitos especiais e lutas.

Toda essa introdução serve para dizer que chega hoje aos cinemas a possibilidade de Len Wiseman (agora com direção de Patrick Tatopoulos) se redimir com os fãs de Underwold de sua continuação pífia apresentada em 2006. E mais ainda, talvez com a origem da história, os fãs dessa lendária luta entre Vampiros e Lobisomens consigam ver algo a mais nessa pseudo saga criada em cima de muitos clichês, efeitos incríveis e história fraca.

A literatura[bb] já fala deles desde que a palavra foi criada, a cultura Pop trouxe a guerra entre Lobisomens e Vampiros para os jogos, principalmente para os RGPs. O cinema já deu boas demonstrações dessa briga, a exemplo de Van Helsing. Len Wiseman quis aproveitar todo esse burburinho para lançar em 2003 o filme Anjos da Noite (Underworld). Com Kate Beckinsale no papel da protagonista Selene, o filme impressiona pelos efeitos e ambientação, o que não é surpreendente já que Wiseman começou sua carreira como assistente de direção de arte. O ambiente urbano e underground do filme envolve o espectador que se interessa pelo argumento da luta entre as duas raças e do drama da vampira Selene que acredita estar fazendo algo bom e vai descobrindo que há muito por trás da história... O roteiro, no entanto, oscila muito deixando a ação tomar conta das telas, sem um embasamento mais consistente. As interpretações também não são nada demais. Tudo isso, reforçado pela magia do tema transforma Anjos da Noite em um bom filme pop.

Como todo filme pop com uma bilheteria razoável, continuações são logo programadas. E em 2006, chegou as telas Anjos da Noite - A Evolução. Como era de se esperar, o caldo desandou. O clima e ambientação do filme anterior foram deixados de lado e o que se viu na tela foram cenas e mais cenas de ação, em busca do primeiro vampiro. O resultado fez a "saga" cair ainda mais no conceito dos fãs do tema, que temiam pelo que viria a seguir, já que o filme deixou aberto uma continuação.

Foi então, que Len Wiseman surpreendeu. Primeiro deu a direção para
Patrick Tatopoulos, francês mestre em efeitos especiais que havia dirigido apenas um filme anteriormente. Depois, voltou sua história para o início e resolveu contar o amor proibido entre Sonja e Lucian. O tema Romeu e Julieta[bb] parece vingar melhor nessa versão, já que Lucian é o primeiro lobisomen de uma raça pensante, escravo dos vampiros e uma espécie de herói de sua espécie. Enquanto Sonja é a filha do líder dos vampiros.

Nada original, é verdade, mas pelo menos, voltando no tempo, talvez seja possível resgatar um pouco do charme dessa luta secular.

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Twin Peaks

Um amigo me perguntou se eu conhecia o filme Twin Peaks de David Lynch, pois tinha assistido e achado muito complicado. Então resolvi fazer um revival do início dos anos 90 para explicar um pouquinho melhor os últimos dias de Laura Palmer. Atenção, existem spoilers no texto, quem já viu a série ou o filme e sabe o nome do assassino, pode selecionar com o mouse as partes que estão faltando.

Em 1990, após o sucesso de “Veludo Azul” e “Coração Selvagem” no cinema, David Lynch surpreendeu o meio, migrando para televisão, formato considerado menor. Alguns críticos afirmam que este ato mudou os rumos dos seriados televisivos completamente, já que Lynch trouxe um outro universo e forma de construir uma história seriada. É certo que ele dirigiu apenas o episódio piloto e mais dois avulsos, mas o roteiro e argumento foram dele e sua marca está presente em toda a série, tanto que todos os episódios trazem seu nome nos créditos.

A história aparentemente é a de um policial cheio de mistério em torno do assassinato de Laura Palmer, adolescente querida por todos do pequeno vilarejo de Twin Peaks. Porém, como nada é o que parece, descobrimos que a doce Laura chorada por todos era, na verdade, uma garota problemática, viciada em cocaína e que usava da prostituição para conseguir o que queria. Mas, o toque surreal da série está mesmo centrado no personagem do agente do FBI, Cooper. Um policial de traços estranhos que grava todos os passos em um gravador portátil se referindo a uma tal de Diane que nunca aparece, adora café e tortas, tem um jeito peculiar de tratar as pessoas e, principalmente, baseia-se em seus sonhos para desvendar o caso. Cooper protagoniza cenas surreais como a de mandar toda a polícia local procurar um homem sem braço, porque ele sonhou que este estaria envolvido no caso, ou definir qual o suspeito J através de um jogo de acertar uma garrafa de vidro. Até aí, pareciam devaneios de um excêntrico. Porém, Cooper sonha com uma sala estranha com uma cortina vermelha onde um anão, um índio e uma sósia de Palmer conversam com ele. A partir daí a série vai percorrendo o caminho do inexplicável e acabamos descobrindo quase no final da segunda temporada que o assassino de Laura Palmer (spoiler) foi seu próprio pai, influenciado pelo espírito desse tal índio (Bob) que é uma entidade demoníaca. Isso sem falar das visões da mãe de Palmer que, sempre sentada em sua poltrona, vê o índio Bob e grita histérica por diversas vezes. Outro elemento do bizarro é a mulher do frentista, uma senhora caolha, esquizofrênica que tem como meta criar uma cortina com trilho silencioso e ficar rica.

Bom, o fato é que a série faz um sucesso estrondoso até hoje, criando uma legião de fãs e produtos[bb], entre eles um livro “O Diário Secreto de Laura Palmer”. Mas, Lynch parece não ter ficado satisfeito com sua cria, pois resolveu criar e dirigir o filme Twin Peaks, os últimos dias de Laura Palmer. Não que ele negasse a série, mas o filme de Lynch tem um universo muito mais sombrio e surreal ao ponto dos fãs da série o terem rejeitado.

Nele, a questão de Bob, o anão e a sósia de Palmer são muito mais explorados. Os primeiros trinta minutos do filme são centrados na morte de outra garota, Teresa Banks (morte citada por Cooper na série), com personagens estranhos e bizarros, a começar pela figura que passa as informações iniciais aos dois detetives. Uma criatura vestida de vermelho que faz caras e bocas identificadas posteriormente como código de informações do que os espera no local. Tipo: ela andava sem sair do lugar, o que significa que os investigadores fariam muitos serões. Ou o vestido da criatura era remendado o que significava que havia um envolvimento de drogas no caso.

Depois vemos Cooper alertar seus superiores para o fato de ter sonhado que o assassino de Teresa iria agir novamente. Entramos, então, no universo de Twin Peaks e vamos acompanhar os últimos dias de Laura Palmer. Conhecemos suas atitudes ambíguas ao mesmo tempo em que é amiga e preocupada com Jim e Donna, é uma mulher fatal, manipuladora, que se utiliza do sexo e das drogas da forma mais leviana e destrutiva.

O universo do filme é todo centrado no ocorrido na tal sala dos sonhos de Cooper e na perseguição que Bob faz a Laura Palmer. Tudo leva a entender que ele é quem a controla para ter essas atitudes condenáveis, além de se apossar de seu pai para transar com ela e proibi-la de ver Jim. Aliás, o pai de Laura Palmer é o personagem com maior grau de diferença entre a série e o filme. Claro que, entre uma história e outra, há o assassinato de sua filha, mas o Sr. Palmer é um homem totalmente possuído no filme.(spoiler) Duro, frio, racional na lida com a família, mas com crises de violência extrema ao ser possuído por Bob, ao ponto de ter relações e matar sua própria filha. A cadência das coisas nos faz crer que ele seja capaz de tal ato, ao contrário do Sr. Palmer que vemos na série, sempre com crises de choro e desmaios, o que, neste caso, o torna risível e digno de pena.

Outro personagem entra em cena no mundo surreal: um garoto com uma máscara branca. Ele aparece não apenas na sala como em alguns outros momentos-chave do filme, tanto após a morte de Teresa quanto antes da morte de Laura. Mas, o anão parece ser o grande maestro disso tudo, ficamos, no entanto, sem resposta para os seus propósitos e após a morte, Laura é consolada por Cooper nessa sala onírica e surreal, enquanto a figura de um anjo vem lhe acudir.

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Cinema, Aspirinas e urubus

Segunda-Feira, dia de filme nacional. Apesar da Tela Quente da Globo estar anunciando Se Eu Fosse Você, destaco o filme que passará na madrugada da mesma emissora: Cinema, Aspirinas e Urubus. Mais um filme com João Miguel, apenas coincidência, mas a história de Johann é uma fábula digna de ser vista e comentada diversas vezes.

Um alemão que passeia pelo sertão nordestino vendendo aspirina através de um cinema mambembe, utiliza a magia da tela para encantar o povo simples que compra o milagroso comprimido, sem nem mesmo questionar para que serve. Ao dar carona ao sertanejo Ranulpho, os dois homens começam uma relação de amizade e troca de experiências enriquecedoras que nos envolve de maneira simples.

O diretor Marcelo Gomes faz sua estreia com pé direito. Contando a história através do seu cotidiano, estende a narrativa de forma inteligente, mostrando os detalhes, o calor do sertão, as ações simples em um relato visual muito bonito. Aliás, a fotografia é um ponto forte, já chama a atenção a cena inicial de Johann em seu caminhão passando por uma paisagem quase branca, dando a exatidão da temperatura seca ali presente.

Não é o primeiro, nem o último filme sobre o sertão nordestino. Vidas Secas de Nelson Pereira dos Santos, inspirado na obra de Graciliano Ramos, continua sendo o maior clássico dessa situação de miséria e êxodo da região. Porém, o filme de Marcelo Gomes mostra uma ótica poética e inusitada ao se utilizar de metalinguagem, nos fazendo pensar. Claro que ao ver aquele povo comprando aspirinas do nada, questionamentos são gerados. Mas é exatamente para isso que é feito o filme, para levantar pensamentos.

João Miguel se destaca na pele do sertanejo simples, cansado da miséria em que vive e embarca no sonho do alemão, aprendendo o ofício e buscando um rumo para sua vida. Peter Ketnath, também, está bem na pele do vendedor de aspirinas (ou seria de sonhos?) que tenta fugir da realidade da guerra e encontra outra realidade dura no Nordeste brasileiro. A construção da amizade dos dois personagens é envolvente e faz o filme transpirar.


Não podemos deixar de citar que este é, evidentemente um road-movie, muito comum em filmes brasileiros, principalmente de Cacá Diegues[bb]. E que sempre dá uma sensação de jornada ao desconhecido. Não é o melhor filme brasileiro já visto, nem uma obra-prima. Mas, com certeza entra para o hall de bons filmes, além de ter sido o maior destaque do ano de 2005.


Prêmios:
- Grande Prêmio Cinema Brasil: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Edição e Melhor Fotografia.
- Prêmio Especial do Júri e o prêmio de Melhor Ator (João Miguel), no Festival do Rio.
- Melhor Filme, Melhor Filme Brasileiro e Melhor Ator (João Miguel), na Mostra de Cinema de São Paulo.
- Astor de Prata de Melhor Filme Ibero-Americano, no Festival de Mar del Plata.
- Prêmio do Sistema Educacional Francês, no Festival de Cannes.
- Recebeu 2 indicações ao Prêmio ACIE de Cinema, nas categorias de Melhor Filme e Melhor Fotografia.
- Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (João Miguel), Melhor Roteiro e Melhor Fotografia, no Prêmio Contigo! de Cinema.

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Oficina de Videoclipe - Geração Bit

Ocorrerá em Salvador mais uma oficina de Videoclipe, totalmente gratuita, para 15 selecionados. Durante três meses, de 20 de abril a 30 de julho, vão acontecer aulas de roteiro e de diversos tipos de filmagem, além de uma série com 6 palestras. Nomes como Arlindo Machado, Ricardo Spencer e Raul Machado estarão entre os orientadores. Na etapa final do curso, os alunos se dividem em grupos de três e ganham dois mil reais (cada grupo) para produzir um clipe de uma banda ou artista solo do cenário local. No total, cinco vídeos saem do papel.
Os quinze sortudos já foram escolhidos, porém, os não selecionados podem participar da série de palestras sobre o assunto. Serão sete encontros nas SALADEARTE de Cinema da Ufba e na Sala Alexandre Robatto, com diversos nomes da área. Confira.


O quê:Geração Bit – 07 conferências sobre audiovisual
Local: SALADEARTE Cinema da UFBA e Sala Alexandre Robatto
Valor: Passaporte: R$ 100,00(a vista ou 2x de 60,00 no cheque).
Local das inscrições: SALADEARTE Cinema do Museu, das 14h às 20h.

Programação (sujeita a alteração):
07/05 - Raul Machado - Processo criativo do diretor
12/05 - Rodrigo Barreto - A autoria no videoclipe
26/05 - Tadeu Jungle - Processo criativo do diretor
02/06 - Ale Briganti - Janela de distruibuição: o papel da MTV X a cena independente
11/06 - Rodrigo Giannetto - Processo criativo do diretor
16/06 - Ricardo Spencer - Processo criativo do diretor
07/07 - Arlindo Machado - A linguagem do videoclipe

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Paixão de Cristo

Sexta-Feira Santa, pensei em fazer uma lista de filmes que retratam a vida de Jesus, o significado da Páscoa para cristãos e para judeus (lembrando que a Páscoa Judaica não ocorrerá neste domingo), porém, me veio fortemente a vontade de falar do filme que Mel Gibson levou as telas no ano de 2004.

A Paixão de Cristo chegou aos cinemas sob muitas polêmicas, principalmente a acusação de ser anti-semita. Cristão conservador, Mel Gibson bancou 25 dos 30 milhões necessários para o filme, que rendeu isso já na primeira semana, dando lucro suficiente para vários outros. E ele fez o filme que queria. Retratando as doze últimas horas da vida de Cristo, sendo o mais fiel possível as sagradas escrituras, chegou a fazer seus atores falarem aramaico e latim coloquial da época. E incomodou a comunidade judaica que se sentiu com sangues nas mãos, diante de cenas tão explícitas.

O filme impressiona e é, sem dúvidas, muito bem feito. Mel Gibson é um excelente diretor e já provou sua capacidade de envolver o espectador com suas imagens. Com a câmera quase grudada no corpo de Cristo, expõe o sofrimento real de uma crucificação, deixando uma inquietante certeza de que homens bons e justos continuarão sofrendo nas mãos da humanidade. A fotografia é muito bem feita, a reconstrução de época impecável e os atores estão excelentes, demonstrando o sofrimento do calvário de Jesus até o Monte das Oliveiras.

Jesus morreu na cruz para nos salvar, aprendemos isso na aula de catecismo. Será que precisávamos ver tanto sangue na tela para sentir essa responsabilidade? Do excelente filme, porque como filme nos termos cinematográficos ele é excelente, fica a inquietante pergunta: Foi pra isso que ele morreu na cruz? Para que dois mil anos depois a gente esteja assistindo sua Paixão e nos sintamos culpados? Incomodados? Vários filmes encenaram a Paixão de Cristo, está na Bíblia o seu calvário. Porém, em ambos os casos, é retratado também os seus três anos de vida pública, seus milagres, suas pregações, enfim, sua mensagem. O filme de Gibson se foca apenas nas doze horas de sofrimento e torna todo o resto insignificante.

Jesus é o Deus vivo, pelo menos em minha concepção e a mensagem que ele trouxe ao mundo foi a de amor. Ele disse: "Eu vos deixo um único mandamento, amai-vos uns aos outros, como eu vos amei". Então, por que sofrer e cultuar sua morte a cada ano? Por que não cultuar suas mensagens a cada dia? Por que não procurar viver de acordo com seus ensinamentos e seguir em frente? Se Mel Gibson é tão cristão assim, em vez de gastar 25 milhões com um filme que só mostra sofrimento, ele podia fazer algo de bom pela humanidade, não? O filme é uma poderosa arma de comunicação. Não foi à toa que os Estados Unidos usaram Hollywood para disseminar sua cultura de vida e dominar os outros países. Vamos usá-lo de forma positiva, então.
Boa Páscoa a todos!

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Spider-Man

Homem Aranha 1967O site da Marvel acaba de disponibilizar os episódios da série original do desenho animado do Homem Aranha de 1967. A ação possivelmente é para divulgar um pouco mais o personagem às vesperas do quarto longa que tem previsão para maio de 2011. Pode parecer distante, mas a expectativa tem sido o segredo para grandes bilheterias.







Homem Aranha[bb] é um dos mais queridos personagens dos quadrinhos. Aclamada pelos fãs como uma grande adaptação, a série dirigida por Sam Raimi chegou ao seu terceiro filme demonstrando cansaço. Talvez, por isso, a demora para um quarto filme. Sem dúvidas, estamos diante da melhor exibição de cenas de ação e efeitos especiais do cinema, porém o charme da complexidade do personagem se perde diante de tantas tentativas de tramas que são desenvolvidas de forma superficial no terceiro filme. Tobey Maguire, na pele do super-herói, teve a possibilidade de desenvolver seu momento mais intenso. Afinal, no terceiro filme, Peter Parker tem que enfrentar três vilões externos e, principalmente, o vilão interno de sua personalidade egoística e deslumbrada com a fama. Claro que esta personalidade é exacerbada pela gosma preta alienígena que cai em seu corpo. Mas, o que as histórias de Homem-Aranha sempre focaram, foi exatamente o lado humano deste herói. O garoto de carne e osso que tem problemas na escola, perde o tio, tem contas para pagar e quer ser alguém especial para conquistar a garota que ama. É nesta complexidade que reside o sucesso do aracnídeo humano e que foi tão bem explorada pelo roteiro dos dois filmes anteriores. O problema de Homem-Aranha três é querer falar de muita coisa em pouco tempo, trazendo pros dez minutos finais o que é considerado por muitos fãs o maior vilão do Homem-Aranha: Venom.

Como é muito assunto para tratar, o roteiro se intercala nas tramas paralelas enquanto a direção aproveita para investir nas cenas de ação. A primeira seqüência do filme já é de tirar o fôlego, com o Homem-Aranha cada vez mais rápido em suas acrobacias e as engenharias de lutas reforçadas pelos efeitos especiais cada vez mais próximos da perfeição. Tudo leva a crer que o grande esforço do filme é mesmo o entretenimento gratuito e o ritmo acelerado próprio dos tempos atuais. Mas, mesmo isto, perde seu fôlego nos minutos finais e tudo que vemos é uma batalha final pobre, com clichês de arrependimento e repetições de estratégias dos outros dois filmes, como a mocinha pendurada em um arame qualquer, enquanto o herói tem que se dividir entre ela e a cidade.

No geral, a direção continua tão boa quanto nos filmes anteriores. A interpretação dos atores, é coerente e verdadeira, enquanto que os enquadramentos e movimentos de câmera estão sempre buscando um olhar e uma expressão diferente. Mas, ficamos o tempo todo esperando sermos surpreendidos novamente com cenas memoráveis como o primeiro beijo do Aranha com Mary Jane de cabeça para baixo na chuva (primeiro filme), ou na tensão da revelação de sua identidade tão negativamente explorada no segundo filme.

O terceiro episódio nos traz muita tentativa de informação e pouca história propriamente dita, esta é a sensação ao sair do cinema. De que vimos um degustativo, um pouco de tudo e nada de algo. Mas, por mais incongruente que pareça, sempre é bom ver o Aranha nas telas. Apesar da sensação de frustração, as imagens impressionam e os efeitos das cenas de ação nos deixam extasiados. Se você for um fã de quadrinhos e principalmente de Peter Parker e sua turma não pode perder este filme. Agora se você espera ver um bom filme de ação, com enredo, tensão e um desfecho satisfatório não perca o seu tempo. É melhor rever o primeiro filme desta trilogia, ele sim tem tudo isso e um pouco mais.

Aos fãs, fica a dica para rever o desenho de 67, enquanto aguarda o quarto da série.

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Estômago

Acabou o mês de março e com ele, o especial sobre o cinema baiano, mas como teve boa aceitação, a segunda-feira ficará sempre reservada para o cinema nacional. Uma forma de incentivar o nosso cinema, tão mal visto ainda pelos brasileiros. Após sair de uma sessão de cinema, um amigo meu disse: "Para um filme nacional, é muito bom". Que sina... por isso, escolhi o filme Estômago, o tal filme "até bom" para estrear esta série.

Após dez anos estudando cinema na Itália, Marcos Jorge voltou ao Brasil para ser cineasta. Seu primeiro longa, então, não poderia deixar de ser uma co-produção Brasil/Itália. O filme foi rodado aqui e finalizado por lá. "Sob a aparência de uma comédia, eu queria fazer um filme mais profundo", ele disse. E conseguiu. A trama possui um tom jocoso em situações corriqueiras, porém fala da natureza humana com uma propriedade incrível.

Inspirada no conto Presos pelo Estômago? do livro Pólvora, Gorgonzola e Alecrim (Lusa Silvestre[bb]), a trama narra a história de Nonato, um nordestino que vai para o sul, tentar a vida. Com um talento nato para a culinária, acaba sendo "adotado" pelo dono de um restaurante italiano que lhe ensina a arte de cozinhar. Em paralelo a essa primeira parte da trajetória, vamos acompanhando Nonato em uma cadeia, onde seus dotes vão o ajudando a subir no conceito do chefe dos presidiários. Alecrim, como ele fica conhecido, passa a cozinhar para os presos que antes comiam apenas as gororobas da prisão.

O grande plus do filme, que o faz ser tão envolvente, é exatamente a escolha do roteiro de seguir essas duas trajetórias em paralelo. O início do Nonato ingênuo até o crime, e o início do Nonato novato até o desenlace vão sendo dosados, mostrando sua tentativa de adaptação a nova realidade, impondo-se aos poucos através de seu talento e criando uma expectativa e curiosidade de por que ele foi parar na cadeia e qual será seu destino ali.
Com grande interpretação de João Miguel, esse baiano que apesar do talento ainda não conseguiu fugir do estereótipo de nordestino no cinema. Neste, pelo menos, o rapaz consegue mostrar que de bobo não tem nada. Ainda assim, falta uma diversificação de papéis e densidade tal qual a peça O Bispo que o projetou nacionalmente.

A comida, claro, é o ingrediente de toda a trajetória, Nonato é o típico rapaz que prende os outros pelo estômago, este orgão vital e intermédio entre a boca e bunda, que, como explicou o diretor, está ali como uma metáfora da luta pelo poder. E o filme, realmente, trata disso. Do poder do patrão sobre o empregado, do cliente sobre o vendedor, do preso chefe sobre o preso novato, do dinheiro sobre as pessoas. Afinal, como foi dito em Amarelo Manga: “O ser humano é estômago e sexo”.


Prêmios:
- Melhor Filme e Melhor Ator (João Miguel), no Festival de Punta del Este.
- Melhor Filme no Festival do Uruguai.
- Melhor Filme e Melhor Ator (João Miguel), na Semana Internacional de Cinema de Valladolid.
- Troféu Redentor de Melhor Filme - Voto Popular, Melhor Diretor, Melhor Ator (João Miguel) e o Prêmio Especial do Júri (Babu Santana), no Festival do Rio 2007.

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Passageiros


Não costumo começar um post com o trailer, mas foi a melhor maneira que consegui para iniciar uma análise do filme Passageiros. Acredito que existam quatro filmes diferentes dentro de um mesmo. O filme do argumento, que é muito bom, não totalmente original, mas sob um prisma que poderia ser mais profundo que os demais do gênero (quem não viu o filme, não clique no link, pode dar pistas do final). O filme do trailer, que é bastante interessante e bem construído, com doses sobrenaturais em um bom suspense. O filme do roteiro que mostra como escolhas erradas podem destruir um bom argumento. E o filme propriamente dito, que além dos problemas de roteiro, tem uma uma trilha sonora das mais clichês possíveis e uma direção que se esforça um pouco, mas não surpreende.

Então, por que o filme vale a pena? Porque apesar do esforço do roteiro, o argumento ainda é muito bom e faz o espectador pensar, brincar de detetive e se surpreender, mesmo que a surpresa seja previsível no decorrer da trama.

O elenco também vale a pena, Anne Hathaway, Patrick Wilson, Dianne Wiest, Clea DuVall e Andre Braugher são grandes atores que já demonstraram seu valor em excelentes filmes. Principalmente a protagonista Anne Hathaway, que concorreu ao Oscar recentemente e vem tendo uma carreira em ascenção em Hollywood. Mesmo assim, não esperem grandes interpretações, estão todos apenas normais, sem destaques.

Nos concentrando, então, nos dois problemas básicos: Roteiro e Direção. Um bom argumento é um ponta-pé inicial para um bom filme, mas ele é apenas um começo. Cabe ao roteirista traçar uma estratégia de narração fílmica condizente com a expectativa do mesmo, sem pontas soltas ou Deus ex Machina. Um filme de suspense é ainda mais delicado, pois você tem que surpreender com coerência. O grande problema de Passageiros, no entanto, não está no suspense, mas na escolha de ficar em cima do muro. Tem drama, tem suspense, tem romance, tem terror tudo misturado sem uma definição de para que serve o filme. Um filme precisa definir o gênero, porque senão fica sem parâmetro, tratando de tudo de forma superficial e sem um conjunto de efeitos que atinja o espectador. Ronnie Christensen desenvolveu o roteiro de maneira solta, não dosando as pistas e construindo a curva dramática para uma resolução sem sentido. Não falo aqui do "mistério" do filme, esse já está no argumento e é bem interessante, falo do que Christensen fez depois, com cenas totalmente desnecessárias que dão um banho de água fria após a confirmação do que houve. De suspense virou comédia romântica, por assim dizer, com um pequeno drama final.

Falando especificadamente na direção, o colombiano Rodrigo Garcia sempre pareceu um promissor cineasta. Não por ser filho de Gabriel García Márquez[bb], mas por sua trajetória em Hollywood começando como operador de câmera, passando a diretor de fotografia, para finalmente diretor. Seria de esperar que em seu primeiro trabalho de grande visibilidade ele se superasse investindo em inovações e tentando melhorar o clima criado pelo roteiro. Porém, o que se vê não traz nenhuma novidade. Planos comuns, sequências frias onde deveria haver emoção, falta de clima nas revelações e dramas dos personagens que levaram a atuações caricaturais, por vezes. Uma pena, pois pelo talento do diretor e argumento, Passageiros poderia ser um grande filme.

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Cadê Che?

Após meses de espera, negociação com a Europa Filmes e adiamento da estreia, Che chegou as salas brasileiras, mas para minha decepção não veio ainda para Salvador, apesar do jornal dizer que o filme estreou no país. O filme fez sucesso em Cannes e foi ignorado no Oscar, tendo dificuldades em acertar a distribuição nos Estados Unidos, principalmente por ser um filme feito em espanhol. Steven Soderbergh[bb] criticou em Cannes o que ele chamou de ditadura do inglês, “Espero que algum dia termine [...] e possamos filmar histórias no idioma em que aconteceram”, ele falou, “Não se pode fazer um filme com um mínimo de credibilidade sobre esse assunto sem que ele seja falado em espanhol”, completou.

Falar sobre Ernesto Guevara[bb] no cinema não é novidade. Dezoito filmes já foram produzidos sobre o guerrilheiro. A novidade em Che é o prisma sob o qual é contado. Não vou endossar as críticas que dizem que o filme quer vangloriar a imagem de Guevara, acredito até que este se mostre bastante frio em suas decisões, sem a imagem romanceada que muitos divulgam. Além disso, é uma visão do mundo, o filme é produzido e estrelado pelo porto-riquenho Benício del Toro[bb], tem atores de diversas partes do mundo e um diretor americano. Não levanta uma bandeira, apenas mostra fatos.

O filme tem duas partes, Che - O Argentino, que mostra desde seu encontro com Fidel Castro até a vitória na ilha, sendo mostrado em paralelo com cenas futuras de Che Guevara nos Estados Unidos e na reunião da ONU. E Che - A Guerrilha, que mostra a tentativa de Che em expandir os ideais por toda a América Latina, sendo morto na Bolívia. Ambos são baseados nos relatos do próprio protagonista ‘Reminiscências da Guerra Revolucionária’ e ‘O Diário do Che na Bolívia’, respectivamente, primeira e segunda parte do filme. E conta em detalhes o ocorrido, em um clima quase documental.

Steven Soderbergh imprime uma direção delicada, com belos enquadramentos e mostrando um contraste interessante entre as cenas da floresta , sempre com muito verde, colorido, demonstrando a esperança daqueles guerrilheiros em construir um país melhor. E a parte dos Estados Unidos e na reunião da ONU, onde o filme é todo em preto e branco, mostrando a realidade fria que espera Ernesto Guevara.

Benicio del Toro está muito bem no papel do médico guerrilheiro, justificando o prêmio de melhor ator em Cannes. Ele consegue transmitir a dureza do personagem, um excelente estrategista, com posições claras e que não vacila. Mas, sem "perder a ternura" do idealista e humanista. Porque somos brasileiros, vai o destaque também para Rodrigo Santoro na pele de Raul, irmão de Fidel Castro e atual presidente de Cuba. Nas poucas cenas em que aparece, Santoro defende bem o seu papel, em um espanhol com um pouco de sotaque, mas ainda assim, bem interpretado.

A segunda parte do filme está prevista entre final de abril e início de maio, espero que até lá, Salvador se lembre de exibir esta que é uma grande produção mundial.

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