31/03/2010
Ainda é a Época da Inocência
Melancolia é o sentimento que fica após assistir A Época da Inocência de 1993. A sensação de vazio por não conseguir aquilo que mais se quer, ou mesmo a frustração de ter que abrir mão isso. Nenhum dos três teve êxito naquele triângulo. Ellen que amou, foi amada, mas teve que entregar o homem de sua vida à prima. May que amou sem ser amada, teve um marido ao seu lado, mas sempre viveu com a sombra da prima. E Archer, o verdadeiro joguete nas mãos de duas mulheres tão decididas.
Apesar de ambientando no século XIX, a trama é atemporal, pois fala de amor, paixão e da falta de coragem do ser humano de assumir suas escolhas, pautado no que irá pensar a sociedade. Estamos sempre buscando a aprovação alheia. E Martin Scorsese soube levar esse dilema com maestria para as telas. A versão de Scorsese é a terceira da história, antes um filme mudo em 1924 e outro já falado em 1934, já tinha contado a história do livro de Edith Wharton.
Um homem da aristocracia americana, noivo de uma moça de igual status, conhece uma condessa recém-separada, que demonstra ser uma mulher extremamente avançada para aquela cidade de Nova York do ano de 1870. A princípio, ele apenas defende a prima de sua noiva, mas aos poucos os dois se apaixonam perdidamente. Apesar disso, ela pede que ele se case com a prima, que se demonstra uma mulher extremamente manipuladora.
O sofrimento nos envolve, principalmente pelos detalhes fílmicos. Daniel Day Lewis passa toda dor contida daquele homem em frangalhos. Winona Ryder aproveita-se da sua cara de anjo para construir melhor as tramas de sua personagem. E Michelle Pfeiffer é a verdadeira lady, sem demonstrar sentimentos em um sorriso disfarçado, mas que os olhos denunciam toda a frustração de não poder estar com o homem que ama.
O roteiro de Jay Cocks e, do próprio, Scorsese dosam bem as passagens de tempo, nos envolvendo na longa trama. E a fotografia de Michael Ballhaus é marcante, não sendo à toa que uma das cenas mais lembradas do filme é a imagem de Ellen em um pôr-do-sol, a beira do mar, tendo o farol e um barquinho de fundo. Os detalhes são sugestivos, a ponto de uma das cenas mais sensuais ser em uma carruagem quando Archer "despe" a mão de Ellen tirando aos poucos sua luva. É paixão à flor da pele. Um melodrama clássico, com um desfecho melancólico, mas tão rico de detalhes e carregado de emoção que só vendo para entender o que eu digo. De todas as formas, um filme encantador para se ter na estante.
Aqui, uma rara cena de bastidores do filme.






































7 opiniões:
Este filme pra mim é um primor técnico. Foi o detalhe que logo me chamou a atenção em relação ao filme. Agora, confesso que me lembro muito pouco da trama dele. Preciso rever "A Época da Inocência".
31 de março de 2010 20:46Vi este há anos, lembro pouco, deu vontade de revê-lo!
1 de abril de 2010 13:35O elenco é delicioso!
abs
Amanda, este recurso das imagens a passar no topo do seu blog, Ari criou? é fácil conceber? bj
1 de abril de 2010 13:36Estranho, ontem tinha respondido a Kamila, e algo deu errado...
1 de abril de 2010 16:55Bom, eu também não lembrava muito dele, apenas algumas cenas mais marcantes e sabia que eram duas primas distantes e o noivo de uma delas. Mas, revendo no fim de semana na TNT veio tudo a tona e deu vontade de escrever sobre ele.
É lindo, vale uma revisitada.
Cris, Ari vai te responder. Sei que ele ficou quebrando a cabeça para conceber o novo lay out do blog (foram dois meses), mas não sei exatamente o que é fácil ou difícil.
bjs
É um belo filme na parte técnica e no roteiro. Um história que mostra uma época mais de aparências do que de inocência.
1 de abril de 2010 22:17Grandes atuações do trio central.
Até mais
Verdade, Hugo. Uma sociedade de aparências.
2 de abril de 2010 10:17abraços
Cristiano, não sou um programador e tudo o que pus no blog foi resultado de pesquisas na internet. Existem vários blogs que ensinam a fazer blogs e disponibilizam ferramentas interessantes. É bom deixar claro que não peguei um template pronto, mas construi o meu com várias dessas ferramentas gratuitas. Agora, assim, não lembro de onde tirei esse, mas pesquisarei e te aviso. Vi que corrigiu o Blogumulus no seu blog.
3 de abril de 2010 11:12Abraços.
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