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Quincas Berro d´Água

Paulo José e Marieta Severo"Imperou a tristeza e a consumação era por conta da perda irreparável"... "quem sabia melhor beber do que ele, jamais completamente alterado, tanto mais lúcido e brilhante quanto mais aguardente emborcava? Capaz como ninguém de adivinhar a marca, a procedência das pingas mais diversas, conhecendo-lhes todas as nuanças de cor, de gosto e de perfume".

Ontem teve a segunda exibição do filme Quincas Berro d´Água especialmente para o público blogueiro. Recém concluído, o longa foi exibido na quarta-feira em São Paulo e quinta-feira em Salvador. O público do Rio, que veria em primeira mão dia 06, poderá conferir no dia 13 de abril, já que a sessão foi adiada devido às fortes chuvas na terça-feira. É um feito curioso e não deixa de ser uma vitória das mídias sociais que despontam cada vez mais com forte influência nos meios de comunicação. O filme estreia dia 14 de maio em todo país, quando aquelas pessoas que não puderam estar nas três sessões poderão conferir o melhor de Jorge Amado e da boemia de Salvador.

Muitas coisas eu gostaria de falar desse filme. A começar pelo seu diretor e roteirista Sérgio Machado. Amigo pessoal de Jorge Amado, que o indicou para Walter Salles, Machado deve ter se esmerado em levar às telas essa história jocosa, cheia de trejeitos baianos como as linhas dos livros do escritor. Todos estão muito naturais e se sentindo em casa, até os cariocas e o pernambucano Irandhir Santos, o que ajuda na fruição do filme.

Estúdio de gravação armado na CodebaA história de Quincas é uma grande brincadeira em favor do povo e contra a sociedade hipócrita estabelecida. Então, é bom não levá-la tão a sério, é farra pura, um convite à diversão. Publicado em 1961, Jorge utilizou-se do mesmo recurso de Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas para contar a história de seu morto - um narrador-defunto. E como defunto não tem contas a prestar com os vivos, diz tudo que lhe vem à cabeça, sem censura, nem pudores. Paulo José vive o boêmio do Pelourinho, que morre no dia do seu aniversário, mas seus amigos não querem aceitar essa peça do destino e o levam para comemorar em uma jornada hilária. Que ninguém compare ao besteirol Um morto muito louco como já li por aí. Jorge Amado dá um tom mais inteligente e sensível a essa jornada, que Sérgio Machado soube preservar.

Palmas para Paulo José, em sua entrega à carreira, utilizando as limitações de sua doença sem perder o fôlego. Destaque também aos quatro amigos de Quincas: Flávio Bauraqui (o Pastinha), Luis Miranda (o Pé-de-Vento), Irandhir Santos (o Cabo Martim) e Frank Menezes (o Curió) que estão ótimos nas situações mais diversas e engraçadas. Mariana Ximenes, no entanto, deixa um pouco a desejar como a filha do defunto. A moça já demonstrou interpretações mais inspiradas. E o baiano globalizado Vladimir Brichta está quase um figurante de luxo, como seu marido, mas suas poucas aparições são boas e convincentes.

A fotografia do filme, apesar da produtora ter avisado antes que a cópia que vimos ainda não está finalizada, está muito bem composta. Dando a dimensão da noite do Pelourinho, com muita penumbra e contraste, apoiada por uma direção de arte detalhada. O efeito especial da cena da tempestade também impressiona, principalmente com a explicação prévia de Frank Menezes, único do elenco presente na sessão de Salvador, de que foi toda montada em estúdio. Pra não dizer que não falei mal de nada, houve apenas um descuido com o defunto, já que em vários takes era possível perceber Paulo José respirando.

eu e Frank Menezes por Rodrigo ZebaFiquei muito feliz com Quincas Berro d´Água, pelo bom filme, pelo prestígio dos blogueiros, pelo crescente cinema nacional, pela memória do escritor Jorge Amado. Só estranhei o comportamento de alguns convidados saindo antes do encerramento da vinheta final, afinal é de bom tom esperar os créditos pelo menos em uma pré-estreia. De qualquer forma, valeu. Agradeço ao Núcleo da Idéia pela parceira e por todos que participaram da promoção, especialmente aos nove vencedores, espero que tenham se divertido tanto quanto eu. Para finalizar, o registro meu e de Frank Menezes na saída da sessão. Pena que não decorei nenhuma das "belas" poesias de Curió para acompanhar a legenda.

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