19/06/2010

Todos os corações do mundo

Dunga Campeão 1994Já vi alguns blogueiros falando sobre este filme, mas acho que vale a pena reforçar o coro. Afinal, o longa dirigido por Murilo Salles é um dos melhores documentários do gênero. Além disso, a Copa de 94 é um bom exemplo para animar a torcida brasileira que está reclamando do time de Dunga, sem grande brilho ou craques. O título que veio após o jejum de 24 anos, não foi com o famoso futebol arte que nos fez sofrer em 82. Com resultados magros, o time de Parreira chegou à final sem nunca deixar a torcida satisfeita. Ainda mais em um campeonato onde tudo está tão estranho. Então, não custa sonhar com o hexa, afinal somos brasileiros e não desistimos nunca.

Stoitchkov Bulgaria 1994O longa mistura o clima do Cinema Verdade, buscando o povo nas ruas para falar de sua paixão com o formato consagrado pelo Canal 100. A própria locução over é apenas pontual, e acho que poderia ser suprimida por outros depoimentos, deixando o filme ainda mais dinâmico. Afinal, o gostoso do filme é se sentir no estádio, ouvindo a torcida, vendo as imagens impressionantemente próximas, detalhando a emoção em diversos pontos do mundo. A Copa do Mundo de Futebol é mesmo uma atração que para o planeta de quatro em quatro anos. Por ironia, apenas o país-sede daquele evento parece alheio a tudo isso.

Hagi e Figo - Romênia x Portugal 1994De forma inteligente, Murilo Salles começa então, com os americanos dizendo o que acham que seja futebol (soccer), Copa e seleções favoritas. O contraste da ignorância do país sede com a paixão que o esporte desperta nas demais torcidas dá o tom do documentário. A forma como ele puxa as seleções também é intessante. Começando com nossos hermanos, ele mostra a Argentina e sua trajetória até a eliminação, passando pela expulsão de Maradona da competição por uso de entorpecentes. Então, ele puxa a história do seu adversário e assim vai até a final. Há uma quebra nesse formato apenas ao falar de Itália e Brasil, aí, a cada adversário que eles vão pegando o filme retorna para mostrar a trajetória deste.

Maradona - Argentina x Nigeria 1994Um problema que destaco é o tempo que eles reservaram à final. Demoraram tanto detalhando os demais jogos que a decisão acaba passando quase no susto. Não temos nem a dimensão do sofrimento que foi aquele zero a zero. Nem mesmo é mostrada a prorrogação. Quer dizer, para nós que somos brasileiros, dá para reconhecê-la pela corrida de Viola, mas um espectador desatento nem percebe. Aliás, a participação do jogador na final foi um show a parte. Última opção de entrada, foi só dizer a Zagalo que ele sonhou fazendo o gol do título que o supersticioso auxiliar técnico sugeriu a Parreira colocá-lo. Quem sabe, né? Seus minutos de fama não foram tão bem aproveitados, mas não podemos negar que ele entrou com vontade de tornar o sonho realidade.

Romario - Brasil x Italia 1994

O fato é que fomos para os pênaltis e a edição do longa mais uma vez vacilou em não mostrar as reações de atacante e goleiro ao mesmo tempo, a reação de Taffarel agradecendo aos céus por pegar o chute de Massaro mesmo ficou de fora. Mas, foi extremamente feliz ao deixar a câmera no desolado Baggio após aquele chute infeliz que nos deu o tetracampeonato. Já a comemoração do título ficou muito dispersa. Talvez a sensação seja por ser brasileiro e querer ver melhor esses momentos. E o longa é sobre Todos os Corações do Mundo, não apenas o brasileiro. Ainda assim, é bom lembrá-lo.

Baggio - Brasil x Italia 1994


9 opiniões:

Vinícius P. disse...

Ainda não tinha ouvido falar desse, mas realmente desperta certa curiosidade - ainda mais nessa época...

19 de junho de 2010 14:25
Hugo disse...

Não sou tão velho...rs... mas como acompanho cinema desde os anos oitenta, cheguei a ver imagens do Canal 100 antes dos filmes e era sensacional.

Assisti "Todos os Corações do Mundo" no cinema e gostei mutio, princpalmente dos ângulos inustados de câmera e as cenas que a tv não mostra. Seria interessante outras obras e documentários sobre o tema, principalmente mostrando jogos reais.

Até mais.

19 de junho de 2010 22:18
Robin disse...

Também vi no cinema e me senti tão velho ao ler o comentário de Vinícius. hehe. A Copa de 94 não foi a mais bonita, mas o time de Parreira fez um esquema de resultado que nos tirou do jejum. Valeu. Mas, gosto mais de ver o Brasil jogar bonito.

abraços

20 de junho de 2010 13:56
Kamila disse...

Esse documentário é um barato! Assisti no cinema! :)

Me lembro de uma cena até hoje: o cara, todo animado, correndo de costas e gritando "Brasil, Brasil!", até levar uma queda ENORME! rsrsrsrsrsrsrsrsrs

A Copa de 94 foi especial de muitas maneiras. A primeira vez que eu vi o Brasil sendo campeão mundial, a primeira vez que experimentei a sensação única de torcer feito louca! Foi uma época muito legal! E as imagens estão aí para eternizar isso!

20 de junho de 2010 14:04
bruno knott disse...

Caramba, esse filme é excelente. Quando era um guri devo ter visto umas 10 vezes. Naquela época eu nem sabia quem era Murilo Salles. Normal, né? Afinal que criança de 10 anos vai se importar com o diretor do filme que assiste?

Fiquei muito a fim de rever...

Abraços.

20 de junho de 2010 14:05
Amanda Aouad disse...

Foi um filme muito cultuado na época, Vinícius.

Hugo, também não, hehe, mas também acompanho . E você tem razão, é sempre interessante obras assim.

Robin, não vamos entrar nesse detalhe (da idade) hehehe. Sim, o principal do time de 94 era quebrar o jejum.

Pois é, Kamila. Eu você e muita gente viu o Brasil campeão pela primeira vez ali. Afinal desde 70 a gente só ouvia falar que nosso futebol era o melhor do mundo, mas na COpa, nada. O documentário é bem legal... Mas, o cara correndo de costas grita Colômbia, não Brasil, hehe.

Bruno, na época eu já tinha noção de quem era Murilo Salles, afinal tinha um pouquinho mais idade que vc, hehe. Mas, o bom era mesmo rever o Brasil Tetra.

abraços

20 de junho de 2010 17:56
Fred Burle disse...

O coro está forte mesmo para divulgar este filme.
Por coincidência, li agora há pouco sobre ele em algum outro blog.
Nunca tive interesse em assistí-lo, até porque não gosto muito do estilo do Murillo Salles, pelo menos para dirigir ficções.
Estou colocando este documentário na fila.

Abraço

22 de junho de 2010 17:14
Kamila disse...

É mesmo! Colômbia! VALEU! rsrsrsrsrsrs

22 de junho de 2010 21:28
Amanda Aouad disse...

É, Fred, não sou das mais fãs de Murilo também, não. Mas, o doc expressa bem a paixão pelo futebol e o que foi a Copa de 94, que para nós, foi especial.

hehe, acontece, Kamila. Eu spo lembrei porque tinha acabado de rever.

abraços

22 de junho de 2010 22:01

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