10/07/2010

Maldito Futebol Clube

Michael Sheen é Brian CloughEstamos perto de mais uma final de Copa do Mundo, duas seleções que nunca foram campeãs disputam o título, Holanda e Espanha. Então, vamos ao nosso último filme sobre futebol. Desta vez uma ficção muito bem resolvida e que caiu no gosto da crítica. Maldito Futebol Clube resgata a história de Brian Clough, o técnico mais polêmico da Inglaterra, conhecido por ressuscitar times da terceira divisão do campeonato nacional, levando-os não apenas ao topo da primeira divisão, como a Eurocopa. Primeiro o Derby County, depois o Nottingham Forest, onde ficou por dezoito anos. Entre os dois, Clough teve uma passagem relâmpago pelo melhor time inglês na época. E são esses 40 dias como técnico do Leeds United (20 de julho a 13 de setembro de 1974) que o roteirista Peter Morgan usa como linha-guia de sua história.

Colm Meaney é Don RevieO filme começa com Brian Clough chegando ao seu novo clube e vai construindo a trajetória em paralelo com o que acontece seis anos antes, quando treinava o Derby e onde começou seu ódio pessoal por Don Revie, treinador do Leeds United. A tensão crescente entre ambos é muito bem construída, demonstrando até onde o ódio pode cegar uma pessoa. Ao mesmo tempo em que constrói a amizade entre o treinador e seu auxiliar Peter Taylor, que para muitos era a verdadeira cabeça pensante da dupla.

Michael Sheen está fantástico como o falastrão Brian Clough. Sabendo dosar seu deslumbramento, sua ambição e sua raiva em vários momentos. Assim como Timothy Spall incorpora bem o ponderado Peter Taylor. Já Colm Meaney não chega a empolgar como o treinador Don Revie. O filme centra-se principalmente nesses três personagens, sendo todos os demais, mesmo os jogadores, apenas coadjuvantes em uma disputa pessoal, que tem muitas reviravoltas.

Maldito Futebol Clube CartazA direção de Tom Hooper é bastante competente ao dosar a tensão da história, costurando-a de uma forma harmônica e focando na trajetória do treinador. O futebol é o motor da narrativa, mas não está em foco. Os jogos são apenas detalhes enquadrados em momentos chaves. Uma partida decisiva chega a ser apenas ouvida do corredor para o vestiário, com o treinador expulso, nervoso, ouvindo apenas as manifestações da torcida.

Em época de final da Copa do Mundo e com nossa seleção de fora, é bom relembrar que nem tudo se resume a essa disputa de quatro em quatro anos. Brian Clough é um ídolo na Inglaterra sem nunca ter dirigido a seleção do país, tendo até uma estátua em sua homenagem e um tradicional jogo amistoso em seu nome, disputado anualmente pelos dois times que dirigiu.


Amanda Aouad é Mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA na linha de pesquisa em Análise de Teleficção, é formada em Publicidade e Propaganda, roteirista e especialista em Cinema pela UCSal. Fez ainda quatro cursos de crítica cinematográfica ministrados por Pablo Villaça, Francis Vogner, Cláudio Marques e João Carlos Sampaio. Membro da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

9 opiniões:

bruno knott disse...

Separei esse filme aqui há um tempinho já. Parece ser muito bom, ainda mais pra quem curte futebol.

11 de julho de 2010 01:22
Amanda Aouad disse...

É sim, Bruno, eles conseguiram construir uma boa história ao redor do tema.

11 de julho de 2010 09:53
Marcio Melo disse...

Muito bom esse filme, vi ano passado e Michael Sheen e "Peter Petigrew" mandam muito bem.

Para quem curte futebol é daquelas obras raras que conseguiram unir as duas artes, a da bolinha e a do cinema.

11 de julho de 2010 10:06
Kamila disse...

Olha, não sabia da existência desse filme, mas gostei da premissa. Adoro o Michael Sheen como ator e o Tom Hooper se destacou em produções televisivas recentes, como a minissérie "Elizabeth I".

11 de julho de 2010 11:02
Vinícius P. disse...

É triste que não aproveitei a Copa para ver algum filme sobre futebol, rsrsrs. Esse parece ser bom e tenho interesse pela presença do Michael Sheen.

11 de julho de 2010 13:56
Amanda Aouad disse...

Bom, mesmo, Márcio. Uma mostra de que futebol e cinema podem gerar boas obras.

Michael Sheen é ótimo mesmo, Vinícius e Kamila.

Vinícius, eu vi alguns durante essa copa, hehe, e ainda ficaram outros na lista.

11 de julho de 2010 20:43
Mateus Souza disse...

É raro um filme de futebol que trate dos bastidores. Filmes assim, na sua maioria de origem inglesa, são bem mais interessantes que os outros, como Gol. Michael Sheen é um ator bastante talentoso e sua atuação, como você disse, é muito interessante. O acho um ator pouco reconhecido - merecia uma indicação ao Oscar por seu papel em Frost/Nixon.

11 de julho de 2010 21:59
Amanda Aouad disse...

Concordo, Mateus, agora, gol ainda não vi, foi um dos que ficou na lista.

Quanto a Michael Sheen, merecia um maior reconhecimento mesmo, principalmente por sua interpretação de David Frost. Fez um belo bate bola com Frank Langella.

12 de julho de 2010 00:56
Robin disse...

Já tinha ouvido falar, mas ainda não assisti. Vou procurar essa semana. Agora que a Espanha levou o caneco, vamos ficar um pouco quietos em relação à Copa. Pelo menos até as obras começarem por aqui.

abraços

12 de julho de 2010 01:36

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