Profissão: Palhaço

Profissão: PalhaçoTrês gerações de palhaços, um pequeno circo itinerante e uma diretora com um olhar aguçado experimentando ângulos que acrescentam sensibilidade àquelas histórias. Essa mistura resultou em Profissão: Palhaço, da diretora baiana Paula Gomes, que estreia em rede nacional hoje, às 22:30h (horário de Brasília). O projeto foi um dos vencedores do concurso DOCTV e mostra os bastidores de um pequeno circo, sempre pelo olhar do profissional do riso.

“A nossa proposta não é repetir aquela ideia do circo melancólico, do circo que acabou. Com esse documentário nós fomos atrás daqueles profissionais que pintam a cara e tiram sustentos de famílias inteiras da sua arte. Nós encontramos um circo que está vivo, vivíssimo, com as arquibancadas lotadas, apesar de todas as dificuldades que encontra”, diz Paula Gomes que também produziu o documentário. “É aí, nesse Brasil sem teatro, sem museus, sem salas de cinema, que os palhaços e seu circo de lona rasgada ainda desempenham um papel importantíssimo nos dias de hoje”, diz ainda.

Profissão: PalhaçoAs gravações ocorreram no povoado de Quicé (Senhor do Bonfim), onde toda a equipe esteve imersa no cotidiano do Weverton Circo, compartilhando trailers, refeições e histórias. As conversas eram casuais, privilegiando sempre a liguagem do cinema direto com o cotidiano da trupe. Assim, a realidade da região, o rural e o urbano, se misturavam com o dia a dia do circo de uma forma interessante.

Apenas na parte final vemos os três protagonistas transvestidos de palhaço, atuando. É emocionante o momento em que o mais velho entra no picadeiro após seis anos de aposentadoria. E a melancolia da realidade dura parece se perder diante da arte de fazer rir. É uma visão bem interessante desse profissional tão esquecido nos dias de hoje.


Estreia: 30.04 (sexta-feira)
Canal: Tv Cultura
Horário: 22:30

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30 anos de morte de Alfred Hitchcock

Alfred HitchcockHoje fazem trinta anos da morte de um gênio do suspense: Alfred Hitchcock. Nascido em Londres, foi para os Estados Unidos em 1939, fazendo seu primeiro filme em solo americano, Rebecca, a mulher inesquecível e já foi indicado ao Oscar. Mas, o reconhecimento final de Hitchcock veio de François Truffaut que o consagrou na Cahiers du Cinéma como "autor". O cinema americano era visto como menor, filme de produtor e Truffaut demonstrou os traços de autoria na obra do cineasta que passou a ser visto com outros olhos.

A identificação foi tanta que o idealizador da Nouvelle Vague fez uma série de entrevistas que resultou no livro Hitchcock/Truffaut: Entrevistas. Truffaut fez quinhentas perguntas sobre a obra e carreira do diretor londrino / americano. Hitchcock pode, então, comentar detalhadamente sua produção, desde os primeiros filmes mudos feitos na Inglaterra até os coloridos e sonoros de Hollywood, falando sobre a concepção de cada obra, a elaboração do roteiro, as circunstâncias, as inovações e os problemas técnicos, a relação com os atores.

É nesse livro que ele expõe sua teoria de diferenciação entre o suspense e o horror, para ele um gênero menor. Segundo o mestre, o suspense é quando o espectador sabe de algo que os personagens não sabem e ficam angustiados com a expectativa de algo ruim. Como um casal sentado em uma mesa que o público sabe que tem uma bomba embaixo. Toda a tensão está nessa informação. Agora, no horror, o público é tão inocente quanto o personagem. Na mesma cena, a bomba simplesmente explodiria assustando a todos.

Uma característica interessante de sua carreira, é que ele sempre dá um jeito de aparecer em seus filmes. É quase um fetiche e o público adorava. Todo filme, tinha a expectativa de descobrir em que cena o diretor apareceria. Abaixo algumas delas.


Sua obra é tão extensa que fica difícil fazer um ranking lembrando os melhores momentos. Então, para homenagear esse grande gênio destaco aqui três obras-primas, em minha opinião.

Psicose cartaz originalPsicose
Em 1960, chegou ao cinema um filme diferente, tão diferente que diz a lenda que o próprio Hitchcock ficava na fila do cinema pedindo que ninguém entrasse no meio da sessão e não contasse o final. Independente disso, Psicose tinha uma narrativa inovadora, a começar pela falsa protagonista. Marion Crane, vivida por Janet Leigh, rouba uma grande quantia de dinheiro e se esconde no motel Bates. Aí, entra em cena o verdadeio protagonista: Norman Bates. E claro, sua misteriosa e histérica mãe. A cena do banheiro tão difundida, acontece aos 47 minutos de filme, ou seja, Janet Leigh fica apenas um terço do tempo na tela. Uma curiosidade é que essa cena teve 70 planos diferentes e, pela primeira vez, um olho aberto foi utilizado para mostrar uma pessoa morta. Outra é que o sangue retratado é, na verdade, chocolate, já que lhe renderia um contraste melhor na película em preto e branco. A revelação e a cena final também são um marco do cinema que merece ser visto e revisto.

Festim Diabólico cartaz originalFestim Diabólico
Em 1948, Hitchcock resolveu fazer um filme sem cortes. O famoso plano-sequência. E assim nasceu Hope, que no Brasil levou o nome singelo de Festim Diabólico. A trama mostra dois amigos, Brandon e Philip, que matam um colega, escondem dentro de um baú, em uma sala, e dão uma pequena festa nela, chamando, inclusive os pais do garoto. Puro fetiche. Será que alguém iria descobrir? A tensão é grande e a coreografia para que tudo aconteça é muito boa. A tecnologia da época não permitiu que o filme fosse todo em uma tomada, foram necessárias quatro paradas para trocar o rolo, mesmo assim, é tudo muito bem ensaiado e planejado.Quase não percebemos.

Janela Indiscreta cartaz originalJanela Indiscreta
Em 1954 Hitchcock traz o suspense novamente para um espaço muito restrito, um pátio de um condomínio. O fotógrafo L.B. Jeffries quebrou a perna e para passar o tempo fica observando a vizinhança com um binóculo. Em uma janela logo a frente, tudo indica um assassinato que ele vai tentar denunciar. O grande mérito do filme, além do roteiro instigante, é a forma como o diretor conduz sua câmera pelo olhar do protagonista. Estamos com ele, vendo o que ele vê e acreditando em suas descobertas. Fantástico.

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Promoção relâmpago: Quincas Berro D´Água

Paulo José é QuincasApós pré-estreia exclusiva para blogueiros, o filme Quincas Berro D´Água tem sua pré-estreia oficial no Rio, São Paulo e Salvador. A divulgação, que vem se destacando nas mídias sociais através da Núcleo da Idéia, tem feito várias promoções e disponibilizou dois pares de ingressos para pré-estreia de São Paulo e Rio de Janeiro.

Mas, o melhor é para quem mora em Salvador, que tem pré-estreia de gala amanhã no Teatro Castro Alves. Estarão presentes os atores e o diretor do filme. Cidade em que acontece a história, além de cidade-natal do diretor Sérgio Machado, conseguimos 10 pares para distribuir. Agora, como está em cima da hora, prestem atenção para não confundir. O filme estreia dia 14/05 e vem mais coisa por aí. Aguardem.

Vamos às promoções

Salvador - Respostas hoje, 27.04 - até 15hs

Pré-estreia - Teatro Castro Alves
28.04 - as 20hs
Enviar um e-mail para amanda@cinepipocacult.com.br respondendo: Quero ir para pré-estreia de Quincas em Salvador, porque... (estejam livres para responder o que quiserem).
Serão sorteadas 10 pessoas com convites duplos.
Resultado: hoje, 21h.

É 21h e chegamos com o resultado. E como a parceria com a Núcleo da Idéia tem sido muito boa, todos os que mandaram e-mails até às 15h foram agraciados. Os felizes ganhadores que poderão desfrutar desse belo filme e, com sorte, sentar ao lado de Paulo José, Sergio Machado, Mariana Ximenes ou Wladimir Brichta seguem abaixo. Todos já receberam um e-mail avisando como deverá ser a retirada dos convites. Nos vemos lá!
Isabel Aquino e Silva
Luis Fernando Lisboa Rodrigues
Larissa Paim Ribeiro
Andressa de Almeida Silva
Livia Garrido
Fabiano Lacerda
Fernando Gomes
Eduardo Galvão
Cristian Jungwirth
Ana Luiza Campos
Eduardo Wanderley
Márcio Sant'Ana




Rio / São Paulo - Respostas até 29.04 - 22hs

São Paulo
Unibanco Arteplex Frei Caneca, dia 03/05 às 21h30

Rio de Janeiro
Cinemark Downtown, dia 04/05 às 21h.

Enviar um e-mail para amanda@cinepipocacult.com.br respondendo: Quero ir para pré-estreia de Quincas no Rio de Janeiro (ou São Paulo), porque (estejam livres para responder o que quiserem).
Serão sorteadas 2 pessoas por cidade com convites duplos.
Resultado dia 30.04

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A Era do Rádio

A Era do Rádio de Woody AllenWoody Allen é um diretor que tem legiões de fãs e críticos ferrenhos. Em 45 anos de carreira, já fez quase 50 filmes, muitos sucessos absolutos como A rosa púrpura do Cairo, Hannah e suas irmãs, Noivo neurótico, noiva nervosa ou o recente Match Point. Mas, um tem um tom especial, trata-se de A Era do Rádio. Um retrato auto-biográfico de sua infância no Brooklyn dos anos 40, quando o veículo era o grande difusor de notícias, entretenimento e comunicação.

A primeira cena é uma verdadeira obra-prima. Dois ladrões entram em uma casa no momento em que um programa de rádio liga para lá. Para não fazer muito barulho, um dos invasores atende ao telefone e participa de um quiz musical. O desfecho é extremamente engraçado, irônico e inteligente. Para não estragar a surpresa dos que não viram, não conto detalhes, mas quem quiser, segue a cena.


Todo construído com recortes, narra histórias diversas que envolvem o rádio e a vida daquela comunidade judia em torno dele, relacionando, por vezes, com seus programas favoritos e as histórias de seus artistas. Woody Allen utiliza tudo com maestria, inclusive o famoso caso da transmissão de "A Guerra dos Mundos" que causou pânico nos Estados Unidos porque as pessoas acreditaram que estava mesmo acontecendo uma invasão alienígena.

Para nós, um plus especial é ver a brasileira Denise Dummont cantando em uma pequena cena a música "Tico-Tico no Fubá" em referência à Carmem Miranda. Para quem não ligou o nome a pessoa, a atriz é filha do compositor Humberto Teixeira e ajudou na construção do documentário O homem que engarrafava nuvens. A cantora portuguesa abrasileirada ainda é homenageada em uma cena hilária onde a prima e dois tios do narrador dublam “South American Way”.


O filme é uma grande homenagem ao rádio, com uma certa nostalgia já que, na década seguinte ele seria substituído em grau de importância pela televisão, mas sempre com muito humor, típico do diretor. Uma obra fundamental que pode divertir a todas as idades.

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Entrevista Exclusiva com Luiz Bolognesi: roteirista de As melhores coisas do mundo

Luiz BolognesiAs Melhores Coisas do Mundo, novo filme de Laís Bodanzky está fazendo um grande sucesso, principalmente por retratar os jovens brasileiros de forma realista e respeitosa. E claro, muito desse resultado, é de responsabilidade do roteirista Luiz Bolognesi, autor de outros sucessos como Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade. Ele passou por Salvador para um evento e pude ter o prazer de trocar uma idéia não apenas sobre o filme, como sobre essa profissão que ainda busca reconhecimento, principalmente por parte da mídia e público. Confiram e não deixem de olhar o trailer do seu novo projeto, um longa de animação que deve estrear ano que vem.


  • De onde veio a idéia de As Melhores Coisas do Mundo?
A idéia surgiu com o Gilberto Dimenstein, jornalista especialista em juventude, autor da série de livros "Mano descobre...". Ele e a Warner convidaram a mim e a Laís para fazer um filme sobre os jovens brasileiros, inspirado na série de livros, mas com total liberdade de criar novas tramas e novos personagens. A gente mergulhou de cabeça no projeto, por ser muito interessante, e por achar que o cinema nacional foca muito nos problemas sociais, que é super importante, mas esquece de falar de nós mesmos. De classe média, de nossas angústias, de nossas dores, de nossas tristezas de nossos anseios.

  • O filme está chamando a atenção, principalmente por retratar tão bem o jovem brasileiro. Como foi o processo de criação pré-roteiro?
A Laís achou que a gente devia ir a campo, ouvir os adolescentes e fazer o filme a partir das conversas com eles, ouvi o que achavam que deveria e não deveria ter no filme. Então, uma série de plots que estão no filme, vieram desses bate-papos. E o que foi muito confortável para mim foi descobrir que a minha adolescência era igual. Então eu pude, na hora de escrever o roteiro, não apenas falar do que eles falaram, mas mergulhar em minhas memórias afetivas. Depois que o roteiro ficou pronto, aprovado por produção e diretora, tive mais cinco encontros, onde eles liam o roteiro, anotavam e, em um bate-papo diziam o que era verdadeiro, o que não era, o que gostaram, o que não gostaram, e eu fui afinando o roteiro de acordo com essas conversas.

  • E os diálogos? Os atores estavam livres para inserir cacos?
Adriana Falcão, que é uma pessoa que eu sempre consulto, que sempre lê meus roteiros, me disse uma vez "Luiz, não tenta escrever a gíria da personagem, deixa que o ator faz. Os atores são inteligentes, defendem os personagens, então, escreve a essência do diálogo, na economia da sintaxe, faz uma frase bem construída, deixa a gíria para os atores". E a Laís fala a mesma coisa. Então o que está no filme, é o que está escrito, mas que os atores se apropriaram e disseram da maneira deles. Algumas situações, pouquíssimas, foram de improviso, como por exemplo, o debate que acontece na escola. Só estava escrito que teria a cena, mas sem diálogos. A Laís pegou os figurantes, que eram todos pais de alunos e explicou a situação. Chegou para a atriz que fazia a diretora e mandou ela conduzir o bate-papo. Ligou câmera e deixou ver o que acontecia. A própria Denise foi improviso, foi dito para ela, você está na reunião, é uma das mães, interaja.

  • Você já tinha adaptado Bicho de Sete Cabeças e feito um roteiro original, o Chega de Saudade. Esse é uma espécie de meio-termo, certo?
É... esse roteiro a gente fala, com a anuência do Dimenstein, que é um roteiro original inspirado nos livros, porque todos os plots, a própria questão do pai por exemplo, não estão nos livros. Todos os temas principais foram encontrados nessas conversas com os grupos de adolescentes. Então, de uma certa forma, a gente se inspirou no tema do livro, adolescentes classe média, filhos de pais intelectuais, mas tudo o mais foi criado.

  • Alguma diferença essencial no processo?
Eu acho mais difícil adaptar, porque você já tem uma estrutura narrativa boa, geralmente escolhe-se um livro bom, e transpor isso para o cinema é muito complicado porque é outra estratégia narrativa. É uma coisa que já deu certo em uma posição, transforma isso para outro lugar é complicado. Sem falar na comparação inevitável. Você sempre vai ser comparado a uma obra que vai ser melhor que a sua. Eu prefiro criar minha própria história. Já fiz duas adaptações, estou sendo convidado para mais uma que devo fazer, mas eu me sinto mais solto, mais a vontade com uma idéia original.

  • As Melhores Coisas do Mundo é seu terceiro longa de ficção e também a terceira parceria com Laís Bodanzky, certo?
Quarta, se a gente contar o Cine Mambembe que é um documentário, e outro para televisão, são cinco filmes que fizemos juntos e eu adoro trabalhar com a Laís. Ela é uma grande leitora de roteiros, participa muito. O momento de filmagem é o momento dela, eu vou como convidado, não participo, mas eu sempre assisto o material bruto ao fim do dia e comento com ela. E depois, volto com força na montagem. Nos filmes da Laís, o diretor, roteirista e montador sentam muito juntos na ilha para compor o filme.

  • Isso é uma coisa normal no cinema nacional?
Luiz Bolognesi e Amanda AouadNão era, mas virou. Eu sinto que, há um tempo, os diretores eram muito autores do filme, então, eles queriam escrever e montar. Mas, isso só funciona para gênios. Os outros que são apenas talentosos, o que já é muito, estão percebendo que ter a colaboração de especialistas em cada área é bom. E essa virada se deu, na minha opinião com Carla Camurati e Walter Salles. A gente vinha da tradição do cinema novo, que o diretor achava que seria menor, um pecado artístico, ele trabalhar com um roteirista e um montador. E quando Carla Camurati e Walter Salles começaram a procurar roteiristas e montadores para seus filmes, começaram a existir grandes montadores e roteiristas importantes e o cenário mudou. Então, hoje, todos os diretores, por mais autorais que sejam, procuram a parceria de outros profissionais.

  • Então, você acredita que já temos uma valorização do roteirista no cinema brasileiro?

Total. Ainda não são os maiores salários, como acontece na televisão, mas os roteiristas hoje estão super valorizados pelos produtores e pelos diretores. Pela imprensa é que ainda não. Raramente vemos um crítico citar o nome do roteirista para elogiar, só quando tem problema é que é problema de roteiro. É uma coisa que vai levar um tempo ainda para mudar.

  • Quais os caminhos para um aspirante a roteirista no Brasil?
Mergulhar na dramaturgia, estudar e ler muito. Não manuais de roteiro, que eu acho que produzem maus roteiristas pelo pensamento esquemático que induz. Mas, livros em geral, tem muita coisa boa na literatura. Um livro que eu indicaria seria A linguagem secreta do cinema de Jean-Claude Carrière, esse sim, inspira muito. E fazer cursos, entender o processo do roteiro e escrever para audiovisual. Trabalhei anos com vídeo institucional, que dá uma boa bagagem para desenvolver a habilidade de escrever para o formato.

  • Você dirigiu curtas, tem pretensão de continuar investindo nessa carreira ou definiu-se mesmo pelo roteiro?
Eu estou dirigindo agora um longa metragem de animação, chamado Lutas, que faz uma leitura crítica da história do Brasil, e é para adolescente também. Um trabalho longo de quatro anos e é gostoso. Mas, eu não me sinto tentado a dirigir, porque não tenho habilidade para dirigir atores. Eu não me sinto à vontade no set. Acho que nem todo mundo pode dirigir, apesar de muitos quererem. Meu caminho é mesmo contar histórias através do roteiro.


  • Outros projetos para o futuro?
Estou terminado o Lutas, que deve ser lançado ano que vem. Espero voltar aqui para lançá-lo, porque Salvador foi a melhor bilheteria de Bicho de Sete Cabeças e está sendo a melhor de As Melhores Coisas do Mundo. É uma praça boa, uma cidade com um pé muito forte na cultura, não só como produção como consumo de cultura. Estou fazendo também um documentário sobre a Amazônia, e iniciando mais dois roteiros de ficção.

  • Você saberia dizer qual a melhor cena que você já escreveu?
É difícil, mas as cenas que as pessoas vem falar para mim, chorando inclusive, foram a cena dos ovos em "As Melhores Coisas". E uma cena de "Terra Vermelha", onde tem um diálogo entre o fazendeiro e o cacique na frente do Procurador da República falando sobre a posse da terra. São cenas que tenho orgulho de ter escrito.


  • Pra terminar, quais as melhores coisas do mundo?
Ir para a praia com minhas duas filhas, entrar no mar com elas. E beber vinho e namorar com minha mulher.

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Grandes Cenas: Infâmia

InfâmiaEnquanto a Rede Globo briga com o Ministério Público para deixar sua garotinha da novela das oito ser uma vilãzinha, o cinema já nos mostrou há anos que criança também pode ser um verdadeiro capeta. Filmes como Anjo Malvado, The Bad Seed ou A Orfã estão aí para provar. Mas, poucos conseguiram mostrar a essência da maldade infantil como The Children's Hour, que aqui no Brasil teve o nome de Infâmia. Pouco cultuado, mesmo pelos fãs do diretor William Wyler, o filme conta com uma história densa, com interpretações memoráveis.

Narra a história da garotinha Mary que por pura maldade diz a sua avó que suas duas professoras Karen Wright (Audrey Hepburn) e Martha Dobie (Shirley MacLaine) tem um caso. A velha senhora tem boa influência na comunidade e acaba espalhando a notícia, destruindo a vida das duas mulheres. A grande questão que torna Mary mais assustadora que outras crianças cinematográficas é que sua índole maquiavélica vai além das explicações psiquiátricas, afinal, ela não ganha nada com essa infâmia, sendo apenas um ato de diversão e pura maldade.

A cena escolhida é quando ela confirma essa injúria na frente das duas acusadas e o noivo de Karen. A frieza que a garotinha demonstra e a forma como ela ameaça a amiga para que confirme a história são os pontos altos do filme.

InfâmiaNa primeira parte, os enquadramentos são poucos. Um plano geral com os cinco personagens, um contra-plano de James Garner que interpreta o noivo, e outro, o mais significativo, de Mary centralizada tendo Karen e Martha na casa ao lado. A medida que a menina vai contando sua "história" o clima vai ficando tenso, e os demais personagens são se aproximando dela. A menina vai se perdendo na falsa versão e, pressionada, finge uma crise de choro. Neste momento, ela apela para a amiga Rosalie.

Importante explicar para quem não viu o filme que Rosalie tem uma tendência cleptomaníaca que Mary descobriu e por isso a chantageia. Neste momento, a direção enquadra a menina com a avó em um plano, e os outros três em outro, dividindo bem os dois lados da situação. Quando a avó manda chamar a menina, os quatro ficam no mesmo plano, deixando apenas Mary do outro lado, mostrando que a avó está em dúvida em reação à verdade. Ela chega a dizer literalmente "eu não sei de mais nada, talvez eu mereça mesmo".

InfâmiaQuando Rosalie desce a escada e vê as professoras, fica assustada, sem entender o que está acontecendo. Ela passa por Mary que faz uma expressão ameaçadora, ali dá para ver toda a maldade da pequena menina. A avó senta Rosalie no sofá e depois Karen se aproxima também para conversar. Mary fica ao lado, em pé, com a expressão de ameaça. Interessante perceber que se enquadra as duas meninas de frente para câmera com a velha senhora de lado, mostrando bem as expressões das duas. Para que a avó não veja o que Mary passa com os olhos, ela circula o sofá e fica em contra-plano, de costas para a avó e para Karen, de frente apenas para Rosalie.

Apesar disso, Rosalie nega tudo, até que Mary se aproxima dela e "lembra" que a menina teria contado tudo no dia em que a pulseira de outra colega sumiu, deixando claro sua ameaça. Rosalie, então, assume toda a mentira, deixando as professoras atônitas e a avó da menina aliviada por não ter contado uma história mentirosa. O plano geral, com todos olhando para Rosalie chorando no sofá, e Mary vitoriosa olhando para as professoras fecha a cena e sela a infâmia de uma vez por todas.

Infâmia

Não achei a cena com legendas no Youtube, segue apenas em inglês para referência, mas recomendo assistir a todo o filme.

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Tim Burton e Johnny Depp: parceria de sucesso

Johnny Depp e Tim BurtonPegando carona no lançamento de Alice, resolvi relembrar aqui as parcerias de diretor e ator tão citadas em todos os textos a respeito do filme. A maioria dos sucessos de ambos encontram-se na interseção. Apenas Peixe Grande, pelo lado de Burton, não tem Depp no elenco. Já na filmografia do autor, é quase irônico que seu melhor papel, o Capitão Jack Sparrow não seja um trabalho com seu diretor favorito. Isso para não citar, Don Juan DeMarco e Em Busca da Terra do Nunca. Mas, no geral, é na parceria que eles encontram bons momentos.

Os mundos retratados nos filmes de Tim Burton são sempre sombrios, irônicos e com um certo sadismo. Apesar de ter iniciado sua carreira como animador da Disney, sempre demonstrou querer ir além. Após dirigir a comédia de sucesso Os fantasmas se divertem, foi convidado para fazer os dois primeiros filmes do Batman. O sucesso de bilheteria lhe permitiram produzir a primeira obra autoral e para muitos seu melhor filme até hoje: Edward Mãos-de-Tesoura. Desde então, fez grandes filmes e verdadeiros fiascos como a refilmagem de O Planeta dos Macacos. Sendo um dos grandes diretores de sua geração.

Johnny Depp teve que trabalhar muito para fugir da imagem de ídolo juvenil e símbolo sexual, que sempre vem com o preconceito de não-ator. A dificuldade era maior porque surgiu para grande mídia na série Anjos da Lei, onde interpretava o policial Tom Hanson. Com Edward Mãos-de-Tesoura teve sua grande chance e aproveitou. Tanto que recusou papéis em filmes como Velocidade Máxima ou Lendas da Paixão, para privilegiar outros onde a atuação fosse mais valorizada. Hoje em dia, acho que o grande problema do ator é a quantidade de personagens estranhos que faz, um exagero. Esquisitice não é sinônimo de boa interpretação. Ainda assim, criou personagens memoráveis. Principalmente, ao lado de Tim Burton.

Parceria de sucesso:

6 - A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005) - A refilmagem do clássico infantil de 1971 ganhou um ar muito mais sombrio nas mãos de Tim Burton. E o Willy Wonka de Johnny Depp é infinitamente mais sinistro que o de Gene Wilder, comparado por muitos a uma versão e crítica a Michael Jackson. Com muito mais recursos, a mistura foi bastante interessante e rendeu uma indicação ao Globo de Ouro para Depp.

Ed Wood
5 - Ed Wood (1994) - Considerado o pior diretor de todos os tempos, Ed Wood tornou-se uma lenda nos Estados Unidos por suas invenções em cada filme. Baseado no livro de Rudolph Grey, Tim Burton criou essa cinebiografia em tom farsesco, colocando Johhny Depp no papel principal. Interpretando o diretor lunático, Depp conseguiu um bom resultado, sem ser caricatural. Destaque para cena da Lula Gigante, completamente hilária.

Sweeney Todd 


4 - Sweeney Todd (2007) - Unindo musical com suspense e horror, Tim Burton construiu um filme tenso de vingança. Johnny Depp dá vida ao barbeiro que retorna a Londres em busca do homem que destruiu sua família. Unindo-se a Sra. Lovett, ele treina matar seu inimigo cortando as gargantas de seus clientes, que servem de recheio para as tortas vendidas pela mulher.

3 - A Noiva-Cadáver (2005) - Animação fantástica com tons sobrenaturais bem incomuns, traz Johnny Depp como a voz de Victor Van Dort, o protagonista que é obrigado a casar-se com a fantasma sofrida. Chegou a ser indicado ao Oscar de melhor animação, perdendo para Wallace&Gromit.

Ichabod Crane2 - A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (1999) - Fantasia e terror se misturam nesse filme, onde o condado de Sleepy Hollow é ameaçado por um misterioso cavaleiro sem cabeça. Cabe a Johnny Depp, interpretando o investigador Ichabod Crane, desvendar o mistério e resolver a situação. Gosto muito desse filme, onde o ator faz um homem mais normal, sem tantas afetações nem maquiagens.

1 - Edward Mãos de Tesoura (1990) - Uma espécie de Frankenstein moderno, Edward é um ser inacabado que tem tesouras no lugar de suas mãos. Seu inventor morreu antes que pudesse concluí-lo e ele vive só em uma mansão afastada. Quando a vendedora de cosméticos Peg o encontra, tudo muda em sua vida. Da fama ao linchamento público, do amor ao ódio, Edward é um personagem encantador e Johnny Depp soube dar um ar ingênuo perfeito que conquista a todos. Para mim, a obra-prima da dupla.

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A Estrada

A EstradaFilmes pós-apocalípticos parecem que estão cada vez mais em voga. Depois de Eu sou a lenda e O Livro de Eli, chegou a vez de Viggo Mortensen perambular por um planeta devastado sob a ameaça de canibais. A grande diferença desse filme baseado no livro de Cormac McCarthy é que o protagonista tem uma companhia bem singela: seu filho pequeno, vivido pelo australiano Kodi Smit McPhee.

O argumento é simples: pai e filho caminham pelo mundo devastado tentando sobreviver fugindo dos homens maus (os canibais) e procurando os homens bons que nem sabem se ainda existem. Não há um objetivo traçado, um plano, nem um plot específico. Eles simplesmente vão andando, e lidando com o que encontram. O que torna o filme interessante é, então, a relação dos dois atores e a dramatização das situações difíceis.

Cartaz A EstradaA angústia de se encontrar um porão cheio de seres humanos prontos para o abate, o desespero de se esconder no mato para não ser mais uma vítima, a felicidade de encontrar comida, a tensão na possibilidade de estarem sendo seguidos, o alento das lembranças felizes e, principalmente, a companhia um do outro. A certeza de que ainda existe algo pelo qual se ter esperança. Enquanto o menino existir, seu pai acredita que possa haver um futuro. O difícil é ver esse filho com fome e não ter como saciar sua necessidade. "Vamos morrer logo?", ele pergunta. "Não, demora muito para se morrer de fome."

Viggo Mortensen está muito bem no papel do pai sofrido e determinado, assim com o pequeno McPhee que demonstra sofrimento de gente grande. O filme ainda traz participações especiais de atores como Robert Duvall e Guy Pearce.

A sensação que fica após o término do filme é que somos tão privilegiados e nem nos damos conta disso. Reclamando de coisas bobas que nos parecem verdadeiras tragédias. Talvez os filmes atuais estejam querendo nos alertar para o consumo consciente, ou talvez seja apenas oportunismo quando se fala tanto em fim dos tempos. O fato é que o diretor australiano Hillcoat e o roteirista Joe Penhaal conseguiram construir tensão em cima do nada, ou quase nada. A ação é sempre algo esporádico, que não se sustenta, mas está sempre rondando essa situação extrema e a relação dos dois personagens.

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Cinema Interativo, a bola da vez?

Cena do filme-jogo A GrutaHá tempos que o cinema vem tentando criar outras formas de interação com o público. Em tempos de internet, onde o usuário não quer ser apenas um espectador passivo, parece que vale tudo. Na Coréia do Sul, Avatar ganhou uma quarta dimensão: era possível sentir os aromas de Pandora. Além disso, não é fato novo que alguns blockbusters já venham com um game acompanhando o sucesso. Alguns nascem junto com o lançamento nos cinemas, que é o caso do novo Alice. Agora os filmes também tendem a ser jogos. Os filmes-jogo, como são chamados, vem se tornando uma realidade mundial desde 2008, com experiências como The Outbreak e o brasileiro A Gruta.


Outras formas de interação com a história estão sendo testadas como a experiência do filme Desenrola, sobre o qual já falei aqui e tem previsão de estreia ainda esse ano. A mistura cinema e internet e as buscas por inovações são tantas que o diretor de um webhit lançou esse ano seu primeiro longa, tendo o Youtube como tema.

Seja para sentir o cheiro de um cenário, apertar um botão para decidir o próximo passo ou discutir no blog o destino de alguns personagens, o fato é que nunca houve uma imersão tão profunda quanto a experiência de filmes interativos feita pelo 13TH Street, uma divisão da NBC.


A história é simples, uma mulher fugindo precisa da ajuda da platéia para decidir como irá se livrar do perigo. A novidade é que em vez de um botão, o espectador recebe uma ligação da personagem para o seu celular. Em tempo real ela vai conduzindo os caminhos. Além de ouvir a voz, é também possível perceber a respiração ofegante, os ruídos do cenário e todo o clima da história pelo telefone. Quem poderia imaginar algo tão complexo há cinco anos, por exemplo? Não sei vocês, mas eu adoraria passar pela experiência.

Abaixo o vídeo completo, traduzido por Cadu Silva.

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Alice, Disney e Tim Burton: uma mistura controversa

Coelho de AliceVinte e um de abril era um dia esperado pelos fãs de Tim Burton, afinal foi anunciado que Alice teria sua estreia nacional hoje. Apesar do feriado de Tiradentes, resolveram manter a tradição da sexta-feira. Então, para para os que estão ansiosos, vou adiantar minha crítica do filme. A começar pela saga da pré-estreia. Ganhei meu convite através de uma promoção e fiquei feliz, pois acabei não podendo ir para cabine que aconteceu na quinta-feira. O problema é que os organizadores distribuíram mais convites que a lotação da sala. Resultado, uma confusão e fui parar na escada. Tinha tanta gente que nem óculos 3D tinha para todo mundo. Fiquei com dor nas costas, mas escapei de assistir um festival de borrões durante 100 minutos.

Alice no País das Maravilhas de Tim Burton Passado o absurdo, vamos ao filme. Alguns esclarecimentos são necessários para que compreendam meu paradoxo e para que eu não pareça me contradizer durante o texto. Nunca gostei de Alice no País das Maravilhas, vi o filme da Disney apenas uma vez (um recorde para uma criança) e dei uma passada em um livro ilustrado. Aquela viagem definitivamente não me atraiu, por isso, nem tinha ficado tão empolgada com esse novo filme. Em contrapartida sou fã incondicional de Tim Burton. Adoro a forma como ele constrói seus mundos, suas viagens através das sombras, sua forma de nos conduzir na história. Até hoje, nada superou Edward Mãos de Tesoura, é verdade, mas gosto muito de cada nova investida.

Então, Alice é uma mistura dessas duas coisas. Estão lá a história insossa e as técnicas cinematográficas de Tim Burton. O clima psicodélico é elevado ao quadrado, já que ambos tem essas características. A parte antes e depois da aventura na toca do coelho, no entanto, é chatíssima. Acredito que nem precisava existir. O filme é uma espécie de continuação da história original, tomando como base o livro Alice através do Espelho. Aos 17 anos, a moça retorna ao mundo subterrâneo, sem lembrar da primeira aventura, com uma nova missão que já estava prevista no oráculo.

Johnny Depp, Helena Bonham Carter e Mia Wasikowska

Em termos de história ou roteiro, pouco têm-se a acrescentar. É aquela coisa meio boba, meio onírica, sem sentido mesmo. Mas, se você vai se deixando levando, funciona. O plus é a direção de arte, a atmosfera sombria, os enquadramentos. A cena em que o chapeleiro mostra a Alice o campo desvastado é uma pintura. O rio de cabeças que ela tem que pular. A escadaria onde ocorre a batalha final. Eu gostei muito de tudo que foi apresentado. Já o 3D, tem dois bons momentos, quando Alice passa por um matagal e parece que os galhos vão nos cortar e uma cena de vôo, em que os garotos Tweedledee e Tweedledum são pegos. Fora isso, é um grande desperdício de dinheiro. Só pra dizer que tem versão nesta tecnologia. Até a legenda não é tão eficaz quanto Avatar. Fica, muitas vezes atrás de algum elemento, dificultando a leitura.

Arte Conceitual de AliceOs atores foram para mim a grande decepção. Johnny Depp está caricato demais como o chapeleiro. Acho que ele ficou tanto tempo fazendo papéis esquisitos que esqueceu de colocar um tom a menos. Anne Hathaway como a rainha branca, então, que coisa artificial. Já Helena Bonham Carter está muito bem como a rainha vermelha (ou rainha de Copas, como eu me lembro), protagonizando boas cenas de histeria. Já de Mia Wasikowska eu não esperava muito. Assisti toda a primeira temporada de In Treatment e dava para ver suas limitações. Agora, meu personagem preferido, o coelho branco, está fantástico. Muito bem feito, como todos os personagens em computação do filme, fofo e sagaz, ele é uma luz na história. Destaque também para a lagarta azul dublada pela inconfundível voz de Snape Alan Rickman, assim como para as montagens dos corpos digitais com a cabeça de alguns atores que ficou natural.

Agora vem o paradoxo. Com tudo isso dito, prós e contras na mesa, devo dizer que o filme é bom. A mistura de tudo ao entrar na toca do coelho me fez sentir a liberdade de Alice em seu sonho mágico. Acredito que tudo aquilo seja uma grande metáfora da vida, com mensagens subliminares diversas. E embarcando nessa viagem foi muito divertido viver cada momento. Mesmo com dor nas costas por não ter onde sentar. Acho que valeu a experiência. Estava precisando de algo assim, sem compromisso, depois de ver Anticristo.

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Anticristo

Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg Finalmente criei coragem para ver Anticristo. Lars Von Trier é um diretor que me traumatizou e sempre penso duas vezes antes de encarar uma sessão, mas acabo enfrentando porque é sempre uma aula de cinema. Devo confessar, no entanto, que Anticristo não me deixou tão perturbada quanto eu pensava. Acho que li e ouvi tantas coisas, a começar pela estreia conturbada em Cannes, que pintei o bicho pior do que era. Claro que há cenas incômodas e fechei os olhos duas vezes. Não me pergunte como foi a cena da mutilação genital que eu não vi. Mas, a questão doentia que tantos reclamavam não nos atinge se olharmos de fora, analisando apenas a culpa imensa que aquela mãe carrega. E nisso, temos que admitir, Lars Von Trier se utilizou de muitos conceitos e crenças para fazer uma catarse fantástica.

Cartaz de AnticristoEm uma música, Caetano Veloso diz "como é bom poder tocar um instrumento", referindo-se a capacidade terapêutica do seu violão. Sem pensar tanto em inovar, criticar os Estados Unidos, ou muito menos criar novos movimentos cinematográficos tal qual o Dogma, o que Lars Von Trier quis nesse filme foi exorcizar seus dois anos de depressão profunda. Jogou na tela todas as crenças, ou descrenças, no mundo, em Deus e na natureza humana. O autor já declarou que tem como seu livro de cabeceira desde os 12 anos O Anticristo de Nietzsche e dedicou, quase ironicamente, o filme à Andrei Tarkovski. Perguntado sobre isso, Von Trier disse que o autor russo, conhecido por levar sempre um sentido espiritual para suas obras, é uma grande inspiração e que ele dedicaria todos os seus filmes a ele.

Mas, por que o filme gera toda essa polêmica? Porque expõe a fragilidade humana, tem cenas explícitas tanto de sexo quanto violência e defende a tese que de a natureza é maligna e que o caos impera. Aliás, uma raposa com as vísceras expostas diz isso literalmente ao protagonista em uma cena que seria risível se já não estivéssemos imersos no desespero. O pecado original é a base de tudo. Da nossa expulsão do Jardim do Éden e da dor e culpa que o ser humano carrega, tornando o sexo a expressão maior do mal. Antes que alguém comente a polêmica que levantaram sobre ele colocar a mulher como a origem do mal, devo dizer que minha interpretação é exatamente o contrário. O que Von Trier fez foi exatamente mostrar essa crença difundida pela Igreja Católica na Idade Média, vi como uma crítica, não como uma confirmação. Tanto que o personagem de Willem Dafoe diz: "Você não vê que muitas mulheres inocentes morreram na fogueira?"

AnticristoDesta forma, o filme, que é dividido em capítulos como já é de costume nas obras do diretor, começa com um prólogo mais do que simbólico. Um casal em uma relação sexual intensa enquanto seu filho pequeno passeia pela casa. O ápice do prazer coincide com o momento em que o menino e seu ursinho de pano despencam pela janela da casa. Se o sexo já gera culpa, imagine o sexo que resultou na morte de seu único filho? Baseado nessa premissa, o filme se desenvolve nos capítulos "Luto", "Dor", "Desespero" e "Os Três Mendigos". Terminando com um epílogo também simbólico.

AnticristoTanto prólogo quanto epílogo são apresentados em preto e branco com uma música sacra absorvendo nossos ouvidos. A construção das cenas em paralelo ao prólogo geram a angústia necessária. A inocência do garotinho loiro, com seu bonequinho nas mãos. A sensualidade do casal entregue ao prazer. Os detalhes construídos. Tudo é forte e verdadeiro o suficiente para nos deixar com as emoções à flor da pele.

Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg, que interpretam o casal sem nome, vão tentar se refazer da dor em uma casa no meio da floresta chamada Éden. Ela, uma escritora em depressão profunda, ele, um terapeuta que se arvora a curá-la quando também sofre pela perda do filho. O desencadeamento a partir de então, não tem nada de sobrenatural, mas de psicologia e psiquiatria pura. Metáforas constróem o filme, como uma águia comendo um filhote ou a tese da mulher que analisava a caça as mulheres na Idade Média, o que explica as sequências no final. Por isso, os afoitos por filmes de terror se decepcionaram. E é genial, por mais doentio que seja. Pode acontecer nas melhores famílias.

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Revendo Chico Xavier

Chico XavierPrecisava rever Chico Xavier ainda no cinema. Ao contrário da fria cabine, queria observar o público e suas reações de perto. Além, claro, de rever alguns detalhes do filme. Das impressões gerais do longa, pouca coisa mudou, continuo gostando bastante, conforme podem ler na crítica neste link. Apenas pude reparar melhor no ator André Dias, que deixa a desejar com o seu Emmanuel e confirmar que sua primeira aparição foi bastante forçada, com aquele efeito entrando pelo ouvido de Angelo Antônio. Mas, tirando esses detalhes, acredito que o filme cumpre bem o seu papel. Não é por menos que está liderando as bilheterias por três semanas.

Daniel Filho é um homem esperto. Ele sabia que não tinha como dar errado. Ainda mais lançando o filme no dia do centenário do protagonista. Ainda assim, o boca a boca parece estar ajudando muito. No sábado, ainda peguei fila tanto para comprar o ingresso quanto para entrar na sala, e a sessão seguinte estava ainda mais cheia, chegando a lotar a capacidade local. O mais interessante é perceber todo tipo de pessoas. Muitas senhoras, é verdade, mas também muito jovem curioso e interessado. Antes da sessão começar, o burburinho era grande, quase me arrependo de pegar uma sessão no meio da tarde. Conversa e cinema não combinam, seja educado.

Chico Xavier no Pinga FogoOs trailers começaram e a conversa não parou. Precisou entrar na tela as primeiras imagens do trailer de Nosso Lar para que as últimas conversas terminassem. Era possível ouvir os burburinhos apenas de espanto ou felicidade por ver a produção de setembro que promete ser mais um sucesso. Quando o filme começou, o silêncio era total. As pessoas interagiam com o filme, surpresos com a cena do garfo, ou rindo da cena do rosário.

A imersão foi tamanha que quando chegaram os créditos com as cenas reais do Programa Pinga Fogo, ninguém se levantou, nem as luzes do cinema se acenderam, não sei se foi apenas onde assisti ou se é regra geral para este filme, mas chamou a atenção este fato. Afinal, mal começa a subir o primeiro letreiro e as luzes já acendem, nos convidando a sair da sala de projeção. Apenas quando acabou a última letra, o cinema foi aceso e todos saíram em silêncio total. Também, não é todo dia que a gente sai de um filme após rezar o "Pai Nosso" com Chico Xavier.

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As melhores coisas do mundo

Francisco Miguez é ManoHouve uma vez dois verões de Jorge Furtado era a melhor referência de filme brasileiro jovem que eu tinha até essa semana. Antes que perguntem, Os Famosos e os Duendes da Morte, ainda não chegou a Salvador, então, não vi e nem posso falar sobre essa outra produção lançada esse mês. Mas, As melhores coisas do mundo conseguiu me surpreender e muito. O texto é sensível, a direção é cuidadosa, os atores estão bem e a construção é muito realista, tem a cara do jovem paulistano, brasileiro e, por que não, mundial. Fala dos medos, das dores, das dificuldades dessa fase tão paradoxal quanto a adolescência, sem menosprezar o sentimento dos meninos, nem ser caricata.

Os filmes de Laís Bodanzky tendem a ter essa característica realista, principalmente em parceria com o roteirista Luiz Bolognesi o mesmo de Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade. Contando a história de Mano, um adolescente de quinze anos que tem sua vida revirada com a separação dos pais, e principalmente, o motivo pelo qual o pai saiu de casa, o filme trata de preconceitos, medos, amor, amizade, ética e escolhas. É feliz também ao retratar um problema que vem crescendo no Sudeste brasileiro que é o bullying. Inspirado na série de livros “Mano descobre...” de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, o roteiro foi lido e criticado por grupos de adolescentes antes de começar a produção, o que comprova esse retrato fiel da juventude, do jeito que eles querem ser retratados.

Mano e sua paixãoHá alguns pequenos percalços no caminho, como o início que dá uma falsa impressão de caricato e superficial, além de um pequeno clichê: Mano é interessado na loira popular da escola e não vê aquela que está ali ao seu lado, pois ela é só mais uma da turma. Além disso, o filme não conta exatamente uma história, mas retrata um cotidiano, sem necessariamente passar por uma jornada. Mas, mesmo assim, ou até mesmo por isso, a trajetória é envolvente e emociona em pequenos gestos, em cenas simbólicas como mãe e filho jogando ovos na parede.

As Melhores Coisas do Mundo“Cinema é reflexão, cidadania e educação”, define Laís Bodanzky. Mas, como gosto de repetir, cinema é principalmente montagem, foi o que ele trouxe de novo ao compilar as demais artes. E ter um montador como Daniel Rezende na equipe é um plus para um bom filme. Em seu currículo, além do candidato ao Oscar Cidade de Deus, estão filmes como Narradores de Javé, Diários de Motocicleta, Tropa de Elite e Ensaio sobre a Cegueira.

Fiuk é PedroO elenco também é bem interessante, formado principalmente por jovens desconhecidos que conseguem sustentar muito bem seus papéis de forma natural, tem alguns nomes de peso como Denise Fraga, no papel da mãe de Mano, uma professora universitária, assim como seu ex-marido vivido por Zé Carlos Machado. Caio Blat também defende bem seu professor Artur e mesmo Paulo Vilhena não compromete. O garoto Francisco Miguez, que vive o protagonista é uma bela surpresa. Mas, o destaque é mesmo Fiuk - Filipe Galvão - que vive Pedro, o irmão mais velho de Mano. Filho de Fábio Júnior, o garoto que é vocalista da banda Hori, começa sua carreira como ator nesse filme de forma cativante. Atualmente na novelinha Malhação, no filme ele mostra que tem capacidade para ir além. Seu romântico Pedro, com direito a blog depressivo e frases como "Se você quer perder sua virgindade humilhando uma mulher, problema seu" fazem dele, para mim, o personagem mais interessante do filme.

As melhores coisas do mundo pode não ser a melhor coisa que já surgiu no cinema nacional, mas com certeza entra para o hall dos grandes filmes sobre adolescentes já feitos. E mostra que o cinema nacional está cada vez mais maduro, podendo dar passos mais altos. Torço sempre por essa realidade.

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Amélia

Há duas formas interessantes de assistir ao longa da indiana Mira Nair. Ou você conhece toda a história de Amelia Earhart e vai conferir como ficou a cinebiografia. Ou você não sabe nada do filme e vai se surpreender com cada investida. Se você ainda não conhece a história, aconselho que não leia nada nem veja o trailer. A tensão do clímax se constrói no suspense que uma leitura rápida qualquer pode estragar.

Amelia Na verdade, os grandes méritos de Amélia estão na figura interessante de sua personagem-título, nessa curva dramática do meio para o fim do filme que nos deixa tensos e na caracterização de Hilary Swank que, além de ser uma excelente atriz, está muito parecida com a figura da aviadora real. No mais, a cinebiografia é apenas morna, com muito diálogo ruim e uma primeira parte bastante monótona.

O roteiro de Ron Bass e Anna Hamilton Phelan utiliza a grande tentativa de dar a volta ao mundo como pano de fundo de toda a história, começamos com Amélia e Fred decolando, a viagem vai costurando a linha temporal desde que Amélia viu um avião pela primeira vez até chegar ao momento-chave. Mas parece que falta algo para o interesse ser completo.

Hilary Swank é AmeliaAmélia Earhart foi uma mulher a frente de sua época, lenda da aviação americana queria desbravar seus caminhos e não via barreiras impossíveis. É nessa figura que Mira Nair está interessada e foca toda a sua construção fílmica. É interessante vê-la rompendo barreiras e quebrando preconceitos. Exatamente uma mulher tão livre e inovadora, merecia que sua história fosse contada com um pouco mais de ousadia e não os velhos clichês de flash back e voz over, e principalmente diálogos com frases de efeito.

Richard Gere como seu empresário e marido, George Putnam, continua sendo o mesmo ator de sempre, pose de galã com seu sorriso cativante, nada mais. E sua química com Swank não é das melhores, o romance só esquenta um pouco com a chegada de Ewan McGregor para fechar o triângulo. Agora esse é o menor dos problemas já que Mira Nair está interessada no mito e não na mulher. E como divulgação do mito, o filme é bastante eficaz. Ficamos curiosos e encantados com a coragem e determinação daquela mulher. "Amélia, nos te amamos", gritavam os americanos. Essa sim, era uma mulher de verdade.

Richard Gere e Hilary Swank
Ewan McGregor e Hilary Swank

Quer ver o filme? Participe da promoção aqui no blog.

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Coração Louco

Jeff Bridges é Bad Blake Não por acaso, Jeff Bridges levou Oscar e Globo de Ouro por sua atuação como o cantor de country decadente Bad Blake. O filme Coração Louco se sustenta por essa atuação e pela riqueza de detalhes, principalmente da direção de arte que torna a experiência ainda mais realista.

A estreia de Scott Cooper na direção é bastante convincente, apesar de seu roteiro, adaptado do livro de Thomas Cobb, escorregar em alguns momentos, abusando do sentimentalismo. Ainda assim, é envolvente a história do grande astro country, hoje álcoolatra e decadente, que viaja pelo país fazendo shows em bares pouco frequentados ou locais menos propícios como um boliche de uma cidadezinha do interior. O sentimento de frustração e de como a vida pode dar voltas é grande, nos deixando uma melancolia ao final da projeção.

Jeff Bridges e Maggie Gyllenhaal

Em uma de suas muitas viagens, Blake conhece a repórter Jean Craddock, interpretada pela simpática Maggie Gyllenhaal que vem crescendo bastante na carreira. A moça dá um ar de esperança ao ex-astro que resolve apostar nessa relação familiar, já que Craddock é mãe solteira, como uma nova chance de vida.

Cartaz de Coração LoucoA construção do anti-herói é bem feita. Suas frustrações, sua impaciência, sua dependência ao álcool, sua raiva do antigo pupilo Tommy Sweet, vivido por Colin Farrell, tudo é bem amarrado e justificável. Até mesmo a paixão repentina por uma mulher e seu filho tem um sentido naquele homem sofrido e em sua trajetória de tentativa de sobreviver.

Interessante também ver a forma como o falso antagonista é construído, já que o personagem de Colin Farrell, na verdade, é apenas um astro em ascenção e fã incondicional de Blake. Os verdadeiros antagonistas do personagem são: ele mesmo, que se boicota bebendo, e o tempo, ingrato com quase todos os artistas que acabam caindo no ostracismo.

Duas coisas que valem o final, não se preocupe que não tem spoilers, é que ele foge completamente do clichê e que podemos ouvir a música Coração Louco, com legendas, nos créditos. O personagem passou o filme inteiro compondo-a, então, nada mais justo do que esperar um pouco e ouví-la. Além de muito bonita, ela resume a história de Bad Blake.

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Promoção Dupla para todos os gostos

Hilary Swank Após o sucesso com a promoção Quincas Berro d´Água, estamos começando a firmar algumas parcerias para promoções aqui no blog. Esta semana temos convites para dois filmes: Uma Noite Fora de Série e Amélia. Um estreou semana passada, vejam crítica aqui, e o outro só estreia na sexta-feira. Na véspera, posto meus comentários sobre ele.

Lembrando que Uma Noite Fora de Série está ganhando destaque e, nos Estados Unidos, sua bilheteria está brigando com o esperado Fúria de Titãs. O que prova ser um filme bem divertido.

Quanto a Amélia, conta a história de Amélia Earhart, a famosa aviadora americana. Uma cinebiografia interessante, principalmente pela força de sua protagonista, além da ótima atuação e caracterização de Hilary Swank.

Promoção UM

Uma Noite Fora de SériePara prestigiar a todos, não apenas quem tem sorte, a promoção vai funcionar da seguinte maneira. Os pares de Uma Noite Fora de Série serão distribuídos para nossos leitores mais assíduos.
2 para os dois maiores comentadores do blog até o momento: Robin e Cristiano Contreiras, como podem ver na barra lateral.
2 para os nossos dois primeiros fãs no Facebook: Rodrigo Zeba e Rangell.
E o último iríamos sortear entre os comentários do post do filme, mas como Rodrigo Carreiro foi o único que ainda não assistiu, ficou para ele (com exceção de Cristiano que já ganhou).
Essa é uma forma de agradecer a quem sempre vem aqui, prestigia o blog, divulga e ajuda a fazer nosso trabalho valer a pena. Os cinco premiados precisam nos mandar um e-mail com endereço para enviarmos o convite.



Promoção DOIS

AmeliaAgora vamos a promoção de Amélia. São também cinco pares divididos da seguinte forma:

3 pares serão sorteados entre os seguidores do twitter oficial do blog. Para participar bastar seguir e dar um RT da seguinte mensagem:

RT essa msg até 16/04, siga o @cinepipocacult e concorra a 2 ingressos para Amélia http://migre.me/wiE1

Os outros 2 pares serão sorteados entre os que enviarem para o e-mail amanda@cinepipocacult.com.br, a resposta da seguinte questão:

Em uma cena do filme, o personagem de Richard Gere chama Amélia pelo nome de outro personagem conhecido do cinema, fazendo uma referência à célebre frase: "Acho que não estamos mais no Kansas, Totó". Que personagem é esse?

Todos os concorrentes tem até a meia-noite do dia 16/04 para participar. Dia 17 pela manhã, esperamos divulgar o nome dos vencedores.

Os ingressos são válidos em todo o Brasil, nos cinemas onde os filmes estiverem sendo exibidos para sessões de segunda a quinta-feira. Boa sorte a Todos!

PROMOÇÃO ENCERRADA - RESULTADO

Valeu, pessoal! A promoção acaba de ser encerrada. Parabéns aos cinco sortudos.
Pelo twitter os vencedores foram @rodrigocarreiro, @gustavo3003 e @adrideluca .

Quanto aos e-mails, dos 17 e-mails que recebemos apenas 5 responderam corretamente a pergunta. Me deixou surpresa, já que parecia uma cena clássica do cinema. A resposta: Dorothy de O Mágico de Oz. Para os cinco válidos, atribui um número por ordem de recebimento. Clique na imagem para ampliar.



Assim, Erika (1), Gustavo (2), Cristiano (3) Ana Cristina (4) e Silvia (5). E os sorteados foram:


Parabéns a Gustavo Erick e Cristiano Contreiras.


Os vencedores, por favor, enviem e-mails para amanda@cinepipocacult.com.br com os endereços para o envio dos convites. Mais uma vez, obrigada e voltem sempre! Comentem, sigam e participem. Isso foi só o começo.

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O Segredo dos seus olhos

O Segredo dos seus olhos"Pare de pensar, senão você fica com vários passados e nenhum futuro."

O paradoxo é que, se uma pessoa lhe mandar parar de pensar, aí é que você pensa. E no caso de Segredo dos seus olhos têm-se muito a pensar, inclusive em relação a essa frase emblemática. Finalmente, o aclamado filme do diretor Juan José Campanella chegou a Salvador, ainda em pré-estreia com apenas uma sessão na Sala de Arte e outra no Glauber Rocha. Como é mais perto de minha casa, fiquei com o Cine Vivo mesmo e pude conferir por que este filme argentino desbancou o franco favorito A Fita Branca.

Há tempos, o cinema dos nossos hermanos vem conquistando respeito e admiração no meio. Seu segredo é construir histórias simples e cotidianas de forma envolvente e criativa. Uma nova forma de fazer cinema, sem se ater tanto ao seu passado e aos filmes panfletários defendidos por Fernando Solanas. Que bom que eles se libertaram, ao contrário de nós, brasileiros, que continuamos com a visão cinema novista de se contar uma história.

O Segredo dos seus olhosEm primeiro lugar, O Segredo dos seus olhos é uma aula cinematográfica. Cada plano, cada movimento de câmera é um balé envolvente que nos leva a apreciar melhor o ângulo daquela história. No meio do filme, temos um plano-sequência de tirar o fôlego, que apesar de saber que aparatos digitais foram utilizados para disfarçar os cortes não deixa de impressionar e ser eletrizante. Mas, nem só de técnica vive o filme. A narrativa é envolvente ao extremo. Um ex-funcionário do Tribunal Penal de Buenos Aires resolve escrever um romance sobre um caso que acompanhou no ano de 1974. Uma esposa de um bancário foi brutalmente violentada e assassinada. Coube a Benjamin Espósito a investigação do crime.

Dividido entre o sentido do viúvo por aquela bela moça e a paixão reprimida que sente pela juíza novata Irene Menendéz Hastings, Benjamin vivencia uma jornada fascinante de sentimentos, gestos e palavras não ditas em um jogo psicológico repleto de surpresas e sutilezas. Há um tom melodramático no protagonista, denunciado pelo seu objeto de paixão, que nos envolve e não deixa incomodar pelos desfechos. Interessante perceber que Campanella escolhe o ano de 1974 para contar sua história pregressa, mas o assunto diratura militar é tocado apenas sutilmente em momentos-chave, como um pano de fundo para situação da justiça naquela época.

O Segredo de seus olhos é um filme muito bem feito, com recursos narrativos, cinematográficos e tecnológicos utilizados da melhor maneira para fazer aquilo que o público quer ao entrar no cinema: conhecer uma boa história para ser entretido e também pensar um pouco na própria existência.


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