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Terminal Force - A Procura do Cristal Sagrado
Terminal Force - A Procura do Cristal Sagrado
Imagine uma mistura de O Exterminador do Futuro (1984) e Mestres do Universo (1987) e que, apesar de ter sido lançado em 1995, apenas quatro anos antes de Matrix, possui efeitos especiais datados de décadas anteriores. Pronto, agora você terá Terminal Force - A Procura do Cristal Sagrado, um filme dirigido por William Mesa e estrelado por Brigitte Nielsen. Facilmente uma mulher que estaria presente na minha escalação de Mercenárias do cinema, junto com Linda Hamilton e Sigourney Weaver.
Terminal Force – A Procura do Cristal Sagrado (1995) é um daqueles filmes que promete muito e entrega pouco, deixando uma sensação amarga de desperdício de tempo e talento. A trama, que tenta mesclar elementos de ficção científica, fantasia e ação, rapidamente se desintegra em um mar de clichês, atuações medíocres e efeitos especiais que mais parecem saídos de um projeto escolar do que de uma produção cinematográfica.
O filme começa com uma narração grandiosa sobre uma guerra interplanetária, prometendo uma saga épica. No entanto, após os primeiros dez minutos de ação espacial razoavelmente decente, somos arrastados para a Terra, onde a história se desenrola de forma desajeitada. A premissa gira em torno de Kyla, interpretado por Richard Moll, um vilão que deseja adquirir um cristal sagrado para se tornar invencível. Brigitte Nielsen, no papel de Ladera, a heroína que tenta impedir Kyla, traz uma performance que é, no melhor dos casos, sem brilho e, no pior, embaraçosamente artificial.
Richard Moll, conhecido por seu papel como Bull Shannon na sitcom dos anos 80 "Night Court", tenta dar um ar ameaçador a Kyla, mas é prejudicado por um roteiro preguiçoso e efeitos especiais risíveis. Seus poderes parecem ter sido desenhados com canetas piloto, com destaque para suas lâminas de punho que lembram uma cópia barata das garras do Predador. O filme não se envergonha de roubar ideias de sucessos de bilheteria, mas falha miseravelmente em dar qualquer frescor ou inovação a esses elementos reciclados.
Brigitte Nielsen, que já interpretou Red Sonja ao lado de Arnold Schwarzenegger, parece perdida em um papel que não lhe oferece nada além de diálogos desinspirados e cenas de ação mal coreografadas. Sua personagem, Ladera, é um reflexo triste de seus dias de glória, apresentando uma atuação rígida e sem emoção. A química entre Nielsen e seu co-estrela Marc Singer é praticamente inexistente, o que torna as interações entre os personagens forçadas e pouco convincentes.
A direção de William Mesa é outro ponto fraco. Conhecido hoje pelos efeitos especiais de grandes filmes e por dirigir poucos filmes B, William Mesa não consegue elevar Terminal Force acima do nível de uma produção de baixo orçamento. A narrativa é desarticulada, com transições abruptas e uma falta de coesão que deixa qualquer um confuso e desinteressado. As cenas de ação são mal dirigidas, muitas vezes culminando em sequências que desafiam a lógica e a física, como a inexplicável resistência de Ladera a explosões que deveriam dizimá-la. Uma cena destacável, por assim dizer, é a tentativa de assassinato em um bar, que resulta em uma das perseguições mais absurdas e mal executadas da história do cinema.
Os pontos positivos de Terminal Force são difíceis de encontrar. Talvez, para os fãs mais ardorosos de filmes B dos anos 90, haja um certo charme kitsch na produção. A ambientação terrena, com seus mafiosos caricatos e detetives ineptos, oferece uma dose de nostalgia para aqueles que cresceram assistindo a essas tramas exageradas e desajeitadas. Além disso, a presença de Sam Raimi em um pequeno papel é uma curiosidade interessante, embora sua rápida participação não abone o filme de seu destino lamentável.
Por outro lado, os pontos negativos são abundantes. O roteiro é preguiçoso, recheado de diálogos clichês e situações previsíveis. As atuações, lideradas por Nielsen e Moll, são desanimadoras e muitas vezes constrangedoras. Os efeitos especiais, que deveriam ser o destaque em um filme de ficção científica, são terrivelmente amadores. A direção é incompetente, falhando em manter um ritmo consistente e em dar coerência à narrativa.
Em resumo, Terminal Force – A Procura do Cristal Sagrado é um desastre cinematográfico que serve como um lembrete do que pode dar errado quando uma produção é apressada e mal executada. É uma colagem de ideias emprestadas e mal aplicadas, resultando em um filme que não consegue entreter nem os mais indulgentes fãs de sci-fi trash. Para aqueles que gostam de rir das falhas alheias, este filme pode ser uma mina de ouro.
Terminal Force - A Procura do Cristal Sagrado (Galaxis, 1995 / EUA)
Direção: William Mesa
Roteiro: Nick Davis
Com: Brigitte Nielsen, Richard Moll, Craig Fairbrass, Sam Raimi, Michael Paul Chan, Roger Aaron Brown
Duração: 91 min.
Bacharel em Publicidade e Propaganda desde 2000 e atuante na área, alia técnica e criatividade em tudo o que faz. Cinéfilo de carteirinha, Ari se apaixonou pelo cinema nas madrugadas da TV, onde filmes clássicos moldaram seu olhar crítico e sua veia artística, inspirando-o a participar de um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Histórias são a alma de sua trajetória. Jogador de RPG há mais de 30 anos, decidiu unir sua experiência como roteirista e crítico e sua determinação para escrever livros e materializar suas ideias. Seu primeiro livro, Corrida para Kuélap, está disponível para venda para Kindle. E é só o começo.
Terminal Force - A Procura do Cristal Sagrado
2024-08-05T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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