Dia Nacional dos Quadrinhos

Confesso que nunca tinha ouvido falar disso, mas como li na agenda que hoje é o "Dia Nacional dos Quadrinhos", resolvi falar aqui de um assunto que já tinha chamado a minha atenção, só não via oportunidade. Trata-se de uma série da Turma da Mônica intitulada Clássicos do Cinema. São paródias de grandes filmes em formato de história em quadrinhos com a turma criada por Maurício de Sousa. Já está na décima sexta edição com Coelhada Blanca, uma paródia bem divertida de Casablanca, com direito a versão de As time goes by. "Você se lembra disso, um coelhinho é só um coelhinho, mas ai de quem o pegar. Um nó na sua orelha ai sim, vai apanhar."

Claro que algumas tramas tem que ser amenizadas, afinal é feito para crianças. Uma que gostei bastante foi O Exterminador de Coelhinhos sem futuro. Mais pela brincadeira com o título do que pela história em si, que ficou bastante simplificada e ainda teve um erro de inversão temporal no final... Afinal, Cebolinha voltou ao passado para impedir que Mônica ganhasse o Sansão e assim, não mais batesse na turma. Ao retornar com o coelhinho, a turma não poderia se lembrar disso, o passado deveria alterar o futuro. Por que só a Mônica não lembraria do coelhinho? Mas, como falei, as histórias foram simplificadas para se adaptar ao público-alvo.

A que achei mais fiel foi Coelhada nas Estrelas que pode ser lida na íntegra no portal da turma. Além de contar a história do primeiro longa de George Lucas, a equipe conseguiu construir uma comparação muito interessante entre os personagens. Primeiro, Luke Skywalker é interpretado por Cascão e Darth Vader pelo Capitão Feio, o vilão sujo da turma que sempre teve um ar paternal com o personagem de Maurício de Sousa. Depois, o casal Léa e Solo que sempre viveram entre tapas e beijos, tal qual Mônica e Cebolinha que ficaram com os papéis na versão. Sem contar que o seu cachorro Floquinho ficou sendo Chewbacca. Franjinha, o inventor da turma ficou como o mestre Obi-Wan Kenobi. Por fim, Magali, sempre a certinha da turma, dando conselhos, ficou com o robô C3PO. Achei a trama bem divertida.

Teve a continuação O feio contra-ataca, mas, essa, infelizmente não consegui encontrar para ler e conferir se ficou tão legal quanto a primeira. Há outros clássicos como Titônica, Planeta dos Coelhinhos, Cascão Porker ou Horacic Park, sempre de maneira divertida e inteligente. Fica a expectativa pelos próximos.

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Grandes Cenas: Titanic

TitanicA cena de hoje foi um pedido especial de Cristiano Contreiras, e não deixa de ser irônico homenagear este filme quando ele perde a liderança na bilheteria para o novo filme do diretor. James Cameron ficou recluso após terminar as filmagens de Titanic, se dedicando de corpo e alma a Avatar, que agora torna-se o filme mais lucrativo da história.

Voltando a saga de Jack e Rose, todos devem conhecer a história do lendário navio que afundou tentando chegar à América. James Cameron recriou o momento construindo um melodrama pautado no casal Jack e Rose, vividos por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Ele, um rapaz pobre que ganha a passagem em uma mesa de jogo. Ela, uma moça de alta sociedade, porém falida, que se vê obrigada a casar com um rapaz rico para manter o status da família. Quer o destino que, mesmo viajando em classes distintas, os dois se conheçam. Jack salva Rose de uma tentativa de suicídio e começa uma linda história de amor.

A cena escolhida é o momento-chave em que Rose decide embarcar nessa aventura. Está sufocada pela mãe, pela cobrança de ter um comportamento ideal e não viver a vida profundamente. Após uma cena em que ela observa uma garotinha bem pequena sendo treinada à mesa, ela resolve procurar o rapaz e dizer que quer aquilo que ele lhe oferece. Jack então, vai lhe ensinar o que é a sensação de liberdade.

O rapaz pede que Rose feche os olhos e a conduz até a proa do navio fazendo-a subir no ponto mais alto. Ele, então, abre seus braços e pede que ela abra os olhos. Ao abrir, Rose vê apenas mar a sua frente, com o vento em seu corpo. Deslumbrada ela grita, "estou voando". Esse momento simbólico celebra a libertação da personagem que se permite ser beijada e entregar-se a esse amor.


A cena é plasticamente muito bem construída, dando toda a dimensão do momento. A começar pela fotografia. Um pôr-do-sol que deixa o céu alaranjado, com um degradé belíssimo. O mar azul e o imenso navio. O som ambiente com o BG da música tema que começa timidamente e vai crescendo até explodir com o beijo do casal. E a câmera de James Cameron que procura, em um jogo de imagem, expor ao telespectador toda a dimensão do momento.

Ela já começa no mar, cortando para Jack encostado na proa observando a paisagem. Ao fundo, Rose se aproxima e a câmera a procura. Uma sucessão de plano e contra-plano básico, aproximando dos dois. Ele fala, um plano médio dele, ela fala um plano médio dela. Ele fala, um close dele, ela fala, um close dela. Eles se aproximam da proa, a câmera aponta de baixo para cima. Corta para um plongée do casal já em cima. A câmera, então, gira acompanhando os dois e Rose abre os olhos. De cima para baixo novamente, vemos um detalhe dos dois e o mar à frente. Aqui, uma subjetiva de Rose talvez não desse mais impacto, porque veríamos apenas mar na tela, tendo a referência da cabeça dos dois, dá pra ter uma idéia melhor da sensação. Em contra-plano, a câmera vem do mar, mostrando o navio e circulando toda a proa, até chegar ao casal que se beija. A música explode e o jogo de câmera continua. Até que a imagem se funde com a imagem do navio no fundo do mar.

Tudo isso para emocionar o público e fazê-lo sentir aquele amor, torcendo pelo casal e se identificando com a história. Esse é o efeito esperado de um melodrama, muito bem conduzido por James Cameron que se tornou um mestre nesse assunto.

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Invictus

InvictusClint Eastwood consegue me surpreender sempre. E o poder do esporte também. Baseado na história real, Invictus conta a tentativa de Nelson Mandela, presidente eleito na África do Sul, em unir o país e acabar com os resquícios de apartheid através do time de rugby local em sua trajetória na Copa do Mundo que acontecia naquele país em 1995.

É difícil até de imaginar a representação disso, já que a realidade brasileira é outra, mas a onda criada em cima do orgulho nacional pode ser comparado, de repente, à massificação negativa que os militares fizeram em cima da seleção canarinho na Copa de 70. Mandela, pelo menos, teve um bom motivo. Ver brancos e negros juntos com um mesmo objetivo é bonito e algumas cenas emocionam profundamente. Eu confesso que chorei em vários momentos.

O mais impressionante é que, mesmo não gostando de rubgy, a gente se envolve com o jogo. Os planos são construídos de uma maneira muito harmônica, quase não dá para se angustiar com aquela violência toda em campo. E os paralelos dentro da casa presidencial e da família de François Pienaar, o capitão do time, são bastante felizes para condução da trama. É nos pequenos gestos que se forma a grande mensagem do filme.

Morgan Freeman e Matt Damon / Nelson Mandela e François Pienaar

A caracterização de Morgan Freeman é um caso a parte. Além da interpretação esplêndida do ator, a maquiagem e o figurino capricharam de uma forma que, por vezes, parece estarmos vendo Nelson Mandela em cena. Já Matt Damon consegue dar um tom dramático bem interessante ao capitão François Pienaar.

Mais uma vez, Clint Eastwood utiliza-se do poder do esporte para tratar de temas bastante profundos, aqui a questão racial e a união de um povo, e consegue construir um melodrama verdadeiramente emocionante, sem ser piegas, nem abusar dos clichês. Uma história inspiradora, principalmente por ser tão verdadeira.


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Hachiko - Sempre ao seu lado

Richard Gere em Sempre ao seu ladoEm 1924, uma família japonesa ganhou um cachorrinho da raça Akita. O chefe da família, o professor Hidesaburō Ueno, adotou o cão como um filho e uma relação profunda de amizade nasceu entre eles. Todos os dias, Hachiko, que vem do nome oito (Hachi) em japonês, o número da sorte, acompanhava seu dono até a estação de trem e ia buscá-lo às cinco da tarde até que ... (tem na sinopse do filme, mas não leiam, é mais gostoso vê-lo sem saber) Essa não é apenas mais uma simples história de cachorro fiel. É uma história real que inspirou dois bons filmes.

Em 1987, o diretor Seijirô Kôyama fez um longa extremamente fiel a história real: Hachiko Monogatari. É interessante vê-lo e comparar com a versão americana que aqui ganhou o nome de Sempre ao seu lado, estrelado por Richard Gere. Deixo para que vocês vejam e compreendam melhor porque o Japão se emocionou com a atitude de Hachiko transformando-o em um símbolo de lealdade ao país e construindo uma estátua em sua homenagem na estação de Shibuya, onde ele ficou fielmente esperando seu dono por mais de nove anos.

Hachiko MonogatariO filme japonês é de época, retratando os anos pré-guerra de uma cultura extremamente diferente da nossa. Ainda assim, os valores de amizade, lealdade e compaixão são universais e Hachiko conquista em seus pequenos gestos. Há no filme uma linguagem típica dos anos 80, com um humor besteirol em diversas cenas e uma teatralidade puxando para comédia. Mesmo quando o filme tem a sua virada e transforma-se em um melodrama intenso, ainda existem algumas poucas cenas de humor. O sofrimento de Hachiko dói na alma e deixa uma sensação amarga, mesmo com a solução final.

Já o filme americano é uma homenagem ao cão, ser amado pelo cinema de Hollywood, que, quase sagrado, não morre nem mesmo nas piores catastrófes. Adaptado para Nova York, a história ganha alguns detalhes da cultura ocidental, como a tentativa de brincar com a bola, o incidente com o gambá ou o acolhimento ao cão mesmo após a virada do filme. Há também, o velho truque da narrativa futura. Começamos a narrativa na sala de aula do neto do professor Parker Wilson contando a história de seu avô e o cachorro Hachiko. No mais, a mesma trajetória de um dono e seu fiel cão. Com a diferença básica de um final mais aconchegante.

Na técnica também há algumas diferenças gritantes, principalmente na trilha sonora. Enquanto o filme americano é comedido, com temas tristes e emocionantes, o japonês coloca umas músicas estranhas aos nossos ouvidos ocidentais, mas que dão uma sensação de filme de comédia, que fica estranho nas cenas de sofrimento. Os planos também são mais pobres no primeiro filme e a montagem mais crua. Em contra-partida, o filme americano peca ao inventar uma câmera subjetiva de Hachiko, em preto e branco (afinal, a ciência diz que cachorro enxerga assim). Sinceramente, achei-a meio sem sentido no conjunto. Richard Gere está muito bem no papel do professor Wilson. Já Joan Allen não consegue se livrar da visão de antipática de outros filmes. Ela é a única que não queria aceitar Hachiko. Enquanto que no filme japonês é a filha do professor a grande "vilã", se é que podemos chamar assim.

O verdadeiro Hachiko e sua escultura em bronze

Independente da época, da cultura ou do elenco, no entanto, o grande mérito dos filmes é Hachiko e o que ele representa. Amei ver os dois, mesmo que o cão japonês fosse mais quieto e o americano mais agitado. Ambos me emocionaram, me deixaram com um nó na garganta e me fizeram lembrar e sentir saudades do meu cachorrinho Toby, falecido há dez anos, mas que até hoje me traz boas lembranças.


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A Troca

A TrocaSe a história não fosse baseada em fatos reais eu iria pensar que J. Michael Straczynski apelou demais ao escrever o roteiro de A Troca. Que pessoa em sã consciência iria imaginar uma trama tão elaborada para calar a boca de uma mãe? Criar um falso menino e fazer todos acreditarem que a mulher está louca por não querer o filho de volta? O fato é que, as vezes, a realidade consegue ser mais inacreditável que a ficção. E Clint Eastwood conseguiu construir essa atmosfera de forma crível e angustiante.

Angelina Jolie é Christine Collins, uma mãe solteira que procura seu filho desaparecido. Cinco meses depois, a polícia de Los Angeles lhe apresenta um garoto dizendo ser o seu Walter, o que a mulher não reconhece, obviamente. Começa, então, uma luta contra um sistema viciado, em busca da verdade e justiça.

A narrativa é clássica, onde bons e maus estão bem definidos, principalmente nas figuras do reverendo Briegleb (John Malkovich) e policial Jones (Jeffrey Donovan), respectivamente. O hospital psiquiátrico é caricatural, mas bem próximo da realidade dos anos 30 nos Estados Unidos. Ainda assim, parece que Eastwood se sente à vontade tanto no melodrama da primeira parte, quando na trama policial que se inicia na segunda parte do filme. A verdadeira reviravolta em A Troca não está no menino que não é o filho da senhora Collins, mas no que aconteceu ao filho verdadeiro e outras crianças americanas. E principalmente, como a polícia de Los Angeels não quis ver a verdade, trancafiando Christine Collins e encobrindo seu próprio erro.

Angelina JolieAngelina Jolie consegue uma interpretação emocionante e convicente, que lhe rendeu a indicação ao Oscar, mas que não supera a densidade dramática que atingiu em O Preço de uma coragem, pelo qual, para mim, merecia o prêmio de melhor atriz. O grande trunfo, em A Troca, é a identificação do público com o sofrimento de sua personagem, elevada quase a Cristo, sofrendo todas as injustiças possíveis. No final, até um personagem que seria um vilão diz admirar sua coragem de ir contra o sistema.

A Troca é um filme que toca em diversos assuntos sérios e complexos como o papel da polícia, a corrupção dentro dela, a precariedade do sistema de saúde mental e outros detalhes que seriam spoilers. Mas, no fim, a narrativa se resume a uma trama muito simples. A luta de uma mãe para reaver seu filho desaparecido. Talvez, por isso, seu êxito não tenha sido completo. Ainda assim, é um bom filme.

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O homem que engarrafava nuvens

Humberto Teixeira"Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião e quem quiser aprender é favor prestar atenção." Você provavelmente conhece esses versos, mas dificilmente falaria o nome do autor deles sem o filme de Lírio Ferreira. O Homem que Engarrafava Nuvens é um resgate histórico-cultural de Humberto Teixeira, o doutor do baião. Advogado, deputado federal e criador das leis de direito autoral, foi o principal parceiro de Luiz Gonzaga nas músicas que mudaram o ritmo brasileiro.

Com a ajuda da filha do compositor, a atriz Denise Dumont, o documentário faz uma investigação sobre quem foi Humberto Teixeira, com depoimentos diversos e imagens históricas. Denise declara no início de filme não conhecer nada sobre o compositor que, para ela, era apenas papai. Então, sua descoberta é a nossa e assim o filme vai se construindo. Tudo de uma maneira ágil e interessante. Mesmo que você não goste de baião, vai se impressionar com alguns acontecimentos.

Intercalando os depoimentos, temos apresentações musicais que engrandecem o longa, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Maria Bethânia, Alceu Valença, Lenine, Gal Costa, Cordel do Fogo Encantado, Elba Ramalho e Gilberto Gil. E ainda cenas de diversos filmes, principalmente da Atlântida e da Vera Cruz, onde o baião era o ritmo dominante. Única coisa que senti falta foi da legenda para esses trechos, já que havia legenda para os depoimentos, sendo mais fácil a identificação e pesquisa posterior.

Humberto Teixeira e Luiz GonzagaApós contar toda a importância da revolução do baião no Brasil, o filme parte para o exterior, nos brindando com pérolas interessantíssimas como Paraíba Masculina cantada em japonês ou Asa Branca em inglês. Percebemos também que o ritmo nordestino serviu de base para muitos movimentos musicais posteriores. E foi sucesso também no cinema internacional.

Por fim, conhecemos um pouco do homem Humberto Teixeira através de sua família, principalmente de sua ex-esposa, mãe de Denise que faz um depoimento emocionado. Como diz a própria moça, por ela ser filha, só colheu depoimentos bons, só a mãe poderia dizer quem foi Humberto Teixeira de verdade.

Se com Cartola, Lírio Ferreira deixou a desejar no aprofundamento histórico, contextualizando melhor o célebre sambista, em O Homem que Engarrafava Nuvens ele consegue se redimir com louvor, trazendo para as telas uma bela homenagem à cultura brasileira e nordestina. Sinto que o público não esteja retribuindo a altura. Com apenas uma semana de exibição em Salvador, o longa já caiu para um único horário em um cinema local. Uma pena.

Ah, mas se você for conferir, fique até o final, depois dos créditos tem surpresa.


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Persona

PersonaPersona vem do latim e significa máscara. Era a máscara utilizada pelos atores no teatro grego, daí a origem do nome personagem. Jung se utilizou do termo para designar a personalidade de cada ser que é moldada em busca da adaptação social. Foi na essência desse termo que Ingmar Bergman se baseou para criar sua obra-prima cinematográfica. É válido ainda dizer que, no Brasil, o filme ganhou o singelo título de "quando duas mulheres pecam", talvez os tradutores locais achassem que o brasileiro não entenderia tanta psicologia e apelou para outro ponto forte tanto do diretor quanto do filme. A questão do pecado, da culpa, da auto-punição. Persona é tudo isso e um pouco mais.

Elisabet Vogler é uma atriz renomada que para de falar inexplicavelmente durante a apresentação de uma peça. Em uma clínica de reabilitação, ela conhece a enfermeira Irma Alma. Por ordens da coordenadora local, as duas se isolam em uma casa de praia para o tratamento. Começa, então, o melhor roteiro de cunho psicológico já visto.

PersonaO texto é denso, forte, angustiante, assim como a situação em si. Bibi Andersson, a enfermeira Alma, conduz o seu monólogo de forma brilhante, expondo as fraquezas de sua personagem e buscando reflexões sobre a natureza humana. Liv Ullman por sua vez é ainda mais impressionante interpretando uma Vogler completamente muda, mas que se expressa com o olhar de uma forma tão intensa que fala mais que qualquer outro. Por fim, a câmera angustiante de Bergman que conduz o nosso olhar de uma forma brilhante. Escolhendo os planos de maneira peculiar, sem contra-planos comuns, com longas durações e closes perturbadores.

Enquanto o senso comum coloca a pessoa que fala em foco e o ouvinte em contra-plano rápido. Bergman deixa sua câmera em quem ouve, apenas com um vulto do interlocutor. Há longos planos também de contemplação, como o que Elisabet Vogler está deitada angustiada e a luz vai caindo aos poucos até ficar tudo escuro. E há o clímax do filme, onde tudo começa a ser revelado (que não vou detalhar aqui, para não dar spoiler) em que ele repete a cena trocando o plano. Primeiro apenas ouvimos a voz de Alma e vemos a reação de Vogler. Depois vemos e ouvimos Alma repetindo todo o texto. A expressão das duas atrizes são fundamentais para compreender o que o diretor quer passar nesse filme.

Aos que não gostam de filmes psicológicos, Bergman nunca é uma boa opção. Podem considerar lento e cansativo. Para os que adoram, como eu, vão perceber todas as sutilezas desse gênio. Uma obra fundamental.

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Sem Oscar para Salve Geral

Oscar 2010Desde Cidade de Deus que o brasileiro não se vê representado no Oscar. Há quem conteste a importância deste, o que em parte concordo. Afinal é uma festa americana em que os estrangeiros são apenas figurantes de uma categoria especial que tem, inclusive, um júri diferente. Mas prêmio é sempre prêmio. Traz visibilidade, reconhecimento e abre portas para novos trabalhos.

Desde que O Quatrilho foi escolhido para nos representar em 1996 ficou uma falsa sensação de que nosso cinema estava estabilizado, até pelos anos seguintes com O que é isso Companheiro?, Central do Brasil e Fernanda Montenegro na categoria de melhor atriz. Uma grande surpresa, já que era uma atriz completamente desconhecida por lá, ainda mais falando em português. O êxtase veio com Cidade de Deus, preterido no ano anterior como filme estrangeiro, teve três indicações, incluindo melhor roteiro. Desde então, o país tem feito uma quatidade muito maior de filmes, mas nunca mais conseguiu enviar algo competitivo para as pré-seleções. Insisto aqui que a escolha do representante tem sido nos últimos anos equivocada, mesmo assim, não tivemos nenhuma obra-prima se destacando desde o filme de Meirelles. Esse ano, enviamos Salve Geral de Sérgio Rezende. Os maiores sucessos de bilheteria são as comédias da Globo Filmes, que cumprem seu papel, mas não são para prêmios desse estilo.

O fato é que Salve Geral não chegou e pouca gente acreditava que conseguisse. Mesmo o diretor Sérgio Rezende tinha poucas esperanças. O filme não é maravilhoso, mas as opções também não eram muitas.Então, na última pré-seleção, ele já ficou de fora. Os cinco indicados serão conhecidos dia 2 de fevereiro.

Pré-Selecionados:
Argentina : "El Secreto de Sus Ojos", de Juan Jose Campanella.
Austrália: "Samson & Delilah", de Warwick Thornton.
Bulgária: "The World Is Big and Salvation Lurks around the Corner", do diretor Stephan Komandarev.
França: "Un Prophète", de Jacques Audiard.
Alemanha: "The White Ribbon" (A Fita Branca), dirigido por Michael Haneke.
Israel: "Ajami", de Scandar Copti and Yaron Shani
Cazaquistão: "Kelin", de Ermek Tursunov
Holanda: "Winter in Wartime", de Martin Koolhoven
Peru: "A Teta Assustada" (The Milk of Sorrow), de Claudia Llosar (crítica).

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A visão de dentro na TVE

Movimento Sem Terra em A Visão de Dentro
Hoje, dia 21 de janeiro o DOC TV exibe pela primeira vez A visão de dentro, de Sophia Mídian, que entrevistei aqui na época do lançamento em Salvador. Como muitos comentários mostraram interesse em assistir, estou agora avisando que ele irá ao ar pela TV Brasil e TVE às 23hs.

O Doc foi um dos contemplados pelo programa do Ministério da Cultura e fala do Movimento dos Sem Terra por uma visão própria da diretora que conviveu por alguns meses em assentamentos com essas pessoas. Vi algumas críticas questionarem o título como pretensioso, eu dou outra interpretação após assistir ao filme e entrevistar a diretora. Na verdade, a visão de dentro não seria simplesmente de dentro do movimento como algo verdadeiro, distante da imagem da mídia. Claro que a intenção inicial é essa. Mas, acho que o documentário tem uma visão de dentro da diretora. Sua relação com a terra, com os valores em que acredita e com o que gostaria de passar a seu público. E nisso, não é nada pretensioso. É apenas verdadeiro.

Sophia MídianA amostra é pequena para falar de uma visão do Movimento dos Sem Terra. Talvez por isso, para alguns ficou superficial. São visões de algumas pessoas em um determinado assentamento. O tema não tem mesmo como ser esgotado em um doc de 52 minutos. As imagens dão voz ao comum, a pessoas que estavam esquecidas, não é algo político, panfletário. Não se propõe a discutir a questão fundiária no país, nem mesmo a função do MST. É mais uma pequena amostra de pessoas que vivem com pouco, lutam por sua terra e tiram dela o seu sustento.

O filme é bem construído, tem uma bela fotografia, com enquadramentos artísticos e experimentações. Uma cena da sombra de um sem terra pegando água com um balde em um rio imundo foi a que mais me chamou a atenção. Pela plástica, pela poesia, pela metáfora e pela denúncia. O Doc mescla depoimentos, com imagens locais sempre com intervenções artísticas, a progressão é aleatória, mas expõe bem a mensagem principal que é mostrar a realidade daquele povo e seu ponto de vista. Tem depoimentos emocionantes. A trilha sonora é outro ponto positivo, bastante feliz, agrega ao tema, tendo inclusive uma música sobre o movimento.

Como primeiro documentário profissional (digamos assim), Sophia demonstrou ter muito a mostrar ainda. Apenas por ser tão envolvida com o tema, percebe-se alguns escorregões no pacto de documentário, quando, por exemplo, induz a entrevistada na pergunta "mas você não acha que aqui tem mais cooperação?" Em alguns momentos também, ela exagerou nos experimentos artísticos para o meu gosto, se empolgou mostrando folhas, céu, pan rápida da festa, constraste de terra e sol escaldante que poderiam ficar mais harmônicos como inserts nos depoimentos.

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Abraços Partidos

Abraços Partidos"Os filmes têm que ser terminados, ainda que sejam às cegas". Pode ser uma sensação sem fundamento, mas acho que a frase que encerra o filme Abraços Partidos é a mensagem de Almodóvar a seus espectadores. Não que o filme seja ruim, mas é quase complicado reconhecer o diretor na tela. Falta um brilho, falta a alma, faltam as cores de Almodóvar. Talvez Mateo Blanco seja um alterego frustado do diretor que procura sentido para sua carreira. É irônico que justamente um filme que tem no argumento o amor pelo cinema, tenha tão pouco desse amor gravado na película. A sensação é de um filme vazio, sem sentido, apesar de bem construído.

O filme narra a história de Mateo Blanco e Lena. Ele, um diretor que perde a visão após um acidente. Ela, uma aspirante a atriz que casa com um milionário por dinheiro. As duas trajetórias vão sendo contadas em paralelo, sendo muito claro (explicitado com legendas) que uma acontece nos tempos atuais e a outra, dez anos antes. A princípio apenas imaginamos o link entre as duas histórias até que o diretor apela para o recurso fácil de Mateo explicando o passado para Diego (filho de sua produtora). São nesses detalhes que se percebe um Almodóvar bem menos criativo. Penélope Cruz, mais uma vez, é a musa do diretor, em uma caracterização bem próxima de Audrey Hepburn. Lluís Homar consegue passar verdade na escuridão da cegueira.

Talvez pelo tema, cegueira, o diretor tenha optado por cores mais frias. A fotografia é pastel, leve, nada salta aos olhos. Até as cenas de praia estão no inverno, com um vento forte e um céu cinzento. Coerente com o estado emocional dos personagens que estão todos em uma grande angústia e sensação de nunca poder saciar seus desejos.

Abraços PartidosNo filme dentro do filme, o "Garotas e Malas" dirigido pelo fictício Mateo Blanco, vemos os resquícios daquele Almodóvar no início de carreira e dá saudades de seu estilo inconfundível. Fiquei com muita vontade de assistir o que viria além daquelas poucas cenas. Não que um diretor não possa mudar. Claro que pode. Woody Allen mudou e fez um grande filme como Match Point. Mas, nessa mudança, se é um diretor autor, o mínimo que se espera é identidade.

Abraços Partidos não tem essa identidade. Parece apenas mais um filme espanhol. Ainda que um bom filme. Tudo vai sendo construído de forma literal até que começam a aparecer pontas frouxas, algo como "muito barulho por nada". Almodóvar cria algumas expectativas que não se confirmam. Cenas que parecem que serão desenvolvidas, mas são esquecidas. Informações gratuitas que são deixadas de lado. Ao final fica a sensação de que foi mesmo finalizado às cegas. Uma pena.

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Balanço Globo de Ouro

Costumam dizer que o Globo de Ouro é a grande prévia do Oscar, então, aos descrentes ou torcedores do cinema cult, parece que não tem jeito, James Cameron aponta como grande favorito do Oscar 2010 com seu Avatar. Ontem eles levaram melhor filme e melhor diretor, surpreendendo muitos. É um bom filme, tem méritos e merece prêmios, mas sinto por Tarantino, grande diretor, que merecia algo mais em sua carreira do que o Oscar pelo roteiro de Pulp Fiction. No mais, a premiação não teve muitas surpresas. Meryl Streep e Sandra Bullock que já haviam dividido o prêmio do sindicato, levaram melhor atriz comédia e drama respectivamente. Christopher Waltz era o prêmio mais certo como melhor ator coadjuvante por Bastardos Inglórios e Mo'nique também mereceu o melhor atriz coadjuvante por Preciosa. Deu pena apenas da cara de decepção de Tobey Maguire ao perder o prêmio de melhor ator drama para Jeff Bridges. O melhor ator de comédia ficou com Robert Downey Jr. por Sherlock Holmes. Sem muitos concorrentes, UP foi a melhor animação. E no filme de língua estrangeira, Almodóvar não conseguiu desbancar Michael Haneke e seu A Fita Branca (Palma de Ouro em Cannes). A cerimônia em si não teve grandes emoções, o único momento bacana foi a homenagem a Martin Scorsese. Agora é ver o que vai se confirmar na festa maior da academia.

Vejam os premiados:
Cinema:
Melhor filme dramático
"Avatar"

Melhor comédia/musical
"Se Beber, Não Case"

Melhor diretor
James Cameron ("Avatar")

Melhor ator dramático
Jeff Bridges ("A Crazy Heart")

Melhor atriz dramática
Sandra Bullock ("O Lado Cego")

Melhor ator comédia/musical
Robert Downey Jr. ("Sherlock Holmes")

Melhor atriz comédia/musical
Meryl Streep ("Julie & Julia")

Melhor atriz coadjuvante
Mo'nique ("Preciosa")

Melhor ator coadjuvante
Christopher Waltz ("Bastardos Inglórios")

Melhor animação
"Up - Altas Aventuras"

Melhor filme estrangeiro
"A Fita Branca"

Melhor Roteiro
"Amor Sem Escalas"

Melhor canção original
"The Weary Kind" ("The Crazy Heart")

Melhor trilha sonora
Michael Giacchino ("Up - Altas Aventuras")

Televisão:
Melhor série de TV - drama
"Mad Men"

Melhor série de TV - musical ou comédia
"Glee"

Melhor minissérie ou filme para TV
"Grey Gardens"

Melhor ator em minissérie ou filme para televisão
Kevin Bacon, por "Taking Chance"

Melhor atriz em minissérie ou filme para TV
Drew Barrymore, por "Grey Gardens"

Melhor ator em série de TV - musical e comédia
Alec Baldwin, por "30 Rock"

Melhor atriz em série de TV - musical ou comédia
Toni Collette, por "United States of Tara"

Melhor ator em série de TV - drama
Michael C. Hall, por "Dexter"

Melhor atriz em série de TV - drama
Julianna Margulies, por "The Good Wife"

Melhor ator coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV
John Lithgow, por "Dexter"

Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV
Chloë Sevigny, por "Big Love/Amor imenso"

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Dicas da Semana

Cinema
O homem que engarrafava nuvens
Lírio Ferreira traz mais um documentário instigante, sobre o verdadeiro rei do baião. Vale a pena.

Sinopse: Documentário relata a história do músico Humberto Teixeira, compositor e precursor da criação do Baião. Entre suas composições importantes clássicos como ''Adeus Maria Fulo'' e ''Asa Branca'', a segunda canção mais popular no Brasil. A sua subida ao estrelato nos anos 50 foi meteórica, mas foi eclipsada pelo seu parceiro, Luiz Gonzaga, o ícone que imortalizou suas canções e tornou-as mais conhecidas na cultura brasileira. Com a chegada da Bossa Nova, o Baião e Humberto Teixeira afundaram-se na obscuridade. Nas décadas seguintes, a sua música só era ocasionalmente registrada, por exemplo, em resposta à ditadura militar de 1964.

Televisão
Operação França
23/01 (22h) - Sábado - Bandeirantes
Vencedor de cinco Oscars, este belo filme de William Friedklin é uma adaptação do livro de Robin Moore, que por sua vez é baseado em uma história real.

Sinopse: Marselha, França. Um assassino profissional, Pierre Nicoli (Marcel Bozzuffi), mata um detetive francês. Paralelamente em Nova York, Jimmy "Popeye" Doyle (Gene Hackman), um detetive da polícia, e Buddy "Cloudy" Russo (Roy Scheider), seu parceiro, investigam discretamente Salvatore "Sal" Boca (Tony Lo Bianco), um pequeno comerciante, que está tendo gastos muito acima da sua renda. Cada vez existem mais indícios que grande parte da renda de Sal é ganha ilegalmente e, no processo, é ajudado pela esposa, Angie Boca (Arlene Farber). Isto os leva a descobrir que um grande carregamento de droga está para chegar no país, assim Popeye e Buddy recebem ordens para trabalhar com os agentes federais Bill Mulderig (Bill Hickman) e Bill Klein (Sonny Grosso). Acontece que Doyle e Mulderig têm desavenças, pois uma vez os instintos de Doyle falharam, o que provocou a morte do parceiro. O cérebro da operação é Alain Charnier (Fernando Rey), que esconde 60 quilos de heroína no Lincoln Continental, um carro de luxo que pertence a Henri Devereaux (Frédéric de Pasquale), um astro de cinema que, em razão da sua fama, não deverá ser importunado quando estiver filmando em Nova York. Alain contata Sal para organizar a venda da heroína, mas Doyle vigia Sal e logo começará um jogo de gato e rato.

DVD
9 - A Salvação
Chegou às locadoras essa bela animação de Shane Acker, produzido por Tim Burton.

Leia a crítica

Sinopse: Quando o boneco 9 ganha vida, ele se encontra num mundo pós-apocalíptico em que os humanos foram dizimados. Por acaso, encontra uma pequena comunidade de outros como ele, que estão escondidos das terríveis máquinas que vagam pela Terra com a intenção de exterminá-los. Apesar de ser o novato do grupo, 9 convence os demais que ficar escondido não os levará a nada. Eles devem tomar a ofensiva se quiserem sobreviver e antes disso, precisam descobrir por que as máquinas querem destruí-los. Como eles saberão em breve, o futuro da civilização pode depender deles.

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Amanhã tem Globo de Ouro

Amanhã, 17 de janeiro, às 22h (horário de Brasília) começa o Globo de Ouro 2010. O prêmio será exibido no Brasil pela TNT e já fico na expectativa do que vem por aí. Apesar da crítica estar falando bem de Amor sem Escalas e Guerra ao Terror, acho que James Cameron leva o prêmio principal. Acho interessante ver que Avatar não concorre a melhor roteiro aqui, mas é candidato ao prêmio mais importante da categoria, o da da Associação de Roteiristas - WGA. Para quem é criticado como roteirista fraco seria uma grande reviravolta levar essa também.

Pensando na troca de informações e impressões, o site CineDica vai realizar um bate-papo ao vivo durante a cerimônia. Achei a idéia bem interessante, quem quiser saber mais, é só visitar o site. Fica a dica, confiram os indicados:

Melhor Filme (Drama)
Avatar
Bastardos Inglórios
Preciosa - Uma História de Esperança
Amor Sem Escalas
Guerra ao Terror

Melhor Filme (Musical ou Comédia)
Se Beber, Não Case
(500) Dias Com Ela
Julie & Julia
Nine
Simplesmente Complicado

Melhor Ator (Drama)
Tobey Maguire, por Entre Irmãos
Jeff Bridges, por Crazy Heart
George Clooney, por Amor Sem Escalas
Colin Firth, por A Single Man
Morgan Freeman, por Invictus

Melhor Atriz (Drama)
Emily Blunch, por The Young Victoria
Sandra Bullock, por O Lado Cego
Helen Mirren, por The Last Station
Gabourey "Gabby" Sidibe por Preciosa - Uma História de Esperança
Carey Mulligan, por Educação

Melhor Ator (Musical ou Comédia)
Matt Damon, por O Desinformante!
Daniel Day-Lewis, por Nine
Robert Downey Jr., por Sherlock Holmes
Joseph Gordon-Levitt, por (500) Dias Com Ela
Michael Stuhlbarg, por Um Homem Sério

Melhor Atriz (Musical ou Comédia)
Meryl Streep, por Julie &Julia e Simplesmente Complicado
Sandra Bullock, por A Proposta
Marion Cotillard, por Nine
Julia Roberts, por Duplicidade

Melhor Ator Coadjuvante
Matt Damon, por Invictus
Christopher Plummer, por The Last Station
Woody Harrelson, por The Messenger
Stanley Tucci, por Um Olhar no Paraíso
Christoph Waltz, por Bastardos Inglórios

Melhor Atriz Coadjuvante
Mo'Nique, por Preciosa - Uma História de Esperança
Julianne Moore, por A Single Man
Anna Kendrick, por Amor Sem Escalas
Vera Farmiga, por Amor Sem Escalas
Penélope Cruz, por Nine

Melhor Diretor
Jason Rietman (Amor sem Escalas)
James Cameron (Avatar)
Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)
Clint Eastwood (Invictus)
Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)

Melhor Roteiro
Distrito 9
Simplesmente Complicado
Amor Sem Escalas
Bastardos Inglórios
Guerra ao Terror

Melhor Canção Original
Cinema Italiano - Nine
I See You - Avatar
(I Want To) Come Home - Everybody's Fine
The Weary Kind - Crazy Heart
Winter - Entre Irmãos

Melhor Trilha Sonora
O Desinformante!
Up - Altas Aventuras
Onde Vivem os Monstros
Avatar
A Single Man

Melhor Filme Falado em Língua Estrangeira
Baaría - A Porta do Vento
Abraços Partidos
La Nana
Un Prophète
A Fita Branca

Melhor Animação
Up - Altas Aventuras
Tá Chovendo Hambúrguer
Coraline e o Mundo Secreto
A Princesa e o Sapo
O Fantástico Sr. Raposo

Melhor Série de TV (Drama)
Big Love
Dexter
House M. D.
Mad Men
True Blood

Melhor Série de TV (Musical ou Comédia)
Entourage
Glee
The Office
Mordern Family
30 Rock

Melhor Minissérie ou Filme Produzido Para a TV
Georgia O'Keeffe
Grey Gardens
Little Dorrit
Taking Chance
Into the Storm

Melhor Ator em Minissérie ou Filme Produzido Para a TV (Drama)
Kevin Bacon, por Taking Chance
Kenneth Branagh, por Wallander
Brendan Gleeson, por Into the Storm
Jeremy Irons, por Georgia O'Keeffe
Chiwetel Ejiofor, por Endgame

Melhor Atriz em Minissérie ou Filme Produzido Para a TV (Drama)
Joan Allen, por Georgia O'Keeffe
Drew Barrymore, por Grey Gardens
Jessica Lange, por Grey Gardens
Anna Paquin, por The Courageous Heart of Irena Sendler
Sigourney Weaver, por Prayers for Bobby

Melhor Ator em Série de TV (Comédia ou Musical)
Alec Baldwin, por 30 Rock
Steve Carell, por The Office
David Duchovny, por Californication
Thomas Jane, por Hung
Matthew Morrison, por Glee

Melhor Atriz em Série de TV (Comédia ou Musical)
Toni Collette, por United States of Tara
Courteney Cox, por Cougar Town
Edie Falco, por Nurse Jackie
Tina Fey, por 30 Rock
Lea Michele, por Glee

Melhor Ator em Série de TV (Drama)
Simon Baker, por The Mentalist
Michael C. Hall, por Dexter
Jon Hamm, por Mad Men
Hugh Laurie, por House M. D.
Bill Paxton, por Big Love

Melhor Atriz em Série de TV (Drama)
Gleen Close, por Damages
January Jones, por Mad Men
Julianna Margulies, por The Good Wife
Anna Paquin, por True Blood
Kyra Sedgwick, por The Closer

Melhor Ator Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme Produzido Para a TV
Michael Emerson, por Lost
Neil Patrick Harris, por How I Met Your Mother
William Hurt, por Damages
John Lithgow, por Dexter
Jeremy Piven, por Entourage

Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme Produzido Para a TV
Rose Byrne, por Damages
Jane Adams, por Hung
Jane Lynch, por Glee
Janet McTeer, por Into the Storm
Chlöe Sevigny, por Big Love

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Cinema Baiano no caminho certo

Coletiva de EstranhosQuem ama o cinema e quer vivenciá-lo ao máximo, como eu, só pode ficar feliz ao presenciar um filme como Estranhos. O longa baiano de Paulo Alcântara pela Araçá Azul teve pré-estreia e coletiva para imprensa nesta semana e me impressionou bastante. Não apenas pela história envolvente, pela equipe novata, como pela preocupação profissional demonstrada por todos. A começar pela assessoria de imprensa da Comunika Press na figura de Alê Pinheiro, pela atenção e preocupação, fazendo o possível para todos os veículos, inclusive blogs pudessem ter acesso às informações e a equipe.

O que senti, tanto na projeção quanto na coletiva é que está aí uma nova linguagem para o cinema local. Não que a velha guarda seja ruim. Longe de mim falar mal de um Edgard Navarro, por exemplo. Mas há, em Estranhos, uma quebra da linguagem Cinema Novista. Aquela preocupação filosófica politizada, da estética da fome, do sertão, do filme conscientização. Há temas fortes, há momentos de reflexão, mas o ritmo é outro, a ambientação é outra e o propósito é contar uma história. Simples assim. E eu gostei bastante.

Jackson Costa em EstranhosLogo chama a atenção o fato de ser uma história de multiplots que vão se cruzando aos poucos para convergir em uma resolução única. O roteiro se estrutura em quatros tramas distintas ligadas por uma quinta, a do personagem de Jackson Costa que é um sonhador em busca de seu amor. De certa forma, todas elas vão estar juntas na cena final onde tudo se resolve, para o bem ou para o mal. Todos estranhos entre si ou com atitudes estranhas.

Ao contrário da maioria dos filmes nacionais, Paulo Alcântara não assina o roteiro, que é uma adaptação de Carla Guimarães do livro do peruano Santiago Roncagliolo. Na coletiva, Paulo diz que acredita que cada um tem a sua função no processo cinematográfico. Apesar de seu próximo longa de ficção estar sendo esboçado por um roteiro dele, provavelmente chamará um roteirista para um segundo tratamento. “Se tem uma pessoa especializada nisso, por que não fazer? Roteiro é inspiração, mas é muita técnica. Técnica de escrever, de organizar as cenas, os diálogos”. Ele fala ainda que tem outras habilidades como fotografia e montagem, mas como diretor, prefere focar no seu papel e distribuir o restante. “Fiz o primeiro corte de Estranhos, ficou ruim, joguei fora e dei para o montador. Eu estava envolvido naquilo, melhor uma outra visão de fora”. A produtora Solange Lima que também está debutando na produção executiva de longas completou “Se cada um tiver a sua função no processo caracteriza-se a indústria. E isso é que profissionaliza o mercado”.

Estranhos Tudo isso me deixou muito animada com o futuro do cinema baiano e brasileiro. Ver um processo diferente acontecendo. Não é aquele espírito amador de vamos fazer tudo na raça e na coragem. Não que Estranhos não tenha tido raça e coragem. A produção ficou em 800 mil reais e toda a equipe teve que abraçar a causa, mas sem perder o profissionalismo. O fotógrafo Antônio Luis Mendes, segundo falou Solange, entrou no set com esse espírito. Ainda segundo ela, ele falou que não importa o orçamento do filme, “se estou no set, tenho que agir com profissionalismo e fazer o melhor que posso”.

A distribuição, grande calo do cinema nacional é outro processo que está sendo estudado com calma. Foi contratada uma empresa especializada e o planejamento já está sendo feito. A estratégia é mapear o país, começando por Salvador em maio desse ano, indo para as oito principais capitais e depois para o resto do país. “Não adianta a gente querer competir com um 'Lula, filho do Brasil'. Temos que formar o nosso público e ir crescendo aos poucos”, afirmou Solange. A equipe ressaltou ainda que o público-alvo do longa está nas classes C e D, retratadas no filme, e que têm uma grande identificação com a história.

EstranhosO elenco de Estranhos também é quase todo desconhecido. Com exceção de Jackson Costa e Caco Monteiro, os personagens principais estão estreando em longas e dão conta do recado. Paulo Alcântara foi garimpá-los no teatro baiano e é interessante perceber que estão naturais, sem o tom excessivo que tanto se reclama em atores desse meio. Jackson Costa disse na coletiva que não acredita nisso, para ele existe ator e ator atua em qualquer meio porque tem técnicas para isso, é só ser bem dirigido. Aliás o grande destaque em atuação no filme fica por conta dos dois bandidos vividos por Nelito Reis e Ângelo Flávio, dois novatos.

O post já está enorme, então, a crítica do filme fica para maio, na época da estreia do longa, assim ajuda na divulgação dele. Resumo aqui, apenas que Estranhos me surpreendeu. Claro que tem problemas e excessos, é uma equipe iniciante e não se pode exigir perfeição. Mas, o conjunto da obra está muito bom, envolvente e nos faz sair do cinema com uma sensação de que vem muito mais por aí.

Elenco:
Jackson Costa (Luís)
Cyria Coentro (Amparo)
Nelito Reis (Geraldão)
Ângelo Flávio (Tonho)
Caco Monteiro (Valmir)
Mariana Muniz (Flor)
Larissa Libório (Neusinha)
Heduen Muniz (Antônio Fagundes)
Agnaldo Lopes (Rubens)
Tom Carneiro (Prof. Gaspar)
Jussara Matias (mãe de Antônio Fagundes)
Joilson Oliveira (pai de Antônio Fagundes)
Tania Toko (mãe de Neusinha)
Luis Pepeu (pai de Neusinha)

*Fotos de: Jade Prado e João Ramos/ Divulgação.

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Atividade Paranormal

Atividade ParanormalSendo bem sincera, eu não suportei esse filme. Não me pegou de jeito nenhum. Não senti medo, não tomei susto e cansei de esperar algo acontecer na primeira metade do filme. Achei uma grande bobagem, principalmente o final. Uma das críticas mais legais que li sobre o filme foi de Davi porque em vez de se ater ao filme, ele falou da reação da platéia no cinema. Acredito que as pessoas tenham ficado com medo e que o programa de efeitos do filme seja eficiente. Apenas não aconteceu comigo. Talvez eu tenha esperado muito após ler que Steven Spielberg ficou aterrorizado com o filme ao ponto de dizer que o DVD estava assombrado.

Atividade Paranormal se vale de um recurso já batido atualmente. O estilo meio documental, simulando algo real, filmado pelos personagens, que busca dar mais veracidade a experiência. Com A Bruxa de Blair o efeito funcionou comigo. Talvez porque fosse novidade. Gostei da forma como as câmeras foram trabalhadas, o terror crescente nos meninos, a não aparição da bruxa, as explicações do mito. Enfim. Um bom filme.

Atividade ParanormalREC, um filme espanhol que se utiliza da mesma brincadeira de real / ficção também me conquistou. Apesar da maquiagem esquisita dos zumbis e alguns erros estranhos, como quando o personagem rebobina a fita para conferir algo e é passado para o espectador. O que seria impossível. Em Atividade Paranormal isso é plausível, pois o personagem vê no computador e grava essa conferência. Ainda assim, o primeiro é melhor. Principalmente o roteiro.

O ritmo de Atividade Paranormal é muito lento. Ficamos esperando algo acontecer, com a emoção suspensa na expectativa do perigo. Isso é bom, se bem dosado. No caso do filme, eu achei que foi excessivo. Senti-me como na peça de Beckett esperando um Godot que nunca vinha.

Agora, acho que o que mais me incomodou em Atividade Paranormal, e fez com que eu não entrasse no filme, foi a explicação do fenômeno. Tanto do médium chamado pelo casal, quanto das notas na internet que culminaram naquele final insosso. Mas, aí vai algo particular da minha apreciação. Continuo repetindo, o filme não me pegou, não significa que seja ruim. O fato é que eu esperava algo mais realista, de acordo com aquilo que acredito sobre fenômenos paranormais e não o clichê demoníaco. Mas, muitos gostaram. Presenciei o medo na expressão de alguns espectadores. Então, o filme funciona. Só não funcionou comigo.

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Selo - Antes tarde do que nunca



É até vergonhoso esse post só agora. Final de novembro o CinePipocaCult ganhou mais um selo, fui adiando e acabei esquecendo de agradecer aqui e continuar a corrente. Peço desculpas ao blog CineCabeça e a Cíntia, essa cinéfila que adorei conhecer em 2009. Admiro muito o seu blog e fico muito feliz de ser lembrada por ela com esse selo. Com certeza está na minha lista de indicados preferidos.

Como a regra não ficou muito clara, resolvi dar esse selo de nome sugestivo (Blog Amigo) a três parceiros do CinePipocaCult. Blogs que gosto, indico e que sempre vem aqui contribuir para discussão cinéfila continuar cada vez melhor. Não que os outros também não o sejam. Sempre indico e divulgo todos os blogs de cinema que conheço (é só olhar a barra lateral aqui do blog). Apenas quis dar destaque a esses três. Agradeço a todos que sempre vem aqui e fazem da rede cinéfila algo empolgante.

O Cinema em Naupati (Davi Ramos) - Conheço Davi antes de lê-lo na blogosfera. Fomos colegas na pós de Cinema e sempre admirei seu conhecimento cinéfilo e sua forma franca de falar. Assume o gosto pelo cinema americano, sem desprezar a arte de outros cinemas. Suas conquistas são cada vez maiores e agora ele se tornou colaborador fixo do Jornal A Tarde, aqui de Salvador. Vale a pena ler.

Apimentário (Cristiano Contreiras) - Cristiano é outro que conheci antes da blogosfera, mas foi esporadicamente e por amigos em comum. O que mais chama a atenção em Apimentário é a forma diferente de resenhar seus textos. Uma linguagem provocativa, apimentada, gostosa de ler. Não é a toa que faz tanto sucesso.

Fred Burle no Cinema (Fred Burle) - Este candango é o único que não conheço pessoalmente da lista, nem por isso deixa de ser uma ótima referência. Fred foi se aproximando daqui pela afinidade de gostos e opiniões. Sempre procurando crescer, ele agora tem crítica filmada também em seu blog. Vale conferir.

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Irreversível - Nem tudo o tempo cura

Assistimos alguns filmes na vida pela curiosidade de saber como as coisas funcionam por trás deles ou porque a história foi contada daquela forma. Irreversível , do francês Gaspar Noé, é um desses filmes. Quando soube que ele funcionava ao contrário, lembrei de Amnésia, mas quis assistí-lo. Quase me arrependi. O filme não é para estômagos fracos. Tanto que causou polêmica no Festival de Cannes e chamou atenção menos pelo enredo e mais pelas cenas chocantes, abrindo com um espancamento e nos empurrando uma longa cena de estupro a seco.

As atuações magníficas de Monica Bellucci e Vincent Cassel impressionam a cada minuto e me fez sentir asco de toda aquela história sangrenta e pervertida. O grande mérito, no entanto, é mesmo a forma como é filmado: a câmera parada, os planos-sequência, os cortes feitos entre balanços de câmera, tudo feito para que o espectador se sinta desconfortável. E acreditem, não tem almofada nem poltrona que dê jeito. O estupro em plano-sequência, então, deixou a cena do brasileiro Cama de Gato até amena.

A história de um homem que sai a procura de vingança contra o viciado que estuprou e desfigurou sua namorada fala sobre como decisões impensadas podem lhe levar a lugares inimagináveis, de como atitudes impulsivas podem acabar com uma vida ou várias. E vocês já podem imaginar que se trata de uma sucessão de fatos que levam o protagonista a um beco sem saída. Já vimos isso em filmes como Trainspotting e Corra, Lola, Corra!. Dessa vez o tal beco sem saída é o que torna os primeiros trinta minutos impactantes ao extremo. Confesso que quase desisti de continuar, mas a curiosidade em saber como tudo aquilo começou, me segurou.

O argumento é o mais fraco do filme, simples demais. Mas o roteiro construído de trás para frente é bem planejado. No fim do filme, ou no começo da história, a resolução nos faz sentir mais ainda todas as violências que acabamos de presenciar. Nos sentimos pior porque é gratuito. Frustra por não ter uma grande revelação como Amnésia, apesar de haver sim uma nuance que piora um pouco as coisas.

Pra mim, com uma certa preparação psicológica, Irreversível é um bom filme. Só não pense em assistir por diversão, e sim por curiosidade ou pra receber uma bela injeção de realismo diretamente na veia.

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É ruim, por isso é bom

Cinderela Bahiana - Carla PerezAssisti ontem finalmente a um filme que virou quase lenda. Uma pérola do trash local: Cinderela Baiana (ou Bahiana?), protagonizado por Carla Perez.... Não está nos créditos iniciais, mas o longa conta com a presença de Perry Sales e Lázaro Ramos em sua estreia cinematográfica. Coitado!

O filme é ruim, tem um ar mambembe, interpretações engessadas, diálogos artificiais, mas tudo se torna muito engraçado. E a trilha sonora é completamente sem noção. Não por colocar axé, isso é óbvio que tinha que ter, mas pelos momentos escolhidos para algumas músicas. As crianças tapando buraco na estrada, Carlinha dizendo que está com fome e Luis Caldas ao fundo cantando "nega do cabelo duro"?? O final então, é surreal. Por isso acaba sendo bom. Eu podia dizer muita coisa do filme, principalmente da cena final, mas encontrei uma crítica passo a passo no Youtube que achei legal colocar aqui. Até porque, algumas coisas só vendo a cena para entender. Quem não quiser conferir as uma hora e trinta do filme, veja a crítica em nove partes desse rapaz que já dá para ter uma idéia e dar algumas risadas.


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Estranhos vem aí

Estranhos - CartazCom previsão de lançamento para maio desse ano, Estranhos, primeiro longa do diretor Paulo Alcântara terá pré-estreia (apenas convidados) e coletiva para impressa essa semana em Salvador. A antecipação é devido à viagem do diretor no dia 15 de janeiro para documentar as locações de seu próximo longa. Baseado no romance Extraños de Santiago Roncagliolo, o filme ganhou o prêmio de melhor Trilha Sonora no Festival CINE PE 2009 e tem sido aplaudido pelo público nos festivais onde passa. A adaptação da história é de Carla Guimarães e a trilha sonora é de André Moraes.

O que parece chamar a atenção no filme é a fuga do lugar comum. É um filme baiano, ambientado no espaço urbano com diversos personagens que têm sonhos diferentes, mas se encontram por algum motivo. A trilha foge do axé, levando às telas o rock baiano que sempre teve espaço nas noites de Salvador, apesar da pouca divulgação. A música tema é interpretada pelo ator Jackson Costa (que está no elenco) e por Margareth Menezes. A mistura ficou bastante interessante, confira no site da rádio Metrópole.


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Dicas da Semana

Cinema
Sherlock Homes
O filme de destaque atualmente é esta releitura do clássico do mistério pelas mãos de Guy Ritchie. O ex de Madonna parece ter voltado a boa forma, após alguns fracassos.

Sinopse: Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) ficou conhecido por descobrir a verdade sobre mistérios com a ajuda do Dr. John Watson (Jude Law), leal aliado. Desta vez, eles se deparam com uma série de assassinatos e encontram o assassino, chamado Lorde Blackwood. Condenado ao enforcamento, Blackwood revela um novo mistério que espalha pânico por Londres, dando início a uma nova missão da dupla de detetives

Televisão
Questão de Honra
Quarta-Feira, 13/01 - 12:00 (AXN)
Rob Reiner conseguiu fazer um bom filme de tribunal. Denso, tenso e surpreendente. Destaque para Jack Nicholson em excelente interpretação.

Sinopse: Daniel Kaffee (Tom Cruise) é advogado da marinha americana e recebe um caso difícil: defender dois marinheiros acusados de matar um colega numa base naval. A comandante Joanne Galloway (Demi Moore) é encarregada de ajudá-lo e suspeita que há algo maior por trás do acontecido. Os acusados revelam que a morte aconteceu durante o que chamam de "código vermelho": uma surra com a intenção de colocar a vítima na linha. As investigações apontam que a ordem partiu de um alto posto da base naval, mas para os advogados será difícil provar suas suspeitas: o responsável pela ordem é um homem importante e protegido por uma tradição de códigos de honra e lealdade.

DVD
Gamer
Se você não quis perder tempo assistindo no cinema, mas tinha curiosidade, pode conferir agora em DVD. Nem tudo é ruim no filme.
Leia crítica

Sinopse: Num futuro próximo um revolucionário videogame on-line será a mais popular forma de diversão. Semanalmente, milhões de internautas assistem condenados lutando para sobreviver como se fossem personagens virtuais em um videogame. Kable, um prisioneiro, se tornará a grande estrela deste jogo. Para o jogador, Kable é um mero personagem, mas para o grupo de resistência ele é a peça chave para a vitória. No meio dessa batalha, e sob o comando de um adolescente, Kable terá que usar todas suas habilidades extravirtuais para vencer o jogo e derrubar o sistema.

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Grandes Cenas: Os outros (com spoilers)

Nicole KidmanComo se faz um filme de suspense? Criando estratégias de expectativa, medo, tensão. Mais do que dar susto no espectador, é necessário despertar sua ansiedade.

A grande sacada do filme “Os outros” de Alejandro Amenábar é o ponto de vista. E ATENÇÃO QUE JÁ AQUI VEM O SPOILER. Ele coloca o espectador sob a ótica de três personagens e o que eles crêem é o que nós cremos. O espectador vê com os olhos desses personagens e no final do filme descobrimos que passamos cento e quatro minutos tendo medo e nos sentindo ameaçados, não por fantasmas como supúnhamos, e sim pelos vivos. E que os fantasmas, que tanto tememos, eram aqueles simpáticos personagens que estávamos acompanhando e por quem torcíamos.

O que nos fez torcer e sofrer com os mortos? E o que nos fez temer os vivos como almas do outro mundo? Como já foi dito, o ponto de vista. Além de recursos conhecidos dos espectadores, símbolos clássicos do suspense que levam a quem assiste pensar estar vendo mais um filme que aborda o sobrenatural. Isso, pelo menos até metade do filme. Na metade final, Amenábar vai preparando o espectador com pequenas estranhezas e progressivamente desvendando a brincadeira que ele pregou. Todas as cenas são criadas com muito cuidado, nesse sentido.

Dentre todas, destaco aqui a cena em que a personagem Grace ouve o piano tocando. É o ponto alto do suspense na trama e o clima de tensão é mantido apesar da música ser clássica e alegre. É a chamada música intra-diegética, ou seja, está dentro da cena. O intruso está tocando o seu piano e esse som é ouvido. O fato é que o ponto de vista continua em Grace, ela ouve o piano tocando sozinho, abre a porta da sala e vê o piano aberto e ninguém dentro da sala, no momento em que Grace abre a porta o som para e apenas sua respiração e seus passos são ouvidos. Isso torna a cena ainda mais angustiante, é como se o espectador estivesse lá, procurando o intruso. Grace fecha e tranca o piano, dirige-se à porta e começa a observar se ela fecha sozinha, a música de suspense começa baixa e vai subindo até o momento em que Grace é jogada da sala pela força da porta que se fecha. Assustada, com a música nas alturas ela consegue destrancar porta e ao olhar para o piano ele está novamente aberto. Aí ela se dá conta que não é imaginação de sua filha, há algo de sobrenatural naquela casa. E a música ajuda a compor isso, desviando a atenção do espectador da realidade.

Grace ouve um piano tocando. Assustada, vai em direção à sala de música. PV de Grace olhando a porta, depois a câmera foca Grace assustada. Detalhe da mão de Grace abrindo a porta, o piano pára, silêncio, não há música. Visão de dentro da sala vazia, Grace entra, a porta fecha. A música de suspense começa. Grace tranca o piano, câmera gira com Grace, ela sai, a porta fecha. Zoom e close em Grace abrindo e fechando a porta, testando se ela poderia fechar sozinha. A porta fecha violentamente e arremessa Grace no chão. A música sobe, Grace levanta assustada, Sra. Mills vem ajudá-la. Elas abrem a porta e o salão continua vazio, mas o piano está aberto. Close em Grace assustada.

O grande mérito desse filme é colocar o outro lado, a outra versão induzindo o espectador através do olhar da câmera a conhecer uma história diferente do que ele pensava ver, mas gerando os mesmos efeitos de medo e expectativa que qualquer filme de suspense bem sucedido. O problema é que ela só funciona da primeira vez. Rever essa cena, por exemplo, sabendo que é na verdade um fantasma com medo de um vivo, torna-se engraçado e não assustador como da primeira vez. Ainda assim é muito bem feito e merece destaque.

Não achei a cena no Youtube separada, mas ela está no final dessa sequência com versão japonesa.

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CinePipocaCult no Soterópolis


O Soterópolis programa cultural da TVE Bahia, fez uma matéria muito interessante sobre blogs baianos. Esta que vos fala deu uma pequena contribuição, ela foi feita em setembro e exibida em novembro de 2009. Vejam e comentem:



Para quem quiser conhecer mais do Soterópolis, visite o portal do Irdeb.

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2012

2012Roland Emmerich não cansou de destruir o mundo. E os produtores de Hollywood não se cansaram de embarcar em suas idéias mirabolantes. Agora ele se valeu de uma lenda Maia para justificar o cataclisma. O filme é uma grande bobagem, mas quem esperava mais do que isso? Julgando por seus últimos trabalhos, era mesmo de se esperar um roteiro pífio, muita mentira, clichês absurdos, melodrama barato e explosões mil. Então, acho que o filme cumpre o propósito. Quem foi conferir não deveria reclamar do óbvio. É o típico pipoca pulando, não é para se levar a sério.

Dito isso, fica até complicado uma análise mais profunda. 2012 praticamente não tem história, é uma correria só, estilo salve-se quem puder, sem faltar um super herói quase imortal, um maluco anunciando o fim do mundo, um cachorro Highlander, um presidente dos Estados Unidos liderando as ações mundiais, os assessores inescrupulosos que só querem salvar a si mesmos e os éticos que se incomodam com isso. Vale ressaltar que o presidente é negro, tal qual o atual chefe de Estado do momento, Obama. E que o maluco que anuncia o fim do mundo é até uma variação interessante, com uma rádio pirata, um blog e algumas teorias que dão o único embasamento para a teoria Maia expressa no título do filme.

O forte é mesmo os efeitos especiais. Não há nada de novo, mas tudo é muito realístico e bem feito. A forma como a Califórnia é destruída impressiona. A grande onda no Himalaia também. O Rio de Janeiro é visto por uma televisão, em cenas muito rápidas, mesmo assim, é interessante perceber que o Brasil já está sendo lembrado por Hollywood. A erupção vulcânica é grandiosa, deixando O inferno de Dante no chinelo.

John CusackEm contrapartida, as tais arcas de Noé high tech poderiam ser um pouco mais criativas, parecem submarinos gigantes. Fica, então, a pergunta, por que tão poucos foram feitos? A correria no momento-chave lembra o Titanic, mas aí já estou falando demais e vai acabar virando um grande spoiler. Outro detalhe que não passou despercebido foi dizerem que as Olimpíadas de Londres foram interrompidas devido às catástrofes, mas... tudo não acontece em Dezembro? As olimpíadas ocorrem em Julho e Agosto. Talvez seja demais pedir coerência em qualquer coisa que seja.

O fato é que 2012 é o que parece, uma correria cheia de efeitos especiais e muita mentira. Diversão pura, se você for com esse espírito. Se procura um filme com conceito, não vá, pois vai acabar se irritando.

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Lula, o filho de Dona Lindu

Lula, O Filho do Brasil"Nunca antes na história desse país" foi feito um filme sobre a vida de um presidente. Ainda mais de um presidente em exercício. Este, talvez seja o maior problema de Lula, o filho do Brasil. Por mais interessante que a história seja, não há como esquecer que estamos vendo a vida do nosso presidente às vesperas de uma eleição. O mais irônico é a tela inicial dizendo que o filme foi feito sem nenhuma lei de incentivo. Precisa? Qual a empresa não gostaria de estar na lista seguinte de patrocinadores de um filme do presidente? Fica, então, o clima eleitoreiro, o que é lamentável, pois acaba-se discutindo o político e esquecendo-se do filme.

Fábio Barreto tem três grandes méritos: ser filho de Luis Carlos Barreto, irmão de um grande diretor (Bruno Barreto) e constar em seu currículo o segundo filme brasileiro no Oscar (O Quatrilho). Com Lula, ele pretendia conquistar crítica e público com uma obra essencialmente melodramática. Mas, parece que nem mesmo o trágico acidente e sua situação delicada comoveram a crítica que continua batendo no filme, chegando a diminuir o número de salas em que este foi lançado. Uma pena, pois se lançado em outro momento, o filme poderia ser sucesso, já que a história tem muito potencial.

Lula, O Filho do BrasilÉ, a princípio, mais uma história de superação. Uma família sertaneja que migra no pau-de-arara para São Paulo, em busca de uma vida melhor. Tem miséria, pai alcoólatra, fome, casas alagadas, muita luta, trabalho desde a infância. Uma trajetória parecida como muitas outras no país. Mas, mesmo não gostando do presidente, não se pode negar que ele chegou lá. Teimou, como orientou sua mãe. É então, uma história de ascenção social da forma como sonha cada brasileiro. Fábio Barreto pode ter floreado algumas passagens, exagerado na trilha emotiva e nos flashbacks em momentos chaves, tentando nos fazer chorar, mas é uma história real. Lula saiu do sertão, trabalhou anos como peão, fundou um partido, tentou por treze anos e não apenas se tornou presidente de dois mandatos, como foi eleito o homem do ano com uma aceitação mundial impressionante.

Voltando ao filme, ele acaba antes da fundação do PT. É, então, a história do Lula sindicalista e sua origem. O início, do nascimento à adolescência, foca na força de dona Lindu. Uma mulher que saiu do meio do nada com oito filhos, foi para São Paulo, e, com toda dificuldade, criou-os como pessoas de bem. Não há como não admirá-la ao ver o filme, principalmente com a interpretação de Glória Pires. É possível esquecer um pouco sua imagem global e se identificar com Lindu. A exceção de cenas sem sentido como a conversa entre ela e Cléo Pires após o casamento, parecendo algo arrumado só para brincar com o fato de serem mãe e filha interpretando nora e sogra.

A segunda parte, com Lula já metalúrgico, é bem feita. Rui Ricardo Dias consegue acertar no tom, não caindo na caricatura habitual, mas trazendo todas as característica daquele personagem histórico, até mesmo no timbre da voz. As cenas de discurso do personagem são muito boas, principalmente a do estádio onde as pessoas vão repetindo o que ele fala para as outras ouvirem. O que faz o filme perder um pouco é a ligação entre a primeira e a segunda parte. Muito picotada, com cenas esporádicas facilmente descartadas e que resolveriam o segundo problema, o filme é muito longo e acaba se tornando cansativo. Menos uns 20 minutos e estava ótimo.

A fotografia é coerente com momentos de contrastes incríveis como a viagem no pau-de-arara, a aridez do cenário, o sol forte, alternando com os closes dos personagens. Ou nas cenas em Santos, com os trabalhadores carregando as sacas e as mulheres catando os restos que caem no chão. Há ainda cenas poéticas, mas clichês, como Lurdes correndo entre as roupas no varal. E outras muito bem realizadas, como a já citada do estádio de futebol. Tudo isso, no entanto, serve apenas para comprovar que Fábio Barreto é um diretor correto, porém limitado. Não há traços geniais em sua mão, mas também, não é obrigatório o ser para fazer um filme bem resolvido. Lula, o filho do Brasil, é um bom filme e merece ser visto, uma pena que tenha sido lançado em um momento tão inoportuno. Quem sabe, em um futuro distante, ele seja resgatado. Só o tempo dirá.

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Dicas da Semana

Cinema
Sempre ao seu lado
Se você gosta de cachorro e se emocionou com Marley e Eu, então, corra para ver essa adaptação americana para o filme japonês de 1987. Uma lição de amor e fidelidade digna de um cão.

Sinopse: O filme é uma adaptação norte-americana de um famoso conto japonês sobre um leal cão akita chamado Hachiko. Este cão especial, apelidado de ''Hachi'', acompanha seu mestre Parker (Richard Gere), um professor universitário, até a estação de trem toda manhã para vê-lo sair e depois retorna à estação todas as tardes para saudá-lo ao final do seu dia. A natureza emocionalmente complexa do que se revela quando sua rotina descomplicada se interrompe é o que faz da história de Hachi um conto contemporâneo; a devoção fiel de um cão ao seu dono expõe o grande poder do amor e como o mais simples dos atos pode se transformar no maior gesto de todos.

Televisão
21 gramas
Terça-feira, 05:15 - TeleCine Light
21 gramas é o que um ser humano perde ao morrer. Mas, isso é apenas um ponto de partida para o filme de Alejandro González Iñárritu que tem a narrativa não-linear mais ousada da história. Destaque para as interpretações de Sean Penn e Benicio Del Toro.

Sinopse: O filme explora as vidas complicadas de três personagens: uma mãe ex-viciada com um casamento perfeito, um ex-presidiário, que se tornou religioso, e um professor de matemática à beira da morte aguardando transplante de coração. Os destinos dessas pessoas são ligados em uma mistura de amor, redenção e obsessão. O título refere-se ao peso que um corpo perde quando sua alma o deixa com a morte. Do mesmo diretor e roteirista de Amores Brutos.

Caramuru, a invenção do Brasil
Terça-feira, 16:40 - Canal Brasil
Não é bem um filme e sim, mais uma minissérie de Guel Arraes que é editada em formato de longa e lançada no cinema. Mesmo assim, é um programa divertido para quem ainda não viu.

Sinopse: Misturando ficção e realidade, é contada a história do degredado português Diogo Álvares, o Caramuru, que chega ao Brasil em 1500, se apaixona pela índia Paraguaçú, se torna chefe dos tuninambás e ajuda a fundar Salvador. De forma bem-humorada, são mostradas as diferenças culturais entre portugueses e índios da época, bem como os primeiros dias da colonização.

DVD
E o Vento Levou - Edição 70º aniversário
Um dos maiores clássicos do cinema faz 70 anos e a Warner lança uma edição comemorativa com um mini-livro e cinco DVDs para fã nenhum botar defeito. Eu estaria feliz se não tivesse comprado a edição com 4 DVDs no ano passado. Fica a dica.

Sinopse: Uma produção de David O. Selznick, "E o Vento Levou", de Margaret Mitchell, é "a produção mais bem-sucedida de Hollywood," disse Leonard Maltin, do Entertainment Tonight. Sob seu ponto de vista, "parece melhor com o passar dos anos." Este romance ambientado durante a Guerra Civil Americana ganhou o impressionante número de 10 Oscar (incluindo Melhor Filme) e seus imortais personagens, Scarlett (Vivien Leigh), Rhett (Clark Gable), Ashley (Leslie Howard), Melanie (Olivia de Havilland), Mammy (Hattie McDaniel) e Prissy (Butterfly McQueen), popularizam esse épico de apelo permanente a todas as gerações. Tido por muitos como o maior filme de todos os tempos.

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