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Fratura
Fratura
Fratura (2019), dirigido por Brad Anderson e protagonizado por Sam Worthington, é um thriller psicológico que mergulha o espectador em um enigma sombrio e claustrofóbico. Disponível na Netflix, o filme constrói uma narrativa densa e intrigante que desafia a percepção da realidade, explorando a mente perturbada de seu protagonista de forma eficaz e envolvente.
A trama começa com Ray Monroe (Sam Worthington), sua esposa Joanne (Lily Rabe) e sua filha Peri (Lucy Capri) retornando de um fim de semana de Ação de Graças na casa da sogra. Após uma parada em um posto de gasolina, Peri cai em um buraco e quebra o braço. Desesperado, Ray leva sua família ao hospital mais próximo, onde um pesadelo começa a se desenrolar. Após a triagem inicial, Joanne e Peri são levadas para a ala de tomografia e, misteriosamente, desaparecem. O hospital nega a existência delas, e Ray se vê em uma busca desesperada para descobrir a verdade.
O roteiro de Alan B. McElroy é um dos pontos fortes de Fratura. Ele constrói uma atmosfera de crescente tensão, conduzindo o espectador por um labirinto de dúvidas e incertezas. A narrativa alterna entre a percepção de Ray e a aparente realidade, fazendo com que o público questione constantemente a sanidade do protagonista. A habilidade do roteiro em manter esse equilíbrio é notável, criando uma experiência de suspense psicológico que prende a atenção do início ao fim.
Sam Worthington entrega uma performance sólida como Ray. Sua interpretação é convincente, capturando a angústia e a paranoia de um homem que vê sua família desaparecer sem deixar rastros. Worthington consegue transmitir a vulnerabilidade e a determinação de Ray de maneira eficaz, mantendo os espectadores empáticos com sua situação. Lily Rabe, como Joanne, e Lucy Capri, como Peri, também se destacam, embora tenham menos tempo de tela. Rabe especialmente brilha em momentos de desespero e preocupação maternal.
A direção de Brad Anderson é outro elemento que merece destaque. Conhecido por seu trabalho em O Operário (2004) e Chamada de Emergência (2013), Anderson demonstra uma habilidade refinada em criar um clima de suspense e inquietação. Ele utiliza a fotografia em tons frios e o jogo de luz e sombra para intensificar a sensação de claustrofobia e desorientação. A edição, particularmente nas cenas em que Ray está sob efeito de sedativos, é eficaz em transmitir a percepção distorcida do personagem, adicionando uma camada extra de tensão.
O filme utiliza vários artifícios visuais e narrativos para manter o suspense. O uso repetido de um balão de gás hélio, por exemplo, serve como um símbolo da inocência perdida e um ponto de referência na narrativa. A presença ameaçadora de um cachorro raivoso e a atmosfera labiríntica e opressiva do hospital são outros elementos que contribuem para a sensação de desconforto e paranoia.
Apesar de seu mérito em manter o suspense, a narrativa de Fratura, embora intrigante, às vezes força a barra ao incluir elementos que não se conectam de forma coerente ao desenlace da trama. Outro ponto fraco está nas performances unidimensionais de alguns personagens secundários, especialmente os funcionários do hospital, que são retratados de maneira exageradamente suspeita, o que pode tirar a nuance necessária para um suspense psicológico mais sofisticado.
Apesar dessas pequenas falhas, Fratura consegue manter o espectador engajado e intrigado até o final. A narrativa, que brinca com a percepção da realidade e da ilusão, levanta questões interessantes sobre confiança e sanidade. O clímax do filme, embora menos impactante do que poderia ser, ainda oferece uma reviravolta surpreendente que justifica o mistério construído ao longo da trama.
Fratura é um filme que combina elementos de drama psicológico e suspense de forma intrigante, oferecendo uma experiência de entretenimento envolvente. A habilidade de Anderson em manipular a narrativa e a percepção do público, junto com a atuação sólida de Worthington, fazem deste um filme que merece ser visto, especialmente por aqueles que apreciam histórias que desafiam a realidade e jogam com a mente do espectador.
Fratura (Fractured, 2019 / EUA)
Direção: Brad Anderson
Roteiro: Alan B. McElroy
Com: Sam Worthington, Lily Rabe, Lucy Capri, Adjoa Andoh, Stephen Tobolowsky, Lauren Cochrane, Shane Dean, Stephanie Sy
Duração: 99 min.
Bacharel em Publicidade e Propaganda desde 2000 e atuante na área, alia técnica e criatividade em tudo o que faz. Cinéfilo de carteirinha, Ari se apaixonou pelo cinema nas madrugadas da TV, onde filmes clássicos moldaram seu olhar crítico e sua veia artística, inspirando-o a participar de um curso de crítica cinematográfica ministrado por Pablo Villaça. Histórias são a alma de sua trajetória. Jogador de RPG há mais de 30 anos, decidiu unir sua experiência como roteirista e crítico e sua determinação para escrever livros e materializar suas ideias. Seu primeiro livro, Corrida para Kuélap, está disponível para venda para Kindle. E é só o começo.
Fratura
2024-09-11T08:30:00-03:00
Ari Cabral
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