Coração Vagabundo - De fato um documentário

Quando li as primeiras críticas de Coração Vagabundo focando a polêmica da nudez de Caetano, pensei que fosse ver alguma apelação em cena. Mas, na verdade, a brincadeira quase infantil do diretor Fernando Grostein Andrade e da, então, esposa de Caetano, Paula Lavigne, é apenas a introdução do longa, vindo mesmo antes dos créditos. É apenas um chamariz que mostra que ali existe um filme que não irá construir uma cine-biografia do cantor, mas desnudar a intimidade de um homem polêmico, inteligente e que adora falar.

Coração Vagabundo com Caetano VelosoUm documentário parte de um tema, seja ele qual for e constrói a sua intimidade, o dia a dia, os detalhes. Ao contrário do que vi em algumas críticas que o compara a uma revista de fofoca, o que me encantou no filme foi exatamente a capacidade de ser algo que deixa o tema fluir, sem utilizar de recursos como narrativa explicativa, nem lugares comuns como colocar Gilberto Gil, Maria Bethânia ou Gal Costa para dar depoimento. Como disse, não é uma cine-biografia, é um documentário sobre uma turnê específica e um momento específico de um cantor e compositor.

Caetano Veloso se mostra sem medos, provavelmente se acostumou com a presença de Fernando em seu pé todos os dias. Nem mesmo esconde seus momentos de fraqueza, como após a separação com Paula Lavigne em que está visivelmente abatido, ou quando um japonês se aproxima dele e diz que adora Coração Vagabundo, deixando-o desconcertado.

A câmera de Fernando Grostein Andrade é quase amadora, em muitos momentos tremida ou fora de foco (quando está andando nas ruas com o cantor), mas capta momentos incríveis, sensíveis, instigantes, deixando que o seu entrevistado faça as duas coisas que mais gosta e sabe: cantar e falar suas filosofias incompreendidas. O grande trunfo do filme está na edição dessa salada de imagens captadas em dois anos de turnê do show A Foreign Sound. O ritmo do filme é muito bom, flui sem que o espectador perceba o tempo passar. Mesmo os créditos finais estão compostos de forma harmônica. Acho que foi a primeira vez que vi uma sala de cinema ficar totalmente sentada até a tela branca aparecer confirmando que a projeção acabou de fato. Mesmo na sala de arte, onde estava, as pessoas normalmente saem quando começam a "subir as letrinhas".

É uma verdadeira jornada seguir Caetano e suas divagações, rechedas de momentos ímpares como a emoção de Michelangelo Antonioni ao rever uma cena sua, a piada de ver Pedro Almodóvar falando em inglês e no meio da fala se perguntar porque estaria falando naquela língua ou a resposta de Caetano a uma crítica de Hermeto Pascoal. Vale a pena, mesmo para os que não são fãs declarados do cantor e compositor baiano.

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Dicas da Semana

Essa semana, a grande dica mesmo vai para quem mora em Salvador: o V SenCine, no TCA, além de palestras e mostras, teremos estreia de filmes aguardados como Pau Brasil do baiano Fernando Belens, além da retrospectiva de Godard.

Outras Dicas:

No Cinema:
Coração Vagabundo com Caetano VelosoCoração Vagabundo
Estreia da semana, esse documentário consegue trazer a alma de Caetano Veloso. Belo, sensível, inteligente, até mesmo os créditos finais conseguem ficar dinâmicos ao ponto de ninguém levantar antes do último frame. Vale a pena. Em Salvador, está na Sala de Arte da UFBA.









No DVD:
Presságio com Nicolas CagePresságio
"Em 1959, como parte das celebrações de uma escola infantil, um grupo de alunos faz desenhos de como eles imaginam o futuro. Os desenhos ficarão guardados em uma cápsula do tempo e serão abertos em 50 anos. Porém, uma garota desenha diversos números aparentemente aleatórios, que ela alega estarem sendo ditos por pessoas que ela não vê. Meio século depois, uma nova geração de alunos examina o conteúdo da cápsula e a mensagem criptografada da garota acaba nas mãos de Caleb Koestler. Mas é o pai dele, o professor de astrofísica John Koestler (Nicolas Cage), que faz uma descoberta estarrecedora: a mensagem codificada prediz as datas e o número de mortos de todas as grandes tragédias dos últimos 50 anos com uma precisão incrível."


Na Televisão:

Campo dos Sonhos - AXN - Segunda-feira 12:00
"A história de um homem que acredita em um chamado e vive uma experiência única. "Se você construir, ele virá", com estas palavras, o fazendeiro de Iowa Ray Kisella (Kevin Costner) é inspirado por uma voz que ele não pode ignorar e que o faz perseguir um sonho difícil de acreditar. Apoiado por sua esposa Annie (Amy Madigan), Ray começa a transformação de seu campo de milho em um lugar onde os sonhos acontecem."





O assalto ao trem pagador - Canal Brasil - Segunda-feira 12:10
Falei recentemente dele aqui, melhor ler.

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Acorda, Cinema Baiano! - Entrevista com Bertrand Duarte e Edgard Navarro

No mês passado, recebi um convite da Revista Tudo Bem para fazer uma entrevista com o diretor Edgard Navarro e o ator Bertrand Duarte. Foi uma alegria. Primeiro porque gosto muito do trabalho dos dois que juntos produziram um dos melhores filmes baianos: o média-metragem SuperOutro. O título desse post é uma referência a ele ("Acorda, Humanidade!" era a frase que o mendigo vivido por Bertrand gritava ao iniciar o filme). Segundo porque estava bastante curiosa quanto ao longa que eles tinham acabado de filmar, O homem que não dormia. Vocês podem conferir o blog da produção e ver que promete ser fascinante.

Bertrand Duarte é um grande ator e expressou qualidade em tudo que fez. Por um tempo, resolveu se dedicar à carreira de publicitário, mas agora parece ter voltado com força total para a arte de atuar, disse até na entrevista que pretende ensaiar vôos como diretor. Já Edgard Navarro é um dos mais talentosos diretores da Bahia, que sofre com a falta de verba e principalmente distribuição. Seu último longa-metragem, Eu me Lembro, ganhou diversos prêmios, mas foi pouco visto, ficando em cartaz aqui na Bahia em apenas uma sala por poucas semanas. Passou no Canal Brasil, o que já foi um grande feito para um filme totalmente baiano, e é possível encontrá-lo em DVD.

Encontrei os dois na sede da Muito Comunicação, agência que produz a revista, e passei quase duas horas em uma conversa agradável, onde pude beber um pouco na fonte criativa de Navarro e nas ponderações sempre sensatas de Bertrand. Claro que não teve como reproduzir tudo na revista. A edição, os soteropolitanos podem conseguir nos estacionamentos da WellPark, onde a revista é distribuída. Aos demais, vejam a versão on line.

Aqui, selecionei alguns extras que não pude colocar por falta de espaço. Pensei qual seria a melhor forma, por fim resolvi apenas expor os trechos, então, acredito que seja melhor que leiam primeiro a entrevista na Revista e depois voltem para ler o restante.

"Acho que no fundo, cada um tem um pouco do SuperOutro dentro de si, tem um pouco desses medos, dessas coisas que permeiam o personagem e ele vai se entregando ao medo. Pra minha surpresa, eu vi essa semana no blog de Caetano Veloso uma referência como se fosse agora. Caetano tentando dizer das coisas boas e ruins que a Bahia tem, que são coisas que a gente carrega dos aspectos provincianos. E ele cita como se fosse uma conquista do fato da cultura cinematográfica baiana contemporânea ter esse filme como um acervo. Mas, cita como uma coisa atual. Isso que eu acho mais incrível, porque é um filme de 20 anos." Bertrand Duarte

"O cinema americano desde o início, de uma forma inteligente, pensou uma indústria que pudesse vender o American Way of Life. É uma coisa conhecida por todo mundo, então, eu aprendi cinema através dos filmes de Hollywood. Acho que é todo um trabalho de formação de platéia. O governo brasileiro começou a trabalhar isso através de Gilberto Gil e Orlando Senna, com a formação de platéia de pequenos centros de cultura que repetem um tipo de cinema documentário, aquele tipo Doc TV, Revelando os Brasis. Que mostram um tipo de audiovisual que mostra a cara daquele povo, daquele povoado, e eles começam a ver aquilo como eu via na minha infância o cinema de Hollywood. E eles começam a desejar aquilo." Edgard Navarro

"Eu fiquei um pouco mais afastado, mas nesse período eu fiz alguns filmes que eu acho que foram muito legais para minha carreira como trabalhar com Reichenbach (Alma Corsária) que foi um presente bacana, e depois há três anos eu fiz o filme Pau Brasil com Fernando Belens e é um reencontro, começou com Belens e agora tá com Navarro. E esses filmes acho que tem muitos atores que gostariam de ter feito. Eu não tenho quantidade, mas tenho qualidade, nos filmes que fiz, nos personagens que interpretei. E recentemente, uma outra espera minha é o filme de Miguel Littin (Isla 10), que fui fazer no Chile com outro ator aqui da Bahia que é Caco Monteiro , que foi muito legal, personagem muito bom, o primeiro filme meu falando em espanhol, foi um desafio assim interessante. Isso é fruto de uma plantação. De algo que ficou semeado e eu tenho plena consciência hoje da qualidade dos trabalhos do que eu empreendi, dos esforços, dos dias, semanas e períodos que a gente ficou até sem comer direito." Bertrand Duarte

"Mas, pense que o Eu me Lembro pode ser considerado um filme bem sucedido, né? Mas, ele teve 20 mil espectadores, isso dá uma renda aproximada de 200 mil reais. E o custo dele foi de 1 milhão, setecentos e oitenta mil. Que negócio é esse? Em que o governo bota um milhão e o retorno de bilheteria é 200 mil? Não é negócio, negócio tem que dar mais do que o investimento. Então, não tenho ilusão em relação a isso, acho que ainda está em processo, vai lentamente encontrando os seus caminhos. Mas não tenho ilusão de que a gente vai conseguir, a não ser com um milagre. Eu acredito em milagres também. Mas, é um fenômeno, não pode ser considerado padrão. Padrão é muito lento e eu não tenho ilusão em relação a isso. Se eu fosse esperar a coisa de mercado eu não faria . Eu faço porque sou louco o suficiente para acreditar que posso voar. E é assim que eu vôo." Edgard Navarro

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Não confunda o Avatar com o Dobrador de Ar

Desde que li notícias sobre o filme baseado na série da Nickelodeon Avatar: The Last Airbender achei interessante e procurei notícias. Conheci o desenho quando estava pesquisando para um projeto de desenho animado que estava envolvida e acabei me envolvendo com a história e assistindo aos episódios. Apesar de ser uma série infantil, Avatar me cativou pela mitologia e complexidade de alguns personagens como o príncipe Zuko. As crianças, com certeza, vêem pelas piadas e aventura, mas há muito mais por trás daqueles traços alegres. Uma grande carga dramática que envolve responsabilidades, preconceitos raciais, genocídio, noções de equilíbrio e valor da vida humana.



Quando soube que o diretor seria Manoj Nelliattu Shyamalan, fiquei ainda mais interessada, com certeza não sairia dali um filme tosco já que o indiano é cuidadoso e caprichoso em suas produções. Só que, então, comecei a ver notícias sobre Avatar, o filme de James Cameron. Não entendi nada.

Pesquisando descobri que realmente eram dois filmes. Passado a sensação de ignorância, já que parece que James Cameron já tinha registrado esse nome anos antes do desenho, fiquei me perguntando quantos fãs brasileiros da série animada não poderiam estar fazendo a mesma confusão.

Avatar James Cameron
Na verdade, o filme do eterno diretor de Titanic conta a história de um planeta chamado Pandora e um fuzileiro naval que vai parar nele, acaba se apaixonando por uma nativa e ficando no meio da guerra entre os terrestres e os habitantes do planeta Pandora que se sentem ameaçados.

Avatar James Cameron
É um dos filmes mais aguardados do ano porque promete ser completamente revolucionário na técnica de 3D, prometendo uma imersão total na aventura. Só aguardando para ver como será.

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Recuperação dos filmes da Atlântida

O cinema nacional viveu de ciclos regionais, até que no final dos anos 40, começaram as primeiras tentativas de industrialização. As mais bem sucedidas foram a Vera Cruz, uma empresa paulista criada com os moldes de Hollywood, e a Atlântida no Rio de Janeiro, famosa por suas chanchadas. Os cinemas lotavam para ver as aventuras de Oscarito, Grande Otelo e Ankito.

A Atlântida Cinematográfica tinha pouca estrutura e equipamento, mas se caracterizava por uma produção constante. Estreiaram com o sucesso Moleque Tião (1941), drama baseado na vida do comediante Grande Otelo, que interpretou a si próprio no filme. Luiz Severiano Ribeiro, dono do maior circuito exibidor brasileiro, associa-se e passa a facilitar a exibição dos filmes da Atlântida, vindo a comprar a empresa em 1947. Pela primeira vez no cinema brasileiro, estão associados produção e exibição.

Foi então, que a empresa começou a produzir os musicais populares com tons de comédia, as chamadas chanchadas. O sucesso foi garantido, principalmente porque foi com a Atlântida que começou no país uma espécie de star-system. Utilizando estrelas do rádio, o cinema começou a atrair o público para as salas de projeção, dando visibilidade aos filmes.

Com o fim da Atlântida, a maior parte desse acervo estava perdido para o grande público, porém um projeto do Ministério da Cultura está agora digitalizando todas as obras da companhia que me breve estarão disponíveis em DVD.

"Entre o acervo estão filmes de longa e curta metragem, documentos de época, cinejornais e fotos. A Cinemateca Brasileira, em São Paulo, instituição vinculada ao MinC, vai ficar responsável pela restauração, digitalização, preservação e divulgação do material."



Uma ótima notícia para todos os cinéfilos e para a história do cinema nacional.

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Feliz Natal

Seton Mello Feliz NatalSim, hoje é dia do amigo, nem perto da festa máxima Cristã, apesar de Jesus ser um grande amigo de todos nós. Não estou trocando as datas, nem mesmo querendo confundir, mas achei propício deixar como título do post o nome do filme de Selton Mello, pois ambos são uma grande ironia com o espectador. Ou talvez, porque nunca é tarde, nem cedo, para se desejar um feliz natal. Desde pequeno entretido com a atução, Selton Mello cresceu nos meios e começou a participar do processo por trás das telas como produtor. Em 2008 ele fez o seu primeiro vôo solo como diretor e teve êxito, afinal ninguém espera uma obra-prima de um primeiro filme.

Feliz Natal conta a hitória de Caio, um homem perburbado por uma tragédia no passado que volta a casa da família na noite de natal, sem uma intenção clara. Sua presença mexe com todos ali, desde seu irmão e cunhada, que vivem uma crise matrimonial, sua mãe alcoólatra que vive a base de coquetéis de remédios e seu pai, casado com uma garota, e que o odeia.

Feliz NatalO filme possui cenas belas, com um primor de direção e uma peformance perfeita dos atores, como a cena em que Darlene Glória tenta explicar o significado do natal, totalmente ignorada pelos demais que conversam amenidades e servem-se da ceia. Aliás, todos os atores possuem o seu momento solo, onde podem extavasar emoções demonstrando toda a sua capacidade interpretativa. O problema é que o filme exagera nesses momentos, deixando pouco espaço para o espectador respirar ou para construir o drama através da sutileza, que por vezes faz mais efeito que a catarse.

O grande problema dessa falta de dose é que o excesso torna o filme chato, cansativo, exaurindo o espectador que anseia por um momento de refresco. Os únicos momentos que em que não estamos tensos são em duas pequenas cenas com as crianças pesquisando no google sobre termos que não conhecem, como "o que é menstruação". Aliás, o garoto Fabrício Reis tem uma presença interessante, conseguindo ser natural e agradável, o que ajuda no desfecho do filme.

Darlene Gloria Feliz NatalApesar disso, o filme prende pela reflexão sobre a condição humana e as possibilidades de erros e acertos. Caio é um homem modificado, que errou muito no passado, mas refez a sua vida, mudando de atitude e buscando consertar seus erros. Porém, não conseguiu ainda superar o trauma e assim, não consegue se encaixar na antiga realidade. As pessoas de seu passado também ainda estão presas nessa emoção e imagem, tornando-se impossível um convívio.

É, então, um bom começo para um diretor promissor, que só precisa frear a afobação de querer fazer de cada cena a melhor cena do filme, como se tudo fosse o clímax da história.

Ah, e um feliz dia do amigo para todos!

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Dicas da Semana

Continuando a idéia de apontar algumas dicas que chamam a atenção na semana.

Na televisão
Jornada da Alma
21/07 - Tele Cine Cult - 22:00
Drama psicológico bem interessante sobre a vida de Jung.
"Em 1905, uma garota com graves problemas psicológicos é internada em uma clínica em Zurique. Um jovem médico, Carl Gustav Jung (Iain Glen), resolve aplicar nela alguns experimentos baseados em teorias de seu professor Sigmund Freud. Baseado nas correspondências trocadas entre Jung, Freud e a paciente Sabina Spielrein (vivida por Emilia Fox), descobertas recentemente."

1984
23/07 - MGM - 11:10

Esse eu vi em uma aula de Teoria da Comunicação na faculdade, vale, principalmente pela importância do livro, John Hurt interpreta Winston Smith, uma figura trágica que se atreveu a se apaixonar numa sociedade totalitária onde as emoções são ilegais. A adaptação do livro famoso de George Orwell, captura cada partícula do desespero frio encontrado no romance. Detalhe sem graça: foi daí que tiraram a idéia para o Big Brother.


Cinema
Cocoricó - As aventuras na Cidade
Um dos programas infantis mais premiados e de qualidade da televisão brasileira, "Cocoricó", desembarca nos cinemas com o filme "Cine Cocoricó: As Aventuras na Cidade", que reúne cinco episódios inéditos da nova temporada.
Em Salvador, está passando no Circuito Sala de Arte.



DVD
Milk, A Voz da Igualdade

Finalmente, este cultuado filme baseado na vida de Harvey Milk, primeiro político americano ativista gay chega as locadoras. Uma boa pedida para quem ainda não viu.

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TOP BLOG - Estamos entre os 100

O CinePipocaCult está entre os 100 mais votados da categoria Cultura, no TOP BLOG. Isso me deixa muito feliz e demonstra o resultado de um trabalho que comecei quase por acaso e que me traz muitas recompensas, como reconhecimento e interação com pessoas interessantes. Além, claro, de expor um pouco mais da minha opinião sobre a sétima arte, que me fascina cada vez mais.

Queria agradecer muito aos que votaram e dizer que a votação ainda não acabou, temos até 11 de agosto para continuar votando, então, ajudem divulgando. Aos que ainda não votaram, sintam-se à vontade.

Para Votar é só clicar no ícone abaixo:

Após clicar no símbolo, é preciso confirmar pelo e-mail, isso para evitar que uma pessoa vote várias vezes pelo mesmo e-mail, ou com e-mail falso. Mas, não custa nada e não leva mais de 2 minutos.

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Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Harry PotterEle cresceu, passou por coisas que nenhum garoto sonharia e tem mais responsabilidades do que muito adulto. A grande magia de Harry Potter é que as histórias acompanharam o crescimento dos personagens e dos seus leitores. A linguagem foi ficando mais rebuscada e detalhada, basta observar o número de páginas dos primeiros e compará-lo com os últimos. J.K. Rowling conseguiu revolucionar a literatura infanto-juvenil, disso não há dúvidas. As adaptações dos filmes, no entanto, seguiram um processo inconstante, principalmente pelos cortes e alterações das últimas histórias, até porque, como já disse, a arte da adaptação não é fácil.

Os dois primeiros filmes são considerados menores, até mesmo bobos, pelos críticos. São, porém, os mais fiéis ao livro no que diz respeito a narrativa, até porque as histórias eram mais curtas. O terceiro filme foi uma revolução na linguagem cinematográfica da série, bem feito, conciso e fiel ao livro, era considerado por todos o melhor até a chegada do Enigma do Príncipe. A partir do quarto, os livros começaram a ser grandes demais para uma projeção de duas horas e a tesoura correu solta, isso pode complicar as explicações finais. Dobby mesmo sumiu desde o segundo filme, sua aparição decisiva no final vai ter que ser muito bem explicada. Quem viu o quarto e o quinto filme sem ler o livro, com certeza perdeu muito da narrativa e do universo criado por J.K. Rowling.

Harry Potter_HermioneO sexto filme, paradoxalmente, é uma mistura de tudo o que já falei. É fiel ao livro, mas corta muitos detalhes, explicações e mesmo cenas de ação memoráveis. Ainda assim, impressiona e talvez seja um dos poucos que consegue funcionar sozinho. Ou seja, um ET que caísse perdido no meio do cinema conseguiria entender a história, se emocionar e se divertir. Isso, porque a linguagem do filme é clara e muito bem feita, permitindo a apreciação.

Harry Potter_DumbledoreApesar de ter sido completamente previsível no quinto filme, David Yates consegue surpreender com uma direção madura, repleta de momentos sublimes e enquadramentos preciosos. A apresentação da senhora Weasley, Rony e Hermione em um contra-plongé é muito boa. As câmeras subjetivas permitem uma boa imersão da história. E os planos detalhes em cenas de tensão, ajudam no efeito de suspense, como na cena da luta no banheiro entre Harry e Draco. A fotografia lavada com tons pastéis é mais um elemento a contribuir com o clima melancólico.

Os atores mirins (já não tão mirins assim) foram os que mais evoluíram nesses seis filmes. Enquanto no primeiro eram apenas fisionomias parecidas com as descrições do livro, agora possuem uma personalidade definida, dando conta de toda a carga dramática necessária para os momentos descritos. Daniel Radcliffe conseguiu uma maturidade impressionante para o seu Harry Potter, enquanto Tom Felton surpreende por imprimir toda a angústia de Draco em sua missão quase impossível. Alan Rickman teve mais espaço nesse filme, conseguindo deixar na mente dos espectadores a dúvida crucial de seu personagem: afinal, de que lado está Snape? A professora Minerva pouco apareceu, mas suas cenas foram suficientes para Maggie Smith mostrar toda a sua capacidade de interpretação, principalmente no final. O ponto negativo foi a pouca participação de Hagrid, fazendo de Robbie Coltrane um figurante de luxo.

A verdade é que o bruxinho cresceu. O Enigma do Princípe não é um filme infantil. Apesar dos cinemas de Salvador colocarem 90% de cópias dubladas, a censura já anuncia: 12 anos. Tem cenas leves, divertidas e engraçadas, porque ninguém suportaria duas horas de tensão. Mas desde o início, o filme mostra que é no drama e na tensão entre o bem e o mal que está pautada a sua história. Muito bem pautada, é bom registrar. Um grande filme, mesmo para os que não são fãs da série.

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A Estrada Perdida

Estrada Perdida
Quando A Estrada Perdida chegou as telas, os fãs de Lynch se revoltaram dizendo que ele tinha passado dos limites. Muitos críticos o chamaram de charlatão, que só queria aparecer e que nada daquilo tinha um sentido. Tanto que depois ele resolveu dirigir História Real e mostrar que também sabia fazer outro tipo de cinema. O fato é que não há explicação lógica para Estrada Perdida. Como uma pessoa pode virar outra da noite pro dia? Qual o sentido daquele homem enigmático? Das fitas de vídeo que Fred recebia? O que aconteceu para ele matar sua esposa? O que aconteceu na tal noite em que Pete virou Fred e que seus pais escondiam? Temos uma explicação? Não. Da mesma forma que nunca iremos responder porque os convidados da festa de Anjo Exterminador não conseguem sair da sala. Não de forma racional. Lynch já disse que não devemos decodificar o filme. É uma experiência emocional, sensorial pela qual devemos nos deixar levar.

Com esse espírito devemos assistir Estrada Perdida, claro que há símbolos e mensagens por trás daquelas imagens, mas não podemos procurar uma explicação racional. É como os surrealistas queriam: só Freud explica.

Estrada PerdidaCom sua teoria, Freud nos diz que o ser humano é um eterno reprimido. Seu inconsciente está sempre sendo controlado pelo consciente para conviver no meio. E segundo Freud, essa repressão é principalmente sexual. Através da energia sexual reprimida o homem cria todos os seus problemas. Bom, viajando nessa referência, Fred é um homem aparentemente bem casado, bem sucedido, mas tem sonhos estranhos com um homem que parece querer lhe avisar algo. Ele começa a receber fitas de vídeo que lhe mostram sua casa. Primeiro a fachada, depois seu quarto e por fim a estranha cena dele com o corpo inerte de sua mulher. Vemos que este homem estranho dos sonhos de Pete lhe aparece em uma festa para dizer que está em sua casa. Fred liga para casa e o homem que parece estar na sua frente atende ao telefone... Será este homem seu inconsciente se manifestando? O fato é que Fred é preso pelo assassinato de sua esposa e após alguns dias de dor de cabeça na solitária os guardas se assustam ao perceber que quem está na cela não é Fred e sim Pete.

Passamos, então, a acompanhar a história de Pete. Um rapaz aparentemente normal, bonito, querido pelos colegas e por sua namorada. Até que Pete encontra uma mulher misteriosa que é a versão loura da mulher de Fred e sua vida começa a se complicar. Há um clima de mistério e investigação no caso. A estética é bastante experimental, com jogos de luz e texturas que impressionam, causando sensações controversas. O clima noir é forte, devido ao mistério policial, a mulher fatal, ao caráter não definido dos personagens. Mas, tudo isso está ligado pelo surreal da falta de razão para as coisas. Nada no filme parece fazer sentido. Há também uma necessidade de liberação dos instintos primitivos através do sexo e da violência, próprios da teoria freudiana.


Por tudo isso, Estrada Perdida pode ser considerada a obra mais surrealista de David Lynch.

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Festival de Gramado anuncia indicados

Foi divulgada a lista dos indicados do 37º Festival de Cinema de Gramado que ocorre de 09 a 15 de agosto. O principal Festival de Cinema do país, bateu recordes de inscrição de 43 filmes.

O ator Reginaldo Faria será homenageado com o Troféu Oscarito, já Ruy Guerra será contemplado com o Kikito de Cristal. Fora de competição, serão exibidos 12 longas, entre eles "Garapa" e "Um Homem de Moral". Outra novidade é a mudança da central do evento, onde são realizadas as coletivas e debates, para os pavilhões da Expogramado.

Canção de Baal, de Helena IgnezLongas nacionais
"Canção de Baal", de Helena Ignez
"Cildo", de Gustavo Moura
"Corpos Celestes", Marcos Jorge e Fernando Severo
"Corumbiara", de Vincent Carelli
"Em Teu Nome", de Paulo Nascimento
"Quase um Tango", de Sérgio Silva

Longas estrangeiros
"Gigante", de Adrián Biniez (Uruguai)
"La Teta Asustada", de Claudia Llosa (Peru)
"Lluvia", de Paula Hernandez (Argentina)
"La Proxima Estación", de Fernando Solanas (Argentina)
"Nochebuena", de Maria Camila Loboguerrero (Colômbia)

Curtas nacionais
"O Troco", de André Rolim (SP)
"Josué e o Pé de Macaxeira", de Diogo Veigas (RJ)
"O Teu Sorriso", de Pedro Freire (RJ)
"Teresa", de Paula Szutan e Renata Terra (SP)
"Pra Inglês Ver", de Vitor Granado e Robson Dias (RJ)
"Em Terra de Cego", de João Boltshauser (RJ)
"Doce Amargo", Rafael Primot (SP)
"Ernesto no País do Futebol", de André Queiroz e Thaís Bologna (SP)
"Não Me Deixe em Casa", de Daniel Aragão (PE)
"A Invasão do Alegrete", de Diego Müller (RS)
"Olhos de Ressaca", Petra Costa (RJ)
"Quiropterofobia", de Fernando Mantelli (RS)

Mostra Gaúcha
Enciclopédia, de Bruno Gularte Barreto (Porto Alegre)
Livros no Quintal, de Vinicius Cruxem (Porto Alegre)
Mapa Mundi, de Pedro Zimmermann (Porto Alegre)
De Volta ao Quarto 666, de Gustavo Spolidoro (Porto Alegre)
Quiropterofobia, de Fernando Mantelli (Porto Alegre)
Jogo do Osso, de Henrique de Freitas Lima (Porto Alegre)
Segura na Mão de Deus, de Elisa Simczak Treuherz e William Linhaes (Porto Alegre)
Sobre um Dia Qualquer, de Leonardo Remor (Porto Alegre)
Groelândia, de Rafael Figueiredo (Porto Alegre)
Fogo, de Hique Montanari (Porto Alegre)
Aos Pés, de Zeca Brito (Porto Alegre)
A Princesa e o Violonista, de Guto Bozzetti (Porto Alegre)
Do Mesmo Lado do Muro, de Bruno Carvalho (Porto Alegre)
A Invasão do Alegrete, de Diego Müller (Santa Cruz do Sul)
Palavra Roubada, de Mirela Kruel (Porto Alegre)

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Filmes que poderiam existir

Todo mundo, ao ler um livro, uma revista ou mesmo observar uma situação interessante já imaginou um filme. Quem nunca sonhou em ver na tela seu personagem preferido da infância ou adolescência? Alguns fãs têm feito mais do que imaginar, criam trailers tão verdadeiros que um desavisado pode pensar que vem por aí a tal atração. Passeando pelo youtube, você pode encontrar vários deles. Coloco aqui os três melhores que achei. Divirtam-se, e quem sabe algum estúdio não aproveita a idéia e torna realidade?

Thundercats


O desenho dos anos 80 ganhou vida nesse trabalho impressionante de 3D, Brad Pitt só não está melhor como Lion por causa do cabelo escorrido, ao contrário do desenho que tinha uma espécie de juba. Já Vin Diesel como Panthro e Hugh Jackman como Tygra estão perfeitos. Muito legal, daria um bom filme.

Pac Man


O mais impressionante desse trailer foi alguém conseguir criar uma história para o famoso jogo de "come-come". Ficou muito engraçado. Haja imaginação.

Lanterna Verde


Outro trabalho impressionante de computação gráfica, utilizando filmes existentes como base. A história ficou tão bem amarrada que dá vontade de ver. E, na verdade, o filme vai existir, não esse do trailer, mas um com Ryan Reynolds no papel principal, as filmagens começam em novembro e a estréia está prevista para 2011.

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Qual a identidade do cinema nacional?

Recentemente fiz uma entrevista com o cineasta baiano Edgard Navarro e o ator Bertrand Duarte, para a Revista Tudo Bem. Assim que a Revista estiver nas ruas falarei mais sobre o assunto, colocando o link para a matéria e alguns extras que não entraram por limitação de espaço. Mas, conversar com eles, levantou novamente a questão da situação do cinema nacional, que já foi discutida nos comentários aqui do blog (vide post da Mulher Invisível). Por isso, resolvi expor aqui um texto que fiz para pós graduação, apenas para levantar uma questão: Qual a identidade do cinema nacional?

A violência está presente no cinema brasileiro, desde o início até os dias de hoje. Se podemos dizer que somos feitos de algum tema para definir o cinema nacional, temos que citar: Miséria, violência e problemas sociais. Seja na Seca do Sertão Nordestino ou no sol quente das favelas do Rio de Janeiro. Temos um país imenso, repleto de diversidades culturais, talentos e compreensões, mas é na miséria que reina a nossa vanguarda cinematográfica.

Este tema ganhou força com o movimento Cinema Novo e a estética da Fome. Inspirado na Novelle Vague francesa e no realismo italiano, alguns grandes cineastas encabeçados por Glauber Rocha e Nelson Pereira do Santos criam um movimento de esquerda que busca desmistificar o Brasil, expondo a pobreza da população e a realidade dura do capitalismo que invade e destrói o país. Grandes filmes foram feitos nessa ótica de uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, criando obras primas como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Vidas Secas.

Anos mais tarde, a chamada retomada do cinema brasileiro trouxe a tona novamente este tema, batizado, no entanto por Ivana Bentes de Cosmética da Fome. Uma crítica maldosa, mas que condiz com a política do momento vivido. O cinema novo foi criado em um mundo cheio de ideologias. Era um tempo ingênuo e ao mesmo tempo cheio de ideais revolucionários. Vivia-se a Guerra Fria e a esquerda acreditava que podia mudar o mundo. O Brasil vivia uma ditadura militar cruel, que instigava todo esse clamor reacionário.

Agora vivemos em um mundo pós moderno, onde o socialismo ruiu e as ideologias estão frágeis diante de um capitalismo cada vez mais exclusivista. E tudo é reflexo de uma mesma construção imperialista americana. Com isso, não digo que não tenhamos ideais, nem que não lutemos por causas justas. Mas, é difícil capturar um cinema intelectual, quando se busca o resultado rápido das bilheterias e com isso, o cinema da Globo Filmes vai ganhando seu espaço em um país dividido entre a televisão e os blockbusters americanos.

Ao se falar em cinema brasileiro gera-se sempre muita polêmica. Alguns são defensores fervorosos, outros saudosistas extremos, mas a verdade é que a maioria da população que assiste a filmes (o que não é grande coisa se contarmos que apenas 8% vai ao cinema) quer entretenimento. E entretenimento segundo a “educação” imperialista que recebemos é filme americano. Não é a toa que em um fim de semana nossas salas são invadidas com 400 cópias de blockbusters como O Exterminador do Futuro, Transformers e Harry Potter enquanto filmes brasileiros como Apenas o Fim estreiam apenas poucas cópias em circuitos alternativos.

A questão que fica é: Como é possível fazer filmes de qualidade para grandes públicos? Não que filmes pipocas não sejam bons, há muitos excelentes, porém, bastou ser um pouco mais "serio" que já é tachado de intelectualóide, não é a toa que o cinema nacional foi invadido pelas comédias despretenciosas, elas, pelo menos, estão dando boas bilheterias. O cineasta Cláudio Assis (Baixo das bestas) afirmou não acreditar em um filme que não faça pensar. Acredito que podemos chegar a um meio termo, afinal tem espaço e momento para tudo. É um trabalho de formação de platéia, demanda tempo. Mas, acredito que é possível mudar a mentalidade do povo brasileiro.

Não acham?

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Dicas da semana

E mais um domingo com dicas de filmes que me chamam a atenção para curtir a semana.

Na televisão
Hotel Ruanda
14/07 - Tele Cine Cult - 2:30

Hotel RuandaO horário não é dos mais propícios, mas quem ainda não viu o filme de Terry George, vale a pena, nem que seja pra deixar programado para gravar e ver depois. O filme conta a história real de um hotel que abrigou mais de 1200 pessoas durante o conflito entre a maioria hutu e a minoria tutsi, em 1994 e que levou milhões de pessoas a morte no país. Com uma narrativa tocante e envolvente, é possível sentir a tensão instalada no país e se comover com a história.

Piaf - Um hino ao amor.
15/07 - Cinemax - 22:00
Piaf - Um hino ao amorEdith Piaf foi uma das melhores cantoras do mundo, mas teve uma vida dura, quase não aproveitando o talento que tinha. Olivier Dahan conseguiu expor todo o drama dessa mulher em seu filme ao ponto de deixar o espectador angustiado. Mas, vale a pena, principalmente pela beleza das cenas musicais.

Cinema
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
A partir de 15/07 nos cinemas.

Harry Potter e o Enigma do PríncipeNão há como negar, é a estreia mais aguardada, mesmo que você não seja fã do bruxinho. Ao contrário dos últimos livros, neste a história ganha ares mais sombrios, deixando totalmente para trás a magia da infância. É um Harry Potter quase adulto, com amores e dores de uma fase de mudança, ampliados pela época sombria do retorno de seu inimigo com força total.

DVD
Queime depois de ler

Queime depois de lerEssa comédia nonsense já está disponível em DVD, com um humor inteligente, o roteiro foi indicado pelo sindicato de Hollywood como um dos melhores do ano e não é para menos. Todo o argumento é bem construído, em uma sucessão de trapalhadas que levam a um final, como iremos definir: tragédia pastelão, ou algo do tipo. Vale a pena.

Verônica


VerônicaEsse thriller brasileiro, que não teve tanta bilheteria quanto as comédias, chega ao DVD e pode ser conferido por aqueles que não tiveram a oportunidade de ir ao cinema. Um bom filme, nada de excepcional, mas vale a pena conferir. Vamos incentivar o cinema nacional, só com quantidade atingimos qualidade.

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V SENCINE - Ano da França no Brasil

Com inscrições abertas, O V Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual será realizado de 27 de julho a 1o de agosto no Teatro Castro Alves e irá homenagear o cineasta Jean-Luc Godard, como uma comemoração pelo ano da França no Brasil.

Serão exibidos 14 filmes do diretor francês, refletindo sobre contribuição para linguagem cinematográfica, que foi totalmente desconstruída a partir de Acossados. Ícone do movimento Nouvelle Vague, Godard é um dos cineastas que mais filmou em todos os tempos e uma seleção seria mesmo complicado, o seminário irá exibir:

Acossado (1960)
Homem rouba um carro e mata um policial antes de seguir para Paris. Lá, ele se esconde na casa de uma mulher, que tem o desejo de ser engravidada por ele. Quando ele perde a consciência e comete alguns pequenos delitos, dá também a brecha para os policiais o acharem e darem início a sua perseguição final.

Carmem (1983)
Carmem faz parte de uma gang terrorista e apaixona-se por um oficial da polícia que faz a segurança que ela e seus companheiros planejam roubar. Ela o seduz colocando-os cada vez mais próximos da destruição.

Uma mulher é uma mulher (1962)
Uma dançarina de cabaré tenta convencer seu marido a engravidá-la, ao mesmo tempo que reflete sobre sua vida.

Alphaville (1965)
Em uma deliciosa mistura de ficção-científica com drama, conhecemos a história de Lemmy Caution (Eddie Constantine), um agente intergalático que deve matar o inventor do super-computador Alpha 60. Conhecemos através de sua jornada um mundo totalmente novo, onde pessoas são controladas por um cérebro eletrônico extremamente avançado.

Nouvelle Vague (1998)
Uma mulher rica, bonita e autoritária, atropela um homem na estrada. Ela o leva para casa e cuida dele, os dois se tornam amantes.

Para sempre Mozart (1996)
O filme faz parte das nove obras que o diretor batizou de Histórias do Cinema, realizadas entre 1996 e 1998. São quatro filmes em um, unidos sem nenhuma indicação de separação. O tema principal envolve um diretor que planejou um filme, mas teve problemas com o elenco. Sendo assim, ele vai ajudar um primo a encenar uma peça de Musset, em Sarajevo. Ele foge quando os atores começam a se envolver com a guerra. O diretor tenta então finalizar o filme no qual estava trabalhando anteriormente, mas não consegue. Entre as estórias surgem reflexões, pensamentos e idéias sobre arte, política e cinema.

O desprezo (1963)
O roteirista Paul Javal é contratado para trabalhar no script de uma adaptação de “A Odisséia”, que está sendo dirigida por Fritz Lang em Capri, Itália, e produzida por Prokosch. Num dia, Javal deixa a mulher, Camille, pega uma carona com Prokosch, e acaba se atrasando para encontrá-la. Camille pensa que o marido a está usando como um “presente” para o produtor, e o casamento se desfaz.

O demônio das 11 horas (1965)
Cansado de sua monótona vida burguesa com a esposa, o professor espanhol Ferdinand Griffon (Jean-Paul Belmondo) foge com Marianne (Anna Karina), uma mulher que já fora sua amante no passado. Quando um corpo é encontrado na casa dela, os dois saem em direção ao sul da França cometendo uma série de roubos por onde passam.

O pequeno soldado (1963)
1958, guerra da Argélia. Bruno Forestier é desertor, está refugiado em Genebra e se apaixona por Véronica Dreyer. Recebe a incumbência, por um partido de extrema esquerda, de eliminar um jornalista político da rádio suíça. Fracassada a missão, Bruno é preso e torturado pelo FLN. Consegue escapar e volta para Véronica que está trabalhando para o FLN. Tempos depois, ela é presa e torturada até a morte pelos extremistas franceses.

Je vus salue Marie (1975)
O arcanjo Gabriel desembarca no aeroporto de Genebra acompanhado de uma garotinha e toma um táxi - o motorista é Joseph. Seu destino é um posto de gasolina, onde anuncia à Marie, filha do dono do posto, que ela será mãe. Entretanto, Marie, que ama Joseph, continua virgem. Depois de um pouco enciumado, Joseph acaba por aceitar o nascimento. O menino, Jésus, se torna um garoto agitado. Na estrada, Gabriel saúda Marie, mulher entre todas as mulheres.

Tempos de Guerra (1963)
Depois de ser convocados pelo rei para a guerra, dois camponeses saqueiam terras, fuzilam inocentes e voltam para casa com cartões-postais que imaginam ser títulos de propriedade. O filme não apenas denuncia a guerra, mas desmoraliza sua imagem no cinema.

Infelizmente para mim (1993)
A idéia do filme nasceu de um texto do poeta italiano Leopardi, em que descreve o lento e difícil percurso da humanidade; mostra a angústia, as constantes preocupações e a perturbação de seu criador frente aos infortúnios do homem. É novamente Godard renegando a história e a lógica, objetivando através da imagem; a busca de sensações, sentimentos e representações. A estrutura é desregrada, incomunicável e "artística". Mas, não deixa de ser um estilo muito interessante, provando que não precisamos de uma sequência lógica e didática para compreendermos os sentimentos e os seus significados. Um godardiano dos mais herméticos.

Passion (1982)
Um diretor começa a preparar um filme sobre grandes mestres da pintura. Em meio a esse cenário, ele passa a ter problemas para encontrar a luz adequada para a reprodução dessas obras e se envolve com duas mulheres.

A chinesa (1967)
Um grupo de estudantes franceses se tranca em um apartamento durante as férias e, enquanto discutem sobre diferentes temas político-sociais, também planejam ações terroristas.

Made in USA (1966)
Experimento linguístico e descontínuo de Godard, último filme que ele rodou com sua musa Anna Karina. Paula vai para Atlantic City encontrar-se com o marido, mas descobre que ele foi morto e encarna uma femme fatale para encontrar os assassinos.

As inscrições para o V Semcine, no valor de R$ 25 (meia) e R$ 50 (inteira), dão acesso às mesas-redondas e mostras de filmes. Devem ser feitas através do site.

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Animaí - Bahia

Enquanto o Anima Mundi movimenta o eixo Rio / São Paulo, aqui na Bahia é boa notícia fica por conta do Animaí.

Encontro da animação baiana, contará com três oficinas de 02 a 09 de agosto:

Oficina de Produção Executiva para Seriado de Animação
Com Marta Machado (RS)

Oficina de Animação: Aprenda o Método de Animação Disney
Com Evanildo Santos (SP)

Oficina de Mangá
Com Dejota (BA)

Mais informações no site da Dimas.

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Assalto ao Trem Pagador

Grande Otelo“Quando morre uma criança na favela, todo mundo devia cantar, é menos um pra se criar nessa miséria”. Esta frase dita pelo personagem Cachaça, interpretado por Grande Otelo é a síntese da mensagem do filme. A miséria em que vivem os favelados, a ponto de ser melhor morrer a viver daquela maneira.

O filme conta a história do assalto ao Trem da Central, que realmente ocorreu três anos antes no país, mas o que a narrativa faz é mostrar que aqueles bandidos são na verdade homens miseráveis em busca de uma vida melhor. Esta é a tônica da estética da fome, que Roberto Farias tenta construir no filme. A demonstração da simpatia com o pobre diabo que sofre diante de um sistema corrompido. Tião Medonho não é o bandido e sim a vítima da situação. Por mais duro que ele fale, o filme nos leva a construir uma simpatia pelo pai zeloso, marido amoroso (mesmo que de duas famílias distintas) e homem de bem da comunidade. Em uma cena, Tião se revolta com o sobrinho mentiroso e o obriga a deixar uma família morar de graça em um barraco que este explorava, demonstrando sua compaixão com os seus. Mas, ao mesmo tempo, Tião é o chefe da Gang que tem a dura missão de vigiar seus companheiros para que não gastem todo o dinheiro do assalto.

Assalto ao Trem PagadorA regra é clara, quem gasta mais de 10% morre nas mãos de Tião. Tudo isso, por que Nilo, o cúmplice boa pinta convence a todos de que se gastarem demais, a polícia desconfia deles. Mas, a regra só vale para os negros, favelados. Nilo, um homem bonito, louro de olhos azuis (interpretado por Reginaldo Faria), começa a gastar seu dinheiro sem dó. Na cena mais violenta do filme ele explica a Tião que ele tem cara de quem tem carro e dinheiro, ao contrário de Tião, negro, que tem cara de favelado. O interessante é ver que mesmo com cara de boa pinta e olhos azuis, Nilo também quer ser reconhecido. Tanto que quase é expulso de uma loja de carros importados e só, então, se decide por gastar bastante dinheiro, demonstrando a lógica de que nesse país para ser respeitado é preciso ostentar riqueza.

Apesar de toda a tendência realista do filme, é interessante se perceber que devido a linguagem da época, pouca violência se vê na tela e nenhuma cena de sexo. As cenas de sexos são apenas sugeridas, enquanto que as cenas de violência são sempre de longe, sem grande impacto visual. O som dos tiros dados no filme foram reais. O que na época causou impacto, mas não vemos grandes cenas de ferimentos e violência explícita tão comuns hoje nos filmes de ação. A violência é verbal e moral.

Reginaldo FariaAssalto ao Trem Pagador é um retrato fiel da miséria brasileira, do preconceito, da falta de escrúpulos e da extrema pobreza da população marginalizada pela economia capitalista. Sua intenção principal é acordar a sociedade para uma mudança de atitude urgente. Bandeira comunista levantada pelo Cinema Novo e todo o movimento de esquerda da década de 60.

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Herói de verdade: Besouro Cordão de Ouro

BesouroFilmes de super heróis vemos todos os dias em Hollywood, assim como heróis de capa e espada. Há também os heróis históricos, normalmente que falam de guerra ou feitos incríveis de algum ser humano. Mas acho que um herói do povo, que realmente lutou com poderes incríveis, homem "de corpo fechado", que segundo a lenda podia "voar", nunca apareceu nas grandes telas. Falo de Besouro Mangangá, também conhecido como Cordão de Ouro por causa de sua habilidade na capoeira.

Por isso, é com muita expectativa que assisto ao trailer do filme de João Daniel Tikhomiroff. A idéia foi incrível, não sei se no Brasil a lenda de Besouro é tão popular e conhecida. Eu cresci ouvindo, principalmente por causa da música cantada por Elis Regina, é verdade, mas minha mãe ainda deu o assunto na escola. Na minha época, já não fazia parte do currículo escolar. É interessante principalmente por tocar em assuntos como racismo, luta pelo poder, conceitos de liberdade. E além, claro, de mostrar a capoeira, arte que os escravos criaram para treinar sem que os seus feitores percebessem. É, então, um filme de ação também.

Assim, o diretor trouxe o chinês Hiuen Chiu Ku, responsável pelos efeitos especiais e lutas de Matrix, O tigre e o dragão e Kill Bill. Diante das câmeras, Hiuen Chiu fez capoeiristas voarem e subirem paredes enquanto lutam, bem ao estilo desses três sucessos de Hollywood. Para um filme nacional, é um grande avanço no gênero de ação, mesmo que alguns achem fantasioso. É bom brincar com a fantasia também. A arte cinematográfica permite isso, e se Besouro é uma lenda onde quem conta aumenta um ponto, não vejo grandes problemas em deixar a imaginação voar.



O trailer tem imagens impressionantes, empolga. Espero realmente que não me decepcione.



Já que estamos falando do tema, deixo para vocês também uma pérola que encontrei no Youtube. Prestem atenção no resumo que Elis Regina faz antes de cantar a música de Baden Powell em homenagem a este herói.



É de arrepiar, não?

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BLOG DE OURO

É sempre bom ver o reconhecimento do nosso trabalho, por isso fico muito feliz com o selo dado pelo blog Fred Burle no Cinema escrito por Fred Burle, esse mineiro que mora em Brasília e tem demonstrado um gosto muito parecido com o meu. O selo tem um sabor especial, por ter vindo de um blog que acompanho sempre, gosto e também indico a todos.

Quem recebe o selo, deve seguir algumas instruções:

1 – Exibir a imagem do selo “Blog de Ouro”.
2 – Postar o link do blog que te indicou.
3 – Indicar 4 blogs de sua preferência.
4 – Avisar seus indicados.
5 – Publicar as regras.
6 – Conferir se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

Pois, então, seguindo a regra, indico aqui quatro bons blogs, que acompanho e acredito que os leitores desse blog poderão gostar também. Não quis me restringir a cinema, para ficar mais interessante:

1 - Cinema - Filmes e Seriados - Escrito por Hugo, é outro blog que leio sempre. Muito legal.

2 - As borboletas de Fevereiro - Escrito por Socorro Acioli, o blog fala sobre a arte da escrita, principalmente literatura, mas tem reflexões sobre roteiro e outros assuntos.

3 - Milha Turva, o blog do André fala de cinema, mas de uma maneira humorada. É bem legal, além de ter sido o primeiro blog a dar ao CinePipocaCult um selinho. Ele anda sumido, mas deve voltar a atualizar em breve.

4 - Vice-Troço da Subcoisa - Um novo blog sobre publicidade, mas que já está diversificado, tem dicas e reflexões interessantes.

Como eram quatro, fiquei com esses, espero que gostem da seleção, na barra lateral tem outros blogs que acompanho. Queria apenas dar destaque também ao blog Amiga da Moda, de Kinha, que acabei de conhecer, mas que já demonstrou ser bastante interessante.

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Dicas da semana

Todo Domingo, vou procurar fazer um post rápido com algumas dicas da semana, na TV, no Cinema e no DVD. Apenas alguns filmes ou programas sobre cinema que me chamam a atenção e que podem ser um bom programa para todos.

Na Televisão:
Harry PotterMaratona Harry Potter
Começando a contagem regressiva para a estreia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, o SBT irá fazer uma maratona com quatro dos cinco filmes anteriores. O quinto filme ainda não tem permissão de ser exibido em TV aberta, mas para quem tem tv paga, estará na Warner Channel dia 11/07 (sábado) as 23hs.
SBT:
Dia 07/07 - 23:15, terça-feira, "Harry Potter e a Pedra Filosofal".
Dia 10/07 - 23:15, sexta-feira, "Harry Potter e a Câmara Secreta".
Dia 11/07 - 00:15, sábado, "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban".
Dia 12/07 - 22h, domingo, "Harry Potter e o Cálice de Fogo".


No Cinema:
Apenas o FimAPENAS O FIM
Para quem é de Salvador, dia 08/07 tem pré-estreia na Sala de Arte da UFBA, as 21h do filme que é resultado de um projeto de alunos do curso de Cinema da PUC-Rio, mas já tem prêmios acumulados: Melhor Filme - Júri Popular, no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Uma boa oportunidade de prestigiar o cinema nacional independente.

LOKI - ARNALDO BAPTISTA
Um documentário Musical sobre o músico Arnaldo Baptista, ex-integrante dos Mutantes, com um formato interessante é contada através de um quadro traçado pelo próprio artista. A pintura é intercalada com imagens históricas que remetem aos principais momentos de sua trajetória artística, que fizeram dele um dos grandes nomes do rock brasileiro. Em Salvador, está passando em um único horário no Cine Unibanco Glauber Rocha.

No DVD:
CoralineCoraline e o Mundo Secreto
Saiu finalmente em DVD essa animação de Henry Selick, que marcou por ser o primeiro longa em stop-motion criado diretamente para o 3D. A história da garota entediada que encontra uma porta secreta marca também o desvencilho do diretor com o universo macabro de Tim Burton.

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Waking Life: Viver sonhando ou sonhar acordado?

Waking lifeA primeira vez que vi um filme de Richard Linklater me surprendi não exatamente com a técnica cinematográfica dele, mas pela capacidade de fazer um filme onde a essência é o diálogo e isso não ser chato. Pelo contrário. Ao assistir Antes do amanhecer é possível degustar cada frase, cada reflexão, sem perceber o tempo passar. Um bom papo, de um dia incrível. Quanto veio a continuação eu tive medo, mas acabei me surpreendendo com outro belo filme, cheio de diálogos interessantes e reflexões sobre as escolhas da vida.

Quando eu pensava que ele não poderia mais me surpreender vem Waking Life. Na verdade, este é anterior a Antes do Pôr do Sol, mas só agora tive a oportunidade de vê-lo. O filme é daqueles que dá nó em nossas cabeças e ficamos um bom tempo pensando e digerindo aquilo tudo. Recomendo ver e depois ir revendo aos poucos.



Waking lifeA sinopse já é instigante: "Após não conseguir acordar de um sonho, um jovem passa a encontrar pessoas da vida real em seu mundo imaginário, com quem têm longas conversas sobre os vários estados da consciência humana e discussões filosóficas e religiosas." Temos verdadeiras aulas sobre os pensamentos de Platão, Aristóteles, Nietzche, Jean Paul Sartre, através de diálogos instigantes e perguntas que são soltas em nossa mente. Não há um roteiro linear, são encontros e inserções diversas, incluindo uma conversa do casal protagonizado por Ethan Hawke e Julie Delpy em Antes do Nascer (e Pôr) do Sol. O próprio diretor aparece na cena final para encerrar a questão de como acordar do sonho.

Mas, se o roteiro e a questão filosófica tão incrustrada já foi surpreendente, o melhor fica na técnica. O filme foi todo filmado com atores reais e depois finalizado através do rotoscópio para simular a animação em flash. O resultado final é muito interessante e casa perfeitamente com o universo onírico do filme.




Waking life - Ethan Hawke e Julie DelpyÉ legal ver referências a filmes anteriores como o casal já citado, ou o próprio diretor em cena, ou ainda um homem com uma camisa do primeiro filme do diretor, Slacker (1991). A textura inova, chama a atenção, com uma nova proposta estética. Mas, o que fica mesmo é a questão existencial. A capacidade que nossa mente tem de sonhar, as perguntas chaves da humanidade. É um filme que se propõe a pensar. Alguns que preferem ação e correria podem achar a narrativa chata. Eu achei uma delícia.

Prêmios
* 3 indicações ao Independent Spirit Awards: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro.

* Prêmios Cinema do Futuro e Lanterna Mágica, no Festival de Veneza.

* Uma indicação ao Prêmio Adoro Cinema 2002, na categoria de Melhor Filme de Animação.

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Ciclo Salvador de Cinema

Ciclo Salvador de CinemaE já que estamos falando de independência... Acontece em Salvador, de 25 a 30 de agosto um ciclo de Cinema promovido pela Caixa Cultural. Serão três cursos gratuitos à população: Crítica Cinematográfica, Adaptação literária e Linguagem Cinematográfica. Todos os cursos terão dois dias de duração e serão ministrados por um grande nome do cenário nacional e um local. As inscrições vão até o dia 25 de julho e o critério será avaliação dos currículos.

É uma boa iniciativa, Salvador já demonstrou ter bons profissionais e estudantes com vontade de aprender cinema, apesar da carência de bons cursos na área. Estamos sempre sendo exportados para o eixo Rio-São Paulo e nos orgulhando de ser a terra de Glauber Rocha. Tá na hora de mudar esse paradigma.

Para mais informações, visite o site.

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2 de julho

Há 183 anos, a Bahia vencia os portugueses tornando o país definitivamente livre da metrópole. Ano passado eu já ensaiava um formato de blog, apesar de não ser ainda o CinePipocaCult e fiz uma homenagem lembrando dois filmes sobre o tema, leiam e comentem por lá.

Aqui vai o trailer do Corneteiro Lopes para conhecer e recordar.



E aqui, mais sobre o projeto do novo filme de Lázaro Faria, interessante.



Nunca tinha visto um diretor pedindo patrocínio pelo Youtube. Mas, por que não?

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O Exterminador do Futuro vs Transformers

O Exterminador do Futuro vs TransformersEste post vai ser longo, mas não vi outra forma de escrever sobre estes dois filmes. Em 1984, James Cameron assustou o mundo com um filme onde um robô volta ao passado para exterminar a personagem da frágil Linda Hamilton. Era um filme com ares dos anos 80, quase trash, com uma atmosfera insólita. Quando a câmera ficava subjetiva na visão do exterminador Arnold Schwarzenegger, todos se sentiam dentro de um vídeo game, mas sua implacável perseguição assustava. Seria mais um filme estranho daquela década se não fosse sua continuação. Doze anos depois, com tecnologia suficiente para dar vazão a um exterminador mais ágil e assustador, James Cameron conseguiu fazer com que um quase esquecido filme virasse um blockbuster.

O exterminador do Futuro 2O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final é o filme definitivo. Com um bom roteiro, grandes cenas de ação e efeitos especiais impressionantes para época, o filme conseguiu arrebatar milhares de fãs e elevou The Terminator a um clássico cinematográfico. Mais do que isso, ele conseguiu dar um final satisfatório àquele futuro aterrorizante, sem ser piegas e apontando para uma esperança. Vale ressaltar que foi nesse filme que o exterminador de Schwarzenegger aprendeu sua famosa frase: Hasta la vista, baby.

Se até mesmo o personagem de Schwarzenegger disse "precisa terminar aqui", qual o sentido de existir um terceiro filme? O dinheiro falou mais alto e em 2003, veio o erro. A rebelião das máquinas é um filme que merece ser esquecido. Além de ter sido ruim, abriu caminho para novas investidas da saga no cinema. O que resultou em O exterminador do futuro, a salvação, primeiro da série sem o ator Arnold Schwarzenegger, atual governador da Califórnia e que aparece apenas como uma animação, na melhor cena do filme.

O exterminador do futuro 4Por todos os motivos descritos, fui assistir ao quarto filme da série com má vontade. Claro que pior do que o terceiro era impossível de ser, mas ainda assim a sensação de desnecessário pairava no ar. Fui surpreendida por uma boa aventura, com muitos efeitos especiais e uma história razoável. Apesar de todo o esforço de Sarah Connor no passado e John Connor no futuro, vimos no terceiro filme que a Skynet foi criada, atacou os humanos e construiu sua série de exterminadores. Este filme é o primeiro em que a narrativa acontece depois da guerra. Aqui, John Connor se depara com algo para o qual sua mãe não o havia preparado, Marcus Wright, um ciborgue com orgãos humanos. Não é spoiler, pois o trailer já fez questão de estragar, então, a grande questão de Connor é se pode ou não confiar nesse meio homem, quando está diante de uma ação decisiva contra a Skynet. Vemos aqui, também o personagem Kyle Reese, ainda adolescente e um dos furos do filme é entender como a Skynet estava querendo destruí-lo, se ainda não sabia que Reese seria o pai de Connor? Só anos depois, ele é mandado ao passado (mais precisamente ao primeiro filme), e as testemunhas disso já estão mortas ou ainda não presenciaram a cena. Mas, a pior coisa do filme, foi mesmo a sua resolução. Além de não terminar nada, então, podem ir se preparando para o Exterminador 5, 6, 7, 8... consegue ser mais piegas que melodrama barato de novela mexicana. Ah, e eu nem quis entrar no mérito da interpretação de Christian Bale com sua voz de Batman.

Transformers Agora o maior motivo para eu achar que O quarto Exterminador do Futuro é até um filme legal foi ter assistido ao segundo Transformers. A antiga série animada já não foi grande coisa no primeiro filme, nesse segundo consegue ser ainda pior. Não posso comentar sobre a história, porque simplesmente não há uma trama plausível. É o tipo de filme que existe apenas para exibir tecnologia e efeitos especiais. E o pior, mesmo ela, acaba sendo cansativa diante da repetição de técnicas. Claro que não se pode esperar muito de um filme claramente comercial, mas foi por isso que o comparei ao Exterminador, nele, pelo menos havia uma tentativa de fazer um filme. Transformers, nem sei se pode ser classificado assim. Lamentável. É a melhor coisa que tenho a dizer sobre este filme.

E como fiquei nostálgica depois desse resgate histórico, vai o maior ícone do Exterminador do Futuro, o clipe de You Could Be Mine, na época em que Guns N' Roses era sinônimo de boa banda de rock, até o Axl conseguir destruir tudo isso.


Antes que esqueça, no quarto filme há uma homenagem a esse momento, quando John Connor coloca em um velho gravador a música para atrair as máquinas. É, sem dúvidas, o outro grande momento do filme (junto com a aparição do T-800).

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