Feliz 2010


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Retrospectiva 2009



Sem nenhuma pretensão de querer eleger os melhores filmes do ano, resolvi fazer aqui uma lista dos flmes que me marcaram em 2009 e gostaria de relembrar. Segue:

O curioso caso de Benjamin Button
Entra na lista porque só o vi este ano, apesar de tentar não colocar os óbvios candidatos ao Oscar em 2009. A fábula de David Fincher me comoveu e o trabalho de maquiagem e efeitos especiais está primoroso.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe
O filme mais maduro do bruxinho desagradou a muitos fãs pelos cortes e correria, mas eu gostei muito da direção de David Yates com takes maravilhosos. A expectativa para os dois últimos filmes (baseado no último livro) só cresce após relembrá-lo.

Watchmen
Uma das revistas em quadrinhos mais controversas chegou as telas com uma fidelidade incrível. Gosto muito da premissa de pessoas comuns que se fazem de heróis e são questionados quanto a legitimidade disso.

Star Trek
Se alguém dissesse que eu colocaria esse filme em meu Top no início do ano, eu não acreditaria. Apesar de sempre reconhecer a qualidade do roteiro da série clássica e ter me tornado fã desta, tudo o que veio depois me pareceu muito fraco. Principalmente os filmes. Este, porém, me surpreendeu porque conseguiu recriar em cima de um tema batido. Foi muito bom ver o novo começo da Enterprise.

9 - A salvação
Os bonequinhos de pano de Shane Acker foram uma das melhores surpresas que vi no cinema esse ano. A atmosfera me lembrou muito Wall-E, outro filme que me marcou bastante e a mensagem espiritualista do final é muito bonita.

À Deriva
Esse é o tipo de filme que gostaria que o Brasil investisse mais, bem conduzido, sem grandes pretensões nem bandeiras sociais. Heitor Dhalia construiu uma história simples e envolvente. Gostaria que não caísse no esquecimento.

Coração Vagabundo
Ok, até hoje não conferi Palavra Encantada, então, o melhor documentário musical deste ano repleto de filmes nesse gênero foi mesmo o de Caetano Veloso. Não necessariamente pelo cantor, mas pelo formato escolhido pelo jovem Fernando Grostein Andrade. Nada daqueles resgates biográficos já batidos. O acompanhamento de uma turnê, a intimidade de um ser, a voz ao comum que a premissa de um documentário tanto defende. Muito bom.

Deixe ela entrar
Este filme sueco conquistou boa parte dos cinéfilos que conheço, com sua poesia discreta. Uma bela metáfora sobre a infância e a perda da inocência. Merece ainda muito destaque. E como não poderia deixar de ser, Hollywood prepara uma refilmagem. Eu prefiro sempre o original.

Bastardos Inglórios
Quentin Tarantino conseguiu superar o roteiro de Cães de Aluguel e o impacto inovador de Pulp Fiction em minha opinião. Apesar da violência explícita me incomodar, não posso deixar de admirar e ser fã desse talento precoce que brinca com nossas emoções.

Avatar
Talvez a emoção ainda esteja recente e depois eu não ache que o filme é isso tudo. Mas James Cameron conseguiu me conquistar após meses de descrença total quanto a esta obra. Um marco que ainda quero rever antes de deixá-lo na prateleira da memória.

Menções Honrosas:
A princesa e o sapo
A volta da Disney aos contos de fadas com uma história tão bem construída merece destaque. A princesa e o sapo também é um destaque do ano e gostaria de relembrá-lo, mesmo que não seja no TOP oficial.

Os Filhos de João
Esse é o típico não vi, mas já gostei. O documentário do baiano Henrique Dantas foi destaque no Festival de Brasília e aumenta sua expectativa para o lançamento em 2010.

Gostaria de esquecer: Transformers 2 e Exterminador do Futuro - A Salvação - Dois filmes sem comentários.

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Julie e Júlia

Julie&JuliaJulie Powell e Julia Child. Duas mulheres, duas épocas, duas personalidades, uma única paixão: comer. Cozinhar veio como consequência de um hobby e de uma necessidade de fazer algo de útil. Enquanto Julia Child é uma mulher de um funcionário da área cultural do governo americano na França e se torna o símbolo de cozinha na América com um livro e um programa de culinária, Julie Powell é uma atendente de call center frustrada que resolve criar um blog contando sua aventura de preparar as 524 receitas deste livro em um ano.

Dificilmente Nora Ephron conseguirá fazer outro filme como Sintonia de Amor, ainda assim, Julie e Julia é um filme divertido e adorável, ainda que com clichês próprios do gênero. Meryl Streep e Amy Adams dominam suas personagens com grande talento e as tornam próximas do espectador. Fica até parecendo que é fácil cozinhar. Há cenas hilárias e algumas exageradas. Destaco a cena em que Julie tenta matar uma lagosta para prepará-la à termidor.

Baseado nos livros de Julie e Júlia, o roteiro é composto de forma inteligente para deixá-las ainda mais próximas. As duas histórias vão sendo contadas em paralelo e a caracterização de época está muito bem feita, o que ajuda na identificação das tramas.

Não é o melhor filme do ano, não é a melhor interpretação de Meryl Streep (duvido que ela vá ao Oscar dessa vez), não é o melhor roteiro de Nora Ephron, mas o filme cumpre o que se propõe. É adorável ver a trajetória dessas duas mulheres, suas lutas para vencer e realizar o próprio sonho. Uma comédia recomendada contra a depressão, hehe.


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Os dois filhos de Francisco

Dois Filhos de FranciscoRevendo ontem Dois Filhos de Francisco, confirmei o que tinha pensado no primeiro momento que o vi. O filme é muito bom enquanto os meninos são pequenos, interessante apesar de melodramático ao extremo com Zezé já grande e sem nenhum sentido em seu final. Breno Silveira conseguiu dosar bem a história de superação daquela família e Angelo Antonio incorporou de forma emocionante o sonho daquele pai simples, mas com uma fé imensa no talento de seus filhos.

Sem querer adiantar nenhum spoiler, todos já sabem o final da história, por mais que não gostem do estilo musical da dupla Zezé di Camargo e Luciano. Então, não vejo mal nenhum em declarar que o filme estaria muito bem terminando com a música É o Amor estourando nas rádios. Ali acaba bem a ficção, viria apenas a explicação em lettering sobre a continuação do sucesso e pronto. Alguém me explica porque aquele mini-documentário depois? A dupla verdadeira (não mais os atores) voltando à casa da infância, a foto em família, as cenas do show? Tudo isso poderia estar nos créditos, nos extras, jamais na continuação do longa. Ao colocar ali, o diretor quebra o ritmo, o clímax perde a força, fica a sensação na platéia de que a história já acabou e está enrolando. E, no caso de um filme, a última sensação é a que fica.

Independente disso, no entanto, a história dos dois meninos cantores é bem construída. A trajetória clássica de superação, a vida miserável, o vislumbre de sucesso, a tragédia, tudo se encaixa muito bem, emociona, envolve. Os atores são um destaque a parte, principalmente os pais Angelo Antonio e Dira Paes.

Quando Zezé cresce, perde-se um pouco da magia bem construída, o filme carrega um pouco mais no melodrama e tem sequências cansativas como quando ele conhece Zilú, as dificuldades de Luciano engravidando, casando e separando da mulher, além de algumas cenas em São Paulo antes de compor É o amor. Ainda assim, faz parte da história. E quando Francisco começa a comprar as fichas, a expectativa cresce novamente, deixando o final interessante, com exceção claro, do desfecho já comentado. A trilha sonora pode não agradar a todos, mas percam o preconceito e embarquem na trama.

DICA EXTRA
E pra finalizar, uma dica que li no Uol. Está disponível toda a Coleção Aplauso para ler e baixar na internet.  Roteiros de cinema, biografias e textos interessantes como A hora do cinema digital. Vale a pena.

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Dicas da Semana

Cinema
Lula, o filho do Brasil
Estreia sexta-feira o filme sobre a vida do presidente Lula e o diretor Fábio Barreto continua em coma induzido no hospital Copa D’Or em Copacabana, no Rio de Janeiro. Entre as polêmicas de ser acusado de eleitoreiro e boa recepção em Brasília, o filme deve atingir uma boa marca, principalmente pelo seu preço popular para sindicalizados.

Sinopse: O filme conta a história de um homem comum que nasceu em 1945 no sertão de Pernambuco pouco tempo após o pai sair para o mundo e tentar a vida em São Paulo, dona Lindu (Eurídice Ferreira de Mello) da a luz a seu sétimo filho que se chamaria Luiz Inácio Lula da Silva que logo criança recebe o apelido carinhoso de Lula.

Televisão
O diabo veste prada
Globo, 28/12 (segunda-feira) - 22:00
A Globo exibe na Tela Quente esse grande filme, estrelado por Meryl Streep baseado no best-seller da norte-americana Lauren Weisberger.

Sinopse: Uma jovem que acabou de sair da faculdade e conseguiu emprego como assistente de uma poderosa editora chamada Miranda Priestly, da revista Runaway, mas mal sabe a garota que Priestly é um terror: seu poder vai além da capacidade de levantar ou principalmente destruir a carreira de muita gente em Nova York.




O planeta dos macacos
TeleCine Cult, 02/01 (sábado) - 18:00
Clássico do cinema mundial, baseado na obra de Pierre Boulle, o filme estrelado por Charlton Heston marcou o cinema, teve uma refilmagem em 2001 e irá passar no TeleCine Cult. Quem ainda não viu, uma ótima oportunidade.

Sinopse: Três astronautas americanos acordam da hibernação e descobrem que sua espaçonave caiu em um planeta desconhecido, dominado por macacos e gorilas. Estes primatas são inteligentes e desenvolveram uma civilização própria, e vêem os humanos como uma espécie inferior. O austronata George Taylor (Charlton Heston) é capturado e, quando os macacos descobrem que ele pode falar, surge uma divisão entre os que querem matá-lo e os que vão defendê-lo. Mas ele ainda descobrirá coisas surpreendentes sobre o planeta.

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Grandes Cenas: A Noviça Rebelde

A Noviça RebeldeÉ impressionante como um filme de 1965 continua emocionando e despertando interesse até hoje. A Noviça Rebelde deve ser o filme mais reprisado em televisão no final de ano. Pode esperar que ele vai aparecer. É divertido, bem feito, fala de amor, de família, de valores esquecidos e tudo com muita música boa e marcante. A trajetória de Maria é bela e, em sua ingenuidade e pureza, conquista a todos. Por isso, escolhi falar hoje da mais clássicas de todas as cenas, vista e revista por diversas vezes: a cena, ou melhor, a sequência, em que ela ensina as crianças a cantar.

Por que essa sequência é clássica? Porque reúne uma boa música, a bela paisagem da Áustria, uma excelente cantora e sete afinados meninos em um clipe bem conduzido. Não há uma grande invenção cinematográfica, mesmo assim, a gente não se cansa de ver.

A Noviça Rebelde

Reparando o primeiro minuto da sequência, há apenas dois planos: Maria sentada no banquinho em plano fechado e um plano médio lateral dela com os meninos ouvindo. Quando eles aprendem a cantar e levantam, outros enquadramentos são acrescentados, acompanhando a dança e a movimentanção de cena. A brincadeira melhora quando eles já sabem cantar a primeira parte e Maria ensina a misturar as notas compondo melodias. Aí, há um jogo musical interessante, com cada criança representando uma nota musical e Maria conduzindo os jogos de primeira e segunda voz, mesclando três melodias diferentes. Quem nunca cantou ou dedilhou em um teclado essas músicas, atire a primeira pedra.

A trajetória é bonita e mágica, envolvente. A parte da carroça e a da escada são as que possuem a composição mais criativa e o agudo final de Julie Andrews empolga. Muito fofo para um dia de Natal. Revejam, pena que a cena que encontrei no Youtube está rediagramada, cortando as laterais.

"Do a dear a female dear Re a drop of golden sun Mi a name i call myself Fa a long long way to run Sol an neadle pulling thread La a note to follow so Ti a drink with jam and bread that will bring us back to Do

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Véspera de Natal

Feliz NatalMais uma véspera de Natal, listas intermináveis de filmes natalinos são possíveis de lembrar. Quase todos com mensagens positivas de Natal, utilizando a figura do bom velhinho e incentivando a confraternização entre os povos. Acredito que nenhuma história tenha incorporado tanto o espírito natalino quanto Um Conto de Natal de Charles Dickens. Publicado em 19 de dezembro de 1843, já teve diversas adaptações para o cinema, a mais recente com Jim Carrey.

A história do Sr. Scrooge, um velho ranzinza que recebe a visita de três fantasmas na noite de Natal (passado, presente e futuro) que mexem com seus paradigmas e o fazem repensar a vida. Muitos falam da hipocrisia humana de passar o ano inteiro de forma individual e em uma noite querer falar de amor e paz no mundo. Pode ser verdade, mas que bom que pelo menos temos um dia para fazer uma análise crítica de nossas atitudes e tentar mudar. Não podemos esquecer que o Natal é a celebração da vinda do Cristo à Terra. Independente das criações de dogmas e mitos, sua mensagem de amor é real. Pautar a nossa vida pelo "amai-vos uns aos outros como eu vos amei" pode parecer utópico, mas é o caminho evolutivo de todos nós.

Por isso, acredito que seja o momento de rever nossas atitudes e buscar estar hoje com quem gostamos, demonstrando nosso amor e nossa vontade de um mundo melhor, com a alegria que o Cristo nos deu. Ou para os não-cristãos, com a alegria que qualquer divindade ou crença possa nos trazer. O filme de Bill Murray de 1988, adaptado do mesmo conto tem uma linda mensagem final, pena que só a encontrei em inglês na internet, mas a mensagem é bem clara em relação ao espírito de Natal. As pessoas não deveriam estar na frente da televisão naquela noite, deveriam estar confraternizando com a família. Ele pede desculpas ao irmão porque ia dar uma toalha de presente, brinca com o elenco e se declara para a mulher Claire Phillips. Seu discurso final, falando da possibilidade das pessoas mudarem encanta até o garotinho, filho de sua secretária, que não falava. Para finalizar, todos cantam "Put a little love in your heart".



A todos, um Feliz Natal!

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500 dias com ela

500 dias com elaIsto não é uma história de amor, já nos avisa o narrador no início do filme, porque será que mesmo assim a gente insiste em achar que vai ver algo mágico acontecendo? 500 dias com ela é um filme diferente que mexe com o paradigma das comédias românticas. Gosto muito disso. O formato fragmentado do roteiro, comparando situações no ínicio, no meio e no fim do tal tempo estipulado no título é muito bom. Não fica preso a uma ordem cronológica que nos levaria a uma curva cansativa. Parte direto ao ponto, dando o seu recado e nos envolvendo na história.

Tom Hansen é arquiteto frustrado, que trabalha como escritor de cartões em um empresa. Romântico e inteligente, o rapaz é bom no que faz, tendo boas tiradas para aniversário, natal, dia dos namorados, etc. Em uma reunião, conhece uma garota e se encanta com ela. Quase 500 dias depois, ele analisa cada momento de sua vida com ela para tentar entender o que não deu certo. Brincando com o formato garoto conhece garota, garoto perde garota, garoto recupera garota, o filme constrói uma trama inteligente, leve e divertida, sem grandes pretensões.

Joseph Gordon-Lewitt e Zooey Deschanel estão muito bem nos papéis e combinam como casal, talvez isso aumente a expectativa de ficarem juntos. A gente fica sem entender como Summer não quer assumir o relacionamento, afinal ela parece tão feliz com Tom.

A estreia de Marc Webb na direção de um longa é bastante feliz. Sua experiência com videoclipes com certeza ajudou na construção do ritmo diferente e da trilha sonora condizente com a trama, utilizando pops como Belle & Sebastian, The Smiths, Regina Spektor e Carla Bruni.

500 dias com ela500 dias com ela tem cenas engraçadíssimas como quando Tom e Summer tem a primeira relação e ele sai cantando em um clipe surreal, ou mesmo quando se olha e vê Han Solo na televisão como se fosse um espelho. Há também algumas declarações de amor interessantes como de um amigo de Tom que fala que sua namorada é melhor que a mulher dos seus sonhos por ser real. E mesmo que não se proponha a isso, o filme traz também algumas reflexões psicológicas sobre relacionamentos e medos de compromisso. Para mim, foi uma grata surpresa.

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Avatar é mesmo impressionante

Aprendi com o trabalho publicitário que no mundo nada se cria, tudo se copia. Na verdade, é muito difícil ser original nessa tal pós-modernidade, onde tudo já foi experimentado, por isso, acho bobagem alguns protestos de plágio que surgem a todo momento. O grande desafio é construir algo novo, reorganizando referências. Avatar foi anunciado como a revolução cinematográfica do século, chegou a ser comparado com o impacto da exibição dos irmãos Lumière. Exageros à parte, James Cameron conseguiu criar um épico moderno e marcou a história do cinema, com elementos de diversas coisas que já vimos: Pocahontas, Matrix, Senhor dos Anéis, Guerra nas Estrelas... Temos, então, uma saga com mensagens ecológicas e antropológicas de grande impacto, que impressionam não apenas pela tecnologia levada ao extremo, mas, principalmente, pelo uso dado a ela.


AvatarO 3D é muito bem feito, mas está ali a serviço da história e do mundo criado por Cameron. Pandora é impressionante em sua riqueza de detalhes, lembrando a criação da Terra Média, com direito a língua nova, animais exóticos e geografias que desafiam a lei da gravidade. A história do filme é uma citação direta à regra de colonização utilizada pelos terráqueos em vários momentos da história. Em particular, lembra muito os espanhóis destruindo os Maias, Astecas e Incas em busca de ouro na América. Estamos em um futuro onde a Terra não tem mais verde e depende de uma fonte de energia encontrada em um planeta inóspito: Pandora, onde vive uma raça alienígena chamada Na´vi. É bem interessante ver as duas visões de colonização: a predatória, dos militares que só vêem o lucro, e a antropológica, em que cientistas estudam e tentam entender a civilização local. Critico apenas o filme não explicar exatamente a função da tal pedra que eles tanto querem.

AvatarO ar no planeta é tóxico para os humanos que têm que usar máscaras. Assim, a cientista Grace, vivida por Sigourney Weaver, cria a tecnologia Avatar, um ser híbrido que é controlado pela mente humana à distância. Entra aí a realidade virtual de Matrix e que está tão em voga nos tempos atuais. A explicação da ligação do povo Na´vi com o espírito de Eywa também é bastante condizente com a época, com ligações e redes neurais, dando um embasamento plausível para vários acontecimentos que irão se desdobrar durante a história sem parecer uma carta tirada da manga.

Em meio a tudo isso está Jake Sully, um ex-fuzileiro naval, paraplégico, que entra no programa Avatar para substituir seu irmão gêmeo, morto acidentalmente. Por ser diferente, ele acaba vivendo algo que nenhum outro humano pode vivenciar, um treinamento completo para se tornar parte da tribo local, uma tribo guerreira. A grande expectativa fica em saber o que ele fará no momento-chave do conflito. James Cameron criou um roteiro bom e envolvente. Quase não se sente o tempo passar. A única escorregada é no desfecho do vilão, o quase imortal Coronel Quaritch, que se torna exagerado, incômodo e sem necessidade diante de tudo que havia sido visto.

O embasamento da trama e do mundo onde ela se insere é profundo e isso torna a tecnologia apenas uma ferramenta para contar a história. O que é bom. Nem por isso, ela deixa de chamar a atenção. Além de toda a construção em computação do cenário de Pandora, dos bichos e da maquiagem dos Na´vis, o 3D é um fenômeno de imersão. Nas primeiras cenas, a gente fica percebendo cada detalhe, depois torna-se tão parte do todo que nos acostumamos, mas sem nunca deixar de impressionar. Há uma cena em um auditório que o contra-plano faz com que nos sintamos lá dentro de tão bem feito que é a profundidade. Em outro, chega a dar vertigem com a altura dos cenários. Os movimentos de câmera foram pensados para descobrirmos esse mundo fantástico de Pandora aos poucos, com os olhos do protagonista. Isso tudo dá um charme ainda maior.

Avatar

Com todos os prós e contras, James Cameron conseguiu, pelo menos em minha opinião, atingir seu objetivo e escrever seu nome definitivamente na história.Um filme para ver e rever.

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Curta brasileiro “Shellfish”

E já que hoje era dia de falar de cinema nacional, gostaria apenas de compartilhar aqui um curta em animação muito legal que descobri essa semana. Foi o trabalho de conclusão do curso de Design Gráfico na FAAP do brasileiro Pedro Vergani. Uma animação simples, mas com um roteiro bem sensível.


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Dicas da Semana

Peço desculpas por não estar atualizando o blog todos os dias. Esse mês de dezembro está sendo bem corrido para mim. Acabei deixando de comentar o especial Cinema de Artista com Fernando Meirelles no MAM. Sábado teve um bate-papo com o diretor seguido da exibição de Cidade de Deus, domingo foi a vez de Ensaio sobre a Cegueira e a versão para cinema de Som e Fúria. Mas, até o dia 30 continuarão tendo sessões gratuitas com obras do diretor no local, inclusive o rolo de filmes publicitários. Vale conferir.

DVD
Anticristo

O polêmico filme de Lars Von Trier já está disponível em DVD. Acho apenas questionável que a categoria que as locadoras estão colocando no filme seja "terror", muita gente pode locar achando que vai ver um Sexta-Feira 13.

Sinopse - Um casal devastado pela morte de seu único filho se muda para uma cabana isolada na floresta Éden, onde coisas estranhas e obscuras começam a acontecer. A mulher é uma intelectual escritora que não consegue se livrar do sentimento de culpa pela morte do filho, e ele, um psicanalista, tenta exercer seu meio de trabalho para ajudar a esposa. Anticristo é divido em partes: Prólogo e Epilogo e ainda capítulos que se passam na floresta de Éden: Dor, Luto, Desespero e Os três Mendigos.

Televisão
Semana de natal, as televisões estão repletas de clássicos e bons filmes. A dica é olhar a sessão da uol com a lista. Gostaria de destacar apenas um:

Conduzindo Miss Daisy
24/12 - TeleCine Cult - 16:45

Uma boa época para rever esse sensível filme de Bruce Beresford, com Jessica Tandy e Morgan Freeman em belas interpretações.

Sinopse: Nos anos 50, Miss Daisy (Jessica Tandy), uma senhora judia viúva, já não consegue dirigir, mas se recusa a admitir o fato. Por isso, quando seu filho lhe contrata um motorista, Hoke (Morgan Freeman), ela resiste em aceitar os serviços do novo empregado. Mas aos poucos Hoke ganha seu espaço, bem como a confiança e a amizade da senhora. O filme cobre vinte e cinco anos deste relacionamento, durante os quais os dois se ajudam, dividem sofrimentos (como o preconceito) e superam suas diferenças. O filme recebeu nove indicações ao Oscar (1989), ganhando os de Melhor Filme, Atriz (Jessica Tandy), Roteiro Adaptado e Maquiagem. Jessica Tandy e Morgan Freeman também foram premiados no Festival de Berlim (1990).

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Brad Pitt para relembrar

Brad Pitt completou ontem 46 anos. Apesar de ser considerado um dos homens mais bonitos do mundo, sempre procurou papéis em que a interpretação fosse o destaque. Um ator que se reinventa e já fez de tudo um pouco. Por isso, segue aqui um ranking dos seus melhores papéis para relembrar.


Clube da Luta - Tyler Durden é um homem misterioso, repleto de idéias controvérsias e com uma carga dramática incrível. O ator teve que se submeter a um laboratório psicológico para encarar o criador do Clube da Luta e toda a sua descarga emocional. Um dos personagens mais profundos e marcantes de sua carreira. 

Seven - Outro personagem com uma carga emocional profunda. O detetive David Mills é um jovem impetuoso que acredita que pode limpar o mundo do crime, mas vai ter que encarar seus próprios medos e fantasmas ao investigar um serial killer diferente.

Os Doze Macacos - Aqui, Pitt não é protagonista, mas roubou a cena com seu esquizofrênico Jeffrey Goines, líder de uma gangue entitulada os doze macacos. Suas teorias sobre a humanidade são desconcertantes.

Queime depois de ler - Outro em que não é protagonista, mas que tem cenas hilárias como Chad Feldheime, um instrutor de academia meio tonto e atrapalhado que quer dar um golpe no personagem de John Malkovich. 

O curioso caso de Benjamin Button - Um dos filmes que mais exigiu do ator, vivendo todas as fases de um personagem de forma inversa. Dizem que a caracterização ajuda na interpretação, imagine então, como é interpretar uma criança em um corpo velho e um velho em um corpo juvenil?

Entrevista com o vampiro - Quando Anne Rice soube da escalação do filme, ela quase implorou para que Tom Cruise e Brad Pitt trocassem de papel. Isso porque acreditava muito mais da interpretação do segundo para seu personagem favorito, o Lestat. A mudança não ocorreu e ambos fizeram seus vampiros muito bem. Louis é um poço de depressão e carga negativa, muito bem defendido por Pitt.

Bastardos Inglórios - Como o Tenente Aldo Raine, Brad Pitt protagonizou uma das cenas mais engraçadas de Bastardos Inglórios, quando pensa que está falando italiano. Um bom personagem de um excelente filme que não poderia ficar de fora da lista.

Snatch - Porcos e diamantes - Mickey O'Neil é um cigano irlandês que gosta de lutar boxe sem luvas e é dono de um soco espetacular. Sua caracterização é única e suas cenas são hilárias, pois ninguém entende o que ele fala, principalmente depois das lutas, quando está com a boca machucada.

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Adeus a Jennifer Jones

Jennifer Jones faleceu ontem em Londres aos noventa anos. Estrela dos anos 40 e 50, Jones ganhou um Oscar por "A Canção de Bernadette" e foi uma das atrizes mais queridas de Hollywood.

Ao lado de William Holden, protagonizou uma das mais famosas histórias de amor do cinema: Suplício de uma Saudade. Sua personagem Han Suyin, é uma médica eurasiana que se apaixona por um correspondente de guerra americano em Hong Kong durante a guerra da Coréia. O amor é uma coisa maravilhosa, já diz a letra da música que marcou o filme, mas como o título em português lembra, há muito suplício nessa bela história cheia de impedimentos para se realizar. Revê-lo é uma ótima homenagem à atriz.

Filmografia:
* Adeus às armas, A farewell to Arms, 1957
* A Canção de Bernadette, The song of Bernadette, 1943
* Desde que partiste, Since you went away, 1944
* Duelo ao sol, Duel in the sun, 1946
* A Fúria do desejo, Ruby Gentry, 1952
* O Homem de terno cinzento, The man in the gray flannel suit, 1956
* Perdição por amor, Carrie, 1952
* Quando a mulher erra, Stazione Termini, 1953
* A Sedutora Madame Bovary, Madame Bovary, 1949
* Suave é a noite, Tender is the night, 1962
* Suplício de uma saudade, Love is a many-splendored thing, 1955

Por fim, coloco aqui a última cena do filme. Quem não o viu e não quiser estragar a surpresa, não clique no vídeo.

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Expectativa para Avatar

Amanhã estreia o filme de James Cameron que está sendo anunciado como um marco cinematográfico pelos efeitos e por ser o mais caro de todos os tempos. Engraçado que ontem arrumando minhas revistas Set antigas me deparei com uma capa de O Exterminador do Futuro 2 com o seguinte título: Filme mais caro da história. Este, para quem não sabe, foi o primeiro filme de destaque do diretor. Ele ainda carrega em seu currículo outras duas marcas financeiras, o primeiro a atingir o custo superior a 100 milhões de dólares em True Lies (1994) e mais tarde alcançou mais de 200 milhões de dólares em Titanic (1997).

Avatar bate na casa dos US$ 500 milhões (entre produção e marketing), ou seja, seria o maior custo de um filme da história. Outra inovação de Avatar é que será o primeiro filme 3D com legendas, resolvendo um problema para muitas pessoas. A crítica tem elogiado bastante e alguns blogs pessoais como o de Fred já começam a confirmar o sucesso. Então, segue um making of para vocês.

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Dicas da Semana

Cinema
Avatar
Todas as expectativas são para o lançamento do longa de James Cameron, o mais caro da história, que promete revolucionar o cinema 3D. Eu, sinceramente, não estou colocando tanta fé no eterno diretor de Titanic. Aliás, esse chamariz no cartaz é outro contra-senso, afinal o meloso naufrágio não tem o mesmo público de um filme como esse. Por mais que tenha sido o último do diretor, melhor seria lembrar que este foi o diretor de Exterminador do Futuro 2, o melhor da série. De qualquer forma, é uma opção a ser conferida. Enquanto não chega sexta-feira, indico o especial do Uol e do Omelete.

Sinopse: No futuro, Jake Sully (Sam Worthington) é um ex-militar paraplégico que é levado a outro planeta, Pandora, habitado pelo povo Na vi, raça humanóide com língua e cultura próprias. É nesse lugar que ele lutará pela própria sobrevivência e pela vida dessas estranhas criaturas.


Televisão
Memórias de uma Gueixa
Telecine Light - Segunda-feira: 14/12 - 19:15
Excelente filme de Rob Marshall, com um realismo incrível em relação à cultura japonesa, sem preconceitos ou estereótipos.

Sinopse: Em 1929, Chiyo (Suzuka Ohgo) é uma menina pobre vendida a uma casa de gueixas, na cidade japonesa de Kyoto. Logo, ela começa a ser maltratada pelos donos e também pela principal gueixa, Hatsumomo (Gong Li), invejosa de sua beleza natural. Até que Chiyo é acolhida pela maior rival de Hatsumomo, Mameha (Michelle Yeoh). Sob sua tutela, Chiyo torna-se a gueixa Sayuri (Ziyi Zhang). Reconhecida, ela passa a fazer parte de uma sociedade cheia de riquezas, privilégios e intrigas, até que a Segunda Guerra Mundial abala o Japão.



O Escafandro e a Borboleta
Cinemax - Quinta-Feira: 17/12 - 23:35
Premiado filme de Julian Schnabel, trata com sensibilidade o drama de um homem e sua capacidade de superação.

Sinopse: Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) tem 43 anos, é editor da revista Elle e um homem apaixonado pela vida. Mas, subitamente, tem um derrame cerebral. Vinte dias depois, ele acorda. Ainda está lúcido, mas sofre de uma rara paralisia: o único movimento que lhe resta no corpo é o do olho esquerdo. Bauby se recusa a aceitar seu destino. Aprende a se comunicar piscando letras do alfabeto e forma palavras, frases e até parágrafos. Cria um mundo próprio, contando com aquilo que não se paralisou: sua imaginação e sua memória.



DVD

Intriga Internacional
O clássico de Hitchcock está fazendo 50 anos e ganhou uma edição dupla comemorativa, repleto de extras. Além do filme remasterizado, com opção de versão comentada pelo roteirista Ernest Lehman, tem um segundo disco com "O Retoque do Mestre: O Estilo Típico de Hitchcock"; "Cary Grant: Uma Outra Classe"; "Destino Hichcock: O Making of de 'Intriga Internacional'"; "'Intriga Internacional': Um Filme Para a Posteridade";"Galeria de Fotos"; "Trailers e Spots de TV"; "Um Tour Guiado Por Alfred Hitchcock" e "Trailer de Cinema".

Sinopse: Cary Grant interpreta um publicitário de Manhattan envolvido numa trama de espionagem por James Mason e uma contra-espiã (Eva Marie Saint). O personagem é seqüestrado, acusado de assassinato, caçado e, numa inesquecível seqüência, perseguido por um avião.

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Espiritismo em alta no cinema

Chico XavierFilmes espiritualistas existem aos montes por aí, mas um filme espírita, explorando a doutrina codificada por Allan Kardec, pode-se contar nos dedos. Se formos analisar sua qualidade, então, é ainda mais complicado, vide o longa sobre o médico Bezerra de Menezes. Assim, cresce a minha expectativa com a notícia de cinco filmes com temas em torno do médium Chico Xavier previstos para 2010.

A cinebiografia, dirigida por Daniel Filho já está sendo bastante difundida e tem previsão de estreia para abril do próximo ano. O teaser trailer é interessante, principalmente pela caracterização do ator Nelson Xavier. Resta saber se o diretor tão polêmico por seu estilo televisivo conseguirá um bom resultado. Produzido pela Globo Filmes, o longa descreve a trajetória do mineiro da cidade de Pedro Leopoldo que, em seus 92 anos, psicografou 419 livros. O elenco terá ainda Paulo Goulart, Christiane Torloni e Tony Ramos.


Já havia lido, também, algo sobre os documentários As Cartas, de Cristiana Grumbach, e As Mães. Os filmes são sobre as milhares de cartas psicografadas pelo médium e parecem ser bem interessantes. Além disso, as duas ficções baseadas em dois livros de André Luiz chamaram a minha atenção. Nosso Lar e A Vida Continua já foram adaptadas para peça teatral e narram a vida no mundo espiritual, coisa que o cinema pouco fez. A maioria dos longas mostra espíritos errantes, circulando pelo mundo dos encarnados seja para o bem ou para o mal. As exceções ficam por conta de Amor Além da Vida, com um mundo espiritual simbólico, e Um visto para o céu, uma comédia que brinca com um mundo burocrático do outro lado.

Nosso Lar Levar para as telas as teorias espíritas, com toda a complexidade de um desencarne, das diversas esferas espirituais e o caminho da evolução deixa a maioria dos espíritas ansiosos por ver o resultado. Temo apenas pela mistificação ou pela condução cinematográfica. Tema e argumento, eles têm nas mãos para construir uma bela obra.

O Brasil é atualmente o país com maior número de adeptos ao espiritismo. Apesar da doutrina ter surgido na França, foi aqui que ela floresceu e tomou corpo, principalmente por sua vertente da caridade. Não é de se espantar que, então, sejamos nós os primeiros a produzir filmes espíritas. Resta saber se a qualidade deles será boa o suficiente para chamar a atenção do mundo. Torço para que sim.

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Escritores da liberdade

Escritores da LiberdadeHá filmes e filmes. Não se assustem com a filosofia barata, mas é que após assistir na aula ontem o primeiro longa dirigido por Richard LaGravenese tive que pensar em como abordá-lo aqui. Se já o conhecesse dia 15 de outubro, teria indicado como exemplo de docência, porque mais do que um filme, é uma lição de vida, digna dos textos de Paulo Freire. Não que como obra cinematográfica seja ruim. É bem produzido, com enquadramentos clássicos e uma edição eficiente, cumprindo seu papel. Como diria um antigo chefe meu: "o filme é honesto". Hilary Swank dispensa comentários, com pouca experiência, tal qual a personagem, essa moça já conseguiu conquistar seu lugar no hall de estrelas com interpretações maravilhosas. Os garotos também cumprem bem o seu papel, protagonizando cenas emocionantes, mas Patrick Dempsey é quase um figurante de luxo fazendo a mesma expressão de maior abandonado da série Grey's Anatomy.

Bom, dada a impressão fílmica, preciso me ater ao tema. A história, a princípio, parece mais uma da leva "professora com turma problemática que, com um método diferente, consegue colocá-los na linha". Não é. Escritores da Liberdade é baseado em uma história real e traz uma reflexão profunda sobre a arte de ensinar e de como não perder a esperança.

Escritores da LiberdadeErin Gruwell está em seu primeiro ano como professora de uma escola corrompida pela violência e tensão racial. A maioria dos dirigentes e professores locais, não acreditam que algo de bom possa sair de sua turma e que a tendência natural é que eles larguem o colégio aos poucos. Gruwell é a única a acreditar na inserção social e na capacidade de cada ser humano ali presente e, aos poucos, vai conquistando-os. Em meio ao processo, ela tem a idéia de fazê-los escrever um diário, contando suas vidas e percebe que as dificuldades são muito mais profundas do que a aparência.

Todo ser humano é um crente por natureza. Faz parte da nossa essência ter esperança. Sem ela, como levantar todos os dias para enfrentar os problemas diários? Sem sonhos, como seguir em frente? O problema apresentado no filme é cruel e bastante palpável, vide a maioria das escolas públicas do nosso país. Como ensinar a um ser humano desacreditado, que não tem nem mesmo as necessidades básicas satisfeitas? Crer e lapidar o valor que existe dentro dele tem que ser o início.

O filme expõe o problema de uma maneira muito verdadeira e faz pensar. Mostra que a vítima da sociedade não deve simplesmente se acomodar e que sempre existe uma solução, basta que alguém acredite nela. O problema racial também é bem conduzido, ao comparar a situação dos negros americanos com os judeus na Segunda Guerra. A identificação é sutil e interessante. Principalmente, se levarmos em conta a história da humanidade. Todas as raças já foram escravas em algum momento. Os próprios negros egípcios eram faraós com judeus como escravos. Os romanos escravizavam outros povos, sem distinção de raça. A senhora G, como a professora é chamada pelos alunos, mostra que todo ser humano é igual e já sofreu em algum momento da vida. Para mudar essa situação, é preciso acreditar em si mesmo. Por mais utópico que pareça, todo ser humano merece alguém que acredite nele. Um filme fundamental para quem quer pensar o ser humano. Como diria Cristovam Buarque, um país se faz com educação.

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Baixa produção, alta bilheteria

A Bruxa de BlairO site Vírgula fez uma lista dos dez filmes com menor custo que deram mais bilheteria. Vale a pena olhar todos os links, mas aqui resolvi falar apenas do fênomeno que aparece em primeiro lugar: A Bruxa de Blair. Com apenas $35.000, o filme virou fenômeno e arrecadou $248.300.000. Precisa dizer mais?

Um filme como Atividade Paranormal já não é mais novidade, porém, em 1999 ninguém poderia imaginar algo como A Bruxa de Blair. Daniel Myrick e Eduardo Sánchez tiveram uma ideia genial, tornando a publicidade do longa um viral sem precedentes na história. Foi lançado na internet a notícia de que três estudantes haviam se perdido em uma floresta e que uma fita foi encontrada um ano depois. Os atores ficaram escondidos e o boca a boca começou alardeando que seria tudo real. A produção foi barata exatamente pela proposta, três atores, uma floresta (não foi preciso gastar com cenários) e duas câmeras caseiras. Então, podia tremer, podia chuviscar, todos os defeitos o tornavam ainda mais real.


O filme é feito com um cuidado extremo em não aparecer nenhum efeito especial. Todo o suspense é feito com barulhos estranhos e a interpretação dos três. Bastante crível, o que o tornou um potencial material de marketing. A tensão é crescente, e começamos a nos envolver com o terror daquelas três pessoas. Mesmo a casa da bruxa é muito bem construída e a forma como a câmera corta na parede, vendo apenas um dos garotos amarrados é impactante. Muita gente viu e jurou que era real.

O sucesso foi tanto que eles tiveram a idéia besta de lançar um A Bruxa de Blair 2. Nesse caso, um filme tradicional, cheio de "defeitos" especiais e uma história muito mal construída. Jovens bruxas consegue ser infinitamente melhor.

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Nem princesa, nem sapo

A Princesa e o SapoDesde que a Pixar lançou no mercado Toy Story, os estúdios Disney entraram em crise. Acreditando erroneamente que a tecnologia era mais importante que a narrativa, seus poucos filmes não tinham alma, quase fechando o maior símbolo infantil de todos os tempos. Após algumas parcerias com sua antiga algoz, chega aos cinemas mais um conto de fadas digno dos bons tempos: A princesa e o sapo.

Reunindo duas fábulas de forma criativa: "o príncipe sapo" e "a cigarra e a formiga", o longa conta uma história envolvente e divertida, cheia de magia e final feliz (ops, não é spoiler, afinal, já disse que é um conto de fadas). Uma polêmica antes do seu lançamento quis tornar este uma questão racial, já que pela primeira vez traz uma protagonista negra. Após ver o filme, acredito que as reivindicações são ainda mais infundadas. Primeiro porque Tiana não é uma princesa que vira sapo. É quase um sapo que vira princesa, mas não vou entrar muito nos detalhes para não entregar o filme.

O que vemos na tela é uma modernização e atualização dos contos de fadas, independente da cor de sua protagonista. As narrativas clássicas seguiam padrões típicos de personagens, com mocinhas ingênuas que precisavam ser salvas pelo príncipe forte e galante. O mundo mudou, a mulher evoluiu, conseguiu impor seu papel na sociedade e dicilmente uma garota iria se identificar com uma Branca de Neve. Sendo assim, Tiana é uma jovem corajosa e trabalhadora que quer vencer na vida pelo seu próprio esforço. Ela só precisa aprender, como muitas feministas por aí, que a vida não é só responsabilidades, mas também um pouco de diversão. É aí que entra a moral do conto da cigarra e da formiga. É preciso trabalhar muito para se preparar para o futuro e atingir seus sonhos, mas um pouco de música faz bem, não?

Já o príncipe Naveen não é um primor em altivez. Boêmio, só pensa em curtir a vida, e também precisa aprender a ter responsabilidades. Essa quebra de padrão não-maniqueísta também é típica das narrativas modernas. Todos temos qualidades e defeitos, isso faz de um personagem mais complexo, realista e interessante.

Agora, independente da época, quem não sonha com um encanto que resolva todos os nossos problemas? Nisso, o filme brinca com a inversão do conto do príncipe sapo, já que, ao beijá-lo, Tiana vira um sapo (ou seria rã?) gerando situações engraçadas com seus dois novos amigos, um vagalume apaixonado por uma estrela e um jacaré que sonha em tocar numa banda de jazz. Aliás, o jazz e a ambientação em Nova Orleans, seu berço, embalam a trilha sonora e dão uma dinâmica especial a todo o filme.

O filme é divertido e digno dos antigos clássicos, nos fazendo sonhar com o pé no chão. Afinal, apesar de toda a magia do sonho, ninguém tem um botão mágico para resolver nossos problemas. Pegando carona no tema, a nova moda é jogar um sapo nos casamentos em lugar do tradicional buquê. Coitados dos bichinhos...

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Zico, o filme

Zico, o filmePeço licença a todos para fazer hoje uma homenagem a meu pai, flamenguista fanático, que ontem comemorou o hexa campeonato brasileiro do Flamengo. Desculpem as outras torcidas, mas não vou sair do tema, vamos falar de cinema. Maior torcida do Brasil, o Flamengo já foi registrado por diversas lentes, principalmente pelo Canal 100 e sua tradicional música, que virou símbolo da Era Zico ("que bonito é..."). Alguns documentários foram feitos, como Heróis de uma nação e Flamengo Paixão e o maior ídolo do time, Zico, também já foi tema de alguns, além de estrelar a fraca ficção Uma aventura do Zico.

Querendo esquecer que um dia assisti a essa requentada comédia sessão da tarde, prefiro falar do docudrama de Eliseu Ewald. O filme mescla imagens reais com encenações de passagens da vida do jogador, que é interpretado por Cláudio Fontana. O resgate histórico é válido, apesar de, em muitos momentos, ficar semelhante ao programa da Rede Globo Por toda a minha vida. Mas, tudo é válido para quem gosta de futebol, não apenas flamenguistas. Zico foi um ídolo nacional, como jogador e como exemplo de pessoa íntegra e que lutou muito para chegar ao topo.

Claudio Fontana em Zico, o filmeO filme conta a trajetória do ídolo, destacando tanto momentos de glória quanto problemas e decepções. E a progressão dramática é forte, apesar da atuação fraca do elenco. O roteiro soube mesclar as dificuldades iniciais em Quintino, a chegada no Flamengo, as vitórias, as derrotas, a não-convocação para Olimpíadas, e a morte de um amigo, com a paixão rubro-negra. Há muitas belas jogadas e partidas históricas.

Eliseu Ewald até hoje só apresentou documentários de pouco destaque, mas consegue ser correto em suas escolhas. Em Zico, ele demonstra falta de maturidade, principalmente nas cenas ficcionadas, porém, coerente. Apresenta um filme que vale mais pelo seu valor histórico que por suas características fílmicas, ainda assim, um clássico para qualquer rubro-negro.

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Dicas da Semana

Cinema

Abraços Partidos
Abraços Partidos
Almodóvar volta aos cinemas tendo Penélope Cruz mais uma vez como sua protagonista nesse melodrama que foi inspirado em uma crise pela qual passou.

Sinopse: Um homem escreve, vive e ama na escuridão. Quatorze anos antes, ele sofreu um acidente de carro na ilha de Lanzarote, perdendo a visão e a mulher de sua vida. Esse homem usa dois nomes: Harry Caine, pseudônimo lúdico com o qual assina trabalhos literários, histórias e roteiros, e Mateo Blanco, seu nome verdadeiro, com o qual vive e assina os filmes que dirige. Depois do acidente, Mateo Blanco se reduz ao pseudônimo e passa a viver graças aos roteiros que escreve e à ajuda que tem de Judit García, sua fiel produtora, e do filho dela, Diego, seu secretário, datilógrafo e guia. Certa noite, Diego sofre um acidente e Harry se encarrega de cuidar dele. Durante os primeiros dias de convalescença, Diego pergunta a Harry sobre a época em que respondia pelo nome de Mateo Blanco e descobre o que houve 14 anos antes. A história de Mateo, Lena, Judit e Ernesto Martel é dominada por fatalidade, ciúmes, abuso de poder, traição e culpa. Uma história emocionante e terrível, cuja imagem mais expressiva é a fotografia de dois amantes se abraçando, rasgada em mil pedaços.

É Proibido Fumar
É proibido Fumar
Grande vencedor do Festival de Brasília, o novo filme de Anna Muylaert, com Glória Pires e Paulo Miklos já está em todos os cinemas do país.

Sinopse: Perto de fazer 40 anos, Baby vive só no apartamento que herdou da mãe, dando aulas de violão para alunos desinteressados, disputando com as irmãs cacarecos de família, e fumando um cigarro atrás do outro. Quando Max, músico que vive de tocar sambão em uma churrascaria, se muda para o apartamento vizinho, ela lembra que a vida pode ser mais interessante. Por amor, enfrentará uma luta desesperada contra o cigarro, sem saber que uma ameaça muito maior à sua felicidade a espera na esquina.




Televisão

Queime depois de Ler
Queime depois de Ler
Terça-feira, 08/12 - Telecine Pipoca, 18:25
Comédia surreal bem ao estilo dos irmãos Coen.

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Sinopse:
Osbourne Cox (John Malkovich) é um agente da CIA expulso da agência que escreve suas memórias contendo detalhes reveladores. Mas o CD no qual o texto está escrito cai acidentalmente nas mãos de dois confusos e atrapalhados funcionários de uma academia de ginástica (Frances McDormand e Brad Pitt), que tentam faturar uma grana em cima das informações que conseguem.


DVD

Tempos de Paz
Tempos de Paz
Chega as locadoras o filme de Daniel Filho baseado na peça de Bosco Brasil.

Leia a crítica

Sinopse: Final da 2ª Guerra Mundial. No Brasil, o governo de Getúlio Vargas liberta presos políticos ao mesmo tempo em que recebe milhares de imigrantes europeus. Neste contexto, acontece o embate entre o chefe da imigração na Alfândega do Rio de Janeiro e um polonês. Enquanto Segismundo (Tony Ramos) tem a obrigação de evitar a entrada de qualquer ameaça no país, Clausewitz (Dan Stulbach) terá que usar todas as técnicas de convencimento para ficar na nova pátria. Um eletrizante clima de suspense rege o confronto: de um lado, um homem que teve seu país devastado e família dizimada e cuja última esperança é se tornar brasileiro. Do outro, um oficial do serviço de imigração duro e maltratado pela vida, incapaz de entender as repentinas mudanças no mundo à sua volta e ainda ameaçado pela libertação de algumas de suas antigas vítimas de tortura. Quem vencerá esta nova batalha?

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A delicadeza de um documentário

A jornalista Luciana Burlamaqui acaba de lançar seu primeiro longametragem Entre a luz e a sombra, um documentário que retrata a história da atriz Sophia Bisilliat como voluntária social em presídios e a relação que se formou entre ela e dois detentos que se tornaram uma famosa dupla de rappers - a 509-E, formada por Dexter e Afro-X, aquele mesmo que casou com Simony. O filme estreou em SP e BH no dia 27/11, já no RJ a estreia será hoje, 04/12. Nas demais capitais ainda não tem previsão, o que me deixou com uma curiosidade imensa. Por tudo que já li e vi achei bastante interessante, tanto o argumento quanto a abordagem. Segundo a produção, ele "investiga a violência e a natureza humana a partir da história de três personagens que tiveram seus destinos cruzados no complexo Carandiru, considerado até então o maior presídio da América Latina". E as temáticas da prisão, crime, violência, reintegração social extrapolam para o encontro de classes sociais distintas e as mais difusas contradições do ser humano na busca de seus ideais".


Agora, pesquisando sobre o assunto, descobri que nem todos estão satisfeitos. Dexter, um dos músicos retratados, conta em seu blog o porquê de estar chateado com o documentário. Uma situação extremamente delicada. Um documentário feito com pessoas que se dispõem a expor suas vidas às câmeras em favor de uma história tem sempre dois lados. Primeiro, é importante frisar que é um filme e o diretor tem a palavra final sobre a obra e sua abordagem. Ele não tem obrigação de exibir o produto para aprovação das pessoas entrevistadas, o corte final é dele, pois o trabalho é dele. Por outro lado, há a questão de lidar com a vida daquelas pessoas que estamos expondo e é sempre educado ter o cuidado de levar o retorno. Agora, como eu disse, não posso julgar, afinal, não conheço os bastidores e Luciana pode ainda ter a intenção de levar o filme até Dexter.

Em seu filme, O Fim e o Princípio, Eduardo Coutinho dá uma verdadeira aula sobre como se fazer um documentário. Ele vai até uma pequena vila no Nordeste, entrevista as pessoas, depois volta com o filme pronto que é exibido em praça pública e ele coloca isso no corte final a ser comercializado. É uma demonstração extrema de respeito àquelas pessoas que cederam suas imagens. Agora, tudo se resolve com acertos anteriores. No caso de "Entre a luz e a sombra" não sei o que ficou acertado, nem o que foi explicado aos entrevistados para gerar essa revolta. Lamento apenas, que os documentários brasileiros ainda tenham esse tipo de polêmica em voga, vide o caso do filme Alô, Alô, Terezinha!

Está em toda a imprensa atualmente o processo que algumas chacretes estão movendo contra o diretor Nelson Hoineff por considerar que houve manipulação de imagem para reforçar o estigma de que as moças eram uma espécie de prostitutas de luxo. Mais uma vez, não posso saber o que aconteceu nos bastidores, como foi o acerto entre diretor e entrevistadas, ou mesmo se houve alguma manipulação. Vi o resultado do filme e não achei que tenha tido algo tão forte. Em vários momentos elas afirmam que não eram prostitutas, apenas a índia Potira fala que saía com os homens. Agora, o filme realmente foca muito mais na trajetória de apogeu à decadência das chacretes do que no próprio Chacrinha. Talvez, fosse educado explicitar a intenção aos entrevistados.

Em toda essa polêmica, bem fez Henrique Dantas, recém premiado no Festival de Brasília. Após uma longa e bela entrevista com Baby do Brasil, a cantora se arrependeu ou sei lá o quê, e disse que não autorizava a inclusão no filme. Ele tentou várias negociações, mas todas em vão. Resultado, Filhos de João ficou sem as imagens da única representante feminina do grupo Novos Baianos e ainda veio a explicação nos créditos. Ficou feio para ela, que perdeu uma ótima oportunidade de participar da festa. Por isso, lembrem, ao fazer um documentário conversem muito com seus entrevistados, deixem tudo muito claro, inclusive que a versão final do filme é sua, não deles. Afinal, eles são seus protagonistas e também merecem consideração e respeito.

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Fama

1980, um filme é lançado e marca o boom de musicais adolescentes com sonho artístico iniciado com Embalos de Sábado a Noite. Fama e sua música tema povoaram o imaginário popular, virando até propaganda e, dois anos depois, uma série de televisão. Era o auge da discoteca e tudo estava propício para aquela história. O sucesso foi tanto que Irene Cara fez vários shows e gravou a música tema de Flashdance graças ao seu papel como Coco. Hoje, os tempos são outros, estamos meio saturados de musicais e a sensação dessa nova versão de Fama é mais do mesmo. Aliás, refilmagens já são complicados por si só. E a refilmagem deste tem um problema extra: os dramas dos alunos são mais vazios. Apesar da roupagem moderna, do eletrônico e do rapper, o filme não tem consistência.

Não digo que a primeira versão seja excepcional. Ela foi um marco e a música Fame é um ícone eterno. Mas a história não nos prende, são muitos personagens de igual peso, costurando várias esquetes. Não há um "herói", um clímax apoteótico, uma superação extrema. Mesmo a apresentação final é morna. Talvez se a música mais famosa fosse ali exibida, causasse maior impacto, até por sua letra com a promessa de vencer na vida. Por isso, acredito que o clipe remasterizado da nova versão, seja o melhor momento de todos. E é só um clipe, não se empolguem, não está no filme.



A história de Fama é múltipla. Acompanhamos vários jovens que ingressam em uma faculdade de artes em Nova York. Dança, canto, interpretação e instrumentos. São várias as modalidades e as histórias de vida. Engraçado que nas duas versões, apesar de alguns temas-base, apenas a personagem da bailarina loira e rica é repetida, com algumas pequenas alterações. Os demais personagens são completamente diferentes. É quase um Fama 2 em vez de uma refilmagem. E apesar da roupagem mais bonitinha, o filme consegue ser mais vazio, sem tanta profundidade nos dramas pessoais. Há também, nesse segundo, uma leve tendência a colocar a personagem de Naturi Naughton como protagonista, em uma trama muito semelhante a Mudança de Hábito 2, a garota talentosa que esconde seu talento, porque sua família não quer. Mas, a tentativa é tímida e a confusão de personagens e esquetes continua, não nos fazendo criar uma identificação com os personagens. Vira uma espécie de High School Musical. A idéia original não era bem essa.

Mesmo com problemas, Fama de 1980, era uma história de exemplos de vida, de dificuldades de artistas em início de carreira, do preço da fama e das perspectivas de futuro. "I'm gonna live forever, Baby remember my name". A idéia de ser imortalizado é que move o artista. Faltou isso. Talvez, por isso, essa refilmagem tenha passado quase despercebida pelos cinemas, ficando no Brasil apenas duas semanas em cartaz.

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Seja educado, cinema é lugar sagrado



Foi-se o tempo em que as pessoas vestiam as suas melhores roupas e iam apreciar um bom filme em uma sala escura e silenciosa chamada Cinema. As novas tecnologias, a velocidade dos tempos modernos, o individualismo crescente tornam a sala de projeção apenas mais uma ferramenta de audiovisual. O que vemos são pessoas sem limites e respeito ao espaço do outro falando em celulares, conversando com a pessoa do lado, brincando em momentos inadequados. Ou seja, aquele que seria o templo do cinéfilo virou mais um lugar de entretenimento fácil da sociedade arrogante que nos tornamos. De nada adianta aqueles filminhos simpáticos ensinando as boas maneiras no local. A projeção começa e podemos ouvir piadinhas sem graça, burburinhos irritantes, toques dos mais polifônicos e esdrúxulos. Cinema virou baderna e quanto mais comercial o filme, mais barulho você vai ouvir. As pessoas assistem à projeção como se estivesse na sala de sua casa assistindo a novela. O problema é que tem gente do lado. As salas de arte ainda são uma alternativa interessante para quem curte o silêncio, mas são cada vez menos opções.


Já vi muitos textos indignados e comentários diversos sobre o assunto. Normalmente, uma experiência negativa marcante  serve de inspiração para um desabafo, ou uma reflexão sobre o momento em que vivemos. Até manual de boa conduta encontramos em um bom blog. Porém, atitudes individuais quase nunca surtem efeito. Talvez, nem mesmo a coletiva seja tão frutífera, mas se não fizermos a nossa parte, quem o fará? Reclamar é um direito nosso. Agir é uma atitude que pode, pelo menos, servir de exemplo.

Por isso, no aniversário do CinePipocaCult estamos iniciando uma campanha de conscientização. Vá ao cinema, mas respeite aquele espaço público. Quem está ali, pagou para ver um filme sem ser interrompido por bobagens. Não podemos ultrapassar o limite do aceitável. Se você concorda com isto, escreva um post, coloque um destes selos em seu blog, Orkut, Myspace, Messenger, Facebook, fale, divulgue e comente.

Escolha o banner que melhor se adapta a seu template, copie o código abaixo e coloque em seu blog.

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Ícone animado para Twitter e Messenger


Para aplicar de forma correta, após salvar sua imagem, você terá que modificar sua imagem para a extensão .PNG para que ele possa caber no twitter. Para isso clique sobre o GIF, vá até Propriedades e onde estiver escrito: o nome de sua imagem.GIF mude a parte em vermelho para .PNG, e clique OK. Agora é só entrar no Twitter ou no MSN e carregar.

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Um ano de CinePipocaCult

Há um ano, nascia o CinePipocaCult com a intenção de comentar e fomentar o cinema. Comecei a escrever sobre o assunto sem saber exatamente qual seria o meu público. Queria falar de bons filmes, comerciais ou não, por isso o nome Pipoca e Cult juntos. Afinal, cinema é arte, independente do estilo. Não queria também fazer apenas críticas ou resenhas sobre filmes. Comecei com notícias e falando um pouco sobre técnicas de cinema, principalmente roteiro. Em março, veio os cinquenta anos do cinema baiano e comecei a escrever um pouco sobre a História do Cinema. Depois veio a idéia de Grandes Cenas, onde uma análise mais detalhada é feita sobre uma cena específica e o Dicas da Semana, sempre aos domingos. Nesse tempo, conheci outros blogs e blogueiros muito bons, troquei experiências, entrei para a Sociedade de Blogueiros Cinéfilos e, em setembro, veio o terceiro lugar no prêmio TOP BLOG nacional.

Mas, como quem vive de passado é museu, o aniversário do CinePipocaCult serve também para mudar o seu layout, desenvolvido por Ari Cabral, com template mais moderno e ferramentas interessantes. Espero que gostem, divulguem e, principalmente, comentem. Um blog vive de sua interação com os leitores, o melhor presente que podem me dar é essa troca produtiva diária. Obrigada.

Uma retrospectiva desse ano:
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Dia com mais visitas:
15 de setembro de 2009
Post do dia: O Adeus a Patrick Swayze

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