A grande estrela de Hollywood
Resolvi então, fazer um balanço da carreira daquela que é, sem dúvidas, a maior recordista de indicações: Meryl Streep. Foram dezesseis indicações, sendo três a melhor atriz coadjuvante e treze a melhor atriz principal. Dois prêmios, sendo que o último foi em 1983. Os fãs não aguentam mais esperar, foi duro ver, por exemplo, ela perder para Gwyneth Paltrow em 1999. Ano que, para nós brasileiros, teve um gostinho a mais com Fernanda Montenegro entre as cinco indicadas.
Eu considero também uma lástima ela não ter sido nem mesmo indicada pela atuação em A Casa dos Espíritos, outra grande interpretação. Dúvida e O Diabo Veste Prada com certeza seriam outras grande interpretações que mereciam um prêmio. Já Julia Child, a personagem desse ano, não está entre minhas favoritas, mas é possível que vença, principalmente após o Globo de Ouro. A disputa está bem equilibrada junto a Sandra Bullock, com leve favoritismo para esta ao que tudo indica, mas tem ainda Carey Mulligan correndo por fora.
A melhor atuação disparada foi seu segundo prêmio e primeiro na categoria de melhor atriz. A Escolha de Sofia de 1983 é a situação mais dolorosa que uma mãe pode passar. Em plena Segunda Guerra Mundial, a judia tem que escolher qual dos seus dois filhos irá ser solto e qual será condenado a morte. Que tal? Dar toda a carga dramática necessária para este dilema era uma tarefa para uma grande atriz e Meryl Streep provou ali que ela não precisava provar mais nada para nenhum crítico. Ela tinha imortalizado seu nome em definitivo.
Seu primeiro Oscar, ao contrário do que alguns pensam, não foi de melhor atriz, e sim, de atriz coadjuvante em Kramer versus Kramer. A confusão é mais do que justa, afinal, apesar de Dustin Hoffman ser a alma da história junto ao seu filho, fico me perguntando quem seria a atriz principal desse filme. Ela é a Kramer da história. Sua atuação como Joanna, a mulher que sai de casa e depois volta querendo a guarda do filho é impecável. Foi bom a troca de categoria, seria complicado ela ganhar de Sally Field naquele ano.
Tirando sua participação em Adaptação como a escritora neurótica e sua primeira indicação em O franco-atirador, dois papéis coadjuvantes, todas as outras indicações foram grandes protagonistas e todos merecem destaque. Falarei aqui de minhas quatro preferidas: Dúvida, O Diabo Veste Prada, As Pontes de Madison e Entre dois Amores.
Em Dúvida, Meryl Streep interpreta a Irmã Aloysius Beauvier com uma precisão impressionante. Toda a carga dramática daquela severa mulher é transposta para sua expressão facial e corporal. Basta ela aparecer na tela para que todos se calem em respeito e medo. Ainda assim, ela foi capaz de tornar crível a descarga emocional dessa personagem tão fechada em um determinado momento do filme. Eu gosto muito de Kate Winslet em O Leitor, mas acho que o justo seria ter dividido esse prêmio.
Já Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada é encantadoramente miserável. Aquela espécie de mulher que amamos odiar. Fina, inteligente, sagaz, tudo na composição de Streep ajuda a admirarmos aquele ser sem emoções. O seu tom de voz é um ponto alto da interpretação, sempre baixo, suave, sem exageros. Mas, Helen Mirren foi uma premiação justa.
As Pontes de Madison não traz uma grande carga dramática, um melodrama sensível, um sonho impossível. Clint Eastwood dirige e estrela o filme como o fotógrafo que encanta a casada Francesca. A interpretação dos dois nos faz torcer por aquele amor proibido. É um papel que nos mostra que para ter uma boa interpretação não precisa ser um personagem com uma carga dramática tão grande, nem uma catarse inesquecível. Ainda assim, Susan Sarandon mereceu o prêmio do ano.
Por fim, Entre dois Amores, outro dilema amoroso. A história da baronesa Karen von Blixen-Finecke, que provavelmente inspirou parte da história de Austrália, é bastante peculiar. Casada por conveniência ela se vê entre dois amores que mexem com essa estrutura: O continente africano e o caçador Denys Finch Hatton vivido por Robert Redford. Outra interpretação impecável, com doses de romance e sofrimento. Agora, apesar de Geraldine Page ter levado o prêmio, acredito que quem merecia era mesmo Whoopi Goldberg por A Cor Púrpura.











Analisando friamente a projeção, vamos então para o que tem de melhor nela: Carey Mulligan. A garota conseguiu dosar muito bem o drama de sua personagem, uma estudante dedicada e pressionada ao extremo por seu pai que a quer ver na Universidade de Oxford, e que de repente conhece, digamos assim, o lado bom da vida. Tudo era cinza para Jenny até conhecer David, um sedutor homem mais velho que tem uma lábia invejável e consegue tudo o que quer no papo. Para vocês terem uma idéia, no aniversário de Jenny ela ganha o mesmo presente do pai e do pretendente a namoradinho: um dicionário de latim, matéria em que ela ainda não está cem por cento para ser aceita na universidade. Por outro lado, David lhe mostra um mundo de diversões, concertos, torneios, viagens e presentes que toda garota gostaria de ter. Tudo vai acontecendo até o momento crítico em que ela vai ter que decidir qual vida é melhor para ela. 


Comum é um adjetivo que jamais poderia ser atribuído a Marjane Satrapi. Sua 
Confesso ter gostado mais da parte de Marjane criança. Os traços continuam os mesmos, a direção é cuidadosa e brinca com as possibilidades da animação mesmo sendo essa simples, mas a graça era contrastar a inocência perspicaz com o mundo muitas vezes mesquinho, machista e sem cor. Bem ao estilo de Mafalda mesmo. Até as conversas com Deus que a menina tem são instigantes, simples e diretas, sem intermédio. Um momento muito forte é quando a menina rompe com Deus após uma decepção muito grande.
E já que ontem eu falei do possível substituto a Harry Potter, hoje resolvi relembrar um
Feito nos tempos de hoje, com certeza o longa teria continuações podendo se tornar uma saga de sucesso. Mas na época era apenas mais um filme a ser passado na Sessão da Tarde. Interessante como a indústria cinematográfica mudou com o passar do tempo. Mal contabilizou a primeira semana da bilheteria e lá vem anúncio da parte dois. Não dá para saber até que ponto isso é bom ou ruim. Afinal, a saga do jovem Sherlock Holmes tinha tudo para dar certo. Há um clima divertido, inteligente, sagaz no texto, misturando fatos históricos com aventura, bem ao sabor da Saga de Harry Potter, como já foi dito. Gostaria de ter visto uma continuação dos mesmos autores, ainda que fosse em formato de seriado, a exemplo de Smallville. O que parece que vem por aí é uma
Não há como evitar à comparação com Harry Potter ao assistir a
Sou fã de mitologia Grega, sempre me interessei pelo assunto, e ver a salada mista modernosa feita pela saga me incomodou um pouco. Afinal, porque os Deuses se mudaram de vez para os Estados Unidos? A porta do inferno é em... Hollywood? A entrada do Olimpo, o Empire States? E o jardim da Medusa, o que estava fazendo no Oeste dos Estados Unidos? Tá, eles tentam dizer que os deuses se locomovem ao passar do tempo, em busca do local mais poderoso do mundo. Tá, a gente engole essa, mas o que comentar sobre o cassino de Las Vegas com suas lótus alucinógenas? Sem dúvidas, a sequência mais sem sentido de todo o filme. Se já tínhamos pouco tempo, para que gastar tanto com os três dançando ao som de Lady Gaga? 

Se você só pudesse guardar uma lembrança de sua vida, qual você escolheria? É interessante que o momento mais importante de nossas vidas raramente é algo grandioso ou complicado. São pequenos gestos, atos que trazem grandes emoções, como sentir a neve pela primeira vez, um carinho de sua mãe ou instantes com a pessoa amada em um parque. Valendo-se disso, o japonês Hirokazu Koreeda fez
Os candidatos são de todos os tipos, desde uma criança que lembra logo da Disney a uma senhora bem idosa que só dá risada e observa a janela. Em vida, ela já havia tido uma doença onde perdera parte da memória. Há, também, um senhor que só quer lembrar de suas aventuras em um bordel. Mas os dois personagens que se destacam são Watanabe e Iseya. Iseya é um jovem rebelde que simplesmente se recusa a escolher uma lembrança. Ele afirma a todo tempo que não é que não possa, ele simplesmente não quer escolher. Sua atitude é um questionamento sobre o sentido de tudo aquilo, o significado da memória, o porquê escolher apenas uma lembrança. A recusa é um apego sincero que todo ser humano possui a tudo que passou. E por ser tão jovem ainda está na fase de questionar o que poderia ter vivido. Ele chega a perguntar se poderia escolher um sonho.
Tenho quase certeza de que ao escrever o roteiro de
Entra aí a semelhança com o filme de
Bia Abramo, em um artigo da Folha de São Paulo, definiu a televisão como “de certa forma, avessa ao pensamento. O fluxo de imagens sem hierarquia, a linguagem que estabelece sua sintaxe pela alternância de sensações, a ausência de silêncios; tudo isso conspira contra o pensar. O que, aliás, é justamente um dos atrativos da televisão, ou seja, sua capacidade de amortecer o pensamento, fazer esquecer, alienar, é um dos principais motivos de sua enorme popularidade” (

Dois anos antes de dirigir seu primeiro grande filme (
O jogo de câmeras é simples, todos em plano médio, intercalados por uma geral da mesa. A grande graça da cena está mesmo na interpretação dos atores e na situação em si, ridícula. Winona Ryder fica apenas no canto, dando risada, é a personificação da nossa reação, vendo aquilo. Catherine O'Hara dá um show intercalando a entrega à música e a expressão de "o que eu estou fazendo?". É como se cada um ali brigasse com uma força maior que os faz dançar e cantar.
Ultimamente ando pegando no pé dos tradutores brasileiros para títulos, mas é que é tão esquisito chamar esse filme de 
John Lee Hancock começa o filme com uma narração de Sandra Bullock explicando a função de um
O filme começa com Big Mike sendo aceito em uma escola porque o professor esportivo o vê jogando basquete. Ele é apático, perdeu no teste de Q.I, quase não presta atenção nas aulas, mas fica lá, no seu mundo. Interessante que o professor gosta dele por vê-lo jogando basquete, mas o coloca no time de futebol, que ele nunca tinha jogado na vida, só por seu tamanho. Uma noite de frio, ele passa andando pelo carro da família de Sandra Bullock e ela resolve levá-lo para casa. Em uma conversa surreal, ela deixa o garoto dormindo no sofá da sala e fala ao marido que não sabe se ele roubará nada, mas se no dia seguinte ela descer e gritar, ele ligue para seguradora... Admiro tanto despredimento material. A partir dessa noite, o garoto vai ficando e se tornando membro da família, melhorando nos estudos e aprendendo a jogar futebol. Em outra cena irreal, Sandra Bullock visita a mãe de Michael e discute com os traficantes locais. No mundo real, no mínimo ela levava um tapa, talvez um tiro, mas tudo bem. 
Se tem um segmento que ainda é pouco explorado no Brasil é o filme infantil. A maioria das vezes, só resta à criança Xuxa e Os Trapalhões. Filmes como Tainá, Grilo Feliz ou Castelo Rátimbum ainda são poucos, mas já são uma alternativa que aos poucos vai crescendo e ganhando espaço. Assim, achei interessante descobrir 




Começando sua carreira como roteirista do neo-realismo italiano,
A
Em Oito e Meio, e em Nine por consequência,
Quem vê filmes da Sessão da Tarde como O Grande Dragão Branco, Kickboxer, Soldado Universal ou Timecop nunca espera um bom filme interpretado por
O mote da história é totalmente surreal, Van Damme precisa de dinheiro para pagar seus advogados que trabalham no caso da custódia de sua filha. Ao entrar no banco, é envolvido em um assalto com reféns que tem reviravoltas surpreendentes. A narrativa é montada de uma forma não completamente linear, fazendo paralelos interessantes e nos revelando aos poucos o que realmente aconteceu dentro da agência. A direção é crua, realista, com bastante câmera na mão, o que ajuda na sensação quase documental. Há também muita metalinguagem, com Van Damme em cena e na real, reforçada pelo fanatismo dos belgas pelo ator.
A dúvida é um sentimento angustiante e John Patrick Shanley trata do assunto de uma forma esplêndida nesse longa. Tudo é implantado de uma forma bem pensada, a começar pelo sermão em uma missa e terminando com o último diálogo entre Meryl Streep e Amy Adams. Aliás, a forma como a personagem de Streep é revelada é um show a parte. Com o sermão sendo proferido, vemos apenas uma freira de costas observando a platéia. Ela se levanta, dá um tapa em um garoto que está conversando e se dirige a outro que dorme. Só então, a câmera gira e vemos seu rosto. O suspense já conduz ao medo e obediência que aquela senhora inspira em todo o colégio desde a primeira cena.
Tudo piora quando a escola recebe o primeiro aluno negro e este é "adotado" pelo simpático padre Brendan Flynn. Bastam alguns pequenos acontecimentos para Irmã Aloysius acreditar que a conduta do padre não é bem intencionada e começar uma caça para desmascará-lo e tirá-lo daquela paróquia. A dúvida está instalada e o jogo psicológico é forte a ponto de, em uma única sequência de 12 minutos, Viola Davis, que interpreta a mãe do garoto, conseguir emocionar a todos chegando a uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante.
Preciosa é aquele tipo de filme que dói na alma. Não dá para vê-lo por diversão, pois o sofrimento é exposto de uma forma crua e real. Uma garota pobre, abusada pelo próprio pai com quem já teve uma filha e espera o seu segundo, tendo apenas 16 anos, e o pior, vivendo com uma mãe que a acusa por ter lhe roubado "o homem"... Mas, nem tudo são farpas, por ser boa em matemática, a garota é enviada para uma escola especial e lá conhece pessoas que podem lhe ajudar a encontrar um pouco de alegria em seus dias de dor. Lee Daniels conduz a direção de forma instigante, que, apesar de um roteiro simplista, prende a nossa atenção.
Aliás, esses momentos de sonho dão um refresco na trama, dosando bem as emoções dos espectadores. Pena que não continua assim até o final. Preciosa é uma obra pé no chão, mas sem perder a leveza da esperança de dias melhores. Confesso que esperava mais depois de tanta propaganda positiva, ainda assim, emocionou. Um bom filme que se não levar o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Mo'nique vai ser uma tremenda injustiça. 































