Ainda é a Época da Inocência

Cartaz de A Época da InocênciaMelancolia é o sentimento que fica após assistir A Época da Inocência de 1993. A sensação de vazio por não conseguir aquilo que mais se quer, ou mesmo a frustração de ter que abrir mão isso. Nenhum dos três teve êxito naquele triângulo. Ellen que amou, foi amada, mas teve que entregar o homem de sua vida à prima. May que amou sem ser amada, teve um marido ao seu lado, mas sempre viveu com a sombra da prima. E Archer, o verdadeiro joguete nas mãos de duas mulheres tão decididas.

Apesar de ambientando no século XIX, a trama é atemporal, pois fala de amor, paixão e da falta de coragem do ser humano de assumir suas escolhas, pautado no que irá pensar a sociedade. Estamos sempre buscando a aprovação alheia. E Martin Scorsese soube levar esse dilema com maestria para as telas. A versão de Scorsese é a terceira da história, antes um filme mudo em 1924 e outro já falado em 1934, já tinha contado a história do livro de Edith Wharton.

Um homem da aristocracia americana, noivo de uma moça de igual status, conhece uma condessa recém-separada, que demonstra ser uma mulher extremamente avançada para aquela cidade de Nova York do ano de 1870. A princípio, ele apenas defende a prima de sua noiva, mas aos poucos os dois se apaixonam perdidamente. Apesar disso, ela pede que ele se case com a prima, que se demonstra uma mulher extremamente manipuladora.

Michelle Pfeiffer e Daniel Day LewisO sofrimento nos envolve, principalmente pelos detalhes fílmicos. Daniel Day Lewis passa toda dor contida daquele homem em frangalhos. Winona Ryder aproveita-se da sua cara de anjo para construir melhor as tramas de sua personagem. E Michelle Pfeiffer é a verdadeira lady, sem demonstrar sentimentos em um sorriso disfarçado, mas que os olhos denunciam toda a frustração de não poder estar com o homem que ama.

O roteiro de Jay Cocks e, do próprio, Scorsese dosam bem as passagens de tempo, nos envolvendo na longa trama. E a fotografia de Michael Ballhaus é marcante, não sendo à toa que uma das cenas mais lembradas do filme é a imagem de Ellen em um pôr-do-sol, a beira do mar, tendo o farol e um barquinho de fundo. Os detalhes são sugestivos, a ponto de uma das cenas mais sensuais ser em uma carruagem quando Archer "despe" a mão de Ellen tirando aos poucos sua luva. É paixão à flor da pele. Um melodrama clássico, com um desfecho melancólico, mas tão rico de detalhes e carregado de emoção que só vendo para entender o que eu digo. De todas as formas, um filme encantador para se ter na estante.

Aqui, uma rara cena de bastidores do filme.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Promoção Quincas Berro d´Água

Quincas Berro D`ÁguaComo blogueira cinéfila estou muito feliz após receber um e-mail da produção do filme Quincas Berro d´Água. O filme, dirigido por Sérgio Machado e baseado na obra de Jorge Amado, estreará dia 14 de maio nos cinemas de todo país e terá três pré-estreias exclusivas para blogueiros cinéfilos. Serão dias 06, 07 e 08 de abril no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, respectivamente e o CinePipocaCult, ganhou três convites duplos para cada sessão.

Para participar, é muito simples: mande um e-mail para amanda@cinepipocacult.com.br respondendo a pergunta abaixo, especificando de em que cidade você quer o convite. As três primeiras respostas corretas levam. Serão válidos e-mails até as 08 horas do dia 02 de abril, sexta-feira (só pra não ficar no dia primeiro de abril e vocês pensarem que é mentira, hehe).

Assista ao trailer e responda: O que os amigos do Quincas dão para ele beber em seu enterro?

No site oficial, existem outras formas de interação, além de informações sobre o set de filmagem, depoimentos do elenco e diretor, fotos e trailer. Destaque para a promoção “Conte a sua piada de bar para o Quincas”, onde você envia um vídeo contando as suas peripécias e histórias de bar. O vídeo mais engraçado e divertido ganha um final de semana em Salvador com direito a acompanhante. Outra ação interessante é “O novo bar de Quincas” onde bares de todas as cidades do Brasil podem se inscrever e participar de uma enquete no site. "O fanfarrão Quincas resolveu diversificar e conhecer outros estabelecimentos e por isso pede ajuda ao público para a escolha do seu novo bar". Todas as ações são, sem dúvidas, inteligentes e demonstram a força cada vez maior das redes sociais para o marketing direto. Que outras produções possam se espelhar nesse exemplo.

Sinopse Oficial: "Rei dos botecos, bordéis e gafieiras da Bahia, o ex-funcionário público Quincas Berro d’Água é encontrado morto em sua cama. Inconformados com sua morte, seus melhores amigos “roubam” o corpo e o levam para uma última noite regada a festa e muita bebida. Em meio a mil confusões, Quincas “vive” a sua segunda e definitiva morte, desta vez como sempre sonhou".



Datas das sessões exclusivas
Rio de Janeiro / 06Abr / 21h30
Unibanco Arteplex
São Paulo / 07Abr / 21h30
Unibanco Arteplex Frei Caneca
Salvador / 08 Abr / 21h
UCI Orient Iguatemi

Leia >>

Mostre para seus amigos

Na Natureza Selvagem

o verdadeiro Christopher McCandless

Qual o sentido da vida? Complexa e sem resposta concreta, essa pergunta permeia a trajetória do jovem Christopher McCandless, que poderia se definir como um aventureiro nato, desprendido e que queria apenas experimentar uma sensação incrível de liberdade. Apesar disso, demonstra ser também, um rebelde ferido, que não consegue superar o trauma da relação de seus pais e abandona tudo o que a vida lhe deu para expurgar essa sensação de mediocridade humana que o sufoca. Ele quer o silêncio da vida ao natural. Sem dinheiro, sem vínculos, sem passado. Seu novo nome, Alexander Supertramp, já é uma brincadeira irônica, já que tramp é vagabundo em inglês.

Cartaz de Na Natureza SelvagemEm Na Natureza Selvagem, Sean Penn, que além de dirigir, assina o roteiro do filme, conta essa história de uma maneira bem instigante e funcional. Misturando as épocas, tendo como base o ônibus abandonado onde Chris passou os últimos dias de sua vida, tenta reconstruir essa aventura que aos olhos de muitos pode parecer uma grande maluquice. Afinal, quem largaria o conforto de uma vida urbana, bem resolvida da classe média, com uma vaga em uma universidade, um carro novo e um futuro promissor para se embrenhar no meio do mato? As lições de vida e os questionamentos que esse menino faz nos levam a pensar em nossas vidas, na futilidade de muitas coisas que nos parecem essenciais e no verdadeiro sentido de estarmos nesse planeta.

A vida de Christopher McCandless e o filme de Sean Pean são pura filosofia. E das boas, pois toca em assuntos como liberdade, felicidade, sentido da vida, relações humanas, traumas familiares e natureza selvagem. A interpretação de Emile Hirsch e do elenco de apoio ajuda nessa construção, tornando tudo bastante real e profundo. Destaque para participação de Kristen Stewart, a Bella Swan de Crepúsculo, como uma cantora de beira de estrada.

Hal Holbrook e Emile HirschChris fala para um de seus novos amigos ao se despedir: "Mas, se engana se acha que a alegria de viver vem principalmente das relações humanas. Deus colocou-a a nosso redor. Está em tudo que possamos experimentar. As pessoas apenas precisam mudar a maneira como olham para essas coisas." E o amigo lhe diz que é para ele pensar em tudo que lhe aconteceu, em seus pais e para perdoar, pois "quem perdoa, ama. E quando se ama, a luz de Deus nos ilumina". É impressionante como o ser humano consegue machucar uns aos outros. E como é difícil perdoar algumas coisas que consideramos mais profundas. Mas, tudo isso se torna tão pequeno diante de momentos cruciais da nossa existência. Esse road movie é mais do que história e entretenimento, é material para se pensar. E muito.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Contagem regressiva para Chico Xavier - O filme

Chico XavierEssa semana, cinema e religião se misturam na expectativa de um fenômeno. Sexta-feira, dia em que o médium mais famoso do Brasil completaria 100 anos, chega às telas sua cinebiografia, dirigida pelo assumido ateu Daniel Filho. Só isso já é indício de que teremos um filme, no mínimo, interessante. Afinal, por não ser adepto de nenhuma religião, o diretor pôde construir um filme neutro, imparcial, sobre a vida desse homem que muitos querem santificar.

Chico Xavier foi um ser iluminado, não há dúvidas disso. Independente de religião, pessoas se comoviam e criam em suas mensagens detalhistas do além-túmulo. Uma família judia, mesmo sem perder sua fé semita, guarda o consolo de mais de cinquenta cartas psicografadas de seu filho morto, por exemplo, como foi mostrado no último Globo Repórter. Até mesmo um juiz inocentou um réu com base em uma carta que o médium apresentou sendo da vítima. Chico é um fenômeno que só é explicado por sua humildade e desprendimento. Fez da caridade e do trabalho de mensageiro, sua vida. Abnegado, nunca perdeu a fé e conseguiu mostrar ao mundo que é possível romper as barreiras dos dogmas religiosos, afinal, todas querem dizer a mesma coisa.

Cena de Chico Xavier

Para homenagear seu centenário, além do filme que já está com vendas antecipadas, vários programas televisivos lembraram a vida e obra de Chico Xavier. O Globo Repórter da última sexta-feira foi dedicado ao tema. O arquivo N apresentou no dia 24 de março o especial “A Biografia”, que pode ser conferido abaixo, e no dia 31 levará ao ar “As Gravações”, apenas com mensagens do médium em entrevistas. Dia 27, teve o Globo News Especial - Chico Xavier. E dia 28, o Almanaque foi uma entrevista com Daniel Filho, que pode ser revisto na terça ou na quinta-feira em horários alternativos.


Toda essa expectativa, deixa a estreia do dia 02 de abril com uma responsabilidade ainda maior, muitos apostam que será um recorde de bilheteria. Além de dirigido pelo homem que mais tem levado os brasileiros ao cinema, e escrito pelo roteirista de um filme marcante na nossa história recente, o longa-metragem da Globo Filmes tem um elenco afinado e uma grande campanha ao redor de uma figura ímpar na história do país. Tem tudo para dar certo. Baseado no livro As Vidas de Chico Xavier, do jornalista Marcel Souto Maior, o filme descreve a trajetória do médium, a partir de sua participação no programa Pinga Fogo, resgatando diversos momentos importantes dos seus 92 anos.Torço muito por isso.

Leia >>

Mostre para seus amigos

O amor acontece

Jennifer Aniston e Aaron EckhartQuando alguém vê o título "O amor acontece" pensa logo em uma comédia romântica. Da mesma forma como quem vê o título "Amor sem escalas". Aliás, o início dos dois filmes é bem parecido. Um homem, se preparando para viajar a negócios, planos rápidos, preparação, não se sabe exatamente o que ele faz... Engraçado que nenhum dos dois é uma comédia romântica. O filme de Brandon Camp é, na verdade, um drama. Que traz em seu mote a fórmula de auto-ajuda, a princípio parecendo que vai criticá-la, mas acaba se tornando um belo exemplar do gênero.

Não posso dizer que esta era a intenção do diretor ao criar a história de Burke Ryan, mas durante toda a projeção tem alguns indícios de crítica à fórmula fácil de se ganhar dinheiro com a dor e fé alheia. Principalmente, quando o empresário do "guru" apresenta uma proposta milionária com um determinado grupo que irá lançar vários produtos com a marca do rapaz, incluindo um método de emagrecer com o slogan surreal de "finalmente uma perda que vale a pena". Há também algumas práticas questionáveis como o ritual de andar em brasas ou a própria terapia grupal feita no workshop por uma pessoa que não é um psicólogo.

Jennifer Aniston e Aaron EckhartNa verdade, Burke Ryan perdeu a sua esposa em um acidente de carro e resolveu escrever um livro sobre como superar a dor. A obra virou rapidamente um best seller e desde, então, ele faz palestrar pelo país ajudando as pessoas a superar suas próprias perdas. Interessante que o nome do livro é "Estou OK", o que não deixa de ter um fundo psicológico. A teoria da okeydade foi criada por Eric Berne, fundador da Análise Transacional e imortalizada no livro "Eu estou ok e você está ok" do Dr. Thomas Harris. A teoria fala de posições existenciais adotadas pelo ser humano durante a vida e que o estado "ok" é o ideal esperado. No filme nada disso é explicado, sendo apenas um bordão do protagonista e seus fiéis seguidores.

O Amor AconteceO fato é que o filme pega esse personagem e o coloca conduzindo um workshop em Seattle, onde conhece Eloise, uma vendedora de flores com atitudes bem insusitadas como deixar palavras estranhas atrás de quadros do hotel. A relação dos dois vai dando os plots necessários para a história andar, que tem tons de comédias, pouco romance e muito drama.

Aaron Eckhart está bem no papel do guru cheio de traumas. Sofre, ri e nos convence com aquele papo de "você pode", "eu sei que é difícil, eu passei por isso". Ao mesmo tempo, vemos desde o início o quão complicado ele é, afinal tem medo de elevador, tendo que subir vários lances de escada. Esse problema lembra Richard Gere em Uma Linda Mulher, que morria de medo de altura, mas ficava sempre na cobertura do hotel, porque "eram os melhores quartos". Já Eloise é totalmente bem resolvida, sem medos, nem traumas. Algo completamente irreal. Seu único defeito é não encontrar o homem perfeito. Apesar da pouca plausibilidade da personagem, no entanto, como boa fã da série Friends, não posso deixar de simpatizar com personagens de Jennifer Aniston.

No geral, O amor acontece é um filme interessante, com pontos fortes e fracos, bons e maus momentos. Nada de especial, marcante, nem que mereça fazer parte de uma filmoteca seleta. Ainda assim, uma experiência válida para quem não tem preconceitos com histórias de alto-ajuda.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Ilha do medo

Leonardo DiCaprio em Ilha do MedoCinema é ilusão. Com esta afirmação mais do que óbvia, inicio meu post sobre um dos filmes que mais me impressionou nos últimos tempos. Ouvi alguns dizerem ser chato, outros confuso, outros ainda que foi óbvio ou repetição de uma tendência. Mas, o jogo fílmico, a construção da ilusão do medo, a economia narrativa que Martin Scorsese imprimiu em Ilha do Medo não nos faz perceber as três horas passando e mostra o porquê do cinema ser tão fascinante.

Scorsese é o tipo do diretor que não precisa provar mais nada a ninguém. Desde Taxi Driver, e nisso já se vão mais de trinta anos, entrou para história do cinema como um dos grandes diretores de todos os tempos. Fez coisas chatas como New York, New York ou a A Cor do Dinheiro, trouxe clássicos provocantes como A Última Tentação de Cristo ou melodramas esplêndidos como A Época da Inocência. A questão que sempre explorou foi a dualidade humana. O que é certo, o que é errado? O que é falso ou o que é verdadeiro? Realidade e ficção se misturam muito bem nesse jogo de contar histórias que o diretor constrói com paixão.

Ilha do MedoLeonardo DiCaprio, cada vez mais à vontade nas mãos de seu mestre, constrói um personagem complexo e envolvente. O espectador cola sua atenção naquele ser que acredita piamente nos recursos escusos daquele local que esconde um prisioneiro misterioso. Baseada no livro Paciente 67 de Dennis Lehane, a história gira em torno de Teddy Daniels, um policial federal convocado para descobrir o paradeiro de uma prisioneira de uma ilha que funciona como um manicômio prisional. Junto com ele está seu novo parceiro Chuck Aule, vivido por Mark Ruffalo.

Logo no início, ficamos sabendo que naquele local, estão os prisioneiros psiquiátricos mais perigosos, divididos em três Alas e que a ALA C é proibida para todos os visitantes. Investigando o caso, Teddy descobre que Rachel Solando, a prisioneira sumida, está ali porque matou seus três filhos afogados e que, na noite anterior, foi trancada em seu quarto, sumindo misteriosamente. Em seu quarto, há um bilhete estranho com a pergunta: quem é o 67? Importante perceber que todas as pontas soltas e detalhes da história vão fazer sentido no final.

Terror e suspense se misturam como provavelmente Hitchcock nunca imaginou. Scorsese não se contenta em nos envolver e deixar tensos com o mistério e perigo eminente. Em muitos momentos, os recursos são de terror mesmo, com sustos e surpresas de grande impacto. A trilha sonora estrondosa nos deixa quase em pé na cadeira, lembrando muito o clássico O Iluminado. A atmosfera sombria, a tempestade, os raios, a escuridão das celas da Ala C iluminadas apenas pelo fósforo de DiCaprio. Isso é que constrói a verdadeira fruição de A Ilha do Medo. Não é a história, nem a virada, muito menos o desfecho, que alguns podem acusar de repetitivo. O grande mérito é o jogo de emoções que ele faz, nos proporcionando uma viagem fantástica à mente humana, conduzida com maestria por um diretor que prova ainda ter muito a mostrar. Afinal, a loucura contagia? A loucura pelo cinema, pelo menos, parece que é contagiante.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Centenário de Akira Kurosawa

Akira KurosawaSe estivesse vivo, Akira Kurosawa completaria ontem 100 anos. Nascido em 23 de março de 1910, este japonês fantástico começou a carreira como assistente de direção, tornando-se mundialmente conhecido ao apresentar Rashomon, filme com o qual foi indicado ao Oscar e levou Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1951. Seu maior clássico, Os Sete Samurais ganhou versão americana com Sete Homens e um Destino. E diversos outros filmes marcaram a história do cinema como Dersu Uzala, Viver, Trono Manchado de Sangue ou Ralé. Eu, particularmente, gosto muito de um que o diretor não teve tempo de finalizar: Depois da chuva. É um filme sensível, que utiliza a narrativa não-linear de forma fantástica. Dirigido por seu fiel assistente, Takashi Koizumi, tem o roteiro de Kurosawa que morreu antes de levar o projeto ao fim.

Para comemorar e relembrar esse grande gênio, a Europa Filmes colocou no mercado um BOX com cinco DVDs do diretor. Uma boa forma de homenagêa-lo e ter uma aula cinematográfica.

Cão Danado (1949) - "Murukami, um jovem investigador de homicídios, é roubado em um ônibus e perde sua pistola. Ele começa uma busca insana atrás de sua preciosa arma, sem sucesso, até receber a ajuda de um sábio e mais experiente detetive chamado Sato. Só que as razões para tudo ficam mais sensíveis e dramáticas quando Murukami descobre que o ladrão só entrara para esse perigoso mundo do crime pelo desespero da necessidade humana. Clássico noir do mestre Akira Kurosawa, que redefiniu o padrão de filmes policiais japoneses".

Os Sete Samurais
(1954) - "Durante o Japão feudal do século XVI, um velho samurai chamado Kambei (Takashi Shimura) é contratado para defender uma aldeia indefesa que é constantemente saqueada por bandidos. Contando com a ajuda de outros seis samurais, Kambei treina os moradores para resistirem à um novo ataque, que deve acontecer muito em breve."

Sanjuro (1962) - "Depois de superar todos os desafios de filme anterior, Yojimbo, o samurai Sanjûrô Tsubaki (Toshirô Mifune) une-se a um grupo de jovens idealistas que estão determinados a acabar com a corrupção que há em sua cidade. Porém, este cínico samurai está muito aquém dos conceitos ideais que esses jovens têm de um nobre guerreiro".

Céu e Inferno (1963) - "Baseado em uma obra de Ed McBain, conta a história de Gondo (Toshirô Mifune), diretor de uma fábrica de sapatos, que tem o seu filho sequestrado em um ponto crucial para o andamento dos negócios. A quantia exigida por eles é enorme, mas Gondo decide abrir mão de seus negócios para resgatar o filho, mas uma grande surpresa na hora do pagamento pode mudar todos os rumos dessa história".

Depois da Chuva (1999) - "Misawa é um samurai que não consegue encontrar emprego, mas que é um gênio da arte de lutar. Ao lado de sua mulher, ele é obrigado a parar em uma pequena hospedaria por causa de uma enchente. Vendo as péssimas condições do local, ele parte em busca de alimento para o povo, logo despertando a desconfiança de sua mulher, que não gosta que ele lute por dinheiro. Mesmo sem a conduta real de um samurai, é contratado para treinar a tropas do feudo local, despertando a inveja dos outros lutadores. Filmado após a morte de Akira Kurosawa, pelo seu fiel assistente de direção Takashi Koizumi. Um dos últimos roteiros do mestre oriental".

Leia >>

Mostre para seus amigos

Comentando o trailer de Nosso Lar


Ontem foi divulgado o trailer oficial do filme Nosso Lar de Wagner de Assis. Assim, já dá para ter uma idéia do que nos aguarda em setembro. Claro que trailer não é filme e muitas vezes engana. Ainda assim, achei válido trazê-lo e comentar as primeiras impressões.

Eu tinha treze anos quando Nosso Lar parou em minhas mãos pela primeira vez. Estava começando a conhecer o espiritismo e já tinha estudado o livro dos espíritos e dos médiuns. Veio, então, esta obra de André Luiz psicografada pelo médium Chico Xavier. O primeiro capítulo me assustou. A descrição do Umbral, os gritos de "Suicida!", tudo parecia fantástico demais, mas estava curiosa sobre o que pregava a doutrina e continuei. Depois, a dificuldade foi em relação à linguagem da metade do século XX. Frases pomposas, com palavras que caíram em desuso, tudo era meio estranho para uma menina de treze anos, mas a idéia de conhecer o outro lado da vida me levou até o fim. Na metade da leitura já estava absorta na narrativa e, desde então, Nosso Lar é uma referência de livro espírita, não apenas para mim, mas para milhares de adeptos da doutrina.

É, então, com felicidade que vejo o primeiro trailer oficial do filme na internet. Não que isso já seja garantia de um bom filme, mas, pelo menos, já dá indícios da produção caprichada, de cenários e cenas que sempre imaginei ganhando corpo. É cedo para falar em interpretação, mas até agora a única coisa que não me deixou tão empolgada foram as expressões do ator Renato Prieto. Pode ter sido impressão ou então, porque imaginava André Luiz um pouco diferente.

Fiquei curiosa em relação ao roteiro e como encaixarão as cenas de desencarne do médico. O livro já começa no Umbral, que por sinal, está assustadoramente representado. Já a colônia de Nosso Lar está bem futurista, imaginava um pouco menos, mas gostei do design. Imagino que Othon Bastos faça o ministro Clarêncio, a caracterização do bondoso mentor está bem interessante, assim como o enfermeiro Lízias. A cena do anúncio do início da segunda guerra mundial é de arrepiar, tanto quanto no livro, uma pena, no entanto, que já venha no trailer, já que pelo menos na narrativa escrita é quase no final da história. Em termos de efeitos especiais, só achei que algumas imagens da cúpula da colônia estão pouco reais, dá a sensação clara de imagem digital. Ainda assim, me impressionou para o porte de um filme brasileiro. Uma verdadeira superprodução.

Não sei se será um clássico do cinema, mas desde já torna-se um marco no espiritismo. Torço muito pelo seu êxito. Espero não me decepcionar diante da expectativa como aconteceu com Besouro e Olga.

Leia >>

Mostre para seus amigos

O contador de histórias

O Contador de HistóriasIndependente de qualquer qualidade fílmica, vale a pena conhecer a história de Roberto Carlos Ramos. Nono filho de uma família carente, é enviado para FEBEM com a esperança que sua mãe tem dele se tornar "dotô" e lá sua vida mudar completamente. A princípio muda para pior, sendo considerado irrecuperável, depois para melhor, quando conhece a pedagoga francesa Margherit que o adota e dá a oportunidade dele se tornar um grande contador de histórias, pós-graduado em literatura infantil.

Uma pena, no entanto, que a empolgação de contar histórias de Roberto Carlos não tenha sido transmitida para a construção do roteiro. Há boas tentativas no início, quando a fantasia se mistura à realidade pela imaginação do menino, tão bem feito em Peixe Grande e recentemente em Preciosa. Porém, assim como o filme de Lee Daniels, O Contador de Histórias larga esse recurso no meio da história concentrando-se apenas no drama. Seria mais interessante se víssemos mais cenas como a versão de sua ida para FEBEM naquele assalto no melhor estilo anos 70, ou com a professora de ginástica transformada em hipopótamo, ou ainda no "cabelinho de fogo" descendo as escadas como um príncipe.

O Contador de Histórias Pelo menos, o roteiro também não é tão didático quanto as primeiras cenas, quando vemos Roberto Carlos todo ferido deitar no trilho do trem e uma narração over dizer "naquele dia, eu queria morrer" ou então, a câmera mostrar o detalhe do sapato de Margherit e a insistente voz dizer: "a primeira coisa que vi dela foi o sapato". Passado esse susto incial, a narração cumpre um papel, afinal estamos mostrando a vida de um contador de histórias e é interessante vê-lo contando-a (é o próprio Roberto Carlos quem narra). Melhor ainda que Luis Vilaça não tenha partido para o óbvio recurso de imitação de Forrest Gump, colocando o protagonista em algum lugar contando literalmente aquela trama.



O diretor consegue mostrar seu filme mais maduro e cumpre o objetivo de emocionar. O filme tem bons momentos e dosa sofrimento com cenas divertidas, tornando a trajetória mais crível que Um Sonho Possível, por exemplo, apesar de ambos tratarem de uma história parecida  e real como já havia ressaltado outro blog.

As interpretações, por sua vez, estão muito boas, principalmente dos dois meninos que vivem o protagonista e da atriz Maria de Medeiros como a pedagoga francesa. Há emoção, há história, há vida. Nada de excepcional, nada que mudará a história do cinema, mas um filme a ser visto. Já nos créditos, o verdadeiro Roberto Carlos entra em ação. Vale a pena conferir.


Ainda em tempo, Denise Fraga, esposa do diretor, aparece em duas pontas, percebam. Ela é a mulher que tem a bolsa roubada pelo "time" de Roberto Carlos e é uma das pessoas que está no parque ouvindo a história ser contada.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Mostra Jean Rouch, o Cinema Direto e o Cinema Verdade

Jean RouchDesde sexta-feira, a sala Walter da Silveira está exibindo uma mostra sobre Jean Rouch, o pai do cinema verdade. Uma iniciativa da Associação Balafon, a “Caravana Rouch”, passou por quatro capitais em 2009 e chega a sua versão em 2010 há sete capitais brasileiras – Belém, Salvador, João Pessoa, Porto Alegre, São Luís, Florianópolis e Recife, expondo as obras desse grande diretor que mudou o modo de se conceber o documentário. Para Rouch, o documentário etnográfico era uma forma de estabelecer um diálogo com o sujeito do seu estudo, em vez de apenas descrevê-lo.

Em 1960, Edgar Morin e Jean Rouch saíram pelas ruas de Paris perguntando a pessoas comuns sobre a vida, felicidade, enfim, sobre assuntos cotidianos. A intenção, segundo Rouch era extrair a verdade do cinema, mas o termo Cinema Verdade causou polêmica entre os críticos, dizendo que só o fato de existir uma câmera, tornava as pessoas artificiais.

Na realidade, esse termo não é novo. Em 1929, Vertov já fazia filmes na Rússia utilizando os termos Kinoglatz (o cinema-olho) e Kinopravda (o cinema-verdade). Mas, o sucesso de seus filmes com montagens inovadoras e cunho propagandista, não impediram que Crônicas de Verão (Rouch e Morin) ficasse conhecido como o marco inicial do Cinema Verité.

Crônicas de um verão

A técnica era simples, as pessoas falavam diretamente para a câmera, respondendo a perguntas, dando depoimentos, interagindo com o cineasta. Hoje pode parecer esquisito chamar isso de inovador, mas na época não era costume. A televisão ainda era muito recente, assim como a gravação do som direto, tudo soava como experimentação.

Em contrapartida, surge nos Estados Unidos, meio que por acaso, o Cinema Direto. Com o advento de novas tecnologias, inclusive câmeras mais leves com som aclopado, Robert Drew resolve filmar em um estilo que a câmera não intervisse no objeto filmado. Hoje em dia, isso também parece absurdamente simples, basta lembrar dos Big Brothers. Porém, na época era uma inovação nunca antes vista.

O Cinema Verdade era muito criticado por lembrar o tempo todo ao expectador que eles estavam vendo um filme. No cinema direto, eles buscaram exatamente o contrário. Eram feitas longas filmagens para uma posterior montagem, buscando o naturalismo que fazia do expectador um observador da situação, era a "novela da vida real". Um dos grandes representantes do movimento foi Frederick Wiseman e seu filme mais expressivo é Titicut Follies de 1967.

Hoje em dia, o mais comum é que os documentários mesclem as duas técnicas, tornando o filme mais dinâmico, mas é possível encontrar filmes como Justiça de Maria Augusta Ramos que utiliza apenas do processo de observação como era pregado pelo Cinema Direto. O próprio Rouch renovou sua técnica em quase cem anos de atuação, isso é que é interessante de perceber nessa mostra de mais de sessenta filmes do diretor, e melhor, a entrada é franca.

Confira no site oficial a programação de sua cidade:
Salvador
Belém
Porto Alegre
João Pessoa

São Luís, Florianópolis e Recife ainda não estão disponíveis do site.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Aconteceu em Woodstock

Aconteceu em WoodstockLeve, foi essa a sensação com a qual sai do filme de Ang Lee sobre o lendário Festival de Woodstock. Na verdade, não é exatamente sobre o festival, mas sobre o responsável por levar à pequena cidade de Bethel Estado no estado de NY que a narrativa irá se debruçar para tentar passar um pouco da sensação de liberdade daquele momento único. Baseado no livro Taking Woodstock: A True Story of a Riot, A Concert, and A Life, autobiográfico de Elliot Tiber, a história irá mostrar a transformação daquele lugar esquecido com os ganhos e perdas para aquela família antes falida. Engraçado que o filme ensaia falar um pouco da população local, mas acaba esquecendo-a completamente na segunda parte do filme.

Elliot Tiber, vivido pelo comediante Demetri Martin, é um decorador que tenta a sorte em Nova York até que resolve voltar para sua cidade natal na tentativa de ajudar seus pais a saldar uma promissória que lhes tirará a casa e sustento, já que esta é também uma pousada decadente. Aproveitando-se do fato de ser responsável pela Câmara de Comércio da cidade, tem a idéia de trazer o festival de música que havia sido expulso de uma cidade vizinha por causa da insatisfação da população com a possível invasão hippie. Ele só não tinha noção de que mais de 500 mil pessoas iriam tornar sua cidade em um estado de calamidade pública.

O roteiro de James Schamus, como falei, até ensaia falar dessa calamidade e da revolta dos locais com Elliot, mas acaba esquecendo-a e concentrando na revolução pessoal de Elliot e seus pais. Imelda Staunton e Henry Goodman merecem aqui um destaque especial por suas interpretações do casal judeu que vê suas vidas transformadas com aquelas pessoas estranhas, vivenciando experiências novas, mas sem deixar de se preocupar com o filho. Outra caracterização impressionante é a de Jonathan Groff que encarna a tranquilidade e visual do produtor Michael Lang de uma forma impressionante. E ambos, personagem e persona inspiradora, me lembram muito Treat Williams em Hair e o estereótipo do "hippie cuca fresca".

A sempre elogiada fotografia de Eric Gautier nos conduz sempre à Elliot, nunca focando o festival, o que acho acertado, apelando muitas vezes para a já usada tela dividida, que busca dar conta de todas as instâncias daquele caos organizado. Algo, no entanto, fica faltando, seja no roteiro, na direção ou na fotografia para tornar a experiência realmente sublime. O filme não atinge o objetivo de construir um protagonista para aquela história, que é na verdade do fenômeno histórico e não de uma pessoa em particular. Por vezes, se perde em algumas experiências tolas de auto-descoberta, sem se aprofundar exatamente na construção desta. Afinal, Elliot se mostra um personagem raso, um recorte de várias sensações sem nexo. Há algumas cenas em que a catarse é pretendida, mas não se consuma exatamente pela falta dessa profundidade, como no momento em que encontra a mãe deitada no armário com os dólares ou na cena da boate.

Ainda assim, a experiência é sensitiva. Algo no clima e nas imagens que Ang Lee constrói como conjunto fílmico no leva para aquele espaço de transgressão, mesmo que esquecendo as questões políticas não abordadas no filme. Isso me fez sair leve. Com vontade de cantar e vivenciar algo parecido, coisa que é, infelizmente, impossível.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Moda e cinema na Sala de Arte

Versão em Preto e Branco, de Fabíola FreireComeça amanhã o Imagem Fashion - Semana de Arte e Moda de Salvador. Uma iniciativa do Circuito Sala de Arte que irá reunir estudantes universitários, profissionais de moda, educadores, empresários, profissionais de cinema e a classe artística em geral para exposições, debates, exibição de filmes, bate-papo e, como o release define, um mercado moderno. A idéia surgiu da ausência de um evento que reunisse todos esses elementos, falando de moda e de cinema, fotografia, pintura, design e pensamento explorando o intercâmbio produtivo de todas as áreas.

Diversos nomes estarão presentes, entre eles o baiano Cao Albuquerque, figurinista de renome da Rede Globo e filmes como Grande Família, Irma VAP e Romance. Além de debates, exposições e exibições de filme, a programação traz ainda Oficinas de Moda e Maquiagem, que mostram na prática como trabalhar com Planejamento e produção de figurino e maquiagem e Fotografia e imagem de moda.

O evento conta com o apoio financeiro do Governo da Bahia através do Fundo de Cultura e também com o apoio institucional do Shopping Paralela, da Unijorge e da UFBA/PAC.

Quando: 19 a 27 de março de 2010
Onde: Saladearte Cine Vivo, Saladearte Cinema da UFBA, Unijorge e Shopping Paralela
Informações: 71 3237-9681

PROGRAMAÇÃO   

19/03 – SEXTA-FEIRA
ABERTURA
LOCAL: Shopping Paralela
BATE-PAPO COM CONVIDADO: Cao Albuquerque – figurinista

Dolls, filme de Takeshi Kitano

MOSTRA 7X7
EXIBIÇÃO DO FILME: Dolls
LOCAL: Cinema da UFBA
HORÁRIO: 18:30h

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO DE CAO ALBUQUERQUE
LOCAL: Shopping Paralela

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO 10 ESTILISTAS BAIANOS
LOCAL: Shopping Paralela

20/03 – SÁBADO
Beleza Roubada, de Bernardo Bertolucci

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO DE FABÍOLA FREIRE
LOCAL: SALADEARTE DA UFBA

MOSTRA 7X7
EXIBIÇÃO DO FILME: Beleza Roubada
LOCAL: Cinema da UFBA
HORÁRIO: 18:30h

AULA-SHOW DE MAQUIAGEM
LOCAL: Shopping Paralela
HORÁRIO: 17h30

21/03 – DOMINGO
MOSTRA 7X7
EXIBIÇÃO DO FILME: A Pantera Cor de Rosa
LOCAL: Cinema da UFBA
HORÁRIO: 18:30h

22/03 – SEGUNDA-FEIRA
OFICINA DE MODA 1
TEMA: Planejamento e produção de figurino e maquiagem
LOCAL: Unijorge
HORÁRIO: 14h – 17h
OFICINEIROS Alam Félix

MOSTRA 7X7 E BATE-PAPO
EXIBIÇÃO DO FILME: Bonequinha de Luxo
LOCAL: Cinema da UFBA
HORÁRIO: 18:30h
TEMA DA MESA: Elegância, feminilidade e sofisticação num pretinho básico. O cinema e a moda como vendedores de sonho
PALESTRANTES: Diogenes Costa/Phaedra Brasil
MEDIADOR: Marcus Vinicius de Souza

MOSTRA CAO ALBUQUERQUE
LOCAL: Shopping Paralela – Cinema UCI Orient
HORÁRIO:11h
EXIBIÇÃO DO FILME: Romance
ENTRADA FRANCA

23/03 – TERÇA-FEIRA
OFICINA DE MODA 1 (Continuação)

MOSTRA 7X7 E BATE-PAPO
EXIBIÇÃO DO FILME: A Regra do Jogo
LOCAL: Cinema da UFBA
HORÁRIO: 18:30h
TEMA DA MESA: Channel, a moda e o cinema. A alta costura nas grandes telas
PALESTRANTES: Jonga/Maurício Portela
MEDIADORA: Carina Silveira

MOSTRA CAO ALBUQUERQUE
LOCAL: Shopping Paralela – Cinema UCI Orient
HORÁRIO: 11h
EXIBIÇÃO DO FILME: Auto da Compadecida
ENTRADA FRANCA

Leia >>

Mostre para seus amigos

A Fita Branca

"O medo é a trilha para o lado negro. O medo leva à raiva. E a raiva leva ao ódio. O ódio leva ao sofrimento." Quando mestre Yoda disse isso para Anakin Skywalker ele estava prevendo o futuro de um dos maiores vilões da ficção científica. Alguns dizem que a Saga de George Lucas é uma analogia ao nazismo. Fantasia ou realidade, o âmago do que aconteceu ao povo alemão para que aceitasse um líder como Hitler e disseminasse a idéia de raça pura e anti-semitismo com tanta força ainda é um mistério. Experiências até tentaram compreender, como o retratado no filme A Onda. Agora, saber mesmo é mais complicado.

E é assim que a gente fica após assistir A Fita Branca. Há muitas perguntas e poucas respostas. O narrador já havia dito no início que não tinha certeza de que tudo que irá narrar é verdade. Aliás, há tempos não via um filme onde a voz over fosse tão bem utilizada e necessária ao roteiro. É através dela que fazemos as associações que Michael Haneke quer passar: a origem do nazismo, ou como o narrador diz "quem sabe, eles poderiam esclarecer algumas coisas que ocorreram neste país." A verdade é que faz parte da filmografia do diretor expor a crueldade humana até o seu limite. E o mais tenso é demonstrar essa crueldade em crianças.

Ao escolher filmar em preto e branco, Michael Haneke e Christian Berger conseguiram acentuar ainda mais o tom obscuro da trama. Os contrastes são grandes, negro é denso, branco é brilhante. As cenas ficam mais intensas e fortes, apesar de sentir falta de cores quando o pastor pergunta por exemplo ao filho porque ele ficou ruborizado ao falar de determinado assunto. Em contra-partida, o objeto do título "a fita branca" fica bem visível no contraste. O significado dela é metafórico. O pastor da vila amarrava uma fita branca nos filhos para deixá-los longe dos pecados, um símbolo de pureza. Era uma espécie de rito de passagem tirar a fita, significava que a criança tinha amadurecido e já sabia discernir as coisas.

As interpretações são assustadoramente fortes, principalmente do suspeito grupo de crianças.  Na dor, no disfarce, no medo, na dissimulação, na confissão. Cada personagem é tensamente construído como todo o resto, na sutilidade e nos detalhes. Um olhar, um pequeno gesto, uma frase não terminada. A Fita Branca é daqueles filmes que nos tiram do conforto e nos obrigam a refletir.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Vem aí o In-Edit Brasil 2010

In-Edit Brasil 2010 Para quem gosta de documentário musical e mora em São Paulo ou Rio de Janeiro, uma boa notícia. Começa quinta-feira, dia 18/03, a segunda edição brasileira do In-Edit, festival já tradicional na Espanha. Música e documentário juntos em mais de 70 filmes nacionais e internacionais, dos quais 60 são inéditos no circuito comercial.

O festival acontece em São Paulo de 18 a 28 março nas salas do MIS, Cine Olido, CineSESC, HSBC Belas Artes, Matilha Cultural, Auditório Ibirapuera e Instituto Cervantes. E no Rio de Janeiro entre os dias 02 a 08/04 em dimensões reduzidas. Com muitas sessões gratuitas, o festival vai exibir documentários diversificados com temas como Seu Jorge, Naná Vasconcelos, Bezerra da Silva, Tom Zé, Dzi Croquetes, Lenine, Bill Withers, Johnny Cash, Anvil, Led Zeppelin, White Stripes, Filarmônica de Berlim, entre outros, além de apresentações musicais exclusivas e debates com diretores, jornalistas, músicos e produtores.

O festival tem uma mostra competitiva no Panorama Brasileiro, em que seis longas serão votados pelo público e o vencedor ingressa no circuito In-Edit de festivais pelo mundo. Uma ótima vitrine, além de uma oportunidade para conhecer bons filmes em primeira mão. São eles:

Beyond IpanemaBeyond Ipanema
(Guto Barra, Brasil-EUA, 2009, 89’)
Qual é o som do Brasil no exterior? Beyond Ipanema reúne artistas brasileiros e internacionais para analisar o impacto da música brasileira no mundo. Um intercâmbio de estilos musicais que tem ajudado o Brasil a garantir uma posição única na cultura global.





Mamonas AssassinasMamonas para Sempre – O Doc.
(Claudio Kahns, Brasil, 2009, 90’)
Em menos de 10 meses, a banda Mamonas Assassinas saiu do anonimato e se tornou um dos maiores fenômenos da música brasileira. Irreverentes, inteligentes, sarcásticos e criativos, o grupo pegou o Brasil desprevenido e vendeu dois milhões de cópias de seu único disco. Este documentário mostra material inédito da banda e depoimentos de parentes, amigos, produtores e músicos para recontar a trajetória do grupo, os desafios, a ascensão e o trágico acidente que matou todos os seus integrantes em 1996.

Bezerra da SilvaBezerra da Silva – Onde a Coruja Dorme
(Márcia Derraik e Simplício Neto, Brasil, 2010, 72’)
O cantor Bezerra da Silva se tornou uma estrela nacional nos anos 80, durante a chamada “explosão do pagode”. Classificada inicialmente pela crítica como "sambandido", sua música encantou o público brasileiro com crônicas cáusticas e extremamente bem-humoradas sobre o cotidiano das favelas. No entanto, o que poucos sabem é o segredo do sucesso de Bezerra da Silva: sua equipe de compositores - pedreiros, trocadores de ônibus, carteiros, técnicos de refrigeração e biscateiros em geral. Trabalhadores anônimos que cantam como ninguém o universo da malandragem carioca. Sambistas genuínos, escolhidos a dedo por Bezerra.

Dzi CroquettesDzi Croquettes
(Tatiana Issa e Raphael Alvarez, Brasil, 2009. 110’)
A trajetória do irreverente grupo de dança carioca Dzi Croquettes, que marcou o cenário artístico brasileiro nos anos 70. O grupo contestava a ditadura por meio do deboche e da ironia e defendia a quebra de tabus sociais e sexuais. É lembrado por depoimentos de artistas e amigos como Liza Minnelli, Ron Lewis, Gilberto Gil, Nelson Motta, Ney Matogrosso, Betty Faria, Miéle, Jorge Fernando, Cláudia Raia, Pedro Cardoso e Norma Bengell, entre outros.
Prêmio de melhor documentário no Festival do Rio 2009, na 33ª Mostra Internacional de Cinema (São Paulo, 2009) e no Festival Mix Brasil 2009.

ClaudiaMeu Amigo Claudia
(Dácio Pinheiro, Brasil, 2009, 86’)
Documentário sobre Claudia Wonder, o travesti que rompeu preconceitos aparecendo nas páginas culturais de jornais e revistas. Com participações em produções de cinema erótico, famosas performances no Madame Satã e cantando punk rock marcou presença na cena dos anos 80. Mesmo com tudo isso, Claudia Wonder não deixa de ter envolvimento no campo intelectual e político, tornando-se uma importante representante do governo nas organizações de assistência e proteção aos homossexuais.
Melhor documentário no Festival Mix Brasil 2009, ao lado de DZI Croquettes.


Seu JorgeSeu Jorge – América Brasil, o documentário
(Pedro Jorge e Mariana Jorge, Brasil, 2009, 103’)
Não é sempre que vemos um artista tocar as estrelas, mas em 2008 Seu Jorge chegou perto disso. Emplacou três hits no topo das paradas, fez várias participações em projetos interessantes e realizou a turnê de seus sonhos: cruzar o Brasil por terra tocando nas principais capitais.
"Seu Jorge – América Brasil, o documentário" perfaz todo esse caminho de maneira natural e espontânea. Um road movie que acompanha o músico desde seu processo criativo até sua plenitude, no palco.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Orquestra dos meninos

Murilo Rosa em Orquestra dos MeninosQuase esquecido por público e crítica, Paulo Thiago construiu mais que um filme ao homenagear o maestro Mozart Vieira, servindo como uma oportunidade de corrigir uma grande injustiça. Músico do interior de Pernambuco que sonhou em criar uma orquestra com meninos do agreste, foi perseguido por forças políticas e quase teve seu projeto de vida destruído ao ser acusado de abuso de menores.

O filme está longe de ser uma obra-prima, é verdade, mas a história tem uma força tão grande que você termina a projeção embevecido. É possível fazer o nosso sonho acontecer. Em situação adversa, Mozart conseguiu construir uma orquestra de sucesso, quando ninguém mais acreditou ser possível. Mais do que isso, os créditos finais mostrando que todos os meninos vivem hoje de música é um sopro de esperança de dias melhores. Afinal, quem é capaz de viver de seus próprios sonhos? Todos os dias somos puxados pela realidade que nos obriga a trabalhar e pagar as contas, deixando os desejos, as paixões em segundo plano. É o medo que nos impede de mergulhar de cabeça em projetos próprios que nos trariam mais satisfação. Mozart não teve esse medo. Saiu de sua posição confortável e lutou pelo impossível, dando um rumo na vida de pessoas que jamais sonhariam em oportunidades parecidas.

Orquestra dos MeninosVoltando ao filme em si, há falhas técnicas diversas. O roteiro não é tão bem amarrado, oscilando por vezes, em um melodrama caricatural, tornando o drama menos denso do que poderia. Muitas cenas soam de forma artificial e algumas interpretações ficam aquém do esperado. Peca ainda, no final, ao colocar um noticiário e depoimentos de Ivan Lins e Geraldo Azevedo em uma tentativa sem sentido de mostrar que aquilo é real. Porém, há uma coerência e uma sensibilidade em mostrar a história de vida daqueles meninos sofridos, a forma como eles vão aprendendo a tocar os instrumentos, a dedicação e o amor a música, as primeiras apresentações. É possível se envolver e se emocionar com várias cenas. Destaque para a apresentação em frente à prefeitura após a confusão.

Murilo Rosa está muito bem no papel principal e Priscila Fantin também convence em sua atuação se esquecermos que é a atriz global conhecida. O rótulo é tão forte que, por vezes, fica impossível comprar a idéia de que ela é uma adolescente nordestina, semi-analfabeta. De qualquer maneira é uma história de inspiração. Filmes assim deveriam estar sendo feitos em maior escala. Em vez de incentivar a população a reclamar e sofrer com situações de miséria, mostrar bons exemplos de caminhos e possibilidades para ir além e vencer na vida. Por que não?

Leia >>

Mostre para seus amigos

Grandes Cenas: A escolha de Sofia (com spoilers)

A Escolha de Sofia

Já que pela décima quarta vez, Meryl Streep perdeu um Oscar, resolvi lembrar aqui a última estatueta ganha por essa excelente atriz. A escolha de Sophia é um filme complexo. Mistura o sofrimento da guerra, do campo de concentração, com simples prazeres da vida, como tomar vinho, passear no parque com os amigos, e problemas psicológicos graves. Fala de muita coisa, mas o que fica para nós é a maldita escolha. A possibilidade de escolha é a grande questão da nossa existência humana. Afinal, se somos capazes de escolher, temos que arcar com nossas responsabilidades. Mesmo a escolha de se abster é uma escolha e pode nos carregar de culpa, por não ter feito nada. A escolha infringida a Sofia foi tão forte que a expressão se transformou em símbolo de escolha impossível. E o mais notável é que só lhe deram míseros cinquenta e cinco segundos. Todo o filme é notável, a interpretação de Meryl Streep é fenomenal em cada momento, seja sorrindo, dançando, chorando na beira da escada, apanhando do namorado, mentindo, confessando, aprendendo a falar inglês e tudo mais que a vemos fazer. Mas, nada é tão forte e significativo quanto o momento da escolha. E esta é a grande cena que fica em nossa memória.

ATENÇÃO, SE VOCÊ NÃO VIU O FILME E QUER SE SURPREENDER, NÃO LEIA O RESTO.

Somos avisados no título de que Sofia vai fazer uma escolha, mas não nos explicam qual é essa escolha. Durante duas horas e quinze minutos somos induzidos a entender que ela deverá escolher entre seu namorado Nathan e seu vizinho Stingo. Só no apagar das luzes vem a revelação. Sua escolha é muito mais profunda do que um simples romance. Quem deve viver? Seu filho de dez anos ou sua filha de oito? Quem você irá mandar para câmara de gás e quem terá uma chance naquele campo insólito? Qual a mãe conseguiria responder? Mas, se não respondesse, Sofia veria os dois serem exterminados. Não seria justo salvar ao menos um? Nem muito tempo há para pensar. Do instante em que o nazista fala "você pode ficar com uma" até o momento em que ele diz "levem as duas crianças", se passam exatos cinquenta e cinco segundos. A decisão que irá torturar a mente de Sofia para o resto de sua vida, não leva um minuto. E ela grita, quase inconsolável, "leve o meu bebê, leve a minha garotinha". A tensão psicológica é imensa, não há como não se emocionar.

Engraçado que já estamos quase no final do filme, já sabemos que a menina foi para a caldeira e que o menino poderia estar vivo, sendo criado por uma família alemã. A revelação ali era apenas que foi Sofia a responsável pelos dois destinos. Então, sem a expectativa da resposta, podemos nos concentrar no sofrimento daquela mulher. Na expressão que Meryl Streep consegue construir em cada gesto e na frieza de seu opositor.

Percebam o enquadramento escolhido por Alan J. Pakula. Ele coloca o nazista de baixo para cima, na penumbra e Sofia de cima para baixo com a luz estourada em sua face. Ele, no conforto de sua superioridade e escondido pela sombra. Ela, submissa e totalmente exposta. O plano é fechado em ambos os casos. A tensão está no olhar, nos pequenos gestos. Ele chega falando de sua beleza e do seu desejo. Brinca com seu desespero ao falar as palavras de Jesus. Tudo dá ainda mais raiva daquele homem sem sentimentos.

A Escolha de Sofia

Outro detalhe que dá força à cena é o fato de a menina estar no colo da mãe e o menino ao seu lado, agarrado as suas pernas. Então, vemos a garotinha que irá morrer (já sabemos disso, lembrem) e suas expressões de medo. A força dramática disso é ainda maior. O menino só é mostrado no momento em que o nazista manda levar os dois. Aí ele chora agarrado à mãe e ela grita para levarem a menina que sai chorando muito. A cena dela se afastando se contrasta com o rosto de Meryl Streep no ápice da dor, nenhum som ela consegue soltar.

Se tem uma cena emblemática de dor, é essa. Infelizmente não encontrei-a no Youtube com legendas em português, apenas em inglês e mesmo assim sem possibilidade de incorporar ao blog. Cliquem aqui para vê-la. E se você não domina a língua inglesa, abaixo o diálogo completo.

A Escolha de Sofia

Comandante Hoess:
Você é tão bonita...
Gostaria de ir para cama contigo.
Você é polaca?
Você! É também uma dessas comunistas sujas?

Sofia:
Eu sou polonesa!
Nasci na Cracóvia! Não sou judia. Tampouco meus filhos!
Não são judeus.
São arianos puros.
Eu sou católica.
Sou católica devota.

Comandante Hoess:
Não é comunista?
É religiosa?

Sofia:
Sim, senhor.
Eu creio em Cristo.

Comandante Hoess:
Então, crê em Cristo... o redentor?

Sofia:
Sim!

Comandante Hoess:
E Ele não disse... "Que sofram as criancinhas... para que possam vir a Mim"?
Poderá ficar com um de seus filhos.

Sofia:
Perdão?

Comandante Hoess:
Poderá ficar só com um de seus filhos.
Um terá de morrer.

Sofia:
Diz que terei de escolher?

Comandante Hoess:
É polaca, não uma judia.
Isso lhe dá um certo privilégio, o da escolha.

Sofia:
Eu não posso escolher!
Eu não posso escolher!

Comandante Hoess:
Quieta.

Sofia:
Não posso escolher!

Comandante Hoess:
Escolha! Ou mandarei ambos para lá!
Faça a escolha!


Sofia:
Não me faça escolher!
Não posso!

Comandante Hoess:
Mandarei ambos para lá.
Cale- se! Basta!
Eu disse para se calar.
Faça a escolha.


Sofia:
Não me faça escolher!
Eu não posso!

Comandante Hoess:
Mandarei ambos para lá.

Sofia:
Não posso escolher!

Comandante Hoess:
Leve as duas crianças embora! Mexa-se!

Sofia:
Leve minha filhinha!
Leve meu bebê!
Leve minha garotinha!

Leia >>

Mostre para seus amigos

Leonardo Di Caprio, um rebelde com causa

Leonardo DiCaprio Hoje estreia A Ilha do Medo, o esperado novo longa de Martin Scorsese que traz a volta do diretor ao suspense psicológico. A confirmação da parceria com Leonardo DiCaprio que começou em Gangues de Nova Iorque, faz pensar sobre a carreira deste ator tão estigmatizado com o personagem Jack de Titanic. E pensar que em seu primeiro trabalho (O despertar de um homem), Robert de Niro havia profetizado que ele seria um dos melhores atores do mundo. Tal qual Brad Pitt, ele escolheu papéis e tentou fugir da imagem de galã. Porém, diferente do Sr. Jolie, o rapaz parece carregar uma cruz de ídolo adolescente. O que não deixa de ser uma injustiça, já que talento ele já demonstrou ter.

Assim, resolvi resgatar aqui suas principais interpretações, não necessariamente os melhores filmes, em ordem cronológica. Apenas para mostrar que nem sempre de galã (aliás, acho que Jack e Romeu foram os únicos) vive Leonardo DiCaprio.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Onde vivem os monstros?

Max e o monstro Carol Depois de anos tentando adaptar Where The Wild Things Are, livro de Maurice Sendak publicado em 1963, Hollywood consegue levar as telas, pelas mãos de Spike Jonze, a história do pequeno Max. Engraçado, que apesar de ter se tornado uma cultuada história infantil, a narrativa parece muito mais voltada para adultos, com muitos elementos psicológicos por trás da trama.

Max é um garoto de 8 anos que ainda não passou da sua fase egocêntrica. Tudo tem que ser do jeito dele, na hora que ele quer. Assim, desentende-se com sua irmã e sua mãe, fugindo de casa e indo parar em uma ilha especial onde é o rei da situação. Os habitantes locais, monstros bem fofos e perigosos, aceitam Max como seu governante e tudo que ele quer é uma ordem. Mas, os sentimentos são sempre muito confusos.

Cartaz de Onde Vivem os MonstrosA atmosfera lembra muito outro clássico infantil: História sem Fim. Na verdade, tudo ali é metafórico. A ilha é apenas a simbologia do interior do garoto, com seus monstros internos, sentimentos contraditórios e confrontações sofridas. É uma jornada de crescimento, do fim da primeira infância, onde a criança aprende que existem os outros e têm que respeitar limites.

A direção de arte é muito bem feita e a trilha sonora é bela, trazendo sensações diversas, principalmente nas situações de embate. A atmosfera é sempre estranha, bem ao estilo de Spike Jonze, mas com uma sensibilidade peculiar. A cena do abraço coletivo também é bem legal, assim como o uivo no final. No geral, apenas acho que faltou ritmo ao filme. Há muitos momentos parados, repetitivos, como a eterna briga dos dois monstros e um terreno muito insólito na descoberta do garoto. A fábula podia ser melhor explorada também, para agradar a todos. É um bom filme, porém difícil, nem todos vão se apaixonar.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Um homem sério

Michael Stuhlbarg em Um Homem SérioQual o sentido da vida? Sua visão é determinista ou você acredita que suas ações movem o mundo e tudo é uma questão de causa e efeito? Se é assim, o que você fez para merecer as malezas que lhe ocorrem? São essas perguntas que movem toda a construção do filme Um homem sério e por que não dizer toda a obra de Joel Coen e Ethan Coen. Os conhecidos irmãos Coen compõem suas carreiras com muito sarcasmo, tramas e diálogos insólitos e reflexões sobre a natureza humana. Há quem ame e quem odeie.

Larry Gopnik é o típico cidadão americano. Professor de Física, casado, com dois filhos, certinho e judeu. De repente, sua vida começa a desmoronar, afinal, sua esposa quer se separar para casar com um viúvo amigo da família, seu aluno coreano quer suborná-lo, seu filho fuma maconha e briga por dinheiro com a irmã fútil que por sua vez roubou do próprio pai, seu vizinho está invadindo seu terreno e seu irmão doente está com problemas com a polícia. Para completar, ele tem algum problema de saúde não definido. Com tudo isso, Larry recorre aos seus guias espirituais para tentar entender o porquê de tudo aquilo. Mas, existem coisas que simplesmente não tem explicação e vamos sendo apresentados aos poucos a sucessão de incertezas e vulnerabilidades da vida.

Um Homem SérioMichael Stuhlbarg dá ao seu Larry uma apatia e incompreensão incríveis, a gente fica perdido junto com o personagem tentando entender o que aquele filme quer nos passar. A graça é essa, ao contrário do que quer provar o professor de Física de que tudo é lógica, a vida não segue esse rumo tão preciso e somos surpreendidos com incongruências a todo o momento. O cartaz do filme mesmo foi bastante feliz ao colocar Larry em cima do telhado olhando a vizinhança (ou melhor a vizinha). A sensação é essa, que o personagem está tentando se dissociar da realidade para tentar entendê-la. Aí vem uma força da natureza e bagunça tudo. O destino está sempre pregando uma peça em nós.

Apesar de se passar nos anos 60, a trama é bastante atual e faz uma crítica direta à sociedade americana e a crise econômica. Mesmo utilizando o judaísmo como metáfora, não se deve ver o filme como uma crítica à religião, mas sim à tradição daquela comunidade. Toda a construção do roteiro, direção e montagem é para misturar os conceitos de causa e efeito, com sequências em paralelo que nos parecem relacionadas, mas dão viradas surpreendentes, como dois acidentes de carro, sonhos de Larry ou situações de pai e filho. É um filme para ser digerido aos poucos, como tudo que seus realizadores fazem.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Idas e Vindas do Amor

Idas e Vindas do AmorTodos os anos temos comédias românticas explorando o Dia dos Namorados ou simples histórias de princesas. Idas e Vindas do Amor vai ainda mais além, sendo uma espécie de cópia de Simplesmente Amor, filme inglês bem simpático, que por sua vez usa a mesma fórmula de Corações Apaixonados que de todos tem o melhor roteiro por cruzar as situações aos poucos.

Histórias paralelas que podem ter uma relação ou não, caminhando para um esperado final feliz. O grande trunfo do filme de Gary Marshall é o elenco. Não é todo dia que se reúne em um mesmo projeto: Ashton Kutcher, Kathy Bates, Anne Hathaway, Jamie Foxx, Jessica Alba, Jessica Biel, Bradley Cooper, Shirley MacLaine, Patrick Dempsey, Topher Grace, Queen Latifah, Taylor Swift, Taylor Lautner, George Lopez, Eric Dane, Hector Elizondo, Jennifer Garner, Emma Roberts e Julia Roberts. O roteiro de Katherine Fugate, no entanto, não ousa muito, tornando as ligações previsíveis. A única exceção ficou por conta do desfecho do personagem de Bradley Cooper.

São dez histórias, algumas bobas, outras engraçadas, uma Sessão da Tarde divertida, diria assim. Mas, fraca diante do que poderia ser. Há cenas ótimas como a do restaurante, ou o repórter entrevistando o casal de adolescentes, mas outras ridículas como a do garoto nu com o violão ou Anne Hathaway em suas peripécias ao telefone. As situações também são um pouco inverossímeis, ou sei lá, é tradição americana passear no cemitério no Dia dos Namorados?

Ashton Kutcher e Jennifer GarnerNo elenco, Patrick "McDreamy" Dempsey continua sendo médico e mulherengo. Ashton Kutcher faz um florista abobalhado, Anne Hathaway uma atendente de disque-sexo, Jessica Alba completamente sem sentido e Júlia Roberts faz uma capitã do exército com uma personalidade pouco definida. Entre outros estereótipos, Jennifer Garner é o único respiro, com uma personagem um pouco mais trabalhada, ainda assim, nada de grande destaque.

É aquele tipo de coisa, não se pode exigir de um filme mais do que ele possa dar. É uma comédia romântica, sem compromisso, feita para divertir casais apaixonados. E cumpre seu papel, apesar de não trazer nenhuma novidade para o gênero.

Leia >>

Mostre para seus amigos

Quebra de tabu em noite de Oscar, viva ao dia da mulher

Kathryn Bigelow no Oscar 2010 Já passava da meia-noite no Kodak Theatre, quando Barbra Streisand anunciou a quebra de um tabu. Coincidência ou não, em pleno dia internacional da mulher, pela primeira vez uma representante do sexo feminino vence o Oscar de melhor direção. E não foi só isso. O filme de Kathryn Bigelow levou seis estatuetas das nove que concorria, tornando-se o grande vencedor da noite. Achei justo. No geral, Guerra ao Terror se mostrou um excelente filme, com uma tensão incrível, boas interpretações, enquadramentos e jogos de câmeras fantásticos e uma narrativa que nos prende. Não que eu ache Avatar um filme ruim, que fique claro. Impressiona, é um grande feito cinematográfico, mas tinha dois filmes melhores que ele na disputa. O grande injustiçado, mais uma vez, foi Tarantino. Gênio incompreendido que ficou sem nenhuma estatueta. Bastardos só subiu ao palco representado pelo já esperado melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz. Eu daria o melhor roteiro para o filme.

No geral, a cerimônia foi morna, poucas surpresas como o melhor curta de animação para Logorama e o Oscar de filme estrangeiro para O Segredo dos seus olhos, filme Argentino que desbancou o favorito absoluto A Fita Branca. Achei ótimo vir mais um Oscar para América Latina. Nossos hermanos estão com um cinema cada vez mais consistente, que o Brasil se inspire. Steve Martin e Alec Baldwin fizeram ótimas piadas e divertiam o público, mas no geral, as apresentações foram maçantes, repetindo o "Arquivo Confidencial" no anúncio dos Oscars de melhor atriz e ator. Teve uma bela homenagem aos que já foram, com  James Taylor cantando "In my life" dos Beatles. E um especial para os filmes de Terror, pegando desde Nosferatu a... Crepúsculo (?), passando por clássicos como O Iluminado, O Exorcista, Tubarão e Sexta-Feira 13. Mas, o momento mais marcante para quem viveu os anos 80 foi a homenagem a John Hughes. Diretor, produtor e roteirista que nos presenteou com clássicos juvenis como Curtindo a vida adoidado, Garota nota 1000, O clube dos cinco, A garota de rosa Shocking.

Sandra Bullock no Oscar 2010Os quatro atores premiados, apenas confirmaram seu favoritismo. Destaque para Sandra Bulock que teve uma emoção dupla, já que no sábado ela tinha levado o Framboesa de Ouro por sua atuação em Maluca Paixão e ironizou que alguém tivesse visto o filme. A primeira reação da atriz ao ser anunciada vencedora do Oscar foi de abraçar a concorrente Meryl Streep, mas foi quase jogada por esta no palco. Mostrando-se humilde em seu discurso, Sandra perguntou se eles não tinham errado e agradeceu a todos, inclusive a sua amante Meryl Streep, fazendo uma referência ao beijo que deu na atriz quando dividiram o prêmio do Sindicato.

Mo'nique no Oscar 2010Apesar de ter vencido o prêmio do Sindicato dos Roteiristas e estar cotado entre os favoritos, só não gostei mesmo foi do Oscar de roteiro adaptado para Preciosa, o argumento é bom, mas o roteiro não tem nada demais. Gostei de ver ainda Star Trek ser lembrado pelo menos em maquiagem. E adorei Up ter vencido em melhor trilha sonora, que é mesmo emocionante, apesar de continuar não achando que ele é a melhor animação de todos os tempos. Torci pela causa perdida do Sr. Raposo. O que mais gostei na premiação de melhor filme de animação foi a apresentação. Colocaram os personagem como se estivessem dando entrevistas sobre o prêmio. Muito bom.

A vitória de Guerra ao Terror mostra que tecnologia não é tudo no cinema. Claro que o 3D está aí para encher nossos olhos e levar novos adeptos à sala de projeção, mas a arte cinematográfica é um conjunto de técnicas que não podem estar desequilibradas. Isso faz pensar sobre o futuro do meio e talvez, possar frear um pouco essa onda em terceira dimensão que invadiu os estúdios. Ainda há espaço para um bom filme em 2D. Outra lição fica para os distribuidores brasileiros, que em uma miopia incrível tinham lançado Guerra ao Terror direto no DVD e tiveram que fazer um relançamento às pressas no cinema. Prova de que prêmio pode não mudar a opinião do espectador, mas é uma boa ferramenta de marketing junto a propaganda boca-a-boca.

Ah, e coloquei apenas fotos das mulheres vencedoras da noite em homenagem ao nosso dia. Feliz Dia da Mulher para todas.

Confiram a lista completa dos vencedores:
Melhor Filme: Guerra ao Terror
Melhor Diretor: Kathryn Bigelow
Melhor Atriz: Sandra Bullock
Melhor Ator: Jeff Bridges
Ator Coadjuvante: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios)
Melhor Atriz Coadjuvante: Mo'Nique (Preciosa)
Melhor Montagem: Guerra ao Terror
Melhor roteiro original: Guerra ao Terror (Mark Boal)
Melhor Roteiro Adaptado: Preciosa (Geoffrey Fletcher e Ramona Lofton)
Melhor Fotografia: "Avatar"
Melhor animação: UP – Altas Aventuras
Melhor filme estrangeiro: O Segredo dos seus olhos
Melhor Documentário: The Cove
Melhor canção original: "The Weary Kind" (Crazy Heart)
Melhor Trilha Sonora: Up - Altas Aventuras
Melhor curta metragem animação: Logorama
Melhor curta metragem documentário: Music by Prudence
Melhor curta metragem: The New Tenants
Melhor maquiagem: Star Trek
Melhor Direção de Arte: Avatar
Melhor Figurino: A Jovem Victoria
Melhor Mixagem de Som: Guerra ao Terror
Melhor Edição de Som: Guerra ao Terror
Melhor Efeitos Visuais: Avatar

Leia >>

Mostre para seus amigos

O que esperar do Oscar

Em sua 82ª Edição, o Oscar tenta inovar, indicando dez candidatos a melhor filme, e pretende trazer de volta o glamour que o ano anterior deixou de lado devido à "crise". O esforço é grande e a briga está forte entre alguns concorrentes, mas no geral, há coisas bem previsíveis à nossa espera. Aqui vai um resumo e palpite sobre as principais categorias, por falta de espaço, não falarei de todos os canditados, confira a lista completa aqui.


Melhor Filme:

Apesar de dez concorrerem, três tem alguma chance de levar, onde dois são apostas precisas: Guerra ao Terror ou Avatar? Se Bastardos Inglórios levar, é surpresa, mas não é tão improvável quanto qualquer um dos outros sete concorrentes. De certa forma, três filmes de guerra, cada um com seu estilo próprio e com algo a acrescentar à história do cinema. Bastardos Inglórios não inova, aliás bebe na fonte dos clássicos do velho oeste, com a linguagem já registrada de Tarantino. Mas, é uma aula de cinema, por isso, merece o título. Avatar traz uma grande inovação tecnológica, uma nova forma de filmar em 3D, um jogo de imagens ímpar que conseguiu até mesmo colocar legenda nas projeções dos filmes neste formato. A história, apesar de parecida com muitas, é bem contada, tornando o filme um clássico moderno desde seu nascimento. Já Guerra ao Terror é a surpresa da tensão realista com um ritmo eletrizante na montagem. Tudo é detalhadamente calculado para que fiquemos roendo as unhas na cadeira. A briga é boa, e amanhã a gente confere.
Favorito: Avatar
Pode Ganhar: Guerra ao Terror
Torcida CinePipocaCult: Bastardos Inglórios

Melhor Diretor
O diretor é o nome principal de uma obra cinematográfica, ele é o chefe da equipe, então, seu trabalho é fundamental para o resultado deste. Nada mais natural então, que os melhores filmes apresentem também os melhores diretores do ano. Então, aqui novamente, temos os três encabeçando as apostas. James Cameron é o sonhador, que mergulha de cabeça em seu sonho e vai buscá-lo. Blockbuster assumido, revolucionou o cinema de ficção científica ao trazer o Exterminador do Futuro 2 e parece "fadado" a grandes bilheterias. Quentin Tarantino é o gênio incompreendido. Um moleque brincando de fazer cinema, tachado de violento, mas que conhece a técnica com a qual brinca de uma maneira impressionante. Qualquer cinéfilo que se preze tira o chapéu para esse homem que até hoje só teve um Oscar, com o roteiro de Pulp Fiction. Kathryn Bigelow tem uma vantagem e desvantagem ao mesmo tempo: é mulher. Vencendo, ela quebra o tabu na categoria, mas, principalmente, entra para história do cinema. Antes de Guerra ao Terror seu maior destaque foi ser esposa de James Cameron. K-19, Tempestade no Mar ou Estranhos Prazeres nunca tiveram grandes repercussões.
Favorito: Kathryn Bigelow
Pode Ganhar: James Cameron
Torcida CinePipocaCult: Kathryn Bigelow

Melhor Ator
Quando a gente pensa na categoria melhor ator e melhor atriz, sempre vem em mente grandes interpretações, de tirar o fôlego com cenas de catarse. Nem sempre é assim. Às vezes, a melhor interpretação é aquela que passa naturalidade simplesmente. Você acredita estar vendo o personagem e não um ator interpretando um personagem. Esse ano, as indicações são boas e variadas, mas dificilmente alguém tira a estatueta das mãos de Jeff Bridges. Sua interpretação como o cantor country e alcoólatra que busca uma reabilitação foi a chance de coroar, merecidamente, uma carreira sólida. Outro forte concorrente é Jeremy Renner, quase desconhecido, ele traz tanta realidade para o sargento James de Guerra ao Terror que não me surpreenderia se ele subisse ao palco no dia 07. Já George Clooney e Morgan Freeman têm seu fãs clubes próprios. O astro sedutor de Amor sem Escalas está muito bem no papel e chegou a ser cotado como favorito, mas não chega a ser uma interpretação fantástica. Já Freeman conseguiu uma caracterização excepcional do líder Mandela, mas também não brilha ao ponto de levar a estatueta.
Favorito: Jeff Bridges
Pode Ganhar: Jeremy Renner
Torcida CinePipocaCult: Jeremy Renner

Melhor Atriz
Esta categoria é sempre uma aposta difícil, já fomos surpreendidos com várias surpresas não muito agradáveis. Este ano estamos entre duas estrelas distintas: Meryl Streep e Sandra Bullock. A verdade é que nenhuma das cinco indicações teve uma interpretação de tirar o fôlego. Mas, Streep e Bullock venceram as principais premiações do ano e uma das duas deve levar a estatueta. Carey Mulligan ganhou fôlego após a vitória no BAFTA, mas um prêmio inglês para uma inglesa é compreensível. Gabourey Sidibe chegou como uma novidade na categoria, mas sua Preciosa apesar de bem defendida é pouco para analisar até que ponto ela é uma grande atriz ou não. Apesar de estar em sua décima sexta indicação, não acredito que Meryl Streep leve, finalmente, seu terceiro Oscar. Sua interpretação da cozinheira Júlia não é das melhores de sua carreira e os holofotes estão todos em Sandra Bulock, a eterna atriz de comédias românticas que teve sua grande chance como a socialite Leigh Anne Tuohy, e soube defender bem o papel, provavelmente a academia vai recompensá-la.
Favorito: Sandra Bulock
Pode Ganhar: Meryl Streep
Torcida CinePipocaCult: Meryl Streep

Melhor Ator Coadjuvante
Esta é uma categoria praticamente unânime. Não conheço uma só pessoa que não concorde que Christoph Waltz leve, merecidamente o Oscar de ator coadjuvante. Ele é a alma do filme, interpretando Hans Landa tornou Bastardos Inglórios ainda melhor de ser visto. Todas as outras interpretações ficam secundárias, apesar de ter gostado de ver Stanley Tucci em um papel diferente.
Favorito: Christoph Waltz
Pode Ganhar: Woody Harrelson
Torcida CinePipocaCult: Christoph Waltz

Melhor Atriz Coadjuvante
Outra categoria sem surpresas. A comediante Mo’Nique deve levar o prêmio em uma categoria das mais tranquilas da noite. Todas as outras concorrentes me deixam um pouco preocupada, será que não haviam melhores indicações? Anna Kendrick e Vera Farmiga estão bem em Amor sem Escalas, mas continuo sem entender o que viram tanto nesse filme. Já Penélope Cruz é uma das piores coisas de Nine, no próprio filme você encontra interpretações melhores. Maggie Gyllenhaal, por sua vez, estava esquecida em outras premiações e surgiu no Oscar como zebra da vez, uma boa atriz, mas sem muito destaque no filme.
Favorito: Mo’Nique
Pode Ganhar: ???
Torcida CinePipocaCult: Mo’Nique

Melhor Roteiro Original
O que é um melhor roteiro? Normalmente é aquele que você não percebe na tela, afinal, a função do filme é fazer com que você entre naquele universo sem ser lembrado a todo momento que está assistindo a uma obra fictícia. A economia narrativa, os pontos de virada, a preparação para o clímax, tudo tem que ser estudado com muita técnica, assim como os diálogos, uma arte a parte que poucos conseguem escrever sem ser artificial. Por isso, a classe briga tanto com diretores que insistem em querer roteirizar seus filmes. Mas, claro, há exceções. Se tem uma coisa que Tarantino já provou é que é um bom roteirista. Todos os seus filmes têm uma capacidade ímpar de contar histórias e com Bastardos Inglórios não é diferente. A forma como as histórias se cruzam, as sátiras ao nazismo, as brincadeiras com as línguas e o jeito alemão de ser. Sem dúvidas é quem merece o prêmio, mas não será nenhuma surpresa se vencer Guerra ao Terror. O filme está mais cotado e tem crescido nas apostas. É um bom roteiro também, sem dúvidas, bem dosado, com uma curva dramática crescente, mas perde em minha humilde opinião em alguns pequenos deslizes para Bastardos. Ainda assim, são dois grandes roteiros e merecem qualquer premiação. E só para não dizer que não falei dos outros, destaco aqui a obra dos irmãos Coen que trouxeram sua marca registrada em O Homem Sério.
Favorito: Bastardos Inglórios
Pode Ganhar: Guerra ao Terror
Torcida CinePipocaCult: Bastardos Inglórios

Melhor Roteiro Adaptado
Apesar de ser uma adaptação de uma outra obra qualquer (livro, teatro, HQ), o roteiro adaptado precisa passar pelo mesmo processo de um original. A comparação é sempre inevitável para os fãs do original, mas a idéia aqui é analisar como a história foi contada para um meio específico: uma projeção cinematográfica. Agora, dos cinco indicados, apenas Amor sem Escalas me parece um bom roteiro. Apesar de Preciosa ter levado o prêmio do sindicato de roteiristas, acho uma construção fraca, o forte do filme é mesmo as interpretações e o argumento. Já Distrito 9, teve uma tentativa interessante de simular uma reportagem de televisão, mas acabou se perdendo no meio. Educação, por sua vez, já comentei que não vejo grande novidades. O que me encantou em Amor sem Escalas foi a capacidade de brincar com os clichês e lugar comum, construindo uma história envolvente desde a primeira cena. Tudo ali é bem amarrado e faz completo sentido.
Favorito: Amor Sem Escalas
Pode Ganhar: Preciosa
Torcida CinePipocaCult: Amor Sem Escalas

Melhor longa em animação
Outra categoria quase certa. Apesar de ser o primeiro ano em que a categoria tem cinco indicados e que todos eles são excelentes produções, Up - Altas aventuras é a animação da vez. A Pixar em parceria com a Disney criou uma jornada diferente que foca suas emoções em relações humanas. A primeira parte do filme é esplêndida, o amor entre Carl Fredricksen e sua esposa é lindo. A entrada do pequeno Russell também é muito interessante, criando uma relação avô-neto linda. Tudo desanda ao meu ver com a entrada do vilão e seus cachorros falantes, o que era uma inovação incrível virou o maior dos clichês. Por isso eu prefiro todos os outros quatro filmes da categoria, apesar de compreender a qualidade técnica do filme e que é o favorito absoluto, tendo inclusive uma indicação na categoria principal. O Fantástico Sr. Raposo aparece como segundo colocado nas apostas, e é uma boa fábula, repleta de surpresas, gosto bastante. Fico feliz também em ver uma produção como Coraline não ser esquecida. Comemoro a volta dos clássicos Disney com A Princesa e o sapo. E vibro com a lembrança a uma produção franco-belga como O Segredo de Kells, a grande surpresa do ano para mim, adorei a experiência.
Favorito: UP - Altas Aventuras
Pode Ganhar: O Fantástico Sr. Raposo
Torcida CinePipocaCult: O Fantástico Sr. Raposo

Melhor filme estrangeiro
Uma categoria para que o resto do mundo não se sinta fora da festa, o melhor filme estrangeiro é sempre uma escolha delicada. Primeiro, porque o júri é outro, mais tradicional, antigo, depois porque as produções estrangeiras chegam sempre com maior dificuldade por aqui. Em Salvador só passou o peruano A Teta Assustada e agora está em cartaz A Fita Branca. Nem o argentino O Segredo dos seus olhos chegou por aqui. Então, fica complicado uma avaliação mais profunda. Fico apenas com as críticas e apostas de que o alemão é mesmo o franco favorito, com uma pequena ameaça do argentino. O filme de Michael Haneke é muito bom e tem ainda ao seu favor o tema: nazismo sempre é bem visto pelo júri de filme estrangeiro.
Favorito: A Fita Branca
Pode Ganhar: O Segredo dos seus olhos
Torcida CinePipocaCult: O Segredo dos seus olhos

Por último, gostaria de incluir aqui o curta-metragem em animação espanhol que, apesar de não ser o favorito na categoria, tem um roteiro e uma produção muito interessante, prendendo a nossa atenção.

Leia >>

Mostre para seus amigos
Related Posts with Thumbnails
 

Licença Creative CommonsBlog CinePipocaCult by Amanda Aouad is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Não a obras derivadas License
Based on a work at www.cinepipocacult.com.br
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://www.cinepipocacult.com.br