01/03/2010

O Brasil no Oscar

Já que estamos na semana do Oscar e hoje é dia de cinema nacional no CinePipocaCult, aproveito para fazer um balanço de nosso país na competição. O Oscar é a festa mais popular do cinema, mas é uma festa da indústria americana. Não acredito que o cinema brasileiro dependa dessa premiação, como já falei anteriormente. Ainda assim, é uma visibilidade ímpar para qualquer filme estar entre os escolhidos.

A trajetória do Brasil no Oscar é pequena, mas com alguns pontos significativos. A primeira indicação foi com O Pagador de Promessas em 1963. Apesar de ter ganho a disputada Palma de Ouro em Cannes, acabou perdendo para o francês Sempre aos Domingos. Desde então, foi um jejum de trinta e três anos até que, na retomada do cinema nacional, O Quatrilho fosse indicado em 1996, com poucas chances, é verdade. Em 1998 veio O Que é isso companheiro? de Bruno Barreto e, em 1999, Central do Brasil, de Walter Salles. Desde então, não conseguimos indicações na categoria de filme estrangeiro. O Brasil teve ainda uma indicação em curta-metragem com o documentário Uma história de Futebol de Paulo Machline.

Fernanda Montenegro no Oscar 1999 Porém, as indicações mais importantes de nosso cinema foram em 1999 e em 2004. Mesmo falando em português, com pouca projeção internacional e com um filme que concorreu apenas em uma categoria considerada menor, Fernanda Montenegro apareceu na lista das cinco candidatas a melhor atriz. "O que estou fazendo no meio dessas louras todas", teria dito ela ao ver o anúncio. A categoria de melhor atriz é uma das mais importantes da premiação, ficando atrás apenas de melhor filme, diretor e ator. Ver Fernanda ali, entre Meryl Streep, Cate Blanchett, Emily Watson, Gwyneth Paltrow e sendo anunciada por Jack Nicholson foi um grande motivo de orgulho. É uma grande atriz que merece todos os nossos aplausos. Engraçado que depois disso, ela virou uma espécie de amuleto nacional, grandes produções colocaram a atriz com participações, mesmo que pequenas, a exemplo de Olga. Mas, ela ainda merecia outro grande papel no cinema.


Cartaz de Cidade de Deus Já em 2004, após ser preterido a indicação do Oscar de filme estrangeiro em 2003, Cidade de Deus conseguiu um feito inédito: quatro indicações em categorias importantes. Primeiro, Fernando Meirelles indicado a melhor diretor, a segunda categoria mais importante da Academia. Foi com isso que ele se tornou diretor internacional encabeçando projetos como O Jardineiro Fiel e Ensaio sobre a Cegueira. Segundo, melhor roteiro adaptado. Para uma obra em português isso é ainda mais fantástico. Por último, dois prêmios técnicos, mas nem por isso menos importantes: fotografia e montagem, as almas do cinema. Não é a toa que Cidade de Deus figura em todas as listas de melhores filmes da década.

Nesse ano, estamos mais uma vez fora da festa, Salve Geral era nosso indicado e não tinha mesmo muito espaço entre produções como A Fita Branca ou O Segredo de Seus Olhos. Ainda assim, fica a torcida para que nosso cinema consiga emplacar, cada vez mais, bons filmes, estabelecendo de vez a indústria cinematográfica em nosso país e podendo mostrar nossa arte para o mundo. Afinal, talento, nós temos de sobra.


5 opiniões:

Kamila disse...

Belo post! Como não temos brasil, no Oscar, estou na torcida pelos filmes e profissionais da América Latina.

1 de março de 2010 23:38
Amanda Aouad disse...

Pois é, Kamila, também estou torcendo por eles, principalmente para que o argentino O Segredo de Seus Olhos surpreenda e vença o favorito A Fita Branca.

abraços

2 de março de 2010 09:36
Robin disse...

O dia em que eu tive raiva de Sofia Loren, nunca esqueço dela balançando o papel do vencedor gritando "Roberto". Torci muito por Central do Brasil e por Fernanda Montenegro. Walter Salles é, para mim, o melhor diretor brasileiro.

abraços

2 de março de 2010 14:04
Amanda Aouad disse...

hehehe, todos nós, Robin, todos nós.

3 de março de 2010 20:54
Alexandre Terra disse...

eu torço p cinema nacional, nao sou nenhum expert, sou apenas espectador, mas acho q falta algumas coisas p cinema nacional emplacar de vez, nem sei dizer oq sao essas coisas, mas sem duvida o mais importante d q ganhar premiso la fora eh conquistar o proprio publico brasileiro q parace ter um tipo de preconceito contra os filmes nacionais..........e na epoca eu tinha apenas 11 anos, mas nao engoli o fato da Gwineth Paltrow levar o oscar, qualquer uma merecia (inclusive a Fernanda), mas a Gwineth é horrenda como atriz!

5 de março de 2010 11:32

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