Em 1987, Percy Adlon nos brindou com uma das histórias de amizade mais inusitadas e belas que conheço. Duas vidas completamentes diferentes. Dois mundos, duas realidades, dois quadros de referências. Jasmin e Brenda à primeira vista jamais poderiam conviver por muito tempo. Mas, aos poucos, vão percebendo que são mais parecidas do que imaginavam. É lindo acompanhar a trajetória de encontro de duas almas.
Chega às telas mais um dos Vingadores e com um viés diferente de todos os outros. Thor, o Deus do trovão, não tem sua origem na ficção científica como a maioria dos heróis da Marvel que sofreram alguma mutação genética, foram expostos a radioatividade ou a experiências estranhas. Seu poder vem do trovão, é divino, mágico, e está concentrado na figura mítica de Mjölnir, seu machado. Então, aquele movimento de trazer o universo dos quadrinhos cada vez mais para o mundo real fica um pouco comprometido, principalmente quando estamos em Asgard. Muita coisa fica artificial e estranha, ainda assim, é um filme empolgante.
Trigésima Cine Dicas Vídeo Hobby e com isso, chega ao fim nossa parceria com a rede videolocadora baiana. Espero que vocês tenham apreciado cada semana, cada dica, cada prêmio ou ação que fizemos a partir dessa parceria. Claro que tivemos também, com ela, a oportunidade de assistir muito mais filmes e com isso enriquecer ainda mais o acervo de críticas do CinePipocaCult. Sempre fica uma sensação de melancolia ao final de uma relação tão proveitosa para todos, mas é assim mesmo. Os posts continuarão todos em nossos arquivos, com muitas dicas e referências para todos os gostos. E o CinePipocaCult continua, claro, sempre buscando novidades para vocês. Estamos preparando uma nova coluna com os destaques da semana, aguardem. Gostaria também de falar do nosso perfil no Twitter que está próximo a completar mil seguidores e, assim que isso acontecer, vamos fazer uma ação bem legal. E agora, vamos as nossas últimas dicas de Guy Ferreira aqui. Continuem acompanhando também os lançamentos em DVD no site da Video Hobby.
"Tudo é ilusão", declara em um determinado momento a personagem de Reese Witherspoon para Robert Pattinson. A idéia da história baseada no livro de Sara Gruen é falar da ilusão da vida. Achamos que temos alguma coisa, que somos alguém, porém, tudo pode mudar em um piscar de olhos. Temos aqui o círculo perfeito de uma tragédia, mas que na tela do cinema se apresenta de uma forma frágil, enquanto nas páginas do livro era rico em detalhes e até mesmo profundo. Água para elefantes é, então, um filme regular. Consegue nos contar uma história, mas abusa dos efeitos melosos para nos emocionar a qualquer custo. E isso fica falso a maior parte do tempo.
A dupla de “Jogos Mortais” está de volta agora com um filme com um tom maior de suspense. A tensão é grande na casa da família Lambert e muita coisa pode acontecer. Quer conferir esse filme? Basta seguir as indicações abaixo.
Sinopse: Uma família, que acabou de se mudar para uma casa nova, descobre que um espírito do mal está dentro da casa ao mesmo tempo em que o filho do casal entra em coma de maneira inexplicável. Tentando escapar das assombrações e para salvar o menino, eles se mudam novamente e percebem algo terrível que os deixa desesperados: não era a casa que estava mal-assombrada.
Regras (10 pares*):
1 - Siga o @cinepipocacult no Twitter.
2 - Clique no cartaz ao lado para acessar o Twitter, dê RT na mensagem e torça para ser sorteado.
3 - RTs Válidos até 28/04 às 21h
*Convites válidos de segunda a quinta-feira, exceto feriados, nos cinemas que estiverem exibindo o filme. Exceto salas 3D, Cinemark Iguatemi (SP) e salas Prime do Cidade Jardim (SP). Cine Araújo: Salas VIPS do Multiplex Rio Preto (São J. do Rio Preto) e Multiplex Catauaí (Londrina) - Kinoplex: Sala Platinum do Shopping V. Olímpia (SP) e Parkshopping (Brasília). Os prêmios deverão ser retirados na Av. Tancredo Neves em local a ser especificado por e-mail em até uma semana após divulgação do resultado.
O título do filme de Sílvio Soldini, de Pão e Tulipas, não deixa de ser interessante. Afinal, é da nossa natureza querer sempre mais. Não há vida sem objetivo, sem algo a ser almejado, desejado. Então, mesmo uma pessoa feliz ainda tem que querer algo, ou morre de tédio. O problema do longametragem Que mais posso querer é que daria para fazer teses sobre o título, mas pouco há para se falar da história em si. Nem tanto por sua estrutura frágil escrita a seis mãos, mas pela forma já conhecida e repetitiva com que conduz a trajetória de sua protagonista.
Estranhas são as vias do Amor:
e bem o sabe quem as quer seguir:
muitas vezes ele perturba o coração seguro:
quem ama não encontra constância.
Aquele a quem a Caridade
toca no fundo da alma
conhecerá muita hora de desolação. Fonte
Para falar amores violentos que expõem dores e desejos diversos sem estereótipos, julgamentos ou clichês, João Jardim ouviu mais de 60 depoimentos de pessoas diversas. Escolheu oito para compor o roteiro de seu filme, mas percebeu que o tema era por demais íntimo e doloroso para expor assim na tela. Como essas pessoas se sentiriam? E seus parceiros citados? E os filhos deles? Até que ponto um documentário tem direito de desnudar pessoas e o quão elas podem se arrepender ou não? Foi assim que veio a idéia de encenar o documentário e construir um adorável hibrido que não busca questionar o limite do documentário e da ficção como Jogo de Cena de Eduardo Coutinho, mas nos traz experiências ímpares sobre a capacidade de amar e os limites das relações.
Oito pessoas, oito experiências de vida, nove atores conhecidos, uns mais outros menos, mas todos claramente atores. Não há dúvidas ao telespectador de que estamos vendo uma encenação da vida real. A forma como o enquadramento é construído, repetindo passo-a-passo da entrevista, colocando inclusive as interferências do entrevistador em alguns momentos nos dão a sensação exata de vida real exposta. Não há, então, maniqueísmo. São seres humanos com lados sombrios e luz, contando o que têm de mais íntimo dentro de si. A simulação chega a detalhes como na entrevista do personagem de Eduardo Moscovis ter uma interrupção para atender o celular que fica ligado o resto da entrevista. E o lettering ainda reforça que aquilo realmente aconteceu. Temos também na entrevista da personagem de Júlia Lemmertz o sublime momento pós-fala, quando a câmera ainda está ligada e a entrevistada fica ali, acuada, constrangida. É a pausa para ver se algo mais acontece, técnica clara de documentário. Tudo muito bem feito.
Intercalando esses depoimentos, João Jardim nos brinda com inserts poéticos. São todos simbólicos, emocionais, não cognitivos que demonstram corpos se unindo, casais brincando no mar, pulos, saltos e água, muita água. Seja de mar, de piscina, de chuveiro. Aquela que lava a alma, mas pode sufocar. É interessante reparar a sensação que traz no descanso entre um depoimento ou outro. Todos fortes, carregados, densos. Tudo isso costurado por versões instrumentais de significativas músicas brasileiras sobre o tema. As versões são comandadas pelo músico Lenine que as toca no violão acompanhado de outros músicos. Como são todas músicas conhecidas, ao ouvir os acordes, nosso cérebro cantarola a letra e a mensagem é passada de forma bela.
O fato de saber que um ator servirá de máscara daquela história tira os pudores de contar tudo e o entrevistado fica à vontade. Da mesma forma, os atores sabem que estão encenando, por mais que seja uma encenação da vida real e se vestem daquele personagem sem julgamentos, apenas sendo. Compor um monólogo expondo a vida de uma pessoa real é, sem dúvidas, uma missão complicada. Vemos isso na personagem Júlia que é interpretada por duas atrizes diferentes. O cenário, o figurino e a forma como cada uma expõe aquele história é completamente diferente, apesar de serem as mesmas palavras. Silvia Lourenco é mais sofrida, parece que ainda não superou a história, que a ferida ainda está aberta. Já Fabíula Nascimento nos dá a sensação de uma pessoa mais endurecida, que já cicatrizou a ferida e que se fechou ao amor pela experiência dolorosa.
Os cenários de cada um também expõem um pouco o tom do depoimento. Lília Cabral está no meio da rua, apesar do foco estar apenas nela, vislumbramos um caminho atrás dela. Nada é tão dolorido. Já Júlia Lemmertz está encostada em uma parede, literalmente, em pé, acuada. Assim também está Ângelo Antônio, só que ele está sentado, apesar de nos parecer preso, há um pouco mais de conforto que Júlia. E é interessante reparar também que o roteiro constrói uma gradação dessa agonia. O depoimento de Lilia Cabral é o primeiro, seguido de Eduardo Moscovis que está confortavelmente sentado em uma cadeira de sua sala aparentemente ampla e bem iluminada. Ele está tão tranquilo e dono da situação que termina a entrevista perguntando: "Acabou? É isso?"
Amor? é daqueles filmes que podemos rever algumas vezes sem cansar. Que nos faz pensar, refletir, recriar. Não traz respostas, apenas mais perguntas. Ele quer apenas desabafar toda essa angústia de relações tão complexas que fazem mal, mas viciam. Aquela necessidade doentia do outro que não se explica, só quem viveu compreende. Sempre temos um caso na família, entre os amigos ou nosso mesmo para lembrar. Sem julgamentos, sem rótulos. Apenas os fatos expostos da forma mais honesta possível.
Amor? (Amor? : 2011 / Brasil)
Direção: João Jardim
Roteiro: João Jardim, com a colaboração de Renée Castelo Branco
Com: Lilia Cabral, Eduardo Moscovis, Letícia Collin, Cláudio Jaborandy, Silvia Lourenço, Fabíula Nascimento, Mariana Lima, Ângelo Antônio e Júlia Lemmertz.
Dureção: 100 min.
Domingo de Páscoa, o mundo cristão comemora a ressurreição do Cristo. E este post fala mais de fé e religiosidade que cinema. É tempo de renovação, mesmo que muitos símbolos sejam emprestados dos rituais antigos, que comemoravam no equinócio de primavera o renascimento da terra após um longo inverno. Independente das crenças, das raças e religiões é sempre tempo de renovar a fé. E para não dizer que não falei de filme, cito abaixo três longametragens que tem esse caráter de dúvida e crença muito fortes. Não escolhi os filmes pela qualidade técnica, nem preferência, mas pelo conteúdo da discussão que incita. Afinal, o que importa? Comprovar que o Cristo veio à terra por meio de uma virgem, pregou por três anos, foi crucificado e ressuscitou no terceiro dia? Ou sua mensagem de amor para humanidade?
Mais um herói da Marvel ganha vida nos cinemas. E não é um herói qualquer, é o Deus do Trovão: Thor, inspirado na mitologia nórdica. Com direção de Kenneth Branagh, tendo no elenco Chris Hemsworth como Thor, Natalie Portman como Jane Foster e Anthony Hopkins como Odin, o filme é um dos filmes mais esperados para concretizar o sonho dos fãs de verem Os Vingadores em tela. Ainda esse ano, o último integrante também ganha corpo nas telas, Capitão América. Thor estreia dia 29 de abril, e estamos em contagem regressiva. Agora, se você é de São Paulo, pode ver o filme antes até mesmo que eu, com direito a pipoca e Sukita. Vejam as regras abaixo:
O ser humano teme o desconhecido. É fato. A sensação de desproteção diante daquilo que não conhecemos pode se tornar insuportável. E como é possível nos sentirmos assim dentro de nossa própria casa, espaço que deveria ser a nossa fortaleza? Se isso acontece tira o nosso chão e nos tornamos totalmente vulneráveis. E nisso se baseia o filme de terror. O primeiro ato de Sobrenatural é uma aula do gênero. A atmosfera sombria, os personagens frágeis, o perigo iminente, tudo é construído para nos deixar dentro do clima que se vê na tela. Pena que isso não se mantêm durante toda a projeção.
A Garota da Capa Vermelha é uma história realista baseada no conto de Chapeuzinho Vermelho que estreou hoje em todo o Brasil. Quer conferir esse filme*? Basta seguir as regras abaixo. Moradores de Salvador ainda levam um super kit** do filme.
Sexta-feira da Paixão. A Semana Santa começou mais cedo no Brasil já que ontem foi feriado de Tiradentes. Então, muita gente já deve ter viajado ou programado seu feriado. Mas, sempre é tempo de escolher novos filmes para assistir. Antes, gostaria de sugerir a leitura de um post que fiz em 2009 quando o blog ainda não era tão frequentado. Apesar de falar um pouco do filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, vai além e resume um pouco o que acho dessa data. Filmes sobre Jesus, a Paixão e o significado da Páscoa não faltam, mas para não ficar apenas no mesmo tema, as dicas de hoje são bem variadas. Sem mais demora, vamos a elas.
As festas cristãs perdem espaço a cada dia para as fantasias criadas para esquentar o comércio, inclusive no cinema. Primeiro o natal se tornou do Papai Noel, agora a Páscoa é do coelhinho. A Universal Pictures lança, na sexta-feira da paixão, o filme Hop, que ganhou o singelo sub-título Rebelde sem Páscoa. Entrando no clima da brincadeira e fantasia de um coelho especial que vive na ilha de... Páscoa e distribue guloseimas para as crianças de todo o mundo, o filme tem momentos divertidos, principalmente pela construção do pequeno Júnior, mas esbarra em alguns clichês cansativos e outros absurdos, nos deixando com uma sensação de cansaço ao final da sessão.
Chapeuzinho Vermelho é uma das fábulas dos irmãos Grimm mais cantadas em verso e prosa. Está em livros infantis, em histórias da turma da Mônica, na paródia Deu a Louca na Chapeuzinho, nas músicas que vão da bossa nova ao pagode, ou seja, no imaginário popular. A garotinha que passeia pela estrada afora com uma capinha vermelha e uma cesta de doces até a casa da vovozinha e encontra um lobo no caminho tem vários significados simbólicos para psicanálise. Misturando um pouco de tudo isso e trazendo a trama para um mundo mais realista, o roteirista David Johnson criou um universo dark, completamente denso e focado no suspense. Mas, mesmo com sua experiência pelo roteiro de A Órfã, algo ficou faltando nessa obra que além de cair no lugar comum, acaba sendo frágil em vários momentos.
"Nove de nós vieram para cá. Somos parecidos com vocês. Falamos como vocês. Vivemos entre vocês. Mas não somos vocês. Conseguimos fazer coisas que vocês apenas sonham fazer. Temos poderes que vocês apenas sonham ter. Somos mais fortes e mais rápidos que qualquer coisa que já viram. Somos os super-heróis que vocês idolatram nos filmes — porém, somos reais." - orelha do livro.
Dois estranhos, uma atração muito forte e menos de 24 horas para se conhecer. O filme de Richard Linklater nos deixa cúmplices de um casal formado de uma forma atípica e tem sua força nos diálogos francos sobre coisas que, na maioria das vezes, não estamos dispostos a expor tão facilmente. Olhando o casal interpretado por Ethan Hawke e Julie Delpy, percebemos o quão frágil somos diante do outro ao iniciar uma relação amorosa. Queremos parecer belos, inteligentes, sem defeitos e acabamos construindo jogos psicológicos que tanto atrapalham. No caso de Jesse e Celine, a situação inusitada acaba ajudando a se soltarem um pouco no início, afinal, é apenas por uma noite e logo aquele estranho vai embora. Mas, com o passar do tempo, a tensão fica visível e o envolvimento emocional desperta o medo de se entregar e sofrer.
ATENÇÃO COM OS SPOILERS.
Em determinado momento da noite, a declaração do que sentem vem através de uma brincadeira de telefone, como se falassem a um amigo e não ao outro ali na frente. Quase uma metáfora do sentimento que cresceu em ambos, mas não sabem como resolver aquela situação. É provavelmente o jeito mais fácil. Fingindo se abrir com um amigo, em vez de se expor para a pessoa ali na frente, eles conseguem dizer todos os medos e sentimentos que os envolvem. A beleza dessa cena não está na construção técnica da direção ou mesmo da fotografia, que parecem bem simples em um plano e contra-plano tradicional, mas no diálogo e na interpretação dos atores. É interessante perceber o jogo de olhares, as reações a cada fala. A forma como eles vão dizendo tudo o que queriam, mas não tinham coragem.
Primeiro Celine finge conversar com uma amiga, conta que está em Viena com um rapaz que conheceu no trem. Interessante reparar que tanto o plano, quanto o contra-plano sempre deixam uma parte do ombro do outro na tela, nunca temos uma câmera subjetiva de um dos dois. Isso mantêm a distância não apenas de um personagem do outro, já que vemos através da perspectiva que não estão tão próximos, como também de nós mesmos. Estamos juntos àquele casal, mas ao mesmo tempo, somos apenas testemunhas desse amor crescente. Atrás dela, tem um grupo de pessoas mais velhas conversando, levemente fora de foco, mas dá para distingir suas feições. Atrás dele, apenas um homem. Talvez, a escolha dos figurantes seja simbólica, já que Celine é uma mulher mais aberta a relações sociais e tem uma ligação muito forte com a avó, que tinha acabado de visitar. Já Jesse é um rapaz mais solitário, tinha acabado de ser deixado por sua namorada que mora em Madri e como diz no diálogo, queria andar pela Europa como um fantasma, completamente anônimo.
Nessa cena ficamos sabendo o que encantou no outro à primeira vista. São revelações interessantes. Como Celine dizendo que se interessou por Jesse quando ele disse que viu o fantasma da bisavó. "A idéia de um garotinho com seus lindos sonhos". Fingindo falar com a amiga ela se sente à vontade de dizer que Jesse a conquistou, que é fofo e tem lindos olhos azuis. Enquanto Celine descreve as qualidades físicas de Jesse, Richard Linklater nos deixa com a imagem dele, sorrindo e ficando envergonhado com os elogios. É sua reação o que mais importa. Da mesma forma quando ele vai falar ao fictício amigo que Celine é inteligente, muito passional e bonita, estamos vendo ela completamente sem graça, tanto que não baixa apenas o olhar como em muitas vezes na conversa, mas também a própria cabeça. Mais dicífil do que receber uma crítica é um elogio sincero. Richard Linklater mostra muito bem isso nesse jogo de cena.
E no final, ela ainda acaba entregando, ainda fingindo ser o amigo de Jesse, que sentou perto dele no trem de propósito. Afinal, "as mulheres agem de forma estranha". É uma bela declaração de amor, em um restaurante simples em Viena, em uma madrugada atípica, onde dois estranhos se tornam mais íntimos do que muitos casais que se conhecem a anos. Melhor ver a cena do que continuar lendo.
Em dezembro de 1996, Wes Craven trouxe algo diferente para tela: um filme de terror que satirizava os filmes do gênero de uma forma inteligente. Fez tanto sucesso que os estúdios correram para lançar uma continuação um ano depois, que já não foi tão interessante e fecharam a trilogia em 2000, com um filme lamentável. Dez anos depois, Wes Craven e o roteirista Kevin Williamson ressuscitam seu Ghostface com uma obra que não apenas tira o gosto amargo das continuações como faz jus ao original, reconstruindo com vigor a metalinguagem que sustentou o sucesso da série Pânico.
Essa semana o cinema perdeu Sidney Lumet, diretor de clássicos como 12 homens e uma sentença, Rede de Intrigas e Um dia de cão. Mesmo sem repetir o estilo em cada filme que dirigiu, Lumet é daqueles diretores que sabe a importância da câmera e como melhor posicioná-la para contar uma história. Uma grande perda, sem dúvidas. Essa semana está sendo bastante produtiva para o CinePipocaCult também, pois eu e Ari estamos participando do curso de Pablo Villaça que está acontecendo aqui em Salvador, bons ensinamentos e reciclagens de idéias. Recomendo a todos que tenham a oportunidade de fazer. Sem mais, vamos a intenção do post que são as dicas de Guy Ferreira dessa semana. Bons filmes para todos.
O que esperar de uma boa comédia romântica? Rapaz conhece moça, rapaz perde moça, rapaz reconquista moça? Existem filmes que são assim, puras fórmulas onde já sabemos o final, mas torcemos freneticamente para que ele se realize. É interessante, então, quando vemos uma comédia romântica que brinca com a premissa principal de que todos estão a procura do seu verdadeiro amor. O problema é que, mesmo com nova roupagem, Ivan Reitman constrói uma comédia romântica como manda o padrão do gênero. E o pior é que a gente acaba torcendo para que no final tudo volte ao velho e bom clichê de felizes para sempre. O roteiro de Elizabeth Meriwether começa confuso, mas vai nos envolvendo com os personagens aos poucos, por mais óbvio que seja o final, não fica incoerente. Faz parte desse mundo moderno em que vivemos. As pessoas tem medo de se apaixonar, se entregar, mas no fundo, todo mundo quer viver um grande amor. Mas, vamos por partes.
Estamos diante de Emma e Adam. Ela, uma estudante de medicina que não acredita nos sentimentos. Ele, típico cara legal que acaba de descobrir que seu pai está com sua ex-namorada. Vemos no início do filme momentos da vida dos dois antes de chegar a esse ponto chave, onde se encontraram por acaso em um acampamento, uma festa da faculdade e uma feira ao ar livre. Há uma tensão entre ambos, mas sem aproximação. Até que o inusitado acontece e eles começam uma relação diferente. Tal qual a música: apenas sexo e amizade. Ainda mais com o pacto de que se um dos dois sentir algo mais, a relação acaba.
É óbvio que isso vai acontecer, mas não exatamente pelo clichê das comédias românticas. É natural do ser humano a posse, a ligaçao afetiva, por mais que o mundo moderno nos afaste com medo de sofrer. A gente quer encontrar nossa cara metade. Então, ficar uma vez, só pelo sexo e depois sumir. Beleza. Mas, manter relações diariamente, no mínimo, a gente acostuma com o outro. Faz parte dessa incongruência do mundo em que vivemos. Lembrei bem do filme O Espelho Tem Duas Faces de Barbra Streisand que consegue falar disso de uma forma mais madura. Mesmo que diga não, todo mundo quer amar.
O fato é que, mesmo clichê ou aparentemente incongruente, no final é apenas mais uma comédia romântica, Sexo sem compromisso é divertido. É gostoso acompanhar a relação de Emma e Adam. Natalie Portman está ótima em um personagem mais leve depois do denso Cisne Negro, natural, feliz, encantadora. Já Ashton Kutcher como ator é um belo homem, mas não compromete. Faz cara de menino abandonado e derrete a gente. Kevin Kline é que está sub-aproveitado como o pai de Adam. Digamos que faz um verdadeiro babaca.
Procurar grandes cenas ou mesmo sutilezas do diretor nesse filme é como procurar uma agulha no palheiro. Não tem grandes novidades. O roteiro tem falhas. Os personagens são rasos. A história pode ser considerada até boba. Mas, nos envolve e diverte se estamos no espírito de uma comédia romântica para distrair o juízo. Afinal, é difícil falar de amor nos dias de hoje, sem parecer piegas ou cair nas armadilhas do já dito. Coisas do mundo moderno. Fica a dúvida se o gênero precisa mesmo de uma reformulação para acompanhar o estilo de hoje em dia.
Sexo sem compromisso (No Strings Attached: 2011/ EUA)
Direção: Ivan Reitman
Roteiro: Elizabeth Meriwether
Com: Natalie Portman, Ashton Kutcher, Kevin Kline, Cary Elwes.
Duração: 108 min
Um homem religioso, abandonado pela mulher, e que já foi um bom guitarrista de blues, encontra uma ninfomaníaca ferida na estrada e resolve ajudá-la, em todos os sentidos. Dessa junção inusitada surge uma amizade e uma oportunidade de mudança de vida para ambos. Dirigido por Craig Brewer, Entre o céu e o inferno é daqueles bons filmes de redenção, que embora tenha um tropeço ou outro, se torna uma boa opção para fugir da mesmice. Afinal, não é todo dia em que vemos Samuel L. Jackson como um religioso protetor e Christina Ricci como uma moça que só pensa em sexo e passa a maior parte do filme de calcinha e camiseta.
Olhando o título infeliz do filme no Brasil, os comentários na capa do DVD e o estereótipo de Jim Carrey, qualquer um pensa que O Golpista do Ano é mais uma comédia escrachada e cheia de bobagens. Mas, apesar de momentos divertidos e algumas piadas, o longametragem de John Requa e Glenn Ficarra está mais para um drama existencial que outra coisa. Baseado no livro de Steve McVicker, conta a história real do golpista Steven Russel, que passa de policial texano a viver de pequenos e depois grandes golpes quando resolve mudar de vida e assumir sua homossexualidade. Não que uma coisa tenha algo a ver com outra, mas Russel chega a conclusão que manter um padrão de vida gay é muito custoso e resolve que só com golpes poderá se sustentar.
Esperada animação ambientada no Rio de Janeiro com direção do brasileiro Carlos Saldanha, Rio é uma animação caprichada que você pode conferir através do CinePipocaCult, basta ver as regras abaixo e escolher sua forma preferida. Quem é de Salvador ainda pode levar brindes divertidos.
Drama familiar dirigido e roteirizado por Dennis Lee, Um segredo entre nós promete mais do que cumpre, cansando o espectador com seu exagero de maniqueísmo da parte do pai da família, vivido por Willem Dafoe e da passividade excessiva da personagem de Júlia Roberts em uma participação quase especial pelo pouco tempo em tela. Sua personagem, no entanto, é o centro da ação, ficando sua aura presente em toda a projeção seja por lembranças ou consequências dos seus atos. Daqueles filmes para quem gosta de ver famílias se degladiando em processos psicológicos.
Michael Waechter, vivido por Ryan Reynolds, retorna à sua cidade natal para a formatura de sua mãe, quando esta sofre um acidente de carro fatal. Dividido entre as memórias ruins da infância, onde seu pai agia como um verdadeiro carrasco enquanto sua mãe o tentava proteger, e o momento atual, onde vê sua família despedaçada pela dor e convivência difícil, Michael não sabe se expõe ainda mais as feridas com seu novo romance, uma espécie de drama semi-autobiográfico que retrata tudo isso.
Drama existencial, problemas familiares, tudo isso já foi explorado, mas sempre rende novas boas histórias. O problema em Um segredo entre nós é que não conseguimos compreender a motivação dos personagens e com isso não nos identificamos. Por que o pobre do Michael sofre tanto nas mãos do pai? E por que sua mãe vê a tudo isso calada? Deixar um filho no meio da estrada em plena chuva para voltar andando sozinho para casa só porque ele estava com as mãos no vidro do carro é algo exagerado demais. Da mesma forma como o plot do acidente que tira a vida de Lisa, vivida por Julia Roberts.
A atriz, por sinal, apesar de estar no cartaz dando a falsa sensação de protagonista e morrer logo no início do filme, está sempre retornando, seja por flashback ou por citações de seus familiares. Naquela família estranha ela é uma espécie de pilar de difícil compreensão. E mantêm um segredo que acaba se perdendo no meio do roteiro, apesar de forte acaba não resultando em nada, talvez por ser revelado apenas quase no fim da projeção.
Um Segredo Entre Nós (Fireflies in the Garden: 2008 / EUA)
Direção: Dennis Lee
Roteiro: Robert Frost e Dennis Lee
Com: Ryan Reynolds, Emily Watson, William Dafoe, Carrie-Anne Moss, Hayden Panettiere.
Duração: 120 min
Nunca li o livro O Apanhador de Sonhos de Stephen King, mas o título sempre me chamou atenção. Veio o filme e também fiquei curiosa, mas não tinha tido a oportunidade de ver. Antes não tivesse tido essa oportunidade. Fiquei pensando bastante se falaria desse longametragem aqui, mas, afinal, também precisamos falar dos filmes ruins. E hoje é o dia de bomba. O Apanhador de Sonhos merece a nossa atenção em seus quatorze primeiros minutos. Se quiser ficar com uma boa impressão do filme, pare por aí. A partir de então, é só ladeira abaixo. Nunca vi algo tão incompetente quanto esse roteiro que faz uma mistura de várias referências de filmes de terror e acaba de uma forma lamentável. Fica a pergunta de como Morgan Freeman se prestou a esse papel.
Vocês já devem ter percebido, mas é bom ressaltar. O CinePipocaCult conta agora com um novo sistema de comentários. Agora vocês podem solicitar que sejam avisados por e-mail, sempre que comentarem no post que comentou ou apenas aos que responderem diretamente em seu comentário. É uma forma de valorizar ainda mais a participação e discussão saudável aqui no blog. Coisa que já vinha sendo solicitada por alguns leitores. Esperamos que gostem. Ontem, recebemos também mais um selo do Cinema - Filmes e Seriados, que nos deixou muito felizes, veja mais detalhes dele no final do post. No mais, a semana traz apenas um grande lançamento nos cinemas: a animação Rio. Para não ficar apenas com essa opção, locar um filme é sempre uma saída. E aqui trazemos mais uma vez as dicas de Guy Ferreira para um bom final de semana. Aproveitem.
Desde que foi anunciado o filme Rio com direção do brasileiro Carlos Saldanha, a expectativa só cresceu, principalmente para nós, brasileiros. Uma animação ambientada na cidade maravilhosa, tendo uma Ararinha Azul como protagonista parecia mesmo uma aventura mágica. E é. Rio tem elementos que nos encantam desde as paisagens da capital carioca que estão reconstruídas em detalhes à música envolvente que fica em nossa mente por muito tempo. Eles valorizam o samba, claro, mas tem também um baile funk e referências à Bossa Nova. Na segunda parte dos créditos, ainda vem uma música com Ivete Sangalo cantando, se você é fã da baiana, é legal ficar para escutar. Apesar de alguns detalhes forçados, uns poucos estereótipos e uma explicação completamente falha, Rio é a típica boa animação. Bem feita, divertida, envolvente, que dá vontade de ver de novo.
Raul Seixas já dizia que a gente só usa 10% da nossa cabeça animal e ainda acha que está contribuindo para o nosso belo quadro social. Imagine, então, uma droga que nos fizesse acessar cem por cento do nosso cérebro? Ia subir literalmente para cabeça e teria muita gente achando que era Deus. Pois é, Alan Glynn imaginou essa situação em seu romance "The Dark Fields" e Leslie Dixon adaptou-o com um roteiro instigante e envolvente, sem nenhuma preocupação moral ou ética com o fator drogas. Assim é o filme Sem Limites, dirigido por Neil Burger, uma grande apologia ao faça o que quiser se tiver a chance. Uma mistura de ficção científica, aventura e existencialismo.
Sexta-feira estreia Rio, filme de animação dirigido pelo carioca Carlos Saldanha que teve Avant-premiere especial repleta de astros e estrelas de Hollywood como Anne Hathaway e Jamie Foxx. A estreia se tornou um acontecimento tão esperado que estreia em 1008 salas brasileiras, um recorde. É natural tanta expectativa gerada pela volta do filho pródigo, já que após o sucesso da trilogia A Era do Gelo, Saldanha virou uma espécie de referência no mundo de animação. O próprio diretor afirmou que a idéia de fazer Rio surgiu da falta de animações sobre ou no Brasil, junto com a vontade de homenagear sua cidade natal. Mas, exatamente por ser brasileiro, as cobranças com a veracidade dos fatos é maior e algumas pessoas esquecem da licença poética do estilo. Na revista Época dessa semana, um biólogo aponta doze erros do desenho que vão desde o fato da ararinha azul não ser natural do Rio e sim de cidades ribeirinhas da Bahia ao detalhe da pata que está faltando um dedo. Nenhum desenho precisa ser uma aula de biologia ou geografia, tudo está a serviço da história, da arte e da diversão. O próprio biólogo afirma depois que, apesar dos erros, o filme é divertido e bem realizado. Então...
Baseado no livro de Kazuo Ishiguro, esse é o filme que nos deixa com um nó na garganta. Diferente das histórias que estamos acostumados a ver, Não Me Abandone Jamais usa ficção científica para falar do que há de mais humano nessa vida: destino e conformismo. A reflexão da personagem Kathy demonstra na sutileza tudo aquilo que a história quer nos passar e ficamos nos perguntando, fazemos isso no nosso dia a dia? Não falo aqui de ciência, ética ou valores humanos, mas de atitude de vida. Somos ou não somos seres livres que detêm o controle de nossas vidas? A inércia dos personagens é apenas um eufemismo para nos mostrar nossas próprias atitudes diante de nossas escolhas diárias.
Contando um pouco dos bastidores do telejornalismo norte-americano, Uma Manhã Gloriosa tem dois pontos positivos desde o cartaz para mim, a presença de Diane Keaton, atriz que admiro, e o retorno de Harrison Ford em um papel cômico, coisa que ele sabe fazer muito bem. Essa despretensiosa comédia é um clichê ambulante com personagens repetitivos, mas, às vezes, nada melhor do que um bom clichê bem feito. O filme me fez rir, isso é o que importa nesse caso, mesmo com a obviedade do roteiro e a repetição de papéis já vistos em outras tramas da roteirista Aline Brosh McKenna, como O Diabo Veste Prada. A direção Roger Michell é ágil e condizente com a história, pecando apenas em um certo excesso de clipes musicais nas passagens de cenas.
Co-Produção Brasil / Espanha dirigido pelo brasileiro Andrucha Waddington, Lope é uma surpresa agradável em termos de cine-biografia, contando um pequeno trecho da vida do famoso poeta e dramaturgo espanhol Félix Lope de Vega y Carpio que deixou mais de 1.800 obras, entre peças, textos e poemas. Todo filmado na Espanha e em Marrocos, o filme tem um ar romântico sobre o personagem título, principalmente em relação a sua dedicação às mulheres e sua luta contra a moral vigente. Ainda assim, ou talvez por isso, nos conquiste. Lope é daqueles filmes que é gostoso de acompanhar em seus detalhes, com uma bela reconstituição de época, atores com desenvoltura e um roteiro que encadeia bem a ascenção do dramaturgo em paralelo a sua vida amorosa.
E mais uma semana chegando ao fim, hora de escolher os filmes para assistir no fim de semana. Sempre com opções para todos os gostos. Mas, antes, vamos ao resultado da promoção da semana passada. E não é mentira, hein? Como esperado, o livro O Discurso do Rei foi mais concorrido. Então, Felipe Damasceno leva o livro de A Morte e Vida de Charlie, por ter sido o único a escolhê-lo. Já O Discurso do Rei vai para Roberto Camara Jr., pela justificativa não apenas da escolha da melhor dica, como pela justificativa da escolha do livro. E agora, vamos às dicas de Guy Ferreira dessa semana.